PSICOLOGIA PARA TODOS

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RESPOSTA 21

Em relação ao seguinte e-mail que recebemos ontem:

“Caro colega de blog:
Se conseguiu seguir o julgamento de Rui Pedro, em Lousada, o que é que tem a dizer, em psicologia, sobre o silêncio total do acusado durante o julgamento e comprometer-se a falar agora particularmente com a família, com a condição de não ser condenado?
Cão Pincha

posso dar apenas a seguinte resposta:

Em psicologia, não devo fazer qualquer julgamento de valor, mas sim limitar-me aos factos. Contudo, à luz dos ensinamentos colhidos na psicologia social (K), posso fazer uma atribuição relacionando as diversas fases do julgamento, desde o acontecimento em si.

Quando ocorreu o desaparecimento de Rui Pedro, as investigações quase nada indicaram de positivo em relação aos indícios sobre o paradeiro ou percurso da criança, a partir do momento em que deixou de ser vista pelos pais e colegas.

Não houve notícias posteriores, mas as investigações conseguiram deduzir que as últimas duas pessoas que viram o Rui Pedro são a prostituta e o acusado.
A prostituta fez declarações no tribunal indicando o acusado como figura interveniente, mas o acusado negou muita coisa e não conseguiu «encaixar» os factos com uma certa coerência.
Desde o desaparecimento do rapaz, nada mais se soube de concreto, a não ser que muitos aspectos tinham mudado na paisagem urbana onde o acontecimento tinha ocorrido, o que serviu para que a defesa descredibilizasse os testemunhos a favor do rapaz.
Por fim, a apresentação, pela defesa, de vídeos do local da ocorrência, realizados na ocasião do desaparecimento, parece que «lançaram» alguma luz sobre a veracidade dos factos, sobre os quais, utilizando o seu direito legal de não falar, o acusado nada esclareceu.

* Se ele está inocente, qual a razão do seu silêncio?

* Se está inocente, porque não diz isso em público para todos o ouvirem em tribunal?

* Se nada sabe acerca do acontecimento para além do que já esclareceu em audições anteriores, qual a razão de se disponibilizar para falar agora com os pais, em particular, “SÓ SE NÃO FOR CONDENADO”?

* Depois de todas as acções dilatórias e de silêncio, utilizadas pelo acusado de uma maneira muito «fria», é admissível que esta seja mais uma «manobra» para não ser condenado, em função de muitas pistas que o indicam como conivente no desaparecimento do Rui Pedro.

* Pode-nos também fazer suspeitar que existe mais alguma coisa relacionada com este desaparecimento, especialmente porque o acusado é motorista de longo curso e está frequentemente no estrangeiro, em contacto com muita gente, que fica fora do alcance imediato e fácil dos investigadores.

* Se não for mais uma manobra bem urdida de um psicopata, o que mais poderia ele contar aos pais do rapaz, que não pudesse dizer já em público?

* Se o relatório pericial do Instituto de Medicina Legal o considerou pessoa normal, qual a razão de não se pronunciar em tribunal, mas dispor-se a falar em privado com os pais, desde que não seja condenado?

* Como psicólogo que tem mais de 35 anos de prática clínica, posso perguntar também se esse relatório foi elaborado com transcrições da entrevista com o examinando e impressões do examinador ou com base em determinadas provas e seus resultados quantitativos e qualitativos? (B)

* As conclusões do relatório foram baseadas em dados e factos obtidos com as provas aplicadas ou nas presunções científicas dos psicólogos que o elaboraram para incriminar ou ilibar o examinando?

* Quem nos garante que tudo isto não é uma bem montada estratégia legal de defesa, utilizada para evitar uma possível condenação?

Como não sou adivinho, não consigo imaginar coisa alguma …
mas, «casos» destes deviam continuar a ser investigados «discretamente» para evitar «complicações futuras» para a população em geral.

Por todos estes motivos, insistimos muito na «educação» que pode prevenir muitas coisas que, num futuro imediato, se podem transformar em situações a querer remediar o irremediável. A velocidade da Internet não permite isso!

Convém ler também o nosso post “SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL” publicado em 24 de Janeiro de 2010, há mais de um ano, com um caso muito «interessante» e um desfecho trágico para uma criança que não sei se já terá «reconstruído a sua personalidade e vivência emocional”, conforme «determinou» o juiz.

 Já leu os comentários?

Clique em BEMVINDOS

Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS em
psicologiaparaque.wordpress.com

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSO
de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados: http//www.livroseterapia.wordpress.com
http//www.psicologiaparaque.blogspot.com

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG – sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido, com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique abaixo
http://psicologiaparaque.wordpress.com/2011/annual-report/

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4 pensamentos em “RESPOSTA 21

  1. O seu raciocínio final não será exagerado?

  2. Julgo que não.
    Educar é ajudar a formar a personalidade dentro de um determinado ambiente e cultura.
    Que tipo de personalidade irá formar a criança, forçadamente afastada dos pais e enclausurada num colégio orientado por uma confissão religiosa que não é da sua cultura e meio familiar?
    Como vai encarar este mundo quando sair da «prisão» em que se encontra?
    Será isto justiça e será justo?

  3. A propósito deste caso, apetece perguntar o que acha sobre o triplo homicídio que ocorreu em Beja, há poucos dias.
    Será isto normal ou estará a indicar qualquer coisa esquisita?
    Estamos todos interessados que nos escleraça, se for possível.
    CãoPincha

    • Depois de ouvir na televisão as opiniões e os comentários de inúmeros especialistas em criminologia, que não me esclareceram coisa alguma, não posso dizer algo que valha a pena sem «estar dentro do caso» e sem ter os dados factuais e históricos em primeira mão.
      Senão, estaria a criar ainda mais confusão no espírito de muita gente.

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