PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

ROUBOS AFECTIVOS

No post MÃOZINHAS QUE ROUBAM”, de Janeiro deste ano, uma Avó fez o seguinte comentário:Psicologia-B

“Li este post e não sei se aquilo que diz pode ser confundido com os «roubos afectivos» cometidos por muitas crianças.
Estão a acontecer com a minha neta neste momento.
Tem sete anos e os pais estão ligeiramente desorientados.
Ela está muito tempo comigo logo depois das aulas.
Como esses roubos não acontecem também na minha casa, estou preocupada.Saude-B
Os pais acham que necessitam do apoio da psicologia.
O que me diz sobre este assunto?
Uma Avó”

Antes de tudo, já que consultou este blog, peço que leia o post MECANISMOS DE DEFESA.
Eu diria que os mesmos «roubos» ou furtos podem ser também «mecanismos de compensação». São necessários para compensar alguma falta que a pessoa sinta.Psicopata-B

Será que a neta sente que em casa da avó tem companhia e que na casa dos pais não a tem? Quererá «compensar» essa falta de atenção dos pais através dos «pequenos furtos» que vai fazendo? Esses furtos não significarão alguma coisa daquilo que os pais não lhe proporcionam: a atenção, substituída por aquilo que ela furta? No fim desse acto de furto, os pais não lhe prestarão alguma atenção nem que seja para a recriminar?
Como se obtém o reforço negativo?

Por este motivo, vou transcrever as páginas 109 e 111 do livro “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” em que o psicólogo esteve a manter uma conversa com a mãe da Joana. Talvez esta passagem possa ajudar a elucidar melhor este Joana-Bassunto.

“Entretanto, foi ela própria que disse:
– Sabe que no outro dia, uma amiga minha quando deu pela falta de uma nota de cinco mil escudos descobriu que a filha, de dez anos de idade, lhe tirava dinheiro da carteira?
Em seguida, continuou a conversa com a descrição do caso:
– Um dia, alguém com voz de criança telefonou à minha amiga, perguntando se quem estava ao telefone era a mulher do Sr. Assunção. A mesma voz informou, sem se identificar, que o Sr. Assunção tinha uma amante e que ela, como pessoa conhecida, tinha a obrigação de a avisar. Não disse quem era e desligou o telefone. A minha amiga chegou a casa e Interacção-B30contou este acontecimento à filha mais velha, acrescentando que a voz da pessoa que telefonara era muito parecida com a da irmã mais nova. Passados alguns dias, a filha mais velha dessa minha amiga, atendeu outro telefonema em que alguém perguntava pela esposa do Sr. Assunção. Já prevenida e suspeitando da voz, disse que a ia chamar e abeirou-se rapidamente da janela, para verificar se alguém estava na cabine telefónica perto de casa. Viu então a irmã mais nova sair apressadamente da cabine. Aclarado o assunto com a confirmação de ter sido vista a sair da cabine telefónica, a filha mais nova confirmou ter feito este telefonema mas negou sempre, com firmeza, o anterior. Entretanto, por esse motivo e a conselho de amigas suas, a mãe resolveu consultar um psicólogo e explicar-lhe a situação. Este aconselhou alguns exames psicológicos, um pouco de psicoterapia com a criança e a alteração do modo de agir dos pais. Recomendou-lhes também a leitura de um livro sobre oDifíceis-B comportamento e a possibilidade da sua modificação.

– E qual foi o resultado? – perguntei, com uma certa dose de curiosidade.
– Da vez seguinte que foram à consulta, a minha amiga estava preocupada, porque o livro parecia dizer que ela deveria ligar «pouca» importância aos furtos da filha e necessitaria de reforçar todos os seus bons comportamentos. Contudo, em contrapartida, uma revista de imensa divulgação popular recomendava aos pais que prestassem muita atenção aos filhos que praticassem roubos afectivos. A mãe dizia que estava confundida, tanto mais que a filha lhe apresentara essa revista dizendo que o psicólogo era parvo.

