PSICOLOGIA PARA TODOS

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PENSAR, SENTIR E AGIR

Caro Comentador,
O seu comentário, que muito agradeço, no post Conflitos e Desumanização, parece-me que não tem muita consistência.Biblio

“Por que razão não se pode falar com as pessoas que têm dificuldades para aconselhá-las a mudar de comportamentos a fim de que elas fiquem boas?
Se os psicólogos sabem como se deve fazer, podem dizer isso suavemente às pessoas sem as magoar ou forçar.
Posso ter uma resposta?”

Não sei se deu um golpe de vista profundo pelos diversos posts existentes nos três blogs mencionados no post História do Nosso Blog – sempre actualizada, de Novembro de 2009. Se não o fez, aconselho-o a consultá-los, quer mario-70antes, quer depois da leitura deste.

Entretanto, suponha que estamos a falar com pessoas perturbadas que, em saúde mental, são «diagnosticadas» como neuróticas.
Essas pessoas têm comportamentos fora do comum, sabem que os têm mas não os conseguem evitar, reduzir e, muito menos, eliminar, como desejariam.
Geralmente, não é a falta de vontade ou o discernimento que lhes escasseia mas sim a capacidade de agir. Dar-lhes apenas conselhos pode aumentar-lhes a angústia por não conseguirem agir como desejam.Imagina-B

Vamos começar por coisas simples.
Se uma criança não consegue decalcar devidamente algumas letras, não é a sua falta de vontade ou a compreensão de que a letra está mal feita que estão diminuídas. O que a criança necessita é de treino para as decalcar devidamente. Necessita de ajuda efectiva. Provavelmente, dizer-lhe apenas como deve decalcar as letras sem a ajudar, talvez aumente a angústia de não poder fazer aquilo que sabe que está mal e deseja corrigir.
Quem a tentar ajudar apenas com palavras, não pode estar a prestar-lhe um mau serviço?Acredita-B

Se um adulto está ao balcão de um bar e tem medo de encarar alguns clientes, chegando ao ponto de desmaiar, será possível dar-lhe apenas conselhos para eliminar o medo, sem qualquer outra ajuda mais efectiva?
Um dos meus «pacientes» tinha esse problema e até ficava com os sapatos (de lona ou ténis, que calçava enquanto trabalhava) cheios de salmoura (branca). Se ele nunca desmaiou em algumas circunstâncias, foi apenas porque conseguiu agarrar-se rapidamente à borda do balcão olhando para baixo até lhe passar a vertigem que sentia. Quando acabava o serviço e regressava a casa, mudava de sapatos mas, quando chegava a casa, tinha os pés completamente transpirados e os sapatos cheios de salmoura. Por causa do péssimo aspecto que tinham ao fim do dia, Consegui-Btinha de os deixar secar para os engraxar no dia seguinte.
Os conselhos que lhe foram dados durante um ano não produziram qualquer resultado benéfico. Porém, com uma dessensibilização intensiva efectuada durante dois meses, acompanhada de relaxamento, obteve-se um resultado surpreendente.
Esse relaxamento até o ajudou a fazer uma ligeira análise de profundidade e descobrir que esse medo e desorientação já o acompanhavam há muito tempo. Quando aos 12 anos de idade veio sozinho duma remota aldeia de Trás-os-Montes para Lisboa para servir numa mercearia, porque os pais não o podiam sustentar, sentia-se desorientado e quase «proscrito».
Dessa mercearia onde era maltratado e dormia quase num palheiro, passou a trabalhar um bar, mas a sensação de mágoa em Maluco2relação à sua vida e à inferioridade que sentia em relação aos outros, não só o deixavam com um semblante triste como faziam com que não conseguisse interagir com o sexo feminino.

Toda a sensação de alívio que teve depois da psicoterapia breve a que se sujeitou, até «mudou» a sua fisionomia para um aspecto de tal maneira diferente, que um dia não o consegui reconhecer de imediato.
Passados cerca de 2 anos sobre o fim da sua psicoterapia, saí do Hospital Júlio de Matos e fui encontrar-me com a minha mulher para almoçar, na Av.ª de Madrid. Estávamos a espreitar o interior dos restaurantes para descobrir um que estivesse menos descongestionado, quando um rapaz bem-posto se postou à nossa frente e, olhando para mim, apontou para os seus sapatos e perguntou-me com entusiasmo:Psicopata-B
— Já viu como é que estão agora?
Minha mulher olhou para mim admirada julgando que era algum «interno» do Júlio de Matos. Eu fiquei atónito, mas a pergunta acerca do aspecto dos sapatos buliu comigo e fez-me vir à ideia um caso que tinha passado comigo. Aconteceu-me o mesmo com o Júlio do livro a ser publicado Eu Não Sou Maluco!  Olhei bem para ele e disse:
— Meu caro amigo. Você mudou muito – e a resposta dele não se fez esperar:
— Vou casar-me em breve.
Este facto deixou-me extremamente sensibilizado porque, com a sua pergunta inicial, ele estava a dizer-me:Depressão-B
— Valeu a pena ter feito a psicoterapia. Já não tenho os medos antigos, nem me sinto inferiorizado. Sei que as pessoas não olham para mim com superioridade. A prova é que tenho uma namorada com quem me vou casar em breve. Os conselhos que recebi não serviram para nada. Só fazendo e experimentando é que se aprende.

Este é o exemplo vivo dum facto de há muito tempo e que me ensinou muito. As pessoas com dificuldades, sabem que as têm mas não as conseguem evitar e muitas «refugiam-se» na droga ou no álcool para não ter de pensar nelas, senti-las ou fugir das mesmas.

Por isso, prefiro falar pouco e agir muito, levando as pessoas a pensar, sentir e agir para que percam os seus medos e ideias Saude-Bpouco desejáveis, que as afligem e lhes avinagram a existência.
Por acaso, já leu o post «arregaçar as mangas»?
E o post Diagnósticos 3?
           

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVOarvore

de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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One thought on “PENSAR, SENTIR E AGIR

  1. Anónimo on said:

    Parece que lhe dou uma certa razão porque conheci diversas pessoas que se têm aborrecido com o apoio psicológico depois de se submeterem a mais de um ano de tratamento.

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