PSICOLOGIA PARA TODOS

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O EGIPTO DE MUBARAK

O comentário seguinte feito por um anónimo no post ALIVIAR A DISSONÂNCIA COGNITIVA, de 19NOV10,Joana-B

“Para não entrarmos em DISSONÂNCIA COGNITIVA, gostaríamos de ter uma opinião sobre o actual processo de «destituição?» de Hosni Mubarack.
O Egipto estará a entrar, de facto, em democracia?
Será possível?”

obteve de mim a seguinte resposta:

“Vou ver se consigo dizer alguma coisa num novo post, logo que me for possível. Contudo, acho que já disse o Interacção-B30bastante em posts anteriores.
Mário de Noronha
 
Antes de tudo, julgo que já disse o bastante nos posts Governar «Bem» Não é Fácil (22Fev2009) e O 25 de Abril ainda Existe? (24 Abr2009), assim como nos posts que foram ali citados no nosso antigo blog PSICOLOGIA PARA TODOS.
A chamada revolução e destituição que «aconteceu» no Egipto não deve ser muito diferente daquilo que aconteceu em Portugal em 1974.Psicologia-B
O grau de instrução do povo egípcio não deve ser muito diferente da do povo português e a consciencialização política também não. O único factor diferente é a não existência de colónias e a insatisfação consequente provocada nos militares por causa das «guerras coloniais». Mas, o baixo nível de remunerações pode ser um factor importante.
Passar de um regime autocrático para uma democracia não é fácil e não se pode fazer, a não ser através de uma dessensibilização progressiva. De outro modo, é fácil cair outra vez numa outra ditadura ou autocracia por mais «mole» que seja (K).Saude-B

Numa democracia, não basta ir votar e «escolher» o partido mais votado. Qualquer desses partidos está mais interessado em impor a sua ideologia e assegurar os seus interesses – e dos que mandam nele – do que em se preocupar com o interesse do povo que, quando pouco instruído e educado, nem sabe o que quer. Basta-lhe ter o mínimo, já que anteriormente nem isso teve. Basta conhecer a hierarquia das necessidades, de Abraham Maslow (K).
Como geralmente, nestas condições, o armazém do povo está cheio de explosivos ou substâncias facilmente inflamáveis – insatisfação do povo para ter o mínimo exigível ou indispensável para a sua subsistência – basta uma pequena chama para fazerPsicopata-B explodir tudo. Com a frustração, acontece o mesmo. Provavelmente, foi o que aconteceu com Renato Seabra? Falha nas expectativas, frustração: explosão (ver post REFLEXÃO SOBRE UMA PSICOTERAPIA (01Fev11)
Nessas circunstâncias, aparecem sempre os «salvadores do povo» que mais não fazem do que precaver os seus interesses. No Egipto haveria alguém «por trás» da «revolução»? Quem acendeu o rastilho junto do paiol? Essas nações que se dizem democráticas terão alguma coisa a ver com isso? E, dentro do Egipto, não haverá quem ganhe com a situação da expulsão de Mubarak? É isso que temos de observar e é nisso que temos de pensar, antes de tudo, não nos deixando enganar com as conversas dos meios de comunicação social que exploram as mais pequenas desgraças para ganharem audiências.Maluco2

Depois de terem passado mais de 35 anos sobre a chamada revolução em Portugal, que mais não foi do que uma resposta às frustrações de não se poder aguentar durante mais tempo o regime ditatorial e miserabilista que existia, ainda não estamos numa democracia. Nessa ocasião, houve grupos de interesses que tentaram «nacionalizar» muita coisa. Houve quem distribuísse terras de uns a muitos para as desmantelarem e voltarem a entregar, passados muitos anos  já degradas, aos antigos donos. Houve até quem se iludisse e julgasse que as terras dos outros seriam distribuídas pelos mais necessitados! Já havia quem escolhesse para si uma casa em terras alantejanas! Nada disso aconteceu! Houve dirigentes intermédios que se aproveitaram da ingenuidade de muitos Imagina-Bpacóvios que ainda acreditam nos muitos políticos que se apresentam como tal.
Senão, teríamos uma população mais instruída, mais respeitadora dos direitos dos outros, mais conciliante com as minorias, com menos desigualdades sociais (que vão aumentando cada vez mais à medida que o tempo passa) e com menos ganância, corrupção, nepotismo e criminalidade.
Tudo isso, em vez de diminuir, parece que vai aumentando cada vez mais.
Onde estão as elites e os sequazes dos tempos de Salazar? Seriam tão poucos que não pudessem garantir-lhe o poder? O que começaram a fazer depois do derrube do regime? Bastou só afastar os «pides» e os «censuradores»? Onde ficou a imensa mole de informadores que todos eles tinham? Todos eles não teriam aprendido a juntarem-se ao vencedor do Consegui-Bmomento?
Se não houver civismo, cuja falta se nota nos aspectos mais simples de se querer utilizar os títulos e honrarias e passar à frente dos outros de carro ou a pé, sem direito a isso, a democracia não funciona. Senão, existe uma aparência que é mantida com o voto. A democracia não necessita de lobbies e grupos de interesses mas sim de uma compreensão da sociedade como uma comunidade em que todos são equivalentes, respeitando-se uns aos outros.

