PSICOLOGIA PARA TODOS

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«BULLYING» 2

Para satisfazer a pretensão que os conversadores dos CãoPincha apresentaram num comentário no post «Bullying», de Biblio16Mar10: 
 
“Com as agressões que se estão a verificar em muitas escolas e sítios de jovens, o que é que diz agora acerca deste fenómeno?
A televisão está a apresentar as imagens até à saciedade. Quatro ou cinco vezes em cada noticiário é demais.”

 a minha resposta imediata foi a seguinte:

“Não me vou pronunciar muito sobre essas situações, porque existem comentadores a mais. Contudo, aquele Saude-Bque mais me agrada e fala, de facto, em psicologia sem ser em termos técnicos, é Tavares Rijo, da “Praça da Alegria”. Em relação a estes casos, tenho muito mais consideração por ele do que pelos vários psicólogos que aparecem nos diversos canais de televisão. Fala em termos simples para todas as pessoas.
A Joana também seria uma candidata a bully ou muito pior, se não tivesse tido uma educação adequada e em tempo oportuno, com bons exemplos dos pais que arrepiaram caminho no momento crucial.
Vou transcrever alguns trechos do livro que abordam o problema simples de prevenção e profilaxia em vez de tentativas de resolução posterior.Joana-B

Por isso, alguns trechos das páginas 113 a 118, do livro  Joana, a traquina ou simplesmente criança? , com os sublinhados julgados convenientes podem ser elucidativos:

“… fui obrigado a falar no desenvolvimento cerebral desde o nascimento, confirmando o que estava no livro.
– Afinal, o que nós fazemos com as crianças é pouco aceitável – disse-me a mãe da Joana, confirmando a sua afirmação com exemplos de situações em que os pais tentam fazer compreender às crianças certas normas que elas dificilmente conseguem entender.Psicologia-B
– Pois é – disse-lhe eu – os pais podem dar uma explicação e imaginar que estão certos mas não conseguem calcular que a criança não tem capacidade de compreender as normas sociais, por lhe ser quase impossível utilizar a abstracção antes dos 10 ou 12 anos de idade. O seu cérebro não está suficientemente desenvolvido para descodificar as mensagens a esse nível. Planear, decidir, avaliar, manter o controlo emocional e das pulsões e ter juízos morais, são funções cerebrais que se vão desenvolvendo desde os 8 ou 10 até cerca dos 20 ou 25 anos. Se estas funções se estruturarem mais cedo, tanto melhor para a criança, mas se elas se desenvolverem mais tarde, a intervenção dos pais pode tornar-se fastidiosa e deixar a criança numa situação de frustração ou punição que não deseja. Contudo, não há qualquer inconveniente em dar uma Interacção-B30explicação simples e rápida, visto que se não houver compreensão de parte da criança, existirá pelo menos a prevenção de que certos factos não se devem repetir, além da demonstração de que os pais se preocupam com os filhos.
– De qualquer maneira, é necessário ter cuidado – disse-me ela.
Concordei plenamente e ela continuou:
– E se a Joana desejar ter mais liberdade e maior convivência com determinadas amigas o que posso fazer e como a vou contrariar?
– A Joana não deve «querer» no sentido de exigir, mas sim no sentido de desejar. É aos pais que compete analisar cadaAcredita-B situação visto que, como já disse, ela não tem ainda capacidade de raciocinar, abstrair e concluir que a situação pode não lhe ser benéfica. Nesta idade, a Joana deve conseguir reagir melhor e mais facilmente ao prazer e ao desagrado. Já verificámos que ela gosta da vossa companhia; isso dá-lhe imenso prazer. É necessário tomar este «prazer» como sinónimo de reforçador e utilizá-lo devidamente. Em vez de lhe responderem com um sim ou um não às perguntas de poder ir a casa das amigas ou estar na companhia delas que, no vosso parecer, não é adequada, podem imediatamente propor-lhe uma solução que a afaste dessas amigas. É muito importante não deixar transparecer que têm receio que ela se dê com certas amigas. Uma coisa é os pais acharem que não ser bom que a Joana conviva com determinadas amigas (mostrando que têm Psicopata-Bconfiança na sua actuação correcta e concertada para com os pais) e outra é evidenciar receio que ela conviva com essas amigas (admitindo, logicamente, que possa dar-se com elas, mesmo à revelia das proibições ou conselhos dos pais). São situações delicadas (conflito) em que as medidas a tomar devem ser ponderadas e planeadas com cuidado, sem ferir susceptibilidades nem perder a autoridade (K).
Parecendo querer aclarar algumas ideias sobre o que acabara de dizer, a mãe da Joana solicitou que lhe explicasse melhor as minhas últimas afirmações. Acedi, tentando ser mais explícito:
– Quando digo a uma criança “Não quero que te portes mal em casa da tia”, embora dando uma ordem para não se portar mal, Maluco2estou a admitir tacitamente que a criança possa portar-se mal. Além disso, se, por acaso, acrescentar: “como da vez passada”, já estou a dar uma indicação ainda pior, esclarecendo que ela já teve um comportamento semelhante àquele que está a provocar em nós um certo receio. Porém, se disser: “Quero que te portes bem em casa da tia”, estou a dar indicações positivas, revelando confiança, sem mostrar receio de que aconteça o contrário. Mas, se por acaso quiser acrescentar: “Tu sabes portar-te bem”, a ênfase no bom comportamento é maior e demonstra confiança no aparecimento do comportamento proposto.
– Parece-me que seria bom dizer: “Quero que te portes bem em casa da tia, como tu sabes” Assim, parece-me que está a falar em reforço do comportamento incompatível – disse-me a mãe da Joana.Imagina-B
– Pois é, minha senhora, fico admirado com a rapidez com que está a dominar perfeitamente estes conceitos de psicologia – respondi.
…..
Aproveitando a inércia da conversa, acrescentei:
– E, para isso, é bom que ela tenha uma família unida.
– Quando ela aparece em casa a falar duma amiga que tem os pais quase a separarem-se, o que lhe devemos dizer? – perguntou a Fernanda.
– Em primeiro lugar, podem ignorar a pergunta, fingir que não ouviram e começar de imediato a pensar na possível resposta. Depressão-BEm segundo lugar, se ela insistir, podem tentar fazer-lhe outras perguntas desviando-lhe a atenção e, se for necessário, esclarecer que, de vez em quando, as pessoas se zangam mas que podem voltar a entender-se e a estar com os filhos. É uma situação um pouco pior do que a vossa porque têm a justificação dos empregos que vos obrigam a estar longe um do outro. Em terceiro lugar, numa ocasião mais oportuna e calma, vale a pena explicar-lhe sucintamente que as pessoas têm de aprender a ultrapassar as dificuldades que a vida frequentemente lhes coloca no caminho. A explicação pode não ser compreendida mas a afeição e a simpatia demonstradas serão bastante oportunas de modo a que ela possa pensar: “Os pais estão comigo“.
– E se ela nos perguntar se estamos separados? – interrogou a Fernanda.
Antes que eu pudesse responder, João Manuel interveio:Psi-Bem-C
– Separados? Desde quando? Afastamo-nos um pouco porque tínhamos algumas dúvidas sobre a educação da Joana, mas agora que as coisas vão bem é caso para pensar e ver se arranjas um lugar mais adequado em Lisboa.

Porém, cada um tinha «mergulhado» nos seus pensamentos e, se tivéssemos um aparelho que os conseguisse captar, o resultado talvez fosse o seguinte:

  • João Manuel pensava ansiosamente na maneira de conseguir que a mulher fosse para Lisboa já que a sua ida para a Difíceis-BFigueira lhe causaria quebra substancial de rendimento, superior ao vencimento dela.
  • Fernanda tentava imaginar até que ponto se poderia comprometer e ceder em nome do bem-estar da filha, sem se sentir humilhada com a cedência, já que fora ela a causa principal do afastamento.
  • Eu magicava todas as formas possíveis e imaginárias para aproximar o casal e proporcionar à Joana uma família unida e não «junta» por acaso, por necessidade, por conveniência, por comodismo ou por inércia

Em seguida, retomámos a nossa conversa e a Fernanda continuou:
– No último caso descrito no livro Sucesso Escolar (I), descobri que um pai conseguiu fazer um óptimo trabalho que melhorou bastante o comportamento e o sucesso escolar do seu filho Bosco, apesar da separação dos pais. Contudo, qual será a evolução mario-70desse caso na adolescência?
– Se o pai conseguir manter a mesma ligação que iniciou antes dessa melhoria, o filho irá, provavelmente, ter uma adolescência com alguns problemas «normais» que se resolverão com o tempo, com a ajuda do pai e com uma adaptação sua ao seu meio ambiente. Na Teoria de Desintegração Positiva da Personalidade, Dabrowski (Athayde, 1971) refere-se especificamente a este assunto como reestruturação positiva da personalidade e, por isso, essa adaptação terá de ser sempre a um nível superior ao antecedente. Reparem que isto é, praticamente, a resolução de um conflito com resposta à frustração, podendo a alternativa utilizada ser a de obter uma «saída» melhor do que a situação anterior (será aprender com a ultrapassagem das frustrações?) (K).
– E se, por causa da influência das más companhias, o filho quiser estar fora de casa até altas horas da noite? – perguntou a Consegui-Bmãe da Joana.
– A necessidade de estar fora de casa surge geralmente quando existe um trabalho específico a fazer ou quando a casa é mais desagradável ou menos agradável do que o ambiente exterior. Pode suceder o mesmo quanto ao frio ou ao calor, como por exemplo, o desejo de ir à praia ou de ficar sentado à sombra de uma árvore quando a casa é pequena e pouco ventilada. Até a necessidade de conseguir estar num local mais aconchegado e quente quando a casa é fria ou húmida pode provocar isso. Uma boa relação familiar ou ambiental dentro da própria casa, torna-se muito importante até mesmo nos lares para crianças abandonadas.

*************Respostas-B30
A Joana não só não se tornou uma criança problemática como conseguiu ser uma das melhores alunas da turma estando hoje bem empregada, com uma óptima relação com os pais e irmão e preocupada em utilizar com os seus filhos a receita que tinha aprendido com o seu próprio irmão, 7 anos mais novo.

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2 thoughts on “«BULLYING» 2

  1. Conversador dos CãoPincha on said:

    Não acha que também usa «palavrões» de vez em quando ao explicar muita coisa?

    • Ulitizo «palavrões» técnicos mas explico-os ao pormenor, quando possível, para que as pessoas compreendam bem e rapidamente as ideias que, de outro modo, teriam de ser apresentadas em tempo infinitamente superior.
      Por isso, gosto que as pessoas leiam os livros ou os diversos posts do blog para que possam compreender rapidamente os conceitos apresentados, sem ter de despender imenso tempo para os explicar no momento. Às vezes, não há tempo para isso.
      É uma forma de economia à procura da eficácia máxima .

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