PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

«BULLYING»

Há dias, recebi dos CãoPincha um e-mail que não vi porque não costumo «dedicar-me» a eles. Mais alguém o faz por mim. Psicologia-Bcomentário deles no meu último post também despertou a minha atenção. Quanto ao e-mail, dizia isto:

“Já ficámos à espera da sua intervenção em relação ao «bullying» que tanta celeuma tem despertado nos últimos dias e parece que até já provocou um morto. Não diz alguma coisa sobre este assunto?
Cão Pincha.”

A 13, lera o tal comentário deles acerca do mesmo assunto, e deraa resposta indicando o motivo de não me ter debruçado sobre o o comentário.Interacção-B30

Quando na manhã de ontem vi uma intervenção sobre o «bullying» na SIC, apeteceu-me fazer três perguntas:

— O que se têm feito?
— O que se está a fazer?
— O que se pretende fazer para reduzir e eliminar o fenómeno?

Hoje, consegui algum tempo para isso porque a «JOANA» vai para a impressão.Joana-B

Julgo que «bullying» é uma nova classificação utilizada há algum tempo pelos EUA e por outros países de expressão inglesa para classificar as crianças que maltratam ou são maltratadas sistematicamente, sem razão plausível e só com o intento de magoar ou intimidar o maltratado enquanto aquele que maltrata se sente satisfeito com a sua acção ou com o resultado dela: inferiorizar o que está em desvantagem.

No nosso tempo, há 50 anos ou mais, não havia comportamentos deste tipo? Seguramente que havia, mas não tinham esta classificação porque nem a sua abundância e gravidade e nem o mediatismo eram tão grandes!Consegui-B

Agora que começou a vulgarizar-se, surgiu a necessidade de estudar pormenorizadamente o fenómeno e classificá-lo. Contudo, melhor seria tentar resolvê-lo ou, melhor, evitá-lo.

Julgo que em relação à classificação e estudo estamos avançados, baseando-nos especialmente nas investigações feitas em outros países para depois compararmos com o nosso e constatar que está acima ou abaixo dos valores verificados nessas investigações.

Porém, a minha primeira preocupação é saber se já se fez alguma coisa para evitar que o fenómeno se expanda e se consolide Maluco2enquanto os teóricos e estudiosos falam…

Se a aprendizagem dos «maltratadores» se consolidar com o reforço social negativo aleatório obtido no fim de cada acção bem sucedida, temos a forte probabilidade de que as suas acções aumentem com o tempo e com os bons resultados obtidos.

Quais as medidas que foram ou são tomadas para evitar esse fenómeno, para mais, com os meios de comunicação social a apresentarem os casos sem a indicação daquilo que acontece aos «maltratadores» ou às suas famílias.Depressão-B

Arranjam-se desculpas para tudo. E, a propósito destas desculpas e justificações, existem perguntas pertinentes a serem formuladas e que podem ser a justificação principal para a ocorrência de tudo isto.

— Será que os «maltratadores» executam esses comportamentos para se sentirem superiores ou porque se julgam e se sentem inferiorizados em relação aos outros?

— Será que esses indivíduos necessitam de executar compulsivamente actos semelhantes para se mostrarem «fortes» e «dominadores» aos olhos dos outros, para com isso se sentirem superiores?Saude-B

— Não julgarão eles que os outros os acham como tal mostrando medo deles?

— Que tipo de família, vida económica e social, que valores e cultura têm esses «maltratadores»?

— Quer sejam ricos, «bem lançados na vida», «importantes» ou pobres e desgraçados, que interacção conjugal e familiar existe nesses agregados familiares?

— Será que, com os seus actos, os «maltratados» se querem «mostrar» importantes e «melhores» do que os outros ou são Psicopata-Bexageradamente tímidos e inferiorizados? Fazem-me lembrar o protagonista principal do meu novo livro PSICOPATA! Eu?, que conheci em 1976.

Estes reparos fazem com que, de imediato, se pense dar a estas crianças meios alternativos de defesa ou de contra-acção para evitar a «satisfação» daqueles que os agridem quer física, quer verbalmente ou por outros meios.

Se não houver esta satisfação, a acção anterior terá tendência a esmorecer: será a falta de reforço positivo do «maltratador».Psi-Bem-C

Se se conseguir que exista um mau resultado do agressor, melhor ainda: é a punição a exigir dele a finalização ou o evitamento da (sua) acção (desprezível).

Acontece o mesmo com os alarmes, câmaras de vigilância, polícia de proximidade e outros meios de dissuasão. Porém, a punição tem de ser efectiva e eficaz, capaz de fazer desaparecer a acção indesejável de «bullying».

Por exemplo, um colega ou amigo «corpulento e respeitável» que apareça subitamente no momento anterior à tentativa de agressão pode ser um trunfo a utilizar pelo «maltratado»!Difíceis-B

— E se a Escola conseguisse ter pessoal suficiente e bem treinado para exercer essa acção quando necessário?

— Se a Polícia estivesse fora dos portões da Escolas a fiscalizar a acção de muitos que, por sua vivência pessoal, necessitam de reforço negativo exercendo sobre os outros uma pressão bem sucedida?

— E se tudo isto tiver origem porque os «maltratadores» não obtêm qualquer reforço positivo no local ou no contexto familiar em que vivem?neuropsicologia-B

— Quando é que as famílias de muitos destes «maltratadores» terão oportunidade de conseguir ter uma vida melhor do que aquela que têm, se não estão a viver de subsídios e outras ajudas precárias sem ter de trabalhar e viver decentemente numa comunidade pacífica?

— Quando é que as crianças terão confiança e oportunidade de falar com os seus pais sobre as suas vidas para que consigam ter um futuro melhor, mas não necessariamente melhor que o dos vizinhos e conhecidos?

A verdadeira educação ou formação da personalidade começa cedo e não se pode, de ânimo leve, endossá-la aos professores e à Imagina-Bescola.

A escola tem um papel fundamental na instrução e não na «educação». Contudo, não se pode eximir da «educação» nem da boa convivência entre os alunos. Se acontece algo de mal, tem a obrigação de comunicar imediatamente ao encarregado de educação porque o aluno «não é responsável».

Contudo, alguém tem de ser responsabilizado. Onde encontrar esses pais se nem aparecem às reuniões da escola em que é necessário comunicar-lhes algo de importante sobre os seus educandos? Muitos deles podem preocupar-se com as «notas» dos filhos, quer estes saibam ou não a matéria. É quanto lhes basta para que exista um mario-70diploma de passagem de ano para o exibirem ao exigir um emprego!

— Quais os técnicos para que qualquer escola possa atalhar casos desta natureza? E que meios existem para a mesma finalidade? Com professores insatisfeitos, talvez todos queiram fazer vista grossa e «passar a bola», sempre que possível.

— E o suicídio do professor da Escola de Fitares porque não conseguia ser respeitado na escola nem a escola ligava importância às suas participações?

Há mais de 30 anos, a Dinamarca tinha pelo menos um psicólogo em qualquer escola «normal» e pelo Adolescencia-Bmenos dois numa escola «especial».

— Haverá alguma semelhança com Portugal?

Ficamos sempre a admirar e enaltecer o que se faz no estrangeiro. Mas o que se faz cá em Portugal?

Há anos, tive a oportunidade de estar na Associação de Autistas, em Belém. Depois de fazer o artigo (ver post O Autismo Entre Nós, de 31 AGO 2009) houve um psiquiatra que se insurgiu contra a minha admiração de que nessa associação não existia qualquer psicólogo quando até tinha um psiquiatra! Mas, nessa ocasião, esteve lá compr-Cum Psicólogo dos EUA que até ministrou um curso sobre modificação do comportamento, técnica muito utilizada nos EUA, Inglaterra, Canadá e Austrália. Há pouco tempo, descobri que o pai dum aluno tinha ido procurar nos EUA um especialista a trabalhar com autistas. O que se fez desde a minha «pergunta indiscreta» de haver um psiquiatra e nem um psicólogo? Ficámos satisfeitos com a visita de técnicos estrangeiros e a compra de equipamentos sem se fazer um trabalho mínimo que é possível e vantajoso?

Em tempos, surgiu-me um caso duma menina adolescente estar a ser perseguida por outras, vulgo «bullying», com insinuações de lésbica. A rapariga de 16 anos tinha estado anteriormente numa outra escola até ao 9º ano, com uma amiga da mesma idade com quem se dava muito bem. Como ambas se sentiam isoladas na nova escola, segregaram-Educar-Bse ligeiramente ocasionando a «fúria» de um rapaz que queria a atenção da primeira. Como era um rapaz bem-apessoado e já tinha provocado a atenção de algumas colegas e de alguns elementos masculinos que admiravam a sua postura, sentiu-se rejeitado pela «novata» que não deixava de se dar com a sua antiga amiga.

O «conquistador» começou a sussurrar frases pouco audíveis mas compreensíveis como uma alusão à feminilidade dessa rapariga. As alusões eram perceptíveis e quase toda a turma começava a sorrir maliciosamente e a olhar de soslaio para a rapariga que se sentia cada vez mais inferiorizada e aterrorizada com as insinuações que atingiam a sua imagem. Ficou marginalizada na turma e com medo de reagir, até que resolveu contar Suces-esc-Baos pais o que se passava nas aulas da nova escola onde todos os outros alunos da turma eram velhos conhecidos uns dos outros.

Com os pais ela tinha pouca confiança. Com o irmão, 10 anos mais velho, também pouca lida tinha tido. Fora sempre protegida em casa porque era uma bebé e o pai esperava que ela fosse farmacêutica como ele, com boas notas. A mãe, pouco tempo tinha para ela, de modo que a sua única amiga dos 9 anos anteriores era a sua companhia preferida.

Os «ataques» na escola continuavam e, por acaso, uma das professoras deu conta da ocorrência e comunicou o facto ao Apoio-Bpsicólogo que, por acaso, existia na escola, com a finalidade de orientação vocacional.

À volta do «herói» já se formava um grupo. Antes que houvesse mais «estragos», a escola interveio e entrou em contacto com os pais. O pai já queria ir para a escola bater nos que «chamavam nomes» à filha. A mãe tentou «acalmá-lo» e chamar à razão. O psicólogo da escola tentou falar com os professores dessa turma para que estivessem atentos e chamassem a atenção dos alunos para as distracções com as piadas e brincadeiras. Falou tamém com o «herói», que já começava a reunir uma corte à sua volta e verificou que tudo não passava de falta de atenção que a mãe desse «herói» lhe dedicava, além da ausência do pai naquela casa, fazendo diferença tanto à mãe como ao «herói».reed2

O pai da rapariga era muito rígido, preconceituoso e desejoso que a filha seguisse o ramo de Farmácia, já que o irmão, 10 anos mais velho, estudava Direito por vontade própria.

Como a rapariga tinha de reagir e aprender a precaver-se de futuros ataques e a escola não poderia fazer esse trabalho de psicoterapia individual, as consultas particulares a que ela se sujeitou deram-lhe a capacidade de não reagir a qualquer insinuação, mantendo a calma de tal maneira que o «maltratador» se sentiu desencorajado e desistiu do seu intento que, se conseguisse vingar, poderia formar um grupo de «valentes» que iriam Depress-nao-Baprendendo através da modelagem e reforço vicariante obtido ao longo das suas actuações.

— Porém, onde existem pais que sejam capazes de actuar quando necessário?

— Quais as escolas que possuem psicólogos nos seus quadros?

— Quais os filhos que conseguem ter a atenção dos pais para lhes confidenciarem as suas vitórias, derrotas, preocupações, anseios e dúvidas?

— Quanto tempo de conversa existe entre pais e filhos para tratar de «problemas pessoais», sem ser os da aquisição ou não de «Educar»-Bcalças, mochilas, telemóveis de «marca»?

— Por acaso, os pais saberão metade do que os filhos fazem desde que saem de casa para irem à escola?

— Quais as suas amizades?

— Qual o meio ambiente que frequentam?

A formação da personalidade inicia-se em casa e prolonga-se pela escola e pela sociedade e não o contrário. Os modelos devem ser de casa e não da televisão. Que filmes «magníficos» estão a ser exibidos durante o dia todo? Grande parte da ideologia comunista na China fortificou-se através da televisão. Bandura, com todas as suas experiências com crianças Humanismo-Bviolentas ou não,  fala na aprendizagem social!

Antes de tudo, é bom pensarmos nisso e mudar as nossas vidas em vez de nos deixarmos enredar por teias das quais nunca mais nos veremos livres, sempre à espera duma «felicidade» que desejamos encontrar no mundo que nos rodeia em vez de a procurarmos dentro de nós.

