PSICOLOGIA PARA TODOS

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DIAGNÓSTICOS 4

Uma pessoa amiga perguntou-me há pouco: “Não gostando de diagnósticos, como é que vou fazer um Psicopata-Bdiagnóstico se estou a dar Psicopatologia e isto se insere nesta matéria?”

Uma quarta recordação que esta pergunta despertou em mim, foi a história do JOEL, que a psiquiatria me «entregou» para psicoterapia, com o diagnosticado provisório de “Psicopata”.

Joel tinha sido internado, de urgência, num hospital psiquiátrico porque tentara estrangular a noiva no vão da escada de um prédio antigo de vários andares. Com o aperto de garganta que ele lhe manteve durante algum tempo, ela desmaiou e, logo depois, ele também. As pessoas que estavam nas proximidades e que viram o sucedido, chamaram os bombeiros que os levaram ambos para um hospital psiquiátrico. Ele ficou internado e ela, finda a Maluco2consulta necessária e passado o susto, regressou a casa.

Os médicos que os atenderam souberam que ele já a tinha tentado empurrar debaixo de um comboio em andamento na linha do Estoril. Também pouco antes, num espaço de um ano, ele tinha tentado empurrá-la para fora dum comboio em andamento no Norte de Portugal quando tinham ido passar um fim-de-semana.

Com este historial, os médicos não podiam, seguramente, dar-lhe qualquer outro «rótulo» a não ser o de «psicopata».

— E o psicólogo a quem cabia a difícil missão de efectuar a psicoterapia?Consegui-B
— Que tipo de psicoterapia deveria «engendrar» para este psicopata?
— Iria confiar plenamente no diagnóstico?
— Que tipo de tratamento, além de medicamentoso, se iria dar a este «potencial homicida»?
— Seria melhor aprofundar a história do «paciente», pondo de lado todo e qualquer «diagnóstico»?

Este caso foi apresentado no 1º Congresso de Psicologia, em Lisboa, entre 26-30 de Março de 1979, com o título “Estudo de um caso: psicopatia”.
Posteriormente, foi publicado nas páginas 25 a 40 do caderno 4, do Centro de Psicologia Clínica, em 1983.Acredita-B

Agora, vai ser publicado num livro que se intitula PSICOPATA! Eu?

Sem se preocupar com qualquer diagnóstico e também sem se limitar ao que já estava feito, o psicólogo recém-formado aproveitou a oportunidade para iniciar no «paciente» a capacidade de relaxamento e, posteriormente, a recordação de momentos agradáveis por ele vividos, seguindo o método que estava a desenvolver sob a designação de affective balance therapy.

Isto ajudou a aprofundar a história pessoal do paciente e a tentar desencadear nele a capacidade de contrapor as suas Imagina-Brecordações agradáveis às desagradáveis, que ele ia tendo aos poucos, a pedido do terapeuta.

Entretanto, no desenvolvimento da história pessoal, o terapeuta verificou que o paciente se impacientava com frequência, o que se traduzia em pontapés nas canelas dos jogadores adversários em jogos de futebol, murros nos vidros das portas, janelas ou até fotocopiadoras, além da participação nos grupos mais avançados de manifestações politico-partidárias de grupos de esquerda radical.

Com o aprofundamento desta história, de que modo poderia o psicólogo duvidar do diagnóstico provisório feito pelo psiquiatra?Saude-B

Contudo, mantendo a sua linha de actuação, o psicólogo continuou com a sua estratégia terapêutica até onde lhe foi possível, enquanto o psiquiatra aconselhava a noiva do rapaz a fugir dele para bem longe, antes que outra tentativa de homicídio não tivesse o êxito de sair gorada.

A rapariga, cheia de medo, sem conhecimento do noivo, fugiu para um país estrangeiro, onde tinha parentes emigrados. Ele deixou de saber onde ela estava. Passado algum tempo, ela casou-se com um rapaz de quem teve dois filhos. O casal não se deu bem e ela ficou arrependida de ter feito esse casamento. O Joel fez algumas tentativas para Psicologia-Bse casar depois de ser subitamente «abandonado», mas não conseguiu ligar-se a outra pessoa. Reformou-se cedo e, com um empréstimo bancário, instalou uma loja de fotocópias.

Um dia que o psicólogo passou, por acaso, por essa loja, o Joel quase que desmaiou de emoção quando o viu. Fechou a loja e quis ir a um café para dois dedos de conversa com o psicólogo. Contou toda a sua história e disse que não se queria intrometer na vivência do casal desavindo (da antiga noiva) para não perturbar ainda mais o equilíbrio familiar. Bem lhe bastava a vida amargurada que ele próprio tinha tido.

Terminada a conversa, quando voltou à sua loja, o psicólogo viu-o «aturar» estoicamente uma professora de trabalhos manuais Interacção-B30que desejava umas fotocópias impecáveis. Achando que o comportamento dessa professora, em relação ao perfeccionismo exigido numa loja vulgar de fotocópias, era exagerado e sabendo do passado e do feitio do Joel, quando ela se foi embora, o psicólogo perguntou ao Joel:

— Você atura isto?

A resposta dele, com um ar de resignação, muito elucidativa, foi curta:

— Dr. O tempo ensina-nos muita coisa. Psicopata, Eu?Joana-B

 Em seguida, conversando melhor com o potencial «psicopata», o psicólogo percebeu que as suas reacções de agressão não eram mais do que o fruto de respostas necessárias e possíveis, no caso dele, para aliviar a frustração de não ter tido uma vida como a de outras crianças e adultos. Era uma resposta de deslocamento para a sensação de inferioridade que ele sentia em relação aos outros, além do medo de perder a única pessoa que ainda lhe ligava alguma importância.

De que serviu e de que serviria o diagnóstico se o psicólogo não tivesse seguido a sua linha de actuação que seria sempre a
Dificeis-Bmesma, com ou sem diagnóstico?

Julgo que mais importante que o diagnóstico (que pode ser provisório para iniciar uma acção terapêutica) é a actuação atempada, rápida e eivada de bom senso, captando todas as tonalidades que se podem obter com o aprofundamento das questões que deixaram os «pacientes» num estado de desequilíbrio momentâneo mas reversível, se a acção for eficaz.

 Talvez haja também, brevemente, um Diagnósticos 5.

Já leu os comentários?arvore

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