PSICOLOGIA PARA TODOS

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TRAUMATISMOS

Quando me desloquei eventualmente de comboio a Lisboa, encontrei uma pessoa há muito conhecida que me abordou e, entre Saude-Boutras coisas, disse-me que tinha lido o meu último post.

Estava admirado com a importância que eu parecia dar aos pequenos revezes que vão acontecendo na vida, classificando-os como causas ou origem de possíveis futuros problemas neuróticos.
Não conseguia compreender essa minha preocupação, tanto mais que eu estava habituado à psicoterapia há mais de 35 anos.
Respondi-lhe, tanto quanto foi possível, que essas eram, muitas vezes, as infecções que passavam despercebidas e que não são tratadas oportunamente, podendo dar origem a um mal maior, passados muitos anos. Tudo Bibliodependia das circunstâncias ou das contingências.
Ia falar-lhe nos meus três posts sobre Risco de Suicídio”, de Maio de 2011, quando o comboio chegou ao Rossio e não houve tempo para mais conversas. Entretanto, comprometi-me a clarificar a minha ideia com um novo post, exclusivamente destinado a ele, englobando os posts mencionados.

Por acaso, quando estava a reorientar e a reagrupar o livro “Como «EDUCAR» Hoje” como um dos casos do novo livro “PSICOTERAPIAS BEM SUCEDIDAS – 3 casos” (L), deparei com as páginas (86 a 90) dos últimos capítulos do livro antigo que me pareceram mais adequados para a resposta que queria dar.

Por isso, vou transcrever as partes desses capítulos que me parecem as mais importantes e que são:mario-70
TRAUMATISMOS e
O NAMORO DA CRISTINA
“Fala-se muitas vezes de traumatismos ou de situações traumatizantes, sem a noção exacta do que isto significa. Por exemplo, há pessoas que perguntam se os filhos não ficarão traumatizados com um exame psicológico.

Um simples exame psicológico pode ter tanto de traumatizante como, por exemplo, uma viagem efectuada com atraso. Imagina-BSuponhamos que os pais aceitam com a maior naturalidade um exame psicológico e levam o filho a um psicólogo para que este faça uma avaliação, diga quais os pontos fortes e fracos do rapaz e dê a ajuda necessária para que ele possa melhorar as suas aptidões que se encontram mais reduzidas. Este exame nada tem de preocupante e supõe-se que o rapaz também deve encará-lo com naturalidade (G).

Mas vamos considerar outra hipótese. Os pais ou familiares que têm medo de exames psicológicos, ou porque lhes incutiram ideias absurdas acerca dos mesmos ou porque os imaginam de forma irrealista, tentam «preparar» o filho para o «tal» exame. Imaginemos até que lhe dizem que o exame é para seu bem, que não faz diferença ter provas más, que não deve ficar nervoso, que não terá de se afligir ainda que as provas indiquem qualquer deficiência, tudo Acredita-Bisto num clima de grande tensão emocional. Quase de certeza, o filho irá bastante «nervoso» para o consultório ou gabinete de psicologia e é muito natural que isso se reflicta no resultado do exame. Se existir um «medo» anterior às provas (G/31) que obrigue a criança a não se separar dos pais para a realização das mesmas, os resultados do exame indicarão pelo menos ligeiras dificuldades na personalidade, com a constatação das deficiências que podem ser traumatizantes, depois de tudo o que se passou.
………………………………….

Em qualquer destes dois casos, verifica-se a existência de uma excitação emocional bastante grande, além de uma situação desagradável. Quando não existem estas duas condições interligadas, o traumatismo é menor ou quase Consegui-Binexistente. Enquanto no caso do exame psicológico foram os pais que excitaram emocionalmente a criança, ajudando-a a prestar más provas e a ficar com os resultados distorcidos, no segundo, quer o chefe quer a própria situação de constante contrariedade, ocasionaram excitação emocional associada a um resultado pouco satisfatório.
………………………………
O caso do Joel, descrito em PSICOPATA, Eu? (G), é muito elucidativo. Numa das sessões de verbalização de cenas ansiogénicas lembrou-se do tempo em que nenhum colega queria brincar com ele, sendo obrigado a entreter-se com um cão que passou a ser o seu melhor amigo. Passou então a julgar-se feio e rejeitado tanto pela Maluco2mãe como pela avó… quase ninguém o ia visitar ao colégio.” “Duas ou três sessões depois dessa, começou a evocar a cena do colégio sem ansiedade e a ter comportamentos totalmente diferentes para com a noiva, dando-lhe liberdade de acção e começando a aceitar as suas opiniões.” (G/26…)

Esta transcrição dá-nos a ideia da maneira como o traumatismo pode ser ultrapassado, mas é indispensável conseguir localizá-lo e relembrá-lo, sendo para tanto imprescindível a colaboração do paciente. Porém, enquanto alguns traumatismos se conseguem recordar com facilidade, outros, só numa acção terapêutica e analítica podem ser descobertos ou inferidos.Psicopata-B
…………………………………….

Realcei que quase todas as pessoas procuram os psicólogos, geralmente, com grandes expectativas. Imaginam que devem chegar ao consultório, «relatar» pormenorizadamente a sua «desgraça» e esperar toda a compreensão e apoio, além de conselhos favoráveis que as ajudem a alijar-se do «fardo» que carregam. Algumas vezes é isso que acontece, o que ajuda a continuar e até a aumentar o comportamento anteriormente descrito pelo «paciente» com todas as justificações arquitectadas através dos seus mecanismos de defesa. Isto pode deixar o paciente na dependência do psicoterapeuta que é por ele constantemente consultado até em horário impróprio Psi-Bem-Ce fora do consultório. Infelizmente, o «paciente» pode gostar desta situação porque tem um ombro amigo onde possa apoiar a cabecinha para carpir as suas mágoas, cada vez maiores e ouvir umas palavras simpáticas e de consolo. Com tudo isto, o «paciente» pode ficar cada vez mais «aliviado» com o reforço negativo que recebe nesta situação e «viciado» na «psicoterapia» (ver caso do Januário). Outras vezes, o psicólogo tenta contradizer o «paciente» e fazer-lhe ver que o seu comportamento está errado e é a causa principal das dificuldades do momento. Neste caso, muito frequentemente, o «paciente» não aguenta a situação e foge do psicoterapeuta «que não o compreende». Apesar disso, esta última situação, embora desnecessária, não deve fazer com que um psicoterapeuta honesto se sinta culpado porque está a ajudar o «paciente» a não desembolsar o dinheiro de Difíceis-Bconsultas que agravariam o problema se procedesse como no caso anterior, apesar das despesas inerentes.

Entretanto, a posição mais equilibrada é a de aceitar inicialmente, com neutralidade, a história sucinta dos problemas do paciente e arquitectar uma estratégia que o possa ajudar a livrar-se das dificuldades compreendendo a situação que vive e, possivelmente, a sua génese. Para tanto, falando sob um ponto de vista figurado, o psicoterapeuta tem de ser um iluminador, orientador e facilitador do «paciente» para que este possa penetrar calma e seguramente no «arquivo de documentos» da sua vida pessoal que ficaram guardados «no sótão, na cave ou em qualquer local muito esconso de cada um» onde nunca mais essa pessoa entrou e onde podem existir também muitas outras coisas que não têm qualquer interesse ou relevância no momento, mas são boas e Depressão-Bagradáveis para o próprio.

