PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

ACONSELHAMENTOS 3

mario-70Uma senhora que já me conhecia há algum tempo, perguntou-me o que devia  fazer para se sentir um pouco melhor do que se sentia no momento.
Ainda nova em idade, tinha vindo duma terra próxima de Viana do Castelo para Lisboa a fim de acompanhar o marido, colocado na capital. Enquanto viviam cá, quando soube que estava a ter um surto maligno no seio esquerdo, descobriu que o marido a traía com outra mulher. Passado algum tempo, o marido teve de prestar serviço no Porto. Continuando ela em Lisboa, soube que o marido tinha voltado a ser infiel, ao mesmo tempo que descobria ter outro tumor no pescoço.
A senhora não sabia o que fazer e sentia-se desorientada.Biblio
Poderia ter alguma ajuda em psicologia?

Perante este cenário, apenas posso dizer que sofrer de doenças malignas já é um fardo muito grande, mas que não pode ser tratado em psicologia. Complicar a situação com a traição do marido, é ainda pior.

Enquanto a primeira situação necessita de intervenção médica, a segunda só pode ser resolvida com uma intervenção legal ou aceitação da situação, sendo qualquer das duas hipóteses capaz de provocar sentimentos de inferioridade, depressão ou frustração.Psicologia-B
Enquanto na saúde física nada mais se poderá fazer a não ser um tratamento médico, na instabilidade ou reacção psicológica, a única técnica capaz de ajudar a ultrapassar a situação é a do reforço do comportamento incompatível. Tomar medicamentos para os possíveis sintomas de depressão, apenas proporcionará reforço secundário negativo aleatório que irá provocar a dependência dessa terapia medicamentosa que aliena, vicia e deixa a pessoa «sem vida própria».  
Para isso, se não existir um apoio directo dum psicoterapeuta, torna-se necessário ler bastante, praticar o relaxamento (B/37-55) com os procedimentos consequentes e tentar fazer uma psicoterapia sozinha tal como aconteceu com o Antunes ou com pouca intervenção do terapeuta tal como fez a Cidália (C).Consegui-B

O essencial é criar, com a prática do relaxamento, uma disponibilidade mental bastante grande para:
▫ recordar todos os bons momentos vividos sem a companhia do marido;
▫ recordar as dificuldades que foram ultrapassadas com êxito;
▫ descobrir e praticar actividades novas que dêem satisfação;
▫ pensar em tudo o que é bom e que pode fazer no futuro.

O importante é ocupar todo o tempo e o pensamento em coisas que não tenham a ver com as dificuldades Acredita-Bactuais que terão de ser passadas, forçosamente, com a medicina e a justiça. Por isso, para não se preocupar em pensar no que é desagradável, ocupar o tempo e o pensamento com coisas agradáveis. É nisso que a prática do relaxamento ajuda e que não pode ser feito por mais ninguém a não ser o próprio, mesmo que haja uma ajuda esporádica dum psicoterapeuta.

Para elucidar melhor esta técnica, vou transcrever algumas páginas do novo livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F):

“Um outro «caso» pode ser ainda mais elucidativo porque envolve uma «doença incurável». Filomena era uma senhora de 50 Interacção-B30anos, muitíssimo divertida e a principal animadora de todas as festas em que participava. Os seus amigos disputavam-lhe a companhia deliciando-se com as histórias e anedotas que ela contava, com gosto e entusiasmo. Pouco antes do seu 51º aniversário começou a ter dores horríveis no estômago. Foi ao médico que a mandou fazer, de imediato, exames complementares de diagnóstico que indicaram neoplasia maligna no estômago, sem possibilidades de quimioterapia satisfatória ou intervenção cirúrgica. O prognóstico foi de mais 3 a 6 meses de vida. A única solução era obter algum alívio medicamentoso para as dores e apoio psicológico, se possível.
Perante esta situação extrema, o psicólogo verificou que a única solução possível era o reforço do comportamento incompatível. Maluco2Aconselhá-la a conformar-se com a doença ou a pedir a Deus que a ajudasse no seu sofrimento seria de pouca utilidade. Fazer com que ela racionalizasse que todos iremos morrer um dia e que tinha chegado o seu momento de deixar este mundo, também era pouco estimulante.
Contudo, fazendo um historial do seu passado, a senhora tinha tido uma vida cheia de amigos, além de três filhos já casados com quem se dava muito bem e que viviam a sua vida confortavelmente. Ela tinha sido positivamente reforçada por tudo isto.

Pensando bem neste assunto na sua totalidade, o psicólogo formulou a hipótese terapêutica de que a Filomena não podia pensar na sua doença enquanto estivesse a recordar esses momentos agradáveis do passado. Por isso, tinha de utilizar o reforço Psicopata-Bdo comportamento incompatível, tanto mais que ele próprio estava habilitado a utilizar a técnica da hipnose e a paciente tinha tempo mais do que suficiente para praticar o relaxamento e a auto-hipnose em casa.
Marcou duas sessões por semana e tentou treiná-la, imediatamente a relaxar-se para conseguir minimizar as dores. Treinou-a a induzir o estado de auto-hipnose e deu-lhe uma sugestão pós-hipnótica neste sentido. Começou por a ajudar a entrar em regressão, recordando os momentos agradáveis da sua vida. Eram as festas, o convívio com os amigos, o nascimento dos filhos, os estudos deles e os seus namoros e casamentos, os netos, a convivência com o marido, etc. Tudo servia para ser realçado nas sessões que fazia e nas quais o psicoterapeuta dava a sugestão pós-hipnótica de que estas cenas seriam recordadas logo que iniciasse o relaxamento em casa.Psi-Bem-C

Ao fim de um mês, a Filomena entrava no consultório a sorrir, saía bem disposta, acordava entusiasmada mas ficava um pouco triste durante o dia quando as pessoas amigas a tentavam «consolar» falando-lhe na doença que o psicólogo «ignorava» completamente como se a desconhecesse de todo ou não tivesse muita importância. A conselho do psicólogo, a família utilizava este procedimento e tentava afastar a Filomena dos amigos que lhe recordavam a doença a cada passo. Filomena ainda viveu quatro meses com menos angústia do que se fosse «consolada» como quase toda a gente costuma fazer. É pena que nem todos conheçam como utilizar esta técnica tão simples quanto eficaz, inócua e segura.Difíceis-B
Mesmo que não houvesse qualquer sugestão pós-hipnótica, bastaria apenas o não afloramento dos «consolos» e «conversas racionais» e, às vezes, «caritativas» dos familiares ou amigos, acerca da doença. Era necessário falar em tudo menos na «doença». Era uma boa ajuda que lhe poderiam dar.

Acerca desta técnica, também vamos transcrever o relato duma «paciente», a Cidália, citada no livro Eu Também CONSEGUI!,  que descreve a sua psicoterapia feita com muito empenhamento seu e pouca ajuda do psicólogo (C/123).Depressão-B

“Na noite seguinte, lembrei-me da minha própria vida que mais parecia uma empresa por falir mas que já tinha retomado o rumo devido. Durante o dia, tinha lido alguns exemplos do reforço do comportamento incompatível (F). Lembrei-me do Sr. Antunes e do psicólogo que me indicavam o caminho a seguir e insistiam na minha colaboração e prática do relaxamento sem nunca me desculpabilizar ou deixar arranjar justificações para os meus insucessos. Em todas as situações de fracasso, eu tinha de descobrir aquilo que tinha corrido mal para enveredar por um caminho novo e mais certo do que aquele que percorrera. Eles falavam-me só naquilo que eu, de facto, deveria fazer para enveredar por um caminho correcto e mais «sorridente». neuropsicologia-BEnquanto falavam nisso, eu não podia pensar nos meus insucessos. Quando lhes ia contar um insucesso, mudavam a conversa para aquilo que eu deveria fazer. Como não podia pensar nas duas coisas ao mesmo tempo, só conseguia pensar naquilo que eles diziam que devia fazer. Lembrei-me de conversas que tinha tido com o Sr. Antunes e quis verificar a veracidade do que estava a pensar.
 
*****
“Quando falei no Sábado com o Sr. Antunes, logo de manhã, para lhe dizer que me sentia «um pouco em baixo» por causa do trabalho que estava a fazer sobre os gestores e que me apetecia tomar uns comprimidos, pareceu-me que Joana-Bele tinha ficado muito preocupado porque vociferou:
– Estás maluca?
A seguir, deu-me uma curta «seca» acerca dos malefícios da «droga». Foi como se tivesse levado um «murro na boca do estômago e um forte pontapé no rabo» contra o que nada pude fazer, mas que me estancou e projectou para caminho diverso daquele que eu estava a enfrentar. Mas depois, «vendo-me prostrada no chão e no sentido que ele desejava» deixou-me falar, ficando completamente em silêncio durante todo o tempo, sem interromper uma única vez. Quando lhe perguntei se me estava a ouvir, respondeu com algumas perguntas que me foi fazendo sobre o mestrado e não sobre as minhas «desgraças». As perguntas exigiam de mim respostas
Organizar-Bconcretas e circunscritas às mesmas, sem divagações:

– Já te aproveitaste de todas as fontes possíveis?
– Consultaste a INTERNET?
– Fizeste todas as entrevistas necessárias?
– Quando é que tens de entregar o trabalho?
– Estás a descansar o suficiente?
Quando eu me «desviava» um pouco da resposta concreta ou «entrava» em qualquer justificação, ele interrompia com uma pergunta que me exigia resposta imediata e diferente da «conversa» que eu gostaria de ter e acerca da qual não tinha obtido uma resposta concreta mas sim um alheamento total. Por fim, recomendou que não me esquecesse de Respostas-B30continuar a fazer o relaxamento e praticar a imaginação orientada sem qualquer outra «variante».
Agradeci-lhe a boa vontade de me «aturar» e disse que seguiria os seus conselhos. Pediu-me, insistentemente, que lhe telefonasse no dia seguinte”.
***

Neste caso, as perguntas do Sr. Antunes foram os estimulantes e reforçadores do comportamento incompatível. Afinal, depois desta conversa, a Cidália não tomou os comprimidos, fez relaxamento e começou a sentir-se muito melhor do que anteriormente.

Já leu os comentários?arvore-2

Clique em BEM-VINDOS

Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

Anúncios

Single Post Navigation

4 thoughts on “ACONSELHAMENTOS 3

  1. Anónimo on said:

    Li este artigo e estou admirado com o que diz.
    Como é que posso fazer psicoterapia por mim próprio?
    Custa-me acreditar depois de ter consultado há anos uma psicóloga e de ter tido aconselhamento durante alguns meses para melhorar um pouco nas minhas ideias obcessivas.

    • Um destes dias vou transcrever em dois posts de «RESPOSTA» a “NOTA INTRODUTÓRIA” do livro “ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE!” em que tento explicar como estou e ajudar as pesoas em psicoterapia, que pode ser complementada ou feita pelo próprio.
      Seria bom que lesse também o livro “EU TAMBÉM CONSEGUI”

  2. Anónimo on said:

    Já viu os vídeos brasileiros sobre psicologia e psicoterapia que são apresentados nos programas de Flávio Gicovate?
    Podia fazer um programa semelhante.

    • Julgo que existe um programa chamado “No Divã de Gicovate” ou coisa semelhante, mas não prestei atenção ao mesmo.
      Se tiver tempo e paciência, depois de o ver posso dar uma resposta com um novo post relacionado, à mesma, com “ACONSELHAMENTO”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: