PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Maio, 2011”

MODELAGEM E IDENTIFICAÇÃO 5

Depois de responder rapidamente a um comentário feito no post «Bullying 3», vou fazer este post para esclarecer melhor o Joana-Bmodo como a modelagem, identificação e o reforço vicariante funcionam para condicionar os nossos comportamentos.

Antes de tudo, tenho de informar que é necessário ler os posts
MODELAGEM E IDENTIFICAÇÃO (3 Set2009), no PSY FOR ALL,
e os seguintes, no PSICOLOGIA PARA TODOS
MODELAGEM E IDENTIFICAÇÃO 2 (27Out2010)
MODELAGEM E REFORÇO VICARIANTE (25Nov2010)Psicopata-B
MODELAGEM E IDENTIFICAÇÃO 3 (11Abr2011)
MODELAGEM E IDENTIFICAÇÃO 4 (15Abr2011)
e tentar compreender bem os mecanismos que estão implícitos no seu funcionamento.

Quero fazer lembrar que todos funcionamos numa sociedade onde desejamos estar inseridos com os seus valores, normas e crenças, mesmo que não estejamos de acordo com as mesmas, devido à especificidade da nossa personalidade que se forma em conjugação com essa sociedade.
Onde vamos buscar esses valores, crenças e normas culturais, senão no seio familiar que cada um tiver? De que maneira Saude-Baderimos ou contrariamos esses valores e normas, a não ser com a nossa personalidade, formada com os reforços positivos, negativos e vicariantes que estabelecem uma atitude geradora de posteriores comportamentos?  (K)
Parece que estamos a discutir aqui os comportamentos considerados maus.
Talvez os possamos comparar a vícios. Já tivemos oportunidade de explicar que esses vícios se formam com uma tentativa bem sucedida de fugir a uma situação desagradável, com reforço negativo aleatório, talvez vicariante.

Se uma criança não tiver em casa um modelo de identificação apropriado, onde o vai buscar? Com quem se vai Acredita-Bidentificar? À medida que vai entrando na pré-adolescência e adolescência, vai procurando os modelos nos amigos que vai conhecendo na escola ou na rua. Muita sorte terá, se conseguir uma amizade ou um modelo adequado, sem ser na rua, porque os outros, refugiam-se geralmente nas suas famílias, mais acolhedoras, que utilizam os seus tempos de «não-trabalho» para estarem, todos juntos em família.
Por sua vez, quem não se sentir bem em sua própria casa, pode ter todo o tempo livre para conviver, obter modelos e descobrir colegas,  na rua, geralmente mais velhos ou mais «espertos» com quem se possa identificar.
Se receber reforço positivo pelos seus actos de desmando, fica satisfeito.Consegui-B
Se os actos de desmando forem para superar algum sentimento de inferioridade (G), por não ter uma família que o acompanhe, o bom resultado com as suas acções pode proporcionar reforço negativo e, consequentemente, criar o hábito de o repetir criando o vício.
Além disso, se o modelo seguido tiver obtido sucesso, provoca reforço vicariante e talvez até necessidade de competir com o mesmo para o superar.
O que falta mais nesta simples forma de actuação para «fabricar» um «bully» como gostam de chamar agora?
No meu tempo também havia tentativas disso, mas os valores morais, os freios sociais, as vigilâncias apertadas dos pais, Psicopata-Bfamília, amigos e outras entidades sociais, não davam azo a que comportamentos deste tipo passassem impunes e muito menos «louvados».

Temos de lembrar também que muitos filmes e vídeos apresentam quase exclusivamente cenas de violência e de falta de respeito pelo próximo. Tudo isto que ocasiona imenso reforço vicariante para quem necessita de não se sentir inferiorizado, marginalizado e quase ostracizado na sua própria família, tem de ser tomado em conta para evitar fenómenos dos quais sentimos repulsa só quando acontecem connosco.

Portanto, a educação que ajuda a formar uma personalidade saudável, é extremamente importante e imprescindível cada vez mais nos tempos actuais.Maluco2
Para essa educação, os modelos a imitar, os reforços recebidos, as pessoas com quem uma criança se possa vir a identificar são muito importantes.
Será isto que proporcionamos na nossa sociedade actual, quer nos lares naturais ou artificiais, ou nos meios de comunicação social?

É um tema em que todos temos de pensar rapidamente e em profundidade!

Já leu os comentários?arvore

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«BULLYING» 3

Hoje, quando saí de casa, uma pessoa minha conhecida abordou-me e disse que tinha lido o post sobre «Bullying» 2, mas queSaude-B desejava mais informações para poder falar no fim-de-semana com o filho que também tinha duas crianças pequenas, de 8 e 10 anos.Depois de recomendar verbalmente que consultasse sempre este blog começando pelo post “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG – sempre actualizada”, de Novembro de 2009, resolvi transcrever como complemento da informação dada, trechos do capítulo situado entre as páginas 119 e 124 do livro “Joana, a traquina ou simplesmente criança?”

A CURIOSIDADE DOS PAIS                                
Deixei-os descansar um pouco para retomar a exposição que estava a fazer, dizendo:Joana-B
– Existem mais fugas em lares que não são acolhedores do que naqueles em que a convivência e o ambiente são bons. Além disso, os pré-adolescentes têm necessidade de muitas informações e lutam com imensas dúvidas que devem ser esclarecidas. Se não existir no contexto familiar uma pessoa idónea que os possa esclarecer ou apoiar, esta ajuda é procurada fora do ambiente «natural». Vemos, por isso, muitas crianças formarem os seus grupos para se apoiarem naturalmente umas às outras: é a força da afiliação (K). Nos lares em que estive a dar apoio, verifiquei que essa necessidade de apoio dos grupos externos diminuía quando o apoio interno aumentava. E repare que eu não era familiar de qualquer deles nem tão pouco do mesmo país. Psicopata-BAté pelo meu sotaque e pela construção das frases eles conseguiam facilmente verificar que eu não era inglês.
– Mas, damos ou não a chave da porta da casa?
– Isso é uma opção a tomar ponderando as vantagens e as desvantagens da situação. Exige a resolução do conflito entre situações incompatíveis de dupla vantagem/desvantagem (K). Duas hipóteses, entre outras, são:

  •  Os pais podem ficar acordados e abrir a porta. Demonstra interesse pelos filhos e não deixa muita possibilidade de se repetirem situações semelhantes, a não ser em ocasiões especiais.
  • Entregando a chave, os pais podem dormir descansados, se é que de facto descansam, mas facilitam futuras saídas, Acredita-Bproporcionando oportunidade para acontecimentos por vezes desagradáveis.

Porém, tudo pode depender das condições em que a família vive, da idade da criança e das razões pelas quais volta tarde a casa. Além do mais, uma conversa franca, calma e sem preconceitos, pode trazer a lume muitas coisas que de outro modo não seriam detectadas. Um bom fim-de-semana ou uns dias de férias, facilitam esta interacção já que quebram a rotina diária, que numa cidade pode, às vezes, ser muito absorvente, isoladora e geradora de falta de interacção familiar. É o preço que se paga pela «civilização». Nas aldeias, a situação pode ser diferente já que o meio é pequeno e facilmente se sabe tudo o que se passa no seio de cada uma das famílias do bairro embora, nos tempos actuais, isso seja difícil.Consegui-B
– Isto não é simples e exige muita ponderação, calma e bom senso – disse o João, acrescentando: – Quanto à parte escolar, julgo que a Joana vai bem; mas em relação à influência das colegas como devemos agir?
– Já ouviram falar, certamente no biólogo/psicólogo suíço Piaget. Segundo a sua teoria de desenvolvimento, o período entre os 9 e os 12 anos é o da «inteligência concreta» no qual predominam a compreensão das relações de ordem temporal, duração, classificação, seriação, quantidade e reversibilidade. A seguir, dos 13 aos 15 anos, no período das operações formais, a criança desenvolve fundamentalmente a abstracção, conseguindo dissociar a operação do conteúdo da acção, retendo o essencial para a construção ou invenção dum plano novo através da abstracção reflexiva.neuropsicologia-B
– Tudo isso é muito bonito – disse a Fernanda e concluiu: – mas eu quero saber que influências podem ter as colegas sobre a minha filha.
– Como estou interessado em que resolvam as situações não porque vos dei algumas informações, indicações técnicas ou conselhos, como geralmente acontece, mas porque ponderaram e tomaram a vossa decisão com base em esclarecimentos suficientes, estou a tentar transmitir-vos os conhecimentos que estão ao meu alcance para quaisquer decisões futuras. Se eu der «conselhos-respostas», resolvo de imediato a situação actual, dou-vos imensa satisfação (reforço secundário negativo que proporciona a redução da vossa angústia), mas coloco-vos, de futuro, Maluco2nas minhas mãos ou na minha dependência. Isto quer dizer que, no futuro, terão de recorrer a mim sempre que se sentirem aflitos e nunca conseguirão resolver adequadamente a situação por iniciativa própria.
– Mas, concretamente, em relação a… – adiantou a Fernanda, olhando para mim e motivando uma pronta intervenção do João Manuel:
– Olha, Fernanda, deixa ele falar que nós lá chegaremos.
Perante o silêncio da Fernanda, aproveitei a oportunidade para reforçar:
– Ainda bem que pensam assim. Duas pessoas ouvem e pensam melhor do que uma e podem discutir, chegando a uma solução mais satisfatória. Para a Joana, é esta a vantagem da família unida: pode proporcionar-lhe mais apoio. No texto de que já vos falei, verifica-se que “os grupos de colegas das escolas suplementam a família como Depressão-Borganizações de socialização“. Além disso, as rejeições e as demasiadas restrições podem estar associadas a um funcionamento inadequado. O envolvimento positivo com o progenitor do mesmo sexo é um factor benéfico para a aquisição de um bom papel sexual, sendo o mau relacionamento com a mãe prejudicial para a rapariga.
Como me viu fazer uma pausa, o João Manuel prontamente perguntou:
– E então o que é que fazemos?
Eu continuei:
– Ainda não acabei, mas estou a ganhar fôlego. Sabe que os desvios sociais se relacionam com o desajustamento nas Difíceis-Brelações entre os pais, com medidas punitivas e com outras relações familiares que intervêm no bom desenvolvimento da capacidade para relações interpessoais? Já viram porque é que eu me estou a preocupar cada vez mais com a família unida? O ponto fundamental da questão é a união e o bom entendimento familiar, especialmente quando a família é nuclear como a vossa: pai, mãe e filhos. Se assim não fosse, existindo já bastantes conhecimentos científicos sobre o comportamento humano e infantil, englobaríamos todas as crianças em jardins-escola, infantários, colégios, etc. (Bronfenbrenner, 1974), onde poderia ser dada uma educação tecnologicamente saudável e cientificamente correcta! Gostariam? Qual a importância do factor de relacionamento humano? Qual a importância das modelagens e identificações? Já pensaram nisso? Seria bom que todas as pessoas do mundo utilizassem o mesmo uniforme? Que monotonia! Se ainda não pensaram, podem fazê-lo enquanto me Psi-Bem-Cdeixam descansar um pouco e pedir uma bebida que me pode ajudar a aclarar as ideias.

Aproveitando o seu silêncio, perguntei:
– Então, ninguém fala? Vão-me deixar a noite inteira a falar sem dizerem aquilo que pensam?
Felizmente, ninguém respondeu, dando-me assim mais algum tempo para meditar, magicar, imaginar, pôr os prós e os contra das diversas situações e ordenar tudo isso na minha mente.
Tinham-se passado mais de cinco minutos de silêncio, ao som de uma música calma e envolvente do Armandinho que convidava todos à reflexão. Pensei: “Que sorte a minha! Parei de falar num momento em que também a música me ajuda a reflectir. Nem sempre a modificação do comportamento orientada, surte os efeitos desejados. As Imagina-Bcontingências do momento têm uma quota-parte de intervenção bastante grande. Por essa razão, porquê não arriscar?” E com estas lucubrações, exclamei:
– Ninguém diz coisa alguma? Então?
João Manuel olhou para a mulher que parecia não querer sair das suas meditações e adiantou:
– “Então era pastor” mas eu vou explicar o que penso. Concordo com o que diz sobre a influência dos pais, em conjunto, na educação de uma criança. Eu sempre quis isso mas posso não ter tido sorte. O que tem a ver este facto com o que nos queria dizer sobre a influência que as companheiras da Joana podem exercer nela?
Antes que pudesse responder, Fernanda interveio com entusiasmo, dizendo:mario-70
– Calma João Manuel. Dizeres que não tiveste sorte engloba a minha pessoa. O que me parece ser necessário é pensarmos os dois conjuntamente e nunca me furtei a isso. Depois falaremos neste assunto. Agora, gostava de ouvir o Maurício falar na influência que as colegas da Joana podem exercer sobre ela.
– Já que me obrigam a intervir – disse eu, tentando realçar a concordância dos dois – posso continuar a exposição anterior, resumindo de modo ordenado o meu pensamento:
“1º – Se a criança necessita de se identificar com um modelo do mesmo sexo e isso lhe traz vantagens, o progenitor do mesmo sexo é de extrema importância.
“2º – Se o equilíbrio e a interacção familiares servem de exemplo e de fonte de identificação, nada melhor do que uma Bibliofamília unida, que dê os exemplos necessários servindo de modelo e de fonte de identificação.
“3º – Os colegas são fonte e suplemento do processo de socialização. Portanto, vão exercer influência, especialmente no que se relaciona com modelos de comportamento (moda) que não devem ser contrariadas totalmente por outras fontes de influência mais poderosas (pais) do que os grupos do mesmo sexo em que as crianças se isolam nesta idade.
“4º – Qualquer alteração pode ser forçada através da abstracção de que fala Piaget. Esta capacidade está apresentada de outra ma-neira e sob o ponto de vista neuropsicológico, nos livros que a Fernanda esteve a ler.
“5º – Além do mais, a pré-adolescência é muito importante para que a adolescência vá decorrendo de maneira suave e sem grandes sobressaltos.Organizar-B
“Cansado de falar, espero ouvir as vossas contestações.”
Depois da minha intervenção, a Fernanda ficou algum tempo meditativa, antes que começasse a falar:
– Em primeiro lugar, deu-me a ideia de convidarmos para nossa casa as amigas da Joana a fim de as podermos conhecer e falar com elas, para depois orientar a Joana da melhor maneira possível. Assim, ela irá acreditar em nós mais do que nas amigas, especialmente se não mostrarmos hostilidade em relação a elas. Em segundo lugar, a Joana tem de estar mais tempo comigo. Em terceiro lugar, a convivência dos pais entre si e a da Joana com os pais irá favorecer a sua capacidade de «interacção social». Não é assim que os psicólogos dizem? Em quarto lugar, a Joana pode ser moldada com reforços adequados e modelada com os exemplos dos pais, especialmente da mãe com quem se Interacção-B30
pode identificar. Isto quer dizer que se ela chegar a ver a mãe longe do pai pode achar bem que, no futuro, os pais vivam separados. Bolas! Isto é complicado!
– Complicado porquê? – perguntei – se os dois concordam em educar a filha da melhor maneira possível e se dispõem a fazer sacrifícios por causa dela?
– Porque exige uma decisão mais rápida do que eu desejava.
Aproveitando «a deixa», afirmei como se tratasse de um facto consumado:
– Segundo as vossas informações, a decisão está automaticamente tomada, desde que exista possibilidade de transferência de um ou de outro para o mesmo local. O que é necessário é ponderar as condições financeiras e aproveitar o momento oportuno.Psicologia-B
À espera da reacção de qualquer deles, que não chegou, provavelmente dependente de vários factores que não deveria conhecer naquele momento, achei por bem respeitar esses sentimentos e deixar as coisas tal como estavam.”

Depois desta transcrição, é bom ler e pensar profundamente no assunto para prevenir e evitar futuros dissabores. Com este exercício, pode haver, tanto quanto possível, uma familiarização com fenómenos deste tipo que serão recorrentes na nossa sociedade, mas que podem ser evitados se os pais tomarem as devidas cautelas, tal como aconteceu com os pais da JOANA.   arvore

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«BULLYING» 2

Para satisfazer a pretensão que os conversadores dos CãoPincha apresentaram num comentário no post «Bullying», de Biblio16Mar10: 
 
“Com as agressões que se estão a verificar em muitas escolas e sítios de jovens, o que é que diz agora acerca deste fenómeno?
A televisão está a apresentar as imagens até à saciedade. Quatro ou cinco vezes em cada noticiário é demais.”

 a minha resposta imediata foi a seguinte:

“Não me vou pronunciar muito sobre essas situações, porque existem comentadores a mais. Contudo, aquele Saude-Bque mais me agrada e fala, de facto, em psicologia sem ser em termos técnicos, é Tavares Rijo, da “Praça da Alegria”. Em relação a estes casos, tenho muito mais consideração por ele do que pelos vários psicólogos que aparecem nos diversos canais de televisão. Fala em termos simples para todas as pessoas.
A Joana também seria uma candidata a bully ou muito pior, se não tivesse tido uma educação adequada e em tempo oportuno, com bons exemplos dos pais que arrepiaram caminho no momento crucial.
Vou transcrever alguns trechos do livro que abordam o problema simples de prevenção e profilaxia em vez de tentativas de resolução posterior.Joana-B

Por isso, alguns trechos das páginas 113 a 118, do livro  Joana, a traquina ou simplesmente criança? , com os sublinhados julgados convenientes podem ser elucidativos:

“… fui obrigado a falar no desenvolvimento cerebral desde o nascimento, confirmando o que estava no livro.
– Afinal, o que nós fazemos com as crianças é pouco aceitável – disse-me a mãe da Joana, confirmando a sua afirmação com exemplos de situações em que os pais tentam fazer compreender às crianças certas normas que elas dificilmente conseguem entender.Psicologia-B
– Pois é – disse-lhe eu – os pais podem dar uma explicação e imaginar que estão certos mas não conseguem calcular que a criança não tem capacidade de compreender as normas sociais, por lhe ser quase impossível utilizar a abstracção antes dos 10 ou 12 anos de idade. O seu cérebro não está suficientemente desenvolvido para descodificar as mensagens a esse nível. Planear, decidir, avaliar, manter o controlo emocional e das pulsões e ter juízos morais, são funções cerebrais que se vão desenvolvendo desde os 8 ou 10 até cerca dos 20 ou 25 anos. Se estas funções se estruturarem mais cedo, tanto melhor para a criança, mas se elas se desenvolverem mais tarde, a intervenção dos pais pode tornar-se fastidiosa e deixar a criança numa situação de frustração ou punição que não deseja. Contudo, não há qualquer inconveniente em dar uma Interacção-B30explicação simples e rápida, visto que se não houver compreensão de parte da criança, existirá pelo menos a prevenção de que certos factos não se devem repetir, além da demonstração de que os pais se preocupam com os filhos.
– De qualquer maneira, é necessário ter cuidado – disse-me ela.
Concordei plenamente e ela continuou:
– E se a Joana desejar ter mais liberdade e maior convivência com determinadas amigas o que posso fazer e como a vou contrariar?
– A Joana não deve «querer» no sentido de exigir, mas sim no sentido de desejar. É aos pais que compete analisar cadaAcredita-B situação visto que, como já disse, ela não tem ainda capacidade de raciocinar, abstrair e concluir que a situação pode não lhe ser benéfica. Nesta idade, a Joana deve conseguir reagir melhor e mais facilmente ao prazer e ao desagrado. Já verificámos que ela gosta da vossa companhia; isso dá-lhe imenso prazer. É necessário tomar este «prazer» como sinónimo de reforçador e utilizá-lo devidamente. Em vez de lhe responderem com um sim ou um não às perguntas de poder ir a casa das amigas ou estar na companhia delas que, no vosso parecer, não é adequada, podem imediatamente propor-lhe uma solução que a afaste dessas amigas. É muito importante não deixar transparecer que têm receio que ela se dê com certas amigas. Uma coisa é os pais acharem que não ser bom que a Joana conviva com determinadas amigas (mostrando que têm Psicopata-Bconfiança na sua actuação correcta e concertada para com os pais) e outra é evidenciar receio que ela conviva com essas amigas (admitindo, logicamente, que possa dar-se com elas, mesmo à revelia das proibições ou conselhos dos pais). São situações delicadas (conflito) em que as medidas a tomar devem ser ponderadas e planeadas com cuidado, sem ferir susceptibilidades nem perder a autoridade (K).
Parecendo querer aclarar algumas ideias sobre o que acabara de dizer, a mãe da Joana solicitou que lhe explicasse melhor as minhas últimas afirmações. Acedi, tentando ser mais explícito:
– Quando digo a uma criança “Não quero que te portes mal em casa da tia”, embora dando uma ordem para não se portar mal, Maluco2estou a admitir tacitamente que a criança possa portar-se mal. Além disso, se, por acaso, acrescentar: “como da vez passada”, já estou a dar uma indicação ainda pior, esclarecendo que ela já teve um comportamento semelhante àquele que está a provocar em nós um certo receio. Porém, se disser: “Quero que te portes bem em casa da tia”, estou a dar indicações positivas, revelando confiança, sem mostrar receio de que aconteça o contrário. Mas, se por acaso quiser acrescentar: “Tu sabes portar-te bem”, a ênfase no bom comportamento é maior e demonstra confiança no aparecimento do comportamento proposto.
– Parece-me que seria bom dizer: “Quero que te portes bem em casa da tia, como tu sabes” Assim, parece-me que está a falar em reforço do comportamento incompatível – disse-me a mãe da Joana.Imagina-B
– Pois é, minha senhora, fico admirado com a rapidez com que está a dominar perfeitamente estes conceitos de psicologia – respondi.
…..
Aproveitando a inércia da conversa, acrescentei:
– E, para isso, é bom que ela tenha uma família unida.
– Quando ela aparece em casa a falar duma amiga que tem os pais quase a separarem-se, o que lhe devemos dizer? – perguntou a Fernanda.
– Em primeiro lugar, podem ignorar a pergunta, fingir que não ouviram e começar de imediato a pensar na possível resposta. Depressão-BEm segundo lugar, se ela insistir, podem tentar fazer-lhe outras perguntas desviando-lhe a atenção e, se for necessário, esclarecer que, de vez em quando, as pessoas se zangam mas que podem voltar a entender-se e a estar com os filhos. É uma situação um pouco pior do que a vossa porque têm a justificação dos empregos que vos obrigam a estar longe um do outro. Em terceiro lugar, numa ocasião mais oportuna e calma, vale a pena explicar-lhe sucintamente que as pessoas têm de aprender a ultrapassar as dificuldades que a vida frequentemente lhes coloca no caminho. A explicação pode não ser compreendida mas a afeição e a simpatia demonstradas serão bastante oportunas de modo a que ela possa pensar: “Os pais estão comigo“.
– E se ela nos perguntar se estamos separados? – interrogou a Fernanda.
Antes que eu pudesse responder, João Manuel interveio:Psi-Bem-C
– Separados? Desde quando? Afastamo-nos um pouco porque tínhamos algumas dúvidas sobre a educação da Joana, mas agora que as coisas vão bem é caso para pensar e ver se arranjas um lugar mais adequado em Lisboa.

Porém, cada um tinha «mergulhado» nos seus pensamentos e, se tivéssemos um aparelho que os conseguisse captar, o resultado talvez fosse o seguinte:

  • João Manuel pensava ansiosamente na maneira de conseguir que a mulher fosse para Lisboa já que a sua ida para a Difíceis-BFigueira lhe causaria quebra substancial de rendimento, superior ao vencimento dela.
  • Fernanda tentava imaginar até que ponto se poderia comprometer e ceder em nome do bem-estar da filha, sem se sentir humilhada com a cedência, já que fora ela a causa principal do afastamento.
  • Eu magicava todas as formas possíveis e imaginárias para aproximar o casal e proporcionar à Joana uma família unida e não «junta» por acaso, por necessidade, por conveniência, por comodismo ou por inércia

Em seguida, retomámos a nossa conversa e a Fernanda continuou:
– No último caso descrito no livro Sucesso Escolar (I), descobri que um pai conseguiu fazer um óptimo trabalho que melhorou bastante o comportamento e o sucesso escolar do seu filho Bosco, apesar da separação dos pais. Contudo, qual será a evolução mario-70desse caso na adolescência?
– Se o pai conseguir manter a mesma ligação que iniciou antes dessa melhoria, o filho irá, provavelmente, ter uma adolescência com alguns problemas «normais» que se resolverão com o tempo, com a ajuda do pai e com uma adaptação sua ao seu meio ambiente. Na Teoria de Desintegração Positiva da Personalidade, Dabrowski (Athayde, 1971) refere-se especificamente a este assunto como reestruturação positiva da personalidade e, por isso, essa adaptação terá de ser sempre a um nível superior ao antecedente. Reparem que isto é, praticamente, a resolução de um conflito com resposta à frustração, podendo a alternativa utilizada ser a de obter uma «saída» melhor do que a situação anterior (será aprender com a ultrapassagem das frustrações?) (K).
– E se, por causa da influência das más companhias, o filho quiser estar fora de casa até altas horas da noite? – perguntou a Consegui-Bmãe da Joana.
– A necessidade de estar fora de casa surge geralmente quando existe um trabalho específico a fazer ou quando a casa é mais desagradável ou menos agradável do que o ambiente exterior. Pode suceder o mesmo quanto ao frio ou ao calor, como por exemplo, o desejo de ir à praia ou de ficar sentado à sombra de uma árvore quando a casa é pequena e pouco ventilada. Até a necessidade de conseguir estar num local mais aconchegado e quente quando a casa é fria ou húmida pode provocar isso. Uma boa relação familiar ou ambiental dentro da própria casa, torna-se muito importante até mesmo nos lares para crianças abandonadas.

*************Respostas-B30
A Joana não só não se tornou uma criança problemática como conseguiu ser uma das melhores alunas da turma estando hoje bem empregada, com uma óptima relação com os pais e irmão e preocupada em utilizar com os seus filhos a receita que tinha aprendido com o seu próprio irmão, 7 anos mais novo.

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REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 3

No post REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 2 cheguei a ver o seguinte comentário feito por um Imagina-BAnónimo:

Já li este poste e o anterior sobre o reforço do comportamento incompatível.
Sou pai solteiro e tenho uma filha que desejo educar o melhor que puder dentro das minhas possibilidades. Será possível dar-me mais algum exemplo sobre esta técnica?
Às vezes parece que a devo utilizar quando ela fala sobre a mãe e eu não posso dar as respostas todas.
Compreenda a minha situação.Psicologia-B
Anónimo.

Senhor Anónimo:
Depois de lhe ter dado uma resposta imediata a este comentário, tenho de dizer que no livro PSICOLOGIA PARA TODOS apresento um caso em que o pai não conseguiu «falar» com o filho já adolescente, acerca do abandono do lar pela mãe, para ir viver fora de Portugal com outro homem. O filho, não conseguindo estabelecer diálogo com o pai, «meteu-se na droga» e, expulso de casa, só depois de apanhado num furto a que foi obrigado pelos traficantes, foi «recuperado» através dum artifício utilizado por um antigo colega de estudos a trabalhar no momento, na Interacção-B30Polícia, para recuperação de toxicodependentes.

Por isso, vou elaborar este post com a transcrição das páginas 60 a 62 do livro “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” em que o psicólogo conversou com uma senhora idosa que se queixava sempre de dores nas pernas, sem ninguém poder fazer algo de benéfico em seu favor. Exemplifica a simplicidade de procedimentos para a utilização desta técnica que também facilita imenso a da extinção. Para tanto, o importante é raciocinar ou pensar logicamente e não permitir que a pessoa fique envolvida emocionalmente na situação como ficou o engenheiro.Joana-B

Eis a transcrição:
“Íamos entrar para o restaurante quando uma senhora idosa se aproximou e abordou o engenheiro:
– Como vai senhor engenheiro? Como está a Joana? – Ao que o engenheiro respondeu:
– A Joana está com a mãe, como em todos os fins-de-semana.
Depois, segredou-me ao ouvido que a senhora se queixava permanentemente de dor nas pernas e que iria insistir nessa ideia sem esmorecer.
– Hoje vem acompanhado dum novo amigo? Ai, as minhas pernas!Saude-B
O engenheiro logo respondeu:
– Não se preocupe. Há-de melhorar dentro em breve. Este meu amigo é estudante de Psicologia, na Inglaterra. Vem cá passar férias.
E segredou-me novamente: 
– Não dizia que iria continuar a conversa da dor nas pernas? A má circulação sanguínea e os seus 70 anos desaconselham qualquer tipo de intervenção médica activa. 
A minha resposta para ele foi rápida:Maluco2
Tente extinguir esse comportamento.
Entretanto, a senhora fazia-lhe outra pergunta:
– A sua senhora tem-se dado bem pela Figueira da Foz?… Sabe a dor que tenho nas pernas?
Apesar da minha discreta cotovelada, o engenheiro respondeu-lhe:
– Deixe lá, vai ficar boa e conseguir andar melhor do que nós. A mãe da Joana está a trabalhar e tem-se dado bem com o ambiente em que vive.
Em seguida, a conversa foi comigo:Psicopata-B
– Sabe, as minhas pernas são uma desgraça. O senhor está a tratar de malucos?
– Não, minha senhora. Eu estudo a maneira de ser das pessoas e se houver necessidade de as ajudar em alguma medida, quer sejam malucos quer não, faço os possíveis para o conseguir. Por enquanto, sou estudante de Psicologia e ainda não posso ajudar profissionalmente qualquer pessoa.
– Sabe? As minhas pernas é que não ajudam. A sua família é de cá?
– Sim. Moramos perto de Sintra mas estivemos muitos anos fora.
– Sabe, a região de Sintra é muito bonita mas as minhas pernas é que não dão para andar.Consegui-B
– De facto, minha senhora, resolvi passar as férias a ver Sintra e Lisboa que não conhecia bem. Sabe que cada vez gosto mais de Portugal?
– Não me diga que tem saudades da sua terra! Vocês os rapazes novos o que querem é estrangeiro. Vão para lá e nunca mais regressam.
– Não é verdade. Eu espero tirar o meu curso e voltar para Portugal desde que arranje cá um lugar onde possa ganhar o suficiente para me poder manter sem as misérias que quase todos passamos.
– De facto, esta terra é boa para alguns. Para outros é bem madrasta. Se todos trabalhassem para melhorar o nível de vida da população seria tão bom! – disse a Senhora, sem voltar a falar nas suas pernas.Psi-Bem-C
– Esperemos que dentro de alguns anos as coisas se modifiquem e que todos possamos viver em melhores condições do que agora. Espero poder ganhar o suficiente quando acabar o meu curso e faço votos para que as pessoas não imaginem que os psicólogos só trabalham com malucos. Tive muito gosto em conhecê-la e até à próxima.
– Boa viagem e bons estudos – disse a senhora despedindo-se também do engenheiro que ficara muito admirado porque a senhora não insistira comigo em relação à sua doença das pernas.
– Não lhe fiz sinal para não-reforçar ou extinguir a conversa sobre a doença das pernas? – perguntei.
– Isso não pareceria indelicadeza da minha parte?Difíceis-B
– Não sei porquê. Viu claramente que respondi a todas as perguntas desviando a atenção para assuntos mais importantes do que as desditas acerca das pernas em relação às quais nada se podia fazer. Falar nelas seria manter ou aumentar a angústia da senhora. Não falar nas pernas ou apresentar-lhe assuntos mais interessantes foi prestar-lhe um grande favor, mesmo em relação à sua sanidade mental (A). Verificou o interesse com que ela conversou comigo? Utilize sempre que possa o procedimento de extinção, do reforço do comportamento incompatível e da facilitação que conseguirá benefícios imediatos (F) (K).neuropsicologia-B
– Já estou a lembrar-me de mais algumas coisas que posso fazer com a Joana. Vamos para o restaurante conversar porque a seguir, em chegando a casa, tenho de ler mais alguma coisa sobre o assunto.”

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BRINCADEIRAS COM A GUERRA

 No post ROUBOS AFECTIVOS cheguei a ver o seguinte comentário:Saude-B

“Sou uma mãe preocupada que leu com atenção este post.
Fiquei surpreendida com o trecho do livro que fala nas brincadeiras com a guerra acerca do qual a mãe da Joana queria discutir.
Tenho um só filho de 9 anos que só gosta de brincar às guerras.
Que mal tem isso?”
 
Vou responder a este comentário neste post para dizer o que (o Maurício) discuti com a mãe da Joana .Joana-B

Por este motivo, vou transcrever as páginas 130 a 132 do livro “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” (D) em que o psicólogo conversou com a mãe dela para lhe tirar as dúvidas sobre o artigo relacionado com os jogos da guerra pelas crianças.

“– Já estou mais descansada – disse a Fernanda – Vamos agora ao tal artigo. Numa revista destinada aos pais, apareceu um artigo que dizia:
“A Guerra, para uma criança que ronda a idade escolar, torna-se atractiva pois há aquela necessidade de fazer incursões no Psicologia-Bespaço que passam sempre pelas lutas.  
Muitas vezes é a forma de descarregar a tensão quotidiana difícil de suportar.
 …
E foi assim que o Zezé e o Alberto queimaram o pijama da vizinha, estendido na corda, ao lançarem um dos seus mísseis que cuidadosa e artesanalmente fabricaram”.
Achando que este artigo era quase um elogio à brincadeira da guerra, quis fazer uma sondagem entre os colegas, amigos e conhecidos da Figueira e o resultado foi mais ou menos o seguinte:
a) dois terços das pessoas tinham gostado muito do artigo;Interacção-B30
b) metade tinha achado útil;
c) dois terços concordavam que as crianças deviam brincar às guerras;
d) oito em cada nove pessoas achavam que deveriam ser tomadas certas precauções.

Contudo, só menos de metade conseguiu dizer que se devia tomar cuidado quanto aos objectos com que as crianças fazem a «guerra», quanto ao seu significado e quanto à necessidade de dissociação entre a guerra a sério e a guerra de brincadeira. Este é um modo de as ajudar a tomar consciência de que a guerra deve ser evitada, sendo Psicopata-Bsempre preferível utilizar a argumentação e a razão para se fazer valer um ponto de vista. Os que responderam deste modo eram indivíduos com instrução acima do ensino secundário. O que acontecerá com os restantes?
– Não sei – respondi – provavelmente brincarão mais às guerras porque os pais gostaram do artigo e acham que a guerra é recomendável.
– E qual a sua opinião – perguntou-me a Fernanda – já que a idade de brincar às guerras pode situar-se também na idade do início da escolaridade?
– Julgo que brincar às guerras não é mau, desde que se tomem as medidas que alguns dos sujeitos da sondagem verbalizaram e se procure sempre fazer uma conotação dos males que a guerra pode trazer, inclusive na brincadeira. É necessário aproveitar todos os factos prejudiciais ocasionados pela brincadeira da guerra, para os associar aos males da Maluco2guerra a sério. Só com uma dessensibilização bem-feita talvez se chegue a uma aversão à guerra. Porém,  qual é o não-técnico que está preparado para isso? Para os leigos, é melhor recomendar que não dêem muita atenção à guerra a não ser em termos pouco apreciativos, sem contudo a hostilizar veementemente. É bom tentar não pôr à disposição das crianças material relacionado com a guerra e, no caso de elas o adquirirem, desviar-lhes a atenção para outras brincadeiras através da utilização do reforço do comportamento incompatível (F).
– É isso que eu pensei e discuti com uma colega que quase me chamou ignorante pela apologia de brincadeiras de guerra feita no final desse artigo com uma citação de um conhecido psicanalista da época: “Há as crianças que brincam às guerras e há as crianças e os adultos que as fazem. Brincar às guerras, vacina provavelmente contra a guerra. Viver a guerra dentro de si sem a «brincar» origina provavelmente as «pessoas da guerra»…“.Consegui-B
– Posso não ter admiração por certos psicanalistas que me parecem utópicos e com ideias preconcebidas. Até parece que alguns desculpabilizam o seu analisando assacando as «culpas» ou as «causas» das suas «desgraças» à sociedade que os rodeia. Contudo, concordo que provavelmente as brincadeiras de guerra vacinem as crianças contra a mesma desde que essa brincadeira lhes provoque reforço negativo vicariante com o final da guerra. O que me parece importante é que os artigos sejam esclarecedores e completos e que não contenham meias verdades. Senão, às vezes, podem ser prejudiciais.
– Assim já sei com que posso contar e acho que a minha ideia sobre educação, violência, etc., está correcta, embora nem sempre consiga ter um comportamento coerente com a minha maneira de pensar e sentir. São situações em que nos envolvemos súbita Acredita-Be inesperadamente e que não nos deixam oportunidade para um «volte face» apropriado.
************************
Nestas circunstâncias, depois de ler a transcrição da conversa entre a mãe da Joana e o psicólogo, convém que cada pessoa esteja bem ciente dos mecanismos do comportamento humano, conheça e observe bem a pessoa com quem lida, descubra quais os reforços que ela prefere, quais são os mais manipuláveis e possíveis de dar, qual o objectivo pretendido e planeie as acções de acordo com a finalidade desejada, não se esquecendo do feedback necessário para o replaneamento de toda a acção.

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ROUBOS AFECTIVOS

No post MÃOZINHAS QUE ROUBAM”, de Janeiro deste ano, uma Avó fez o seguinte comentário:Psicologia-B

“Li este post e não sei se aquilo que diz pode ser confundido com os «roubos afectivos» cometidos por muitas crianças.
Estão a acontecer com a minha neta neste momento.
Tem sete anos e os pais estão ligeiramente desorientados.
Ela está muito tempo comigo logo depois das aulas.
Como esses roubos não acontecem também na minha casa, estou preocupada.Saude-B
Os pais acham que necessitam do apoio da psicologia.
O que me diz sobre este assunto?
Uma Avó”

Antes de tudo, já que consultou este blog, peço que leia o post MECANISMOS DE DEFESA.
Eu diria que os mesmos «roubos» ou furtos podem ser também «mecanismos de compensação». São necessários para compensar alguma falta que a pessoa sinta.Psicopata-B

Será que a neta sente que em casa da avó tem companhia e que na casa dos pais não a tem? Quererá «compensar» essa falta de atenção dos pais através dos «pequenos furtos» que vai fazendo? Esses furtos não significarão alguma coisa daquilo que os pais não lhe proporcionam: a atenção, substituída por aquilo que ela furta? No fim desse acto de furto, os pais não lhe prestarão alguma atenção nem que seja para a recriminar?
Como se obtém o reforço negativo?

Por este motivo, vou transcrever as páginas 109 e 111 do livro “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” em que o psicólogo esteve a manter uma conversa com a mãe da Joana. Talvez esta passagem possa ajudar a elucidar melhor este Joana-Bassunto.

“Entretanto, foi ela própria que disse:
– Sabe que no outro dia, uma amiga minha quando deu pela falta de uma nota de cinco mil escudos descobriu que a filha, de dez anos de idade, lhe tirava dinheiro da carteira?
Em seguida, continuou a conversa com a descrição do caso:
– Um dia, alguém com voz de criança telefonou à minha amiga, perguntando se quem estava ao telefone era a mulher do Sr. Assunção. A mesma voz informou, sem se identificar, que o Sr. Assunção tinha uma amante e que ela, como pessoa conhecida, tinha a obrigação de a avisar. Não disse quem era e desligou o telefone. A minha amiga chegou a casa e Interacção-B30contou este acontecimento à filha mais velha, acrescentando que a voz da pessoa que telefonara era muito parecida com a da irmã mais nova. Passados alguns dias, a filha mais velha dessa minha amiga, atendeu outro telefonema em que alguém perguntava pela esposa do Sr. Assunção. Já prevenida e suspeitando da voz, disse que a ia chamar e abeirou-se rapidamente da janela, para verificar se alguém estava na cabine telefónica perto de casa. Viu então a irmã mais nova sair apressadamente da cabine. Aclarado o assunto com a confirmação de ter sido vista a sair da cabine telefónica, a filha mais nova confirmou ter feito este telefonema mas negou sempre, com firmeza, o anterior. Entretanto, por esse motivo e a conselho de amigas suas, a mãe resolveu consultar um psicólogo e explicar-lhe a situação. Este aconselhou alguns exames psicológicos, um pouco de psicoterapia com a criança e a alteração do modo de agir dos pais. Recomendou-lhes também a leitura de um livro sobre oDifíceis-B comportamento e a possibilidade da sua modificação.

– E qual foi o resultado? – perguntei, com uma certa dose de curiosidade.
– Da vez seguinte que foram à consulta, a minha amiga estava preocupada, porque o livro parecia dizer que ela deveria ligar «pouca» importância aos furtos da filha e necessitaria de reforçar todos os seus bons comportamentos. Contudo, em contrapartida, uma revista de imensa divulgação popular recomendava aos pais que prestassem muita atenção aos filhos que praticassem roubos afectivos. A mãe dizia que estava confundida, tanto mais que a filha lhe apresentara essa revista dizendo que o psicólogo era parvo.

Chegou a vez de eu intervir, até com um pouco de veemência, perante a enorme irresponsabilidade dessas revistas que dão Psi-Bem-Cconselhos inadequados ou incompletos, capazes de ocasionar danos imprevisíveis. Porém, estes conselhos até satisfazem diversas pessoas que, apesar de bastante instruídas se sentem apoiadas nos seus raciocínios errados e nos disparates que cometem.
De repente, dei conta que Joana olhava para mim com entusiasmo, dizendo:
– Eu sei, a Marília é maluca, faz tanto disparate! Gosto mais da irmã.
Fiquei atónito com a intervenção, enquanto a mãe da Joana dizia:
– Sossegue. O psicólogo foi peremptório: esclareceu que essa revista dizia somente parte do que é necessário, provavelmente porque quem escrevia ou não era psicólogo ou pouco sabia do assunto. Recomendou que, naquele caso, a minha amiga, não devia prestar atenção só quando os furtos eram cometidos, mas sim, prestar sempre muita atenção Depressão-Bquando não houvesse furtos. Certamente, as ocasiões deveriam ser muitas. Disse-lhe que não ligasse muita importância à criança, quando ela fizesse disparates e que a tratasse com muita simpatia quando se portasse bem. O reforço de ser bem tratada teria de ficar associado, de imediato, a um comportamento bom e não a um comportamento mau, sob pena de este se repetir com mais frequência. A criança necessitava de atenção. Por isso, fazia tudo para a despertar. Se a recompensa da atenção fosse dada no final do bom comportamento, este teria tendência a aumentar. Se, porém, fosse dado no final do mau comportamento, seria este a ter a tendência de aumentar. Uma vez tomada nota do facto, competia aos pais dar-lhe atenção quando os comportamentos fossem correctos.
Fiquei satisfeito com a compreensão que mostrava ter e mais uma vez insisti que não confiasse nessas revistas que são, Acredita-Bmuitas vezes, incompletas ou falaciosas. A mãe da Joana disse-me ainda que numa revista semelhante à anterior, lera um artigo sobre a guerra e sobre o bem que poderia fazer às crianças descarregarem a sua agressividade com brincadeiras semelhantes. Mostrou interesse em discutir comigo este assunto porque não ficara satisfeita com a coerência do mesmo e acrescentou prontamente:
– E é por isso que o meu amigo está cá. Temos pouco tempo mas vamos aproveitá-lo o melhor possível.”

Depois de ler esta parte do livro e antes de qualquer consulta de psicologia, os pais talvez possam fazer uma experiência: ligar mais importância (atenção) à filha.Consegui-B

Para isso, partindo do princípio que os pais são pessoas muito ocupadas, para aumentar o tempo de conversa pode, um de cada vez, manter esse diálogo com ela. Além disso, enquanto os pais fazem qualquer outra coisa, podem interagir com a filha tentando saber o que se passou na escola e com as amigas. Podem também pedir a ajuda dela nos trabalhos de casa ou na arrumação. Tudo isso, bem planeado e executado com criatividade, pode aumentar substancialmente o tempo de interacção pais/filha.

Se por acaso estiver a acontecer, como «normalmente», a criança passar muito tempo a ver televisão, pode não ser um Maluco2comportamento saudável tanto sob o ponto de vista psicológico como fisiológico: afastamento em relação ao resto da família, imitação de modelos pouco adequados, problemas de visão e de postura ou de movimentação corporal (obesidade?).
Também, se agora os pais não se exercitarem para arranjar algum tempo para estar com a filha, quando chegar o momento de ela entrar na internet, quem a poderá ajudar a não cair numa das bem montadas «armadilhas» que  abundam no mundo virtual? Seguramente, a avó pode não continuar a ter tamanha ligação como tem agora e também pode não estar tecnicamente preparada para enfrentar essa realidade bem marcante dos nossos dias!neuropsicologia-B

Se depois de um mês de experiência «consistente» deste tipo de comportamento os «roubos» continuarem, a visita ao psicólogo pode ser o mais adequado.
Boa sorte.

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RISCO DE SUICÍDIO 3

Para continuar o post anterior com a história da psicoterapia da Cidália, como resposta ao quase comentário feito por e-mail, Consegui-Bvou fazer este post, relacionado mais com a minha aversão aos medicamentos, devidamente fundamentada, enquanto se fez a psicoterapia, que a ela valeu de muito.

Nas páginas 49 e 50 do seu livro, lê-se, em relação a este assunto:
“Perante estes argumentos que não consegui refutar, entreguei-lhe os apontamentos que trouxera de Lisboa e informei-a de que esse livro (A)   seria editado em breve. Eram o resultado duma compilação e resumo, feitos por mim a partir do 3º capítulo de Your Drug May Be Your Problem, de Peter Breggin e David Cohen (2000) e de outros capítulos deste e de outros livros que estive a consultar.
“Expliquei-lhe que Breggin é psiquiatra, autor de muitos livros, professor universitário e Director do Centro Internacional Acredita-Bde Estudos de Psiquiatria e Psicologia e que Glenmullen também é psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina de Harvard (EUA).
“A Cidália ouviu isto, guardou os apontamentos logo que os recebeu e foi-se embora, satisfeita com uma sessão de psicoterapia de três horas e meia (7 períodos), deixando-me livre para descansar um pouco antes de iniciar as aulas às 20.00 horas.
Estes «apontamentos» que podem ser «fastidiosos» para alguém que não esteja dentro dos problemas da psicopatologia (A/101-131), são muito elucidativos para quem se queira informar sobre os malefícios que a «droga psiquiátrica» pode provocar quando tomada sem a devida cautela e parcimónia.Saude-B
Esta ideia foi posteriormente confirmada pela Cidália, que deixou para uma segunda leitura mais pormenorizada esses apontamentos que eu estava a tomar no momento para os incluir num livro que estava a preparar sobre a psicopatologia e que agora se estendem por seis capítulos desse livro (A):

SINTOMAS DAS PERTURBAÇÕES MENTAIS
• MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO EM PSICOPATOLOGIA
• MEDICAÇÃO PSIQUIÁTRICA E TRATAMENTOPsicopata-B
• PERIGOS ESPECÍFICOS DAS DROGAS PSIQUIÁTRICAS
• DISFUNÇÃO CEREBRAL PERMANENTE COM DROGAS
• É BOM SABER O QUE SE PASSA CONNOSCO

Apenas nas páginas 127 e seguintes, no capítulo acima mencionado do livro “SAÚDE MENTAL sem psicopatologia”, lê-se o seguinte:

“É BOM SABER O QUE SE PASSA CONNOSCOMaluco2

Para poder reagir a tempo, convém não sermos os últimos a saber aquilo que acontece connosco.
Sabemos que os efeitos nefastos do álcool, cocaína e outras drogas classificadas como recreativas nos deixam sem capacidade de julgamento. As drogas psiquiátricas actuam de maneira ainda pior deixando-nos «deficientes».
Um exemplo marcante é a desquinésia tardia que é um distúrbio a englobar estremeções e espasmos permanentes causadas por drogas neurolépticas ou anti-depressivas tais como Haldol e Risperdal. Muitos estudos mostram que a maioria dos pacientes com estes problemas induzidos pela droga negam a sua ocorrência especialmente enquanto estão a Depressão-Btomar a medicação.

Prozac, Zoloft, Paxil, Luvox, Effexor e outras drogas que sobre-estimulam o sistema de serotonina provocam geralmente alterações de personalidade tais como irritabilidade, agressividade, instabilidade humoral e diversos graus de euforia. A pessoa que toma a medicação pode sentir-se «melhor do que nunca» enquanto os familiares vêem que o indivíduo se transformou numa «pessoa diferente» com muitos traços de personalidade negativos.
Sem compreender o que lhes está a acontecer, os pacientes podem ficar, durante meses e anos, dependentes de tranquilizantes menores tais como Xanax ou Valium. Podem imaginar que necessitam de tomar cada vez mais droga para Psicologia-Bcontrolar a ansiedade e a insónia quando, de facto, as drogas pioram a sua condição. Mesmo quando compreendem que estão viciados, acham difícil enfrentar o problema e passam a negar que estejam viciados, continuando a tomar a droga.
Muitos pacientes que tomam drogas psiquiátricas descobrem que perderam a acuidade de memória. Esta consequência está vulgarmente associada ao lítio, aos tranquilizantes e a uma diversidade de anti-depressivos. Tanto os pacientes como os médicos podem atribuir isto, erradamente, à «depressão» mais do que à droga. No caso de pacientes mais idosos, estas dificuldades de memória são atribuídas à senescência.

É bom realçar que, sem darmos por isso, as drogas psiquiátricas que tomamos podem reduzir a nossa capacidade de vigília, Interacção-B30acuidade mental, vivacidade emocional, sensibilidade social ou criatividade. Podem causar efeitos físicos ou mentais adversos os quais temos dificuldade em reconhecer ou avaliar. Além disso, como estes sintomas de disfunção se assemelham a problemas psiquiátricos, é mais fácil para o próprio, para o médico ou para o familiar, atribui-los, erradamente, a problemas emocionais.
A anagnosia é um distúrbio no julgamento provocado pela disfunção cerebral verificado inicialmente em doentes com ataques cardíacos que negam estar parcialmente paralíticos. Numa perspectiva psicológica, esta negação é a não aceitação da ocorrência desta incapacidade óbvia, pela função mental.

Joana-BAs drogas psiquiátricas são especialmente perigosas porque nos podem tornar incapazes de reconhecer os seus efeitos
maléficos. Podemos ficar gravemente prejudicados sem saber o que se passa. Em muitos casos, as pessoas não tomam consciência dos efeitos danosos das drogas até conseguirem ficar recuperadas, muito depois de as terem deixado de tomar.
Num estudo comparativo realizado pela FDA durante o processo clínico de aprovação de Serzone e Effexor em relação ao efeito do placebo, Moore (1997) verificou que os suicídios e suas tentativas eram mais frequentes em pessoas medicadas do que naquelas que tomavam placebo. Nos 3496 pacientes tratados com Serzone houve 9 suicídios e Difíceis-B12 tentativas ao passo que nos 875 placebos apenas houve uma tentativa de suicídio, o que se pode traduzir numa proporção de 5 para 1.
No que se refere a Effexor, a proporção reduziu-se de 5 para 3,5. Isto mostra que os pacientes, apesar de estarem deprimidos, quando não estão medicados, não tentam o suicídio com a mesma alta frequência que apresentam ao tomar a medicação. Num outro estudo cruzado em que todos os pacientes foram sujeitos às mesmas condições de tomar a medicação ou ingerir placebo, verificou-se que as tentativas de suicídio eram mais frequentes quando estavam a ser medicados.

O relato de um dos pacientes diz o seguinte:Psi-Bem-C
“Quando estava a tomar Effexor, tive efeitos secundários esquisitos. Enquanto estava a adormecer ou quando tinha o corpo relaxado, o que acontecia quando me deitava e via televisão, sentia contracções nas pernas e cabeça/nuca que se assemelhavam a movimentos involuntários. Agora que diminuí a dose de 225 para 150 miligramas diários, isto não acontece tão frequentemente, embora suceda de vez em quando. Serei só eu a ter este efeito secundário tão esquisito?”

Em 1998, a escritora Deborah Abramson esclareceu no Boston Phoenix que utilizou muitos medicamentos, combinações e dosagens, até passar para um dos anti-depressivos mais estimulante comercializado como Effexor. À hora de seImagina-B deitar tinha de tomar um sedativo para contrabalançar o efeito estimulante do Effexor e conseguir conciliar sono (Glenmullen, 2001).
Estas combinações a que os farmacêuticos chamam «cocktails», são prescritas a muitos pacientes. Os utilizadores da droga nas ruas (os chamados «drogados») referem-se a este fenómeno como tomar uma alta para a matar com uma baixa. Por causa da sua dependência, Abramson diz que “passou ultimamente a ter muitos sonhos em relação à sua viciação em álcool, craque, heroína”. Num dos seus sonhos “olhou para os seus braços e viu sulcos por todo o lado numa pele dura e impenetrável e, por isso, pensou que estava viciada”.«Educar»-B
Se lhe faltar uma dose, mesmo passadas poucas horas, ela sente uma ligeira forma de abstinência que lhe provoca vertigem e sensação de formigueiro à volta da boca. Não entra em pânico, como aconteceria a um viciado, porque sabe que a sua dose pode ser facilmente reposta. Contudo, esta dependência, tanto psicológica como física, deixa-a desconfortável.

Existem inúmeros estudos sobre as drogas ilícitas, mas sobre Prozac, Zoloft, Paxil, Luvox, Wellbitrin ou Zyban, Effexor, Serzone, que são as drogas legalmente prescritas, esses estudos são escassos ou pouco difundidos, especialmente no acompanhamento feito aos pacientes que os deveriam conhecer para saber quais os efeitos das Depress-nao-Bdrogas, a fim de se conseguirem precaver dos nefastos.
Segundo Glenmullen (2001), os anúncios das drogas a serem prescritas pelos médicos distorcem a informação de tal maneira que até um observador mais cuidado pode não se aperceber disso. Nos anúncios dos novos antidepressivos, nos meios de comunicação social e revistas especializadas, os laboratórios utilizam slogans simpáticos tais como os dos cigarros e cervejas. Os anúncios de Effexor utilizam o de melhorar a vida do utilizador.
• Um deles mostra uma mãe muito sorridente e uma filha a subir as escadas a correr. Por baixo desta fotografia está escrito a lápis: “Já tenho a minha mãe de volta”.
• Um outro, mostra um indivíduo de aspecto grosseiro, com o seu filho, e uma frase a dizer: “Tenho o meu pai de volta”.neuropsicologia-B
• Ainda um outro mostra um casal a dar um abraço muito afectuoso e duas alianças entrelaçadas, tendo uma frase, por baixo, a dizer “Tenho o meu casamento de volta”.
Com anúncios deste género ficam umas perguntas no ar:
— “Se o medicamento é tão bom e só deve ser utilizado por quem dele necessita e com recomendação médica, qual a razão de tanta e tão «agressiva» propaganda?
— “Não saberão os médicos ler a literatura científica que acompanha ou «deve acompanhar» todos os medicamentos com a sua composição, dosagem, efeitos secundários e outros malefícios?”
— “A promoção dos laboratórios destinar-se-á a facilitar a tarefa dos médicos que «devem» receitar estes medicamentos Respostas-B30levando os pacientes a aceitar melhor a sua prescrição?”

Que responda quem quiser e souber e que se deixe iludir quem não tiver amor-próprio.

Perante estes factos, opiniões abalizadas e a minha experiência, julgo que tenho o direito de me recusar a fazer a psicoterapia ao mesmo tempo que a pessoa estiver medicada, quando, de facto, não necessita dessa muleta, como aconteceu com a Cidália, segundo as suas próprias palavras constantes nas páginas 29 e 30 do seu livro (C):

“– Vou tentar marcar a psicoterapia logo depois de ter a minha agenda organizada e estou disposta a investir mais porque Organizar-Bdurante os dias que se seguiram à primeira «dose» de psicoterapia, deixei de me sentir tão ansiosa como nos últimos tempos.
“– Como? – perguntei.
“– Enquanto fiz o relaxamento senti-me um pouco melhor e não tive necessidade de sair para me divertir à noite. Fiquei em casa, com gosto, cansada e com vontade de dormir e de me relaxar. Consegui ter um sono mais reparador do que nos últimos três meses e fui logo ao psiquiatra para lhe dizer que me sentia melhor e que, por isso, estava com vontade de diminuir a dose de medicamentos pelo menos enquanto estivesse a fazer psicoterapia.
“– Ainda bem – disse eu e quis saber qual fora a reacção do psiquiatra.stress2
“– Ele respondeu que era muito arriscado reduzir a dose e que não teria grande vantagem em me submeter à psicoterapia.
“– Não me diga!
“Face à minha admiração tão espontânea, a Cidália concluiu:
“– Perante esta reacção do psiquiatra respondi-lhe que a minha decisão de reduzir a dose era inabalável porque me sentia melhor.
“Quanto a submeter-me à psicoterapia, ia pensar no assunto e se ele não concordasse com este esquema de tratamento, mudaria de médico. Não estava disposta a ficar alienada em relação às drogas psiquiátricas. Só perante esta resposta, o psicoterapia2
psiquiatra cedeu e concordou com a redução da dose para metade.
“Ao ouvir isto, disse à Cidália que não compreendia a razão por que o psiquiatra tinha concordado em diminuir a dose, já que anteriormente achava que a mesma não devia ser alterada.
“– Será porque estava na iminência de perder uma cliente ou porque achou que eu poderia ter razão? – perguntou ela.
“Dissimuladamente fingi estar atento aos apontamentos que estava a tomar, para não dar uma resposta concordante com a pergunta que ela acabara de formular.

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RISCO DE SUICÍDIO 2

Da senhora a quem o post RISCO DE SUICÍDIO se refere, recebi no domingo à noite um e-mail do qual vou transcrever Saude-Bapenas o essencial.

 “O meu filho esteve em minha casa este domingo e leu comigo o post RISCO DE SUICÍDIO.
                                                                           …
Também ele ficou admirado com o que o post diz quanto aos traumatismos, depressão e resposta à frustração da minha filha. O mesmo deve ter acontecido com a Cidália, citada no livro. Se ela se frustrou com o comportamento dos pais e entrou em depressão, porque razão entrou em depressão antes, quando estava no curso universitário e eles não estavam cá? Não seria por causa dos estudos?Imagina-B

O meu filho também não compreende a razão de falar tão mal dos medicamentos para a depressão.
                                                                        …
Ele quis enviar este e-mail porque a carta é longa e não queria que alguns assuntos pessoais ficassem no comentário.”
 
Tentando responder a este quase comentário que foi enviado no e-mail acima transcrito, posso imaginar que a senhora ainda Acredita-Bnão leu o livro com a devida atenção. Por isso, vou dar a resposta em dois posts com o mesmo título mas numerados com 2 e 3.

No livro da Cidália, as páginas 93 e seguintes onde se insere o capítulo PRIMEIRAS ANOTAÇÕES DA CIDÁLIA, que contém o quase diário que ela mantinha em relação ao seu caso:

***

Antes de tudo, estou satisfeita por ter iniciado a psicoterapia deixando as drogas psiquiátricas. Afinal, sinto-me mais «viva» Maluco2e bem-disposta, pronta a enfrentar o futuro. A auto-análise também parece que está a ajudar-me. Quando li hoje as páginas da primeira semana, descobri que me tinha lembrado do disparate que fizera em ir a discotecas quase contra a minha vontade e sem uma companhia agradável, como se uma força interior me arrastasse para lá.

Deitei-me com isso na mente quando fui fazer o relaxamento. A meio da noite, lembrei-me dos meus pais e da revolta que senti quando soube que eles tinham amantes apesar de casados. Comecei a lembrar-me da conversa com os avós e percebi que eles também não concordavam com isso e com o que os pais tinham feito comigo. Apesar disso, os avós tinham conseguido arranjar uma boa desculpa para os deixar menos culpabilizados aos meus olhos. Afinal, Psicopata-Beles também não concordavam com o meu abandono durante os primeiros anos de vida e muito menos com a actual exigência de eu ir viver com eles, especialmente, porque nunca me tinham apoiado ou convivido comigo.

 ***

É tão bom viver para mim própria, com autonomia e independência em relação a todos, mas mantendo laços de amizade e convivência saudáveis! A solução actual é apressar a conclusão do mestrado e a obtenção de um lugar melhor do que o actual. A companhia masculina de que necessito virá com o tempo e com a convivência que Depressão-Bmantiver. Tenho de ter cuidado com os oportunismos e com aqueles que se aproveitam dos outros para aligeirarem as suas mágoas. Não me aconteceu também quase o mesmo quando comecei a ir a discotecas em Lisboa? No Algarve, onde vou com os meus amigos, não tive deslizes! Tenho de me precaver contra as falsas impressões e simpatias imediatas e fortuitas. Tenho de pensar bem no assunto. Entretanto, vou dedicar-me ao mestrado.

 ***

Ao começar a escrever estas linhas, lembrei-me que sonhara numa das noites anteriores que estava a ver alguns jovens a tentarem empurrar um carro para o pôr a funcionar. Empurrando-o durante algum tempo, conseguiam pôr o motor a Psicologia-Btrabalhar, mas passados uns instantes, «ia-se abaixo». Logo que isto acontecia, saíam todos do carro e voltavam ao «trabalho» do empurrão. Tantas vezes fizeram isso que conseguiram fazer funcionar a viatura para o seu passeio dominical.

«Finalmente conseguiram!» pensei e acordei sobressaltada a lembrar-me da minha psicoterapia. Muitos empurrões me tinham sido necessários não só para eu não desistir da psicoterapia mas ainda para ler os textos dos cinco capítulos «fastidiosos» (A) que me elucidaram bastante sobre os malefícios e a alienação provocados pela droga. O Sr. Antunes tinha sido de extrema importância! A necessidade de insistência na leitura e persistência na continuação da psicoterapia tinham sido o mote dele. Não é fácil continuar a psicoterapia Interacção-B30acompanhada e muito menos sozinha, sem conseguir uma força interior que nos obrigue a insistir naquilo que devemos fazer.

 ***

Na noite seguinte, logo depois de iniciar o relaxamento, surgiu nas minhas recordações a primeira imagem do «Finalmente conseguiram!». Nesse momento, vi perfeitamente que uma pessoa se apro-ximou dos ocupantes do carro que estava parado no meio da estrada e começou a falar com um deles.  Agora reparo que este seria conhecido do dono do carro. Depois de conversarem algum tempo, esse indivíduo ajudou-os a empurrarem o Difíceis-Bcarro que «pegou» e andou bastante. Mais tarde, sem a ajuda do outro, foram os ocupantes do carro que trataram do assunto da mesma maneira quando o carro parou numa curva. Vi que o incidente se repetiu mais duas vezes. Sem querer, continuei a pensar no assunto e verifiquei que o dono do carro e os ocupantes tinham sido os principais protagonistas ou a «causa» do «andamento» e do «re-andamento» do carro, embora o outro indivíduo lhes tivesse dado as «dicas» necessárias. Posteriormente, um mecânico disse-me que o carro devia ter estado muito tempo sem circular deixando que a bateria ficasse descarregada. Parece que dentro de mim uma voz conhecida (seria a minha?) começou a fazer perguntas ou reparos:
Achas que se o outro não tivesse entrado em conversa com o dono do carro, este estaria a funcionar?Psi-Bem-C
O outro que se aproximou não deu uma ajuda «técnica» que foi muito importante?
Se todos os ocupantes não tivessem «trabalhado», como conseguiriam pôr o carro a funcionar?

De repente, dei comigo a pensar na minha psicoterapia que começou a dar sinais de melhoria, subitamente, depois de me ter empenhado profundamente no relaxamento. Compreendi o significado desta espécie de mensagem que o meu «não-consciente» estava a mandar para o consciente dizendo que a colaboração de cada um e até dos elementos circundantes é a coisa mais importante na psicoterapia. Foi assim que aconteceu comigo.Joana-B

Eles também podiam ter desistido de empurrar o carro. Teriam conseguido dar o passeio dominical? Se eu tivesse desistido nos primeiros momentos ou se o Sr. Antunes não tivesse dado o «empurrão» final? O que seria da minha psicoterapia, dos estudos, do trabalho novo, dum eventual casamento e de tudo aquilo que poderá vir a acontecer? E, já muito cansada de tanto pensar e imaginar, antes de dormir um sono muito profundo, as palavras que me vieram à mente, como que projectadas num ecrã gigante, foram: “Eu Também CONSEGUI!”mario-70

Também na página 109, que também contém as suas memórias e recordações, lê-se:

Todas as recordações das noites anteriores fizeram-me chegar à conclusão de que os meus problemas derivavam de um traumatismo fundamental: a «falta de pais amigos e compreensivos» como tinham muitos dos meus amigos e colegas e, especialmente, a filha do Sr. Antunes. Uma vez revivido, analisado e compreendido este trauma e «arquivado» no seu devido lugar, a vida começou a ter outro sabor e significação a ponto de proporcionar uma visão muito diferente do mundo. Até comecei a conseguir pensar em planear a Bibliominha vida em outros moldes e com a dimensão futura de uma família «à minha maneira».

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MECANISMOS DE DEFESA

“Acabei de ler este post e não consigo descobrir porque razão o meu filho não pode enfrentar os seus medos mario-70se os pode sentir a partir das suas recordações. Ele está em psicoterapia! 
Mãe do rapaz.”

Para responder, com muito gosto, ao comentário da mãe do rapaz, feito no post anterior — PSICOTERAPIA (auto-ajuda) 2 –, vou ser rápido, directo e utilizar imagens da vida real,  escrevendo «ao correr da pena».
Por exemplo, numa situação de estar a conversar com a Senhora, se eu demonstrasse querer dar-lhe um murro, qual seria a sua reacção imediata, sem nos preocuparmos com qualquer preconceito,  juízos de valor, ética ou moral?

