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Archive for the month “Janeiro, 2010”

SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL

Em 21 de Janeiro, um Anónimo fez o seguinte comentário no post INCENTIVO À CORRUPÇÃO, que eu prometi responder logo que tivesse possibilidade. Tinha de rever a reportagem e pensar um pouco sobre o assunto:

“Já o conheço há bastante tempo, de Lagos, embora não o tenha visto há muito. Também sou avô e tenho netos muitoSaude-B novos. Ontem à noite, vi a reportagem da RTP1 sobre a “menina roubada” e fiquei muito apreensivo e preocupado.
Quando, no Natal, me encontrei com um seu aluno do ISMAT, ele falou-me de si e informou-me que estava a assegurar agora a docência de Psicologia Social e Psicopatologia.
Falou-me também deste blogue bem como dos dois anteriores e disse-me que o senhor gostava mais de comentários do que de e-mails.
Quando dei um golpe de vista pelos três blogues, resolvi fazer este comentário para lhe pedir que dê a sua opinião sobre a reportagem de que falei, porque não consegui compreender o motivo da decisão do juiz nem imaginar qual será o futuro da criança.DIA-A-DIA-C
Se puder, agradeço que esclareça todos os que ficaram na minha situação de embasbacados
.”

***

Depois de conseguir rever a dita reportagem, a minha resposta vai ser muito longa e não centrada exclusivamente na Psicologia.
Como fiquei bastante sensibilizado com o anúncio dessa reportagem (Linha Directa — criança roubada), tanto eu como a minha mulher decidimos vê-la logo depois do telejornal.

Ambos ficámos muito impressionados com o que lá foi dito e apresentado e especialmente com a sentença e com as considerações do psicólogo que disse ter avaliado a situação a pedido do pai da criança.

No final da apresentação da reportagem, a minha mulher perguntou-me:
— O que é que se passa com esta gente? Tu lembras-te dos casos da Esmeralda e da Joana de há bem pouco tempo? E o daquele rapaz que esteve em apoio psicopedagógico e é neto de feirantes?
Isto obrigou-me a pensar no assunto e a consultar este nosso «caso» enquanto fazia algumas extrapolações mentais para os casos da Esmeralda, da Joana e agora da Maria e tentava conseguir rever essa reportagem da qual não tinha tirado quaisquer elementos.

No final, nenhum de nós conseguiu descobrir se, nos casos da Esmeralda e da Joana, os «superiores interesses da criança» tinham sido devidamente acautelados, como exige a Convenção dos Direitos da Criança.

No caso da Maria, à primeira vista, parece que houve uma negligência grosseira, talvez até com a ajuda de um psicólogo.

Segundo consta, os pais casaram-se em 11 de Dezembro de 2001, a Maria nasceu em Portalegre e viveu com os pais durante trêsJoana-B anos, em Castelo de Vide.
Em Outubro de 2005, os pais desentenderam-se e separaram-se e, em 19 de
Dezembro de 2005, o tribunal atribuiu à mãe a guarda da Maria, com a obrigação de ir visitar o pai.
Consta que um mês e dez dias depois desta decisão, ao chegar o momento da viagem para visitar o pai, a criança não desejava cumprir esse procedimento determinado pelo juiz.
Isso fez com que o juiz exigisse a intervenção da GNR para a execução da sentença.

Segundo consta das declarações da pedopsiquiatra que acompanhava a criança, baseada nos relatos da GNR, a criança chorava, esperneava e resistia de tal maneira que até os agentes ficaram impressionados, magoados e atrapalhados para executar essa determinação judicial: ir visitar o pai para estar com ele durante o fim-de-semana.

Perante esta situação que durou quatro anos, havia que tomar medidas e, em 22 de Julho de 2009, os pais foram chamados ao Tribunal de Fronteira para conferência de pais.
O juiz exibiu o vídeo brasileiro “A morte inventada”, para efeitos lúdicosImagina-B e chamou também a criança, que chorou e, cerca de meia hora depois, o juiz, sem ouvir a mãe e sem deixar a Maria despedir-se dos pais, mandou interna-la num determinado lar, com confissão religiosa definida, com a seguinte indicação:
onde deverá (…) ser traçado um plano terapêutico que permita a reconstrução da personalidade da menor…”
porque a criança sofre do sindroma de alienação parental:
“vem vivendo num érebo … por conta de um conflito dos adultos com o qual nada mais tem a ver, que apenas o facto de se haver achado no meio dele.”
“só o afastamento da menor dos seus progenitores é um meio apto a obstar ao agravamento da sua saúde mental.

Esta sentença baseou-se, provavelmente, no parecer dum psicólogo, feito a pedido do pai da Maria, que achava que a criança
Respostas-B30devia ser entregue ao pai
porque sofria do sindroma de alienação parental «induzido» pela mãe.

Este sindroma, segundo o psicólogo:
* 1º: as visitas são calmas com dificuldade de trocar de progenitor;
* 2º: os filhos…(utilizam) argumentos frívolos e absurdos;
* 3º: (o seu estado de) pânico (é tal) que as visitas se tornam impossíveis.

Apesar deste parecer, o juiz diz que “…Maria rejeita a figura do pai não podendo logicamente ficar à sua guarda…” e, sem querer também saber da «aceitação» da Maria, ordena o seu internamento numa instituição duma confissão religiosa.

A pedopsiquiatra que acompanhava a Maria, sabendo do facto, diz que Maluco2entrou em contacto com o juiz para lhe dizer que esse internamento seria muito duro e radical podendo até causar-lhe futuros traumatismos. O juiz assegurou-lhe que a criança estava toda contente a brincar com ele, enquanto ficou registado em acta de conferência de pais “… foi tentada a sua audição, a qual se não se mostrou possível uma vez que a mesma – a criança – se encontrava num estado de choro compulsivo e apresentando repulsa em manter qualquer conversa…”

Entretanto, a psicóloga de Chão de Meninos, tinha informado que, segundo a criança:
“… Em casa do pai, ele dormia com ela na mesma cama …eu não quero nem gosto de dormir com o bruto… ele mexia-me pelo corpo todo só não me mexia na cabeça…e também me mexia no pipi e eu não gostava…”

Internada nesse lar, em Vendas Novas, por decisão judicial, pelo menos um vizinho diz que ouviu, os choros da criança logo de manhã.

A mãe foi autorizada a visitar a Maria às quintas-feiras, durante uma hora ePsi-Bem-B na presença das funcionárias do lar, sem poder tirar qualquer fotografia por imposição de regras da instituição. Um funcionário da casa, depois de muito instado, comprometeu-se a fornecer à mãe uma fotografia do processo judicial da Maria (??? Julgo que não iria tirar uma fotografia nova para a fornecer à mãe).

Entretanto, nada se sabe das visitas do pai ou da possibilidade de as efectuar.

Antes do internamento de Maria nesse lar, e depois da sua recusa em ir visitar o pai, em 25 de Setembro de 2008, nos relatórios de avaliação dos dois progenitores, o Departamento de Psiquiatria do Hospital de Portalegre, diz que qualquer deles «…não padece de perturbações da personalidade…»neuropsicologia-B

Ao Lar de Betânia, de Vendas Novas, pertencente à Igreja Evangélica Portuguesa da Assembleia de Deus, com sede em Lisboa, e onde a Maria está internada (…incumbirá a prestação de todos cuidados adequados de saúde e vivência emocional de que a menor carece…), embora essa instituição não tenha corpo clínico próprio.

Dos peritos ouvidos por quem elaborou a reportagem, verifica-se uma forte opinião contra a decisão do juiz. Entre eles, estão pelo menos dois pedopsiquiatras, duas psicólogas, uma delas  forense, dois bastonários da Ordem dos Homem-soc-BAdvogados, um especialista da OMS, um pastor evangélico que foi enfermeiro, e três especialistas em jurisprudência, uma das quais foi enunciando as medidas que, segundo a lei, devem ser tomadas nestes casos. Até o psicólogo que diagnosticou o novo sindroma de alienação parental, é contra esta decisão do juiz.

Uma das vezes que a mãe foi visitar a Maria, se não houve truques cinematográficos, vê-se a alegria com que esta a recebeu.
Com autorização do Lar de Betânia, a Maria passou o Natal com o pai e o Ano Novo com a mãe.

Nesse Lar, de cuja decisão depende a «libertação» de Maria, é negada a privacidade na visita da mãe, as visitas de familiares e confl2a obtenção de fotos e até a oferta ou utilização dos seus antigos brinquedos.

Depois desta prolongada exposição, a minha estupefacção é grande e apetece-me fazer algumas perguntas:

— O que fez a Maria para ser «presa» numa instituição de determinada
confissão religiosa, que decidirá o momento em que a sua personalidade acabará de ser «reconstruída», segundo a decisão do juiz?
— Porquê a recusa de Maria em ir visitar o pai, verbalizando situações desagradáveis e ambíguas que parece não terem sido tidas em conta nem investigadas?
— Quais as tendências sexuais dos pais e qual a sua vida no dia-a-dia?
— Porquê e como a «reconstrução» duma personalidade que ainda não está construída?
— Porquê a inibição de convivência diária com qualquer dos progenitores, se ambos «não padecem de perturbações de personalidade»?
— Porquê o afastamento de Maria do seu mundo natural, com familiares, amigos, escola, terra natal, só por causa da sua opinião de não querer visitar o pai?
–Porquê a inibição de Maria estar com os seus brinquedos antigos?
— Quem mais averiguou toda a situação, se a perita em psicologia forense avaliou todo o caso e não achou qualquer outra anomalia a não ser a recusa de Maria em estar com o pai?
— Uma criança, filha de pais vivos e integrados numa cultura, mas zangados um com o outro, onde irá buscar os modelos no caso das identificações necessárias para a boa estruturação da sua personalidade ainda em formação? Não é reconstrução…! (ver os posts Ausência das mães em casa e obesidade, de 20 Out 2009, As responsabilidades dos pais, de 19 Jul 2009 e Modelagem e Identificação, de 3 Set 2007).
— Quais são os superiores interesses da criança que foram minimamente salvaguardados neste caso?
O que acontecerá à Maria quando sair da instituição?
— A Maria está satisfeita na instituição? Tem a possibilidade de dizer que não? Se não está satisfeita e sente-se punida, qual a Consegui-Bsua reacção perante a frustração de não poder conseguir sair? Entrar em depressão aprendida ou adoptar comportamentos inadequadas para reduzir a frustração? Alguma resposta tem de acontecer!
— Quem vai tratar da Maria em relação aos traumatismos sofridos com o internamento? Pode quase garantir-se que «ganhará» alguns, por causa da não resolução do conflito entre os progenitores (ver EU TAMBÉM CONSEGUI!).
— Porque razão não se trata destes problemas agora, que é mais fácil do que quando eles estiverem bem instalados?

Muitas mais perguntas haverá por fazer mas só estas chegam para nos obrigar a pensar como adultos.Psicopata-B

Como detesto «rótulos», embora os mesmos sejam necessários de vez em quando, posso dizer o que faria e o que fiz apenas num caso.
Antes de tudo, como disse a psicóloga forense, que não reconhece o sindroma de alienação parental tal como diz também o especialista da OMS, temos de estudar toda a situação avaliando tudo separadamente e em conjugação dinâmica de interacção familiar, especialmente quando existem problemas complicados como os da sexualidade. Ela avaliou e descobriu apenas a «anormalidade» (para alguns, inclusive um psicólogo), de que a criança não gostava de estar com o pai.

Temos de utilizar provas de avaliação fidedignas, duplicar ou cruzar umas com as outras para analisar o seu resultado através das entrevistas que terão de ser cuidadosamente orientadas.

É imprescindível evitar os subjectivismos que são extremamente perigosos e nos quais muitos psicólogos se podem «estatelar» utilizando apenas a sua «intuição».

Por mim, tentaria obter respostas às perguntas que fiz anteriormente. Depois disso, iria talvez efectuar uma acção psicoterapêutica com a criança e até com os pais, se fosse necessária. Se nada se conseguisse modificar com estas acções e se o internamento fosse imprescindível, poderia ser tentada uma acção psicoterapêutica com a criança dentro da instituição.
Será isso possível nas actuais circunstâncias, onde nem existe um corpo clínico estável, pelo menos em tempo parcial?

Além do mais, a criança tem de ser ouvida cuidadosa e minuciosamente. Choca-me profundamente que um psicólogo diga que “a criança não deve escolher; se tiver possibilidades de escolher, os pais não são necessários para nada: pode-se dar a maioridade aos 6 anos”?, o que me faz lembrar as educações antiquadas e as lavagens ao cérebro que se faziam em regimes autocráticos para reeducar as pessoas em conformidade com o regime político vigente.

Parece-me que tudo está mal neste caso em que a criança não foi minimamente ouvida e continua a estar contrariada porque disse à mãe não esperar passar o Natal seguinte naquela instituição “reconstrutora da sua personalidade» e vivência emocional”, segundo a decisão do juiz.

E para indicar como se podem cometer erros se nos fiarmos apenas nas nossas intuições, vou descrever o caso que me iria Bibliodeixar mal comigo próprio, se não tivesse utilizado algumas salvaguardas em tempo oportuno. Com estas salvaguardas, a criança disse o que queria, demonstrou o que não desejava e tudo foi tomado em conta. E o Juiz foi extremamante sensato.

Em Agosto de 1980, um rapaz de cerca de 6 anos e meio foi à consulta de Psicologia por ter dificuldade em fixar as letras e cores, não tendo atenção e memória adequadas para as tarefas escolares do 1º ano. Feitos os exames psicológicos necessários, descobriu-se que, apesar de apresentar um nível intelectual dentro da normalidade, tinha vários défices neuropsicológicos e algumas dificuldades emocionais, de personalidade e de adaptação ao meio ambiente, necessitando, por isso, de apoio psicológico durante bastante tempo.

Porque teria as dificuldades que apresentava? Da sua história pessoal, sabia-se que vivia com os avós paternos porque tinha
sobrevivido, com traumatismo na visão, aos 14 meses de idade, num acidente de viação em que os pais tinham falecido. Depois mario-70de recuperar deste traumatismo, deixou de andar e de falar e estava sempre nervoso. Os avós eram feirantes e, por isso, tinham muita dificuldade em manter a regularidade na assistência da criança à escola e às sessões de apoio psicopedagógico, das quais necessitava em primeiro lugar. Por isso, uma tia materna, simpática, casada e sem filhos, acompanhava-o para onde fosse necessário na ausência temporária dos avós.
O bom relacionamento que ela tinha com o rapaz, as suas boas posses financeiras e a falta de um filho seu, levaram-na a pedir em tribunal, ao fim de dois anos, em 1982, a adopção desta criança, à qual os avós se opuseram. Necessitando de elementos que pudessem ajudar na decisão a ser tomada, o Delegado do Procurador da República pediu uma opinião técnica ao psicólogo que sempre o acompanhara desde o início do primeiro exame psicológico.
Desejava saber qual o desenvolvimento psíquico, afectivo, intelectual e queria informações sobre o seu eventual desenvolvimento anormal e a possibilidade de considerar nefasta a educação dada pelos avós.
O bom relacionamento, o à-vontade e a simpatia que o rapaz demonstrava para com a tia, fizeram com que o psicólogo, Interacção-B30julgasse que a decisão «profunda» do rapaz seria ficar com a tia, já que às perguntas explícitas ou dissimuladas respondia apenas com um encolher de ombros.

Feitos vários exames complementares como o de Rorschach e CAT, adequados para a situação, criaram-se algumas dúvidas acerca das verdadeiras intenções da criança e, por isso, utilizou-se o Family Relations Test para confirmar os resultados, o que também não foi possível a não ser após uma entrevista dissimulada de conversa informal.
Foi surpreendente conseguir descortinar, através dos seus trejeitos, que o interesse fundamental do rapaz era brincar e divertir-se com a tia, mas viver, em permanência, com os avós. Esta «decisão» foi laconicamente confirmada por ele com um baixar de olhos e um sorriso dissimulado de imensa satisfação, quando, depois de muita conversa sobre outros assuntos, o psicólogo o confrontou com uma exclamação simples: – “Com que então, brincar com a tia é bom, mas dormir no teu quarto, em casa dos avós, é melhor!”

O tribunal, que recebeu todas as indicações qualitativas e quantitativas das provas aplicadas, juntamente com o parecer do Maluco2psicólogo, decidiu deixar a criança a cargo dos avós sem estes poderem colocar qualquer obstáculo ao contacto e convivência com a tia. A tia não gostou da sentença, irritou-se com o psicólogo mas, passados anos, a criança mostrava-se feliz com a situação, porque a tia, afastando-se inicialmente dos avós e, consequentemente do rapaz, voltou a contactá-lo meses depois de perder a sua ânsia de «possuir» um filho.

Isto parecia uma guerra para a posse duma coisa a que nos julgamos com direito, embora a mesma esteja nas mãos de outra pessoa. E essa «coisa» não tem o direito de dizer nas mãos de quem deseja estar e conviver?

Se tivesse de me socorrer das designações oficiais que se costumam atribuir, não sei em que categoria podia caber este caso. Por isso, o psicólogo que diagnosticou o sindroma de alienação parental, pode acrescentar ao seu catálogo das doenças, o Depress-nao-BSÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL tal como foi verbalizado pelo pedopsiquiatra Emílio Salgueiro que parece que me conheceu, em 1977, se por acaso esteve a trabalhar com os autistas (ver os posts O autismo entre nós, de 31 Ago 2009, Desabafo, de 1 Out 2008 e As responsabilidades dos pais, de 19 Jul 2009)

Oxalá que uma guerrinha dos pais e a incompreensão de outros não deixe a Maria com problemas graves por resolver no futuro.

Quanto a este juiz nada consigo dizer pelo facto de eu já estar no érebo, visto que não vivo neste mundo (laudas 2 e 4) por «Educar»-Bdouta sentença, de 2 de Setembro de 1989, de outro juiz. São 17  laudas manuscritas pelo Meritíssimo, que então vivia calmamente com a sua mãezinha e julgou um caso de acidente rodoviário ocorrido com a minha mulher:
“(lauda 2) … e pertencente ao marido dela, Mário de Noronha …
(lauda 4) …veículo com o nº DZ-91-69 de matrícula era conduzido por Zélia …, esposa do falecido Mário,…”

O Juiz preocupou-se tanto com a minha existência na terra que se esqueceu de compreender que não se deve ultrapassar num cruzamento e embater noutro carro parado na berma da faixa de rodagem contrária, vindo da rua à esquerda.

Por isso concordo com a intervenção do pedopsiquiatra Emílio Salgueiro quando, entre outras coisas, diz que muitos juízes não têm preparação suficiente para estes casos.

E os outros? — pergunto eu.

Se houve um juiz como este, que ficou «congelado» durante algum tempo, deveria ser «crio-preservado» para futura utilização e modelo???

Resumindo este caso e alheando-me da emocionalidade da mãe, do choro do avô, da frieza e arrogância do pai e de várias opiniões aqui emitidas, parece que podemos verificar, apenas através da peça televisiva, que existe:

  • conflito entre progenitores;
  • exigência de «posse» da criança; (e utilização de alguém?)
  • exibição dum catálogo de doenças;
  • aplicação cega e inadequada da lei;
  • condenação duma criança sem ter cometido outro «crime» a não ser o da sua existência neste mundo por culpa alheia.

O que acontecerá quando a personalidade dela não puder ser «reconstruída» e ganhar alguns traumatismos com tudo o que ela vai passando devido à privação do seu mundo familiar, afectivo e social?

Alguém pensou que a simples alteração de comportamentos da Maria (para não rejeitar o pai) (e as carícias do pai de que ela fala?) com a tal «reconstrução», pode ocasionar-lhe comportamentos desviantes ou a malformação da sua personalidade com grandes prejuízos tanto para si como para a sociedade?

Alguém lhe está a dar apoio psicoterapêutico sério e eficaz para a ajudar a ultrapassar «a guerrinha e a estupidez dos adultos»?

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Este post está a ser actualizado em 30-06-2015.

INCENTIVO À CORRUPÇÃO

Em 9 de Janeiro de 2010, no post CORRUPÇÃO, os CãoPincha fizeram o seguinte comentário:

“Já que falou na corrupção, qual a sua opinião acerca das afirmações feitas por Isabel Jonet, na página 35 do nº 288 da revista SÁBADO, de 5-11 Nov 2009 e especialmente em relação ao “financiamento à preguiça”, segundo Paulo Portas?”

Para poder responder a este comentário, tive de procurar a revista Sábado, que foi mencionada, para depois a poder ler com cuidado e dar a minha opinião.

De qualquer modo, não posso responder sem uma pontinha de ética e de moral que qualquer psicólogo também deve ter.homem2

Olhando bem para o EXPLIQUE lá melhor, Isabel Jonet, a Presidente do Banco Alimentar contra a Fome defendeu, na TSF, que o Rendimento Social de Inserção só deve ser dado em casos extremos e que os seus beneficiários devem ter formação ou trabalhar para a comunidade.

Concordo quase plenamente com a sua resposta, tanto mais que acho vantajoso que todos os que se socorrem da caridade do público devem ressarci-lo com algum trabalho seu. Podem, pelo menos, ajudar na cozinha, na confecção, na copa, na limpeza, no saneamento ou no transporte dos bens que eles próprios vão consumir sem qualquer despesa nas várias entidades que os Falhas-Balimentam ou alojam. Senão, passam a ser uns parasitas da sociedade que os vai sustentando sem qualquer contrapartida, do mesmo modo como os financiadores e empresários que enriquecem à nossa custa e nos têm colocado na crise de que todos falamos.

Para mais, quase nada lhes acontece de mau porque controlam todo o aparelho do Estado que deveria «ter mão» nessas situações. É uma aprendizagem que não é desejável numa sociedade que se diz democrática, igualitária e desejosa de progresso e justiça social e, para mais, católica.

