PSICOLOGIA PARA TODOS

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RESPOSTA 16

Acabo de ler o seguinte comentário:Difíceis-B

“Já li vários posts porque o meu único filho de 20 anos está a fazer psicoterapia.
Há 3 anos começou a ficar com vários medos: sair de casa, viajar de avião, passar pelas pontes, estar em transportes públicos, estar numa sala de aula, etc. O curso superior está em banho-maria.
Não toma medicamentos a não ser os meus, em SOS.
A psicóloga com quem está há quase dois anos diz que ele tem de praticar o relaxamento ou relaxação. E quanto mais melhor, para tentar reduzir os medos dele.Psi-Bem-C
Eu tento quase obrigá-lo a praticar isso pelo menos à tarde ou quando for para a cama, mas ele perde tempo no computador e na internet e parece que não faz nada disso.
Há mais qualquer coisa que eu possa fazer?”

feito por uma anónima, no último post, e vou tentar dar uma resposta minimamente aceitável, baseada apenas na minha prática clínica.
A psicoterapia é um «tratamento educativo ou reeducativo da mente». Não se pode fazer com comprimidos, mas apenas com ideias «do próprio». O próprio tem de alterar a «sua mentalidade» para que todos os seus receios, anseios, Biblioideias, motivações, acções, etc.  possam ser modificadas para o seu bem. Ninguém mais pode fazer isso por nós.
O relaxamento, tal como a ginástica, têm de ser feitos por cada um. Também, na minha prática, aconselho que cada um faça um diário sobre os factos ou recordações relevantes. Quem mais pode saber aquilo que recordamos? Vamos contratar uma secretária particular e permanente, 24 horas por dia, para anotar aquilo que vamos ditar, dizendo o que recordamos ou revivemos?

Por isso, o trabalho tem de ser de cada um e quanto mais se trabalhar, melhor é o resultado. Dar comprimidos SOS pode não ser uma boa prática e conduzir a um reforço social negativo de razão variável (F), aumentando as dificuldades. mario-70Estar a exigir que faça o relaxamento, deixando a possibilidade de não o fazer, também pode criar a capacidade de desobedecer ou de sentir que pode fazer o contrário do que a mãe diz. Será esse um dos problemas do rapaz? Conseguir não fazer qualquer coisa para despertar a atenção dos pais? O que é feito do pai? A senhora não falou nele. Não colabora ou aceita tudo de boa vontade? Haverá dissonância cognitiva? (K). Compete à psicóloga aconselhar o que achar mais necessário conhecendo todos os meandros desta questão.

Por mim, posso dizer que é necessário que a situação de «não colaboração» dele tem de redundar em desagrado (F). Depende Acredita-Bmuito da utilização das técnicas de modificação do comportamento explicadas de forma sucinta, resumida e prática no livro da JOANA (D). É necessário ter em conta as atribuições (K) e a previsão dos resultados, porque pode haver falha na oportunidade e na escolha dos meios utilizados. O post «LIVROS DISPONÍVEIS» pode dar uma indicação da bibliografia necessária.

Nada mais posso acrescentar a não ser transcrever trechos do caso de Januário (L) que teve grandes desilusões durante muitos anos ao submeter-se à psicoterapia, psicanálise e medicação psiquiátrica para continuar tudo na mesma ou pior.Consegui-B
Depois de muita leitura e apenas com 1500 horas de relaxamento praticadas por ele todas as noites, conseguiu num único fim-de-semana, com 50 períodos de «conversa» e psicoterapia de profundidade, um alívio muito grande para os seus males de há mais de 20 anos.

 “No fim da sessão de terapia disse-me que estava a sentir-se bem consigo próprio, com uma grande capacidade de autonomia, autoconfiança e segurança pessoal. Sentia que era capaz de enfrentar as dificuldades que surgissem no futuro. Estava cheio de confiança e esperança.
– Então, não se esqueça de fazer relaxamento todas as noites – disse.”Maluco2
………………………………………………………
“– A divulgação pode ser feita quando quiser. Se no outro livro chamou Germana à minha mulher, neste, eu posso ser Januário. Pode também alterar ligeiramente as localidades para maior segurança. As informações serão dadas logo que possível. Esteja descansado quanto a isso. A auto-análise não prometo, mas vou fazer os possíveis. Quanto ao relaxamento todos os dias…
– Já trabalhou com a máquina de lavar louça? – perguntei.Psicopata-B
O Januário olhou para mim, desconfiado e perguntou:
– O que é que a máquina de lavar a louça tem a ver com tudo isto?
– Quanto tempo é que leva para a pôr a trabalhar?
– É chato mas não demora mais do que 5 minutos – respondeu.
– Mas se tiver só a louça do dia e não estiver muito suja, 3 minutos devem chegar – exclamei.
– E então?
– Do mesmo modo como põe a máquina de louça a trabalhar, levando um minuto para enxaguar os pratos, outro minuto para colocar a louça dentro da máquina e mais um minuto para tratar dos detergentes, etc., Depressão-Bleva 3 minutos para o relaxamento – disse.
– Que conversa é essa?
– Deita-se e prepara-se para dormir sentindo todo o corpo, não despendendo mais do que um minuto. Leva outro minuto para concentrar a atenção em cada um dos músculos do corpo e o terceiro minuto para afastar da mente todas as imagens evocando, se possível e desejável, uma única que lhe interesse no momento. É a ocasião ideal para carregar no botão e pôr a máquina (de lavar a louça) a funcionar! – exclamei.
– Ele vai agora ajudar-me mais vezes a pôr a trabalhar a máquina de lavar a louça! – exclamou a Germana.”Imagina-B
………………………………….
Quando na segunda-feira, estava a acabar (o original do livro), um expresso dos correios trouxe-me o que eu esperava (carta do Januário):
 
Caro amigo, se assim o posso chamar.
Quando chegámos a Monte Gordo, cerca das quatro da manhã, porque a estrada estava toda livre de trânsito maluco, tomei um banho quentinho e fui deitar-me. Como estava a lavar todo o corpo, lembrei-me, de repente, da máquina de lavar a louça. Fiquei bem disposto e pus-me a assobiar. Saude-BComo os filhos já estavam deitados e quase a ressonar, a Germana, estranhando o meu procedimento, aproximou-se e perguntou-me:
– O que é que se passa?
– O doutor falhou – disse eu.
– Em quê?
– Na máquina de lavar a louça.
– Como?
– Não é máquina de lavar a louça mas sim máquina de lavar o cérebro. Vou pô-la a funcionar Joana-Bimediatamente! – exclamei.
Ela riu-se da piada mas ficou muito admirada quando eu fui logo para a cama e entrei em sono quase profundo, com extrema rapidez. De facto, tinha conseguido entrar em relaxamento tão depressa como nunca antes acontecera. A partir daí, as imagens sucederam-se e não sei o que se passou. Só me lembro que me levantei de manhã, bem-disposto, satisfeito comigo mesmo e com uma vontade muito grande de lhe escrever. Uma voz dentro de mim parecia querer dizer: “Vá lá, escreve e diz aquilo que sentes. Os outros estão à espera dos resultados que Psicologia-Bobtiveste”.
Enquanto ouvia essa voz, fiquei um tanto triste e preocupado lembrando-me do «caso A» que o senhor descreveu sucintamente nas páginas 146 e 147 do seu livro HUMANISMO NA GESTÃO – eficiência e produtividade”. Se a senhora se suicidou, provavelmente, por falta de psicoterapia adequada e talvez quimioterapia exagerada, quantas pessoas não estarão também nas mesmas condições? Lembrei-me ao mesmo tempo do seu livro DEPRESSÃO? Não, Obrigado!” e ainda da sua conversa com Das Neves sobre este tema, no Verão de 1999, mencionada no livro dedicado à psicoterapia da Germana.” Interacção-B30

A toda esta transcrição, posso também acrescentar que não existe detergente algum que consiga lavar o cérebro, como muitas vezes é necessário durante a psicoterapia. Muitos pacientes podem desejar isso para não terem trabalho, mas a «disponibilidade mental» é indispensável e facilitadora de qualquer acção de reestruturação das cognições ou da consciência do indivíduo.
Tudo à custa do trabalho, prática e colaboração de cada um.

Já leu os comentários?arvore-2

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2 thoughts on “RESPOSTA 16

  1. Maria Correia on said:

    Boa noite Dr. Noronha

    Tenho dois sobrinhos, de 9 e 12 anos, que são irmãos. O mais velho, desde sempre teve um comportamento dentro dos parâmetros considerados “normais”. O mais novo, começou a falar correctamente muito cedo, utilizando sempre um vocabulário “caro”, bem diferente daquele próprio do seu agregado familiar.
    Começou também, desde muito cedo, a “amuar” de uma forma pouco comum: fica parado, sem falar, nem se movimentar, por vezes cerca de várias horas. Para estes amuos basta muito pouco, como uma simples brincadeira ou um não, mesmo dito calmamente. Por vezes, nem se consegue perceber o que aconteceu e ele também não diz, pois deixa de comunicar, verbal e fisicamente. Na escola assume este comportamento, com os professores, pois já teve dois. Tem os testes escritos todos correctos mas não participa em nada, ficando imóvel, durante horas se é questionado. Isto, como é óbvio, traduz-se na avaliação final, motivo pelo qual foi sugerido, pelo professor actual, que procurassem um psicólogo, principalmente porque, para o ano, ele vai entrar para outro ciclo, onde vai ter de conviver com vários professores.
    As conversas para tentar entender o que se passa, não são mais do que longos monólogos…
    Continua a assumir o mesmo comportamento, quer na escola, quer no meio familiar. A mãe foi recentemente chamada à escola porque ele estava de birra há várias horas. A recompensa foi sair mais cedo! Até ao momento nunca disse o que aconteceu. Quando tal acontece, em família, surgem logo as “brincadeiras/gozos”. Estas situações terminam sempre com o menino agarrado à mãe, a qual o coloca ao colo e lhe dá carinhos. O pai deixa sempre que seja a mãe a tratar do assunto e não se envolve. Julgo que cada um, embora de formas diferentes, vão reforçando este comportamento. Tentei chamar a atenção para esse facto (embora não saiba se estou certa) mas a opinião é unânime: “O menino ainda é tão pequenino!”
    Os pais ainda não recorreram a um psicólogo e não sei se pretendem fazê-lo.
    Porque gostaria de tentar ajudar a mãe a lidar com esta situação, agradecia muito um comentário seu sobre este assunto, bem como a indicação dos livros mais adequados. “A Joana” será uma das hipóteses?
    Obrigada
    Maria Correia

    • “Joana”, (D) seguramente, é uma das hipóteses. Além disso, agradeço que consultem pelo menos os posts relacionados com dissonância cognitiva. Os comportamentos dos pais não me perecem consonantnes. Isto, além de criar na cabeça da criança uma confusão ou um conflito, pode ocasionar um modo de proceder errado com o reforço negativo obtido a partir disso. Quer ler o que passou com o Gelásio (N) na segunda parte do livro “«Molhar» a cama…”? O mesmo aconteceu com o Júlio (E). A sua perda de ano foi um «castigo» dado por ele aos pais por aquilo que ele sentiu, percebendo mal a situação do momento. A Cidália (C) também se desorientou com o comportamento dos pais. Os erros ou enganos iniciais pagam-se muito caro no fim. Quando tiver tempo e disponibilidade, vou ver se consigo dar uma RESPOSTA melhor. D iria mais que é bom escrutinar o comportamento/interacção da mãe/filho.

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