PSICOLOGIA PARA TODOS

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RESPOSTA 1

Há dias, quando estava a tomar a bica, uma senhora aproximou-se de mim, pediu para se sentar e disse-me que uma pessoa Saude-Bminha conhecida a tinha aconselhado a falar comigo e a expor rapidamente o caso da filha, pedindo um conselho:

A minha filha de 10 anos, devido à situação de crise, deixou de estar num colégio particular e passou a frequentar uma escola oficial. Agora, tem tido bastantes problemas, especialmente porque está a crescer, os colegas são «mais brincalhões» e ela está a entrar na puberdade com todo o corpo a transformar-se. Também em tempos, deu uma queda quando estava a andar de cavalo e ficou com a cara ferida no lado direito, sentindo necessidade de usar chapéu de aba larga, e puxar o cabelo para cima do lado direito da cara. Não sei o que devo fazer neste momento porque ela quase não Biblioquer ir à escola e eu não tenho possibilidades de a matricular de novo num colégio particular.

Como eu não tinha muita disponibilidade no momento, não podia dar uma resposta curta e desejava que também outras pessoas conhecessem a minha resposta, lembrei-me da resposta dada a um comentário em 19 de Junho no  post «EDUCAÇÃO». Além disso, a reportagem da TVI, ontem à noite sobre a «A raíz do Medo», não me elucidou coisa alguma sobre a substituição de sintomas ou efeitos colaterais (F).
(Ver o post LIVROS DISPONÍVEIS)

Por este motivo, este post começa com a resposta que dei à senhora:mario-70
Neste momento, tenho dificuldade em lhe dar uma resposta que será dada no meu blog dentro de uma semana. Não vou dar qualquer conselho porque não desejo que fique dependente de mim ou de mais alguém no futuro. Eu ajudo as pessoas a pensar e a decidir por si. Dou indicações e ajudo a tomar uma decisão. É por isso que mantenho este blog. Consulte-o e leia pelo menos aquilo que diz respeito ao «reforço». Pelos títulos dos posts, chega lá.

A senhora agradeceu e foi-se embora, aparentemente, não muito satisfeita nem convencida, mas eu fiquei satisfeito por não deixar a pessoa «agarrada» a conselhos que nem sempre são saudáveis.Consegui-B

Abordando agora a questão, posso dizer que é bastante natural que a criança se tenha ressentido com o novo ambiente escolar que é, geralmente, menos «delicado» do que o de um colégio particular.

Se não houver qualquer modelagem e identificação com as figuras parentais em relação à situação da escola (os pais também podem ter estado numa escola particular, ter preconceitos contra as escolas públicas, ou desejarem tê-las frequentado, proporcionando à criança reforço vicariante negativo) a criança pode sentir-se punida.
Depende dos pais «apoiarem» inconscientemente a mágoa da filha, proporcionando-lhe reforço vicariante. Se assim for, é bom Maluco2que os pais aprendam a utilizar o reforço do comportamento incompatível para aliviar as mágoas da criança.
Não poucas vezes, esses «defeitos» na educação podem ser o início de um comportamento inadequado futuro. Não se consegue compreender qual a razão de dificuldade em aceitar, sem sofrimento interior  um ligeiro ferimento na face direita devido a uma queda de cavalo. Tornar a face mais apresentável e não a desejar desfigurada,é absolutamente aceitável, mas sofrer imenso com isso, não é muito saudável. Contudo, isso pode acontecer se os pais também ajudarem a «consolar» a criança e a «sofrerem» com ela. O melhor seria, utilizar o reforço do comportamento incompatível, ajudando a criança a melhorar o aspecto com simplicidade e sem muita preocupação com isso. Este procedimento até a ajudará a aprender a enfrentar quaisquer contratempos futuros.Psicopata-B

Tanto no caso concreto, como no da resposta dada ao comentário anterior, posso reiterar a minha ideia de que a «educação» é o que se pode fazer com esta criança ajudando-a a enfrentar e ultrapassar as dificuldades «normais» da vida. Por isso, além da acção competente (ou incompetente) desenvolvida pelos terapeutas, o apoio (ou desapoio) dado pelos pais é de extrema importância. É, muitas vezes, isso que falha e que prejudica o bom resultado possível em alguns casos como se vê nos trechos do livro NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I) que vão ser transcritos:

“Sendo mais frequente a utilização da Escala de Wechsler para a avaliação das funções cognitivas, o perfil seguinte, de um neuropsicologia-Brapaz de 15 anos de idade, a frequentar o 8º ano de escolaridade obrigatória, pode indicar tendência para a disfasia:
….
“Neste caso, deveria ter sido efectuado, em princípio, um despiste neuropsicológico de disfasia…

“Muitas vezes, como poderia ter acontecido com este rapaz, o facto de ter um QI total ou global de 96, um QI de verbalização de 101 e um QI de execução ou performance de 91, leva os pais a julgarem que tudo está bem e que não é necessária qualquer acção correctiva ou supletiva. É uma ilusão temporária que, muitas vezes, após a conclusão do Joana-Bsegundo ciclo, se torna a causa principal do insucesso a partir do 7º ou 8º ano da escolaridade obrigatória. Não se liga importância aos défices na leitura, escrita, desenho, educação musical e trabalhos manuais, julgando que o tempo irá colmatar as deficiências. Porém, estas vão-se avolumando à medida que o tempo passa e criam hábitos comportamentais difíceis de erradicar.
No caso citado, não houve por parte dos pais qualquer resistência em aceitar as deficiências apresentadas pelo filho. Porém, a reeducação, antes da citada avaliação, foi tão mal conduzida durante 3 anos, que ajudou a deteriorar as capacidades cognitivas, baixando para 96 o QI global, avaliado  em 112, cerca de 3 anos antes. Nesses 3 anos a reeducação da disfasia foi uma espécie de «brincadeira» que se efectuou 2 vezes por semana com um grupo de mais 4 crianças de nível intelectual bastante inferior ao do rapaz em questão. Quando, no 8º ano, teve apoio psicopedagógico Depressão-Bindividualizado, embora tardio, mas convenientemente orientado, as suas capacidades começaram a sofrer melhorias lentas mas seguras.
Passados 24 meses de reeducação, o perfil com notas da Escala de Wechsler,

“significando que se verificavam progressos embora com ligeira redução de algumas capacidades outrora mais desenvolvidas (os números entre parêntesis referem-se à avaliação antecedente).
A interpretação deste perfil exigiu que a estratégia de actuação se modificasse,

“Além disso, a avaliação da personalidade indicou redução de alguns problemas (sentimentos de rejeição, falta de Acredita-Bautoconfiança, percepção pouco adequada da realidade, dificuldades na interacção socio-familiar e na adaptação a situações novas), com aumento de outras características (aceitação do EU e autovalorização). Nestas circunstâncias, a psicoterapia é o apoio mais importante a ser dado no momento.

Com «anormalidades» nos resultados das provas de personalidade, a ajuda será dada exclusivamente por quem esteja habilitado a efectuar psicoterapia. O mesmo aconteceria se a criança apresentasse dificuldades no relacionamento interpessoal ou demonstrasse estar sujeita a conflitos intrapsíquicos. Como as provas de personalidade e de interacção social têm geralmente avaliações qualitativas, a leitura dos défices é diferente daquela em que os resultados se podem quantificar. Nestes casos, é imprescindível que o psicólogo se responsabilize pelo diagnóstico e pela Difíceis-Bsolução da situação deficitária.
Em qualquer circunstância, quer a avaliação seja quantitativa quer qualitativa, é indispensável saber qual a situação anterior à reeduc­ação ou apoio psicoterapêutico, para a comparar com aquela que se verifica alguns meses depois. Fica-se assim com a panorâmica geral da evolução do «caso».
“Quanto ao rapaz em questão, a avaliação de progresso ajudou a verificar que se devia reduzir o apoio psicopedagógico de duas para uma sessão semanal e iniciar-se o apoio psicoterapêutico sistemático uma vez por semana …”
(por causa da interacção com os pais).Psi-Bem-C

Depois da transcrição de alguns trechos do livro em questão, digo que não sou contra os conselhos e que também não me eximo de os dar quando necessário, aconselhando a senhora a consultar no blog todos os posts que referem a reforço (todos os tipos incluindo o reforço do comportamento incompatível), dissonância cognitiva, modelagem, identificação, efeitos colaterais ou secundários e profilaxia. Tudo isto não poderia ter sido dito no café nem às outras pessoas que consultarem este post.

Já leu os comentários?arvore

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual

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5 thoughts on “RESPOSTA 1

  1. Anónima on said:

    Li este poste e gostei imenso.
    Andei a passear por outros postes e fiquei confusa com aquela mãe de que se fala no poste “Consequências e Previsões”, de maio. Como é que uma mãe (ou um pai?), tem a coragem de meter numa máquina de lavar a roupa uma criança de um ano e tirar uma fotografia sem esperar quaisquer consequências funestas?
    O que é que a criança terá compreendido da situação, que sustos poderá ter apanhado e que comportamentos poderá ter no futuro?
    Compreendo perfeitamente a vossa preocupação de «educar» bem uma criança, sem lhe causar traumatismos desnecessários.

    • Registei o comentário de que gostei. Mostra que compreende bem o sentido da educação. Vou ter de responder em breve a uma pergunta que me fizeram acerca de uma criança pequena que se diz injustiçada em casa, por tudo e por nada. Diz a mãe que ela é muito mimada e que foi sempre superprotegida. A mãe gostaria de saber como lidar com a criança.

  2. Anónimo on said:

    Faço este comentário muito desencontrado porque não tenho outra alternativa de colocar esta questão.
    Ouvi hoje um psicólogo dizer, muito indignado, na TVI, em resposta a Barra da Costa, que os relatórios periciais que eles fazem são científicos e quase sem falhas.
    O que diz em relação a isto?

  3. Fiz o primeiro comentário deste artigo.
    Com uma notícia que deram na televisão, lembrei-me que a mãe desta menina pode até querer colocar a foto da filha na internet para ganhar algum dinheiro pela sua novidade.
    Há gente para tudo!
    Oxalá que isso não aconteça.

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