Basta ler o post FOME OU MENTIRA, de 17 de Outubro de 2010 para compreender o é que importante numa democracia que ainda não o é, na totalidade: SUÉCIA.Acredita-B
À medida que saímos dos países nórdicos, a democracia verdadeira vai diminuindo ainda mais e funciona somente à boca das urnas, com os politiqueiros a falarem mal uns dos outros e os «critiqueiros» a favorecerem a «imagem dos que lhes interessam».
Bem se viu isso, há pouquíssimo tempo, na campanha eleitoral para Presidente da República. Quem deixou de falar mal do outro? Alguém se importou com o povo? Houve alguma preocupação em saber os seus anseios? E qual a quantidade do povo que foi votar? Dizer que um candidato ganhou por maioria é interessante. Mas maioria da maioria ou da minoria? Os que se abstiveram, votaram em branco ou com o voto riscado, não contam? Será isto uma democracia real? Quando haverá a contagem dos possíveis votos a dizerem NÃO? Que não desejam qualquer dos propostos.Depressão-B Quem tem a coragem de implementar este sistema? Os que podem implementar irão utilizar, seguramente, o reforço do comportamento incompatível quando confrontados com esta situação.

É melhor pensar bem nisso e «arregaçarmos as mangas» para exigir que haja verdadeiros políticos que se preocupem mais com o povo do que com eles próprios e com os seus interesses, os quais até são acerrimamente defendidos na Assembleia da República. Que belo espectáculo!
Não espero que no Egipto as coisas sejam melhores do que foram e estão a ser em Portugal enquanto não houver mais instrução, educação e civismo. Temos de ter as nossas ideias e opiniões e não nos deixarmos «embrulhar» com as opiniões de fazedores de opinião que abundam nos meios de comunicação social, cada um «vendido» a Difíceis-Bum determinado grupo de interesses.
Senão, dos grupos de interesses, o mais forte ou o mais convincente, tomará o poder «democraticamente» para deixar a população num estado um pouco menos desagradável do que com Mubarak no poder.

A Psicologia e, especialmente, a Psicologia Social e a Psicopatologia, ensinam-nos isso com as suas figuras de: afiliação, atribuição, comunicação, conformismo, derradeiras impressões, dissonância cognitiva, facilitação social, frustração, funcionamento em grupos, inibição social, mecanismos de defesa, modelagem, moldagem, primeiras impressões, resistência à mudança, reforço do comportamento incompatível (A) (F) (K). Psi-Bem-C
Se quisermos uma sociedade saudável e verdadeiramente democrática, temos de enveredar essencialmente pela instrução, educação e civismo que é fácil aprender, mesmo que não existam computadores – especialmente os Magalhães – salas de aulas modernas e outros confortos sofisticados das civilizações modernas avançadas. Sei que na Índia e em muitos outros países do Oriente, muitas aulas eram dadas em salas onde os alunos se sentavam no chão. E aprendiam muito até conseguirem ir para o estrangeiro onde, com melhores condições, eles ou os seus filhos conseguiram ser cientistas de renome: basta só o Bandura da «aprendizagem social».

Olhando bem para o resto do mundo animal, podemos pensar que se eles conseguissem ter alguma aprendizagem em civismo, Organizar-Bpoderiam ter uma sociedade verdadeiramente mais democrática do que a nossa, sem a tentação do nepotismo, da ganância e da consequente corrupção que nos perseguem quase desde a nascença.
Para haver uma atitude cívica e política adequada, é imperativo que exista uma educação de base com modelagem e moldagem que deve começar em cada, com os pais, continuar na escola, melhor ou pior equipada, mas que transmita instrução e valores fundamentais da cidadania e civismo e que os «maiorais» demonstrem claramente que estão a seguir à risca aquilo que «pregam» nas suas campanhas eleitorais quando não falam mal uns dos outros. Será fácil? Quantas dezenas (ou centenas) de anos demorará este processo.

Em Portugal, após 35 anos da aparente queda da ditadura, ainda não entramos num regime verdadeiramente democrático.
Ao Egipto não deve fácil fugir a isso!  arvore

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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3 thoughts on “O EGIPTO DE MUBARAK

  1. Este comentário não tem nada a ver com este poste.
    Estive a ver o vosso blogue anterior psicologiaparaque.blogspot.com e descobri que em 20 de Agosto de 2008 foi feito um poste sobre reforço do comportamento incompatível como resposta a uma pergunta da amiga da Alice.
    Como tenho alguns problemas que me preocupam agora, pergunto se poderei utilizar essa técnica comigo mesma para aliviar um pouco a minha cabeça.
    Não sei se já está publicado o livro de que falam e como o adquirir.

    • Ainda bem que fez o comentário neste post porque tem moderação e desperta logo a nossa atenção e possibilidade de resposta, se necessária.
      O livro é PSICOLOGIA PARA TODOS e deve ser publicado em breve depois de “Eu Não Sou MALUCO!”.
      O reforço do comportamento incompatível pode ser utilizado por cada um e dizemos isso nesse livro como o utilizávamos com frequência.
      Consulte o próximo post que vou preparar.
      Boa sorte.

  2. Anónimos on said:

    Estamos a ver este artigo curioso de 2011 em que parece ser feita a previsão dos acontecimentos actuais. Gostámos disso.

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