Chegou a vez de eu intervir, até com um pouco de veemência, perante a enorme irresponsabilidade dessas revistas que dão Psi-Bem-Cconselhos inadequados ou incompletos, capazes de ocasionar danos imprevisíveis. Porém, estes conselhos até satisfazem diversas pessoas que, apesar de bastante instruídas se sentem apoiadas nos seus raciocínios errados e nos disparates que cometem.
De repente, dei conta que Joana olhava para mim com entusiasmo, dizendo:
– Eu sei, a Marília é maluca, faz tanto disparate! Gosto mais da irmã.
Fiquei atónito com a intervenção, enquanto a mãe da Joana dizia:
– Sossegue. O psicólogo foi peremptório: esclareceu que essa revista dizia somente parte do que é necessário, provavelmente porque quem escrevia ou não era psicólogo ou pouco sabia do assunto. Recomendou que, naquele caso, a minha amiga, não devia prestar atenção só quando os furtos eram cometidos, mas sim, prestar sempre muita atenção Depressão-Bquando não houvesse furtos. Certamente, as ocasiões deveriam ser muitas. Disse-lhe que não ligasse muita importância à criança, quando ela fizesse disparates e que a tratasse com muita simpatia quando se portasse bem. O reforço de ser bem tratada teria de ficar associado, de imediato, a um comportamento bom e não a um comportamento mau, sob pena de este se repetir com mais frequência. A criança necessitava de atenção. Por isso, fazia tudo para a despertar. Se a recompensa da atenção fosse dada no final do bom comportamento, este teria tendência a aumentar. Se, porém, fosse dado no final do mau comportamento, seria este a ter a tendência de aumentar. Uma vez tomada nota do facto, competia aos pais dar-lhe atenção quando os comportamentos fossem correctos.
Fiquei satisfeito com a compreensão que mostrava ter e mais uma vez insisti que não confiasse nessas revistas que são, Acredita-Bmuitas vezes, incompletas ou falaciosas. A mãe da Joana disse-me ainda que numa revista semelhante à anterior, lera um artigo sobre a guerra e sobre o bem que poderia fazer às crianças descarregarem a sua agressividade com brincadeiras semelhantes. Mostrou interesse em discutir comigo este assunto porque não ficara satisfeita com a coerência do mesmo e acrescentou prontamente:
– E é por isso que o meu amigo está cá. Temos pouco tempo mas vamos aproveitá-lo o melhor possível.”

Depois de ler esta parte do livro e antes de qualquer consulta de psicologia, os pais talvez possam fazer uma experiência: ligar mais importância (atenção) à filha.Consegui-B

Para isso, partindo do princípio que os pais são pessoas muito ocupadas, para aumentar o tempo de conversa pode, um de cada vez, manter esse diálogo com ela. Além disso, enquanto os pais fazem qualquer outra coisa, podem interagir com a filha tentando saber o que se passou na escola e com as amigas. Podem também pedir a ajuda dela nos trabalhos de casa ou na arrumação. Tudo isso, bem planeado e executado com criatividade, pode aumentar substancialmente o tempo de interacção pais/filha.

Se por acaso estiver a acontecer, como «normalmente», a criança passar muito tempo a ver televisão, pode não ser um Maluco2comportamento saudável tanto sob o ponto de vista psicológico como fisiológico: afastamento em relação ao resto da família, imitação de modelos pouco adequados, problemas de visão e de postura ou de movimentação corporal (obesidade?).
Também, se agora os pais não se exercitarem para arranjar algum tempo para estar com a filha, quando chegar o momento de ela entrar na internet, quem a poderá ajudar a não cair numa das bem montadas «armadilhas» que  abundam no mundo virtual? Seguramente, a avó pode não continuar a ter tamanha ligação como tem agora e também pode não estar tecnicamente preparada para enfrentar essa realidade bem marcante dos nossos dias!neuropsicologia-B

Se depois de um mês de experiência «consistente» deste tipo de comportamento os «roubos» continuarem, a visita ao psicólogo pode ser o mais adequado.
Boa sorte.

 Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEISarvore

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO

de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG – sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

Anúncios

Single Post Navigation

3 thoughts on “ROUBOS AFECTIVOS

  1. Estes factos baseados na vida que todos levamos, ajudam-nos a pensar melhor naquilo que fazemos.
    Os nossos conversadores já começaram a pensar nas suas famílias.
    Estão a pensar ir para casa quando os filhos e os netos lá estiverem para passar mais algum tempo com eles.
    Agradecidos pelo alerta.

  2. Anónima on said:

    Sou uma mãe preocupada que leu com atenção este poste.
    Fiquei surpreendida com o trecho do livro que fala nas brincadeiras com a guerra acerca do qual a mãe da Joana queria discutir.
    Tenho um só filho de 9 anos que só gosta de brincar às guerras. Que mal tem isso?

  3. Gostei de ler este poste porque preciso de tentar resolver um problema semelhante que me preocupa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: