PSICOLOGIA PARA TODOS

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REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 6

Perante este comentário:

Li este prefácio mas não consegui saber como poderei dar apoio aoneuropsicologia-B meu filho que necessita de alguma ajuda. A minha mulher tem muito trabalho mas eu disponho de algum tempo e pouco dinheiro. O filho de 9 anos está com dificuldades na escola e eu não posso pagar a uma especialista. Sabe como estão os tempos actuais. Posso ter alguma ajuda?

feito por um Anónimo no último post sobre Reeducação e não tendo mais informações sobre a criança, posso transcrever as páginas. 245 a 248 do novo livro NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I). Nelas, vê-se o caso de uma criança que foi ajudada pelo irmão um pouco mais velho e até por dois colegas, mesmo no decurso das férias de Verão. O importante é ter os livros à mão e consultá-los sempre que necessário para obter indicadores de como se deve proceder. É o caso do Jorge.

“Embora as férias tivessem começado em fins de Junho, os pais do Jorge sucess2quiseram que ele continuasse a reeducação. Durante esse tempo, ele foi com o irmão à praia que ficava muito perto da sua casa. O irmão continuou a dar a sua preciosa ajuda agora, melhor do que nunca, já que o tempo de praia é uma ocasião em que muitos dos exercícios de reeducação podem ser vantajosamente desenvolvidos através de jogos e brincadeiras. Para reeducar os itens em que o Jorge estava avaliado com 4 ou menos, apenas faltavam os exercícios sobre o cálculo mental.

 48 Cálculo mental

Os exercícios indicados nas «dicas» ajudaram o irmão do Jorge e os seus amigos a utilizar jogos em que a parte predominante Apoio-Beram os números e a noção de quantidade. As pontuações dos torneios ou jogos que eles realizavam tinham de ser registadas e mantidas pelo Jorge numa contabilidade especial. Como era um grupo de quatro, o irmão mais velho, uma menina e um rapaz, todos mais novos do que o Jorge, este tinha de manter os registos que, às vezes, se transferiam de um dia para o outro.

De vez em quando, os amigos acompanhavam o Jorge à reeducação e além de assistirem a parte de uma sessão, combinavam com o reeducador o que tinham de fazer. Descobriram assim que, quase ao fim de dois anos de reeducação, muito podiam contribuir para aumentar a capacidade de cálculo mental do Jorge através dos jogos que eram controlados pelo irmão.Psicologia-B

Assim, na praia, o comprimento do salto que davam na areia depois de uma corrida, a quantidade de saltos que davam de cada vez, etc. eram contabilizados pelo Jorge. Além disso, o orçamento «fraternal» para o lanche tinha de ser controlado pelo Jorge que anotava as despesas e verificava tudo aquilo que era necessário pedir aos pais para o dia seguinte. O tempo das corridas na areia e na água era também anotado e registado pelo Jorge que tinha de apresentar diariamente a classificação relativa de cada um dos amigos e dizer quanto tinham de melhorar para atingirem uma determinada meta. Quando jogava à cabra-cega, o Jorge tinha de se orientar para a direita e esquerda, sem a ajuda dos irmãos. Muitas vezes pediam-lhe para competir em jogos de destreza manual tais como: Interacção-B30enfiar a linha na agulha, lançar pedras a uma determinada distância, indicar, de olhos fechados, qual o seu dedo que estava a ser estimulado, de que lado vinha um determinado som, para que lado seguia o irmão que marchava, batendo com força os pés no chão.

O reeducador, ao verificar o empenho e a solidariedade do irmão e dos amigos do Jorge propôs-lhes que fizessem jogos tais como dizer durante dez minutos o maior número de palavras começadas por uma determinada letra. Essas palavras podiam, por exemplo, dizer respeito a capitais de países, flores, nomes próprios ou ferramentas. Podiam também associar uma flor com o nome de uma pessoa começado pela mesma letra e, se a primeira palavra era no masculino, a outra também tinha de ser do mesmo género ou, numa outra opção, de género diferente.Acredita-B

Podiam planear ir a um país gozar férias e tentar fazer um orçamento para verificar se os pais teriam possibilidade de custear as despesas desse desejo. Logicamente, o trabalho tinha de ser do Jorge e do irmão, mas os amigos podiam ajudá-lo. Os cálculos estendiam-se também a viagens de automóvel, utilizando as distâncias de um mapa de estradas e as velocidades aceitáveis para o percurso pretendido. E o alojamento? A alimentação? Que outras despesas seriam prováveis numa viagem? Quais as demoras indispensáveis para descansar? Podia-se programar o tempo necessário para ver os locais mais interessantes do país visitado? Como economizar o mais possível para prolongar a visita por mais dias? Se houvesse uma quantidade limitada de dinheiro que opções tinham de fazer e que prioridades iriam estabelecer? Porquê?Difíceis-B

No final das inúmeras discussões que tiveram, competiu sempre ao Jorge fazer uma espécie de relatório do que se tinha passado. Além disso, o protagonista principal era ele. Estas simples «brincadeiras», em que muito se fantasiou e nem sempre se chegou a soluções correctas, ajudaram o Jorge, pelo menos, na sua reeducação de Imaginação criadora, Aprendizagem associativa, Resolução de problemas, Abstracção, Raciocínio, Cálculo mental, Leitura de dois ou mais dígitos, Articulação de palavras, Contagem e noção de quantidade, Orientação espacial, Coordenação motora fina, Destreza digital, Coordenação bi-manual, Mímica, Coordenação psicomotora, Lateralização, Conhecimento da direita/esquerda, Esquema corporal e Composição.Joana-B

Alterar apenas as capacidades como se indica a seguir não é pouco. De brincadeira em brincadeira, devidamente orientada e com objectivo específico, conseguiram-se melhorar substancialmente as capacidades do Jorge. A ajuda dada pelo irmão e pelos amigos durou mais do que dois anos e intensificou-se no fim do segundo ano.

No início, todos manifestaram, pouco interesse, mas depois colaboraram muito bem e até se divertiram imenso chegando ao ponto de dizer que nunca tinham tido uma interacção tão grande e proveitosa. Agora, conheciam-se melhor e sabiam desculpar-se mutuamente.Psicopata-B

A sensação de pertença ao grupo não teria aumentado em todos eles? Não terão todos ficado motivados a colaborar em caso de necessidade? Não teriam sido ajudados a ficar muito mais aptos a enfrentar os pequenos revezes que surgem na vida? No caso duma súbita «falta dos pais» não estariam mais do que aptos a se entreajudarem? Não será também uma óptima profilaxia contra a exclusão familiar e a tão falada «droga»? É um assunto em que vale a pena pensar não limitando a reeducação a uma simples ajuda para o aumento das capacidades de uma criança com dificuldades escolares (B).

BiblioEste tipo de ajuda, que poucas vezes é utilizado pode, no entanto, trazer outros dividendos que não se avaliam à primeira vista: são os «danos colaterais» ou «efeitos secundários» que muito se podem utilizar em psicologia, especialmente na técnica de moldagem (F).

Já leu os comentários?

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.arvore-2

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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4 thoughts on “REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 6

  1. Anónimo on said:

    Já li neste artigo de resposta ao comentário do meu amigo, mas eu também tenho um problema. Estou separado da minha mulher por divergência de feitios. Agora que ela se vai casar, está um pouco desligada do filho que é colega do filho do meu amigo. O meu filho, agora, está a ter dificuldade nas aulas e o director de turma já me chamou para dizer que ele está com pouca atenção nas aulas. Poderei ter alguma ajuda para tentar resolver o caso ou, pelo menos, para não o aumentar? De facto, a minha mulher, desde há dois meses, está um pouco mais distante do filho, mas gosta muito dele.

  2. Anónima. on said:

    Eu sou reeducadora num lar para crianças com dificuldades. Também é uma escola onde são internadas durante o dia as crianças com problemas. Às vezes os psicólogos da instituição não conseguem resolver os problemas destas crianças porque os pais se opõem às sessões de psicoterapia porque acham que os seus filhos não são malucos. Se eu as pudesse ajudar… Tem alguma ideia que me possa dar? Estou num local com poucos habitantes e que não tem muitos meios de apoio. Desde já agradeço a ajuda que me puder proporcionar.

    • Não conhecendo bem este caso, o melhor que posso fazer é transcrever, logo que puder. aquilo que aconteceu há anos com uma psicóloga, uma reeducadora e uma jovem adolescente num novo post intitulado REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 7.
      Está no novo livro “NEUROPSOCOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÂO” (I)

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