PSICOLOGIA PARA TODOS

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ENURESE 3

Para o comentárioSaude-B

“Estou com muitas dificuldades com o meu filho de 6 anos que começou a fazer chi-chi na cama há mais de um ano.
O médico dele diz que isso passará com a idade.
Como não posso contar com o pai dele que saiu de casa há 2 anos, haverá alguma coisa a fazer, já que os nossos serviços de doença, como diz o outro comentador, não nos ajudam devidamente?

de uma Anónima, feito em 9 de Julho no post Serviços de Saúde?, e a que lhe respondi imediatamente, pedindo, consultasse com cuidado todos os posts sobre ENURESE (o ENURESE 2 aqui, e este, anterior, ainda no blog antigo) e ENCOPROSE (sob esse título, mas também o ENCOPROSE 2), em ambos os blogs PSICOLOGIA PARA TODOS, faço este post, transcrevendo as páginas 49 a 54 do novo livro PSICOTERAPIAS DIFÍCEIS (M).

“O tratamento da enurésia pode ser efectuado através de treino com condicionamentos, medicação, psicoterapia ou com uma conjugação destas três componentes. Para compreender melhor toda esta situação que engloba, seguramente, uma família inteira, nada melhor do que passar em revista algumas investigações e experiências que Imagina-Btentaram desvendar as causas para depois se poder actuar na modificação dos seus efeitos desagradáveis.

A aprendizagem ou treino, delimitado pela área do comportamentismo, baseia-se essencialmente na resposta condicionada. Para tanto, utilizam-se aparelhos que aplicam um choque eléctrico muito fraco quando a criança começa a urinar e molha a cama.

Em 1930, J. Nye propôs o método da aprendizagem como forma de «cura» da enurésia. O equipamento a utilizar era uma esponja húmida colocada entre os ombros do paciente, ligada a um dos pólos de uma pilha que tinha o outro pólo ligado a outra esponja seca colocada na extremidade do aparelho urinário. Enquanto o paciente estivesse Consegui-B«seco», o equipamento não provocava qualquer sensação de desagrado mas, quando a segunda esponja fosse humedecida, o paciente acordava com um ligeiro choque eléctrico provocado pelo estabelecimento de corrente eléctrica entre as duas esponjas.

Em 1938, Mowrer propôs um equipamento mais refinado que se socorria da distenção da bexiga como sinal para acordar o paciente, que contrairia, deste modo, o esfíncter uretral no momento em que a capacidade da bexiga aumentasse. Assim, o equipamento incorporava uma faixa elástica que era sensível à distenção da bexiga até um certo ponto em que estabelecia a ligação eléctrica que tocava um besouro para acordar o Acredita-Bpaciente, a fim de o ajudar a contrair o esfíncter uretral.

Este equipamento foi posteriormente melhorado com a incorporação de um segundo sinal, associado à obtenção da satisfação após um comportamento adequado. O equipamento tinha igualmente um dispositivo que fazia tocar um besouro fraco durante um segundo, logo que a bexiga estivesse cheia e necessitasse de maior contracção uretral. Se, passado um minuto, a contracção não tivesse ocorrido, embora o paciente estivesse a dormir, tocava um segundo besouro que continuava a funcionar até ser desligado. Isto pressupõe que o paciente era acordado numa situação des­confortável de cama molhada.Psicopata-B

Outro método é a utilização de um cobertor eléctrico que faz soar uma campainha às primeiras gotas de urina no colchão. Embora este processo tenha dado bons resultados, as recaídas foram frequentes, para não falar dos casos em que a criança desligou o interruptor da campainha para continuar a dormir na cama molhada.

