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A ATITUDE E A MUDANÇA

Em conversa com um velho amigo, abordámos o tema dos disparates que, segundo o nosso ponto de vista, o actual Governo Interacção-B30está a fazer.
Fiz-lhe ver que os nossos últimos posts tinham muito a ver com este tema, especialmente o da DEPRESSÃO APRENDIDA, na qual seria perigoso entrarmos.
De argumentação em argumentação chegámos à conclusão de que parece não haver norte, objectivos definidos, aceitáveis e realistas e forma de comunicação eficaz.

Os sacrifícios são necessários, desde que, bem distribuídos, compreensivos e exequíveis para uma mudança mais promissora e não mais deprimente para o futuro, sendo fortemente lesiva no momento actual.
Com os ricos e os pobres a aumentar cada vez mais, deixamos de ter uma classe média que forma a espinha dorsal de qualquer Joana-B
sociedade bem constituída.
Desta discussão, surgiram algumas perguntas:
– Queremos regredir algumas décadas com a maneira como estamos a caminhar?
– Qual a razão de termos chegado a este extremo?
– Porque não fomos capazes de reagir a tempo?
– Qual a razão de sabermos só agora os «podres» da vida pessoal, interesses, motivações, conluios, etc. dos políticos precedentes ou já instalados no poder?
– Qual a razão da abstenção e da não participação da população na eleição daqueles que são necessários para dirigir os negócios Psicologia-Bdum país?
– Serão a instrução e os conhecimentos?

Por causa desta argumentação, surgiu a ideia de apresentar um texto em que se fala da atitude e das suas mudanças.
A nossa atitude perante a vida e perante os negócios da governação tem sido de:
«Eu não sou político».
«Não tenho nada a ver com a política».Organizar-B
«Eles que resolvam o assunto».
«São eleitos para isso».
«Não pertenço a qualquer partido político»

Estes pensamentos levam-nos a uma atitude de abstencionismo e à encomenda de deixar que os outros decidam a nossa sorte sem nos lembrarmos que somos políticos quando recebemos ou não o subsídio do desemprego, o seu montante maior ou menor ou o IRS que recai sobre o mesmo. As rendas da casa, o montante maior ou menor das taxas de luz, água, etc., também são política. Nós vivemos política.neuropsicologia-B

Se nós, com o nosso voto (orientado, branco ou riscado), não influenciarmos quem vai tomar todas essas decisões, não nos podemos queixar posteriormente de que «o governo não é aquele que eu desejava».
Temos de agir esclarecidamente, nem que seja para dizer um NÃO em tempo oportuno, mesmo que isso não sirva para outra coisa senão para mostrar um descontentamento antecipado e um conhecimento da realidade, com os contornos obscuros que se manipulam para mudar a atitude das pessoas e especialmente dos eleitores através das campanhas eleitorais que se fazem com as mentiras bem elaboradas pelos especialistas da preparação e apresentação da imagem dos candidatos.

Por este motivo, sendo importante que cada um saiba o modo como é levado a acreditar em muitas falsas promessas como as Imagina-Bque se ouviram nas últimas campanhas, transcrevem-se a seguir alguns trechos relacionados com a atitude e sua mudança, contidos entre as páginas 41 e 56 de INTERACÇÃO SOCIAL: HOMEM – ORGANIZAÇÃO – SOCIEDADE – aspectos sociopsicológicos
“Thurstone (1946) definiu a atitude como: intensidade de afecto positivo ou negativo a favor ou contra um objecto psicológico. O objecto psicológico é um símbolo, pessoa, frase, slogan ou ideia em relação ao qual as pessoas podem divergir em termos de afecto positivo ou negativo.
A atitude distingue-se do instinto por não ser inata, não se confundindo com o hábito por não ser automática nem ocasionar respostas estereotipadas. A atitude é aprendida, porque se forma e se desenvolve de maneira Acredita-Bpeculiar com uma influência quase insignificante da hereditariedade mas com uma componente bastante forte da modelagem e identificação, com reforço vicariante.

Nestas condições, uma atitude não é um comportamento mas sim uma predisposição para o mesmo ou uma predisposição que o vai enformar ou condicionar. A estrutura das situações sociais determina, frequentemente, o modo como se formam as atitudes bem como a possibilidade da sua alteração.
Segundo Zimbardo e Ebbesen (1970), a atitude deve englobar factores afectivos, cognitivos e comportamentais.
Dizer simplesmente que as pessoas que maltratam crianças são más (componente afectiva) e que, por exemplo, o João é mau porque maltratou uma vez o seu enteado (componente cognitiva), é chegar a uma conclusão errada através duma estrutura Consegui-Bsilogística.
Utilizar este tipo de suposição antecipada, não é suficiente se não se puder verificar que o João é capaz de maltratar habitualmente as pessoas (componente comportamental tendencial). Infelizmente, como neste caso, se não houver a preocupação de saber se os maus-tratos foram apenas ocasionados por «culpa» pontual do enteado, podemos imaginar uma «falsa» atitude. É assim que se pode chegar, às vezes, a uma atitude de intolerância quando não se observam nem se investigam devidamente todos os factos.

Como se formam as atitudes?
Antes de tudo, temos de contar com a hereditariedade que pode estabelecer diferenças nas características físicas e intelectuais oMaluco2 que, de modo algum se pode considerar muito relevante. Em segundo lugar, é bom saber que os pais, que constituem o meio ambiente mais próximo e influente, são forças extraordinariamente importantes na formação das atitudes e crenças das personalidades em desenvolvimento, especialmente em relação ao modo como elas se desenvolvem, o que não é hereditário.

Gratificações e punições
Os pais e as pessoas de maior influência têm «poder» sobre os mais novos e controlam-nos através de gratificações e punições (modelos e preconceitos) que, sendo por eles «exibidos», são assimilados e/ou acomodados (interiorizados) pelas crianças, fortalecendo a resistência à mudança. Os seus sorrisos de aprovação e os seus trejeitos Psicopata-Bde desagrado são uma fonte importante de reforços positivos ou negativos, provavelmente, vicariantes.
Além disso, as primeiras informações de que dispomos são dadas pelos elementos familiares, podendo ser correctas ou incorrectas, mas que são aceites com convicção por terem origem em entidades credíveis para qualquer criança. São as primeiras informações que vão formando a pouco e pouco as atitudes mais remotas das crianças. Verifica-se em sessões analítico-terapêuticas que as atitudes mais difíceis de modificar são aquelas que os pais ajudam a formar na infância através das pressões sociais que exercem nos filhos dando, por vezes, origem a comportamentos inadequados, relacionados com os conceitos da teoria psicanalítica.

Grupos de referênciaDifíceis-B
À medida que vamos crescendo, a convivência com os familiares, colegas e amigos vai aumentando e são eles que mais influências exercem nos indivíduos cuja personalidade se vai estruturando. Assim, a influência dos pais deixa de se tornar a mais importante para ser substituída pela dos grupos dos novos participantes na interacção social. É assim que os grupos de referência se tornam mais importantes do que os pais, em função dos quais as personalidades em formação se modelam e identificam.
Heider (1946), teórico da Gestalt, diz que os dois tipos de factores que ligam as pessoas a objectos ou a outras pessoas, são os relacionamentos de união e de sentimentos. São os afectos que se traduzem nas palavras amor, ódio, concordância, discordância. Por isso, a sua teoria baseia-se no equilíbrio entre as diversas forças psicológicas.Psi-Bem-C
Na tradição da Gestalt as pessoas preferem as relações que se «conjugam bem» em vez daquelas que são discordantes. Por exemplo, se A gosta de B e esta está muito entusiasmada com uma organização humanitária designada C, qual será a atitude de A perante C, que é a organização humanitária de que B gosta?

Segundo a teoria de Cartwright e Harary (1956), existem três possibilidades:
▫ se A gostar de B e também de C o estado é positivamente equilibrado;
▫ se A não gostar de B, assim como de C, o estado é negativo mas equilibrado;
▫ se A gostar de B mas não de C, o estado é desequilibrado.Saude-B
Nesta ordem de ideias, certos estabelecimentos universitários têm a fama de ser os melhores, independentemente de se saber se, em certo momento, quer os professores quer os alunos, foram os mais responsáveis por esta «fama» e até sem se verificar se esta situação continua para além do momento factual e das causas que lhe deram origem.
Os grupos de referência servem para isso, sendo utilizados para se fazerem comparações com as influências que se receberam do meio ambiente familiar através de diversos mecanismos psicológicos tais como os condicionamentos, as modelagens, as moldagens e as identificações (F).depr2

Condicionamento operante ou instrumental
Quando o nosso comportamento nos ocasiona prazer ou satisfação existe a tendência de ser repetido. Por exemplo, se num restaurante um determinado prato nos deu satisfação, a tendência é repeti-lo ou pedir o mesmo das vezes seguintes. Do mesmo modo, os sorrisos e os gestos de admiração dos pais, incitam os filhos a repetir o comportamento que lhes provocou essa satisfação. As atitudes que conduzem a um comportamento que provoca reforço, são atitudes provocadas pelo condicionamento instrumental ou operante.

Condicionamento clássico«Educar»-B
Por exemplo, quando uma criança ouve um forte trovão no momento em que vai comer a sua sopinha e, por isso, não é capaz de a engolir, pode fazer com que, de futuro, quando ouvir o travão, ela sinta medo quando tem de comer a sopa ou faça birras para não a comer. Do mesmo modo, outra criança que ouve uma música suave quando vai comer a sua papa e sente-se bem com isso, é capaz de se deliciar, no futuro, a comer a papa quando ouvir essa música. Estas atitudes para comer ou não tomar os alimentos com satisfação, podem ser provocadas pelo condicionamento clássico (Worchel e Cooper, 1979) (F).
Sabendo que as atitudes enformam os nossos comportamentos, torna-se muitas vezes necessário «medir» as atitudes, especialmente em épocas como a de eleições, de lançamento de uma nova revista ou produto inovador ou da alteração do Educar-Borganigrama e dos quadros de uma empresa. Para tanto, além de medir geralmente as atitudes com a escala de Likert ou outra similar (F), existem diversos instrumentos que se mencionam a seguir. 

Lápis e papel. Quando existe uma pergunta directa para a apreciação de uma pessoa, poucos se dispõem a falar mal dela. Torna-se então mais fácil dizer-lhes que através dos meios electrónicos ou quaisquer outros se chegou a uma opinião desfavorável e a tarefa do inquirido é apenas confirmar ou infirmar essa opinião e dar-lhe maior ou menor valorização. Assim, a inibição dos participantes fica diminuída e a resposta torna-se mais fiável do que numa opinião directa. Afinal, os inquiridos não exprimem uma opinião nova mas sim confirmam ou rejeitam aquela que julgam ser mais importante ou correcta do que a sua. O diferencial semântico serve para isso (F).Stress-B

Medidas electrofisiológicas. Alguns dos instrumentos utilizados para medir a resistência galvânica da pela, o ritmo cardíaco, a constrição das pupilas, podem ser instrumentos de medição das atitudes relacionadas com os sentimentos mais íntimos tais como os afectos.

Medição dos comportamentos. Por exemplo, Aronson e Cope (1968) fizeram com que os alunos ficassem zangados com o seu professor, mas como esses alunos acharam que o professor tinha ficado acidentalmente zangado, a medição das atitudes não foi possível. Posteriormente, quando esses alunos tiveram a oportunidade de fazer um favor a esse professor (fazer um telefonema ou qualquer outro serviço em benefício dele) a magnitude do favor foi tomada Psicoterapia-Bcomo medida da atitude pró-professor. Esta forma de actuar pode ser o substituto do diferencial semântico.
 
MUDANÇA DE ATITUDE 

O ponto fundamental para a mudança de atitude é a persuasão pela palavra. Aristóteles dizia que a persuasão se realiza através da comunicação que depende, em primeiro lugar, da característica do orador, em segundo, do estado de receptividade da audiência e, em terceiro, da comunicação em si. Isto quer dizer que o importante é determinar quem comunica, o quê e a quem para atingir um determinado resultado.

Em relação a quem comunica, um dos factores essenciais é a credibilidade. Quanto maior for a credibilidade de quem apoio2comunica, maior é a possibilidade de se atingir o objectivo. Por exemplo, para falar de delinquência juvenil, um juiz é mais credível do que um economista ou um engenheiro.

Confiança e especialidade são outros dois factores que melhoram o resultado pretendido. Por exemplo, os que se apresentam como médicos a falar de medicina ou os engenheiros a falar de projectos imobiliários podem atingir o objectivo, melhor do que se fossem apresentados como economistas, a não ser que o assunto tratado seja a vertente económica ou a venda dos produtos. A confiança que se cria numa pessoa é outro dos factores importantes e ser tido em conta. Quando alguns actores duma telenovela apresentam produtos que às vezes nem conhecem, tornam-se credíveis porque criaram confiança no público que os vê na televisão.sucess2
Em tempos, um apresentador de televisão, com prótese dentária amovível (facto desconhecido do público), falava nas «maravilhas» duma pasta dentífrica para clarear os dentes naturais. É deste modo que se utilizam as personagens duma telenovela em voga, num anúncio comercial destinado a mudar a atitude do consumidor em relação a um determinado produto (Noronha e Cangemi, 1992).

A semelhança é outro dos factores que afecta a mudança de atitude. Se aquele que necessita duma determinada informação ou produto, verificar que mais alguém parecido consigo obteve bom resultado com o mesmo, fica motivado a mudar a sua atitude para uma orientação favorável. Por isso, quando queremos vender um automóvel a uma dona de casa, é preferível que seja outra dona de casa a fazer a promoção do produto em vez de um perito em automóveis Falhas2ou um professor universitário. É neste princípio que funcionam os Alcoólicos Anónimos e outros grupos similares de auto-ajuda. 

Criação de imagem com apelo às emoções, é um método frequentemente utilizado e ao qual chamamos «criação de boa imagem» na promoção de diversas personalidades, especialmente na esfera política. Realça o bom aspecto e as qualidades daquilo, da coisa ou da pessoa que se deseja «apresentar». A boa impressão e o estado de satisfação provocado pela imagem são muito importantes para que a atitude se modifique através do condicionamento clássico, instrumental ou operante. Não são inocentes nem inoportunas as inúmeras «inaugurações» que se fazem, algumas vezes à pressa, na proximidade dos actos eleitorais.Humanismo2

Também, uma má impressão pode ter efeitos importantes. Por exemplo, mostrar algumas imagens de desastres ou roubos que podem ocorrer e cujos danos são cobertos pelo seguro, a par de outras em que os não segurados têm de sofrer todos os prejuízos, pode ajudar muitas seguradoras a obter mais clientes. Uma investigação de Singer e Jones (1965) demonstrou que numa condição de baixa intensidade de medo, na qual não existe indicação de possibilidade de resposta para evitar ou resolver a situação desagradável, a atitude tem tendência a modificar-se mais do que numa condição de alta intensidade de medo em que não existe vislumbre de escape. Neste caso, temos de recordar os parâmetros da depressão (ou desamparo) aprendida de que fala Seligman (ver os Marketing2capítulos CONFORMISMO e AFILIAÇÃO).

No momento em que a taxa de sinistralidade nas estradas é assustadora, a simples modificação da taxa de alcoolemia não resolve o problema porque só pode afectar os que são «alcoólicos». Existem muitos condutores que, apesar de não beberem, possuem uma atitude de condução agressiva mais perigosa ainda do que a dos outros. Para a mudança de atitude destes a favor duma condução «defensiva» e prudente, isto é, defendendo-se das agressões dos outros, seria necessário apresentar factos chocantes, provocadores de medo e em que indivíduos muito confiantes em si próprios tivessem tido desastres que os relegam depois para o lugar de deficientes por toda a vida.Sindicalismo2
Provocar medo e mostrar o modo como se evita uma situação perigosa e potencialmente destruidora, que pode acontecer até ao melhor condutor quando ele menos espera, deve ser a mensagem mais salutar para uma prevenção rodoviária eficaz. Neste caso, realçar «espectacularmente» os possíveis prejuízos a serem sofridos pelos condutores agressivos e as grandes vantagens obtidas pelos mais prudentes, é uma medida altamente benéfica para a prevenção da sinistralidade rodoviária.

Referência a normas de grupo. Por exemplo, mostrar jovens a utilizar o cartão jovem ou médicos a vestir um determinado tipo de bata própria para a sua profissão, ou ainda incentivar mecânicos a equiparem-se com um fato-macaco, confl2adequado a mecânicos de automóvel, pode ser uma das formas de mudar a atitude dos que observam.

A respeito de «a quem a informação é dirigida», a organização da comunicação é muito importante para que a mesma seja capaz de persuadir o público. Para tanto, é necessário que a mensagem seja facilmente compreensível pelo público-alvo. Além disso, os argumentos a favor e contra têm de ser bem explicados e compreendidos pelo público que será também informado do modo como se podem evitar os efeitos nefastos dos factores negativos que já se conhecem e são tomados em consideração. Assim, quem comunica não é apanhado de surpresa nem é contrariado com informações contraditórias que podem surgir por parte de quem deseja alterar a homem2atitude num sentido inverso.

Além da mensagem ser clara e compreensível, com argumentos a favor e contra, com conclusões claras pré-estabelecidas quanto à sua organização propriamente dita, o importante é falar primeiro claramente nos pontos a favor, colocar algumas perguntas quanto à resolução da situação, rebater seguidamente com parcimónia os argumentos contra e fazer uma síntese final com conclusões daquilo que se deseja que os ouvintes retenham na memória a fim de poderem ficar com a sensação de que valeu a pena terem participado na reunião.reed2

A utilização da contra-informação como informação é importante na medida em que o ouvinte fica «vacinado» contra algumas falhas ou fragilidades de determinado assunto ou produto, a favor do qual se pretende mudar a atitude do sujeito. Por exemplo, se um automóvel é mais barato do que os outros e tem uma chaparia mais fraca, apesar de ter um consumo baixo, os concorrentes podem aproveitar-se desse facto (chaparia fraca) para sobrevalorizar as suas viaturas. Contudo, se o comprador for prevenido da fragilidade da carroçaria que, em caso de acidente ou outros danos, tem a vantagem de ser mais económica e facilmente substituída do que a de outras viaturas que têm uma chapa mais rija e difícil de recuperar, não se deixará influenciar pelos Adolescencia-Bargumentos da concorrência.

Conclusões claras pré-estabelecidas. Por exemplo, as pessoas são convidadas a discutir um produto e a tirar conclusões que já estão subrepticiamente pré-fabricadas e vão sendo apresentadas a pouco e pouco, de acordo com as circunstâncias, pelo orientador da sessão ou discussão ou pelos seus «colaboradores». Os participantes ficam com a sensação de que as conclusões estão a ser alinhavadas no momento e que o orientador está a dar uma grande ajuda com o trabalho a que se está a sujeitar.

Será melhor escrever ou falar? Presume-se que a comunicação vídeo a cores é a mais eficaz, seguindo-se a radiofónica e depois a escrita em jornais e panfletos. Contudo, investigações conduzidas por Chaiken e Eagly (1976) em relação à mudança de teoria2opinião provocada, tanto pelas mensagens simples como pelas complexas através dos diversos meios de comunicação, indicam uma diferença substancial que se pode verificar no quadro seguinte em que a pontuação indica a magnitude da mudança de opinião provocada pelos diversos meios de comunicação.

Mensagem simples

Mensagem complexa

Escrita

2,94

4,73

Rádio

3,75

2,32

Vídeo

4,78

3,02

A relação estabelecida no quadro entre as diversas modalidades de difusão da informação, indica que a modalidade de vídeo é a pratica2melhor para as mensagens simples e que a escrita é a melhor para as mensagens complicadas ou complexas, isto é, com muitas explicações. Para as mensagens simples, a modalidade escrita é a menos eficaz do mesmo modo como a rádio é para as mensagens complexas.
Por este motivo, a tentativa de difusão da informação para a mudança de atitude dos que são visados pela mesma, tem de tomar em conta a simplicidade ou a complexidade da mensagem assim como a escolha dos meios de comunicação adequados tanto para a própria mensagem como para a audiência que é visada. Por exemplo, as informações sobre procedimentos psicoterapêuticos têm de ser difundidas em livros (G/83-104).

Existem também outros factores a tomar em conta na preparação da comunicação tais como a atitude da audiência em relação tecnicas1ao assunto em causa, a distância da mesma em relação a quem faz a comunicação, o posicionamento de quem comunica, a manutenção do seu contacto visual, a velocidade da apresentação da mensagem, etc., tudo de acordo com o tipo da mensagem e de audiência a quem a mesma é dirigida.

Tendo sido abordados os tópicos de Credibilidade, Confiança, Especialidade, Semelhança, Referência e Organização da comunicação com argumentos a favor e contra, existem outras condicionantes para a mudança de atitude, que podem ser:casos2

Pé na porta: sujeitar o indivíduo visado de tal maneira a um arrazoado de pedidos, explicações, imposições, etc., que o obriguem a mudar de atitude como acontece com os «bons vendedores» porta a porta, de electrodomésticos, enciclopédias, cosméticos, etc.
nbsp;

Inexistência de prevenção: uma aparência muito boa do artigo ou características muito apelativas tais como um preço baixo, um desenho bonito ou qualquer outra qualidade que atraia a atenção ou motive as pessoas, pode previsão2funcionar como uma forma de mudança de atitude, se não houver uma prevenção de que existem muitas características negativas ou desvantajosas. Em 2008, todos os produtos lácteos chineses, independentemente da sua origem ou composição, foram prejudicados por causa do escândalo da contaminação.

Técnica psicodramática: apresentando por imagens ou representação aquilo que se deseja transmitir, mais fácil se torna modificar a atitude de quem está a viver a situação ou já entrou no jogo. Por exemplo, verificar nos pequenos ecrãs de televisão dos supermercados, o modo como um produto pode ser utilizado e o proveito que se pode tirar do mesmo, pode ajudar a modificar a atitude do visado.

Apresentação de factos ou matérias irrelevantes ou a técnica da distracção: quando o interlocutor estiver bem-compr-Cdisposto e satisfeito com a situação artificialmente criada, ficará mais disponível para aceitar as nossas sugestões e ideias. É o momento de apresentar rapidamente a ideia para fazer mudar de atitude o interlocutor. Muitos almoços, jantares e festas, antes de (ou com a finalidade de) se efectuar uma transacção comercial são o exemplo disso. O processo «FACE OCULTA», em Portugal, nos primeiros anos do século XXI quererá demonstrar algo de significativo neste sentido?

Comprometimento público: muitos se deixam influenciar quando abordados em público. A demonstração pública da atitude dos ouvintes fica menos sujeita à mudança do que se a mesma tiver sido mantida na privacidade. Se o alvo for uma audiência que tenha mantido uma posição definida, será mais difícil contrariar essa atitude do Digitalizar0011que se a mesma tiver sido mantida na privacidade.
Se um indivíduo que assiste a um espectáculo for capaz de não concordar com a sua participação no palco quando abordado individualmente, pode não conseguir manter essa recusa quando solicitado em público, especialmente quando existem mais pessoas a concordar com a ideia da sua participação. É o que muitas vezes se faz nas campanhas eleitorais, nos spots publicitários, nos espectáculos de ilusionismo ou hipnotismo. O «caso» Dominique Strauss-Khan, do FMI, em 2001, em Nova Iorque, terá alguma motivação escondida e desconhecida do público?

Clareza da mensagem: é importante que as constatações sejam claras, precisas e conclusivas como se refere na vertente da comunicação.molhar2

Facilitação social: por exemplo, expor um produto ou uma ideia e fazer com que duas ou três pessoas discutam e falem favoravelmente disso ou demonstrem adquirir o produto, pode funcionar como um incentivo para que outros também façam o mesmo, mudando da anterior atitude negativa. Os anúncios publicitários servem-se muitíssimo deste «truque», especialmente no tempo das telenovelas muito vistas pelo público, quando os actores fazem a publicidade.

Confidencialidade: geralmente as instruções ou notícias difundidas com a indicação de confidencialidade são lidas mais rapidamente e divulgadas com mais facilidade do que quando apresentadas como vulgares. O conhecimento do argumento de DIA-A-DIA-Cque a mensagem é censurada ou deve ser proibida aumenta, geralmente, a curiosidade e o desejo de a conhecer rapidamente. O fruto proibido é o mais apetecido. É o que acontecia com os livros proibidos em Portugal, no período anterior a 1974.

E aquilo que hoje acontece com a «droga», terá alguma coisa a ver com a proibição que exige a confidencialidade? O pior é que uma vez experimentada, se conseguir provocar reforço negativo e aleatório, pode alienar a pessoa. Será proibindo que se evitará o seu consumo ou se estará a aumentar o seu preço? E quanto à prevenção e reabilitação haverá programas honestos e competentes a funcionar, a par com a forte penalização dos fornecedores?

