PSICOLOGIA PARA TODOS

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MODELAGEM E REFORÇO VICARIANTE

Comentário de um Anónimo, em 24 de Novembro, no post MODELAGEM E IDENTIFICAÇÃO 2:Joana-B

“Se uma criança tem medo ou fica aterrorizada por algum motivo inexplicável, qual a razão da insistência na modelagem e identificação se nada disso é hereditário? Não se compreende.
Porque não se descobre isso logo no início da psicoterapia, se existem meios para tal?”

Senhor comentador Anónimo,

A minha insistência ou advertência em relação à modelagem e identificação é apenas por causa da fixação (e aumento?) doInteracção-B30comportamento indesejável através do reforço vicariante (vigarista). É aquele que mal se sente e funciona a um nível pouco consciente. Nós envaidecemo-nos quando nos fazem um elogio muito discreto, mas que nos é muito querido. Às vezes, nem damos por isso, mas sentimos qualquer coisa dentro de nós. Ver os posts  Modelagem e Identificação 2 (27Out10) neste blog e Modelagem e Identificação (3 Set07) no nosso blog inicial, PSY FOR ALL.

Para começar e não falar em casos desconhecidos, vou referir-me, em primeiro lugar, àquele que está descrito nas páginas 169 e seguintes de PSICOLOGIA PARA TODOS:

“Tomemos como exemplo o Gonçalo, uma criança de 10 anos que vive numa quinta, longe da cidade e tem medo exagerado de animais, ficando sempre afastado dos mesmos e fugindo logo que possível.”

Feita a psicoterapia necessária utilizando a escala de 11 pontos/conceitos para a auto-avaliação do medo do cão, gatos, galinhas, patos, coelhos, ovelhas, vacas e porcos, o valor inicial de 5,6 passou, em 2 semanas de psicoterapia, para 3,4 e, na 8ª semana, para 1,6.

“Acerca disso, o pai disse que também não era muito amigo dos animais e que a quinta tinha sido uma herança do pai seu que ele devia preservar e manter, enquanto o irmão mais velho, com um curso superior, tinha recebido «Educar»-Bcomo herança o palacete da cidade.
Deste modo, o psicólogo verificou que podia haver uma aprendizagem por modelo e/ou identificação, ficando também o Gonçalo traumatizado com uma aprendizagem por modelo reforçada negativamente com comportamentos de fuga e possibilidade de se transformarem em fobias.
O pai resolvia o seu medo ou aversão não se dedicando muito à quinta, mas o psicólogo aconselhou-o a fazer as sessões de dessensibilização ao filho, aproximando-o cada vez mais dos animais de que dizia ter medo. O Gonçalo devia poder aguentar esse medo relaxando-se imediatamente, sem se afastar dos animais enquanto esse medo não tivesse diminuído.”

Um segundo caso, do Jacinto, mencionado nas páginas 196 e seguintes, dá-nos a seguinte panorâmica:Depress-nao-B

Vejamos o que aconteceu num «caso» em que houve necessidade de «medir» a agorafobia do Jacinto que, com 12 anos de idade, tinha um medo exagerado e incontrolável de sair à rua, tendo-se arriscado várias vezes, a ser atropelado quando ia a correr muito desorientado para a escola. Ao pedirem-lhe que quantificasse o valor do seu medo na escala de 11 pontos, como se tinha feito com o Gonçalo, não passou de 6 (acima da média). Se assim era, porque corria pela rua sujeitando-se ao risco de ser atropelado? A auto-avaliação que ele fazia só se podia admitir pela necessidade de querer apresentar uma boa imagem ao terapeuta. Havia que prescindir da escala de avaliação directa e utilizar o diferencial semântico, tanto mais que qualquer avaliação deveria ser feita por ele próprio.”Consegui-B

Neste caso, foi necessário utilizar o diferencial semântico através do qual se descobriu que poderia haver algo relacionado com o pai do rapaz.