Seguramente, com uma certeza de «mais de 100 por cento», seria afastar-se, defender-se ou agredir. Porquê? É um gesto Biblioque fazemos instintivamente porque está «entranhado» no nosso comportamento (A/149-155). Chamemos-lhe «instinto de sobrevivência». De qualquer modo, ela teria esse comportamento mesmo que estivesse totalmente segura de que eu nunca faria uma coisa dessas. Porém, ela poderia não reagir, eventualmente, desse modo, se tivéssemos treinado bastante essa cena para ela se manter calma e impassível ou até alegre e bem-disposta.

Se para uma coisa tão simples é necessário treino, porque razão não será necessário para a pessoa não sentir «medo» quando esta reacção já está incorporada no seu padrão de comportamentos? Para isso serve a psicoterapia que demora muito tempo, mas é eficaz quando conduzida honestamente e com competência.Acredita-B

Como explicação suplementar, posso dizer que todos queremos apresentar uma boa imagem a todo o momento e a todas as pessoas, incluindo nós próprios. Qual de nós não se julga um dos melhores seres humanos à face da terra? Pode ser que os outros não concordem, mas nós teremos sempre uma justificação ou uma razão para procedermos do modo como o fazemos. Podemos chamar «mecanismos de defesa» a estas justificações ou razões?

Numa psicoterapia, mesmo que possamos fazer relembrar, às vezes com muito custo, esses momentos que condicionaram a Consegui-Bformação desse comportamento de ter medo, temos de ter em conta se o «relembrador» vê esse «filme» como protagonista ou como espectador. São duas visões ainda mais diversas do que a de dois espectadores que vêem em conjunto o mesmo filme.

Enquanto o espectador vê o filme objectivamente tirando as suas conclusões, o próprio vê esse filme subjectivamente e utiliza os seus «mecanismos de defesa» para justificar a acção. Quanto tempo durará o «ensaio» para fazer om que o próprio consiga ver esse filme com objectividade? Para isso, não basta explicar e perceber (racionalmente) mas torna-se indispensável sentir (emocionalmente) sem mecanismos de defesa, a fim de se poder desmistificar toda a situação, saber se seria possível proceder de outra maneira e arquitectar modos de actuaçãoPsicopata-B futuros mais coincidentes com o indivíduo visado.

Se, como complemento, se quiser ler o caso «A» (N/146-147) pode-se descobrir o modo como a senhora se suicidou devido à falta de mecanismo de defesa ocasionada pela acção dos comprimidos que estava a tomar e por já não ter apoio da psicoterapia há mais de dois anos, antes dos quais nunca falou numa hipótese de pôr fim à vida. E foi duma maneira muito trágica, quase invulgar em senhoras, que isso aconteceu.

Também, por acaso, estando a ver o programa de televisão sobre a vida animal em África, verifiquei o modo como as chitas se apercebem da sua família e se afeiçoam à mesma, andando sempre à sua procura. Isto fez-me recordar as Organizar-Bimagens de um interessante blog com uma fotografia dedicada à mãe, salvo erro, de uma couve com gotas de água.
A inscrição dizia mais ou menos “lembrei-me logo da água e a terra, que neste caso é a água e a couve. Parece dois planetas, num só, e a água sobre ela…

Haveria aqui alguma ligação muito forte com a mãe? Num  caso destes, parecido com aquele de que estamos a falar, se a mãe tomar comprimidos para a ansiedade e sentir medo durante as viagens, nada mais «natural» do que imitá-la com o possível reforço vicariante, depois da modelagem e identificação ocorrida com a mãe (e se for também com o pai?).

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PSICOTERAPIA (auto-ajuda) 2

Íamos de carro à tardinha, para o Norte, passar a Páscoa com a família. De repente, numa bomba de Bibliogasolina, o meu filho, que já tinha tido ataques de pânico, começou a tremer e a dizer que não conseguia continuar a viagem. Estava a transpirar, gaguejava e parecia desorientado. Disse ao filho para se sentar no banco traseiro e fechar os olhos. Respondeu-me que era pior. Disse-lhe que tomasse um comprimido que eu tomava para a ansiedade e recusou. Ele não queria seguir viagem e o pai, contra a minha vontade, ia condescender e já se dispunha a fazer a viagem de regresso, mas eu dei um berro e quis que se continuasse para eu não ir sozinha, de táxi, àquela hora da noite. Depois da minha ameaça de ir de táxi, continuámos a viagem para o Norte, sem incidentes.mario-70

Como fala em auto-ajuda, será possível ter alguma?
Anónima”

Vou tentar responder ao comentário transcrito acima da maneira mais simples possível.

Antes de tudo, proponho que, indo à “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG sempre actualizada”, descubra e leia pelo menos os posts relacionados com dissonância cognitiva, modelagem, moldagem, identificação, traumatismos, conflito, facilitação social, reforço do comportamento incompatível.

Para me situar melhor, sem saber bem a história pessoal que não me é  contada neste comentário, posso dizer que o comportamento dos pais – um a querer que a viagem continue e outro a querer voltar para trás – podia estar a produzir dissonância cognitiva no rapaz, o que, provavelmente, já antes «acontecida». É provável que o comportamento contraditório destes pais fosse «normal», isto é, vulgar, na sua vida quotidiana. Neste tipo de conflito, a pessoa não sabe o que deve resolver ou para que lado se deve virar e pode adoptar comportamentos disparatados.

Em segundo lugar, a rápida decisão do pai de voltar para casa pode querer significar que ele pode ter ou ter tido
«Educar»-Bdificuldades semelhantes
que estão bem camufladas (provavelmente, não resolvidas). O filho pode sentir esse medo do pai e reagir em consonância, sentindo medo durante a viagem.

Em terceiro lugar, se factos destes se tivessem repetido anteriormente, podia o filho ter obtido algum reforço positivo com comportamento deste tipo, com a importância que lhe estava associada no momento e com o comportamento adoptado pelo pai anteriormente, provavelmente, semelhante ao actual.

Em quarto lugar, se por acaso, o pai também tiver tido medos semelhantes – o que faz compreender a sua rápida adesão a um regresso – pode o filho estar a obter modelos de actuação e de identificação.

Depress-nao-BEm quinto lugar, a mãe oferecer os seus comprimidos para resolver a situação não me parece ter sido uma boa ideia. Pode o rapaz obter reforço positivo com o comportamento de ingerir o comprimido para «fazer desaparecer a sensação de medo ou de ansiedade» e continuar com procedimento semelhante no futuro.

Baseando-nos apenas nestes factos, o melhor seria os pais aceitarem momentaneamente as dificuldades do rapaz, parar o carro durante alguns instantes e, sem mais conversas sobre o assunto, ajudarem-no a sentar-se em lugar confortável, fechar os olhos, ajudar a relaxar com conversas sobre coisas de que ele gosta e, lentamente, sem dizer mais nada, continuar a viagem rapidamente sem falar nisso. Alguém podia ficar junto do rapaz para o ajudar a não tentar sair do carro (facilitação social), continuando a falar num assunto do seu gosto.

Além disso, em caso de visitas a familiares que vivem nas aldeias, é comum os hospedeiros mimosearem os visitantes com algum doce ou outro mimo culinário. Se o rapaz tivesse prática e conseguisse relaxar, poderia evocar a memória desses doces ou cozinhados e deliciar-se com isso. Sentado calmamente no assento do carro, podia fazer isso com facilidade. Para isso serve a imaginação orientada que, neste caso, poderia ser orientada por quem o acompanhasse, sem se referir, «obstinadamente» às suas «desgraças».

Estariam assim a utilizar o reforço do comportamento incompatível, desviando a sua atenção do medo, para assuntos do seu gosto. Continuar a falar nos seus medos, é ajudar a provocar a angústia que se deseja eliminar. O Difíceis-Brelaxamento baixa a capacidade de actuação e de desejo de fuga duma situação desagradável (A/149-163).

Se, por acaso, algum dos progenitores tiver tido medos semelhantes, ou os tenha e os esteja a dominar com muito desgaste psíquico, pode ser um estímulo para o filho ter esse comportamento. O importante seria eliminar o medo desse progenitor, a não ser que se submeta o filho à psicoterapia para eliminar o seu medo, com ainda mais dificuldade do que no progenitor.
Psi-Bem-CPode também haver qualquer traumatismo sofrido pelo rapaz em qualquer viagem ou em qualquer comportamento de interacção que os pais estivessem a manter antes desse «ataque de pânico» do rapaz. Nesta situação, essa interacção dos pais tem de ser escrutinada e evitada ou melhorada, para não servir de incentivo ou estímulo para os ataques de pânico. Que traumatismos houve na interacção familiar? Tudo isto funciona a um nível não racional mas sim emocional.
Não vale a pena tentar explicar ou perceber. O importante é cada um poder sentir que a situação não é Psicopata-Bperigosa. Porém, só se consegue isto em psicoterapia, às vezes muito prolongada no tempo, se não houver uma colaboração eficaz do interessado e do seu meio ambiente familiar e social. É esta a razão porque preparo os livros, quando posso, e mantenho este blog: para que as pessoas compreendam bem o seu próprio comportamento e consigam melhorá-lo nem que seja com a ajuda esporádica do psicólogo. Saber como os outros treinaram em relaxamento e como reviveram e compreenderam os traumatismos sofridos para eliminar os comportamentos inadequados, é uma forma de fazer psicoterapia
económica e «em casa», nem que seja com a alguma ajuda do psicólogo. Os exemplos de Antunes (B), da Cidália (C), do Júlio (E), da Isilda, da «nova paciente» (H), do Joel (G), da Cristina, da Germana, do Januário (L)  e do Maluco2«Mijão» (M) , que resolveram os seus problemas com muita determinação de cada um,  é uma vantagem que pode poupar muitas horas de consultas e psicoterapia em consultório.arvore-2

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