PSICOLOGIA PARA TODOS

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REFORÇOS POSITIVO E NEGATIVO

O comentário feito há dias no post MODELAGEM e IDENTIFICAÇÃO 2, obrigou-me a fazer este post para esclarecer certas dúvidas que ainda existem. As mesmas dúvidas persistiam, em 1975, em muitos de nós, alunos do 5º ano de Psicologia da vertente clínica, do ISPA.
Só depois de assistir a alguns seminários e «oficinas» realizadas pelos especialistas ingleses, consegui ter a noção exacta do conceito envolvido por estas duas designações.

Porém, antes de tudo, recomendo ao comentador que leia com atenção as páginas 28 e seguintes do livro JOANA a traquinas ou simplesmente criança? (D), que estão repletas de exemplos úteis e diversificados, englobando situações do dia-a-dia muito variadas.
 
 
Em primeiro lugar, temos de compreender que reforço é sempre a satisfação sentida por cada um.
Esta satisfação é ocasionada por conseguirmos aquilo que queremos, tal como um bolo, um afago, m prémio, um elogio. É o reforço positivo.
Contudo, também podemos obter satisfação por conseguirmos fugir daquilo que não queremos, como por exemplo, dos cortes de vencimento ou dos impostos. É o reforço negativo.

A vida vai-nos ensinando assim a fugir do que não desejamos e a aproximar-nos daquilo que desejamos.
Enquanto o reforço positivo nos agrada e o procuramos obter a todo o momento, o negativo faz com que nos preocupemos em tentar fugir antecipadamente daquilo que provoca ou ocasiona esse reforço. Esta preocupação provoca-nos medo, ansiedade e, às vezes, uma angústia difícil de ultrapassar.
* Se conseguirmos ultrapassar esta dificuldade, o comportamento utilizado, tem tendência a fixar-se através da aprendizagem com o reforço obtido. Um exemplo flagrante é a motivação para o sucesso. Muitos dos empresários que digam quais foram os seus tempos difíceis iniciais.
* No caso de não conseguirmos ultrapassar essa dificuldade, se conseguirmos eliminar ou reduzir a ansiedade e o medo que lhe estão associados, os comportamentos correspondentes também são aprendidos pelo mecanismo do reforço negativo. Exemplos não faltam com os viciados no álcool, droga, jogo, comportamentos fóbicos ou compulsivos e muitos outros, incluindo os depressivos.
* Se de qualquer modo não conseguirmos ultrapassar a dificuldade, podemos deixar-nos sucumbir à sombra da mesma, entrando em depressão aprendida. A pessoa deixa de ligar importância a tudo, tornando-se quase apática.
Como o reforço negativo é a consequência duma fuga bem sucedida em relação a uma punição, a depressão aprendida é ocasionada quando a punição é persistente e inesperada. Por isso, não vale a pena fugir da mesma, tornando-se menos desgastante não tentar qualquer fuga.
 
Uma diferença essencial entre as aprendizagens com reforço positivo e negativo é a sua força ou virulência. Enquanto o reforço positivo nos agrada muito porque nos deixa satisfeitos, o negativo agrada ainda mais porque conseguimos fugir do desagradável ou da angústia que era provocada pela «ameaça» desse desagrado.

Talvez alguns exemplos possam clarificar estes conceitos acima delineados.
Se tivermos 5 euros no bolso e nos derem mais um, a nossa satisfação pode ter uma determinada magnitude. Mas, se nos tirarem um euro dos 5 que tínhamos, a magnitude do desagrado pode ser maior do que a do agrado. Somos defraudados.
O actual corte nos vencimentos pode criar um desagrado maior do que se houvesse um aumento semelhante. Provavelmente, até a nossa força de aproximação da situação de aumento de vencimento fosse menor do que a força de fugir dos cortes.
Um indivíduo que faz anos, convida amigos para uma festa em que todos se excedem no álcool que os deixa desinibidos e «bem-dispostos», com reforço positivo. Contudo, se alguém for apanhado a conduzir com excesso de álcool e passar um mau bocado, pode até deixar de beber, para não sentir a angústia do resultado da «bebedeira».
Porém, se um indivíduo que se dá mal com a mulher ou fica desempregado, for ajudado por um amigo a baixar a sua angústia com o consumo de «uns copitos», pode aprender a continuar nesta situação enquanto os seus problemas não forem resolvidos. Pode até não conseguir sair desta dependência depois de resolver a situação porque o reforço é negativo. Se por qualquer circunstância, a bebida ingerida não der o resultado pretendido, a sua quantidade, momento ou frequência de ingestão podem levar a que o reforço se torne também aleatório aumentando exponencialmente a aprendizagem que será ainda mais difícil de ser erradicada.

É por este motivo que é recomendável que se evite, tanto quanto possível, uma aprendizagem com reforço negativo a não ser que esse reforço negativo seja controlado e orientado, com uma moldagem adequada, no sentido de motivação para o sucesso. Os atletas também sofrem muito até atingir as suas metas. Contudo, os viciados têm como único objectivo diminuir a sua angústia ou «esquecê-la»
Em breve, talvez o PSICOLOGIA PARA TODOS (F) possa dar uma ideia mais aprofundada destas situações que preenchem o nosso dia-a-dia.

 
 

 

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSO
de cada livro editado em post individual

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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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8 thoughts on “REFORÇOS POSITIVO E NEGATIVO

  1. Gostei deste post.
    Agradeço que me mande pelo correio, logo que possa, o livro da JOANA para o endereço a indicar no seu e-mail mariodenoronha@gmail.com

  2. compincha.wordpress.com on said:

    Estamos a gostar dos seus últimos posts. Algumas famílias já nos informaram do seu apreço.
    CãoPincha

  3. Em 7 de Agosto de 2008, o senhor doutor respondeu ao meu apelo com o poste DIVÓRCIO OU SEPARAÇÃO? no blogue antigo psyforall.blog.com
    Passados 2 anos, um amigo meu com dois filhos adolescentes, esteve para se separar.
    Já que existe agora o novo livro “JOANA…”, aconselhei-o e recomendei que comprasse (comentário de 8 NOV 10) o livro que já chegou.
    A mulher dele também o está a ler e agora estão os dois a “pensar «bem» antes de tudo” como me aconselhou naquele tempo, para não fazerem algum disparate do qual se pudessam arrepender.
    Agradeço o conselho, a ajuda e o livro que lhe enviou há pouco.
    O novo blogue está a ser consultado por muita gente minha conhecida.

  4. José António on said:

    Caro colega que não me deve conhecer.
    Posso garantir que ainda em 1980 confundíamos o reforço negativo com o castigo e não com a fuga bem sucedida ou redução do mesmo.
    E nas Faculdades do Estado nem sabiam o que isso era ou fingiam não ligar importância à modificação do comportamento.
    A mim serviu-me de muito especialmente quando fui fazer o mestrado nos EUA.

  5. Estive a ver este blogue e vários outros anteriores e especialmente dois.
    Verifiquei que no poste ENCOPROSE, de 4 Set 10, uma psicóloga que não deseja ser identificada, fez um comentário desfavorável à modificação do comportamento.
    O mesmo foi respondido com o poste CONFLITOS E DESUMANIZAÇÃO.
    No entanto, o comentário de um outro colega seu, José António, feito em 15 de Novembro no poste REFORÇOS POSITIVO E NEGATIVO, indica que ele demonstra o seu muito apreço pela modificação do comportamento.
    Porém, quanto ao que me interessa, não consegui saber bem através deste poste, o que é o reforço aleatório.
    Quando é que sai o livro “PSICOLOGIA PARA TODOS”?

  6. Quero agradecer o conselho”Não dê passos errados. O bom senso tem de prevalecer. hoje analiso que nada acontece por acaso e que o que não nos mata torna-nos mais fortes..sei que fiz sentido nas vidas em que entrei que no final da relação fizeram não me sentir valorizada muitas vezes..no entanto vi no olhar da outra pessoa as suas vitorias que me foram fazendo sentir orgulhosa por as estar a presenciar e a fortalecer; apoiando-o sempre; no entanto a sua atitude defensiva auto estima baixissima e o sentimento que nutria por mim não era o suficiente para acreditar na pessoa com que construia a relação…
    Com as leituras que o Dr. me recomendara pude avaliar a minha situação afastada dos sentimentos contraditorios(amor…raiva..angustia)
    A pessoa não estava envolvida a 100%..secalhar nunca esteve e duvidou sempre de mim apesar de lhe provar que poderia confiar e nunca o contrario.
    Hoje sinto-me alividade a verdade e que o receio da sua reacção e atitudes agressivas que tinha vindo a demonstrar impediram-me de ir até ao fim de uma tentativa de rompimento do “namoro”..tentei..mas reagio de forma tão repentina e agressiva que de seguida disse que estava apenas a brincar com a situação.
    Sentia-me presa a essa “relação”de amor e ao mesmo tempo receio da pessoa com quem estava; era fragil..percisava de mim e ao mesmo tempo “empurrava-me para longe” fazia juizos de valor a meu respeito; inventava situações; humilhava-me ; fazia-me sentir pequenina ; sem importancia; agredia-me verbalmente; com que me confrontava de forma a observar qual seria o meu comportamento…tão sensivel ao ponto de me pedir para nunca o deixar mesmo que por um futuro melhor longe de Portugal e no entanto tão” bruto” com o decorrer do “namoro” com o decorrer do tempo e ganho de confiança..uma asneira aqui outra acolá; uma ofensa num almoço de familia…e assim foi evoluindo catastroficamente..Nunca me tornei tão forte depois de ter superado esta relação toxica que vivi…
    Agora posso dizer que me sinto feliz como nunca me senti ; que me sinto valorizada ; apreciada e sem duvida RESPEITADA algo que sempre faltou na relação anterior…sinto que tudo aconteceu de modo a que me pudesse libertar daquela tensão daquele sufoco; amor falso; sensação de mão amiga que ele sentia que sempre lhe dei até ao ponto de ir contra tudo e todos para ficar com ele. ate deixar de ouvir quem me alertava para que tipo de pessoa era e que se deixa-se evoluir a relação me poderia magoar muito muito mais.
    Ate ao dia de hoje nada fiz e afirmei isso para que a relação termina-se; no entanto se pudesse ter advinhado como me sentiria hoje…teria ganho coragem e teria dito…Termina aqui…
    Hoje sou feliz junto a uma pessoa que realmente me ama no verdadeiro sentido da palavra!
    Algo que nunca senti por ninguém…agora sei o que e o amor..pena que para isso tenha-mos que passar por situações tão fortes e negativas.
    De facto nem tudo foi negativo e parece estranho mas “agradeço-lhe” por isto.
    Por me revelar o que o verdadeiro amor constroi; e de que o amor não magoa não humilha não desconfia; não ofende ; e muito menos nos faz sentir pouco de nós.

    Fica aqui um agradecimento sincero.
    Obrigada Dr.Mario

    • Estive fora e só hoje tenho internet. Fico satisfeito por poder ter sido útil. Desejo as maiores felçlicidades.
      Mário de Noronha

    • De facto, «nada acontece por acaso». Há sempre causas e efeitos que nos passam despercebidos. Atribuimos isso ao acaso porque não tentamos descobrir as causas. Às vezes, é difícil mas, outras vezes, somos nós que não que não as tentamos ou conseguimos descobrir. Ainda outras vezes, alteramos de tal maneira as causas que já se poderiam prever resultados completamente diferentes.
      É a vida que podemos modificar se nos dedicarmos à imaginação orientada todas as noites, «gastando» apenas 3 a 5 minutos, depois de alguma prática e treino inicial.
      É por isso que estou a preparar os livros, já apresentados no blog «livroseterapia.wordpress.com» e estou a iniciar um novo, intitulado «AUTOTERAPIA PARA LEIGOS».
      Desejem-me boa sorte para os concluir e ter alguns compradores.
      Mário de Noronha.

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