PSICOLOGIA PARA TODOS

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REFLEXÃO SOBRE UMA PSICOTERAPIA

Uma colega, acerca de um caso seu muito complicado, fez por e-mail uma descrição que vou transcrever a seguir:Biblio

Uma menina de 23 anos, com muitos problemas na fala, já teve depressão, tomava remédios. Está há seis meses sem nenhum tipo de remédio. Ela apresenta muitos pensamentos negativos, como pensar em matar os pais, pensar em se matar, pensar em ter relacionamento sexual com o pai, traindo a mãe, etc. É um caso muito peculiar, pois ela se mostra uma menina delicada, simples, carinhosa e, inclusive, conta tudo isso pra mãe. A mãe é uma guerreira e consegue lidar super bem com a filha, tentando de tudo para ajudá-la.

Como resposta rápida, lembrei-me de fazer, também por e-mail, algumas perguntas acerca do caso, que podem ajudar a preparar a psicoterapia, se necessária e possível:mario-70
Quantos irmãos tem?
Que tipo de educação teve?
Qual o relacionamento dela com o pai e com a mãe? Semelhante? Diferente?
Tem alguns sinais de patologia (fisiológica – importante)?
Porque foi medicada? Porque deixou a medicação? Que diagnóstico foi feito?
Quanto aos problemas na fala, foi ajudada ou reeducada em criança?
Parece que é necessária uma história completa, além de se tentar fazer entrar em relaxamento (post AutoTerapia, de 24Fev2009) e verificar se ela se lembra de alguns episódios traumatizantes.Imagina-B
Se for neurose, a psicologia pode ajudar mas, se for «de facto» psicose, a medicação deve ser imprescindível (mais provável, à primeira vista, sem qualquer outra informação).(posts Profilaxia e Psicoterapia na Depressão, de 06Jun2009, e Profilaxia e Psicoterapia na Depressão 2, de 22Dez2010).
Veja se consegue «obter da boca dos pais», a sós com eles, algum episódio possivelmente traumatizante e depois, tente abordá-lo suavemente com a rapariga durante a psicoterapia.
Os pensamentos negativos são sentidos por ela ou são só verbalizados?
Qual o nível intelectual? Que nível de instrução? Que tal se dá ela consigo? É importante.Consegui-B

Porém, a descrição feita pela colega deixou-me ligeiramente confuso e preocupado.

Como eram horas de dormir (em Portugal), lembrei-me que o relaxamento não é só uma técnica recomendável para os pacientes, mas também para nós que bem precisamos dela de vez em quando.

Por isso, deitei-me com esta problemática na mente e tentei fazer o relaxamento à minha maneira.

Quando acordei hoje de manhã, lembrei-me que poderia apresentar alguns paralelismos e diferenças entre os meus antigos Acredita-Bpacientes e o caso desta rapariga.

Antes de tudo, a Cidália entrou em depressão porque se sentia abandonada pelos pais. Foi criada pelos avós de quem teve de se afastar por causa dos estudos universitários. Depois de formada e já a trabalhar, teve de ir viver, contra a sua vontade, com os pais que tinham vindo de Moçambique para Portugal e exigiam a sua presença em casa deles quando ela deveria ter a sua vida independente.
Os pais, que sempre tinham vivido «juntos» em Moçambique, «casaram-se» logo que chegaram a Portugal. Além disso, depois de casados, cada um tinha o seu parceiro sexual «extra».
A Cidália, que tinha introjectado os conceitos de fidelidade no casamento e de sua indissolubilidade, «pirou» com isto tudo e Maluco2começou a entrar em depressão cada vez maior a ponto de se medicar fortemente com o apoio de um psiquiatra. Começou a alcoolizar-se e quase a prostituir-se ficando muito debilitada no seu rendimento profissional e académico. Seria resposta à frustração?

Se não fosse a insistência do seu «tio» Antunes, ela nunca teria utilizado a psicoterapia em relação à qual houve tentativas de desistência. Só continuou porque esse «tio» quase a obrigou a não desistir, visto que ele próprio tinha tido problemas de depressão e se tinha livrado deles com auto-terapia ajudado por um psicólogo muito amigo (C/93-117). Seria resposta à frustração de  poder deixar a família com poucos recursos financeiros, como acontecera com ele, e ver a filha «descambar» nos estudos?Psicopata-B

Lembrei-me também do Júlio Eu Não Sou MALUCO! (E) – a quem foi diagnosticada uma depressão e que hoje, depois de uma psicoterapia quase conduzida à distância, é um (sócio) empresário bastante considerado no ramo dos móveis.

