PSICOLOGIA PARA TODOS

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PERCEBER e/ou RESOLVER?

BiblioHá alguns anos,  talvez meia dúzia, um consulente com idade na década dos vinte, depois de bastantes sessões de psicoterapia disse-me que não percebia por que razão não conseguia dominar os seus medos de viajar em transportes públicos, ver ambulâncias, permanecer em hospitais ou resolver outros problemas que o afligiam.
Estava em terapia há 6 meses mas, embora se sentisse ligeiramente aliviado, achava que ainda tinha problemas. Pouco antes da sua pergunta, tinha-me dito que se sentira muito aflito numa viagem de 200 quilómetros, feita com os pais, apesar de ser numa viatura particular muito confortável. Sentira-se agoniado e quase mal disposto, com necessidade de parar a viatura para «apanhar ar».

mario-70Se percebesse por que razão acontecia isso, poderia resolver a situação.

Quase dei uma gargalhada antes de lhe perguntar se nesses 6 meses tinha feito o relaxamento todas as noites e se já tinha lido os livros recomendados.

Como resposta, fiquei a saber que ainda nem tinha terminado a leitura de “Eu Também CONSEGUI!” (C). Em relação ao relaxamento, nem todas as noites o conseguia fazer porque às vezes não estava com disposição suficiente. Quanto à leitura dos seus apontamentos, às vezes esquecia-se, assim como também de saber as vantagens obtidas por outras  pessoas. Não fazia a auto-análise nem mantinha uma espécie de diário que tinha começado nos Maluco2seus tempos de aflições, maiores do que as do momento. Contudo, sentia-se melhor, mas só queria perceber por que razão acontecia isso para poder resolver a situação. Achava que perceber dava para resolver!!!
O facto importante é que ele, com a psicoterapia ligeira conseguida através do relaxamento feito no consultório se sentia melhor, o que o compelia a aligeirar os procedimentos que tinha iniciado. Isso acontece com a maior parte dos iniciantes na psicoterapia. Isto também acontece com os que querem fazer dietas! Além disso, nem tinha tido a oportunidade de ler os apontamentos que lhe dera, relacionados com o actual post sobre (auto-ajuda), de 4 de Abril.

Psicopata-BCom estes argumentos, perguntei-lhe como seria possível ele compreender ou perceber qual era o seu problema (ou causa?) se não fazia o mínimo esforço para recordar factos antigos, criar condições para que isso acontecesse através do relaxamento e «trabalhar» no sentido de contrariar ou aguentar os factos ou ideias que o incomodavam.

Caso eu utilizasse o tempo de consulta para explicar o que está nos livros, demoraria mais do que 50 sessões de psicoterapia. Era um assunto que podia ser resolvido por ele, em casa, com a leitura dos cerca de 10 livros indicados, à razão de um em cada três dias. Já tinham passado mais quatro meses do que o tempo necessário, sem esse trabalho da parte dele. Um mês chegaria para a leitura dos  livros recomendados, que ele já tinha comprado, alguns Psi-Bem-Cmesmo em pré-impressão, custando menos do que 3 sessões de psicoterapia.
Também, a leitura dos diversos apontamentos, feitos em grande parte por causa dele e de outras pessoas que os desejavam, ainda não se realizara, embora lhe sobrasse tempo para «viajar na internet», conversar com os amigos e trocar mensagens. Eu não tinha tempo para dar nas consultas a informação que agora figura nos posts . Se durante as mesmas lhe transmitisse o conteúdo disso, teria de aumentar o tempo das consultas ou deixar de fazer o relaxamento que o tinha aliviado dos medos que o afligiam inicialmente. Quantas mais sessões seriam necessárias para este trabalho que ele poderia fazer em casa?

Difíceis-BNão praticando o relaxamento em casa, pelo menos todas as noites sem qualquer perda de tempo a não ser os primeiros 5 minutos, como poderia ele conseguir recordar e reviver os factos traumatizantes que perturbavam o seu actual comportamento? Seria necessário aumentar a frequência das sessões com as consequentes deslocações e despesas (para os pais)?
Não manter pelo menos um diário ou, preferencialmente, a escrita da auto-análise fazia com que muitos dos problemas traumatizantes não fossem recordados.
Para perceber o que estava armazenado no interior da sua cabeça, na zona mais recôndita da memória e não na associativa ou da racionalização, era necessário penetrar no seu «íntimo» relaxando completamente.
Psicologia-BO diário escrito era também outra ajuda.
Embora em psicoterapia se pudesse fazer parte desse «trabalho», gastando muito mais do que o triplo ou quádruplo das sessões realizadas, a leitura, a recordação e a percepção dos problemas seria muito menos eficaz e rápida.

No final, fiz-lhe lembrar que o Antunes quase não necessitou de ajuda externa além das muitas horas de «conversa» com as quais compreendeu praticamente os mecanismos da psicoterapia e dos desequilíbrios psicológicos. O livro que quase transcreve as longas conversas com ele, estava ao seu dispor e tinha servido de incentivo para que o Antunes iniciasse o apoio reeducativo à filha.
Interacção-B30Esse apoio transformou-se em «motor de arranque» para a melhoria da sua mulher, bem como da auto-terapia do próprio Antunes, também descrita em livro que eu desejava que o rapaz lesse com rapidez. Só com isso, o Antunes foi capaz de influenciar também a mulher e a filha, começando por dar ajuda a esta.
Afinal, a origem do problema era apenas a morte súbita do pai que o deixara quase na indigência. De que maneira se poderia detectá-lo e para que lhe serviria o seu conhecimento e percepção se nada tivesse feito para resolver a situação? E perceber apenas a causa, de que serviria à mulher e à filha?
Em exercícios quase de imaginação orientada ou apenas no relaxamento com a evocação de situações antigas, depois de cerca de 400 sessões de relaxamento, aconteceu com ele o seguinte (B/89-90):

Saude-B“Nesse dia, apesar de não me ter deitado na cama, acordei cedo, bem-disposto, mas com muita fome e a recordação de que tinha descoberto um documento importante. Sem saber porquê, fui abrir um maço de jornais antigos que o meu avô guardara com muito cuidado ao mesmo tempo que dizia ao meu pai que eram uma fonte importante da história da terra perto de Coimbra donde éramos originários. Quando abri cuidadosamente o maço de jornais por uma abertura que estava propositadamente disponível, encontrei uma folha de papel muito antiga na qual estava escrito num português de outros tempos, que uma determinada parcela de terra, junta à nossa antiga casa da aldeia que o meu pai tivera necessidade de vender para iniciar a sua vida profissional, passava a ser propriedade do meu bisavô. Não sabia que este documento existia nem dava conta da razão porque o tinha ido buscar naquela manhã de Segunda-feira.

Imagina-BGuardei esse documento para futura releitura e boa compreensão do que tinha acontecido e fui trabalhar. Tudo me correu bem naquele dia em que houve muita coisa a fazer. Até os patrões pareciam estar mais contentes comigo. Depois de conversar com a minha filha sobre o seu dia e de a ajudar nos trabalhos escolares, incentivei-a a melhorar. Em seguida, descansei um pouco enquanto conversava com a minha mulher que me perguntou o que significava uma frase solta: “o avô queria que guardasse muito bem” (ver capa) que eu tinha proferido em voz quase imperceptível quando estava a dormir profundamente, mal acomodado no maple, na noite anterior. De facto, não sabia o que era. Surpreendido, fui-me deitar 
Depressão-Bbastante intrigado com a pergunta da minha mulher e a descoberta do documento totalmente esquecido. Comecei o relaxamento mental e dormi.

Acordei durante a noite a lembrar-me dos meus 6 anos de idade.
Recordei-me do meu avô quando ainda vivia com os meus pais perto de Coimbra. Ele dizia ao meu pai que aquele maço de jornais acabados de embrulhar cuidadosamente, era muito importante para a história da terra. Parecia que o pai dizia que “sim” mas não ligava muita importância à recomendação. Depois do meu pai se ir embora, o meu avô, vendo que eu estava perto dele, disse-me a mesma coisa e mostrou-me a maneira fácil e expedita de abrir o maço, para Consegui-Bconsultar os jornais, sem danificar nem o maço nem os jornais. Passado pouco tempo, quando eu estava a brincar na sala, o avô chamou o pai e deu-lhe um papel que disse ser muito importante. Também lhe disse que ninguém mais tinha esse papel que era muito valioso para a família. Além disso, falou de qualquer coisa sobre a casa e o quintal e mostrou as terras ao lado. No entanto, o pai pareceu não ligar muita importância ao assunto porque deixou esse papel sobre um móvel da sala. O avô morreu pouco tempo depois.
Numa outra imagem que me surgiu, vi que passado quase um dia o pai se tinha esquecido do papel sobre a mesa da sala. Então, como era importante e o avô o queria bem guardado, fui ao maço de Acredita-Bjornais, abri-o com cuidado e guardei bem o papel como o avô deveria querer. Lembrei-me depois que, passado um ano, quando o pai quis vender a casa e as terras contíguas, não conseguiu vender as terras contíguas porque não tinha o documento a dizer que lhe pertenciam.
Procurou o documento em vão, sem eu saber que aquilo que eu guardara, com todo o cuidado e do qual já me tinha esquecido, era o tal documento. Muito se arreliou o meu pai naquela ocasião!
Esse dinheiro ter-lhe-ia feito muito jeito no início da sua vida profissional e familiar.”

neuropsicologia-BO meu «paciente», já habituado a «enfrentar» psicólogos praticamente nos dez anos anteriores, entrava para a consulta, começava a explicar muita coisa, contava histórias irrelevantes que se passavam com ele, pedia explicações e «gastava» o tempo com isso, quase furtando-se à prática do relaxamento por não haver tempo para isso.
Por isso, tinha de ser imediatamente coarctado da orientação por ele implementada. Por isso, era imprescindível fazer-lhe inicialmente a desensibilização incial e moldar o seu comportamento para futura psicoterapia de profundidade. Assim, em menos de 6 meses, com menos de 30 sessões, conseguiu sentir-se «menos mal» do que quando iniciou a psicoterapia, enquanto nos 2 anos anteriores as coisas tinham piorado de dia para dia.
A minha intenção era eliminar, minimizar ou inverter este procedimento. Seria possível? Logo se veria (continua).

É bom ver a figura do comentário.arvore

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