PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Outubro, 2012”

A POLÍTICA DO ÚLTIMO MEIO SÉCULO

Com o seguinte pedido, como comentário:Interacção-B30

“Já vimos as suas últimas intervenções no Facebook e ficámos satisfeitos pela maneira como abordou os temas. Gostaríamos de ter uma opinião sua em relação à política em Portugal no último meio século. Se nos puder dar a sua visão sobre o assunto, mesmo que não caiba na psicologia social, pode ficar num poste cujo link seria mencionado no Facebook, porque parece que existem pessoas que gostam da sua intervenção. Vá lá. Como a nota no Facebook pode ficar muito extensa, faça um poste neste blogue. Faça a vontade pelo menos ao nosso grupo de amigos e «discutidores» da política nacional, antes que eu tenha de «emigrar», de novo, dentro de dias. Com as coisas que vão acontecendo, estamos todos ansiosos e receosos do pior.Organizar-B
CãoPincha.”

resolvi deitar-me à noite, em Imaginação Orientada, focalizando-me nas minhas percepções acerca deste assunto e utilizando alguns dados colhidos durante anos, a visitar o blog do Compincha, isto é, de quem nos pediu esta opinião. Quando acordei, não como psicólogo, mas como um cidadão muito amargurado que necessita de desabafar com o rumo que este país tem estado a tomar nas últimas duas décadas, o resultado foi conseguir descrever ao fluir da pena e sem quaisquer apontamentos ou consultas, as recordações que fui tendo aos poucos.Psicologia-B

Salazar ficou «incluído» na política porque já não havia ninguém que salvasse a economia deste país. Embora nunca tivesse dado aulas em «prestigiadas universidades americanas», resolveu tudo à custa do sacrifício dos portugueses. Cortar nas despesas é mais fácil do que aumentar as receitas: era nessa solução que eu discordava do meu pai.

Passada uma década, quando tudo podia ter caminhado para o sucesso, continuámos a marcar passo para o deixar ficar no poder até cair da cadeira. A PIDE, a CENSURA e os grandes MONOPÓLIOS foram os seus amparos directos.Saude-B

Marcelo Caetano, que antes parecia mais liberal, quando tomou conta do poder, vacilou tanto que deu passos atrás. E muitos! Há anos, eu tinha tomado conhecimento de algumas facetas peculiares da sua personalidade.

Lá se foi a Primavera Marcelista, porque tinha tido uma belíssima oportunidade de tratar rapidamente da autonomia de todas as províncias ultramarinas, especialmente quando foi a Angola e viu de perto a realidade social. Como devia estar com os óculos sujos, a sua percepção foi completamente diferente da realidade, a ponto de, julgo eu, incentivar os americanos a avançar.Biblio

Estes, com os seus serviços secretos bem montados, aproveitaram-se do descontentamento nas forças armadas e incitaram o partido comunista para as estimular a entrar em acção a fim de promover o derrube do governo.

Com a mudança de governação, parecia que as coisas estavam a começar a querer entrar na ordem, mas nem os comunas nem os militares estavam satisfeitos.

Os militares, julgando que eram os donos de tudo, começaram com acções de propaganda e incitamento à violência, ajudando os civis a tomarem conta de muita coisa que foram destruindo, provavelmente, como deslocamento contra os maus tratos
mario-70sofridos anteriormente.

Com esta vitória, quando só a extinção da PIDE e da CENSURA seriam o suficiente para, dentro de um ou dois anos, fazer entrar o país num rumo certo, os «comunas» não podiam deixar de «molhar o bico» e começaram com as ocupações e nacionalizações.

Começam as independências desastrosas seguidas de guerras inúteis e devastadoras em algumas das antigas colónias ultramarinas.

Contudo, estas duas forças conjugadas, enxotaram o Spínola do país e instalaram um governo que só fez disparates, com dias Imagina-Bdo trabalhador, etc. Quem era o Ministro do Trabalho (1974-75) e onde foi parar esse dinheiro dado pelos trabalhadores?

Para ajudar a pôr o país em ordem, os americanos entraram subtilmente em acção. Lembram-se do Carlucci e das conversas que teve. Com quem? Adivinhem que ele deve estar a cavar no quintal.

Com o 25 de Novembro, parecia que tinha começado uma mudança que redundou nos partidos que se foram consolidando. Contudo, os desacatos não pararam, com os partidos e entrarem subtilmente em acção através de diversos subterfúgios.Acredita-B

Entretanto, o tempo foi desperdiçado com acções inúteis, as terras ocupadas ficaram quase abandonadas, a produtividade foi diminuindo, o dinheiro foi escasseando e a vida começou a tornar-se cada vez mais cara. O resultado foi vender ouro que o «velho das botas» tinha acumulado. Começámos a ficar mais pobres.

Entretanto, com a forte personalidade de Sá Carneiro, parecia que as coisas iriam melhorar. Contudo, se melhorassem para alguns, podiam piorar para outros. Quem são esses «outros»? Eis que «surge» o providencial «acidente» de aviação, não se sabe como, nem se consegue saber a mando de quem. Será da «impunidade»? Psicopata-BQuantas pessoas dos partidos «democráticos» estarão implicadas nisso? Até hoje, ninguém conseguiu descobrir, mas acerca do «fundo» que havia para as armas, ninguém dá uma explicação convincente.

No meio desta barafunda, começa o processo da integração de Portugal na comunidade europeia. Surgem dinheiros que não se sabe como serão pagos, mas depressa se descobre como serão gastos, indo parar fartamente aos bolsos dos que estavam alerta, como consultores, assessores, negociadores e outras coisas, em contacto com a comunidade. Surgem as primeiras suspeitas de fraudes e dinheiros mal gastos e pior recebidos.

Começa aqui o descalabro de imaginarmos que a Comunidade era uma vaca que dava leite a todo o tempo indiscriminada e Maluco2gratuitamente. Nesta ocasião já se sabia qual o défice que se podia ter, quais os juros a pagar, quais as ajudas dadas a fundo perdido e outras condições para pertencer a uma comunidade à qual nós tínhamos pedido para aderir. Ninguém nos impôs a pertença a essa comunidade.

O que se fez democraticamente até então?
Mário Soares começou a estar onde Deus estaria mais tarde.

Cavaco começou com dívidas para obras megalómanas iniciando-se nas parcerias que seriam ruinosas para o Estado.Consegui-B

Guterres quis suplantá-lo com mais parcerias, obras inúteis e institutos, fundações, etc., tudo com o beneplácito do Estado. Semeou cartões de crédito e altos vencimentos para os gestores das diversas empresas que foram surgindo como cogumelos? Foi esportulando largamente até entrar no pântano. Daí a sua fuga para o albergue da CGD como preparação para ir dar abrigo e sopa aos refugiados.

Entram depois os folclóricos que queriam fazer vias de alta velocidade, aeroportos, etc. mas, em vez de comboio, foram de avião para Bruxelas porque os cargos ocupados também tinham proporcionado muitos «contactos» Depressão-Bnecessários e interessantes.

Entretanto, foram-se gastando rios de dinheiro em projectos, pareceres, estudos, etc., tudo feito por encomenda a empresas bem remuneradas que já tinham no Governo os seus promotores, fazendo crer que no Estado não havia funcionários e técnicos capazes de elaborar esses projectos por um custo muitíssimo inferior.

Depois de interregnos em que se continuou a gastar dinheiro com obras pouco reprodutivas, chega o providencial Sócrates, bem conhecido dos ingleses, que continuou com as megalomanias das auto-estradas, das parcerias, etc., e com o projecto do aeroporto «jamais», gastando «à fartazana». Para isso, serviram as adjudicações por Psi-Bem-Cajuste directo e talvez proveitoso para alguém, além da lentidão e ineficácia da justiça alicerçada em leis favoráveis a esse tipo de contratos, corrupções, enriquecimento ilícito, etc.

Donde veio o dinheiro a não ser das dívidas que foram contraídas, cada vez em maior quantidade, sem ningém se importar em saber quem as iria pagar?
Quem deu aos governantes a procuração para contrair as dívidas, cada vez maiores, para obras não reprodutivas e não rentáveis? Não fomos nós que, com a nossa abstenção ou o nosso voto, demos carta-branca à maioria da minoria, para isso e para muito mais?

Com todos estes projectos, pareceres, planos, parcerias, gestores, etc., que custaram e continuam a custar «os olhos da cara» – Difíceis-Bpelo menos em dívidas – aos contribuintes, o que poderíamos estar agora à espera, de indivíduos pouco preparados, livrescos e com falta de visão social e humana, provavelmente, a trabalhar a soldo de alguém, tal como deve ter acontecido no tempo da «Revolução de Abril»?

Da minha parte, posso estar desenganado porque não pretendo votar em qualquer partido. Só aceito as listas uninominais porque, neste descalabro, participaram todos, talvez com excepção do bloco da esquerda que também não me inspira muita confiança. A liberalização das drogas levas terá sido uma vantagem ou está a transformar-se num pesadelo? Fez-se algum estudo ou uma consulta popular para um assunto tão importante?

Em psicologia social, mais vale prevenir (antes) do que tarde remediar, o que pode, às vezes, ser impossível.neuropsicologia-B

Estas notas escritas de improviso, apresentam apenas a minha percepção das coisas mas, em psicologia social, vão dando ideia dos modelos que estamos a imitar, dos reforços vicariantes que estamos a ter, das diversas facilitações ocorridas durante todo o tempo, da dissonância cognitiva ocorrida em muitas famílias e das aprendizagens que se continuam a fazer com o reforço recebido depois de comportamentos incorrectos. Será da impunidade?

Em que ficou a instrução nas escolas e a educação em casa? Os pais, com os horários sobrecarregados e duplo emprego, têm Respostas-B30tempo suficiente para estar com os filhos para os educar, ajudando-os a estruturar uma personalidade adequada? A educação foi devidamente cuidada para se tentarem desenvolver os cérebros que aqui temos? Ou foi-se tentando fazer demagogicamente apenas uma campanha para ajudar os velhinhos analfabetos a assinarem o seu nome? As mudanças têm de ser a sério a não a mimetizar uma suposto sucesso.

Porque se o leque salarial do vencimento mínimo ao mais alto, é muito maior – e aí se podia poupar muito -, aqui deixo um link sobre o sistema educativo da Finlândia e um video que talvez possa ajudar os leitores a compreender o muito que se podia e devia fazer neste sentido para desenvolver este país, mesmo sem quaisquer dívidas e auto-estradas a mais:

Depois destas linhas e enquadramento em psicologia social, apetece-me fazer perguntas que podem ser pertinentes:Stress-B

▫ Com o corte de dias feriados, aumento de horário de trabalho, diminuição de vencimentos e de regalias sociais, alguém está à espera que os trabalhadores tenham motivação para produzir mais e melhor?

▫ Se não produzirem mais, como vamos ser competitivos?
▫ Se não formos competitivos, como vamos impor ou tornar atraentes os nossos produtos ou serviços?
▫ Se todos esses trabalhadores, que são muitos, não tiverem dinheiro para consumir o mínimo, cá em casa, de que vão viver as nossas empresas e serviços?
▫ Com o IVA a aumentar na restauração, quem vai consumir os produtos e de que vão viver essas empresas?
▫ Se o turismo, que se deseja barato nestes tempos conturbados para todos, ficar reduzido, qual a receita que iremos perder?Psicoterapia-B
▫ Se houver despedimentos por causa disso, quem paga o desemprego? Volta a ser o desgraçado que já foi espoliado no seu ordenado?
▫ Se ficar doente, quem trata dele?
▫ Se as crianças ficarem privadas da alimentação adequada, como vão render e estudar para melhorar o nível do país?
▫ Se há gorduras a diminuir, porque não se dá o exemplo reduzindo «no topo» as que são muito maiores do que cá em baixo?
▫ Se há necessidade de reduzir funcionários que sempre tiveram trabalho a fazer, qual a razão de não se reduzir o número de ministros e deputados que pouco ou nada fazem? Até Salazar, de má memória, trabalhou com muito menos!«Educar»-B
▫ Além de se dever taxar mais os mais riquíssimos, qual a razão de não se mexer nas grandes fortunas e negócios feitos com as mais-valias obtidas à custa da população?
▫ Vamos continuar como a pescadinha de rabo na boca a dar voltas e mais voltas durante mais meio século até que… nunca se sabe…
▫ Se Passos Coelho é bom gestor, como é que a sua empresa ficou com dificuldades?
▫ E como é agora, e foi,  o Vítor Gaspar? A sua família saberá?

O que nós sabemos, sentimos e aguentamos, são as estúpidas medidas de austeridade pela austeridade, sem prever o que vai Depress-nao-Bacontecer e como vamos ficar dentro de meia dúzia de anos. O  vídeo seguinte ajudará a compreender melhor toda a evolução sofrida por alguns e aproveitada por outros durante todo esta tempo?

http://www.youtube.com/watch?v=6oDVnJuM_50&feature=youtu.be

á leu os comentários?

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DEPRESSÃO APRENDIDA

Uma pergunta que me fizeram acerca da política actual e do «sufoco» em que a maioria das pessoas deste país se encontra Psicologia-Bagora, deu-me que pensar durante toda a noite e, de manhã, lembrei-me, sem querer, da depressão aprendida.

De facto, a depressão aprendida é um tipo de depressão em que uma pessoa vai caindo ao longo do tempo depois de ter ficado sujeita a castigos quase intermináveis, dos quais não conseguiu fugir. Esta entidade nosológica também pode ser designada como desesperança, desalento ou desamparo aprendido.

Quando, em psicologia experimental, Seligman fez as experiências com ratos, em learned helplessness, deu-lhes choques eléctricos dos quais os bichos não conseguiam fugir por mais que saltassem e procurassem Interacção-B30outro local. Ao fim de algum tempo, verificou que eles não saltavam. Achavam mais económico não gastar as energias em saltar sem ter quaisquer vantagens. O melhor era ficarem quietos e sem se mexerem, mesmo quando apanhavam choques.

Passado algum tempo de ter terminado a experiência com os choques, Seligman verificou que eles continuavam a não se mexer, mesmo sem haver quaisquer choques. Tinham, aprendido a ficar deprimidos e a não se mexerem, com ou sem choques. Acabada a experiência, muito tempo depois, só choques muito ligeiros dados de vez em quando conseguiram fazer com que os ratos aprendessem (ou reaprendessem) muito lentamente a fugir dos choques eléctricos para não ficarem magoados.Saude-B

Assim estamos nós. Desde há mais de 20 anos, depois de promessas de que dentro de pouco tempo estaríamos com os vencimentos dos restantes europeus, andamos a apanhar choques de muitas coisas relacionadas com promessas de uma vida mais digna do que temos tido até ao momento. Estamos a ser constantemente ludibriados com as promessas de dias melhores, que se tornam ainda piores de cada vez que um novo governo toma conta do poder. São choques a mais, que aumentaram de intensidade nos últimos dois anos.

Quando as coisas não correm de acordo com as nossas expectativas e com aquelas que os governantes, enquanto candidatos, Depressão-Bnos prometeram e ajudaram a esperar, a nossa frustração vai adquirindo forma, com necessidade de alguma resposta. Se não houver a possibilidade de investir contra quem nos prejudica e não existir outra hipótese de reagir a essa frustração, o que nos resta é entrar em desalento, desamparo ou depressão aprendida para economizar as energias, não as despendendo com qualquer esforço inútil e desnecessário.

Parece que, nos últimos tempos, chegámos ao ponto de não obter qualquer vantagem por maior que seja a reacção. Neste ponto, podemos aprender a entrar em depressão da qual, provavelmente, não sairemos tão cedo.

Se este país necessita de melhoria e de progresso, como consegui-lo com toda a gente válida atingida pela depressão aprendida? Psicopata-BVai ser uma espécie de virose da que poucos poderão fugir ou ficar imunes.

Serão os poucos mais abastados que irão trabalhar para as fábricas, serviços, agricultura, pescas, artesanato e turismo? Como poderá o país progredir se tudo o que se tem feito até agora foi deitar abaixo todo este complexo produtivo com impostos e regras cada vez mais castigadoras? Vai-se fazer chegar quase toda a população a um estado de depressão aprendida? E, depois, quem a tira desse torpor?

Se for em psicoterapia, temos de ter essa vertente em conta quando enveredamos pelos parâmetros da técnica de saciação, flooding ou implosive therapy. O seu falhanço pode ser um desastre muitíssimo maior e pior do que o Maluco2desequilíbrio psicológico anterior da pessoa em causa. E, neste caso, essa pessoa, somos todos nós.

O caso do Fernando apresentado no post anterior, pode ser muito elucidativo para a aplicação de medidas que estão a ser adoptadas.

Já leu os comentários?

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O ORÇAMENTO PARA 2013

Perguntaram-me há dias se, em psicologia social, achava boas as medidas adoptadas com o novo orçamento, porque podiam «dar para o torto». Isto fez-me lembrar um caso de psicoterapia em que tive de utilizar a técnica de saciação, implosive therapy ou flooding num caso de encoprose, muito resistente e avançada.

De facto, nada tinha sido feito com uma criança que já se encontrava com estes sintomas há meses. Só no fim, quando deixou de defecar durante dois meses é que se lembraram de procurar o psicólogo já que os médicos nada tinham achado de anormal.

O «caso» da encoprose que se vai descrever a seguir, pode elucidar um pouco melhor os meandros e os perigos Organizar-Bdesta técnica.

Fernando tinha 4 anos quando a mãe, já aflita, recorreu ao psicólogo, porque os médicos, quer pediatra, quer de clínica geral, nada achavam de anormal na criança. Contudo, a sua defecação era esporádica e havia retenção de fezes durante muitos dias. A mãe fazia-lhe massagens na barriga, dava-lhe laxantes e clisteres mas a retenção ia aumentando até que se prolongou por dois meses. Por fim, o psicólogo, sabendo da história familiar e conhecendo o Fernando com quem tinha muita confiança, resolveu utilizar a técnica de saciação (flooding) como recurso último, imediato e rápido, embora muito arriscado e muito prejudicial, se falhasse.

Interacção-B30Por isso, os pais deixaram o Fernando em casa do psicólogo, onde jantou, enquanto os pais iam visitar uns amigos. Antes da refeição, puseram-lhe um Microlax. A seguir, o Fernando foi entusiasmado a fartar-se de comer um prato de que gostava imenso. Foi também entusiasmado a comer um bom gelado, para facilitar o dejecto.

Por esse motivo, foi bem reforçado ao comer mas, passado algum tempo, como se sentia «muito cheio», foi levado à casa de banho. Aí, com a ajuda de outro Microlax, embora contra a sua vontade, foi obrigado e continuar na sanita enquanto se massajava a sua barriga. O Fernando queria sair da sanita dizendo que queria ir para a sua Difíceis-Bcasa. Sabendo que ninguém estava em casa nesse momento, lavado em lágrimas, continuou a gritar “Quero ir para a minha casa”, enquanto continuava a não dejectar, mas tinha dores de barriga.

O apoio que lhe foi dado, nesse momento, consistiu em fazer-lhe massagens na barriga, fazer «sentir» que a barriga doía muito, o que só passaria depois de ele fazer cocó. O psicólogo e outras duas crianças não o deixavam sair da sanita, dizendo-lhe que não podia sair de lá enquanto não tivesse dejectado pelo menos um pouco.

Psicopata-BDemorou cerca de uma hora a choramingar, sentado na sanita, para que começasse a dejectar porque as fezes estavam duríssimas. No final, o resultado foi uma espécie de chouriço muito duro que se conseguiu tirar da sanita para mostrar aos pais, que deviam estar a chegar da visita que tinham ido fazer.

O psicólogo aproveitou esta oportunidade para reforçar o Fernando e guardou as fezes num frasquinho, embrulhado em papel de prendas, para ele o oferecer à mãe, logo que ela chegasse. Logo que o Fernando se aliviou, foi entusiasticamente felicitado por todos dizendo que se portava como uma pessoa crescida e capaz de ir à sanita como os outros, não tendo necessidade de usar fraldas, por precaução. Este «feito» foi, de novo, ruidosa e entusiasticamente reforçado por todos, quando os pais chegaram. A partir desse dia, o Fernando começou a dejectar Maluco2com regularidade.

Contudo, a razão da encoprose podia estar relacionada com o ambiente familiar, porque o Fernando já sofrera alguma quedas e quase desmaios no ginásio da escola-infantário, sem causas epilépticas ou quebras de tensão. O caso já tinha passado pelo médico que nada de anormal detectara. A razão principal podia ser o ambiente familiar e, especialmente, o relacionamento com a mãe.

Embora o resultado prático, visível e detectável da situação parecesse ter ficado resolvido, o seu relacionamento com a mãe ou, pelo menos a atitude dela para com o filho pouco mudou. Passados anos, depois da sua neuropsicologia-Bindependência psicológica e profissional, houve um afastamento temporário em relação aos pais, o qual foi abrandando com o casamento e constituição duma nova família.

Ainda bem que este caso ficou resolvido a contento e com grande risco suportado pelo psicoterapeuta. Uma falha na sua devida utilização ou resultado, poderia aumentar a dificuldade da criança como aconteceu noutro «caso» em que uma jovem tinha medo da sujidade, descrito na técnica de Saciação (flooding ou implosive therapy), nas páginas 130 e seguintes do livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F).

Depressão-BO que o governo está a fazer, é utilizar agora, uma espécie de técnica de flooding, sem prever, com cuidado, os resultados possíveis e sem ter feito algo anteriormente, para não deixar aumentar as gorduras iniciadas, em 1990, e ajudando até a que elas se avolumassem «alegremente» nos últimos 10 anos.

Contudo, o pouco que já fez durante mais de um demonstra que a técnica não pode ser esta e que a dessensibilização, embora mais demorada, é muito mais aconselhada. Se o doente não morre de doença, pode morrer da cura se não adquirir qualquer outro vício.

Já leu os comentários?arvore-2

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CRIANÇAS E TELEVISÃO – 2

Interacção-B30O impacto de TV na vida das crianças
(continuação de CRIANÇAS E TELEVISÃO – 1; final)

Referindo-nos ainda às investigações às quais nos referimos no inicio, podemos constatar que para compreender os efeitos que a TV produz nas crianças, temos de compreender primeiro alguma coisa acerca das suas vidas. A experiência que a criança tem no dia-a-dia, pode ajudá-la a captar melhor certas experiências apresentadas na TV e que, juntando-se de imediato a outras experiências já anteriormente adquiridas, ajuda ou obriga alterar ou a modificar o comportamento e as atitudes da mesma. Essa alteração será no sentido que os adultos consideram boa ou má? A intensidade com que a modificação se dá será grande ou pequena? Em cada caso, porém, será sempre Psicologia-Bdiferente. Os valores sociais e necessidades da criança serão sempre alterados. A escola não os altera? A conversa da rua não os altera? As atitudes e acções dos pais e doutros familiares mais idosos, não os altera?

A TV deixa a família reunida durante mais tempo, o que tanto pode servir como uma forma de união familiar, como pode servir para originar discussões, quando cada membro da família quer ver um programa diferente e não pode suportar interrupções ou ruídos. Neste último caso, como agora em Portugal somos todos democratas, poderíamos resolver o problema a contento de todos!

Quanto ao vício ou alienação de ver TV, os investigadores relacionam-no com baixa inteligência, insegurança, desajustamento Joana-Bnos contactos e amizades que os jovens possam ter. Especificam também que as crianças frustradas são as que vêem mais TV; as crianças que se tornam agressivas por causa das frustrações sofridas, quer com os colegas quer com quaisquer outras pessoas, lembram-se melhor das cenas de violência da TV, enquanto aquelas que não têm relações sociais consideradas por elas satisfatórias, sonham acordadas com os programas já vistos.

Parece, portanto, que as crianças vão procurar à TV aquilo que lhes faz falta ou mitiga os desaires sofridos. Os nossos sonhos não terão um efeito parecido? O que dizia Freud?

Para a criança, a TV é atraente por causa do seu fácil alcance, por causa do passatempo que ela lhe oferece, por causa da Saude-Bsegurança e coragem que podem ser facilmente obtidas através da visão de temas e cenas muito familiares (reforço vicariante) e por causa do impacto psicológico que ela provoca, tal como suspense, excitação, fuga da realidade, identificação com personalidades amigas e acolhedoras ou ainda por conseguir imaginar aquilo que cada um gostaria de ser e não conseguiu.

Mas o caso não se passa somente com crianças. Cada adulto pode fazer a pergunta a si mesmo e ver qual o impacto que a TV causa nele. Estaríamos aqui naquilo que se chama identificação em linguagem psicanalítica.

Experiências realizadas com alunos dos Liceus americanos, indicaram que as crianças se identificavam com as personagens doPsicopata-B mesmo sexo, dependendo a força dessa identificação da maior parecença da personagem com a criança (idade, classe social, etc.); os jovens lembravam-se melhor dos actos e palavras da personagem com quem mais se identificavam e na perspectiva que a cada um interessava; os rapazes lembravam-se melhor dos actos agressivos e as raparigas lembravam-se mais da interacção rapaz-rapariga, quando a rapariga era a personagem principal.

Os rapazes olhavam durante mais tempo para os actores e as raparigas para as actrizes.

Afinal, não passamos quase todos, quando crianças, por esta fase de identificação com os actores de cinema?Maluco2

Vemos que em quaisquer circunstâncias existe uma aprendizagem provocada pela TV. Mas, em que sentido? Entrevistas efectuadas com delinquentes indicaram que a TV, a pornografia e os filmes desempenharam um papel importante na origem do seu comportamento anti-social e ainda que os próprios adolescentes tinham um temperamento muito susceptível de adquirir facilmente estas influências em vez de outras.

Interessante é a comparação que os investigadores fazem da T’V com uma pastelaria dizendo que: “a TV é como uma pastelaria grande e atraente onde as crianças se servem daquilo que querem, mas onde existem também pratos indigestos, sem outros que os substituam nessa ocasião”.neuropsicologia-B

Fazendo a comparação entre os programas comerciais e não comerciais, os investigadores, chegam à conclusão de que a TV comercial tem mais dinheiro, é mais atraente, talentosa e assaz mais fantasiosa da que a não comercial que, embora real e com programas educativos, tem falta de dinheiro e consequente falta de talento e aparência atraente. Constatam também que a TV americana é diferente da inglesa e, seguramente, diferente da portuguesa. Qual a melhor para nós? Pela nossa experiência, julgamos que a portuguesa é menos prejudicial para nós porque, além de não ser totalmente comercial, também não apresenta com tanta insistência e frequência filmes que provocam muita emotividade. (Atenção! Isso foi em 1977)Consegui-B

A série Clayhanger foi boa ou má? Para quem? Quantos gostaram e quantos não gostaram? Que reacções provocou em cada membro da família? Só os portugueses, com todo o seu passado, presente e futuro, poderão decidir em maioria e activamente, os programas que lhes convêm. É isso que se está a fazer? (mesmo em 2012?). Criticar num café é muito bonito mas redunda em desabafo e em conversa de amigos. Os que estão, de facto, interessados, terão de participar numa critica pública activa e construtiva! O que é que se tem debatido publicamente sobre a TV a cores? (em 1977)

É muito interessante que os investigadores tenham descoberto serem os meios de comunicação social, aqueles que têm maior Acredita-Binfluência no público, mas no sentido da continuação da estrutura social existente e não na sua mudança. São necessários exemplos?

No que se refere essencialmente às crianças, a TV é um meio muito grande de aprendizagem especialmente na idade pré-escolar, podendo ter grande influência no vocabulário a ser adquirido; só mais tarde é que os meios escritos ganharão maior relevo.

As crianças mais espertas ouvem rádio e vêem TV com maior frequência até cerca dos 11 anos de idade e posteriormente dedicam-se mais à leitura sendo vulgar que até aos 16 anos o tempo utilizado nestas actividades seja igual ao Depressão-Btempo das aulas; porém, durante a adolescência, as crianças mais inteligentes ligam menos importância à TV. (Até 2012 muita coisa mudou com o computador e a internet).

Mais uma vez dizemos que o meio ambiente em que a pessoa vive, determina a quantidade e a qualidade dos programas observados e o impacto que certos pormenores causam no observador, sendo as ideias fantasiosas que as crianças às vezes fazem do mundo, originadas por factos da vida real; o malefício por não conseguirem aquilo que sonharam só poderá ser apreciado por investigações a longo prazo. Projectos destes serão incluídos nos planos do nosso Governo?

Embora a TV não provoque a delinquência, poderá, contudo fomentar um comportamento anti-social em indivíduos que já Imagina-Btenham problemas, muitos deles originados pelas desavenças entre os pais e, às vezes, a sua separação, filiação incógnita, educação em asilos, rejeição paterna, rejeição social ou do grupo, rotulagem de «débil», «deficiente», «atrasado mental», etc. que a nossa sociedade – até com a ajuda dos psicólogos – continua a praticar, às vezes, sem saber os danos que causa.

Que interesse existe em chamar a um indivíduo «débil» ou «atrasado mental» sem fazer nada para o recuperar? Será melhor arranjar estabelecimentos especiais para o segregar, ou teremos capacidade para, a pouco e pouco, o readmitir na sociedade à qual ele, por direito de nascença, já pertence há muito?Psi-Bem-C

Em personalidades predispostas para tal, não só a TV mas qualquer influência é muito mais vincada quando satisfaz os seus pontos de vista ou as suas necessidades.

Acerca dos danos causados pela TV no organismo, julgamos que não são de grande monta; a visão não é afectada se forem seguidas as normas que os fabricantes dos aparelhos recomendam e que estão ligadas às características técnicas de cada um.

Há pessoas que julgam que existem raios que saem do ecrã e danificam o observador, especialmente as grávidas. Diversos Difíceis-Bmédicos consultados, além de engenheiros electrotécnicos são unânimes em confirmar aquilo que os livros já disseram: o dano poderá ser tão grave como aquele que é provocado por qualquer droga ou factor psicológico. As grávidas terão de ter sempre mais cuidado com as doenças, raios X, droga., alcoolismo, tabaco, etc., entre a 2ª e a 9ª semana de gestação (primeiros 3 meses), do que nos meses seguintes, porque o feto ainda não está formado e qualquer lesão lhe pode ser fatal!

Concluindo, parece-nos, tal como aos investigadores, que a TV não é uma coisa a ser temida ou deificada, mas é simplesmente um meio poderoso de comunicação social que deverá ser utilizado sob a responsabilidade dos pais, professores, gestores das emissões, políticos e outras pessoas com influência na vida da criança.«Educar»-B

Quer-nos parecer que não é suficiente somente pagar a taxa e ficar a olhar para o ecrã até a emissão acabar. Os aparelhos podem ser desligados quando se quiser; as crianças irão dormir quando forem horas para tal; as crianças verão os programas que forem julgados úteis; os programas serão discutidos e avaliados pelos pais. Isto é realmente difícil… especialmente para os adultos que não se querem maçar com «educação» dos filhos! Educar exige tempo, paciência, boa vontade e compreensão. Mas onde é que os adultos vão arranjar tempo para tal se os amigos estão à espera no café ou existem reuniões fastidiosas a serem assistidas?

E quando as crianças estão em casa e os adultos não têm tempo para elas, o que é que estas farão? A TV não será um escape? Depress-nao-BUm meio de preencher longas horas de espera e solidão? Mesmo nas horas em que a criança deveria estar a dormir?

Em democracia, temos de ser nós a decidir! Sem manipulações e, muito menos, com paternalismos!

Em muitas situações de aprendizagem e terapia (e não só… ) utiliza-se o circuito fechado da TV porque é o meio mais eficaz (aprendizagem por modelo com reforço vicariante). Portanto, a TV é benéfica.

Como meio de cultura, informação e passatempo queremos TV ou não? Com que programação?Respostas-B30

Após a elaboração deste artigo, chegou-nos às mãos a revista “Psychology Today”, de Fevereiro de 1977, com uma crítica a um livro sobre a criança e a televisão, recentemente editado e que confirma totalmente as nossas afirmações anteriores.

Além do livro e das revistas citadas no início deste artigo, também nos baseamos no conteúdo do último número (157) da revista HOSPITALIDADE, da Casa de Saúde do Telhal.

(fim deste artigo)

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CRIANÇAS E TELEVISÃO – 1

Acabamos de receber o seguinte comentário dos CãoPincha acerca da importância da televisão nas crianças, citada pelo Dr.Interacção-B30 Paulo Morais.

Já que citou peças nossas na sua conta do Facebook, o que diz agora acerca da opinião do Doutor Paulo Teixeira Morais quanto à televisão e as crianças?
CãoPincha

Por este motivo, depois de dar uma rápida vista de olhos pelo artigo, esclareço que concordo, em parte, com ele quanto à limitação de anúncios, como na Europa. Contudo, não posso colocar de lado a importância dos pais. Os pais, por mais difícil de seja, não se podem demitir do seu papel fundamental de educadores e de fornecedores de Psicologia-Bmodelos de actuação.  Não basta dizer o que os filhos devem fazer e exigir que eles tenham uma linguagem «civilizada» com muitas desculpabilizações e  justificações à mistura. É necessário mostrar como se faz e, se necessário, desligar a televisão, mesmo à custa de seus próprios interesses e dvertimentos.

Este problema não me foi alheio em 1977, quando colaborava com o PARQUE, jornal do Centro de Bem-Estar Social de Queluz. Por este motivo e voltando a dizer que os pais não podem prescindir a sua tarefa de educadores, não basta haver proibições. É necessário que se limite a fonte de modelos a serem imitados e que os pais sejam capazes de «dialogar» com os filhos sobre este assunto tão importante para a formação da sua personalidade. A televisão existirá sempre e pode ser uma forma de aprendizagem, com fácil difusão da informação, tanto para o progresso como Joana-Bpara a crime. Por isso, é necessário preparar «as cabeças» de quem a vai «observar» e «absorver». De que maneira e com que finalidade?  As armas, tanto podem ser de defesa como de ataque. Não é apenas limitando a sua venda que se resolverá o problema da delinquência. É necessário actuar nos agentes. Tanto se pode aprender a ser santo como vilão. Depende do meio ambiente em que se vive.  Bandura, já fez as suas experiências, largamente divulgadas, como o «social learning» e verificaram-se experimentalmente os resultados.

Em 2012, já temos televisão a cores, o que é muito mais agradável do que a preto e branco. Os programas, quase nada mudaram a não ser para importar filmes de violência que só devem ser vistos com a devida discussão e sua descodificação através dos Saude-Bpais. O que têm os pais a dizer acerca da telenovela Morangos com Açúcar? É boa, má, ou razoável? Para quem? Que comportamentos irá incentivar e fixar em certos jovens? Quando eles, com carências em casa, se identificarem cm certos personagens, que resultados podemos daí esperar? Se eles pudessem ver a telenovela sob um ponto de vista crítico e discutir com os pais… mas, onde estão eles? É caso para meditar.

Além disso, é bom que as crianças, a estruturarem a sua personalidade a partir dos 6 a 8 anos, olhem para todo este panorama sob um ponto de vista crítica e não de aquisição de modelos. Lá estão os pais ou as pessoas mais gradas da família com trabalho! Não podem ser eles a ver com agrado, lembrando-se dos seus problemas recalcados, enquanto dizem aos filhos que os filmes ou as telenovelas não prestam. Lá estará a dissonância cognitiva a entrar em acção. Para Imagina-Bconcluir o nosso raciocínio, podemos dizer que a TV é tão boa como um bisturi bem afiado. Depende das mãos em que está, da finalidade com que se utiliza e dos resultados pretendidos. Pais! Trabalhem para que os filhos possam ser melhores do que nós. Para isso, temos de nos consciencializar dos nossos defeitos e falhanços.

Para uma melhor compreensão desta problemática, como a nossa televisão já é a cores e sobejamente comercial, os pais que se preocupam com a educação ou estruturação da personalidade dos filhos podem consultar todos os posts relacionados com moldagem, modelagem, identificação e reforço vicariante e fazerem a sua opção, podendo ler, para tanto, os livros dos que foram apoiados em psicoterapia porque a sua personalidade sofreu desequilíbrios e necessitou de ajuda para a reequilibrar.mario-70

Nestes termos, vamos a seguir, quase transcrever em dois posts, um artigo publicado no PARQUE, em 1977, mas, entretanto, podemos dizer que um paciente ajudado em psicoterapia, diagnosticado como PSICOPATA, demonstrou, com a sua completa recuperação, que nunca teria chegado ao ponto de tentar estrangular a noiva por três vezes, se a sua «educação» fosse diferente:

O impacto de TV na vida das crianças

Os pais preocupam-se acerca dos efeitos que a TV tem hoje em dia na vida dos seus filhos. Esta preocupação, levou-nos à Biblioconsulta de publicações que, pela sua seriedade, nos pareceram adequadas à aquisição de informações que nos podem elucidar sobre este assunto.

Além dessa consulta, fizemos perguntas a algumas crianças acerca da aprendizagem que por elas é feita através da TV.

Vamos a seguir descrever o resultado do nosso trabalho.

O «Television in the lives of our children» (Televisão na vida dos nossos filhos) editado em 1961 pela Stanford University Press, contém uma extensa investigação realizada por três psicólogos: Wilbur Schram, Jack Lyle e Edwin B. Parker. A revista Acredita-BPsychology Today nos seus números 3 e 6, de 1975, contém investigações feitas por Carol Tavris, Guy Cumberbatch e Dennis Howitt, sobre os efeitos da violência no comportamento das crianças.

Todas estas investigações englobaram estudos sobre muito mais do que 20.000 crianças, suas famílias e escolas, entre os anos de 1958 e 1914, na Inglaterra, Canadá e Estados Unidos da América.

A conclusão a que todos os investigadores chegaram, é que, para algumas crianças, em determinadas condições, os programas de TV são prejudiciais enquanto para outras, o não são. Se as condições se alterarem, os programas podem até ser benéficos para as primeiras e prejudiciais para as segundas. Para a maioria das crianças, os Psicopata-Bprogramas não são essencialmente nem benéficos, nem prejudiciais. Portanto, para avaliar se um determinado programa é benéfico ou prejudicial para uma certa criança, seria necessário observar com minúcia todas as condições em que a criança vê o programa, tal como as suas experiências passadas, o tipo de família a que pertence, a atitude da família em relação ao programa, a emotividade desencadeada pelo mesmo, a idade e tipo dos actores, assim como vários outros factores fundamentais.

Quais os programas melhores e quais os piores? Melhores e piores para quem? Quisemos, portanto, tentar saber a opinião de alguns dos alunos dos primeiros anos do Liceu a fim de podermos fazer uma ideia daquilo que se está a passar aqui e agora entre nós – princípios do ano de 1977 –, especialmente em relação aos filmes que suscitamMaluco2 opiniões das mais controversas entre os adultos.

Vamos começar por ouvir a opinião do Carlos Miguel, aluno do 3° ano do Ensino Secundário, com 15 anos de idade, acerca do filme KUNG FU, um dos que também na América e na Inglaterra originou críticas das mais diversas – «O SINAL DO DRAGÃO»:

Uma das razões porque acho que este filme foi proveitoso para mim, foi justamente a de praticar Judo nessa altura. O filme focava muito intensamente o aspecto da arte marcial que nasceu na Antiga China e que era uma mistura das várias escolas de artes marciais de países orientais como a China e o Japão. Associado a este aspecto do Consegui-BKUNG FU e fazendo parte da própria técnica, havia também a filosofia que, baseada na fé em Deus, através de muita concentração, facilitava a cultura espiritual. Claro que esta filosofia não teria nada a ver com a psicologia actual. E porque é que este filme foi proveitoso para mim?

1-       Porque me fazia ficar mais calmo e reduzia a agressividade; aliás, através do judo a agressividade já tinha diminuído: o filme fazia-me encarar, portanto, de uma forma verdadeira, outra forma de luta.

2-       Porque sendo eu cinto amarelo, nessa altura, como tinha somente dois anos de prática, o filme impingia em mim uma motivação para a criação de novas técnicas e maior aprendizagem do judo somente através da neuropsicologia-B
filosofia; além disso, foi reduzindo a pouco e pouco a passividade das aulas.

Outro filme controverso é o SANDOKAN. Vejamos mais uma opinião:

«Um dos filmes que eu gostei foi o SANDOKAN. Neste filme, gostei mais das lutas de Sandokan; da maneira como ele defendia o seu povo e a sua ilha; das intenções que ele tinha em arriscar a sua vida pela vida de seu povo, lutando com energia. Mas não gostei da parte do filme em que os ingleses foram traiçoeiros, fingindo-se amigos do povo de Mompracem, à espera de ter uma oportunidade para os atacar a fim de matarem Sandokan e o seu povo, e a ilha ficar a pertencer à lnglaterra. Esta opinião foi a de Graça Maria de 13 anos, aluna do 2º ano doDepressão-Bensino secundário.

É interessante notar que estas crianças cujas opiniões ficaram registadas, não tiveram limitação na escolha dos filmes, mas sim no horário estabelecido nas vésperas dos dias de aulas. Os pais delas discutem, às vezes, os filmes com os filhos sem fazerem exclamações ou comentários durante a sua exibição na TV.

A terceira opinião pertence a Ana Paula, de 14 anos, aluna do 8º ano d:o Ensino Unificado: Não gostei muito do filme O BARÃO AVENTUREIRO porque, embora fosse um filme com muita fantasia, havia partes que eu não achava muito próprias para o género de gosto das crianças em geral, embora possa haver algumas que pensem o Organizar-Bcontrário. Gosto muito dos filmes policiais porque há sempre um crime a desvendar e gosto de ver a maneira como eles resolvem os casos e como descobrem tudo. Gosto muito dos filmes portugueses e só tenho pena do cinema português estar tão pouco desenvolvido. Outros filmes de que gostei foram os de Fernandel por serem engraçados e o actor ser cómico».

Outra opinião foi da Florbela, de 10 anos, que frequenta 1º ano. do ciclo: «Eu gostei do filme Peter Pan porque as personagens principais eram rapazes e raparigas novas e alguns sabiam voar. Gostei também doConde de Monte-Cristo porque ele descobria sempre os que faziam mal e depois dava as coisas roubadas a quem pertenciam e defendia os pobres»Abade Faria

(continua e finaliza em CRIANÇAS E TELEVISÃO – 2)

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DEPRESSÃO

A notícia dada hoje no Canal 1 da Televisão Pública (TV1 – o nosso canal), de que a depressão pode ser tratada sem medicamentos, deu-me vontade de soltar, em primeiro lugar, uma forte gargalhada com um grande: “Ca ganda notícia!”

Em segundo lugar, fez-me lembrar a preocupação com os diagnósticos que se fazem em psiquiatria, e que os psicólogos tentam imitar sem saber dar, posteriormente, o apoio necessário a essa pessoa.

DIAGNÓSTICOS 1
DIAGNÓSTICOS 2
DIAGNÓSTICOS 3
DIAGNÓSTICOS 4
DIAGNÓSTICOS 5
DIAGNÓSTICOS 6
DIAGNÓSTICO FINAL
«arregaçar as mangas»

Em terceiro lugar, fui-me lembrando da nossa preocupação, desde antes de 1978 (1976), em resolver a situação, mais do que de diagnosticá-la, já que mais de 90 por cento de casos, diagnosticados em psiquiatria, foram resolvidos sem recurso a medicamentos (J).

Mais concretamente, dos 41 casos estudados, 14 resolveram (r) os seus problemas, 69 melhoraram (m) e 17 abandonaram (a) a psicoterapia. A grande parte dos que melhoraram e não continuaram, julgou que não necessitava de mais ajuda, não se podendo excluir também o factor financeiro. Do que abandonaram, muitos disseram que não podiam continuar a pagar a psicoterapia, já que era realizada em consultas privadas, porque o Estado não lhes proporcionava esse benefício (L). O medicamento era mais barato.

Dos casos de depressão,em que o tratamento variou entre os 90 e os 193 dias, que foi considerada a média, temos os casos:

76-007, com 245 dias (m);
77-045, com 512 dias (r);
77-047, com 227 dias (m);
77-050, com 805 dias (a);
78-003, com 200 dias (a);
78-042, com 212 dias (m);
79-030, com 300 dias (m);
79-053, com 296 dias (m).

A letra (r) indica que, numa escala de 11 pontos/conceitos, o paciente atingiu o ponto 3 ou menos das suas dificuldades.
A letra (m) indica que o paciente atingiu 5 ou menos na mesma escala.
A letra (a) indica que abandonou o tratamento.

A escala 11 pontos/conceitos, para cada um indicar o valor das suas dificuldades, é a seguinte:

10 máximo
9 muitíssimo
8 muito
7 bastante
6 acima da média
5 média, normal
4 abaixo da média
3 pouco
2 pouquíssimo
1 insignificante
0 mínimo

Infelizmente, alguns pacientes tiveram de ser posteriormente tratados enquanto estavam a ser medicados, porque havia necessidade de «prescrição e controlo do psiquiatra» para poder beneficiar da psicoterapia e possível comparticipação financeira.

Contudo, esta condição é extremamente danosa porque pode conduzir a casos de suicídio ou a outras «doenças» como a bi-polar. Que o diga a «Perfeccionista», uma médica a especializar-se em bioquímica que teve de abandonar a psicoterapia durante a qual melhorou, porque o psiquiatra insistiu em que a dose medicamentosa deveria ser aumentada em vez diminuída, facto que ocasionou o abaixamento da nota do estágio (N).

RISCO DE SUICÍDIO
RISCO DE SUICÍDIO 2
RISCO DE SUICÍDIO 3

Contudo, lembro-me perfeitamente que, devido a várias circunstâncias, também sofri de depressão ansiosa reactiva grave, com vontade de pôr termo à vida, de vez em quando, durante o tempo em que segui obrigatoriamente a medicação que me era imposta. Só quando me aliviei subrepticiamente da medicação, a situação aliviou e melhorou com a terapia do equilíbrio afectivo e a imaginação orientada.

O mesmo aconteceu durante pouco tempo com o Antunes (B), enquanto foi medicado. O resto, foi autoterapia baseada em «conversas» com um amigo psicólogo, muita leitura e treino pessoal.

A Cidália (C), que se ia alienando aos medicamentos, ao álcool e às relações sexuais promíscuas, não melhorou enquanto foi medicada. Os seus sintomas só se aliviaram e conseguiu resolver o seu problema, com total ausência de medicamentos, quando se submeteu à psicoterapia com muita colaboração sua, bastante leitura e treino em casa.

A Isilda (H) também pode dar o seu contributo juntamente com a «nova paciente», que fez a sua quase autoterapia com leitura e muito treino em casa.

O Júlio (E), que diga qual a razão da sua depressão. Ter família nos arredores de Coimbra e vir estudar em Lisboa, aos 10 anos de idade, morando com a família do seu padrinho amigo, é caso para isso? E para medicação?

Contudo, o melhor de tudo, é termos capacidade de prevenção em relação ao fenómeno depressivo que assola mais de 60% da população e, de momento, deve aumentar exponencialmente com a crise que atravessamos.

Organizar-BPROFILAXIA E PSICOTERAPIA NA DEPRESSÃO
PROFILAXIA E PSICOTERAPIA NA DEPRESSÃO 2
PSICOTERAPIA PREVENTIVA E DEPRESSÃO
PSICOTERAPIA PREVENTIVA E DEPRESSÃO 2

Senão, podemos ter o mesmo fim da paciente A que se suicidou num momento de extrema depressão, quando era fortemente medicada, estava de baixa e já não lhe era facultado o apoio psicoterapêutica dado anos antes, durante os quais melhorou substancialmente e rendeu bastante no serviço (N).

As letras a negro, entre parêntesis, indicam os livros respectivos mencionados no post de acolhimento no blog de edição TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS.

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PREVISÃO

A Psicologia Social ajuda-nos a fazer previsões que podem ajudar a melhorar o futuro. Mas, como parece que, em Portugal, se Organizar-Bfazem previsões para o piorar, apeteceu transcrever as páginas 18 a 20 dum novo livro – “COMPORTAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES” (N) – que está a ser elaborado a partir de outros aois mais antigos.

Viva o Carnaval!

Em 1993, o Primeiro-ministro português cancelou peremptoriamente a tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, contrariando uma tradição de séculos e chocando a maior parte dos cidadãos que estavam sobejamente habituados a foliar até mais do que neste dia e a utilizar este período do ano para extravasar a sua ansiedade e Interacção-B30necessidade de crítica, podendo exagerar nos comportamentos.
Todos conhecem a resposta que essa proibição provocou. O País correu a três velocidades: devagar, parado e marcha-atrás. No ano seguinte, surgiu uma tolerância dada quase em cima da hora. Porém, em 1995, ano de eleições, a tolerância foi assinada com quase um mês de antecedência. Os acontecimentos ocorridos nos anos iniciais poderiam ter sido evitados ou, pelo menos, deveria ter-se evitado o «escândalo» flagrante da antecipação no ano de 1995. Até 2012, ainda nada se aprendeu com estes acontecimentos?

Enquadrando estes factos típicos na teoria organizacional, não sabemos se definiremos os procedimentos ministeriais como «falha organizacional», «esperteza saloia», «olho vivo» ou «Chico esperto». Qualquer que seja a designação dada, é bom que Psicologia-B«os gestores da nação» se lembrem que o povo não é tão «parvinho» e medroso como era há uns bons cinquenta anos ou mais, apesar de ninguém lhe ter aumentado substancialmente a instrução, nem em quantidade nem em qualidade.

Assim vai a Justiça

Há cerca de quinze anos, quando uma jovem atravessava uma passadeira para peões e estava quase no fim da mesma, foi atropelada por um motociclista adolescente, paquete duma firma. Apesar de todo o trânsito estar parado, o motociclista resolveu avançar sem se preocupar com quem atravessava a rua. A jovem caiu, teve ferimentos na face, Psicopata-Bbraços e pernas, danificou as roupas e ficou sem poder trabalhar durante um mês. Sendo assistida no hospital, teve alta no mesmo dia e foi tratada a seguir em regime ambulatório. Queixou-se, posteriormente, de dores nos locais (joelho e cotovelo) onde sofreu lesões.

O adolescente não teve quaisquer ferimentos, mas a moto ficou ligeiramente danificada. A Polícia registou a ocorrência e os danos provocados. O seguro foi devidamente informado, mas achou que não devia pagar mais do que as despesas do hospital, apesar de o condutor se ter declarado culpado e haver uma testemunha ocular do acidente, que parou a sua viatura para deixar passar a jovem.

Como crime semipúblico, o Ministério Público devia fazer correr os trâmites normais até ao julgamento, ocasião em que a Acredita-Bjovem pediria as indemnizações a que se julgava com direito. Porém, uma amnistia absolveu o crime e o processo foi arquivado sem que a Justiça se preocupasse com as indemnizações.

Apresentada uma queixa no Cível, o juiz resolveu exigir que a queixosa provasse ter sido atropelada e sofrido prejuízos, apesar de tudo estar devidamente registado e documentado no processo inicialmente elaborado. Tudo isto num processo de acidente de viação em que existe uma infracção e danos corporais, materiais e psicológicos. Passados vinte anos alguma coisa mudou?

Surgiu posteriormente um ministro que, para melhorar o sistema, modificou o Código da Estrada, fazendo supor que a simples Consegui-Bpromulgação da legislação é o suficiente para evitar estas falhas organizacionais. Tudo o que aconteceu não foi porque os «instrumentos» com que os «técnicos» trabalhavam eram maus. Foi porque os técnicos não utilizaram devidamente os instrumentos que tinham ao seu dispor – «entrada» (input) – para a resolução dum problema –«saída» (output) –, ocasionando uma falha organizacional que nos aflige a todos no nosso dia-a-dia.

Aplicando a legislação antiga, provado que estava o facto do atropelamento e dos danos materiais e morais sofridos, competia à Justiça dosear e aplicar a pena sem deixar que a companhia de seguros continuasse a não cumprir o que devia desde o início. Não havendo inibição de condução ou sanção de espécie alguma para o adolescente, que não Maluco2teve o cuidado necessário no cumprimento das normas e no domínio do veículo, o próprio sistema passou a ajudá-lo a ter «reforço» com o seu comportamento de incúria na condução, enquanto também «reforçou» a seguradora pelo não cumprimento das suas obrigações.

Neste caso, a «falha organizacional» que provocou uma má «saída», deve-se essencialmente à má adequação da «entrada» para a «saída» desejada. E quando se fala na «entrada» faz-se referência tanto aos «instrumentos» (leis em vigor) como aos «técnicos» (pessoas treinadas, com vontade e aptidão para as aplicar) visando obter a «saída» pretendida (justiça que sirva para melhorar a vida social, evitando os abusos ou as incúrias de uns em desfavor de outros).neuropsicologia-B

Não foi necessário demorar mais do que um mês para verificar que a conclusão a que tínhamos chegado estava certa. O incidente repetiu-se, sendo desta vez mais grave porque, além de envolver fracturas no próprio condutor, ocasionou danos maiores noutra pessoa e destruição do motociclo. E assim vai o nosso país, onde nem a Justiça ajuda, a não ser…!

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ONDE NÃO HÁ PÃO …

No sábado, estávamos a fazer compras num grande supermercado. Como normalmente, quase toda a gente reserva essa manhã Saude-Bpara se abastecer para toda a semana, já que os outros dias são de trabalho. Ouvem-se muitas conversas, cochichos, desabafos ditos em surdina mas, audíveis para os mais próximos.

Passámos por um pequeno grupo de pessoas de várias idades, reunido junto da área de revistas e livros, que falava dos dissabores da vida que estamos a ter. De repente, um senhor de bastante idade que parecia «mergulhado» na leitura duma revista, levantou-se e disse-lhes: Em casa onde não há pão, todos ralham mas ninguém tem razão. Esta sua frase, dita para a gente mais nova que o parecia conhecer, levou-nos à reflexão de que a mesma podia ser acrescentada com mas alguns deles tem muita razão e estão a tentar reagir contra a falta de pão.Interacção-B30

Continuando a reflectir com o senhor de idade, no âmbito da psicologia social, achamos por bem que todas essas críticas ou ralhos deveriam ser bem ouvidos, fazendo com que os críticos arranjem soluções para a situação. Isto levou-nos à conclusão de que o Governo, que é o maior responsável pela distribuição do pão, deve ter em conta todas as sugestões que chegam aos ouvidos e até provocá-las para daí tirar ilações capazes de ocasionar uma boa e sábia governação, equitativa para todos.

Não são os sábios, «inteligentes» ou «ignorantes», «ensinadores» nas faculdades, que estão em contacto com a realidade. O Psicologia-Bmesmo nos acontece na psicoterapia, em cada dia que passa. Se não estivermos com os pés bem assentes no chão, a realidade do caso que temos entre mãos, foge subtil e rapidamente entre os dedos e depois, culpamos a teoria à qual nos enfeudámos, sem nos apercebermos que estivemos bem longe dela, sem darmos conta dessa distância.

Tudo isso, deixou-me a pensar durante o resto do dia até tentar entrar em imaginação orientada logo que fui para a cama. Qual seria a origem inicial dessa indignação e quais as soluções possíveis? Rapidamente surgiu a imagem desse quase grupo de conhecidos e talvez amigos, que «desabafavam» as suas (nossas) mágoas junto do senhor de idade, o qual tinha dificuldade em andar muito e tinha parado para descansar, enquanto folheava a revista que tinha entre Imagina-Bmãos.

A reacção pública, com manifestações contra as acções do governo e do parlamento são o reflexo do desengano em que caiu a população quase total ea frustração em que caíu, porque ninguém esperou que a necessária austeridade começasse, continuasse e fosse aprofundada apenas com os mais desfavorecidos. Os candidatos a deputados garantiram que não iriam aumentar impostos ou reduzir salários.

Uma vez governantes, ao tomarem posse dos cargos, asseguraram que as despesas do Estado seriam diminuídas, as grandes fortunas fortememente taxadas, as fundações, parcerias e institutos eliminados ou redimensionados, a Acredita-Beconomia relançada, o tecido produtivo apoiado e muitas coisas mais que se dizem «na ocasião» “pour épater le bourgeois”.

Depois, durante mais de um ano, com a desculpa e a coberto da TROIKA, reduziram os salários de quem? Os do povo. Nomearam à pressa os seus boys e girls como assessores, consultores, especialistas, etc. Só falta perguntar, como Valentim Loureiro: “Quantos são? quantos são?

Passaram a reduzir os vencimentos e até os subsídios de natal e de férias aos funcionários públicos, passando a pagar aos «seus ditos» abonos durante esse tempo, em vez de subsídios!!!Consegui-B

Paulo Portas esqueceu-se dos altos vencimentos de muitos gestores de que muitas vezes falou durante as suas visitas às feiras e mercados. Agora, até parece que aumentaram.

Passado mais de um ano de depredação dos vencimentos dos funcionários, as gorduras do Estado continuam por ser reduzidas, as fundações, os institusos e as parcerias público-privadas parece que dançam na corda bamba, bem equilibradas, sem cair, e sem se saber os causadores do descalabro, quanto mais culpabilizados e punidos. As frotas de carros pouco diminuem e a guarda pessoal aumenta. Logo, temos menos polícia nas ruas ou mais despesa com novos contratos. As investigações e as auditorias aumentam sem qualquer resultado palpável.Maluco2

Os mais ricos, pouco mais contribuem do que os «desgraçados», que nem uma bucha tem para dar aos filhos, quanto mais livros para ajudar a melhorar o nível educacional do povo que tanto necessita de gente capaz de enfrentar os desafios que vêm do Oriente e do Ocidente.

As grandes fortunas pouco ou nada contribuem. As «off-shores» estão bem, muito obrigado. Os desvios têm lugar seguro para onde «emigrar» e gozar férias em clima primaveril ou estival.

Os ricos continuam a viver o melhor possível, com muita coisa importada e sem dar o seu contributo aos produtos nacionais.Psicopata-B Também os produtos nacionais não têm incentivo para crescer e aumentar. Os «furtadores», continuam à solta, talvez por sobrelotação das cadeias, alguns apesar de condenados, e sem ressarcir o Estado das delapidações ocasionadas por eles. Estão pacientemente à espera, em casa, que o tempo passe e a poeira assente. Cá, em Portugal, fazemos uma tempestade num copo de água!

Assim, a economia, decalcada provavelmente de modelos teóricos, vai-se afundando, podendo deixar-nos num poço sem fundo depois de anos de sacrifício. Com toda esta expectativa, como pode a população ficar impávida e serena a ver o barco ir a fundo, para mais, com o contributo do governo que ela elegeu com uma  maioria da minoria, coligada com outra minoria da minoria? Provavelmente, só barafustar nos comícios e manifestações não deve Joana-Bchegar.

Se os governantes ouvissem os constantes apelos feitos pela população não demagógica e sofredora, talvez houvesse algum mérito e todos tivéssemos alguma vantagem para:

1 Ajudar as pequenas e médias empresas sérias e aumentar e a expandir, dando emprego a muita gente. Para isso, bastavam empréstimos com juros baixos.

2. Apoiar a agricultura, as pescas, as indústrias e os produtos regionais, além de fomentar a produção de artigos e serviços, Organizar-Bincluindo turismo.

3. Ajudar essas e outras empresas a difundir os seus produtos no estrangeiro e a exportar, para a entrada de dinheiro e novas divisas, com a consequente expansão da economia.

4. Repor o dinheiro dos que ganham pouco, para eles o gastarem no consumo interno mínimo de sobrevivência, que pode ajudar a manter e a expandir as pequenas empresas.

5. Procurar lançar impostos nos grandes vencimentos (falem com Paulo Portas), fortunas e «off-shores».Difíceis-B

6. Acelerar a justiça e mudar as leis de modo a obrigar TODOS os faltosos a ressarcir rapidamente o Estado dos danos causados com as suas fraudes.

7. Resolver o problema das parcerias, institutos  e fundações, responsabilizando os culpados e obrigando-os e cumprir as penas devidas, comportamentais e financeiras, sem delongas nem justificações.

8. Diminuir drasticamente os grandes consumos feitos pelos membros do governo, parlamento e outros dirigentes com vencimentos, transportes, cantinas baratas com ementas de luxo, etc.Psi-Bem-C

9. Diminuir drasticamente o número de deputados, ministros, secretários, sub-secretários, assessores, consultores, especialistas, sejam «inteligentes» ou «ignorantes», porque o seu trabalho pode ser feito por muitos Directores-gerais e seus colaboradores como acontecia antigamente. Menos de metade de toda essa gente, seria óptimo. Países muito grandes e prósperos dão-nos o exemplo.

10. Eliminar os constantes e dispendiosos pareceres, estudos, consultorias, etc. que custam fortunas e que podem ser gratuitamente feitos pelos funcionários do Estado, não se lhes assacando o rótulo de incompetentes. É o exemplo do actual ministro da saúde que já esteve, a peso de oiro nas finanças, não se sabendo o que fez de valioso.mario-70

11. Em vez de «apertar o pescoço» quase de rompante a muito mais de metade da população que contribuiria para melhorar o nível de vida de Portugal, protelar o empréstimo por mais algum tempo, utilizando a contenção de custos como meta fundamental para todos. Cuidado! A técnica da saciação, flooding ou implosive therapy utilizada com displicência, sem conhecimento aprofundado da situação e grande prática do técnico que a vai aplicar, pode originar um agravamento da situação inesperado, indesejado e incontrolável. Nestes casos, uma dessensibilização ao vivo lenta e progressiva é muito mais eficaz, duradoura e segura.Biblio

12. Restringir o consumo desenfreado e inútil. Para esta finalidade, a fim de não cercear a liberdade, basta aumentar os juros dos empréstimos para bens de luxo e taxá-los com um IVA maior. O recente  incentivo à compra desenfreada de casas e bens de consumo, foi um mau serviço prestado numa economia não muito desafogada e um óptimo negócio para os bancos! Já se esqueceram?

13. Para que pelo menos isto seja exequível em pouco tempo, é indispensável que exista o exemplo «de cima» a fim de não cairmos no ditado: “Bem prega Frei Tomás – faz o que ele diz e não faças o que ele faz…». É a pqsp2modelagem pura e simples.

14. Portugal não pode continuar a ser o aluno submisso dum professor pouco compreensivo. Tem de saber resistir, fazer compreender, dialogar e exigir que as aulas sejam dadas de modo diferente para que a matéria dada, seja aprendida com sucesso. Foi o que sempre procurei saber e fazer junto dos meus alunos. E tive muita sorte.

15. Para que as coisas se modifiquem, é indispensável que o governo não seja caturra, utilizando só os livros teóricos, sem ouvir o povo que está «no terreno», farto de dar palpites. Sem ir vender pastéis de Belém nem ordenhar a vaca 10 vezes por dia para ter mais leite, ou passar a vida como formigas para as cigarras se banquetearem, é necessário ouvir o povo e DIA-A-DIA-Cagir sem medo nem tibiezas, pondo de lado os «inteligentes» e os «ignorantes». Foi o que todos os candidatos antes, e governantes depois, prometeram, quando tomaram posse dos seus «postos de trabalho» pagos pevo POVO!

Estarão a cumprir?

É pena que não haja um tribunal que os julgue pelos danos financeiros, matérias e morais que podem causar e até já causaram com as suas actuações, especialmente nas últimas duas décadas. De mais não me lembro, porque acordei dum sonho agitado que a conversa do grupo me provocou.

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O GOVERNO E AS MANIFESTAÇÕES

Estivemos a discutir durante alguns dias as causas, as consequências e a possibilidade de reacção pública, com Interacção-B30manifestações contra as acções do Governo e do Parlamento.

Quando pediram a minha intervenção, fiquei de pensar no assunto e de dar uma resposta condicente com a psicologia social, já que todos estes fenómenos são mais ou menos previsíveis.

Quase todos sabemos que o nosso sistema parlamentar não se baseia na eleição de deputados desejados ou aceites pelos cidadãos, mas sim em grupos formados por membros de partidos políticos. Se votássemos num nome ou numa personalidade, teríamos mais ou menos a noção do seu perfil político. Votando num partido, temos de ter o conhecimento dos interesses desse partido que, geralmente, é composto por grupos de cidadãos afiliados para Psicologia-Bdefender os interesses dos grupos. Por isso, temos de saber se esses interesses são coincidentes com os nossos.

Na sua propaganda política, esses grupos procuram atrair para a sua esfera a maior parte de cidadãos. Apresentam-lhes as suas propostas como nos anúncios publicitários, com muitas benesses que levem os cidadãos a considerá-los melhores do que os grupos de outros partidos. Nessas ocasiões, até chegam a oferecer electrodomésticos e víveres, além de promessas de emprego. Por isso, os partidos fazem sondagens para saber quais os anseios do seu possível eleitorado mais próximo e apresentam-se como os defensores desses anseios. O eleitorado, como não têm outra escolha a não ser o «prato do dia» aceita, contrariado, essa dose, votando neles.

Outros – que podem ser a grande maioria da população –como já sabem que não têm outra escolha, fazem os possíveis Organizar-Bpor não ir votar para não engrossar um desses partidos que não lhe interessa. É por isso que existe a abstenção, além do tradicional comodismo do português que se habituou a isso, por força das circunstâncias, nos meados do século anterior.

O resultado, é haver um elevado nível de abstenção. Por isso, quando dizem que o partido X venceu as eleições com 40% dos votos, havendo 60% de abstenções, quer dizer que esse partido obteve apenas (40*40=16) 16% dos votos dos cidadãos ou eleitores. E, mesmo que ganhasse com 50%, seriam apenas 20% da totalidade. Em Timor, a percentagem de votantes foi de cerca de 90%. É uma percentagem boa, tanto mais que nas nossas primeiras eleições depois do «25 de Abril», ela foi de cerca de 75 ou 70%.Imagina-B

Ora, numa eleição aceitável, que legitimidade tem uma votação de 40% da população, da qual, alguma é arregimentada pelo partido? Qual a razão de não se perguntar aos restantes 60% dos cidadãos qual é a sua vontade? Qual a significação de haver tanta gente nas manifestações? Alguém tenta mudar este sistema? Não seria muito difícil. Bastava apenas colocar no boletim de voto um quadrado para podermos dizer que nenhum dos candidatos interessa e difundir copiosamente esta informação. Com esse quadrado para um «NÃO», talvez houvesse alguma surpresa. Quem tem medo de saber a verdade, ou a verdade não é para ser divulgada nem aceite?Psicopata-B

Os que ganham as eleições, logo que chegam ao poder, esquecem-se do que prometeram e começam a fazer o que mais lhes apetece, arregimentando à nossa custa, assessores, consultores e especialistas que pertencem ao partido ou são amigos e apoiantes – os tais boys e girls -, mudam as decorações dos gabinetes, renovam a frota de automóveis e fazem as despesas mais estapafúrdias.

Continuando com um sistema como o actual, em que a minoria vai governar, provavelmente, contra a vontade da verdadeira maioria e contra os seus interesses que nunca foram precavidos, não é de admirar que manifestações como as que já estão a acontecer e podem continuar, até com pessoas de todos os partidos políticos, não sejamMaluco2 raras.

Além disso, é provável que alguns partidos que apoiam essas manifestações comecem a agradar aos descontentes, porque estes ficaram à espera que o governo saído da votação – embora sem a sua intervenção – governe a favor de todos e não para uma minoria que os deseja lá, para poder fazer aquilo que entende a coberto da pretensa legalidade. Começa já aí a propaganda para uma futura mudança ou descontentamento do momento.

Se assim não fosse, não haveria os escândalos das parcerias púbico privadas, nem do BPN, nem duma justiça que não toca nos Saude-Bpoderosos, nem protege o cidadão comum que deseja alguém a quem possa recorrer em momentos de aflição e de ataque. Basta consultar as inúmeras notícias que começam a circular nas redes sociais. Sabendo tudo isso, o descontentamento aumenta.

O governo promete diminuir as despesas mas, em vez de cortar no supérfluo, corta na subsistência dos mais desfaforecidos. Em ver de ir buscar o dinheiro aos ricos e poderosos, arrecada os parcos ordenados dos mais pobres.  E os que estão no governo e nas cercanias também sofrem os cortes ou os subsídios de 13º e 14º mês são «abonos» a serem-lhes pagos sem rebuço. Tudo isso é declarado ou o IRS sofre com isso? A pouca informação e Consegui-Btransparência de que somos vítimas, deixa todos numa expectativa que não é boa e pode provocar a dúvida de que estamos a ser ludibriados. Como comparação, não o somos, de facto, com os discursos de antes e depois das eleições ou mesmo antes e depois de tomar as medidas gravosas?

O que se vê, de facto, são os ricos que contunuam a enriquecer e os pobres a ficar na indigência. Agora, até a classe chamada média, que pagava impostos, de facto, pode não ter dinheiro para os pagar. Isto provoca muita dissonânccia cognitiva e uma enorme frustração que nos faz lembrar muitos crimes que ocorrem, talvez até como o de Renato Seabra, provavelmente cometido durante um desses surtos de profunda decepção e frustração.Acredita-B

Quando o POVO chegar a um ponto de frustração de não ter um governo que o ajude a viver num país de direito e de justiça, pode dar uma resposta que é difícil prever mas que, em princípio, não deve ser a de se submeter voluntaria e tacitamente às vontades dos governantes que nem são do seu agrado.

A injustiça e a falta de equidade sentida em toda esta situação, pode funcionar como um rastilho perigoso. Os que só agora falam nisso e dizem que sabem o que se passa, pouco actuam, a não ser com palavras vãs. Basta acender um fósforo para fazer explodir um armazém de pólvora.Difíceis-B

O pior de tudo, pode ser uma aprendizagem de reagir deste modo à frustração por não se conseguir o mínimo a que uma pessoa se julga com direito, vendo que os sacrifícios pedidos não são equitativamente distribuídos. As inúmeras greves podem ser o prenúncio disto, embora também emagreçam os nossos poucos recursos disponíveis. Mas, é o alívio momentâneo da frustração.

Tudo isto é previsível e evitável desde que as pessoas que tomam as rédeas do poder saibam observar, registar, compreender, dialogar e fazer entender que uma determinada medida, por mais gravosa que seja, é para um bem futuro. Mas, Psi-Bem-Cantes de tudo, os mandantes têm de dar o exemplo dos sacrifícios que se pedem aos mandados. O exemplo vem de cima e é assim a modelagem. Fazer discursos bonitos e ter comportamentos contraditórios pode criar mais dissonância cognitiva que pode conduzir a comportamentos relacionados com uma resposta à frustração, imprevisível e intempestiva.

A bandeira do 5 de Outubro, na Câmara Municipal de Lisboa, apareceu ao contrário por acaso? Qual a razão de, com calma, o que preside aos destinos da nação – sem ser com a minha contribuição – não a ter endireitado, apesar de saber que estava ao contrário? Será assim que vai deixar ficar o País para dizer depois que sempre interveio nos momentos mais importantes? Como?Depressão-B

Falar é bom, mas fazer é melhor e prevenir é-o ainda mais.

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RELAXAMENTO 4

Ontem à tarde, um rapaz conhecido que gostaria de avançar para uma licenciatura – insistiu que não era igual à do RelvasConsegui-Bcom muitos trabalhos práticos, disse-me que estava aflito porque, no serviço, o colega não lhe facilitava a troca de horários.

Quando lhe respondi que devia fazer relaxamento, que ele já conhecia e
tinha praticado, e pensar na sua situação, pondo os pós e os contras para tentar obter uma solução menos insatisfatória do que a actual, respondeu-me que já tinha ligo “Eu Também CONSEGUI!” (C) e que isso não o devia ajudar.

Aconselhei-o a ler pelo menos os três posts dedicados, neste blog, ao Relaxamento e agora, vou transcrever as páginas 109 e Psi-Bem-C110 do livro PSICOTERAPIAS BEM SUCEDIDAS – 3 casos (L) relacionadas com o Caso da Germana para o ajudar compreender o que mais uma pessoa fez para resolver a sua situação.

“Quando ao fim de uma semana voltou ao meu consultório, para a segunda consulta, a Germana disse-me que tinha dificuldade em praticar sozinha o relaxamento e que a leitura a deixava bastante tensa e com a ideia de que nunca conseguiria fazer o que acabara de ler. Expliquei-lhe que, de facto, nunca conseguiria fazer tudo aquilo que desejasse e que isso era um bom sinal. Era indicativo de que tinha ambições e desejava progredir. Desde que não sejam utópicas, as ambições de melhoria ou de progresso são boas. Se conseguirmos tudo, paramos e não progredimos. Para progredir, temos de desejar avançar porque não estamos satisfeitos com o que temos ou com Biblioo local onde estamos. A ambição e a «revolução» são sempre necessárias e inerentes à natureza humana saudável, desde que não sejam exageradas e irrealistas. Por isso, querer um pouco mais ou melhor do que aquilo que temos, é importante e impulsiona-nos para o progresso.

Ajudei-a a fazer o relaxamento com as simples contracções musculares. Expliquei-lhe que necessitava de fazer apenas este relaxamento, enquanto pudesse, antes de conciliar o sono. Não devia preocupar-se se sentisse sono antes do momento em que deveria concluir os exercícios de relaxamento. Não tinha necessidade de orientar os pensamentos mas devia tomar nota de tudo aquilo de que se lembrasse, por mais insignificante ou disparatado que lhe pudesse parecer. Expliquei-lhe que aquilo que nos parece sem nexo ou sentido serve, muitas vezes, de base Acredita-Bàs hipóteses de trabalho que nos orientam para a pesquisa de profundidade que é necessário fazer na «alma humana», isto é, no não consciente. Disse-lhe que os factos dolorosos são, quase sempre, afastados da nossa consciência quer porque nos incomodam, quer porque nos envergonham ou deixam embaraçados. Não nos queremos lembrar deles e, por isso, relegamo-los para o fundo do «armazém» do nosso inconsciente. Ali ficam, geralmente,
mal enterrados ou «recalcados» até que um dia, em ocasiões menos propícias, nos voltam a incomodar provocando um mal-estar muito grande. Nessa ocasião, não descobrimos porque nos sentimos mal. Arranjamos imensas justificações plausíveis ou, às vezes, inverosímeis e tentamos fugir do assunto como de uma sombra que Maluco2nos continuará a perseguir pela vida fora. Não damos conta ou mal sabemos que apagando apenas o foco luminoso, a sombra desaparece.

Para se descobrir este foco luminoso ou de «infecção invisível da alma», existe todo um trabalho que é realizado, geralmente, em psicoterapia de profundidade e que pode ser melhor e mais rapidamente efectuado se houver uma boa «disponibilidade» do paciente ou consulente. Esta disponibilidade pode ser criada e melhorada por cada um com a prática do relaxamento e com a anotação das recordações, memórias, sonhos, pesadelos, factos, actos e percepções pouco vulgares que vão surgindo ou são recordadas no dia-a-dia.

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