PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Junho, 2011”

RESPOSTA 1

Há dias, quando estava a tomar a bica, uma senhora aproximou-se de mim, pediu para se sentar e disse-me que uma pessoa Saude-Bminha conhecida a tinha aconselhado a falar comigo e a expor rapidamente o caso da filha, pedindo um conselho:

A minha filha de 10 anos, devido à situação de crise, deixou de estar num colégio particular e passou a frequentar uma escola oficial. Agora, tem tido bastantes problemas, especialmente porque está a crescer, os colegas são «mais brincalhões» e ela está a entrar na puberdade com todo o corpo a transformar-se. Também em tempos, deu uma queda quando estava a andar de cavalo e ficou com a cara ferida no lado direito, sentindo necessidade de usar chapéu de aba larga, e puxar o cabelo para cima do lado direito da cara. Não sei o que devo fazer neste momento porque ela quase não Biblioquer ir à escola e eu não tenho possibilidades de a matricular de novo num colégio particular.

Como eu não tinha muita disponibilidade no momento, não podia dar uma resposta curta e desejava que também outras pessoas conhecessem a minha resposta, lembrei-me da resposta dada a um comentário em 19 de Junho no  post «EDUCAÇÃO». Além disso, a reportagem da TVI, ontem à noite sobre a «A raíz do Medo», não me elucidou coisa alguma sobre a substituição de sintomas ou efeitos colaterais (F).
(Ver o post LIVROS DISPONÍVEIS)

Por este motivo, este post começa com a resposta que dei à senhora:mario-70
Neste momento, tenho dificuldade em lhe dar uma resposta que será dada no meu blog dentro de uma semana. Não vou dar qualquer conselho porque não desejo que fique dependente de mim ou de mais alguém no futuro. Eu ajudo as pessoas a pensar e a decidir por si. Dou indicações e ajudo a tomar uma decisão. É por isso que mantenho este blog. Consulte-o e leia pelo menos aquilo que diz respeito ao «reforço». Pelos títulos dos posts, chega lá.

A senhora agradeceu e foi-se embora, aparentemente, não muito satisfeita nem convencida, mas eu fiquei satisfeito por não deixar a pessoa «agarrada» a conselhos que nem sempre são saudáveis.Consegui-B

Abordando agora a questão, posso dizer que é bastante natural que a criança se tenha ressentido com o novo ambiente escolar que é, geralmente, menos «delicado» do que o de um colégio particular.

Se não houver qualquer modelagem e identificação com as figuras parentais em relação à situação da escola (os pais também podem ter estado numa escola particular, ter preconceitos contra as escolas públicas, ou desejarem tê-las frequentado, proporcionando à criança reforço vicariante negativo) a criança pode sentir-se punida.
Depende dos pais «apoiarem» inconscientemente a mágoa da filha, proporcionando-lhe reforço vicariante. Se assim for, é bom Maluco2que os pais aprendam a utilizar o reforço do comportamento incompatível para aliviar as mágoas da criança.
Não poucas vezes, esses «defeitos» na educação podem ser o início de um comportamento inadequado futuro. Não se consegue compreender qual a razão de dificuldade em aceitar, sem sofrimento interior  um ligeiro ferimento na face direita devido a uma queda de cavalo. Tornar a face mais apresentável e não a desejar desfigurada,é absolutamente aceitável, mas sofrer imenso com isso, não é muito saudável. Contudo, isso pode acontecer se os pais também ajudarem a «consolar» a criança e a «sofrerem» com ela. O melhor seria, utilizar o reforço do comportamento incompatível, ajudando a criança a melhorar o aspecto com simplicidade e sem muita preocupação com isso. Este procedimento até a ajudará a aprender a enfrentar quaisquer contratempos futuros.Psicopata-B

Tanto no caso concreto, como no da resposta dada ao comentário anterior, posso reiterar a minha ideia de que a «educação» é o que se pode fazer com esta criança ajudando-a a enfrentar e ultrapassar as dificuldades «normais» da vida. Por isso, além da acção competente (ou incompetente) desenvolvida pelos terapeutas, o apoio (ou desapoio) dado pelos pais é de extrema importância. É, muitas vezes, isso que falha e que prejudica o bom resultado possível em alguns casos como se vê nos trechos do livro NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I) que vão ser transcritos:

“Sendo mais frequente a utilização da Escala de Wechsler para a avaliação das funções cognitivas, o perfil seguinte, de um neuropsicologia-Brapaz de 15 anos de idade, a frequentar o 8º ano de escolaridade obrigatória, pode indicar tendência para a disfasia:
….
“Neste caso, deveria ter sido efectuado, em princípio, um despiste neuropsicológico de disfasia…

“Muitas vezes, como poderia ter acontecido com este rapaz, o facto de ter um QI total ou global de 96, um QI de verbalização de 101 e um QI de execução ou performance de 91, leva os pais a julgarem que tudo está bem e que não é necessária qualquer acção correctiva ou supletiva. É uma ilusão temporária que, muitas vezes, após a conclusão do Joana-Bsegundo ciclo, se torna a causa principal do insucesso a partir do 7º ou 8º ano da escolaridade obrigatória. Não se liga importância aos défices na leitura, escrita, desenho, educação musical e trabalhos manuais, julgando que o tempo irá colmatar as deficiências. Porém, estas vão-se avolumando à medida que o tempo passa e criam hábitos comportamentais difíceis de erradicar.
No caso citado, não houve por parte dos pais qualquer resistência em aceitar as deficiências apresentadas pelo filho. Porém, a reeducação, antes da citada avaliação, foi tão mal conduzida durante 3 anos, que ajudou a deteriorar as capacidades cognitivas, baixando para 96 o QI global, avaliado  em 112, cerca de 3 anos antes. Nesses 3 anos a reeducação da disfasia foi uma espécie de «brincadeira» que se efectuou 2 vezes por semana com um grupo de mais 4 crianças de nível intelectual bastante inferior ao do rapaz em questão. Quando, no 8º ano, teve apoio psicopedagógico Depressão-Bindividualizado, embora tardio, mas convenientemente orientado, as suas capacidades começaram a sofrer melhorias lentas mas seguras.
Passados 24 meses de reeducação, o perfil com notas da Escala de Wechsler,

“significando que se verificavam progressos embora com ligeira redução de algumas capacidades outrora mais desenvolvidas (os números entre parêntesis referem-se à avaliação antecedente).
A interpretação deste perfil exigiu que a estratégia de actuação se modificasse,

“Além disso, a avaliação da personalidade indicou redução de alguns problemas (sentimentos de rejeição, falta de Acredita-Bautoconfiança, percepção pouco adequada da realidade, dificuldades na interacção socio-familiar e na adaptação a situações novas), com aumento de outras características (aceitação do EU e autovalorização). Nestas circunstâncias, a psicoterapia é o apoio mais importante a ser dado no momento.

Com «anormalidades» nos resultados das provas de personalidade, a ajuda será dada exclusivamente por quem esteja habilitado a efectuar psicoterapia. O mesmo aconteceria se a criança apresentasse dificuldades no relacionamento interpessoal ou demonstrasse estar sujeita a conflitos intrapsíquicos. Como as provas de personalidade e de interacção social têm geralmente avaliações qualitativas, a leitura dos défices é diferente daquela em que os resultados se podem quantificar. Nestes casos, é imprescindível que o psicólogo se responsabilize pelo diagnóstico e pela Difíceis-Bsolução da situação deficitária.
Em qualquer circunstância, quer a avaliação seja quantitativa quer qualitativa, é indispensável saber qual a situação anterior à reeduc­ação ou apoio psicoterapêutico, para a comparar com aquela que se verifica alguns meses depois. Fica-se assim com a panorâmica geral da evolução do «caso».
“Quanto ao rapaz em questão, a avaliação de progresso ajudou a verificar que se devia reduzir o apoio psicopedagógico de duas para uma sessão semanal e iniciar-se o apoio psicoterapêutico sistemático uma vez por semana …”
(por causa da interacção com os pais).Psi-Bem-C

Depois da transcrição de alguns trechos do livro em questão, digo que não sou contra os conselhos e que também não me eximo de os dar quando necessário, aconselhando a senhora a consultar no blog todos os posts que referem a reforço (todos os tipos incluindo o reforço do comportamento incompatível), dissonância cognitiva, modelagem, identificação, efeitos colaterais ou secundários e profilaxia. Tudo isto não poderia ter sido dito no café nem às outras pessoas que consultarem este post.

Já leu os comentários?arvore

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«EDUCAÇÃO»

Em 6 de Junho, um Anónimo comentou:Joana-B

“Já li este poste e outros relacionados com modelagem, identificação e reforço vicariante.
Ainda não consegui compreender bem a exagerada importância que dá à educação para prevenir ou evitar comportamentos inadequados ou dificuldades psicológicas.”

Dei-lhe uma resposta imediata dizendo que ia fazer um novo post para esclarecer a minha ideia sobre «educação».

Para tanto, vou transcrever alguns trechos do livro “Como «EDUCAR»  Hoje, publicado em 1998 pela HUGIN e «Educar»-Bposteriormente intitulado “Sucesso na Vida! Por Que Não?”  pela Plátano. Algum dia,  será publicado pelo Centro de Psicologia Clínica com o título “PSICOTERAPIAS BEM SUCEDIDAS – 3 casos”.

Trata de história da Cristina.
Pela simples razão de ter sido «educada» duma determinada maneira, começou por ter bastantes dificuldades tanto na vida social como profissional.

Assim, a página 15 diz o seguinte:

“Depois de os pais da Cristina terem solicitado a minha colaboração para a apoiar, discreta e Psicologia-Bdisfarçadamente fosse a que preço fosse na resolução dos seus problemas, tive de engendrar, de imediato, uma estratégia que pudesse dar resultados positivos e palpáveis.

Assim, logo na primeira apresentação, a minha atitude foi de distanciamento. Porém, logo no primeiro contacto, embora muito reservado, à medida que fomos conversando sobre as diversas carreiras profissionais e as tensões sentidas em cada uma delas, ao saber que era amigo do pai e consultor de empresas, a Cristina, muito tensa, queixou-se que não conseguia dormir e tinha pesadelos constantes, além de uma incapacidade quase permanente para enfrentar as pessoas e de se Interacção-B30relacionar com elas dum modo «normal». Dizia, muito irritada, que isso não era «normal» nem se podia admitir numa rapariga de boas famílias, com educação esmerada, financeiramente independente dos pais aos 27 anos, bem colocada na vida e com uma posição profissional invejada por muitos.”

Os próprios pais reconheceram essa «educação» como errada, porque a tinham aplicado como boa, desconhecendo os mecanismos do comportamento humano.

Isso obrigou a Cristina e despender cerca de 105 sessões de psicoterapia individual e 105 sessões de Consegui-Bpsicoterapia individual, grupal e familiar, além de ter passado os últimos 5 a 10 anos em permanente desconforto psicológico. O resultado foi óptimo.
 
Assim, as páginas 95-97 dizem o seguinte:

“AS AMBIÇÕES DOS PAIS DA CRISTINA
 
Nesse domingo em que estávamos todos a «conversar», fiquei surpreendido e satisfeito com os pais da Cristina que, no final da sua intervenção, lhe fizeram uma pergunta de chofre:Psicopata-B
– Depois disto tudo ainda não compreendeste que, apesar de todas as dificuldades podes tirar benefícios da situação actual?
– Como? – perguntou ela muito surpreendida.
– Com o último exemplo que acabámos de discutir – disse o pai.
– Que é que o último exemplo tem a ver com o meu presente?
De repente e sem estar à espera, o noivo interveio:
– Tu não vês que se está a pensar muito mais no futuro do que no passado? O presente é o começo do futuro. Tu já conseguiste resolver a maior parte dos teus problemas. Os teus pais têm-te   ajudado imenso e todos Maluco2estamos agora mais preocupados com o futuro, que exige soluções inovadoras, do que com o passado que está a ser compreendido, servindo de lição para o futuro. Eu já tinha reparado em ti e tinha alguma simpatia mas achava-te muito arredia, quase fugidia. Só quando começaste a mudar é que decidi aproximar-me. Isso diz-te alguma coisa?
Cristina manteve-se calada e pensativa durante bastante tempo a ponto de eu próprio ficar muito intrigado com a sua fisionomia que ia mudando de apreensiva para uma espécie de satisfação íntima. De repente, olhando para mim com uma aparente paz e felicidade interior, perguntou:
– Acha que me faz algum bem imaginar que grande parte dos modelos por mim copiados, são o pessimismo Acredita-Bdo meu pai e as preocupações exageradas da minha mãe com as opiniões dos outros?
Apanhado de surpresa e antes que pudesse formular uma resposta coerente, os pais da Cristina entreolharam-se e responderam quase em uníssono:
– Já tínhamos pensado nisso mas esperávamos que fosses tu a falar nesta hipótese depois de a consciencializares. As leituras ajudaram-nos muito. É por esta razão que temos imenso empenho em aprofundar ainda mais os nossos conhecimentos sobre o comportamento humano.
Perante o ar de imensa satisfação da Cristina, os pais mostraram desejo de discutir muitas mais situações imprevisíveis mas possíveis como se de uma salvaguarda se tratasse: um «seguro» para o caso de um possível Depressão-Bcomportamento inadequado. Não fosse o diabo tecê-las e a filha ser futuramente inculpada de «negligência» ou «ignorância» como acontecia com eles.
Fiquei ainda mais sensibilizado quando o noivo da Cristina exclamou com um ar muito prazenteiro:
– Tanto quanto consegui apreender das ideias aqui discutidas, as crianças têm de fazer uma aprendizagem prática de resolução de conflitos e ultrapassagem de frustrações tirando o melhor proveito possível da situação. Devem ser encorajadas e reforçadas pelos pais que também devem servir de modelo de imitação e identificação. Pelo que consigo observar, a Cristina tem um belo modelo de identificação de um casal que apesar de toda a sua falta de conhecimentos inicial soube neuropsicologia-Bactualizar-se e superar as dificuldades que foi sentindo.
Ninguém respondeu. Assim, de discussão em discussão, durante alguns fins-de-semana em que fui convidado a almoçar com a família da Cristina, passaram-se mais alguns meses até que a Cristina e o noivo decidissem que estavam aptos a enfrentar as dificuldades inerentes à constituição de uma nova família.
A minha missão de psicólogo dissimulado ou clandestino a fazer psicoterapia ao domicílio, embora com muitas horas de trabalho, estava concluída ao fim de dois anos e meio, ficando sempre disponível para o futuro, em caso de emergência.
O que mais me interessou em todo este convívio humano foi a possibilidade de difundir a ideia de que, em Difíceis-Bcaso de descompensação, ainda que pontual, esporádica ou temporária, a leitura de obras adequadas em momentos oportunos para efectuar uma profilaxia é muito mais vantajosa do que apenas uma psicoterapia posterior. São inúmeras horas de consulta e muitos meses ou anos de sofrimento que se poupam, sem contar com dispêndios financeiros mais elevados, além de prejuízos profissionais e sociais.
É por isso que a minha insistência na profilaxia não vai esmorecer, tanto mais que, neste caso, foi possível em relação a uma futura família.
Cristina casou-se no terceiro aniversário do dia em que iniciei com ela a primeira conversa informal.
Ou seria, de facto, psicoterapia?”Psi-Bem-C

O que se passou com a JOANA, também é elucidativo. É o resultado de mais de 10 anos de consultas com crianças e seus pais que tiveram de compreender que muitos dos seus comportamentos eram a causa de reacções que eles achavam inadequados nos seus filhos.
Tudo o que se pretende realçar, não tem coisa alguma a ver com uma dimensão de civilidade e etiqueta mas sim a das contingências de causas para os efeitos sobre o comportamento de todos.
Também a oportunidade e a adequação dos nossos actos podem alterar muitas coisas no caso de haver uma compreensão e percepção pouco vulgar de quem recebe a «educação».Saude-B
Por isso, se frisa muitas vezes a importância do reforço vicariante. Além dos meios social e familiar, os da comunicação social são um óptimo incentivo de fomentar esse reforço – para o bem e para o mal.

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