PSICOLOGIA PARA TODOS

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ENCOPROSE

Comentário feito no post DIFICULDADES COM OS FILHOS, de 9 de Maio de 2010.Joana-B

“Estive a consultar o antigo jornal TIL, de Portimão, que já não existe, e gostei dos aconselhamentos dados às pessoas que apresentaram as suas dificuldades. Contudo, não consegui encontrar lá respostas às minhas necessidades. Uma das alunas do ISMAT aconselhou-me a fazer um comentário em qualquer poste do seu blogue que estive agora a consultar. Nele, não consegui uma resposta totalmente satisfatória para o meu caso.
A minha filha de 3 anos e meio, que teve sempre um percurso regular nos hábitos higiénicos, começou, de repente, há cerca de 4 meses, a deixar de fazer cocó durante dias e a exigir a colocação de fraldas recusando Psicologia-Bsentar-se na sanita.
Ela tem uma irmã 2 anos mais nova de quem sempre mostrou gostar muito até há cerca de 6 meses. A pequenina, ainda usa fraldas. Nós tentamos amimar a mais velha e convencê-la a sentar-se na sanita, sem resultado. O mais que podemos fazer, é ficar com ela na casa-de-banho e convencê-la a fazer cocó, quando chora muito e diz que dói a barriga. Depois de lá ficar muito tempo sem resultado, utilizamos a fralda para ela poder evacuar raramente, quando quiser.
Apesar de todos os conselhos que lhe damos e dos mimos que fazemos, ela exige a fralda, queixa-se Interacção-B30constantemente de dor de barriga e mostra não gostar da irmã. Já consultamos médicos que nos dizem não haver qualquer dificuldade orgânica. Aconselham supositórios e clisteres que produzem cada vez menos resultado.
Poderei ter alguma ajuda?
Maria”

D. Maria,

Em resposta rápida, posso dizer que o diagnóstico pode ser o de encoprose.Saude-B
— Mas, de que serve o diagnóstico se não arregaçarmos as mangas para trabalhar com a criança a fim de lhe aliviar o sofrimento de ter de conter as fezes com dor de barriga?
— Qual o tratamento?
— Quem o prescreve, quem o executa e como?

Em primeiro lugar, lendo o seu comentário transcrito acima, posso dizer que julgo que o comportamento de amimar e ligar importância à criança quando não faz cocó na sanita, pode ser o reforço que ela deseja sentir e que, Difíceis-Bprovavelmente, não obtém em circunstâncias diferentes. Conversar e tentar fazer entender não chega. É necessário que ela sinta. A utilização de fraldas também pode ser um modo de se sentir parecida com a «usurpadora» que lhe tirou a primazia. Não interessa a verdade, os sentimentos dos mais velhos e a nossa racionalização. O importante é aquilo que a criança sente.
— Então, o que fazer?
— Recolocar esses reforços para depois de ela fazer cocó na sanita.
— Como?

Se não houver uma clínica especializada para tratamento deste tipo de dificuldades psicológicas como em alguns países, cada Psicopata-Bpsicólogo ou cada um tem de deitar mãos à obra antes que seja tarde e a situação de encoprose se «enraíze» criando dificuldades ainda maiores para a saúde da criança.

De imediato, como primeira hipótese de trabalho, posso dizer que todo e qualquer mimo, conversa de compreensão da situação, afagos, etc. deve ser eliminada logo depois e em associação com a situação de «não cocó na sanita». Mesmo que a criança chore e diga que dói a barriga, o melhor é tratá-la com «urbanidade» e não com afecto. Tratá-la como se fosse uma pessoa estranha que se dedica só à melhoria na doença e não com afecto exagerado. Isso implica deitá-la na cama, colocar-lhe um supositório, fazer massagens na barriga ou dar algum clister antes de ela se sentar na sanita e fazer cocó. Nada de comoções, mimos ou desculpabilizações. Se Depressão-Btem dor de barriga é porque está cheia e com gases. Os mesmos têm de ser eliminados o mais rapidamente possível.

Se fizer cocó, por acaso, deve-lhe ser prestada toda a atenção possível, mesmo em detrimento da irmã ou com a sua colaboração, demonstrando à mais velha que ela é importante para os pais. Neste caso, deve-lhe ser colocada imediatamente uma fralda como precaução e recompensa por ter feito o cocó na sanita como os mais velhos. Para esta alteração do momento do reforço, os pais não irão despender mais tempo e energia do que com o seu comportamento anterior «inadequado» de ansiedade e de pena.

Se isso não acontecer e enquanto durar, a atenção que lhe é prestada deve ser diminuída para surgir abruptamente quando a Imagina-Bcriança for capaz de ir à sanita. Com supositórios, massagens e clisteres não deve demorar muito tempo.

Além disso, quando houver queixas da criança de que dói a barriga, os mais velhos têm de se limitar a tratar dela e a não responder directamente às suas queixas. Devem falar de qualquer outra coisa para fazer ver que o melhor remédio para as dores é a sanita.

