PSICOLOGIA PARA TODOS

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ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 5

(início de página 227) (continuação do Envolvimento Familiar – 4)Psicologia-B

ESTEVÃO → Adolescência

Estevão era filho único de um casal muito bem situado na vida. Com posses financeiras bastante invejáveis, os pais tinham uma vivência social intensa, deixando o filho nas boas mãos duma óptima governanta. O rapaz possuía nível intelectual e mnésico acima do «normal». Contudo, a memorização das matérias escolares era fraca. Nos primeiros tempos dos estudos, os resultados eram magníficos e os pais enchiam-no de presentes caros.Interacção-B30

A vida social agitada dos pais não abrandava. Quanto melhores eram os resultados do filho, mais satisfeitos ficavam e mais se distanciavam dele «embrenhando-se» na sua vida mundana onde se podiam vangloriar das vitórias académicas do seu herdeiro. O rapaz, sentindo-se cada vez mais sozinho e afectivamente abandonado pelos pais, começou a preocupar-se com a sua situação. Este desagrado era tão intenso que lhe saía mais económico esquecer-se (comportamento operante) da situação que o provocava (reforço negativo). O esquecimento repercutia-se nos estudos, ocasionando falta de memória (capacidade mnésica) que fazia baixar as notas. Não é também isso que acontece quando uma pessoa se alcooliza ou é medicada em psiquiatria?Biblio

Os pais ficaram em pânico e ralharam com ele. Ao efectuarem esta acção, os pais entraram em interacção directa com o filho. Deste modo, a interacção pais/filho aumentou temporariamente. Em consequência, o rapaz aprendeu a ter maior convivência com os pais (reforço secundário) logo depois do insucesso escolar.

O que proporcionava mais satisfação ao rapaz era a interacção com os pais e não as boas notas de que os pais se orgulhavam, ou os presentes dispendiosos que lhe davam. O reforço estava aí. Bastava ter notas baixas em consequência da falta de estudo (comportamento inadequado mas agradável para ele), para que os pais lhe ligassem Joana-Bimportância proporcionando-lhe a sensação de agrado (reforço secundário ou social) que há muito lhe era negada.

Este aluno «não reagia positivamente» à reeducação escolar. Os pais pregavam-lhe lições de moral, prometiam castigos, incentivavam-no com presentes, ameaçavam-no com internato. Toda esta acção provocava no filho reforço social ou secundário cada vez maior e de razão variável, mas quaisquer ganhos que obtivesse eram «sol de pouca dura». Depois, os pais continuavam com a sua vida social, em detrimento do contacto com o filho (punição, com situação de desagrado para o filho), não deixando que lhe faltasse fosse o que fosse, materialmente.Saude-B

A apatia e a indiferença pelo estudo aumentaram (comportamento inadequado para obter reforço), até que, por «imposição» do Director da Turma e com uma ajuda especializada se analisou a interacção familiar, detectando os reforços que a criança recebia após a realização de acções aparentemente inadequadas. Ninguém se apercebia da situação, nem o jovem compreendia a razão por que se comportava de maneira tão disparatada. Contudo, afirmava que se sentia enfastiado das aulas e com pouca memória. Por pouco não criou sentimentos de inferioridade, culpabilização, rejeição e autodesvalorização.

Se até ao 6º ano tudo correra bem, não se compreendia a razão desta súbita mudança. Os pais não se lembravam que o rapaz sePsicopata-B encontrava na adolescência e com uma série de problemas e interrogações às quais ninguém respondia. Não tinha com quem conversar em casa e, fora de casa era difícil estar, por imposição da governanta e aquiescência dos pais.

Enquanto estudou e isso lhe deu satisfação (reforço), foi obtendo boas notas (consequência do reforço). Quando isso deixou de lhe dar satisfação em face dos novos problemas a enfrentar, tentou arranjar outras soluções. O descuido com os trabalhos escolares (comportamento inadequado) ocasionou notas baixas e a consequente reacção «negativa» dos pais, com ralhos, etc. (situação de interacção reforçante para o Estevão). Embora negativa num sentido, por ser desagradável e não estar habituado à mesma, houve alguma interacção com os pais, Acredita-Bcoisa que não acontecia há muito.

O facto repetiu-se na semana seguinte porque os resultados das provas escolares eram conhecidos aos poucos. Os ralhos não pareceram tão fortes como da primeira vez (dessensibilização) e a ligação com os pais (reforço secundário negativo) foi mais profunda.

Continuando assim durante algumas semanas, numa das quais as notas foram razoáveis (resultado de comportamentos adequados) e os pais ficaram satisfeitos e não tiveram de ralhar com ele (falta de reforço secundário), Estevão foi discriminando que só as más notas (consequência de comportamentos inadequados) lhe Consegui-Bproporcionavam o pouco tempo de interacção que mantinha com os progenitores (reforço secundário). Deste modo, continuou a tirar reforço duma situação que não provocara mas que viera fortuitamente ao seu encontro. Chegou porém, o momento em que os pais, a conselho de pessoas amigas e por indicação da Escola, resolveram enfrentar a questão através do psicólogo, esperando que uma acção pontual, restrita e unilateral pudesse solucionar o problema de fundo: a necessidade de interacção e convivência pais/filhos.

Da mesma maneira como aprendera a ter comportamentos socialmente inadequados com o reforço que recebia, houve a possibilidade de inverter a situação. Já se verificara que a atenção dos pais era o seu «reforço». Estevão foi consciencializado em relação ao seu comportamento e ajudado a utilizar diversas estratégias para a solução das Difíceis-Bdificuldades escolares momentâneas. Foi motivado e encorajado a prosseguir sozinho.

Os pais foram instruídos a dar reforço (atenção, afeição, incentivo) sempre que existisse o mais pequeno indício de sucesso do filho (consequência de comportamentos adequados de estudar), ignorando todo e qualquer insucesso (extinção). Nos momentos de insucesso (consequência de comportamentos inadequados de não estudar) a vida social dos pais era deliberadamente intensificada (punição), mas cerceada imediatamente ao mais pequeno sinal de melhoria de nota (reforço social positivo de razão fixa). Começou a acontecer o inverso daquilo que sucedia anteriormente. Enquanto antigamente a vida social dos pais e a sua ausência eram intensas quando o rapaz obtinha boas notas, a intensificação da vida social era agora conscientemente provocada quando as Psi-Bem-Cnotas eram fracas. Quando existia o mais pequeno aumento de nota, a vida social dos pais abrandava para existir uma interacção maior com o filho, que era ajudado por eles nas suas tarefas escolares.

Em vez da associação anterior de más notas/interacção com os pais e boas notas/afastamento dos pais, aquilo que no momento acontecia era: boas notas/toda a atenção e carinho dos pais e más notas/total falta de atenção com o seu afastamento.

Sem qualquer acção extra, além das primeiras observações, análises e aconselhamento, os pais conseguiram controlar a situação com a manipulação exclusiva do reforço que deveria ter sido doseado desde o início para não ocasionar neuropsicologia-Buma experiência tão desagradável como a que estava a ocorrer.

A aprendizagem efectuada pelos pais, depois de o filho se ter descompensado, poderia ter-se realizado antes do acontecimento, evitando talvez alguma perda de eficácia na aprendizagem escolar. É a profilaxia ou prevenção de que necessitamos e que nos ajuda a formar uma personalidade mais equilibrada.

Essa aprendizagem pode ser eficazmente efectuada em sessões conjuntas de muitas pessoas, que podem colocar problemas para ser científica e praticamente resolvidos pelo psicólogo orientedor, dando a uns pais as noções das quais podem não necessitar no momento mas que, sendo necessárias para os outros, podem ser úteis a esses pais no futuro, como profilaxia e prevenção, como aconteceu com os pais do Estêvão.Organizar-B

Porém, a aprendizagem dos pais feita em gabinete de consulta foi efémera. Passado esse ano, com os bons resultados obtidos pelo Estevão, os pais desleixaram-se na interacção que deveriam manter com ele, continuando a sua vida social anterior. O rapaz ficou entregue a si próprio e já fora da alçada da governanta. Como não mantinha outra interacção em casa, Estevão arranjou amigos que lhe faziam companhia a todas as horas do dia (reforço social). Como é natural, nestes casos em que a força da afiliação é intensa (K), os que apresentavam problemas similares juntaram-se. Assim como numa reunião social os engenheiros, os professores, os industriais, os empregados de balcão, tem tendência a fazer grupos separados quando existem oportunidades mario-70para isso, os rapazes com problemas parecidos também se «afiliam» em grupos específicos (K).

Juntaram-se assim os rapazes que tinham problemas familiares e conseguiram aliviar a sua solidão (reforço negativo) conversando uns com os outros e especulando cada um acerca do seu futuro. Um dia, tiveram a companhia doutro colega que se iniciara na droga e necessitava de dinheiro para o seu «vício». Ofereceu-lhes uns cigarros. Como isso, de facto, baixava a tensão e o nível das preocupações (reforço negativo secundário), Estevão decidiu adquirir de vez em quando alguma «mercadoria» para o bem-estar dos seus amigos. Afinal, mais do que os pais, eles eram de facto, a «sua família», os seus confidentes e os seus companheiros de todas as horas. Como o dinheiro não faltava, a «droga» começou a ser consumida «só para aliviar um pouco». Pensavam eles que, «Educar»-Bquando quisessem deixariam de fumar. O reforço negativo (era agradável fugir aos problemas através do fumo) de razão variável (a satisfação não tinha sempre a mesma intensidade) produziu os seus efeitos, fazendo com que os rapazes aumentassem aos poucos a dose inicial (melhoria de rendimento com aprendizagem por condicionamento operante e reforço de razão variável).

Antes do fim do ano, os pais ficaram surpreendidos com o aviso do Director de Turma de que Estevão fora encontrado com droga, na Escola. Os pais alarmaram-se mas era um pouco tarde para evitar aquilo que poderiam ter conseguido pouco tempo antes, com uma ligeira modificação no seu próprio comportamento como já tinha acontecido anteriormente.Depress-nao-B

Entrando de novo em acção, tornaram a pedir ajuda especializada. O rapaz foi internado numa clínica e fez-se, com êxito, a desin-toxicação, a psicoterapia e o acompanhamento posterior. O caso não atingiu proporções alarmantes por se encontrar no início.

Não poderiam os pais ter aprendido algo, com a modificação do comportamento anteriormente realizada evitando o insucesso escolar? Se por qualquer circunstância os pais não dessem conta do facto e o vício fosse detectado um ou dois anos mais tarde, a recuperação teria sido muito mais difícil e lenta se, de facto, fosse possível.

Respostas-B30Na situação em que as coisas ficaram, os pais foram taxativamente prevenidos de que, a causa fundamental eram eles e que se queriam «salvar» o seu único filho, teriam de «arrepiar caminho» e deixarem-se da «sua vida social» para lhe dedicarem mais atenção.

Como os pais também apresentavam problemas de personalidade e, para os minimizar, necessitavam da vida social que mantinham (reforço negativo secundário) (C), tiveram de ser submetidos a psicoterapia. No final, uma terapia familiar foi extremamante benéfica para pais e filho ajudando todos a compreenderem-se melhor e a criar um clima de entendimento satisfatório.

Nessas reuniões familiares todos aprenderam que teria sido mais vantajoso dar o reforço da atenção a uma criança que confl2necessitava do mesmo em primeiro lugar. Isso não fora feito por desconhecimento e incapacidade dos pais. Se os pais tivessem consciência disso, pelo menos depois do primeiro desaire com o filho, não se teriam descurado como aconteceu.

Nesta família, em que as personalidades apresentavam ligeiros desequilíbrios, os pais tinham aprendido a reduzir os seus sentimentos de frustração obtendo reforço negativo com a pompa, sumptuosidade e ostentação da vida social intensa que mantinham. O filho, por sua vez, aprendera a sentir-se menos frustrado com a falta de estudo e «entrada na droga». Quer uns quer outros poderiam ter-se compreendido melhor adoptando comportamentos maishomem2 propícios para uma vivência familiar equilibrada.

Na terapia familiar, além de aumentar a interacção do Estêvão com os pais, estes aprenderam a encarar os problemas frontalmente e começaram a servir de modelo para que o filho efectuasse a sua aprendizagem, identificando-se com um modelo correcto e adequado de pai: benefício para a constituição da sua futura família. Se a terapia não fosse efectuada a tempo, existia toda a probabilidade de não se resolverem os problemas dos pais, que se iludiriam cada vez mais com a vida social artificial e desnecessária e o Estevão tornar-se-ia um drogado, difícil de recuperar, caso não se transformasse também num delinquente ou num marginal (C).tecnicas1

Pelo desenrolar dos acontecimentos, verificou-se que o encadeamento das circunstâncias transformou uma simples falha dos pais num problema grave, capaz de tomar proporções alarmantes e envolver uma família inteira. Que satisfação sentiriam os pais sabendo que o seu único filho era um drogado ou um marginal?

Afinal, somente a utilização do reforço, da facilitação, da extinção e, eventualmente da punição, com modelagem e moldagem adequadas, teriam evitado todo este conjunto de «desgraças» desde que os pais tivessem um DIA-A-DIA-Cconhecimento claro da maneira como deveriam proceder. É para isso que serve este livro.

À medida que o tempo passa e as publicações especializadas vão aparecendo nos escaparates das livrarias, o nível de instrução atingido pela população não deixa motivos para justificar essa ignorância ou falta de conhecimento.

Grande parte das vezes é somente isso que falha ou talvez a transmissão destes conhecimentos, em sessões conjuntas com muitas famílias, o que pode ser despoletado pelas autarquias ou asso-ciações comunitárias.

(página 234) (continua no Envolvimento Familiar – 6)arvore-2
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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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2 thoughts on “ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 5

  1. Os seus artigos, especialmente os de “Envolvimento Familiar” estão a ajudar-nos muito.
    Lemos muita coisa deste blogue e, por isso, resolvemos ir de férias para um local barato proporcionado pela Júlia.
    Temos computador e internet o que nos está a ajudar muito a consultar o que desejamos, quando temos oportunidade.
    Vamos consultar muitos mais artigos e a Júlia também tem os livros.
    Parece que as férias nos estão a ajudar a recompor a nossa vida.
    As coisas estão a compor-se e os nossos filhos de 8 e 10 anos parece que reagem melhor ao nosso contacto com eles.
    Obrigada por tudo,
    Leonor.

    • Ainda bem que vos fui útil.
      Espero que terminem estas férias com boas intenções, a serem continuadas com melhores acções.
      Os pais da JOANA conseguiram fazer isso e muito mais.
      Boa sorte.
      Mário de Noronha

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