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SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL

Em 21 de Janeiro, um Anónimo fez o seguinte comentário no post INCENTIVO À CORRUPÇÃO, que eu prometi responder logo que tivesse possibilidade. Tinha de rever a reportagem e pensar um pouco sobre o assunto:

“Já o conheço há bastante tempo, de Lagos, embora não o tenha visto há muito. Também sou avô e tenho netos muitoSaude-B novos. Ontem à noite, vi a reportagem da RTP1 sobre a “menina roubada” e fiquei muito apreensivo e preocupado.
Quando, no Natal, me encontrei com um seu aluno do ISMAT, ele falou-me de si e informou-me que estava a assegurar agora a docência de Psicologia Social e Psicopatologia.
Falou-me também deste blogue bem como dos dois anteriores e disse-me que o senhor gostava mais de comentários do que de e-mails.
Quando dei um golpe de vista pelos três blogues, resolvi fazer este comentário para lhe pedir que dê a sua opinião sobre a reportagem de que falei, porque não consegui compreender o motivo da decisão do juiz nem imaginar qual será o futuro da criança.DIA-A-DIA-C
Se puder, agradeço que esclareça todos os que ficaram na minha situação de embasbacados
.”

***

Depois de conseguir rever a dita reportagem, a minha resposta vai ser muito longa e não centrada exclusivamente na Psicologia.
Como fiquei bastante sensibilizado com o anúncio dessa reportagem (Linha Directa — criança roubada), tanto eu como a minha mulher decidimos vê-la logo depois do telejornal.

Ambos ficámos muito impressionados com o que lá foi dito e apresentado e especialmente com a sentença e com as considerações do psicólogo que disse ter avaliado a situação a pedido do pai da criança.

No final da apresentação da reportagem, a minha mulher perguntou-me:Difíceis-B
— O que é que se passa com esta gente? Tu lembras-te dos casos da Esmeralda e da Joana de há bem pouco tempo? E o daquele rapaz que esteve em apoio psicopedagógico e é neto de feirantes?
Isto obrigou-me a pensar no assunto e a consultar este nosso «caso» enquanto fazia algumas extrapolações mentais para os casos da Esmeralda, da Joana e agora da Maria e tentava conseguir rever essa reportagem da qual não tinha tirado quaisquer elementos.

No final, nenhum de nós conseguiu descobrir se, nos casos da Esmeralda e da Joana, os «superiores interesses da criança» tinham sido devidamente acautelados, como exige a Convenção dos Direitos da Criança.

No caso da Maria, à primeira vista, parece que houve uma negligência grosseira, talvez até com a ajuda de um psicólogo.

Segundo consta, os pais casaram-se em 11 de Dezembro de 2001, a Maria nasceu em Portalegre e viveu com os pais durante trêsJoana-B anos, em Castelo de Vide.
Em Outubro de 2005, os pais desentenderam-se e separaram-se e, em 19 de
Dezembro de 2005, o tribunal atribuiu à mãe a guarda da Maria, com a obrigação de ir visitar o pai.
Consta que um mês e dez dias depois desta decisão, ao chegar o momento da viagem para visitar o pai, a criança não desejava cumprir esse procedimento determinado pelo juiz.
Isso fez com que o juiz exigisse a intervenção da GNR para a execução da sentença.

Segundo consta das declarações da pedopsiquiatra que acompanhava a criança, baseada nos relatos da GNR, a criança chorava, esperneava e resistia de tal maneira que até os agentes ficaram impressionados, magoados e atrapalhados para executar essa determinação judicial: ir visitar o pai para estar com ele durante o fim-de-semana.

Perante esta situação que durou quatro anos, havia que tomar medidas e, em 22 de Julho de 2009, os pais foram chamados ao Tribunal de Fronteira para conferência de pais.
O juiz exibiu o vídeo brasileiro “A morte inventada”, para efeitos lúdicosImagina-B e chamou também a criança, que chorou e, cerca de meia hora depois, o juiz, sem ouvir a mãe e sem deixar a Maria despedir-se dos pais, mandou interna-la num determinado lar, com confissão religiosa definida, com a seguinte indicação:
onde deverá (…) ser traçado um plano terapêutico que permita a reconstrução da personalidade da menor…”
porque a criança sofre do sindroma de alienação parental:
“vem vivendo num érebo … por conta de um conflito dos adultos com o qual nada mais tem a ver, que apenas o facto de se haver achado no meio dele.”
“só o afastamento da menor dos seus progenitores é um meio apto a obstar ao agravamento da sua saúde mental.

Esta sentença baseou-se, provavelmente, no parecer dum psicólogo, feito a pedido do pai da Maria, que achava que a criança
Respostas-B30devia ser entregue ao pai
porque sofria do sindroma de alienação parental «induzido» pela mãe.

Este sindroma, segundo o psicólogo:
* 1º: as visitas são calmas com dificuldade de trocar de progenitor;
* 2º: os filhos…(utilizam) argumentos frívolos e absurdos;
* 3º: (o seu estado de) pânico (é tal) que as visitas se tornam impossíveis.

Apesar deste parecer, o juiz diz que “…Maria rejeita a figura do pai não podendo logicamente ficar à sua guarda…” e, sem querer também saber da «aceitação» da Maria, ordena o seu internamento numa instituição duma confissão religiosa.

A pedopsiquiatra que acompanhava a Maria, sabendo do facto, diz que Maluco2entrou em contacto com o juiz para lhe dizer que esse internamento seria muito duro e radical podendo até causar-lhe futuros traumatismos. O juiz assegurou-lhe que a criança estava toda contente a brincar com ele, enquanto ficou registado em acta de conferência de pais “… foi tentada a sua audição, a qual se não se mostrou possível uma vez que a mesma – a criança – se encontrava num estado de choro compulsivo e apresentando repulsa em manter qualquer conversa…”

Entretanto, a psicóloga de Chão de Meninos, tinha informado que, segundo a criança:
“… Em casa do pai, ele dormia com ela na mesma cama …eu não quero nem gosto de dormir com o bruto… ele mexia-me pelo corpo todo só não me mexia na cabeça…e também me mexia no pipi e eu não gostava…”

Internada nesse lar, em Vendas Novas, por decisão judicial, pelo menos um vizinho diz que ouviu, os choros da criança logo de manhã.

A mãe foi autorizada a visitar a Maria às Quintas-feiras, durante uma hora ePsi-Bem-B na presença das funcionárias do lar, sem poder tirar qualquer fotografia por imposição de regras da instituição. Um funcionário da casa, depois de muito instado, comprometeu-se a fornecer à mãe uma fotografia do processo judicial da Maria (??? Julgo que não iria tirar uma fotografia nova para a fornecer à mãe).

Entretanto, nada se sabe das visitas do pai ou da possibilidade de as efectuar.

Antes do internamento de Maria nesse lar, e depois da sua recusa em ir visitar o pai, em 25 de Setembro de 2008, nos relatórios de avaliação dos dois progenitores, o Departamento de Psiquiatria do Hospital de Portalegre, diz que qualquer deles «…não padece de perturbações da personalidade…»neuropsicologia-B

Ao Lar de Betânia, de Vendas Novas, pertencente à Igreja Evangélica Portuguesa da Assembleia de Deus, com sede em Lisboa, e onde a Maria está internada (…incumbirá a prestação de todos cuidados adequados de saúde e vivência emocional de que a menor carece…), embora essa instituição não tenha corpo clínico próprio.

Dos peritos ouvidos por quem elaborou a reportagem, verifica-se uma forte opinião contra a decisão do juiz. Entre eles, estão pelo menos dois pedopsiquiatras, duas psicólogas, uma delas  forense, dois bastonários da Ordem dos Homem-soc-BAdvogados, um especialista da OMS, um pastor evangélico que foi enfermeiro, e três especialistas em jurisprudência, uma das quais foi enunciando as medidas que, segundo a lei, devem ser tomadas nestes casos. Até o psicólogo que diagnosticou o novo sindroma de alienação parental, é contra esta decisão do juiz.

Uma das vezes que a mãe foi visitar a Maria, se não houve truques cinematográficos, vê-se a alegria com que esta a recebeu.
Com autorização do Lar de Betânia, a Maria passou o Natal com o pai e o Ano Novo com a mãe.

Nesse Lar, de cuja decisão depende a «libertação» de Maria, é negada a privacidade na visita da mãe, as visitas de familiares e confl2a obtenção de fotos e até a oferta ou utilização dos seus antigos brinquedos.

Depois desta prolongada exposição, a minha estupefacção é grande e apetece-me fazer algumas perguntas:

— O que fez a Maria para ser «presa» numa instituição de determinada
confissão religiosa, que decidirá o momento em que a sua personalidade acabará de ser «reconstruída», segundo a decisão do juiz?
— Porquê a recusa de Maria em ir visitar o pai, verbalizando situações desagradáveis e ambíguas que parece não terem sido tidas em conta nem investigadas?Psicologia-C
— Quais as tendências sexuais dos pais e qual a sua vida no dia-a-dia?
— Porquê e como a «reconstrução» duma personalidade que ainda não está construída?
— Porquê a inibição de convivência diária com qualquer dos progenitores, se ambos «não padecem de perturbações de personalidade»?
— Porquê o afastamento de Maria do seu mundo natural, com familiares, amigos, escola, terra natal, só por causa da sua opinião de não querer visitar o pai?
–Porquê a inibição de Maria estar com os seus brinquedos antigos?Acredita-C
— Quem mais averiguou toda a situação, se a perita em psicologia forense avaliou todo o caso e não achou qualquer outra anomalia a não ser a recusa de Maria em estar com o pai?
— Uma criança, filha de pais vivos e integrados numa cultura, mas zangados um com o outro, onde irá buscar os modelos no caso das identificações necessárias para a boa estruturação da sua personalidade ainda em formação? Não é reconstrução…! (ver os posts Ausência das mães em casa e obesidade, de 20 Out 2009, As responsabilidades dos pais, de 19 Jul 2009 e Modelagem e Identificação, de 3 Set 2007).
— Quais são os superiores interesses da criança que foram minimamente salvaguardados neste caso?
O que acontecerá à Maria quando sair da instituição?
— A Maria está satisfeita na instituição? Tem a possibilidade de dizer que não? Se não está satisfeita e sente-se punida, qual a Consegui-Bsua reacção perante a frustração de não poder conseguir sair? Entrar em depressão aprendida ou adoptar comportamentos inadequadas para reduzir a frustração? Alguma resposta tem de acontecer!
— Quem vai tratar da Maria em relação aos traumatismos sofridos com o internamento? Pode quase garantir-se que «ganhará» alguns, por causa da não resolução do conflito entre os progenitores (ver EU TAMBÉM CONSEGUI!).
— Porque razão não se trata destes problemas agora, que é mais fácil do que quando eles estiverem bem instalados?

Muitas mais perguntas haverá por fazer mas só estas chegam para nos obrigar a pensar como adultos.Psicopata-B

Como detesto «rótulos», embora os mesmos sejam necessários de vez em quando, posso dizer o que faria e o que fiz apenas num caso.
Antes de tudo, como disse a psicóloga forense, que não reconhece o sindroma de alienação parental tal como diz também o especialista da OMS, temos de estudar toda a situação avaliando tudo separadamente e em conjugação dinâmica de interacção familiar, especialmente quando existem problemas complicados como os da sexualidade. Ela avaliou e descobriu apenas a «anormalidade» (para alguns, inclusive um psicólogo), de que a criança não gostava de estar com o pai.

