PSICOLOGIA PARA TODOS

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REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 3

No post REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 2 cheguei a ver o seguinte comentário feito por um Imagina-BAnónimo:

Já li este poste e o anterior sobre o reforço do comportamento incompatível.
Sou pai solteiro e tenho uma filha que desejo educar o melhor que puder dentro das minhas possibilidades. Será possível dar-me mais algum exemplo sobre esta técnica?
Às vezes parece que a devo utilizar quando ela fala sobre a mãe e eu não posso dar as respostas todas.
Compreenda a minha situação.Psicologia-B
Anónimo.

Senhor Anónimo:
Depois de lhe ter dado uma resposta imediata a este comentário, tenho de dizer que no livro PSICOLOGIA PARA TODOS apresento um caso em que o pai não conseguiu «falar» com o filho já adolescente, acerca do abandono do lar pela mãe, para ir viver fora de Portugal com outro homem. O filho, não conseguindo estabelecer diálogo com o pai, «meteu-se na droga» e, expulso de casa, só depois de apanhado num furto a que foi obrigado pelos traficantes, foi «recuperado» através dum artifício utilizado por um antigo colega de estudos a trabalhar no momento, na Interacção-B30Polícia, para recuperação de toxicodependentes.

Por isso, vou elaborar este post com a transcrição das páginas 60 a 62 do livro “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” em que o psicólogo conversou com uma senhora idosa que se queixava sempre de dores nas pernas, sem ninguém poder fazer algo de benéfico em seu favor. Exemplifica a simplicidade de procedimentos para a utilização desta técnica que também facilita imenso a da extinção. Para tanto, o importante é raciocinar ou pensar logicamente e não permitir que a pessoa fique envolvida emocionalmente na situação como ficou o engenheiro.Joana-B

Eis a transcrição:
“Íamos entrar para o restaurante quando uma senhora idosa se aproximou e abordou o engenheiro:
– Como vai senhor engenheiro? Como está a Joana? – Ao que o engenheiro respondeu:
– A Joana está com a mãe, como em todos os fins-de-semana.
Depois, segredou-me ao ouvido que a senhora se queixava permanentemente de dor nas pernas e que iria insistir nessa ideia sem esmorecer.
– Hoje vem acompanhado dum novo amigo? Ai, as minhas pernas!Saude-B
O engenheiro logo respondeu:
– Não se preocupe. Há-de melhorar dentro em breve. Este meu amigo é estudante de Psicologia, na Inglaterra. Vem cá passar férias.
E segredou-me novamente: 
– Não dizia que iria continuar a conversa da dor nas pernas? A má circulação sanguínea e os seus 70 anos desaconselham qualquer tipo de intervenção médica activa. 
A minha resposta para ele foi rápida:Maluco2
Tente extinguir esse comportamento.
Entretanto, a senhora fazia-lhe outra pergunta:
– A sua senhora tem-se dado bem pela Figueira da Foz?… Sabe a dor que tenho nas pernas?
Apesar da minha discreta cotovelada, o engenheiro respondeu-lhe:
– Deixe lá, vai ficar boa e conseguir andar melhor do que nós. A mãe da Joana está a trabalhar e tem-se dado bem com o ambiente em que vive.
Em seguida, a conversa foi comigo:Psicopata-B
– Sabe, as minhas pernas são uma desgraça. O senhor está a tratar de malucos?
– Não, minha senhora. Eu estudo a maneira de ser das pessoas e se houver necessidade de as ajudar em alguma medida, quer sejam malucos quer não, faço os possíveis para o conseguir. Por enquanto, sou estudante de Psicologia e ainda não posso ajudar profissionalmente qualquer pessoa.
– Sabe? As minhas pernas é que não ajudam. A sua família é de cá?
– Sim. Moramos perto de Sintra mas estivemos muitos anos fora.
– Sabe, a região de Sintra é muito bonita mas as minhas pernas é que não dão para andar.Consegui-B
– De facto, minha senhora, resolvi passar as férias a ver Sintra e Lisboa que não conhecia bem. Sabe que cada vez gosto mais de Portugal?
– Não me diga que tem saudades da sua terra! Vocês os rapazes novos o que querem é estrangeiro. Vão para lá e nunca mais regressam.
– Não é verdade. Eu espero tirar o meu curso e voltar para Portugal desde que arranje cá um lugar onde possa ganhar o suficiente para me poder manter sem as misérias que quase todos passamos.
– De facto, esta terra é boa para alguns. Para outros é bem madrasta. Se todos trabalhassem para melhorar o nível de vida da população seria tão bom! – disse a Senhora, sem voltar a falar nas suas pernas.Psi-Bem-C
– Esperemos que dentro de alguns anos as coisas se modifiquem e que todos possamos viver em melhores condições do que agora. Espero poder ganhar o suficiente quando acabar o meu curso e faço votos para que as pessoas não imaginem que os psicólogos só trabalham com malucos. Tive muito gosto em conhecê-la e até à próxima.
– Boa viagem e bons estudos – disse a senhora despedindo-se também do engenheiro que ficara muito admirado porque a senhora não insistira comigo em relação à sua doença das pernas.
– Não lhe fiz sinal para não-reforçar ou extinguir a conversa sobre a doença das pernas? – perguntei.
– Isso não pareceria indelicadeza da minha parte?Difíceis-B
– Não sei porquê. Viu claramente que respondi a todas as perguntas desviando a atenção para assuntos mais importantes do que as desditas acerca das pernas em relação às quais nada se podia fazer. Falar nelas seria manter ou aumentar a angústia da senhora. Não falar nas pernas ou apresentar-lhe assuntos mais interessantes foi prestar-lhe um grande favor, mesmo em relação à sua sanidade mental (A). Verificou o interesse com que ela conversou comigo? Utilize sempre que possa o procedimento de extinção, do reforço do comportamento incompatível e da facilitação que conseguirá benefícios imediatos (F) (K).neuropsicologia-B
– Já estou a lembrar-me de mais algumas coisas que posso fazer com a Joana. Vamos para o restaurante conversar porque a seguir, em chegando a casa, tenho de ler mais alguma coisa sobre o assunto.”

Já leu os comentários?

Ver post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVOarvore

de cada livro editado em post individual

Blogs anteriores:

PSY FOR ALL (desactivado) [http://www.psyforall.blog.com]

PSICOLOGIA PARA TODOS [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG – sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

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3 thoughts on “REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 3

  1. Anónimo on said:

    Gostei deste poste que foi feito a meu pedido. Suponho que esse livro deve ter mais exemplos de como lidar com as crianças em diversas circunstâncias. Agradeço que me envie pelo correio o livro “JOANA a traquina ou simplesmente criança?” para o endereço que vou indicar no seu e-mail.

  2. Anónimo on said:

    Estes assuntos estão a interessar-me. Já comecei a ter algumas ideias sobre o meu comportamento.

  3. Temos discutido esta vossa técnica e alguns vão tentar utilizar em casa com os filhos. Agora, mais do que nunca, com a miséria que vamos viver e o tempo de sobra que devemos ter, deve ser importante.

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