RESPOSTA 20
Há dias, quando perguntei a uma pessoa amiga qual a sua opinião sobre o livro JOANA a traquina ou simplesmente criança? (D), disse-me que ainda não o tinha lido mas que um casal amigo opinara que parecia um livro técnico.
Expliquei que, na estruturação e disposição de toda a matéria explicada nesse livro, a intenção primordial é tentar fazer chegar ao conhecimento de leigos as normas e as forças que regem ou influenciam o comportamento humano.
Isto quer dizer que é uma tentativa de explicar, de forma ligeira e romanceada, à luz da ciência do comportamento humano, os acontecimentos que nos afectam no dia-a-dia. Isto quer dizer que se tenta explicar com linguagem simples, através dos factos do dia-a-dia, a razão da sua ocorrência, assim como as suas causas, consequências e a maneira de os prever e evitar tanto quanto é possível.
Tudo isto é feito com a experiência de mais de 15 anos de consultas, de 1975 a 1990, nas quais foram dadas respostas a centenas de pais que nos pediram conselhos para lidar melhor com os filhos.
Muitos desses pais, se tivessem lido um livro como o da Joana, teriam evitado pelo menos algumas consultas, visto que os casos por eles apresentados não se resolveram em menos de 5 a 10 sessões de aconselhamento. E tiveram muita sorte porque, numa ocasião em que não havia estes livros, foi apenas possível disponibilizar-lhes alguns apontamentos policopiados sobre a modificação do comportamento.
A necessidade de incluir nos livros alguns termos técnicos baseia-se na economia de tempo que se consegue fazer nas consultas, reduzindo o seu número.
Com um exemplo prático, talvez se consiga compreender melhor. Depois de
algumas aulas sobre a modificação do comportamento, uma senhora quis tentar «fazer desaparecer» ou «reduzir» o medo que a sua filha tinha das galinhas (F), visto que nem se aproximava delas. O psicólogo disse-lhe que poderia ser utilizada a técnica de dessensibilização.
A senhora foi para casa, chamou a filha, colocou uma galinha nas mãos, fez-lhe passar a mão pelas penas e, depois de a filha ter lançado a galinha para o ar, foi dizer ao psicólogo, muito triunfante, na aula seguinte, que já tinha utilizado a técnica de dessensibilização com a filha e ela até tinha passado as mãos pelas penas da galinha.
Quando o psicólogo perguntou se a filha já se aproximava à vontade das galinhas, a resposta foi não.
– O que a senhora fez não se insere na técnica de dessensibilização, mas aproxima-se da técnica de saciação ou flooding, muito mal feita e com possibilidades de aumentar o medo das galinhas – disse-lhe o psicólogo.
Pediu-lhe depois que lesse os apontamentos que tinha em casa (F), compreendesse bem o significado das técnicas e, só depois, com a ajuda de mais pessoas, tentasse utilizar a técnica da saciação desde que tivesse a certeza de que a filha não conseguiria «fugir» e «livrar-se» da galinha que tinha de ficar nas suas mãos. Além disso, a filha, com a galinha nas mãos, devia estar completamente à vontade.
Como era sexta-feira, tinha alguns dias para fazer com que a filha repetisse mais vezes esse procedimento a fim de consolidar a aprendizagem. Se a filha conseguisse fugir da galinha, poderia ter reforço secundário negativo aleatório que aumentaria o medo, cada vez mais.
Na aula seguinte, na terça-feira, poderia comunicar o resultado das suas experiências. Assim, o psicólogo ficaria a saber se a técnica da saciação tinha sido bem sucedida.
Se não fosse a utilização dos termos técnicos – desensibilização, saciação, reforço secundário negativo aleatório – com uma pessoa leiga na matéria da modificação do comportamento, quantas palavras e tempo seria necessário despender para explicar um procedimento que deu resultado, mas que talvez necessitasse de intervenção dum psicólogo durante mais de 3 ou 4 sessões? O mesmo acontece com outros pais que vão à consulta do psicólogo.
A indicação da bibliografia adequada ou de «casos» entre parêntesis (ver…), muitas vezes, com a indicação da publicação apropriada com uma letra, por exemplo (F), destina-se a tornar os procedimentos compreensíveis e facilmente consultáveis. Economiza-se em tempo, dinheiro, comodidade e eficácia.
Também, quem quiser saber utilizar esses procedimentos, pode assistir a sessões em que em cerca de 12 horas e com a ajuda de vários livros, pode evitar muitas consultas de psicologia para a resolução de um caso que exigiria várias horas de terapia.
Uma ajuda suplementar, é comentar este post, ou qualquer dos outros deste blog, apresentando as dúvidas ou necessidades, que vão surgindo ao longo do tempo e de diversas circunstâncias.
Utilizando este procedimento, comodamente instalada em casa, a pessoa que consultar este blog, com a leitura de alguns livros essenciais, pode às vezes, tentar resolver os seus problemas, sem a necessidade de se deslocar para consultas que consomem tempo, dinheiro e paciência.
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