PSICOLOGIA PARA TODOS

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DIAGNÓSTICO FINAL

“Meu caríssimo Noronha,
Hoje, quando acabei de almoçar e, como normalmente acontece nas tardes se Sábado, fui sentar-me no meuAcredita-B maple preferido antes de poder dar uma volta com a família. Minha filha que se delicia em utilizar o computador, veio acordar-me, meio entusiasmada e meio espantada, para me dizer:
— Ó paizinho, o teu amigo, aquele que fez o livro, fartou-se de escrever posts sobre diagnósticos. Anda daí para ver que é interessante.
Perante esta informação, tratando-se para mais de ti, levantei-me rapidamente e deparei com os seis posts em que me pareceu estares bastante traumatizado com os diagnósticos.
Lembrei-me dos tempos antigos. Essa ideia já eu tinha tido quando te li ao telefone o relatório psicológico acerca da minha filha sobre o seu insucesso escolar.Consegui-B
A maneira como reagiste e o modo como disseste que não conhecias qualquer psicólogo no Porto e que eu próprio tratasse de dar apoio psicopedagógico à minha filha, deixou-me com a pulga atrás da orelha. Havia ali mais qualquer coisa para além do insucesso dela. O diagnóstico não estava lá muito explícito mas as conclusões firmavam-se nas dificuldades escolares e familiares, sem qualquer especificação a não ser a recomendação para apoio psicoterapêutico e psicopedagógico.
Quando comentei o facto com a minha mulher, ele disse-me:Maluco2
“Deve ser impressão tua. Senão, ele tinha-te dito mais qualquer coisa.”
Não sei se sabes que, por isso, apressei-me a dar-lhe apoio reeducativo e, passado pouco tempo, verifiquei que estava a resultar mais do que eu esperava. O resto, tu sabes. E agora, se não me disseres em post, as razões da tua recomendação para eu dar o apoio reeducativo, vais ter de me explicar a situação quando nos encontrarmos nas férias grandes, pelo menos uma vez, porque a minha filha quer passar alguns dias no sul de Espanha e de França. Podemos ir de automóvel.      
— Será que eu estou a pensar correcto imaginando que estás traumatizado com os diagnósticos?Psicopata-C
Um grande abraço de muita amizade de toda a família (e, provavelmente, até da Cidália que está óptima) para todos vocês.
Teu amigo sincero,
Antunes”

Quando, no Domingo, li o e-mail acima transcrito, lembrei-me que o próprio relatório do exame psicológico da filha do Antunes, embora sem resultados numéricos e sem indicar as provas que tinham sido utilizadas, dizia que existiam dificuldades escolares e familiares.

Segundo a minha visão, em vez de recomendar apenas apoios psicoterapêutico e pedagógico, deveria também dizer que os pais Psicologia-Cnecessitavam de sessões de aconselhamento. Poderia, eventualmente, ter um diagnóstico formal de «carência afectiva» ou qualquer outro mas, pareceu-me que o mais importante, naquela criança com um nível intelectual acima da média, era ter mais contacto com os familiares, o que o emprego do pai não consentia. E verificou-se o resultado.

— Neste caso, de que serviria o diagnóstico sem uma indicação clara do que os familiares poderiam fazer para minorar a situação?
— Qual a vantagem do apoio psicopedagógico ser dado por outros que não fossem os familiares?
— Qual a necessidade de psicoterapia formal se a situação desencadeante das dificuldades podia ser facilmente removida?Interacção-B30

Para mim, o mais importante é «arregaçar as mangas» e começar a trabalhar. E viu-se o resultado!

— No caso da Cidália, se ela não se envolvesse na sua própria psicoterapia que modificações iria conseguir e quanto tempo (e dinheiro) despenderia para obter resultados muito mais exíguos do que os conseguidos?
— Quanto tempo durariam os mesmos e quantas mais vezes estaria ela nas mãos dum psicoterapeuta para aliviar os males de que iria sofrer por não fazer uma profilaxia?
— Que diagnóstico se iria fazer neste caso e de que serviria?Saude-B

Enquanto dava esta resposta lembrei-me, de repente, de um outro caso ocorrido numa empresa bastante grande há muitos anos.

Embora tenha tentado, sem sucesso, procurar o respectivo processo para relatar os factos com maior rigor, vou contar, de memória, o que me aconteceu depois de ter feito um diagnóstico.

O condutor de uma viatura duma empresa bastante grande foi considerado pessoa conflituosa e com um comportamento muito Imagina-Binstável. Enviado para observação, foram-lhe feitos exames que indicaram uma personalidade muito instável e agressiva. Como era necessário decidir se continuaria como condutor, foram feitas mais contraprovas que, no MMPI, indicaram claramente um elevado grau de traços psicopáticos.
Em face disto, disse no meu relatório que o indivíduo apresentava alguns traços de psicopatia que não aconselhavam a condução em zonas capazes de provocar alguma tensão.

Entretanto, como a filha desse indivíduo estava em apoio psicopedagógico por ter muita dificuldade na concentração da atenção, uma conversa com a mãe revelou que ela também ficava com medo do marido que se excedia na agressividade em casa.Psi-Bem-C
Mãe e filha tinham muito medo dele.

Informado inadequadamente pela empresa sobre o resultado dos exames psicológicos, o indivíduo foi solicitar outro exame psicológico a um colega meu de curso e bastante amigo, que já trabalhava numa instituição do Estado. O relatório dele, baseado apenas numa prova de Rorschach, dizia que o indivíduo em questão não sofria de qualquer patologia psicótica.
Logo de seguida, fui confrontado por esse indivíduo que, com o relatório na mão, veio perguntar-me agressivamente, com que razão eu o chamava psicopata. Respondi-lhe, calmamente, que era o resultado dos exames e não Difíceis-Binvenção minha.
Quando os serviços da empresa me fizeram a pergunta acerca do meu relatório, convoquei o indivíduo para mais uma entrevista e algumas provas ligeiras e confirmei verbalmente o diagnóstico, dizendo à empresa que achava perigoso o indivíduo conduzir o carro sem qualquer acompanhamento humano numa zona com tráfico tão intenso como Lisboa. Podia haver possibilidade de acidente por «culpa» do condutor.

Apesar da minha recomendação, este condutor continuou nas suas tarefas com base no relatório do meu colega, até que um dia, irritando-se com o trânsito que não o deixava circular à sua vontade, «mandou» o carro contra o de um outro condutor que não lhe «facilitava a vida». Causou prejuízos avultados nas viaturas e ferimentos no outro condutor. O caso Joana-Bfoi a Tribunal e a empresa foi condenada a pagar as indemnizações inibindo o indivíduo «diagnosticado» de exercer a sua função.

Se o diagnóstico feito por mim, com toda a cautela e seriedade, não foi aceite e o outro teve mais êxito, como posso estar satisfeito com os diagnósticos se eles quase nunca me serviram para começar a trabalhar naquilo que as pessoas mais querem: livrar-se rapidamente e bem do mal de que sofrem?

De que maneira se podem deixar de aproveitar, nestas condições, as contingências e as oportunidades positivas que se nos apresentam na observação e contacto directo com o «paciente», evitando as negativas? Temos de saber «Educar»-Bapreender a situação global, enquadrando devidamente o indivíduo no seu ambiente. Por isso, torna-se necessário verificar as causas dos seus comportamentos para eliminar ou alterar os efeitos consequentes.

Querer seguir estritamente o modelo médico em psicologia, pode ser um procedimento inútil e prejudicial para o consulente que deseja os seus problemas resolvidos e não catalogados para deixar que eles continuem a existir sem nada fazer para os reduzir ou eliminar.

Não sou contra os diagnósticos quando necessários mas, fazer depender a ajuda psicológica dum diagnóstico que de nada servirá, ou não dar a ajuda necessária porque o diagnóstico não foi feito, é uma situação que só pode ser resolvida Depress-nao-Bcom o bom senso e a perspicácia ética do especialista em questão.
Além disso, fazer um diagnóstico não é fácil e aquilo que me disse, há anos, uma aluna do 2º ano de Psicologia, deixou-me com os cabelos em pé:
Nós entrevistamos o paciente e, logo a seguir, observando-o bem, podemos fazer o diagnóstico das suas dificuldades.
Esta aluna, psicóloga há muitos anos e já com um doutoramento e uma posição de destaque no meio académico, continuará a pensar da mesma maneira? Nunca mais consegui falar com ela.

Já leu os vários posts sobre DIAGNÓSTICOS e ARREGAÇAR AS MANGAS?pqsp2

Porém, enquanto não me demonstrarem claramente que isso é da máxima importância, não vou entrar em diagnósticos de “síndrome de alienação parental!” (ver post SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL)

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVOarvore

de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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4 thoughts on “DIAGNÓSTICO FINAL

  1. Germana on said:

    Já não nos contactamos há bastante tempo. A vida aqui tem sido difícil por causa das nuvens do vulcão e da falta de turismo; o meu marido, quase que ia entrando em depressão. Quando soube pela Dirce que tinha oferecido o livro deste post ao primo dela, pedi-o emprestado e quase obriguei o meu merido a lê-lo com rapidez e fazer pelo menos parte daquilo que o Antunes fez.
    Eu também faço e ele está a recuperar. Os miudos necessitam muito de nós e não quero que os tempos antigos sejam repetidos. Quando tiver oportunidade, traga uma cópia de cada livro que publicar, que a Dirce me vai fazer chegar às mãos. Agora, vou vendo o seu blog.
    Obrigada por tudo e aguardo os livros por mão própria.
    Com o nome que já me deu, sou a Germana.

  2. CãoPincha on said:

    Já que diz que não gosta de diagnósticos, mas fá-los de vez em quando, qual é o que faz com a celeuma que se tem levantado à volta de Saramago?

  3. Bom dia.
    Foi quase por acaso que vi o seu comentário num dos meus blogs. São poucas as vezes que por lá estou, mas ando a tentar inverter essa situação.
    Devo dizer que também aprecio imenso o seu blog, não fosse eu uma curiosa sobre o comportamento humano.
    Conto passar por aqui, numa outra altura.

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