PSICOLOGIA PARA TODOS

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RESPOSTA 2

Também há uns dias, num dos posts, uma senhora anónima fez um comentário dizendo que não sabia como devia lidar com o neuropsicologia-Bfilho pequeno que se diz sempre «injustiçado». O rapaz acha que todos o criticam e que ele não faz coisa alguma bem-feita.

Comprometi-me a responder logo que pudesse, mas a minha preocupação e ansiedade em elaborar o novo livro sobre  NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I), transformando o conteúdo de três livros antigos num só, actualizando tudo e acrescentando matéria nova, concentraram totalmente a minha atenção nesta tarefa.
Esqueci-me de dar a resposta prometida até que cheguei a um caso que vai ser apresentado neste novo livro e que pode servir de exemplo porque não tenho quaisquer elementos que identifiquem e enquadrem a pergunta que me foi feita. Psicologia-BÉ tudo muito vago.

Tratando, antes do mais, da aludida criança, julgo que deve ter uma idade compreendida entre os 5 e os 10 anos. Sei que é filho único e a mãe acha que está a ser muito mimado.
A consequência pode ser, os pais lhe dedicarem, «eventualmente», atenção exagerada, «absorverem-no» muito e, às vezes, tentarem desculpabilizá-lo quando não devem. Além disso, que exemplos de comportamento são proporcionados pelos pais? Que tipo de interacção mantém entre si? Qual a família chegada que interfere na «educação» da criança? Quais os amigos ou companheiros com quem essa criança pode competir e interagir? Que reforços obtém com a sua intervenção?Interacção-B30
Tudo isto tem de ser tomado em consideração e, provavelmente, sem estes e outros elementos, bem explicados (racionalmente e não emocionalmente) as consultas de psicologia não darão o efeito desejado. Além disso, os pais estarão aptos e capazes de modificar o seu comportamento? Em que medida estarão decididos a «fazer os sacrifícios necessários» para ajudar o filho a «construir» a sua «maneira de ser»? Desde já posso recomendar que os pais consultem este blog e que, a partir da HISTÓRIA DO NOSSO BLOG, sempre actualizada, descubram e leiam todos os posts que se relacionam com modelagem, identificação, reforço vicariante, reforço do comportamento incompatível. Uma vez «entrados» nesta matéria, podem tentar modificar as Joana-Bcoisas por si próprios, fazer comentários, ou ir a uma consulta mais bem preparados e capazes de obter um bom resultado em pouco tempo.

O Antunes (B), logo que deu conta do caso, preocupou-se com a filha, ele próprio deu apoio psicopedadógico e, só com esta acção, conseguiu melhorar todo o ambiente familiar social e profissional. Mas antes, leu muito, conversou, discutiu e fez um profundo «exame de consciência».
No Sucesso Escolar (I), o Bosco aprendeu brincando mesmo depois de os pais se terem separado e ele ficar a cargo do pai. A Elsa, teve insucesso escolar e outras dificuldades por causa de problemas familiares. Quem mais precisava de Acredita-Bterapia eram os pais. Para imaginar como um comportamento inadequado dos pais pode originar uma «má educação», vamos transcrever um trecho do futuro livro:

“Elsa, de 13 anos de idade, foi à consulta de psicologia, por indicação expressa do Médico de Família e recomendação da sua Directora de Turma do 7º ano, devido ao insucesso no ano antecedente. Passara sempre de ano mas, nessa ocasião, não conseguira rendimento nas matérias escolares.
Quando mais nova, sofrera de enurésia e cleptomania e tinha medo do escuro. Nunca fora efectuada qualquer acção psicológica, mas as conversas com o Médico de Família e a pouca medicação que lhe era administrada, tinham suavizado as dificuldades que não se notaram até aos 12 anos. Contudo, aos 13 anos, o insucesso no 7º ano obrigou osPsi-Bem-C pais a tomarem medidas mais eficazes. O médico aconselhou a consulta de psicologia à qual se seguiu o exame de nível intelectual e a avaliação da personalidade.
Na primeira avaliação (A) com Rorschach, verificaram-se dificuldades no raciocínio, na imaginação, na formação da auto-imagem, percepção da realidade, resistência à frustração, adaptação a situações novas, interacção com figuras parentais e autovalorização, além de traços de imaturidade, inibição, infantilidade e fobia. A afectividade era coarctada e imatura. A criança tinha a sensação de ser rejeitada.
O relatório dizia que a identificação sexual era correcta e que existiam fortes traços de superprotecção materna. Em conclusão, embora as funções psicomotoras e cognitivas estivessem globalmente dentro da normalidade, apresentavam alguns défices específicos ligeiros, provavelmente devido a factores de personalidade. A recomendação para a Difíceis-Bresolução da situação, aconselhava psicoterapia ligeira, com necessidade de alteração da dinâmica familiar. Acrescentava ainda que era imprescindível proporcionar modelos de identificação e reforços adequados e que os familiares deveriam ser «aconselhados».
Nestas condições, tornava-se bastante útil não desprezar a oportunidade de modificar o meio ambiente que provavelmente fora a causa das dificuldades sentidas na infância. Nada se fizera nessa ocasião e tudo parecia estar resolvido (ou adormecido?). A mãe comportava-se de maneira insegura e desequilibrada, proporcionando à filha um modelo de identificação inadequado. Além disso, o pai alcoolizava-se cada vez mais, hostilizando a família a ponto de se tornar, por vezes, muito violento.
A mãe resolveu consultar de novo o psicólogo, visto que a professora, com um relatório e recomendações semelhantes, dizia Consegui-Bque o apoio psicopedagógico poderia não ser a técnica de recuperação mais eficaz. Como o pai não colaboraria em qualquer tipo de terapia, a mãe tinha de se desenvencilhar sozinha na resolução dos problemas familiares, resolvendo tudo de acordo com as suas disponibilida­des financeiras e tempo.
Com base no relatório psicológico e na consulta efectuada posteriormente com a mãe, verificou-se que existiam bastantes dificuldades na interacção familiar, originadas em grande parte no contacto da Elsa com os progenitores. O pai alcoolizava-se há cerca de um ano, mais do que anteriormente e tinha rixas com os colegas de trabalho (operários duma fábrica). A mãe sentia-se desorientada e preocupada com o emprego do marido, com as notas escolares da filha e até com a sua segurança pessoal. Tudo isto se reflectia na interacção social, degradando o relacionamento familiar. A modelagem que a mãe exercia na filha era muito grande, fazendo com que esta se Psicopata-Bmostrasse mais insegura e preocupada quando via a mãe desorientada.
O ideal seria efectuar apoio psicopedagógico semanal e/ou terapêutico com a Elsa e terapia conjugal semanal com os pais, além de terapia familiar mensal com todo o agregado familiar. Contudo, não havendo disponibilidade financeira, procurou-se minimizar o problema dando apoio mínimo à filha (uma vez de 2 em 2 meses, após as primeiras duas sessões) e apoiando a mãe em psicoterapia semanal. Esperava-se que uma melhoria na actuação da mãe exercesse acção positiva no comportamento da filha. A identificação era boa; por isso, alterando o modelo, a aprendizagem da filha melhoraria.
Durante as duas sessões realizadas inicialmente com a filha, procurou-se incentivá-la a «olhar para a vida» com mais realismo e menos infantilidade. Foi treinada a conseguir relaxar-se sempre que houvesse problemas em casa, visto que nadaMaluco2 de melhor poderia fazer. Se estivesse calma e atenta, poderia intervir em caso de necessidade de ajuda, para que a mãe não fosse maltratada pelo pai. Se não estivesse preparada, até ela sofreria as consequências. 
A mãe foi sendo submetida à terapia, fazendo sessões de relaxamento e regressão. Descobriu que o seu comportamento até à data poderia, em parte, incentivar o alcoolismo do marido, se bem que ele também demonstrasse ter problemas de comportamento que até aos 35 anos de idade tinham sido relativamente controlados. Nos últimos 3 anos o apoio psiquiátrico medicamentoso não surtira efeito.
Não sendo possível motivar o pai a colaborar na terapia ou no aconselhamento, a mãe foi treinada a seguir as técnicas de modificação do comportamento, tentando utilizar a extinção e o reforço do comportamento incompatível para modificar ligeiramente o comportamento do marido. Indicando-se os momentos mais adequados para isso, foi ajudada a Saude-Bvisualizar em sessões de relaxamento, as ocasiões conflituosas, aprendendo a manter a calma e a ignorar todas as provocações do marido. Só em último recurso, se necessário, fugiria de casa, para não ser agredida, tentando manipular antecipadamente a situação para evitar que chegasse a esse ponto. Teria de instruir a filha a colaborar com ela e a defender-se rapidamente do pai.
A reacção inicial do pai foi extremamente negativa, mas com bom treino, colaboração da mãe e ajuda da Elsa, a situação foi ultrapassada em pouco mais do que 7 meses. A filha passou de ano, tendo iniciado um curso profissionalizante. O pai reduziu o seu grau de alcoolismo e a mãe começou a sentir-se menos insegura. A segunda avaliação do nível cognitivo da Elsa, efectuada no final do ano lectivo com a Escala de Wechsler, indicava uma melhoria de 4 pontos em relação ao início da psicoterapia (passou de 96 para 100 no QI global, sem indícios de Imagina-Bdeterioração).
A avaliação da personalidade indicava como factores positivos: noção regular da auto-imagem, percepção adequada da realidade, força regular do EGO. Como factores negativos e ainda não resolvidos, apresentava coarctação e controlo afectivo, inibição, auto-desvalorização, falta de autoconfiança, necessidade de apoio e segurança e dificuldade na interacção com as figuras parentais. Nesta segunda avaliação tinham desaparecido as dificuldades na formação da auto-imagem, na percepção da realidade, na resistência à frustração e na adaptação a situações novas, além de traços de imaturidade, infantilidade e fobia.
A mãe continuou a sua psicoterapia nos dois anos seguintes, conseguindo recordar-se de episódios em que o pai dela batia na mãe e ela andava à sua procura visto a mãe ter fugido e estar escondida, mais do que um dia, em casa de vizinhos, tentando Depressão-Blivrar-se da violência do marido, enquanto alcoolizado. Fora desses momentos, este avô da Elsa era muito bom para a família e arrependia-se dos maus tratos que infligia aos seus.”
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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG – sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado. 

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2 thoughts on “RESPOSTA 2

  1. Anónima on said:

    Estou curiosa quanto ao conteúdo do novo livro A NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO. Será possível termos ums ideia antes de o mesmo seu publicado?
    E qual será a data da publicação?

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