PSICOLOGIA PARA TODOS

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PSICOTERAPIA (auto-ajuda) 2

Íamos de carro à tardinha, para o Norte, passar a Páscoa com a família. De repente, numa bomba de Bibliogasolina, o meu filho, que já tinha tido ataques de pânico, começou a tremer e a dizer que não conseguia continuar a viagem. Estava a transpirar, gaguejava e parecia desorientado. Disse ao filho para se sentar no banco traseiro e fechar os olhos. Respondeu-me que era pior. Disse-lhe que tomasse um comprimido que eu tomava para a ansiedade e recusou. Ele não queria seguir viagem e o pai, contra a minha vontade, ia condescender e já se dispunha a fazer a viagem de regresso, mas eu dei um berro e quis que se continuasse para eu não ir sozinha, de táxi, àquela hora da noite. Depois da minha ameaça de ir de táxi, continuámos a viagem para o Norte, sem incidentes.mario-70

Como fala em auto-ajuda, será possível ter alguma?
Anónima”

Vou tentar responder ao comentário transcrito acima da maneira mais simples possível.

Antes de tudo, proponho que, indo à “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG sempre actualizada”, descubra e leia pelo menos os posts relacionados com dissonância cognitiva, modelagem, moldagem, identificação, traumatismos, conflito, facilitação social, reforço do comportamento incompatível.

Para me situar melhor, sem saber bem a história pessoal que não me é  contada neste comentário, posso dizer que o comportamento dos pais – um a querer que a viagem continue e outro a querer voltar para trás – podia estar a produzir dissonância cognitiva no rapaz, o que, provavelmente, já antes «acontecida». É provável que o comportamento contraditório destes pais fosse «normal», isto é, vulgar, na sua vida quotidiana. Neste tipo de conflito, a pessoa não sabe o que deve resolver ou para que lado se deve virar e pode adoptar comportamentos disparatados.

Em segundo lugar, a rápida decisão do pai de voltar para casa pode querer significar que ele pode ter ou ter tido
«Educar»-Bdificuldades semelhantes
que estão bem camufladas (provavelmente, não resolvidas). O filho pode sentir esse medo do pai e reagir em consonância, sentindo medo durante a viagem.

Em terceiro lugar, se factos destes se tivessem repetido anteriormente, podia o filho ter obtido algum reforço positivo com comportamento deste tipo, com a importância que lhe estava associada no momento e com o comportamento adoptado pelo pai anteriormente, provavelmente, semelhante ao actual.

Em quarto lugar, se por acaso, o pai também tiver tido medos semelhantes – o que faz compreender a sua rápida adesão a um regresso – pode o filho estar a obter modelos de actuação e de identificação.

Depress-nao-BEm quinto lugar, a mãe oferecer os seus comprimidos para resolver a situação não me parece ter sido uma boa ideia. Pode o rapaz obter reforço positivo com o comportamento de ingerir o comprimido para «fazer desaparecer a sensação de medo ou de ansiedade» e continuar com procedimento semelhante no futuro.

Baseando-nos apenas nestes factos, o melhor seria os pais aceitarem momentaneamente as dificuldades do rapaz, parar o carro durante alguns instantes e, sem mais conversas sobre o assunto, ajudarem-no a sentar-se em lugar confortável, fechar os olhos, ajudar a relaxar com conversas sobre coisas de que ele gosta e, lentamente, sem dizer mais nada, continuar a viagem rapidamente sem falar nisso. Alguém podia ficar junto do rapaz para o ajudar a não tentar sair do carro (facilitação social), continuando a falar num assunto do seu gosto.

Além disso, em caso de visitas a familiares que vivem nas aldeias, é comum os hospedeiros mimosearem os visitantes com algum doce ou outro mimo culinário. Se o rapaz tivesse prática e conseguisse relaxar, poderia evocar a memória desses doces ou cozinhados e deliciar-se com isso. Sentado calmamente no assento do carro, podia fazer isso com facilidade. Para isso serve a imaginação orientada que, neste caso, poderia ser orientada por quem o acompanhasse, sem se referir, «obstinadamente» às suas «desgraças».