A respeito do «bullying», bastava que as famílias estivessem mais atentas e colaborantes com a escola, que a escola comunicasse bem com as famílias e que, ao mínimo indício de perturbação fossem tomadas medidas adequadas.Psicoterapia-B

Essas medidas teriam de ser com uma vigilância adequada e permanente, havendo um bom entendimento entre os alunos e vigilantes.

Tentando dar mais uma razão da minha falta de resposta ao e-mail recebido, posso dizer que se a «JOANA», a principal protagonista do meu novo livro, não fosse ajudada, juntamente com os seus pais, a aprender a ter comportamentos diferentes, talvez fosse, no futuro, uma das organizadoras do «bullying».

Do modo como as coisas correram, com os pais «re-unidos» e concordantes com a educação a dar à filha, até conseguiram com Stress-Bque essa «criança» os ajudasse a educar um novo filho a caminho e que, seguramente, deve ter já a idade de entrar no «bullying».

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:arvore

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Anúncios

Single Post Navigation

8 thoughts on “«BULLYING»

  1. CãoPincha on said:

    Até que afinal, tivemos uma resposta ao nosso pedido.
    Parece-nos também que a educação é muito importante, que deve ser dada em casa com exemplos e que não se podem responsabilizar apenas os professores e o pesaoal da escola.
    De maneira alguma podem os pais ficar fora deste processo de educação.

  2. Anónima on said:

    Já que prefere este modo de comunicação, como vi hoje à noite uma psicóloga social intervir numa informação sobre FLASH MOBS difundida pela SIC, não tenho outra alternativa senão fazer este comentário para lhe dizer que gostaria de saber qual a sua opinião sobre o assunto.

  3. Anónima on said:

    Sou professora do 3º ciclo e, por acaso, consultando o seu blog, li este post que me ajudou bastante no caso de um rapaz que estava a tentar tornar-se notado na turma que, por sua vez, ficava manipulada por ele para satirizar um outro recém-chegado à escola.
    Lendo este post e vários outros deste blog, consegui aperceber-me da situação e, como não temos psicólogo, entrei em acção com os dois rapazes, conversando com eles primeiro.
    Convoquei depois os pais e verifiquei que pouco tempo dedicavam aos filhos. Explicando-lhes a situação, pedi um aumento da interacção familiar e a consulta deste blog.
    A situação que se tinha prolongado por dois meses, ficou sanada em 15 dias. Oxalá que continue assim.
    Obrigada pela ajuda recebida.

  4. Anónima on said:

    Sou professora acabada de nomear para uma escola do 2º ciclo numa cidade pequena.
    Fiquei ligeiramente confusa com o comentário do CãoPincha.
    Pode-me dar algumas sugestões para evitar o bullying nas minhas turmas?
    Toda a ajuda é bemvinda porque é o primeiro ano que vou leccionar.

  5. Professora on said:

    Ainda bem que escreveu este post para nos alertar que, como directores de turma, o nosso bom senso pode ajudar a envolver os pais na educação dos filhos, exigindo deles um melhor comportamento nas aulas.

  6. Anónima on said:

    Gostei deste post. Pode ser que me ajude. Agradeço que me envie o livro da JOANA. O meu endereço vai ser indicado no e-mail que está no post dos Livros Disponíveis.

  7. Com as agressões que se estão a verificar em muitas escolas e sítios de jovens, o que é que diz agora acerca deste fenómeno?
    A televisão está a apresentar as imagens até à saciedade. Quatro ou cinco vezes em cada noticiário é demais.

    • Não me vou pronunciar muito sobre essas situações, porque existem comentadores a mais. Contudo, aquele que mais me agrada e fala, de facto, em psicologia sem ser em termos técnicos, é Tavares Rijo da Praça da Alegria. Em relação a estes casos, tenho muito mais consideração por ele do que pelos vários psicólogos que aparecem nos diversos canais de televisão. Fala em termos simples para todas as pessoas.
      A Joana também seria uma candidata a bully ou muito pior, se não tivesse tido uma educação adequada e em tempo oportuno, com bons exemplos dos pais que arrepiaram caminho no momento crucial.
      Vou transcrever alguns trechos do livro que abordam o problema simples de prevenção e profilaxia em vez de tentativas de resolução posterior.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: