PSICOLOGIA PARA TODOS

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ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 6

(página 231) (continuação do Envolvimento Familiar – 5)Psicologia-B

Os pais foram instruídos a dar reforço (atenção, afeição, incentivo) sempre que existisse o mais pequeno indício de sucesso do filho (consequência de comportamentos adequados de estudar), ignorando todo e qualquer insucesso (extinção). Assim, nos momentos de insucesso (consequência de comportamentos inadequados de não estudar) a vida social dos pais era deliberadamente intensificada (punição), mas cerceada imediatamente ao mais pequeno sinal de melhoria de nota (reforço social positivo de razão fixa). Começou a acontecer o inverso daquilo que sucedia anteriormente. Enquanto antigamente a vida social dos pais e a sua ausência eram intensas quando o rapaz obtinha boas notas, a intensificação da vida social era agora conscientemente provocada quando as Interacção-B30notas eram fracas. Quando existia o mais pequeno aumento de nota, a vida social dos pais abrandava para existir uma interacção maior com o filho, que era por eles ajudado nas suas tarefas escolares.

Em vez da associação anterior de más notas/interacção com os pais e boas notas/afastamento dos pais, aquilo que no momento acontecia era: boas notas/toda a atenção e carinho dos pais e más notas/total falta de atenção com afastamento dos pais.

Sem qualquer acção extra, além das primeiras observações, análises e aconselhamento, os pais conseguiram controlar a situação com a manipulação exclusiva do reforço que deveria ter sido doseado desde o início para não ocasionar Joana-Buma experiência tão desagradável como a que estava a ocorrer.

A aprendizagem efectuada pelos pais, depois do filho se ter descompensado, poderia ter-se realizado antes do acontecimento, evitando talvez alguma perda de eficácia na aprendizagem escolar. É a profilaxia ou prevenção de que necessitamos e que nos ajuda a formar uma personalidade mais equilibrada.

Porém, a aprendizagem dos pais foi efémera. Passado esse ano, com os bons resultados obtidos pelo Estêvão, os pais desleixaram–se na interacção que deveriam manter com ele, continuando a sua vida social anterior. O rapaz ficou entregue a si próprio e já fora da alçada da governanta. Como não mantinha outra interacção em casa, Estêvão Saude-Barranjou amigos que lhe faziam companhia a todas as horas do dia (reforço social). Como é natural, nestes casos em que a força da afiliação é intensa (K), os que apresentavam problemas similares juntaram-se. Assim como numa reunião social os engenheiros, os professores, os industriais, os empregados de balcão, tem tendência a fazer grupos separados quando existem oportunidades para isso, os rapazes com problemas parecidos também se «afiliam» em grupos específicos.

Juntaram-se assim os rapazes que tinham problemas familiares e conseguiram aliviar a sua solidão (reforço negativo) conversando uns com os outros e especulando cada um acerca do seu futuro. Um dia, tiveram a companhia dum Imagina-Boutro colega que se iniciara na droga e necessitava de dinheiro para o seu «vício». Ofereceu-lhes uns cigarros. Como isso, de facto, baixava a tensão e o nível das preocupações (reforço negativo primário), Estêvão decidiu adquirir de vez em quando alguma «mercadoria» para o bem-estar dos seus amigos. Afinal, mais do que os pais, eles eram de facto, a «sua família», os seus confidentes e os seus companheiros de todas as horas. Como o dinheiro não faltava, a «droga» começou a ser consumida «só para aliviar um pouco». Pensavam eles que, quando quisessem, deixariam de fumar. O reforço negativo (era agradável fugir aos problemas através do fumo) de razão variável (a satisfação não tinha sempre a mesma intensidade) produziu os seus efeitos, fazendo com que os rapazes aumentassem aos poucos a dose inicial (melhoria de rendimento com aprendizagem por
mario-70condicionamento operante e reforço de razão variável
).

Antes do fim do ano, os pais ficaram surpreendidos com o aviso do Director de Turma de que Estêvão fora encontrado com droga, na Escola. Os pais alarmaram-se mas era um pouco tarde para evitar aquilo que poderiam ter conseguido pouco tempo antes, com uma ligeira modificação no seu próprio comportamento como já tinha acontecido anteriormente.

Entrando de novo em acção, tornaram a pedir ajuda especializada. O rapaz foi internado numa clínica e fez-se, com êxito, a desintoxicação, a psicoterapia e o acompanhamento posterior. O caso não atingiu proporções alarmantes por se Biblioencontrar no início.

Não poderiam os pais ter aprendido algo, com a modificação do comportamento anteriormente realizada por eles próprios, evitando o insucesso escolar? Se por qualquer circunstância os pais não dessem conta do facto e o vício fosse detectado um ou dois anos mais tarde, a recuperação teria sido muito mais difícil e lenta se, de facto, fosse possível.

Na situação em que as coisas ficaram, os pais foram taxativamente prevenidos de que a causa fundamental eram eles e que se queriam «salvar» o seu único filho, teriam de «arrepiar caminho» e deixarem-se da «sua Acredita-Bvida social» para lhe dedicarem mais atenção.

Como os pais também apresentavam problemas de personalidade e, para os minimizar, necessitavam da vida social que mantinham (reforço negativo) (C), tiveram de ser submetidos a psicoterapia. No final, uma terapia familiar foi extremamante benéfica para pais e filho, ajudando todos a compreenderem-se melhor e a criar um clima de entendimento satisfatório.

Nessas reuniões familiares, todos aprenderam que teria sido mais vantajoso dar o reforço da atenção a uma criança que dele necessitava em primeiro lugar. Isso não fora feito por desconhecimento e incapacidade dos pais. Se os pais Psicopata-Btomassem consciência disso, pelo menos depois do primeiro desaire com o filho, não se teriam descurado como aconteceu. O filho ficou mais avisado para o futuro.

Nesta família, em que as personalidades apresentavam ligeiros desequilíbrios, os pais tinham aprendido a reduzir os seus sentimentos de frustração obtendo reforço negativo com a pompa, sumptuosidade e ostentação da vida social intensa que mantinham. O filho, por sua vez, aprendera a sentir-se menos frustrado com a falta de estudo e «entrada na droga». Quer uns quer outros, poderiam ter-se compreendido melhor adoptando comportamentos mais propícios para uma vivência familiar equilibrada.

Na terapia familiar, além de aumentar a interacção com os pais, estes aprenderam a encarar os problemas frontalmente e Consegui-Bcomeçaram a servir de modelo para que o filho efectuasse a sua aprendizagem, identificando-se com um modelo correcto e adequado de pai: benefício para a constituição da sua futura família. Se a terapia não fosse efectuada a tempo, existia toda a probabilidade de não se resolverem os problemas dos pais, que se iludiriam cada vez mais com a vida social artificial e desnecessária e o Estêvão tornar-se-ia um drogado, difícil de recuperar, caso não se transformasse também num delinquente ou num marginal (C).

Pelo desenrolar dos acontecimentos, verificou-se que o encadeamento das circunstâncias transformou uma simples falha dos pais num problema grave, capaz de tomar proporções alarmantes e envolver uma família inteira. Que satisfação sentiriam os pais sabendo que o seu único filho era um drogado ou um marginal?Depressão-B

Afinal, somente a utilização do reforço, da facilitação, da extinção e, eventualmente da punição, teriam evitado todo este conjunto de «desgraças» desde que os pais tivessem um conhecimento claro da maneira como deveriam proceder.

À medida que o tempo passa e as publicações especializadas vão aparecendo nos escaparates das livrarias, o nível de instrução atingido pela população não admite razões para justificar essa ignorância ou falta de conhecimento.Difíceis-B

Grande parte das vezes é somente isso que falha e é também por este motivo que se publica este livro e se mantém os blogs

<psicologiaparaque.wordpress.com> e
<livroseterapia.wordpress.com>.

Fim do Envolvimento Familiar 1 – 6. (Clique nos números à direita para consultar os posts anteriores: 1, 2, 3, 4 e 5)Psi-Bem-C

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual.

arvore-2Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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One thought on “ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 6

  1. Anónimo on said:

    Estes seis artigos sobre “envolvimento familiar” estão a ajudar-nos bastante.
    Na nossa casa, estavamos quase a descobrir novos problemas para resolver as nossas dificuldades e frustrações do serviço e da escola.
    Obrigado pela ajuda que nos deu, sem querer.
    Também concordamos com o comentário dos CãoPincha ou COMPINCHA.WORDPRESS.COM para que exista um livro sobre consultas rápidas a fim de tentar resolver os nossos problemas.
    Cconsultar o blog e descobrir aquilo que mais nos interessa é mais difícil do que ler um livro já destinado a isso.

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