PSICOLOGIA PARA TODOS

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CRIANÇAS E TELEVISÃO – 2

Interacção-B30O impacto de TV na vida das crianças
(continuação de CRIANÇAS E TELEVISÃO – 1; final)

Referindo-nos ainda às investigações às quais nos referimos no inicio, podemos constatar que para compreender os efeitos que a TV produz nas crianças, temos de compreender primeiro alguma coisa acerca das suas vidas. A experiência que a criança tem no dia-a-dia, pode ajudá-la a captar melhor certas experiências apresentadas na TV e que, juntando-se de imediato a outras experiências já anteriormente adquiridas, ajuda ou obriga alterar ou a modificar o comportamento e as atitudes da mesma. Essa alteração será no sentido que os adultos consideram boa ou má? A intensidade com que a modificação se dá será grande ou pequena? Em cada caso, porém, será sempre Psicologia-Bdiferente. Os valores sociais e necessidades da criança serão sempre alterados. A escola não os altera? A conversa da rua não os altera? As atitudes e acções dos pais e doutros familiares mais idosos, não os altera?

A TV deixa a família reunida durante mais tempo, o que tanto pode servir como uma forma de união familiar, como pode servir para originar discussões, quando cada membro da família quer ver um programa diferente e não pode suportar interrupções ou ruídos. Neste último caso, como agora em Portugal somos todos democratas, poderíamos resolver o problema a contento de todos!

Quanto ao vício ou alienação de ver TV, os investigadores relacionam-no com baixa inteligência, insegurança, desajustamento Joana-Bnos contactos e amizades que os jovens possam ter. Especificam também que as crianças frustradas são as que vêem mais TV; as crianças que se tornam agressivas por causa das frustrações sofridas, quer com os colegas quer com quaisquer outras pessoas, lembram-se melhor das cenas de violência da TV, enquanto aquelas que não têm relações sociais consideradas por elas satisfatórias, sonham acordadas com os programas já vistos.

Parece, portanto, que as crianças vão procurar à TV aquilo que lhes faz falta ou mitiga os desaires sofridos. Os nossos sonhos não terão um efeito parecido? O que dizia Freud?

Para a criança, a TV é atraente por causa do seu fácil alcance, por causa do passatempo que ela lhe oferece, por causa da Saude-Bsegurança e coragem que podem ser facilmente obtidas através da visão de temas e cenas muito familiares (reforço vicariante) e por causa do impacto psicológico que ela provoca, tal como suspense, excitação, fuga da realidade, identificação com personalidades amigas e acolhedoras ou ainda por conseguir imaginar aquilo que cada um gostaria de ser e não conseguiu.

Mas o caso não se passa somente com crianças. Cada adulto pode fazer a pergunta a si mesmo e ver qual o impacto que a TV causa nele. Estaríamos aqui naquilo que se chama identificação em linguagem psicanalítica.

Experiências realizadas com alunos dos Liceus americanos, indicaram que as crianças se identificavam com as personagens doPsicopata-B mesmo sexo, dependendo a força dessa identificação da maior parecença da personagem com a criança (idade, classe social, etc.); os jovens lembravam-se melhor dos actos e palavras da personagem com quem mais se identificavam e na perspectiva que a cada um interessava; os rapazes lembravam-se melhor dos actos agressivos e as raparigas lembravam-se mais da interacção rapaz-rapariga, quando a rapariga era a personagem principal.

Os rapazes olhavam durante mais tempo para os actores e as raparigas para as actrizes.

Afinal, não passamos quase todos, quando crianças, por esta fase de identificação com os actores de cinema?Maluco2

Vemos que em quaisquer circunstâncias existe uma aprendizagem provocada pela TV. Mas, em que sentido? Entrevistas efectuadas com delinquentes indicaram que a TV, a pornografia e os filmes desempenharam um papel importante na origem do seu comportamento anti-social e ainda que os próprios adolescentes tinham um temperamento muito susceptível de adquirir facilmente estas influências em vez de outras.

