PSICOLOGIA PARA TODOS

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«EDUCAÇÃO»

Em 6 de Junho, um Anónimo comentou:Joana-B

“Já li este poste e outros relacionados com modelagem, identificação e reforço vicariante.
Ainda não consegui compreender bem a exagerada importância que dá à educação para prevenir ou evitar comportamentos inadequados ou dificuldades psicológicas.”

Dei-lhe uma resposta imediata dizendo que ia fazer um novo post para esclarecer a minha ideia sobre «educação».

Para tanto, vou transcrever alguns trechos do livro “Como «EDUCAR»  Hoje, publicado em 1998 pela HUGIN e «Educar»-Bposteriormente intitulado “Sucesso na Vida! Por Que Não?”  pela Plátano. Algum dia,  será publicado pelo Centro de Psicologia Clínica com o título “PSICOTERAPIAS BEM SUCEDIDAS – 3 casos”.

Trata de história da Cristina.
Pela simples razão de ter sido «educada» duma determinada maneira, começou por ter bastantes dificuldades tanto na vida social como profissional.

Assim, a página 15 diz o seguinte:

“Depois de os pais da Cristina terem solicitado a minha colaboração para a apoiar, discreta e Psicologia-Bdisfarçadamente fosse a que preço fosse na resolução dos seus problemas, tive de engendrar, de imediato, uma estratégia que pudesse dar resultados positivos e palpáveis.

Assim, logo na primeira apresentação, a minha atitude foi de distanciamento. Porém, logo no primeiro contacto, embora muito reservado, à medida que fomos conversando sobre as diversas carreiras profissionais e as tensões sentidas em cada uma delas, ao saber que era amigo do pai e consultor de empresas, a Cristina, muito tensa, queixou-se que não conseguia dormir e tinha pesadelos constantes, além de uma incapacidade quase permanente para enfrentar as pessoas e de se Interacção-B30relacionar com elas dum modo «normal». Dizia, muito irritada, que isso não era «normal» nem se podia admitir numa rapariga de boas famílias, com educação esmerada, financeiramente independente dos pais aos 27 anos, bem colocada na vida e com uma posição profissional invejada por muitos.”

Os próprios pais reconheceram essa «educação» como errada, porque a tinham aplicado como boa, desconhecendo os mecanismos do comportamento humano.

Isso obrigou a Cristina e despender cerca de 105 sessões de psicoterapia individual e 105 sessões de Consegui-Bpsicoterapia individual, grupal e familiar, além de ter passado os últimos 5 a 10 anos em permanente desconforto psicológico. O resultado foi óptimo.
 
Assim, as páginas 95-97 dizem o seguinte:

“AS AMBIÇÕES DOS PAIS DA CRISTINA
 
Nesse domingo em que estávamos todos a «conversar», fiquei surpreendido e satisfeito com os pais da Cristina que, no final da sua intervenção, lhe fizeram uma pergunta de chofre:Psicopata-B
– Depois disto tudo ainda não compreendeste que, apesar de todas as dificuldades podes tirar benefícios da situação actual?
– Como? – perguntou ela muito surpreendida.
– Com o último exemplo que acabámos de discutir – disse o pai.
– Que é que o último exemplo tem a ver com o meu presente?
De repente e sem estar à espera, o noivo interveio:
– Tu não vês que se está a pensar muito mais no futuro do que no passado? O presente é o começo do futuro. Tu já conseguiste resolver a maior parte dos teus problemas. Os teus pais têm-te   ajudado imenso e todos Maluco2estamos agora mais preocupados com o futuro, que exige soluções inovadoras, do que com o passado que está a ser compreendido, servindo de lição para o futuro. Eu já tinha reparado em ti e tinha alguma simpatia mas achava-te muito arredia, quase fugidia. Só quando começaste a mudar é que decidi aproximar-me. Isso diz-te alguma coisa?
Cristina manteve-se calada e pensativa durante bastante tempo a ponto de eu próprio ficar muito intrigado com a sua fisionomia que ia mudando de apreensiva para uma espécie de satisfação íntima. De repente, olhando para mim com uma aparente paz e felicidade interior, perguntou:
– Acha que me faz algum bem imaginar que grande parte dos modelos por mim copiados, são o pessimismo Acredita-Bdo meu pai e as preocupações exageradas da minha mãe com as opiniões dos outros?
Apanhado de surpresa e antes que pudesse formular uma resposta coerente, os pais da Cristina entreolharam-se e responderam quase em uníssono:
– Já tínhamos pensado nisso mas esperávamos que fosses tu a falar nesta hipótese depois de a consciencializares. As leituras ajudaram-nos muito. É por esta razão que temos imenso empenho em aprofundar ainda mais os nossos conhecimentos sobre o comportamento humano.
Perante o ar de imensa satisfação da Cristina, os pais mostraram desejo de discutir muitas mais situações imprevisíveis mas possíveis como se de uma salvaguarda se tratasse: um «seguro» para o caso de um possível Depressão-Bcomportamento inadequado. Não fosse o diabo tecê-las e a filha ser futuramente inculpada de «negligência» ou «ignorância» como acontecia com eles.
Fiquei ainda mais sensibilizado quando o noivo da Cristina exclamou com um ar muito prazenteiro:
– Tanto quanto consegui apreender das ideias aqui discutidas, as crianças têm de fazer uma aprendizagem prática de resolução de conflitos e ultrapassagem de frustrações tirando o melhor proveito possível da situação. Devem ser encorajadas e reforçadas pelos pais que também devem servir de modelo de imitação e identificação. Pelo que consigo observar, a Cristina tem um belo modelo de identificação de um casal que apesar de toda a sua falta de conhecimentos inicial soube neuropsicologia-Bactualizar-se e superar as dificuldades que foi sentindo.
Ninguém respondeu. Assim, de discussão em discussão, durante alguns fins-de-semana em que fui convidado a almoçar com a família da Cristina, passaram-se mais alguns meses até que a Cristina e o noivo decidissem que estavam aptos a enfrentar as dificuldades inerentes à constituição de uma nova família.
A minha missão de psicólogo dissimulado ou clandestino a fazer psicoterapia ao domicílio, embora com muitas horas de trabalho, estava concluída ao fim de dois anos e meio, ficando sempre disponível para o futuro, em caso de emergência.
O que mais me interessou em todo este convívio humano foi a possibilidade de difundir a ideia de que, em Difíceis-Bcaso de descompensação, ainda que pontual, esporádica ou temporária, a leitura de obras adequadas em momentos oportunos para efectuar uma profilaxia é muito mais vantajosa do que apenas uma psicoterapia posterior. São inúmeras horas de consulta e muitos meses ou anos de sofrimento que se poupam, sem contar com dispêndios financeiros mais elevados, além de prejuízos profissionais e sociais.
É por isso que a minha insistência na profilaxia não vai esmorecer, tanto mais que, neste caso, foi possível em relação a uma futura família.
Cristina casou-se no terceiro aniversário do dia em que iniciei com ela a primeira conversa informal.
Ou seria, de facto, psicoterapia?”Psi-Bem-C

O que se passou com a JOANA, também é elucidativo. É o resultado de mais de 10 anos de consultas com crianças e seus pais que tiveram de compreender que muitos dos seus comportamentos eram a causa de reacções que eles achavam inadequados nos seus filhos.
Tudo o que se pretende realçar, não tem coisa alguma a ver com uma dimensão de civilidade e etiqueta mas sim a das contingências de causas para os efeitos sobre o comportamento de todos.
Também a oportunidade e a adequação dos nossos actos podem alterar muitas coisas no caso de haver uma compreensão e percepção pouco vulgar de quem recebe a «educação».Saude-B
Por isso, se frisa muitas vezes a importância do reforço vicariante. Além dos meios social e familiar, os da comunicação social são um óptimo incentivo de fomentar esse reforço – para o bem e para o mal.

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8 thoughts on “«EDUCAÇÃO»

  1. Anónimo on said:

    Estou a começar a consultar este blogue e gostei deste poste. Vou ver mais alguns para me familiarizar com a psicologia que é apresentada cá da maneira mais simples com exemplos do dia-a-dia. Parabéns pela iniciativa. Vou ver também os livros.

  2. Anónima on said:

    Este poste está a ajudar-nos a ter uma ideia da educação diferente daquela que tínhamos.
    Eu julgava que ser educado era «bem educado» ou «civilizado» ou «cortês».
    Agora, com a leitura de outros postes, vim a descobrir que ser educado é aprender a ter uma maneira de ser.
    É aquilo que orienta os nossos comportamentos.
    Não tem nada ver com boa ou má educação que é sempre educação.
    Vá ajudando as pessoas a reflectir.
    Obrigada pela ajuda.

  3. Vi este poste que me ajudou a descobrir outros onde fala na modelagem, identificação e reforços. Gostei de todos.
    Agradeço que me envie pelo correio os livros “Joana a traquina ou simplemente criança?” e “Como Educar Hoje” para o endereço que enviar para o seu e-mail em nome de LNPD.

  4. Os nossos conversadores acharam este poste muito interessante e capaz de abrir os olhos a muita gente.

  5. Anónimo on said:

    Embora compreenda o que está escrito neste poste, custa-me aceitar que só a educação possa provocar dificuldades na maneira de ser do indivíduo, segundo parece dizer.

  6. Anónima on said:

    Só agora, depois de ler muitos dos postes deste blogue é que estou a compreender o que quer dizer com «educação».

  7. Anónima on said:

    Estamos de férias e aproveitámos o dia de chuva para consultar este blogue de que gostámos imenso, especialmente deste poste.
    Estamos a compreender melhor que «educação» não é somente dizer “muito obrigado”, “peço desculpa”, “com licença” e outras expressões muito civilizadas.
    Parece que quer dizer que é formar a personalidade ou o carácter duma pessoa.
    É aprender a ser gente de bem (ou de mal?).
    Tudo depende disso e se o mundo anda mal é porque a educação anterior ajudou nisso.
    Agradeço que me mande pelo correio o livro da Crstina para o endereço que vou indicar no e-mail. Obrigada.
    Anónima

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