Temos de utilizar provas de avaliação fidedignas, duplicar ou cruzar umas com as outras para analisar o seu resultado através das entrevistas que terão de ser cuidadosamente orientadas.

É imprescindível evitar os subjectivismos que são extremamente perigosos e nos quais muitos psicólogos se podem «estatelar» utilizando apenas a sua «intuição».

Por mim, tentaria obter respostas às perguntas que fiz anteriormente.Depressão-B Depois disso, iria talvez efectuar uma acção psicoterapêutica com a criança e até com os pais, se fosse necessária. Se nada se conseguisse modificar com estas acções e se o internamento fosse imprescindível, poderia ser tentada uma acção psicoterapêutica com a criança dentro da instituição.
Será isso possível nas actuais circunstâncias, onde nem existe um corpo clínico estável, pelo menos em tempo parcial?

Além do mais, a criança tem de ser ouvida cuidadosa e minuciosamente. Choca-me profundamente que um psicólogo diga que “a criança não deve escolher; se tiver possibilidades de escolher, os pais não são necessários para nada: pode-se dar a maioridade aos 6 anos”?, o que me faz lembrar as educações antiquadas e as lavagens ao cérebro que se faziam em regimes autocráticos para reeducar as pessoas em conformidade com o regime político vigente.

Parece-me que tudo está mal neste caso em que a criança não foi minimamente ouvida e continua a estar contrariada porque disse à mãe não esperar passar o Natal seguinte naquela instituição “reconstrutora da sua personalidade» e vivência emocional”, segundo a decisão do juiz.

E para indicar como se podem cometer erros se nos fiarmos apenas nas nossas intuições, vou descrever o caso que me iria Bibliodeixar mal comigo próprio, se não tivesse utilizado algumas salvaguardas em tempo oportuno. Com estas salvaguardas, a criança disse o que queria, demonstrou o que não desejava e tudo foi tomado em conta. E o Juiz foi extremamante sensato.

Em Agosto de 1980, um rapaz de cerca de 6 anos e meio foi à consulta de Psicologia por ter dificuldade em fixar as letras e cores, não tendo atenção e memória adequadas para as tarefas escolares do 1º ano. Feitos os exames psicológicos necessários, descobriu-se que, apesar de apresentar um nível intelectual dentro da normalidade, tinha vários défices neuropsicológicos e algumas dificuldades emocionais, de personalidade e de adaptação ao meio ambiente, necessitando, por isso, de apoio psicológico durante bastante tempo.

Porque teria as dificuldades que apresentava? Da sua história pessoal, sabia-se que vivia com os avós paternos porque tinha
sobrevivido, com traumatismo na visão, aos 14 meses de idade, num acidente de viação em que os pais tinham falecido. Depois mario-70de recuperar deste traumatismo, deixou de andar e de falar e estava sempre nervoso. Os avós eram feirantes e, por isso, tinham muita dificuldade em manter a regularidade na assistência da criança à escola e às sessões de apoio psicopedagógico, das quais necessitava em primeiro lugar. Por isso, uma tia materna, simpática, casada e sem filhos, acompanhava-o para onde fosse necessário na ausência temporária dos avós.
O bom relacionamento que ela tinha com o rapaz, as suas boas posses financeiras e a falta de um filho seu, levaram-na a pedir em tribunal, ao fim de dois anos, em 1982, a adopção desta criança, à qual os avós se opuseram. Necessitando de elementos que pudessem ajudar na decisão a ser tomada, o Delegado do Procurador da República pediu uma opinião técnica ao psicólogo que sempre o acompanhara desde o início do primeiro exame psicológico.
Desejava saber qual o desenvolvimento psíquico, afectivo, intelectual e queria infomações sobre o seu eventual desenvolvimento anormal e a possibilidade de considerar nefasta a educação dada pelos avós.
O bom relacionamento, o à-vontade e a simpatia que o rapaz demonstrava para com a tia, fizeram com que o psicólogo, Interacção-B30julgasse que a decisão «profunda» do rapaz seria ficar com a tia, já que às perguntas explícitas ou dissimuladas respondia apenas com um encolher de ombros.

Feitos vários exames complementares como o de Rorschach e CAT, adequados para a situação, criaram-se algumas dúvidas acerca das verdadeiras intenções da criança e, por isso, utilizou-se o Family Relations Test para confirmar os resultados, o que também não foi possível a não ser após uma entrevista dissimulada de conversa informal.
Foi surpreendente conseguir descortinar, através dos seus trejeitos, que o interesse fundamental do rapaz era brincar e divertir-se com a tia, mas viver, em permanência, com os avós. Esta «decisão» foi laconicamente confirmada por ele com um baixar de olhos e um sorriso dissimulado de imensa satisfação, quando, depois de muita conversa sobre outros assuntos, o psicólogo o confrontou com uma exclamação simples: “Com que então, brincar com a tia é bom, mas dormir no teu quarto, em casa dos avós, é melhor!”

O tribunal, que recebeu todas as indicações qualitativas e quantitativas das provas aplicadas, juntamente com o parecer do Maluco2psicólogo, decidiu deixar a criança a cargo dos avós sem estes poderem colocar qualquer obstáculo ao contacto e convivência com a tia. A tia não gostou da sentença, irritou-se com o psicólogo mas, passados anos, a criança mostrava-se feliz com a situação, porque a tia, afastando-se inicialmente dos avós e, consequentemente do rapaz, voltou a contactá-lo meses depois de perder a sua ânsia de «possuir» um filho.

Isto parecia uma guerra para a posse duma coisa a que nos julgamos com direito, embora a mesma esteja nas mãos de outra pessoa. E essa «coisa» não tem o direito de dizer nas mãos de quem quer estar?

Se tivesse de me socorrer das designações oficiais que se costumam atribuir, não sei em que categoria podia caber este caso. Por isso, o psicólogo que diagnosticou o sindroma de alienação parental, pode acrescentar ao seu catálogo das doenças, o Depress-nao-BSÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL tal como foi verbalizado pelo pedopsiquiatra Emílio Salgueiro que parece que me conheceu, em 1977, se por acaso esteve a trabalhar com os autistas (ver os posts O autismo entre nós, de 31 Ago 2009, Desabafo, de 1 Out 2008 e As responsabilidades dos pais, de 19 Jul 2009)

Oxalá que uma guerrinha dos pais e a incompreensão de outros não deixe a Maria com problemas graves por
resolver no futuro.

Quanto a este juiz nada consigo dizer pelo facto de eu já estar no érebo, visto que não vivo neste mundo (laudas 2 e 4) por «Educar»-Bdouta sentença, de 2 de Setembro de 1989, de outro juiz. São 17  laudas manuscritas pelo Meritíssimo, que então vivia calmamente com a sua mãezinha e julgou um caso de acidente rodoviário ocorrido com a minha mulher:
“(lauda 2) … e pertencente ao marido dela, Mário de Noronha …
(lauda 4) …veículo com o nº DZ-91-69 de matrícula era conduzido por Zélia …, esposa do falecido Mário,…”

O Juiz preocupou-se tanto com a minha existência na terra que se esqueceu de compreender que não se deve ultrapassar num cruzamento e embater noutro carro parado na berma da faixa de rodagem contrária, vindo da rua à esquerda.

Por isso concordo com a intervenção do pedopsiquiatra Emílio Salgueiro quando, entre outras coisas, diz que muitos juízes não têm preparação suficiente para estes casos.

E os outros? — pergunto eu.

Se houve um juiz como este que ficou «congelado» durante algum tempo, deveria ser «crio-preservado» para futura utilização e Psi-Bem-Cmodelo???

Resumindo este caso e alheando-me da emocionalidade da mãe, do choro do avô, da frieza e arrogância do pai e de várias opiniões aqui emitidas, parece que podemos verificar, apenas através da peça televisiva, que existe:

  • conflito entre progenitores;
  • exigência de «posse» da criança; (e utilização de alguém?)
  • exibição dum catálogo de doenças;
  • aplicação cega e inadequada da lei;
  • condenação duma criança sem ter cometido outro «crime» a não ser o da sua existência neste mundo por culpa alheia.Organizar-B

O que acontecerá quando a personalidade dela não puder ser «reconstruída» e ganhar alguns traumatismos com tudo o que ela vai passando devido à privação do seu mundo familiar, afectivo e social?

Alguém pensou que a simples alteração de comportamentos da Maria (para não rejeitar o pai) (e as carícias do pai de que ela fala?) com a tal «reconstrução», pode ocasionar-lhe comportamentos desviantes ou a malformação da sua personalidade com grandes prejuízos tanto para si como para a sociedade?

Alguém lhe está a dar apoio psicoterapêutico sério e eficaz para a ajudar a ultrapassar «a guerrinha e a estupidez dos adultos»?arvore

Já leu os comentários?

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Este post está a ser actualizado em 30-06-2015.

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9 thoughts on “SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL

  1. Anónimo on said:

    Por acaso, liguei o computador e vi a sua resposta ao meu comentário. Gostei muito.
    Com as perguntas que faz, compreendo agora melhor a sua preocupação com a educação, isto é, estruturação da personalidade.
    Tenho de me preocupar mais com os meus netos.
    Obrigado.

  2. CãoPincha on said:

    Até que afinal, lemos mais alguma coisa!
    Tivemos de dormir uma boa soneca e ganhar fôlego até chegarmos ao fim da leitura. Depois, tivemos de ir dormir imddiatamente.
    A discussão fica para outro dia.
    Apetece perguntar porque aboliram a PIDE, a prisão de Abu-Grahib e o campo de Guantanamo.
    Não seria um local de boa colaboração para alguns?

  3. CãoPincha on said:

    Caro falecido Mário de Noronha.
    Pedimos desculpa por não nos termos apercebido de que quando lemos o post ele tinha sido escrito pelo Mário de Noronha que faleceu em 1978.
    Agora ficamos sabendo que até os mortos podem colaborar no blogue para o bem da nossa Justiça «Portuguesa».
    É por isso que escrevemos pelo menos três postes sobre este assunto.
    Que Deus e os Homens tenham pena de si se, por acaso, estiver no Érebo ou no Limbo, embora não esteja numa instituição que lhe «reconstrua» a personalidade.
    Até à próxima,
    Cão Pincha

  4. Se Mário Crespo é débil mental, não estará a sofrer do «síndorme de perseguição Primeiro-Ministerial»? tal como pode ter acontecido com outros jornalistas que se «metem» com o partido do governo e conseguem fugir inicialmente à malhação do trauliteiro-mór?

  5. Fernanda Lima on said:

    Acabei de ler este post que me impressionou bastante e lembrei-me de uma amiga a quem estou a ajudar.
    É casada mas, apesar de gostar do marido, dá-se mal com ele porque é um bruto e até chegou a bater-lhe.
    Está sempre a inferiorizá-la porque ela é economista e ele empregado subordinado administrativo por não ter querido estudar quando podia e devia.
    Foram colegas de estudo e, enquanto ela passava dificuldades, ele tinha tudo porque o pai era um Quadro bancário.
    Ele não estudou e ficou na mão de baixo.
    Agora, ela está preocupada porque o seu único filho está em conflito com o pai, mas não o demonstra abertamente.
    Poderei dar-lhe alguma ajuda?
    Eu e o meu filho estamos bem. Até à próxima.

  6. Anínimo on said:

    Não sabe para que servem os diagnósticos?
    Servem para a borrada que se fez com a «Maria».
    O que será ela no futuro?
    Que Deus a proteja!

  7. Anónimo on said:

    Passaram-se mais de seis meses sobre o internamento da «Maria» no tal Lar «maravilhoso» para a reconstrução da sua personalidade e os jornais não querem saber o resultado disso?
    Que falta de interesse!

  8. H.D.Cristina on said:

    Espero que as coisas em Portugal não sejam tratadas habitualmente do modo como foi descrito acima, tanto por médicos, quanto por pais ou pela justiça. Espero que tenha sido um caso único porque, por pior que seja a Lei e quem se outorga fazer cumpri-la, no Brasil, se uma criança disser que o pai “toca” ela nos genitais, só um juiz louco, que precisa de camisa-de-força e afastamento imediato das funções, vai arriscar seu nome e carreira simplesmente ignorando isso.

    A opinião publica cairia pesadamente sobre ele. Ele até poderia querer agir assim, mas teria medo. Os problemas no Brasil são graves e eu acredito cegamente que todo juiz (no mundo inteiro) deveria ter acompanhamento psicológico obrigatório e constante.

    Um juiz no Brasil, por exemplo, teve a coragem de dar 13 anos de cadeia para um cirurgião plástico que matou e esquartejou uma paciente sua, a quem o doente mental acusava de persegui-lo. Se for verdade que ele era “perseguido”, e nada indica que ele era, se ele fosse “normal” ele teria reagido de outra forma, e não matando e esquartejando a pessoa. Existem muitas maneiras de se afastar pessoas inconvenientes, conforme sabemos. Mas uma criança na situação de Maria (e existem milhões no mundo todo) despertaria “fúria” aqui. Ora, ainda assim a justiça não é feita como deveria ser, imagina não abalando a opinião publica de um país!

    Estou chocada (como sempre fico com casos que envolvem principalmente crianças), que o pai dessa criança não esteja morto ou na melhor das hipóteses, preso. Acho que muito antes do senhor (Sr. Noronha) fazer todas as perguntas que fez, deveria fazer-se essa: por que ele não está preso?
    Essa criança relatou abuso sexual. Incesto. Não interessa se chegou ou não as vias de fato. Não interessa se ele foi além de tocar ela ou se limitou a isso. Ele a tocou e não julgá-lo por isso não rouba apenas o direito da criança à condição de cidadania (ou seja, ao direito dado aos adultos à justiça); não rouba apenas sua dignidade: induz as pessoas a crerem, ainda que indiretamente, que elas até têm o direito de molestar crianças. Induz principalmente os pais a pensarem assim.
    Fiquei chocada de ler que o juiz concluiu que a menina sofria de “sindroma de alienação parental” induzida pela Mãe! A criança mostra que foi molestada pelo “pai” e o quanto não quer que isso volte a acontecer e esse pavor que o agressor inspira na criança foi induzida pela… mãe! A mulher que é estuprada violentamente, humilhada, torturada, foi induzida por “quem” para sentir-se assim? Pensei que o agressor era suficiente para gerar uma trauma, ou uma marca, superável ou não‼
    Mas a tendência no mundo inteiro a culpar as mulheres pelo que os homens fazem é estarrecedor. Porque ainda que a Mãe da Maria tenha sua parte de culpa e responsabilidade nisso tudo, não é nem de longe semelhante a que o agressor (que chamam de “pai” da menina), tem!
    Essa criança não tem nenhuma condição de ficar nem com o pai, que não é “pai”, é um criminoso, e nem com a mãe, que tudo indica, já que não houve comentários a respeito, é “omissa” ou “alienada”. Se eu tivesse gerado essa ou qualquer outra criança com semelhante homem, eu já teria dado um tiro na cara dele se tomasse conhecimento do que ele fez. Isso porque não é um orgasmo que torna um homem “pai”. É o caráter porque na verdade, “paternidade” não é condição natural ao homem. E não vai passar a ser só porque os homens querem ser mais importantes do que já são, e o que é pior e ainda mais baixo: porque trazem alimento para casa! Como se uma mulher não o pudesse obtê-lo por si.

    Ele agiu como um criminoso, e deve ser julgado como tal, isso porque “criminosos” não têm por “dever” e “direito” proteger os filhos dos outros: os pais sim. Têm o DEVER e o DIREITO de proteger seus filhos. E molestar sexual não é proteger. Se ele age como um estranho qualquer, ele não é “pai” de ninguém.

    Mas a mãe, que eu não sei como reagiu ao saber o que a menina havia dito a medica, tinha que ter feito qualquer coisa, mas nunca, NUNCA permitir que essa criança retornar-se ao pai, com o sem decisão de qualquer juiz. A função de uma mulher é proteger seus filhos, mesmo em detrimento da própria vida. A condição de mãe em uma mulher não é nem um pouco diferente da condição de mãe em uma Fêmea da Natureza e se não existe nada nela, nessa mulher, que esteja acima da lei falha dos homens, quando a própria lei agride as crias dela, então ela não presta para ser mãe.

    Existe algo muito saudável nessa criança que parece que não foi observado e geralmente não é como deveria: ela “reagiu” ao “pai”, mesmo sendo pequena. Algo em Maria a salvou de si mesmo, dele e até da mãe. Mas como ela é criança (não faz um ano que esse texto foi escrito), ou seja, indefesa na relação com adultos, os adultos (terceiros) que deveriam protegê-la, o juiz, os médicos, o resto da família de ambas as partes, etc., ela ficou só.

    Muitas crianças não reagem à ação de homens baixos, sujos, doentes, como esse tal “pai” da Maria. Elas se introvertem e adoecem, ou crescem e ficam iguais a eles. Elas nunca chegam a contar o que fizeram com elas e depois ainda caem nas malhas (mãos) de outros tipos de agressores durante a vida adulta. Enfim.

    Fico espantada de algo nessa criança, mesmo ela sendo pequena, ter gritado de forma tão clara e coerente (de acordo com sua condição de criança) por ajuda e ninguém ter ajudado.
    Talvez ela cresça e busque a “cura” dessa ferida ajudando crianças que foram molestadas sexualmente também e que, assim como ela, também não foram ou não são ouvidas. Talvez ela cresça com problemas, mais forte, inteligente, sensível e capaz. Ou talvez manifeste apenas as conseqüências de tudo o que fizeram com ela porque um ser humano que passa por isso, não pode crescer com fé na justiça e aquela fé vital ao Ser de que merece ser justiçada. Isso então é terrivelmente grave porque denota um sentimento profundo de culpa que a faz. De uma culpa que pessoas agredidas, em qualquer idade, não têm.
    Culpada Maria, certamente, não se sentirá, felizmente. Mas muitos adultos que não confessam terem sido molestados, não o fazem mesmo já adulto, porque o agressor de alguma maneira o convenceu de que a culpa era dele. Aliás, essa é a arte básica de qualquer tipo de agressor e se tiverem isso em mente, entenderão o comportamento de vítimas adultas de estupro; adultos que foram abusados quando crianças pelo “pai”, tio, avô, até vizinho, e que escondem isso, etc..
    A resistência nela de ir para a casa do “pai”, o choro, o desespero, mostra uma Natureza extremamente forte, que fala mais sobre o futuro do que o presente. Difícil encontrar em um ser humano pequeno, já que, como eu disse, a maioria (inclusive adulta) se sujeita ao agressor geralmente por medo. Seria melhor dizer: pavor. Mesmo sendo pequena e indefesa, algo reagiu bravamente àquilo e ninguém ajudou ela. Todos foram cúmplices do crime do “pai”, infelizmente.

    Um dos maiores problemas envolvendo mulheres que foram agredidas por homens, é o fato de a maioria não reagir ou demorar muito, às vezes muitos anos para fazê-lo e elas são adultas. Algo nessa criança não mediu esforços para fazê-lo, mesmo sabendo que era indefesa diante do pai, da reação da mãe (eu não sei como a mãe reagiu ou se sentiu), diante dos demais adultos envolvidos. E eles a calaram.

    Tratamento:

    Acho de incrível presunção alguém achar que essa criança ou qualquer pessoa, seja a vítima ou o agressor, pode ser “tratada”. Se eles podem, então onde estavam os “tratadores”, os “psi-tudo” que existem por aí (como chamo psicólogos, psiquiatras, etc. presunçosos), quando um Jeff Dahmer da vida se transformou no que se transformou? Ou um Ted Bundy, um Alfred Fish ou um Xico Picadinho, conforme o apelidaram no Brasil, por ter matado e esquartejado duas mulheres?
    Sabem como ele conseguiu esquartejar a segunda mulher? Porque um imbecil de um juiz ouviu um imbecil de um psiquiatra, e soltaram-no! Ele tinha sido pego, julgado e condenado pelo primeiro esquartejamento, mas em certo momento juiz e médicos julgaram que ele já podia ser “restituído” a sociedade e pouco depois ele matou e esquartejou a segunda mulher que talvez ainda estivesse viva se não existissem juízes e psiquiatras desequilibrados como esses.

    Essa criança pode no máximo ser acompanhada e num lar realmente “familiar”, habitado por pessoas e outras crianças. Um ambiente onde haja honra e consideração e onde adultos não imponham “regras”, mas que aprendam a dar “exemplos”, forma pelo qual crianças aprendem. ÚNICA, ALIÁS!

    Mas como hoje em dia muitos adultos, senão a maioria é incapaz de “ser” o exemplo daquilo que querem que os outros sejam então eles impõem aquilo que “idealizam” como corretos. Não se cria crianças com base em “idealizações”. Ou você é ou não é um exemplo do que acha certo e se não é, não será o que você “acha” correto que a criança vai aprender. Ela vai aprender exatamente o que você “acha” que não está mostrando enquanto está muito ocupada em… pensar que é o que não é.

    Não se “age sobre” alguém tão jovem e a Natureza sabe regenerar as partes que podem ser regeneradas e não depende do ser humano para isso e nem do que ele pensa. O que não pode acontecer, é que “terceiros”, como se não bastasse mais nada, venham “impor” seus valores, ou idéias achando que sabem o que é melhor para ela. Se ela estiver tão doente que não possa mesmo se recuperar, assim será, e agir sobre ela apenas agravará a situação.
    Mas se algo dentro dela ainda puder continuar salvando-a de si mesma e do meio que ela habita, somente mais tarde ela poderá identificar os valores adequados a ela, porque pessoas são “únicas” (embora os valores também sejam). E terem a presunção de achar que se sabem mais do que aquilo que tentou salvá-la de seu agressor, é agredir também. Essa é só outra maneira, agora da parte de educadores, ou psicólogos, ou dos novos tutores, de dar continuidade as agressões que a menina sofreu. E o ser humano tem o hábito de fazer isso: trocar de agressores.

    O que se tem que trabalhar, com o intuito de ampliar sem intervir excessivamente (e é só isso), é o que “nela” lutou para protegê-la contra o monstro que a sociedade ainda a obrigada chamar de “pai”. Alimentar essa “força” nela, essa “consciência” interna que não depende da idade dela e de seus limites Naturais (tanto é que lutou para protegê-la), enfim, é literalmente ajudá-la.
    É inútil falar sobre coisas com as quais na verdade tem que se “aprender”. E não achar que se sabe tanto que se pode levá-la ou instruí-la a algo. E cuidar dessa menina, é acima de tudo ter a humildade de primeiro “aprender” quem ela “já é”. Ela “é alguém”. Só não podemos ver ainda “quem” ela é e prejulgá-la não vai ajudá-la. Vai é jogar uma ultima pá de terra sobre ela. Não sei se poderão compreender o que eu disse e ainda direi, e eu nem espero que isso aconteça agora. Para isso estou escrevendo um livro.

    Rótulos:

    E quanto os rótulozinhos… como é?

    “Síndroma de alienação parental” (assim está escrito, “sindroma”) e “Síndrome de perseguição filial”! Estou horrorizada com essas… classificações. … Como se não bastasse o pior (ser ignorada, molestada, traída), ainda rotulam o “problema” dela com termos que fazem pensar de imediato que quem tem problemas é ela e não ele __ e a mãe também de alguma maneira! Isso é demais! Parece que o ser humano e em todos os lugares do mundo, não cansa de transformar vitimas em agressores! Como é muito mais fácil, até por motivos óbvios, “pegar” a vítima, do que “pegar” o agressor…

    Se chamarem a reação dela ao “pai” de “síndroma de alienação parental”, ou “síndrome de perseguição (que palavra absurda!) parental”, estarão dizendo que ela se “sente” perseguida porque o termo quase exclui quem persegue. Podemos sentir muitas coisas que extrapolam o efeito do real, mas não é o caso dessa criança e crianças como ela.
    Termos parecidos, é o que me faz lembrar e pensar, são dados a esquizofrênicos e não me parece que essa criança seja uma. O que tentou protegê-la do “pai” é algo favorável a ela, e muito, e não “contrário” a ela. E gente esquizofrênica ou algo semelhante a isso, não descreve o que ela descreveu (dentro dos limites de sua condição infantil). Ela reagiu e disse “por que”, descrevendo o que a fazia sofrer daquela maneira diante da possibilidade de estar com o agressor.

    Ao contrário, por motivo que não irei explicar aqui, e que está de acordo com certa “Mecânica Natural”, tenho forte tendência a crer que 99% dos psicopatas (como prefiro chamá-los), não chegaram a ser molestados sexualmente pelos pais e mentem sobre isso quando dizem que sim. E isso ocorre em função de “perceberem”, coisa fácil para esse tipo de doente, já que são dissimulados e essa é a arte de quem só sabe dissimular, que o psiquiatra designado para atendê-lo “quer ouvir isso”. E geralmente quer.

    Talvez “quisessem” (os doentes em questão), talvez “desejassem” ser molestados, mas não foram e eu estou falando de doentes mentais perigosos. Essa criança “justificou” seu pavor e como uma criança __ assim podemos imaginar __, faria.

    Está claro para mim que quem tem “síndrome de perseguição filial”, ou chamem como quiserem, é o “pai” (e eu sequer designaria assim, só estou usando os termos encontrados no artigo). Ele o tem nos dois sentidos, aliás. Aquele que persegue e que é perseguido. Isso porque, se observarem bem, geralmente pedófilos e incestuosos acredita que são “levados”, “induzidos” a cometerem seus crimes pelas as próprias crianças que, na mente deles, os “seduziram” a isso até quase a coerção.

    E assim como os psicopatas perigosos, fica claro para mim que criminosos desse tipo que a sociedade parece obrigar a criança a chamar de “pai” (pobres delas!), TAMBÉM NÃO FORAM, molestados quando crianças. A “identificação com o agressor da infância” (outro tipo de agressor), e que descrevo dentro dos limites do possível em “FRUTOS DA VIOLÊNCIA” (o livro mostrará isso de forma mais profunda), pode tê-lo feito desejar que cometessem abuso sexual contra ele e isso de alguma maneira ficou registrado nele levando-o a uma “compensação”, já adulto, do que lhe foi negado. Ele pode ter desejado, apenas por força de experimentar sobre si mesmo o suposto poder que ele presenciava no agressor, ser abusado sexualmente embora isso vá agir apenas como um “motor” nele até tornar-se apto a compensar.

    No caso dessa menina e de milhões de outras meninas e meninos, ele (o tal “pai”) é doente, não ela. Ela pode ter sido “adoecida” e o problema ainda foi piorado por todos que tinham o dever de protegê-la (juiz, mãe, avós, vizinhos, sociedade, advogados, médicos, etc..), mas ainda não se pode dizer que ela “é” doente __ e nada indica que Maria é, mesmo com base em tão pouco, já que ela teria também se “identificado” com o agressor e hoje vocês nem saberiam que essa menina existe, porque nada disso teria vindo à tona. Estaria escondido no mesmo lugar onde milhões de pessoas no, agredidas na infância por homens, escondem.
    Mas a gente melhora de algo que nos “adoeceu”, ou seja, algo que não encontra verdadeira ressonância em nossa natureza, mas não se formos um doente crônico. É o caso dele. Ele É um doente crônico. Ele molestava uma criança e ainda se achava no direito de “lutar” para ter ela. (Que morram todos iguais a ele e o “deus” que os criou).

    Ele abusou da menina que, pelo menos em teoria, conforme já deixei claro, tinha a obrigação, dever e direito moral e legal de PROTEGER se “associado” a Mãe e desde que ela outorgasse a ele esse direito. É ele e infelizmente a mãe dela também, que precisam ser “rotulados”.

    Portanto, insistindo no ponto: a menina foi perseguida, e não ele. Ela não se “sentiu” perseguida. Ela foi literalmente, não sei o que isso pode ter haver com uma “síndrome” porque a “perseguição” que ela sofreu ou ainda sofre, sequer pode gerar isso nela! FOI perseguida pelo “pai” que mesmo sendo acusado por ela de tê-la molestado (que contou à maneira dela, de criança), não se deixou intimidar nem por justiça, julgamentos, moral, consciência seja o que for! O que mostra um homem ainda mais doente do que se pode pensar a princípio.

    Não. Eu não entendo a atitude dos portugueses em relação a esse caso e espero que seja único, porque senão vou lamentar duramente a situação das crianças em Portugal. Mais ainda, a dos adultos que foram molestados um dia e mesmo assim se calam diante do que lhes aconteceu, por vergonha, medo ou mau caráter mesmo.

    Uma sociedade, e são TODAS, que não consegue entender que “paternidade” NÃO É condição NATURAL em homens (e eu mostrarei em meu livro que não é), e que apenas o caráter pode dar a ele esse “rótulo” __ “SE” aquela que detém o Mátrio e o Pátrio poder “Natural” permitir, desde que ela esteja em condições para isso __ enfim, será sempre molestada, ferida, e sangrará lentamente até morrer. Um por um. Porque ser molestado tende a matar a dignidade, a consciência correta das coisas, a noção lúcida entre certo e errado, a capacidade de amar, confiar, a vontade, a fé… Tanta coisa é violada em um ser molestado!

    E por último, observação sobre a minha pessoa:

    Antes de tudo, devo deixar claro que eu não sou psicóloga, psiquiatra, ou de qualquer área da medicina que tenha a “pretensão” __ e geralmente não passa disso __ de estudar a alma ou o corpo. E nem tenho e jamais tive interesse em qualquer dessas áreas já que, basicamente, o que me interessa são o ser humano e a experiência (correta) do ser humano só pode ser encontrada em livros por tempo determinado, à medida que, se a visão daquilo que move o ser não evoluir, então não é o ser quem está sendo estudado. Portanto, o que quer que ensinem nas faculdades de medicina (de qualquer linha), biologia, astronomia, antropologia, história, seja lá o que for, não me interessa, a não ser quando encontro casualmente uma ou outra observação coerente com o que vejo ou penso. Parece que eu, e os “estudiosos” e “leigos” (as pessoas adoram “rótulos”!). Que existem por aí, divergimos em muitos pontos, em várias matérias e não apenas em ciência, medicina, ou como se deve “conduzir” a vida.

    Em resumo, sou uma pensadora independente e é como uma “pensadora” independente que resolvi fazer um comentário. Embora eu esteja escrevendo um livro sobre a condição humana em geral e ele seja muito mais abrangente que apenas isso, o que apresentarei nele, apesar dos exemplos que darei, é a “mecânica”, os “mecanismos” intrínsecos tanto a condição Natural do Ser Humano, quanto àquilo que, por força de desviar-se das Leis que nos regem, transformou-se em “doença” (e doenças não são “Naturais”… a “Natureza” desconhece isso). Essa Mecânica intrínseca e motor em todas as coisas, NUNCA vão mudar, o resto é apenas variação de alguns estados fixos e nem tão “múltiplos” quanto se pensa.

    H.D.Cristina.

    • Mário de Noronha on said:

      Exmª Srª H. D. Cristina
      Em primeiro lugar agradeço o seu extenso e minucioso comentário que vou ler com cuidado, «fora do computador».
      Não conheço o processo mencionado neste post a não ser através duma reportagem da televisão.
      Em segundo lugar, informo que o meu post foi apenas uma análise psicológica duma situação que me «chocou imenso». Quem fez o dignóstico inicial de «sindroma de alienação parental» é um psicólogo muito conhecido na nossa praça, com «conversas» na TV e livros publicados. Redigi este post no papel de psicólogo e não de cidadão comum ou político. Neste âmbito, as perspectivas seriam diferentes.
      Em terceiro lugar, quando tiver disponibilidade, talvez possa preparar um novo post para aclarar a situação. Feliz ou infelizmente, tenho de dedicar bastante tempo para responder às solicitações que me são feitas através dos comentários e e-mails. Não sei se reparou no comentário dos CãoPincha, compincha.wordpress.com, anterior ao seu, que me faz lembrar que um juiz «me matou» em 1978! Eles (compincha.wordpress.com) é que falam de política e são imensamente comentados. Se quiser ficar elucidada, estarrecida, indignada, enfurecida ou horrorizada com a JUSTIÇA portuguesa, convém seguir os processos da CASA PIA, APITO DOURADO, FACE OCULTA e outros que vegetam na justiça há anos (talvez até prescreverem?). Já consultou ou visitou um blog muito interessante http://www.youtube.com/watch?v=G-SHAak_stc Talvez goste!
      Por fim, desejando que não exista uma falsa interpretação do que escrevi (apenas como psicólogo) , espero que compreenda a minha maneira de trabalhar. Por isso, solicito que leia de novo o post com os respectivos comentários e recomendo que passe um golpe de vista pelo meu post «arregaçar as mangas» e pelos 7 posts sobre DIAGNÓSTICO, editados entre 16 e 27 de Abril deste ano. Apenas por estes posts, pode avaliar a minha maneira de ser e de agir.
      De maneira alguma iria fazer a pergunta acerca do juiz, do mesmo modo como não a fiz quando do «meu falecimento» em 1978.
      Esperando que este blog seja divulgado e que receba mais comentários, fico sempre à espera de melhorar a minha actividade neste blog.
      Que seja útil, pelo menos para alguns.
      Com simpatia,
      Mário de Noronha

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