“A psicoterapia antes mencionada durou cerca de 6 meses e embora pelas avaliações subjectivas do psicólogo parecesse estar a dar bons resultados, as três avaliações feitas trimestralmente com a utilização do diferencial semântico, no princípio, a meio e no fim, não só deram indicações preciosas sobre o progresso da terapia como, logo na segunda avaliação, forneceram elementos suficientes para se conseguir descobrir que o pai do Acredita-BJacinto também tinha medo de andar na rua e podia estar a modelar o filho nesse sentido. Havia que o ajudar também a consciencializar e a ultrapassar esse medo.
A avaliação do sucesso não ficou exclusivamente dependente do subjectivismo do psicólogo mas foi objectivamente materializada através duma quantificação de valores pré-estabelecidos.”
……
“Continuando a exceptuar as palavras PAI e BOLACHA, as restantes, ANSIEDADE, MEDO e RUA aumentaram a sua média numa aproximação ao pólo positivo.”
……
“A psicoterapia antes mencionada durou cerca de 6 meses e embora pelas avaliações subjectivas do psicólogo parecesse estarMaluco2 a dar bons resultados, as três avaliações feitas trimestralmente com a utilização do diferencial semântico, no princípio, a meio e no fim, não só deram indicações preciosas sobre o progresso da terapia como, logo na segunda avaliação, forneceram elementos suficientes para se conseguir descobrir que o pai do Jacinto também tinha medo de cães e podia estar a modelar o filho nesse sentido. Havia que o ajudar também a consciencializar e a ultrapassar esse medo.
A avaliação do sucesso não ficou exclusivamente dependente do subjectivismo do psicólogo mas foi objectivamente materializada através duma quantificação de valores pré-estabelecidos.”
 

Um terceiro caso, do João e do casal Mendes, mencionado nas páginas 207 e seguintes pode ser ainda mais elucidativo porque Psicopata-Bo «paciente» que sofria de enurese nocturna, era filho do casal Mendes e só melhorou substancialmente quando os pais fizeram a sua psicoterapia à qual «normalmente» não se sujeitariam:

“João, filho do casal Mendes, foi à consulta de psicologia porque sofria de enurese nocturna. Como se pode ver na descrição deste «caso», parecia à primeira vista que este era o único mal, mas com o passar do tempo descobriu-se que tanto o pai como a mãe tinham dificuldades bem maiores e que, sem querer e sem se aperceberem disso, influenciavam negativamente o filho, que «respondia» a essa estimulação nociva com a enurese nocturna. Durante o dia, tudo funcionava normalmente e a retenção da urina era perfeita. Por isso, havia que tratar da criança em primeiro lugar.Depressão-B
Feitos os exames psicológicos no início da psicoterapia, foi necessário que os pais preenchessem um gráfico semelhante ao do capítulo da Enurese apresentado anteriormente.
……..
“Com os Mendes, o psicólogo tinha quase a certeza absoluta de que as causas da enurese se situavam nos progenitores e havia que relacionar diversos resultados à medida que os problemas principais iam sendo resolvidos.”
…….
“Logo que a mãe começou a sua psicoterapia, o psicólogo quis que ela fizesse também um gráfico de auto-avaliação dos seusmario-70
sintomas, como tinha acontecido com a Isilda.”