É o resultado da aprendizagem por punição que cessa muito rapidamente quando a punição é retirada. Em contraposição, o treino realizado com a gratificação continua por muito mais tempo, mesmo que esta desapareça.Maluco2

Em 1968, Broughton quis demonstrar que a enurésia é um distúrbio clássico do sono, tal como o sonambulismo, os pesadelos e o medo de dormir. Tudo isto ocorre no momento em que a pessoa acorda de uma fase de sono caracterizada no EEG por ondas lentas em que não existem sonhos. Pessoas com este tipo de distúrbios apresentam durante a noite, entre outras, diversas alterações fisiológicas que podem provocar a micção. A enurésia parece ser provocada no momento em que a pessoa acorda desse estado de sono sem sonhos. Estabelece-se então um estado de confusão e desorientação, provocando comportamento automático, reactividade relativamente baixa aos estímulos, resistência ao despertar, com amnésia retrógrada, originando contracções da bexiga Psicologia-Bidênticas às provocadas por situações de tensão.

Como a teoria da personalidade de Eysenck diz que as drogas que estimulam o sistema nervoso central facilitam e aceleram o condicionamento, efectuaram-se experiências de condicionamento com aingestão de dexedrina e metedrina. Embora os grupos de dexedrina e metedrina tivessem efectuado uma aprendizagem mais rápida, os grupos condicionados com droga, apresentaram uma taxa de reincidência maior do que a dos restantes pacientes, havendo mais reincidentes nos da dexedrina. Contudo, como as experiências eram efectuadas com crianças em situação de enurésia, vivendo num ambiente familiar tenso, Turner e Young verificaram que a variável mais importante da causa de todas as reincidências era a falta de cooperação dos pais. Dos casos estudados, 32 por Interacção-B30cento dos condicionados sem intervenção quimioterapêutica reincidiram, acontecendo o mesmo com 76 por cento dos condicionados com dexedrina. Estes resultados fazem supor que a aprendizagem não deve ser muito rápida (como com dexedrina), mas prolongar-se, com treinos, durante um período de tempo longo.

A medicação consiste essencialmente na utilização do clorodiazepóxido (sedativo). Quando devidamente acompanhadas pelo médico da especialidade, as crianças podem utilizar drogas anticolinérgicas tais como beladona, brometo de probantina, anfetamina, dexanfetamina, etc. Contudo, os resultados não são muito encorajadores. A utilização de antidepressivos, tais como a imipramina e a amitriptilina, também não apresenta resultados eficazes e duradouros quando não acompanhada de outras medidas psicológicas.mario-70

A psicoterapia por si só, embora necessária em qualquer tratamento da enurésia, também não se mostra um método seguro. Não basta compreender o mecanismo subjacente à enurésia. É necessário também que a criança seja capaz de dominar a situação e de controlar os esfíncteres. Esta é, às vezes, a tarefa mais difícil.

O tratamento da enurésia deve convergir na redução da tensão emocional subjacente à dificuldade, mais do que no sintoma em si, sugerindo que não deve ser dada qualquer importância apenas ao fenómeno enurético. Contudo, o condicionamento mecânico e a alteração do regime de alimentação, com limitação de ingestão de líquidos na parte Biblioda tarde e o acordar a criança de noite para ir à casa de banho, podem ajudar a interromper o círculo vicioso, desde que se dê à criança a oportunidade de ganhar confiança em si própria. Os pais não devem exercer a mais pequena pressão na criança, para que ela não sinta tudo isto como uma nova ameaça ou punição.

O melhor método parece ser a utilização combinada das várias técnicas, envolvendo o apoio total dos familiares, que constituem o meio ambiente mais próximo da criança. Se, em grande parte, a enurésia é ocasionada pela interacçáo com o meio ambiente, esse meio ambiente deve ser alterado, em primeiro lugar.

 Um testemunho vivo de que o meio ambiente é fundamental para a alteração da enurésia, é o «caso» que foi descrito numa Psicopata-Bcomunicação científica: O pinguim – enurésia.

António, de 7 anos de idade, era o filho mais velho de um técnico industrial e uma enfermeira. Desde o nascimento da irmã, três anos mais nova, começou por sofrer de enurésia nocturna que passou a ser cada vez mais frequente, além de se transformar, esporadicamente, em diurna. António dormia inicialmente no quarto dos pais mas, com o nascimento da irmã, os pais resolveram mudar-se para uma casa mais desafogada em que António pudesse ter o seu quarto. A bebé passou a dormir no quarto dos pais como tinha acontecido anteriormente com o António.

Logicamente, nestas circunstâncias, a atenção da mãe incidia muito mais na filha recém-nascida do que no António. Como o pai Depressão-Bestava muito tempo fora de casa à noite, em serviço, o António ficava também sem a escassa companhia que já tivera, do pai.

Começou a enurésia esporádica que se foi tornando cada vez mais frequente. O pediatra disse à mãe que devia ser uma reacção ao nascimento da irmã e que iria passar com o tempo. O melhor seria precaver a situação com fralda, já que a mãe não tinha muita disponibilidade para mudar constantemente os lençóis da cama por causa do trabalho que tinha com a outra filha.

A fralda começou a ser um hábito. O aspecto engraçado que o rapaz tinha quando a usava era motivo de brincadeiras da mãe Psi-Bem-Cque lhe chamava amorosamente “pinguim” com uma palmadinha no rabito por causa da figura ridícula que fazia com a enorme fralda que tinha de utilizar. A enurésia prolongou-se por dois anos, aumentando de frequência e intensidade a ponto de a urina ultrapassar a barreira da fralda e molhar os lençóis.

Na ocasião das férias grandes, uma tia convidou o António para sua casa durante uma semana. Embora essa senhora soubesse do facto, a irmã recomendou-lhe que não se esquecesse da fralda.

Como estava a ter algumas noções de psicologia, a tia tentou dar à criança o reforço do comportamento incompatível, isto é, reforçar todos os comportamentos relacionados com não molhar a cama, sem chamar a atenção para esse facto. Logo no primeiro dia, os seus dois filhos, cinco anos mais velhos do que o António, ajudaram-na a conversar com ele Joana-Bsobre o facto, fazendo-lhe ver que já era um rapaz quase tão crescido como eles e capaz de ter a cama seca.

Quando se foi deitar sem a fralda, António preveniu a tia, de imediato, que poderia ter o azar de molhar a cama. A tia disse que confiava nele, que era capaz de se aguentar até ir à casa de banho e que, durante a noite, ela o iria acordar. Foi para a cama às 22.00 horas, sem fralda, quase sem ter bebido água ao jantar e depois de ter ido à casa de banho. A tia foi acordá-lo às duas da madrugada para ir à casa de banho. Custou imenso a acordá-lo devido à falta de hábito mas, uma vez desperto, a tia mostrou-lhe que a cama estava enxuta como ela tinha previsto. A tia e os primos procederam da mesma maneira nos dias seguintes, sempre a fazer lembrar que ele era capaz de se conter. A cama nunca ficou molhada nos seis dias seguintes.Organizar-B

Quando o António regressou a casa, a mãe, surpreendida com o que se passara na casa da irmã, deixou-o, logo na primeira noite, sem fralda e recomendou que tivesse cuidado. Quando o foi ver, às quatro da manhã, já estava completamente ensopado em urina. Muito aborrecida, deixando transparecer a sua desilusão, acordou-o, levou-o à casa de banho e pôs-lhe a fralda.

Falando posteriormente com a irmã acerca do assunto, a mãe do António compreendeu que não só não lhe dava reforço quando a cama estava seca, como também, com a sua conversa sobre o «chichi» e o resto que lhe dizia quando ele Respostas-B30andava de fralda (meu pinguim), podia estar a encorajá-lo a continuar a ser enurético.

Só quando a mãe teve aulas de Psicologia (Modificação do Comportamento), conseguiu entender que a criança tinha um problema de relacionamento com ela na esfera da afectividade. Por isso, a mãe teve de modificar o meio ambiente do António, dando-lhe reforços no momento adequado para conseguir resolver a situação através dos conhecimentos que ia adquirindo nas aulas de Psicologia.”

Como não sei coisa alguma da história aprofundada deste caso, tenho de dizer que, em caso de insucesso nos procedimentos adoptados, haverá necessidade de consultar um psicólogo.

Já leu os comentários?arvore-2

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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2 thoughts on “ENURESE 3

  1. Anónimo on said:

    Vou experimentar estes ensinamentos sobre ENURESE e ENCOPROSE com a minha filha que voltou a molhar a cama aos 7 anos.

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