Estamos a utilizar aqui as técnicas de reforço, de incentivo para um comportamento saudável, de facilitação (física)  e de reforço do comportamento incompatível.

Consolidada esta situação e depois de verificar que não necessita de fraldas, podem os pais conversar com ela durante um mêsmario-70
para lhe fazer ver que não necessita das mesmas. Quando a hostilidade com a irmã diminuir com a ajuda dos pais, estes podem utilizar a criança como uma sua auxiliar para sentir que «toma conta» da irmã, mesmo que não faça coisa alguma nesse sentido.

Interessa sobremaneira que a criança tenha comportamentos adequados e não apenas a informação de que compreendeu o afecto dos pais por ela. Nesta idade, a sua capacidade de abstracção não chega para essa compreensão.

Enquanto não for publicado PSICOLOGIA PARA TODOS, o livro JOANA a traquina ou simplesmente criança?, Acredita-Bdepois de fazer mais do que uma leitura, serve para compreender bem esta situação. Por ser muito arriscada para quem não está completamente familiarizado com as técnicas e não têm condições ideais para a utilizar, deixo de mencionar a técnica de saciação (flooding ou implosive therapy) que foi por mim utilizada uma vez.

No caso de ser bem aplicada a formulação que indiquei, espero que dentro de dois meses a situação esteja resolvida promovendo um melhor relacionamento familiar.

É importante compreender a função e os efeitos do reforço bem como o momento em que o mesmo deve ser «manipulado» num sentido terapêutico.arvore

Boa sorte.

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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7 thoughts on “ENCOPROSE

  1. Já recebi o livro da JOANA em fins de Agosto. Foi para tentar resolver uma situação semelhante do meu neto. Embora tivesse dado resultado, ficámos aflitos quando ao fim de fazer cocó na sanita depois de dois dias de abstinência, ele não quis que lhe colocássemos a fralda.
    A minha filha ficou aflita, mas começou por elogiar o meu neto porque tinha atingido uma idade mais adulta do que a irmã, dezoito meses mais nova. Não sei se fizeram bem.

  2. Mário de Noronha on said:

    Acabei de moderar o vosso comentário e vou responder já porque me sinto especialmente feliz com a vossa reacção O vosso procedimento foi óptimo. A fralda era só para «dar reforço» à criança, isto é, a satisfação que ele deveria sentir depois de fazer cocó na sanita.
    Contudo, se por qualquer circunstância ele conseguiu ter reforço apenas porque fez cocó na sanita, o melhor a fazer era elogiá-lo efusivamente.
    Por acaso, os pais ou a mãe não lhe teriam prestado especial atenção no momento em que ele fez cocó na sanita?
    É necessário «entrar profundamente» no conceito do reforço e fazer constantes avanços e recuos conforme as circunstâncias do momento. É por isso que serve o feedback.

  3. Na minha opinião estes problemas são mais uma razão de não abusar de fraldas. Uma criança que consegue andar consegue fazer as necessidades no bacio, desenvolvendo para isso as suas capacidades comunicativas mais cedo. Deste modo, o problema nem sequer pode surgir.

    • Mário de Noronha on said:

      Caro Senhor José Carrancudo,
      Julgo que deveria ser assim. Mas, às vezes, devido a várias «contingências» a criança entra em regressão e deseja ser «mais pequena».
      Já tive casos semelhantes e num, há cerca de 20 anos, assumi a responsabilidade de utilizar a técnica da saciação (flooding ou implosive therapy) que, felizmente, deu bom resultado.
      Passei duas horas terríveis!
      Contudo, depois de os pais terem «aprendido a lição» não foram capazes de manter com o filho um relacionamento melhor do que o anterior. Tanto quanto sei, este adulto mantém agora pouca ligação com os pais. Porque será?
      Vou ser se relato o caso no novo livro a ser publicado em breve: “PSICOLOGIA PARA TODOS”.

  4. Li este post e os anteriores e parece-me que as soluções propostas são desumanizadas e traumatizantes.
    Isto pode ser prejudicial para alguns. Também sou psicóloga mas não me quero identificar para não ferir susceptibilidades.
    Até qualquer dia.

    • Acabei de ler o seu comentário acima transcrito feito no post ENCOPROSE, de 4 de Setembro próximo passado. Acho que merece um post com o título “CONFLITOS e DESUMANIZAÇÃO” que vou redigir em seguida para lhe dar a minha versão dos factos.
      Cumprimentos,
      Mário de Noronha

  5. Anónima on said:

    Ainda bem que mantém este blogue e escreveu este poste. Obrigada pela ajuda que me prestou. Vou tentar obter o seu endereço através dos seus alunos e enviar-lhe uma carta ou Email se isto não for possível. Se quiser, pode extrair do texto aquilo que desejar para publicação num poste.
    Pode também ajudar outras pessoas como eu.
    Devo-lhe um grande favor pelos seus livros, postes e blogue.
    Não consigo compreender o comentário da psicóloga!
    Anónima, amiga da Júlia.

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