A força da «confidencialidade», pode ser ilustrada através duma situação quase anedótica. Um mecânico estava à espera de ser Bibliopromovido se tivesse boas informações do engenheiro, seu chefe directo. Um dia, quando esse mecânico e um outro colega estavam de serviço permanente na sua secção, verificaram durante a ronda, que a secretária do referido engenheiro se encontrava aberta.
A primeira reacção do mecânico foi «atirar-se à gaveta que nem gato a bofe» para descobrir as informações «confidenciais» a seu respeito. Esquadrinhou cuidadosamente todas as gavetas à procura da informação ou da cópia, mas nada descobriu. Não achou melhor solução, senão soltar um palavrão muito refinado e ficar de espertina a noite inteira. Na manhã seguinte, mal raiou o dia, viu o engenheiro dirigir-se esbaforido ao seu gabinete perguntando se tudo correra bem. Esquecera-se de papéis confidenciais na sua secretária. Ao ouvir tamanha heresia, o mecânico apressou-se a sossegá-lo e a segui-lo, só por curiosidade. Qual não foi o seu espanto quando o engenheiro foi direito à secretária, apanhou os papeis que estavam sobre a mesma, examinou-os e disse soltando um suspiro de alívio:
– Ainda bem. Está tudo em ordem!
Quem não se deu por consolado foi o mecânico que nunca na sua vida vira papéis confidenciais deixados tão «à mão de semear».

É por isso que os boatos também funcionam duma forma parecida e modificam as nossas atitudes através da suspeição que Abade Fariaprovocam. Um produto interdito, proibido ou confidencial é, geralmente, mais cobiçado do que outro que se consegue obter com facilidade. Enquanto o primeiro se tenta adquirir antes que desapareça da circulação, o segundo é relegado para segundo plano visto que se consegue adquirir a qualquer momento com facilidade.

A discrepância de opinião em relação à audiência faz com que a mensagem não seja aceite, a não ser que tenha sido apresentada por um especialista ou perito altamente credível.

O poder de persuasão possuído por certas personalidades, parece ser mais um traço de personalidade do que as capacidades adquiridas pelos conhecimentos e pelo treino. Contudo, essa personalidade formou-se em constante contacto com o meio ambiente donde recebeu as gratificações e punições que deram reforços suficientes para que houvesse uma aprendizagem e uma estruturação da sua personalidade nesse sentido. O mesmo acontece com as pessoas que são facilmente persuadidas, quaisquer que sejam os argumentos.

Embora se tenha a ideia de que os mais inteligentes são mais capazes do que os menos inteligentes de se defenderem dos mario-70argumentos de persuasão, os factos demonstram que os mais inteligentes são mais facilmente persuadidos quando a mensagem lhes parece bem argumentada, ao passo que os menos inteligentes não se deixam influenciar porque não entenderam a mensagem. Neste caso, o conteúdo da mensagem é importante.

Em relação à auto-estima, as pessoas com alta auto-estima não se deixam influenciar facilmente com informações que lhes são hostis, ao passo que as pessoas com baixa auto-estima são mais sensíveis às mesmas. As características ou os factores que influenciam a mudança ou a persistência das atitudes, não são, isoladamente, os factores de personalidade, as condições sociais ou os condicionalismos da mensagem.
Quaisquer alterações são determinadas por uma conjugação de muitos destes factores que dão origem a uma mudança de atitude. São fenómenos que têm muita importância e podem ser vitais para a eficácia da tarefa a desempenhar ou para a Bibliomanutenção de uma boa imagem que se torna, quase sempre, indispensável.

É por todas estas considerações que se foram tecendo ao longo das páginas anteriores, que a atitude se torna um factor importante na psicologia individual e social.

A atitude é adquirida ou formada através da educação ou da estruturação da personalidade ao longo dos anos e em constante confronto com a cultura e o meio ambiente, e é esse meio ambiente que a pode ir modificando ao longo dos anos. É a base de actuação ou a «maneira de ser» de uma pessoa que é ajudada a comportar-se duma forma específica em determinadas condições. É uma espécie de rastilho que faz disparar uma acção, sem ser a acção em si, como vulgarmente se imagina e se diz na linguagem popular.”

Terminando aqui o texto transcrito do livro mencionado, parece-nos que a EDUCAÇÃO, através do exemplo e da moldagem, com os reforços proporcionados é o meio mais seguro de termos, pelo menos, um futuro melhor do que o nosso.

Já leu os comentários?arvore-2

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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One thought on “A ATITUDE E A MUDANÇA

  1. Fernando Lima on said:

    Lendo vários artigos qaui postados, concordo que a educação dada de forma certa pode ser um meio de mudar a nossa atitude perante a vida para influenciar a governação.

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