Estariam assim a utilizar o reforço do comportamento incompatível, desviando a sua atenção do medo, para assuntos do seu gosto. Continuar a falar nos seus medos, é ajudar a provocar a angústia que se deseja eliminar. O Difíceis-Brelaxamento baixa a capacidade de actuação e de desejo de fuga duma situação desagradável (A/149-163).

Se, por acaso, algum dos progenitores tiver tido medos semelhantes, ou os tenha e os esteja a dominar com muito desgaste psíquico, pode ser um estímulo para o filho ter esse comportamento. O importante seria eliminar o medo desse progenitor, a não ser que se submeta o filho à psicoterapia para eliminar o seu medo, com ainda mais dificuldade do que no progenitor.
Psi-Bem-CPode também haver qualquer traumatismo sofrido pelo rapaz em qualquer viagem ou em qualquer comportamento de interacção que os pais estivessem a manter antes desse «ataque de pânico» do rapaz. Nesta situação, essa interacção dos pais tem de ser escrutinada e evitada ou melhorada, para não servir de incentivo ou estímulo para os ataques de pânico. Que traumatismos houve na interacção familiar? Tudo isto funciona a um nível não racional mas sim emocional.
Não vale a pena tentar explicar ou perceber. O importante é cada um poder sentir que a situação não é Psicopata-Bperigosa. Porém, só se consegue isto em psicoterapia, às vezes muito prolongada no tempo, se não houver uma colaboração eficaz do interessado e do seu meio ambiente familiar e social. É esta a razão porque preparo os livros, quando posso, e mantenho este blog: para que as pessoas compreendam bem o seu próprio comportamento e consigam melhorá-lo nem que seja com a ajuda esporádica do psicólogo. Saber como os outros treinaram em relaxamento e como reviveram e compreenderam os traumatismos sofridos para eliminar os comportamentos inadequados, é uma forma de fazer psicoterapia
económica e «em casa», nem que seja com a alguma ajuda do psicólogo. Os exemplos de Antunes (B), da Cidália (C), do Júlio (E), da Isilda, da «nova paciente» (H), do Joel (G), da Cristina, da Germana, do Januário (L)  e do Maluco2«Mijão» (M) , que resolveram os seus problemas com muita determinação de cada um,  é uma vantagem que pode poupar muitas horas de consultas e psicoterapia em consultório.arvore-2

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

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6 thoughts on “PSICOTERAPIA (auto-ajuda) 2

  1. CãoPincha on said:

    Continue a dar conselhos destes que vale a pena e todos nós gostámos. Pelo menos vamos conhecendo e compreendendo melhor a psicologia sem ser com os palavrões dos psicólogos.

  2. Mãe do rapaz on said:

    Acabei de ler este poste e não consigo descobrir porque razão o meu filho não pode enfrentar os seus medos se os pode sentir a partir das suas recordações. Ele está em psicoterapia!
    Mãe do rapaz.

  3. Anónima on said:

    Passei uma vista de olhos pelo blogue.
    Fui à “HISTÓRIA” e descobri temas que me interessam tal como este.
    Vi também outros que me dizem respeito.
    Vou passar a visitar mais veses este blogue.

  4. Anónimo on said:

    Li este post e lembrei-me que fala em relaxamento e em auto-hipnose. Pode dar-nos uma ideia melhor sobre este assunto ou técnica?

  5. Anónimo on said:

    Já li alguns postes e verifiquei que diz ser possível cada um tentar fazer psicoterapia consigo próprio.
    Se eu nem consigo entrar no tal relaxamento como farei o resto?
    Existem livros de auto-ajuda que tem pelo menos um CD de que as pessoas se podem socorrer para relaxar.
    Não seria melhor disponibilizar um CD semelhante?

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