Porém, para responder a tudo o que ela disse, vou por partes, comentando cada resposta sua.Marketing2

* Pode gerar situações de acomodação. Como há níveis de salários muito baixos, as pessoas preferem ter O Rendimento Social de Inserção em vez de procurar obter qualificações que Ihes permitam arranjar um emprego.

Concordo perfeitamente com esta sua afirmação porque, em Psicologia, se o rendimento social, sem trabalhar, der mais satisfação do que um emprego mal pago, a pessoa terá tendência a resolver este conflito escolhendo a opção de não trabalhar e receber em salário quase igual ao que recebe no Humanismo2rendimento social de inserção.

* Deve ser uma medida de emergência, quando as pessoas ficam sem outro tipo de apoios. Mas devem ser exigidas contrapartidas.

Se com o rendimento social de inserção não houver alguma dificuldade para o receber, como por exemplo, sua duração, melhor qualificação profissional ou trabalho comunitário, quem recebe o salário de inserção terá apetência para continuar a recebê-lo sem trabalhar, o que provoca mais gratificação com o consequente reforço secundário positivo.Sindicalismo2

* As pessoas devem dar horas à comunidade ou até a instituições na área da sua residência. Devem procurar ganhar competências em áreas que não possuem, fazendo formação. O maior perigo de não trabalhar é a exclusão, a não socialização e a perda de competências.

Por isso, tem de existir algum benefício para quem possa evitar esta situação de rendimento social de inserção, que é o reforço social negativo, trabalhando em qualquer outra coisa para receber reforço social positivo. Isto até pode provocar no indivíduo uma boa dose de autovalorização.Depress-nao-B

* Os centros de emprego deviam acompanhar estas situações. As pessoas teriam de prestar provas de que procuram trabalho.

Acho muito bem, desde que não se queira que continuem a receber sempre o tal rendimento. Se não, pode o mesmo dar gratificação que provocará uma aprendizagem de continuar a não trabalhar para o receber sem despender qualquer esforço. É a lei natural: trabalhar o menos possível para ganhar o mais que puder ser.

* Não concordo. Há pessoas que não têm alternativas. Por isso, não se deve generalizar. Contudo, as pessoas devem ser «Educar»-Bincentivadas a trabalhar, desde que tenham condições de saúde para isso. Há pessoas que encaram o Rendimento de Inserção como um direito adquirido, como se não houvesse deveres.

Diria que as pessoas, depois de resolverem o seu conflito interno de trabalhar para ganhar o mesmo que o rendimento de inserção sem trabalhar, aprendem, com toda a lógica e racionalidade, que a primeira solução é a mais vantajosa, a não ser que exista um obstáculo que tenham de ultrapassar para receberem o rendimento de inserção: incapacidade total de trabalhar ou de se qualificarem.

Quanto à afirmação de Paulo Portas de “financiamento à preguiça”, só posso responder, muito mais como cidadão do queapoio2 como psicólogo.

Ele tem toda a razão porque eu também digo que a política, a governação e a justiça, tal como elas estão agora, só podem ser um “incentivo à corrupção”.

Ele bem sabe o que diz porque pode estar no meio de muitos que podem comprovar esta minha ideia. Em Psicologia sabe-se cientificamente que quando um comportamento é premiado, tem tendência a ser repetido mesmo que o antecedente não seja dessa pessoa, mas que tenha servido de modelo ou de fonte de identificação com reforço vicariante.sucess2

Que belos exemplos vemos e ouvimos todos os dias, agora que, por acaso, ainda não existe censura declarada? Uns esquecem-se, outros não se lembram, ainda outros consideram-se inocentes e caluniados enquanto o seu recurso não é apreciado por instâncias mais altas!!! E continuam a governar-nos, sem se governarem?

Como se pode exigir da «arraia-miúda» um comportamento diferente se esse é premiado e posto em evidência todos os dias? Que modelos existem para o comportamento dos cidadãos mais modestos?reed2

É por este motivo que defendo a existência, como já muita gente deseja, de um quadradinho onde o cidadão possa exprimir no seu boletim de voto o repúdio em relação a qualquer dos candidatos que se propõe governar-nos.

É para ele poder dizer aberta e legalmente “Não gosto de qualquer destes melros”

Será possível compreender agora porque razão defendo a «educação», desde a nascença?arvore

É a formação da personalidade que vai influenciar toda a vida. 

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