…………
“Embora estes resultados não fossem de grande necessidade para o psicólogo poder visualizar o progresso feito pela paciente, a auto-avaliação feita pela própria e o seu registo no mapa correspondente, davam-lhe uma capacidade de visualização destes resultados bastante óbvios para a indicação da sua melhoria. Sónia, a mãe do João, conseguiu verificar que não era o psicólogo que a achava melhor mas ela própria dizia aquilo que sentia do mesmo modo como afirmara anteriormente sentir-se mal com a situação que estava a viver.”
 ………….
“Independentemente de quaisquer especulações psicanalíticas ou divinatórias, o que importava naquele momento era realçar Biblioque a Sónia se sentia muito melhor do que anteriormente, dava as aulas com gosto, entendia-se bem com os filhos, não tinha receios da enurese do filho, mas não conseguia entender-se com o marido como ela desejava, o que era traduzido por um abaixamento de 3 pontos na sua avaliação geral. Esta passava de 9 para 6, enquanto as dificuldades de entendimento com o marido se mantinham em 8. Ela achava que o envolvimento dele na vida conjugal era fraco e pouco satisfatório. Por isso, quando soube que o psicólogo ia fazer psicoterapia com o marido ficou extremamente satisfeita. Tal como acontecera com ela, também ele iria beneficiar e talvez o relacionamento conjugal e familiar fosse melhorando com o tempo e com a colaboração dos dois.”   
………..
Tal como tinha acontecido com a Sónia, Gilberto foi encorajado a auto-avaliar-se e a registar em folha separada, todas as Difíceis-Bsemanas, o resultado que era transferido para o seu mapa antes de iniciar a psicoterapia. Nem a Sónia nem o Gilberto conheciam os itens relacionados com um e com o outro. Contudo, faziam os registos que cada um apontava no seu próprio mapa.”
………………..
“Do mesmo modo como se tinha feito com a mulher, O Gilberto conseguiu visualizar os resultados das auto-avaliações, registadas no mapa por ele próprio e verificou que a média dos sintomas descritos inicialmente tinha passado de 9 para 2 em dez semanas de psicoterapia. O mapa final do Gilberto tinham o seguinte aspecto.” 

Em 10 semanas, a média dos valores individuais tinha passado de 9 para 2.Psi-Bem-C

Embora os psicólogos tenham meios de fazer uma avaliação e diagnóstico iniciais, quais seriam os encargos técnicos e financeiros envolvidos em todos os casos, quais as vantagens e qual o tempo de demora em algumas situações?

Para ter uma ideia concreta sobre este assunto, é favor consultar os sete posts sobre DIAGNÓSTICO (1, 2, 3, 4, 5, 6 e  diagnóstico final) e o post «arregaçar as mangas», editados entre 16 e 27 de Abril deste ano.

Enquanto o reforço sentido pelo João podia ser mais ou menos «normal», o vicariante não é visível e, no caso de não se Saude-Bconseguir obtê-lo, o indivíduo pode sentir-se frustrado podendo exibir, em alguns casos, comportamentos descontrolados e inesperados como resposta à frustração.

Que o digam alguns adeptos de vários clubes de futebol quando a sua equipa perde e a multidão à sua volta reage duma determinada maneira, especialmente sob o efeito do álcool ou de outros estupefacientes.

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEISarvore

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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3 thoughts on “MODELAGEM E REFORÇO VICARIANTE

  1. CãoPincha on said:

    Gostámos desta explicação. Um dos nossos confrades ficou satisfeito com a mesma e deseja que lhe envie, para o endereço antes indicado, este livro logo que seja publicado.
    Se julga que vai demorar mais do que 2 meses, é favor enviar já pelos CTT o da “JOANA”.
    CãoPincha (compincha.wordpress.com)

  2. Nunca vi o seu blog mas uma amiga minha disse-me que dava respostas a pessoas com dificuldades psicológicas que expusessem a sua situação.
    Não sei se a minha dificuldade é psicológica, porque fico aflita quando vou com os meus filhos à casa de alguém.
    Andam por todo o lado, mexem em tudo, interrompem as conversas e não estão quietos. Têm 6, 4 e 2 anos. Os mais velhos não deixam descansado o pequenino e tudo fica num rebuliço.
    O meu marido levanta a voz, faz ameaças, diz que vai castigar e castiga de vez em quando, mas parece que nada resulta. Que os meus filhos façam isso em minha casa não me importo mas, na casa dos outros, é uma vergonha. Até parece que em casa dos outros ficam mais desorientados.
    Haverá alguma coisa que eu possa fazer?
    Essa minha amiga vai fazer um comentário no último post do seu blog e prontifica-se a ir consultando o mesmo todos os dias para saber se tenho alguma resposta ou indicação para mim.
    Anónima

    • Mário de Noronha on said:

      Logo que possa, vou tentar dar uma resposta mais específica do que aquelas que foram dadas anteriormente e cujos títulos se encontram inseridos no post “História do nosso Blog, sempre actualizada.”
      Por enquanto, se puder, pode ler o livro da “JOANA” e descobrir o que deve fazer tal como fez o João Manuel, o pai dela.
      O novo post terá o título Modificação do Comportamento 2.

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