Enfim, a psicoterapia não é mais do que um processo reeducativo que, além da competência, exige honestidade, bom senso, calma, racionalidade, vontade e capacidade de análise do passado para reconhecer os erros e tentar modificá-los. E isto, só se consegue com muita paciência, persistência, perseverança e uma pontinha de «ingenuidade».
– Quando expõe assim o seu conceito de psicoterapia, falando também de forma figurada, quer dizer que se a pessoa encontrar no seu «arquivo» um «documento» em que descobre que queria ser melhor e não conseguiu, pode acabar por «desenterrá-lo» ou reavaliá-lo e tentar concretizar esse projecto? – perguntou-me subitamente a Cristina que Joana-Bme ouvia com muita atenção.
– Absolutamente – respondi e acrescentei – É assim que procedem as pessoas motivadas para o sucesso.
………………………………………………

Aproveitando a oportunidade e percebendo perfeitamente a sua intenção de me pedir a «receita» sem dizer que era para ela própria a poder utilizar de imediato, fui-lhe explicando o modo como deve proceder uma pessoa que faz o relaxamento e a auto-análise (G/83-108). Para ser mais realista, depois de atingir o grau em que a Cristina se encontrava, qualquer dos meus pacientes ou outra pessoa que tivesse a motivação para o sucesso deveria proceder em total colaboração com o psicoterapeuta.Depress-nao-B
Adverti-a também que qualquer pessoa, pode ficar muito entusiasmada nas primeiras sessões, tentativas ou exercícios porque obteve algumas vantagens, benefícios ou melhorias, como no início da psicoterapia, e desencorajar-se logo em seguida porque as melhorias se tornam substancialmente menores e, às vezes, até têm o sabor a retrocesso. Contudo, é bom que o «paciente» insista mais algum tempo até verificar que existem ganhos embora sejam menores do que no início (B) (C) (E).
………………………………………………………..

Continuando o raciocínio e a explicação necessárias exigidas pela intervenção da Cristina, disse-lhe ainda que as pessoas que «Educar»-Bsão capazes de fazer relaxamento com facilidade, isto é, que na posição de sentadas ou deitadas, sentem o corpo e conseguem desligar-se de tudo, «deixando que as coisas aconteçam», quer permaneçam despertas ou a dormir, podem utilizar uma música do seu agrado, sempre a mesma, como sinal ou estímulo condicional para conseguir o relaxamento, sendo um procedimento muito simples.

Já leu os comentários?

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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4 thoughts on “TRAUMATISMOS

  1. Anónimo on said:

    Dr.Mario Noronha após ler atentamente o seu blog e de conhecer de perto e muito bem um dos seus pacientes.
    Gostaria se possivel que me desse a sua opinião sobre a seguinte situação.
    A pessoa em questão e muito nervosa chegava a te ter ataques de ansiedade em locais com muita multidão.E desconfiado e pouco dado mesmo aquelas pessoas que provam ser suas amigas.
    É possivel que esse jovem A faça um retrocesso no seu desenvolvimento psiquico /temperamental de tal forma que chegue a difamar quem o ama nao acredite nas pesssoas que nunca lhe mentiram mesmo que as mesmas tenham provas das falsas acusações?Só para se “proteger”?Quando me refiro a provas e a confissões das mesmas acusações .Será pelo seu estado evolutivo?Será que uma grande mudança na sua rotina o poderá a levar a mudar o seu comportamento que ate ao momento melhorava a olhos vistos(ex.ja andava de transportes,etc…) Quero saber para melhor compreende-lo e claro ajuda-lo como amigo mesmo que ele nao se queira deixar ajudar.Apenas por sim. Não haverá forma de o fazer reflectir doutor?Ao doutor ele ouve e entende que podera estar a errar. E que por vezes nao seria mau confiar. Em quem nunca lhe provocou dano algum.

  2. Anónimo on said:

    Sempre julguei que traumatismos eram coisas desagradáveis que nos aconteciam.
    Porém, lendo alguns dos seus artigos e especialmente este, julgo que fala em traumatismos positivos e negativos.
    Qual a diferença e porquê?
    Quais as implicações?
    Pode dar uma explicação sobre este assunto?

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