Interessante é a comparação que os investigadores fazem da T’V com uma pastelaria dizendo que: “a TV é como uma pastelaria grande e atraente onde as crianças se servem daquilo que querem, mas onde existem também pratos indigestos, sem outros que os substituam nessa ocasião”.neuropsicologia-B

Fazendo a comparação entre os programas comerciais e não comerciais, os investigadores, chegam à conclusão de que a TV comercial tem mais dinheiro, é mais atraente, talentosa e assaz mais fantasiosa da que a não comercial que, embora real e com programas educativos, tem falta de dinheiro e consequente falta de talento e aparência atraente. Constatam também que a TV americana é diferente da inglesa e, seguramente, diferente da portuguesa. Qual a melhor para nós? Pela nossa experiência, julgamos que a portuguesa é menos prejudicial para nós porque, além de não ser totalmente comercial, também não apresenta com tanta insistência e frequência filmes que provocam muita emotividade. (Atenção! Isso foi em 1977)Consegui-B

A série Clayhanger foi boa ou má? Para quem? Quantos gostaram e quantos não gostaram? Que reacções provocou em cada membro da família? Só os portugueses, com todo o seu passado, presente e futuro, poderão decidir em maioria e activamente, os programas que lhes convêm. É isso que se está a fazer? (mesmo em 2012?). Criticar num café é muito bonito mas redunda em desabafo e em conversa de amigos. Os que estão, de facto, interessados, terão de participar numa critica pública activa e construtiva! O que é que se tem debatido publicamente sobre a TV a cores? (em 1977)

É muito interessante que os investigadores tenham descoberto serem os meios de comunicação social, aqueles que têm maior Acredita-Binfluência no público, mas no sentido da continuação da estrutura social existente e não na sua mudança. São necessários exemplos?

No que se refere essencialmente às crianças, a TV é um meio muito grande de aprendizagem especialmente na idade pré-escolar, podendo ter grande influência no vocabulário a ser adquirido; só mais tarde é que os meios escritos ganharão maior relevo.

As crianças mais espertas ouvem rádio e vêem TV com maior frequência até cerca dos 11 anos de idade e posteriormente dedicam-se mais à leitura sendo vulgar que até aos 16 anos o tempo utilizado nestas actividades seja igual ao Depressão-Btempo das aulas; porém, durante a adolescência, as crianças mais inteligentes ligam menos importância à TV. (Até 2012 muita coisa mudou com o computador e a internet).

Mais uma vez dizemos que o meio ambiente em que a pessoa vive, determina a quantidade e a qualidade dos programas observados e o impacto que certos pormenores causam no observador, sendo as ideias fantasiosas que as crianças às vezes fazem do mundo, originadas por factos da vida real; o malefício por não conseguirem aquilo que sonharam só poderá ser apreciado por investigações a longo prazo. Projectos destes serão incluídos nos planos do nosso Governo?

Embora a TV não provoque a delinquência, poderá, contudo fomentar um comportamento anti-social em indivíduos que já Imagina-Btenham problemas, muitos deles originados pelas desavenças entre os pais e, às vezes, a sua separação, filiação incógnita, educação em asilos, rejeição paterna, rejeição social ou do grupo, rotulagem de «débil», «deficiente», «atrasado mental», etc. que a nossa sociedade – até com a ajuda dos psicólogos – continua a praticar, às vezes, sem saber os danos que causa.

Que interesse existe em chamar a um indivíduo «débil» ou «atrasado mental» sem fazer nada para o recuperar? Será melhor arranjar estabelecimentos especiais para o segregar, ou teremos capacidade para, a pouco e pouco, o readmitir na sociedade à qual ele, por direito de nascença, já pertence há muito?Psi-Bem-C

Em personalidades predispostas para tal, não só a TV mas qualquer influência é muito mais vincada quando satisfaz os seus pontos de vista ou as suas necessidades.

Acerca dos danos causados pela TV no organismo, julgamos que não são de grande monta; a visão não é afectada se forem seguidas as normas que os fabricantes dos aparelhos recomendam e que estão ligadas às características técnicas de cada um.

Há pessoas que julgam que existem raios que saem do ecrã e danificam o observador, especialmente as grávidas. Diversos Difíceis-Bmédicos consultados, além de engenheiros electrotécnicos são unânimes em confirmar aquilo que os livros já disseram: o dano poderá ser tão grave como aquele que é provocado por qualquer droga ou factor psicológico. As grávidas terão de ter sempre mais cuidado com as doenças, raios X, droga., alcoolismo, tabaco, etc., entre a 2ª e a 9ª semana de gestação (primeiros 3 meses), do que nos meses seguintes, porque o feto ainda não está formado e qualquer lesão lhe pode ser fatal!

Concluindo, parece-nos, tal como aos investigadores, que a TV não é uma coisa a ser temida ou deificada, mas é simplesmente um meio poderoso de comunicação social que deverá ser utilizado sob a responsabilidade dos pais, professores, gestores das emissões, políticos e outras pessoas com influência na vida da criança.«Educar»-B

Quer-nos parecer que não é suficiente somente pagar a taxa e ficar a olhar para o ecrã até a emissão acabar. Os aparelhos podem ser desligados quando se quiser; as crianças irão dormir quando forem horas para tal; as crianças verão os programas que forem julgados úteis; os programas serão discutidos e avaliados pelos pais. Isto é realmente difícil… especialmente para os adultos que não se querem maçar com «educação» dos filhos! Educar exige tempo, paciência, boa vontade e compreensão. Mas onde é que os adultos vão arranjar tempo para tal se os amigos estão à espera no café ou existem reuniões fastidiosas a serem assistidas?

E quando as crianças estão em casa e os adultos não têm tempo para elas, o que é que estas farão? A TV não será um escape? Depress-nao-BUm meio de preencher longas horas de espera e solidão? Mesmo nas horas em que a criança deveria estar a dormir?

Em democracia, temos de ser nós a decidir! Sem manipulações e, muito menos, com paternalismos!

Em muitas situações de aprendizagem e terapia (e não só… ) utiliza-se o circuito fechado da TV porque é o meio mais eficaz (aprendizagem por modelo com reforço vicariante). Portanto, a TV é benéfica.

Como meio de cultura, informação e passatempo queremos TV ou não? Com que programação?Respostas-B30

Após a elaboração deste artigo, chegou-nos às mãos a revista “Psychology Today”, de Fevereiro de 1977, com uma crítica a um livro sobre a criança e a televisão, recentemente editado e que confirma totalmente as nossas afirmações anteriores.

Além do livro e das revistas citadas no início deste artigo, também nos baseamos no conteúdo do último número (157) da revista HOSPITALIDADE, da Casa de Saúde do Telhal.

(fim deste artigo)

Já leu os comentários?arvore-2

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO
de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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3 thoughts on “CRIANÇAS E TELEVISÃO – 2

  1. CãoPincha on said:

    Gostámos destes dois postes sobre a televisão e as crianças. Já ficámoa a saber que os pais têm de ter muito mais cuidado na educação dos filhos. Evitarão desvios que se vêem frequentemente na sociedade de hoje.

  2. Gostei deste poste. Continue assim a ajudar as pessoas a pensar nos seus comportamentos em casa com os filhos.

  3. Gostei deste artigo. Quando estive na cabeleireira, tive de passar algum tempo à espera da minha vez. Dei um golpe de vista pela revista ACTIVA, de novembro. Descobri um artigo sobre a educação na Finlândia que me interessou bastante. Este blogue, juntamente com um outro seu associado falam de reeducação e de psicopedagogia. Gostaria de ter também a vossa opinião sobre esse artigo.
    Fico à espera. Julgo que não será difícil encontrar a resvista.

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