O caso do Renato Seabra e do Carlos Castro assassinado no fim deste ano em Nova Iorque, muito falado nas televisões, veio-me também à memória por causa de Ela apresenta muitos pensamentos negativos, como pensar em matar os pais, pensar em se matar”.Depressão-B

Falando hipoteticamente:
* Um ser masculino cheio de vaidade e de um EGO especial (boasting EGO, como diriam os anglófonos) deseja «apoderar-se» de um outro ser masculino para seu parceiro sexual.
* Faz promessas de proporcionar uma carreira brilhante de modelo internacional a esse segundo ser que adere contra a sua vontade a essa troca de favores.
* Passado algum tempo, o segundo ser não vê o seu sonho concretizado e, como heterossexual, deseja desvincular-se do acordo.Psi-Bem-C
* O primeiro ser pode fazer a chantagem de denunciar o segundo como homossexual e isso não lhe convém.
* Não há possibilidade de sair dessa situação inicialmente aceitável mas posteriormente incumprível e degradante.
Como reagirá o segundo ser à frustração em que se encontra envolvido e quase manietado?
Qual das diversas respostas possíveis pode dar?
Será possível prever qual delas pode ser dada num momento de extremo «aperto» e «desorientação»?

Voltando a falar em Renato Seabra, sem ter quaisquer outras informações para além daquelas que são veiculadas pelos meios Difíceis-Bde comunicação social, se ele matou o outro a sangue frio e estava lúcido e mentalmente são, porque demorou tanto tempo no apartamento depois do homicídio? Bastava tirar a vida ao outro para resolver o seu problema e ir-se embora para confessar o crime. E utilizar o saca-rolhas…???
Porque confessou tão espontaneamente o crime? Tudo isto dá que pensar.

Lembrei-me também do JOELPsicopata! Eu? (G) – que, por três vezes, tentou matar a noiva indo parar ao hospital de urgência, sendo considerado psicopata quando a sua tentativa de a estrangular foi desencadeada só pelo medo de «a perder» a favor de outro homem mais apresentável do que ele próprio.

A frustração pode conduzir-nos a actos desesperados, impensáveis e indesejados, mas os únicos possíveis com as Interacção-B30«ferramentas» que ficam entre mãos naquele momento.

A frustração pode ser provocada apenas pelo facto de não conseguirmos atingir algum objectivo a que nos propusemos. Responder à frustração não é fácil, mas a resposta ficará inserida em uma das muitas hipóteses que se mencionam na INTERACÇÃO SOCIAL (K/115-118).

A resolução de elaborar este post foi para dar uma resposta com a qual mais alguém possa beneficiar, para além da colega que ocasionou a sua elaboração.

E, a propósito das respostas à frustração, alguém me pode dizer qual será a resposta e o desfecho da actual revolta no Egipto?Psicologia-B
Quem se arrisca a fazer um prognóstico?

Em relação a este caso, arrisco-me a propor a releitura dos posts:

PSY FOR ALL:
Desânimo ou depressão (2Mar08)
Ameaça de Suicídio (4Ago08)

PSICOLOGIA PARA TODOS:Saude-B
Frustração (4Fev10)
Livros Disponíveis (15Set10)
Conteúdo das Obras (9Out 10)
Prevenção e Profilaxia (4Dez10)
Profilaxia e Psicoterapia na Depressão 2 (22Dez10)
Relaxamento (13Jan11)

Ver post LIVROS DISPONÍVEISarvore

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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One thought on “REFLEXÃO SOBRE UMA PSICOTERAPIA

  1. Mário, muito obrigada pelo post.
    Acabei de ler e já consigo ver uma luz no fim do túnel. Estava extremamente preocupada para lidar com essa paciente. Na verdade, ainda estou, mas me sinto mais segura agora. Obrigada mesmo. Vou ler mais algumas vezes e continuar acompanhando o blog. É muito bom poder contar com o conhecimento de vocês. Um abraço a você e à sua esposa.

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