PSICOLOGIA PARA TODOS

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A POLÍTICA E A MUDANÇA

Logo depois de ver os distúrbios ocasionados no dia 14 de Novembro em vários pontos do país e, especialmente em Lisboa, Interacção-B30numa conversa entre amigos perguntaram-me se os achava bem e como poderia explicar isso em psicologia social.
E se os partidos não estivessem envolvidos nisso?

De facto, os maiores distúrbios tinham ocorrido fora das associações manifestantes, depois das suas manifestações e quase espontaneamente, segundo os relatos da polícia.
Pareciam mais actos de provocação ou de destruição do que de reivindicação.

Lembrei-me imediatamente do meu antigo paciente, o Joel (G), que se tinha inscrito, então, num partido político, Organizar-Breivindicativo e muito à esquerda.

Isso servia-lhe para se sentir uma pessoa capaz de reivindicar, qualquer coisa que fosse, embora ele não soubesse bem o que era. Servia essencialmente para fazer barulho e bater em alguém. Era uma válvula de escape.

Como não tinha resposta para dar, passados os primeiros momentos da minha confusão, comprometi-me a fazer calmamente um post sobre o assunto. Tinha de pensar profundamente e, talvez, utilizar a imaginação orientada para me recordar dos velhos tempos em que tinha lidado com o Joel, bem como dos tempos mais recentes em que o Psicologia-Bcontactara pessoalmente.
Agora, o telefone dele já estava desligado, há meses, o que me dava a impressão de que tinha acabado de «viajar» para outras paragens. De qualquer maneira, mesmo sem poder «re-conversar» com o Joel, eu tinha de dar esta resposta, mais como cidadão do que só psicólogo, abordando a esfera política.

No caso do Joel, passados os primeiros momentos de excitação nas manifestações políticas, tentou estrangular a noiva no vão duma escada, em Lisboa e desmaiou quando a ela também aconteceu o mesmo. Levados de urgência para um hospital psiquiátrico, ele ficou, internado com o diagnóstico de psicopata e ela, depois de medicada pôde ir para casa.Joana-B

Submetido à quimioterapia e à psicoterapia, o Joel melhorou passado algum tempo. Durante esse período de tratamento, informou que já tinha tentado matar a noiva, por duas vezes, tentando empurrá-la para fora dum comboio em andamento e tentando lançá-la para cima dos carris com um comboio a aproximar-se.

Num exame mais profundo desses episódios, conseguiu descobrir que todo esse comportamento de agressividade, demonstrado em muitas ocasiões, e especialmente com a noiva, era o resultado de sentimentos de inferioridade que tentava compensar com uma atitude de dominação.Psicopata-B
Se não, qual a razão de dar caneladas nos outros jogadores em vez de pontapés na bola? E o murro no tampo de vidro da máquina de fotocópias quando o trabalho teve de ser feito à hora de saída do serviço? E o estilhaçar do vidro da porta de vaivém quando foi admoestado por causa dum serviço mal feito?

Quem ainda não tiver conseguido ler o seu livro, pode perguntar:
– Qual a razão de tentar matar a sua noiva, com três tentativas falhadas?”
A resposta é simples:
▫ Joel nunca teve uma infância aceitável, embora fosse educado num colégio religioso muito conceituado.Consegui-B
▫ Não teve uma família que o acarinhasse, nem uma família no sentido tradicional.
▫ Não teve modelos com os quais se pudesse identificar.
▫ Teve uma educação num colégio com ordens a cumprir e onde se sentia inferiorizado, a não por um cãozinho solitário que lhe fazia companhia nas horas do recreio e brincadeira.
▫ Não tinha uma boa aparência física, além de visão defeituosa.
▫ Não sentia que as outras jovens olhassem para ele com apreço.
▫ A única jovem que se dava com ele, muito cobiçada por outros, tinha de se manter na sua companhia e ele não podia sentir Depressão-Bque ela lhe fugia das mãos.
▫ Na guerra da Guiné, tinha desaprendido tudo o que lhe tinham obrigado a aprender no colégio onde estivera internado durante muitos anos, aprendendo a tentar neutralizar ou aniquilar o inimigo antes que ele próprio fosse incapacitado.

Se um indivíduo como o Joel sentisse que o governo era o seu inimigo principal, porque o incapacitava de obter o sustento mínimo necessário, qual poderia ser o seu comportamento? Provavelmente, agredi-lo. E as forças policiais não representam, até certo ponto o governo?

Joel estaria certo? Provavelmente, não. Mas toda a sua educação tinha sido no sentido de atacar antes que fosse atacado ou, Acredita-Bpelo menos, reagir violentamente contra o seu atacante.

Contudo, depois de ele próprio «entrar no seu não consciente», com a psicoterapia, ler muita coisa, conversar muito lúcida e conscientemente e tentar dar novo rumo à sua vida, até foi capaz de enfrentar psicólogos pouco cuidadosos, quando o seu «caso» foi apresentado em congresso, além de deixar que a sua noiva seguisse caminho diferente, a conselho do psiquiatra, sem, contudo, conseguir ser feliz.
Recordei também o caso do Tiago.

Depois de estar em imaginação orientada, lembrei-me que muitos dos manifestantes poderiam ter a «educação» que o Joel Maluco2teve. De que modo irão reagir nos casos de frustração? Não serão alvo fácil de consumar comportamentos semelhantes aos mencionados ou quaisquer outros como álcool, droga, prostituição, delinquência? E se alguém, por razões pouco confessáveis, os quiser arregimentar para provocar distúrbios, será difícil a sua colaboração?

Muitos dos que ainda não estão ou já estão indiciados pela justiça e até condenados, arregimentaram, a troco de magros tostões ou cêntimos, outros «menos vulneráveis» para acções não tão espectaculares. Não é necessário lançar pedras da calçada. Basta entregar papéis para assinar ou fazer propostas de lucros impossíveis. Sonegar lucros ou desviá-los, pode ser ainda mais gravoso do que rebentar meia dúzia de montras. Não conhecemos ninguém que até Psi-Bem-Ctenha sido membro do Governo? Se os comportamentos dos manifestantes são execráveis, aos outros pode chamar-se corrupção e ficarem em banho-maria para uma futura eventualidade, incluindo a prescrição. Enfim, é o país que temos com os governantes que elegemos ou deixamos eleger por comodismo.

Este assunto, entra muito mais no âmbito da psicoterapia, psicopatologia e formação da personalidade do que na psicologia social. Por isso, os livros indicados com as letras (A), (B), (C), (D), (E), (F), (G), (H), (I), (J) (L), (M) são os mais elucidativos.

E quem não tiver tido uma educação adequada ou não conseguir fazer uma psicoterapia preventiva de que maneira irá reagir? Saude-BSomos também o produto do meio ambiente.

Se não se mudar a política que se está a seguir, exigindo maior rigor, competência, responsabilidade e transparência aos governantes, muitas mais manifestações, greves e desacatos teremos de suportar, com desperdícios cada vez maiores e prejudiciais para o público, que sustenta todo este descalabro, ficando ainda mais pobre do que já está.

No fim destas ideias, apetece-me fazer algumas perguntas como cidadão e, logicamente, empenhado na política «apartidária» deste país:neuropsicologia-B
– Existe um equilíbrio razoável e equitativo entre os mais pobres e os mais ricos?
– É parecido com o dos outros países semelhantes a Portugal?
– Existe honestidade dos governantes e transparência nas suas acções?
– Existe uma «educação» para a cidadania – e não para a civilidade do “com licença”, “faz favor”, “muito obrigado” forçados – com que tratamos os outros?
– Qual o exemplo que os pais dão, sem a sua companhia, mas através dos seus modelos e reforços vicariantes que são consequentemente proporcionados?
– Algumas famílias que desejem «educar» os seus filhos de maneira saudável, terão oportunidade e possibilidades para o fazer?Interacção-B30
– Quais são os exemplos que são apresentados na governação e na justiça?

Vários posts desde blog, especialmente os últimos, tratam de assuntos muito semelhantes.

Se os governantes pensassem apenas nisto, teriam de mudar em muito não só o seu comportamento como toda a sua política para facilitar a vida dos portugueses que, desde 2 de Maio de 1974, estão à espera de dias melhores.

Já leu os comentários?arvore-2

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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One thought on “A POLÍTICA E A MUDANÇA

  1. Anónimo on said:

    É bom ouvir o que diz Manuel Monteiro, pelo menos para pensarmos no assunto e avaliarmos o tipo de políticos que estamos a ter.

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