PSICOLOGIA PARA TODOS

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AJUDA A UMA NOVA PROFESSORA 2

Senhora Professora:Psicologia-B

Acho bem que tenha lido os últimos posts, incluindo o «Ajuda a uma   Nova Professora», de 11 de Agosto de 2010.
Espero que leia também (comentários e livros mencionados) tudo o que se relaciona com os outros posts que consultar. Tem de saber bem como se efectua a modelagem, identificação, facilitação, moldagem, reforço, punição, dissonância cognitiva e reforço do comportamento incompatível. Tem de saber como se processa a modificação do comportamento, especialmente agora que vai poder ler em breve também o novo livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F). Falhas2
Além disso, embora concorde consigo, dentro das minhas possibilidades actuais, só posso transcrever um trecho que lhe pode ser útil.

O trecho está inserido nas páginas 29 a 35 do livro FALHAS ORGANIZACIONAIS – A Prisão de Andersonville e outras Instituições, da autoria de alguns especialistas em comportamento organizacional, publicado pela Clássica Editora em 1996.

Numa escola preparatória…Interacção-B30

Poucos anos depois do 25 de Abril, o bom funcionamento das escolas deixava muito a desejar não só porque a «autoridade» dos professores era diminuta mas também porque os pais se tinham demitido da sua função de educadores. Os alunos da Primária que passavam para a Preparatória apresentavam, como apresentam ainda hoje, um comportamento totalmente indisciplinado, com falta de atenção nas aulas e completamente desadequado para o nível de aquisição de conhecimentos exigido neste grau de ensino. Além disso, havendo diversos professores para o mesmo ano, em contraposição com o professor único, pelo menos durante os quatro anos da escola primária, a interacção na aula deixava muito a desejar. Enquanto uma minoria de professores conseguia ser Joana-B«produtiva» nas aulas, a maioria dava as aulas sem se preocupar em saber se o rendimento era adequado e a aprendizagem bem efectuada.
Embora todos os professores não desejassem continuar a dar aulas a «certas» turmas no ano seguinte, apenas uma das professoras conseguia, a muito custo e com muitas «dores de cabeça», tirar proveito em quase todas as aulas. Quase no fim do ano lectivo, esta professora conseguiu verificar que os alunos desejavam que ela continuasse a dar-lhes aulas no ano seguinte, desejo que começou a constar nessa Escola Preparatória, que tinha um elenco de professores bastante fixo. Isto motivou o Conselho Directivo a propor à professora que fizesse um esforço no sentido de experimentar se a sua acção poderia melhorar o clima de disciplina na turma e, posteriormente, em toda a escola. Porém, sabia-se de antemão que os resultados só seriam visíveis a longo prazo.Imagina-B

Pensando numa estratégia global, assumia-se que a possibilidade de manter a ordem numa turma poderia generalizar-se a outras; a aprendizagem assim realizada transferir-se-ia para os alunos de outras turmas, com as quais se utilizaria também a modelagem e a moldagem (ver A PSICOLOGIA NO DIA-A-DIA – O USO SOCIAL DA PSICOLOGIA).
De acordo com a teoria das organizações, a «saída» desejada numa escola é o bom rendimento dos alunos, o que só se consegue obter com a boa participação e atenção dos mesmos (1.ª variável) conjugadas com a boa capacidade lectiva e pedagógica dos professores (2.ª variável), aliada a meios didácticos adequados (3.ª variável); por se ter quase a certeza de que a segunda e a terceira variáveis não poderiam ser alteradas, mesmo que não tivessem a existência e o Acredita-Bfuncionamento desejados, restava a hipótese de analisar exclusivamente a primeira.
Nestas condições, a formulação para a análise foi a seguinte:
• Se for necessário melhorar o rendimento nas aulas, é indispensável melhorar a capacidade de atenção e de participação dos alunos.
• Se os alunos não possuírem estas capacidades em quantidade suficiente, é necessário desenvolvê-las.
• Se não for possível desenvolver estas capacidades, em todos os alunos da escola, ao mesmo tempo, pode-se tentar alterar o comportamento de uma turma para fazer com que as outras também sejam modificadas, utilizando as técnicas de modelagem e moldagem e através do processo da generalização.Consegui-B
• Se existir uma turma na qual se possa iniciar a experiência desta modificação, torna-se necessário observá-la com objectividade, estabelecer um plano de acção e executá-lo com rigor e sucesso.

Assim se iniciou a análise do comportamento, feita pela professora que se comprometeu a utilizar as técnicas de modificação do comportamento, com os alunos da turma que desejavam que ela continuasse a dar-lhes aulas no ano seguinte. Para se estabelecer um plano de acção, depois de determinar o objectivo (melhorar o rendimento), tornava-se necessário observar com cuidado o comportamento a fim de se determinar os reforçadores e dosear cuidadosamente a sua utilização.Psicopata-B
Como os alunos desejavam que a professora continuasse a dar-lhes aulas no ano seguinte e a professora queria que os alunos estives-sem atentos e participativos nas aulas, o interesse em modificar o comportamento dos alunos era da professora e, naquela escola, somente ela era capaz de fazer uma análise cuidadosa da situação, baseando-se em dados objectivos.
Começou então por verificar se o interesse dos alunos em ela lhes dar aulas no ano seguinte significaria que a sua interacção com eles era reforçante ou se funcionava como gratificação para os mesmos. Em diversas conversas na aula pôde verificar que o interesse era genuíno e que quase todos declaravam que ela «sabia falar com eles», embora os castigasse de vez em quando ou exigisse deles um comportamento mais disciplinado. Entendeu que as razões Maluco2dadas para os castigos aplicados, as admoestações sem rancores e sem «vinganças» posteriores eram muito apreciadas pelos alunos. Resolveu, por isso, tomar estes sinais como indicadores de possível reforço e decidiu agir imediatamente, fazendo com que se estabelecesse uma base de entendimento para que as admoestações constantes diminuíssem, pelo menos, à razão de uma por cada dia de aula. Quando ao fim de duas semanas quase não foi necessário fazer admoestações, resolveu reforçar os alunos, incitando-os a portarem-se melhor e a participarem mais nas aulas, com ordem e respeito pelos colegas.

Conseguido este desiderato de resolver as dificuldades e melhorar as «saídas» no final do ano lectivo, chegara o momento de aumentar a «saída» já obtida, aliciando os outros professores a seguir, no ano seguinte, o mesmo procedimento.Depressão-B

Foram meses árduos de trabalho com professores e alunos, com base na seguinte estratégia:
• difundir entre os professores as noções de modificação do comportamento;
• convidar outros professores a assistir às aulas, assim como assistir às aulas dadas por outros professores;
• discutir sempre com os outros professores os pontos positivos e negativos dos seus comportamentos de interacção com os alunos;
• utilizar a sua influência, quer como incentivo para determinados comportamentos tanto dos alunos como dos professores, quer como acção reforçadora posterior;
• utilizar o comportamento dos alunos e professora dessa turma como exemplo e modelo a ser seguido tanto pelos alunos Imagina-Bcomo pelos professores de outras turmas;
• treinar o Conselho Directivo a utilizar, neste caso, o reforço e, especialmente, a moldagem como técnicas essenciais de modificação do comportamento;
• utilizar a facilitação e fazer com que os processos de generalização e de transferência tomassem conta da situação.

As técnicas de modificação do comportamento foram permanentemente utilizadas e monitorizadas com reaferição (feedback)Psi-Bem-C
contínua. Ao fim de dois anos de esforços persistentes e sem grande alteração no elenco dos professores dessa escola, notou-se uma razoável uniformização de procedimentos que exigia dos alunos comportamentos similares em quase todas as turmas e com quase todos os professores. Tinha-se evitado a dissonância cognitiva nos alunos que frequentemente se desorientavam com os comportamentos díspares dos diversos professores, que ampliavam assim as falhas organizacionais.

Os professores passaram a ser tolerantes, mas firmes, exigentes, mas compreensivos, amigos dos alunos, mas disciplinados e disciplinadores. Os alunos sabiam com que podiam contar e tinham a certeza de que os comportamentos
dos professores não eram díspares e, às vezes incompatíveis, como acontecia anteriormente. E mesmo que os alunos viessem de escolas primárias onde o seu comportamento tivesse sido de falta de atenção, a convivência com os maisDificeis-B
velhos ajudava-os a entender as razões e a necessidade de novos tipos de comportamento: o grau de ensino era diferente e exigia maior responsabilidade e participação, concedendo-lhes o direito de ser tratados como futuros adultos.

Melhorando as «saídas» com a ajuda das técnicas de modificação comportamental, foi possível evitar a falha organizacional de maus resultados escolares que se verificavam nessa escola e que se poderiam evitar em diversas outras.”

Julgo que dei uma ideia do que se fez em tempos. Será possível agora? O comportamento organizacional numa escola não é muito diferente do que é mantido numa fábrica. Os dois exigem boas «saídas». Enquanto na escola a quantidade e Saude-B
qualidade da aprendizagem é importante, na fábrica, a quantidade e a qualidade do material produzido também o é. Depende, em muito da qualificação e produtividade dos intervenientes e da interacção humana mantida em qualquer destes locias, com base nas aprendizagens feitas anteriormente.

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO  arvore
de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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10 thoughts on “AJUDA A UMA NOVA PROFESSORA 2

  1. Anónima on said:

    Também sou professora e gostei de ler este poste.
    Ajuda a pensar naquilo que fazemos nas aulas e a melhorar a nossa actuação.

  2. anónima on said:

    Como gostei deste poste vou seguir as vossas instruções.
    Vou fazer este comentário, ver a “História do Nosso Blog sempre actualizada”, escolher ou outros postes que me interessam, ler tudo com os comentários e fazer os comentários que achar bem.
    No final até sou capaz de necessitar de algum livro quando consultar o poste respectivo.
    Boa Páscoa que vou passar a divertir-me com o blogue já que não tenho dinheiro para ir lá fora, mesmo que seja cá dentro.
    O que é preciso é levantar os ânimos.

  3. Srª anónima
    Gostei deste comentário e da filosifia nele implícita.
    Deixe-me dizer-lhe que está a praticar consigo o reforço do comportamento incompatível.

  4. Anónimo on said:

    Durante as férias da Páscoa que vou forçadamente passar em casa, vou ver mais postes, mas estou a gostar deste.
    Continue assim para nos ajudar a não entrar em desânimo com tudo o aque se passa na nossa sociedade.

  5. Anónimo on said:

    Este poste fez-me ir a muitos outros dos quais gostei.
    Obrigado por dar da psicologia uma ideia de seriedade e não de palavras vãs e de consolação.
    Este sábado de descanso, sem dinheiro para gastar fora de casa, vai dar a possibilidade de me divertir com uma leitura útil.

  6. Anónimo on said:

    Achei este poste muito interessante. Quando tiver mais tempo vou consultar vários outros de acordo com as minhas preferências do momento.

  7. Anónima on said:

    Já comecei a consultar este blogue que me parece interessante.
    Dá-me várias sugestões sobre o modo como posso dar as aulas.
    Vou começar a consultar outros postes.
    Obrigada pela ajuda.

  8. Anónima on said:

    Segundo a indicação dada no vosso bloguer, fui consultar também o CãoPincha que é um outro blogue.
    É extremamente interessante a actual.

  9. Anónimo on said:

    A vossa indicação sobre Gil Vicente é muito pertinente.
    Cheguei lá quando consultei este blogue. Obrigado pela ajuda.

  10. Gostamos imenso do vosso blogue e da ajuda que dão aos que necessitam de informações sobre psicologia.
    Gostaríamos que nos divulgassem também, nem que seja pessoalmente, junto dos vossos amigos e conhecidos.
    Agradecidos pela ajuda.

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