PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Junho, 2013”

Governar não é «MANDAR» nem «governar-se»

Comentário:Interacção-B30

“Depois de ver as intervenções no Facebook, li com atenção o seu artigo “Governar «BEM» não é fácil”, publicado em 22 de Fev de 2009 e repetido agora, em 2012, por achar necessário.
Isto parece querer dizer que a governação do momento envereda por um caminho errado, que já se verifica agora com muito mais acuidade.
Apesar dos inúmeros avisos de quase todos os partidos políticos, parece que a inflexibilidade, a insensatez, a incompetência e o bom senso não são uma arma deste governo que se diz democrático e que é apoiado pelo presidente da república contra todas as forças vivas do país que tentam protestar e demonstrar os erros que estão a ser cometidos. Psicologia-B
Não existe alguma coisa que se possa fazer em reverter a situação?
Agradecia que nos desse uma dica sobre o assunto.
Agradeço antecipadamente,
Anónimo”

Face ao comentário transcrito acima, que me pareceu bastante oportuno e realista, senti a necessidade de preparar este post para pensar na necessidade e possibilidade de alguma mudança no caminho que estamos a seguir há mais de dois anos.
Contudo, embora possa concordar com o comentador, como cidadão, vou tentar preparar este post apenas como psicólogo e Joana-Bdentro do âmbito da Psicologia Social.

«Governar» significa liderar, congregar esforços, orientar soluções e tomar decisões, sempre com o intuito de ajudar os governados a melhorarem a sua situação, maximizando os resultados com o mínimo de recursos e trabalho. É como orientar uma empresa a atingir o seu máximo a bem dos que lá trabalham e dos consumidores que dela se utilizam (K).
É uma espécie de uma grande cooperativa em que se procura o bem de todos, tentando não prejudicar tanto quanto possível, seja quem for.Imagina-B

Antes de tudo, esses líderes têm de ser escolhidos pela vontade de maioria o que, no nosso caso, não aconteceu por comodismo de muitos e interesses específicos de alguns. Por isso, uma minoria, aproveitando a complacência da verdadeira maioria, conseguiu eleger, tanto o actual presidente da república como o primeiro-ministro: culpa nossa.

Seguidamente, a escolha do primeiro-ministro depende, em grande parte, do sistema de eleições, baseadas apenas em partidos políticos que elaboram as suas listas privativas cujas prioridades os eleitores não conhecem. Não existe a Acredita-Bpossibilidade de candidaturas individuais de pessoas em que os eleitores possam confiar.

Também não existe a possibilidade de os eleitores dizerem NÃO, quando não concordarem com qualquer dos candidatos: é um conflito difícil de resolver porque o eleitor tem de escolher entre um dos que não gosta, abster-se ou votar nulo. Qual o significado e a força dessa votação?

As campanhas eleitorais são subsidiadas pelos cidadãos. Para quê? Para promover e eleger os que não lhes interessam? Os candidatos têm os seus interesses, mas dizem que vão defender os interesses dos cidadãos. Será verdade ou tentarão conciliar as seus interesses com alguns dos que podem ajudar eventualmente os cidadãos? Qual a razão de Consegui-Bnão haver candidaturas individuais, com despesas da campanha a serem reembolsadas só no final das eleições, conforme os votos que obtiverem?

Uma vez eleitos, esses candidatos ficam na Assembleia de República ou vão para o Governo. Em qualquer dos casos, todos têm os seus ordenados. Qual a razão das acumulações com cargos públicos ou privados, para mais, remunerados? Não fomos nós que lhes pedimos para concorrer mas foram eles que fizeram tudo para assegurar esses lugares. Em qualquer concurso ou desempenho dum lugar, o candidato submete-se às normas que já existem. Neste caso, as normas deveriam ser claras e exigir o desempenho do lugar a tempo inteiro, sem acumulações. Qual a razão das mordomias dos transportes privativos, subsídios e outras benesses que não são dados a qualquer Maluco2dos outros funcionários? Apenas a imunidade parlamentar seria um privilégio mais do que suficiente.

Uma vez colocados nas funções do Estado, esses indivíduos deveriam ser constantemente escrutinados para se verificar se cumprem aquilo que prometeram na sua campanha eleitoral. Se assim não for,é como apresentar falsos documentos ou promessas para o exercício do cargo, sem penalização para o seu incumprimento no desempenho dessas funções. O que deveria acontecer a um funcionário deste tipo? Não deveria ser demitido imediatamente?

No exercício do cargo da governação, tem de existir bom senso e um modelo de actuação a ser seguido e que foi previamente Psicopata-Banunciado nas campanhas eleitorais.

No nosso caso, que exemplo é dado pelo actual governo? É a modelagem que tem de entrar em funcionamento.
▫ Fala-se muito em austeridade mas parece que é só para os governados. Os governantes não necessitam disso? Qual a diminuição de ordenados e regalias que eles auferem? Ou foram aumentadas?
▫ Diz-se que é necessário diminuir o número de funcionários públicos, isto é técnicos e indiferenciados que existem nos meandros do Governo. É aumentando o número os consultores, assessores, adjuntos, secretários, especialistas, etc., que se faz isso, em detrimento dos funcionários que já existem? Isto provoca dissonância cognitiva, Depressão-Bmesmo entre os eleitores da minoria que os ajudou a estar na governação, a não ser que já tenham um lugar cativo.
▫ Fala-se muito em «desengorda» dos serviços do Estado. Como? Continuando com as gorduras que já existiam ou aumentando-as? Muitos analistas, verificam as contas e descobrem que o nosso presidente da república ou outros governantes ficam mais caros do que em países economicamente mais desenvolvidos. O que se faz para derreter essas gorduras? Ou são direitos adquiridos para alguns, enquanto para os funcionários, os vencimentos e as pensões são reduzidas ou cortadas?
▫ Fala-se muito em legalidade, mas o governo não acata, quando não dissimula e protela as decisões dos tribunais, com neuropsicologia-Bprejuízo para os funcionários que já anteriormente foram lesados nos seus direitos.
▫ Os candidatos a vários cargos agarram-se com toda a força à sua candidatura, dizendo que é para o bem da população. Será para o bem da população ou para o seu bem pessoal? É o triste espectáculo das autarquias que deixam muito a desejar na sua orientação.
▫ Os protestos e as manifestações brotam em vários locais e por variados motivos. Não seria bom ouvir a sua legitimidade e as suas razões? Quando um povo chega a um grau de insatisfação e desespero que já não pode suportar, entra em frustração e é muito provável que reaja dum modo pouco previsível, mas coincidente com os instrumentos que tiver ao seu alcance. Em 1974, foi o que se viu.Organizar-B

Em vez de se chegar a um ponto a que Quirino de Jesus não desejava que Salazar chegasse, não seria bom que os actuais governantes, soubessem ouvir os anseios do povo, ter bom senso, sentido de humildade para reconhecer os seus erros e capacidade de inflectir para caminhos muito diferentes do actual? Para que isso aconteça, é necessário que os governantes tenham um feedback imediato da situação, o que não é muito difícil:
▫ Começar por dar o exemplo, baixando os seus ordenados antes de baixar os dos outros.
▫ Diminuir as despesas do Estado começando por reduzir as despesas dos seus gabinetes.
▫ Fazer economias, a começar pelas despesas sumptuárias, viaturas, subsídios e guarda-costas.Psi-Bem-C
▫ Reduzir o pessoal, a começar pelos assessores, consultores, secretários, adjuntos, especialistas, etc. Esses, até poderiam ser requisitados nos excedentes que o Governo diz existirem na função pública e que deseja colocar em mobilidade ou eliminar.
▫ Já que existe muita mão-de-obra em Portugal com necessidade de emigrar, qual a vantagem de importar indivíduos que já se tinha exportado? E são tantos? Não há em Portugal, pessoas capazes de desempenhar as funções de ministros e outros cargos? O que fazem cá todos os que vieram do estrangeiro e que até tem ordenados chorudos, num tempo em que todos os outros passam miséria em Portugal?
▫ O que faz a justiça quando, por acaso, descobre que houve prevaricação? Todo o processo é devidamente «justificado» e Difíceis-B«dissimulado» para não dar nas vistas? Como é que a população, sem entrar em dissonância cognitiva, há-de acreditar numa justiça, quando vê, a todo o momento, inúmeros indivíduos, especialmente políticos, «safarem-se» de cumprir as suas obrigações ou beneficiarem da prescrição com as falhas que existem no sistema judicial e legislativo?
▫ Como pode um cidadão sem entrar em dissonância cognitiva, acreditar naquilo que os governantes dizem, para fazerem logo depois o contrário? Factos e exemplos não faltam.
▫ Fala-se em refundação ou reformulação do estado e das condições sociais. Como se pode fazer uma reformulação social com políticos a terem pensões de reforma douradas, em qualquer momento, com metade de tempo de serviço dos outros cidadãos? Onde fica a justiça e a equidade?Saude-B
▫ Como se pode acreditar na redução do défice com o corte das despesas nos vencimentos e pensões, se esse corte vai reduzir as receitas consequentes, incluindo as da economia? E sem a melhoria da economia coma se pode gerar dinheiro?

Já que está na moda imitar muito do que se faz lá fora, basta ir aos países nórdicos para se conseguir copiar um sistema de transição que pode ser melhorado a pouco e pouco com a EDUCAÇÃO que pode ser proporcionada em Portugal.
Mas, nesses países, os políticos são bastante diferentes.mario-70

Infelizmente, parece que enquanto toda a nossa educação, sistema de justiça, de valores e a consequente actuação não se modificarem, nunca mais conseguiremos ter uma governação em que os eleitos não desempenhem os cargos apenas para «se governarem».

Para que os governantes não fiquem apenas a GOVERNAREM-SE, em vez de governarem, torna-se necessário que:
● Exista um sistema de informação amplo e individualizado que vincule o candidato àquilo que promete.
● Exista uma capacidade de os responsabilizar pelo incumprimento do que fazem ou deixam de fazer, com justiça séria e sem Biblioprescrições ou impunidades.
● Saibam dar o exemplo através das suas acções.
● Sejam racionais e humanos, capazes de compreender a sociedade e de corrigir rapidamente os erros cometidos.
● Não sejam burocratas mesquinhos, insensíveis, irrealistas e teimosos.

O triste espectáculo que somos obrigados a assistir a todo o momento, só pode conduzir esta sociedade a um país em que a lei seja uma letra morta para os que não têm protecção e um instrumento de agressão para que os mais poderosos possam impor as suas vontades, camufladas com a legitimidade eleitoral.Respostas-B30

Tudo isto é previsível em Psicologia Social se, entre outros, formos descobrindo os conceitos de afiliação, aprendizagem, atribuição, conflito, cultura, democracia, deslocamento, facilitação social, feedback, frustração, liderança, modelagem, moldagem, previsão, poder, motivação, normas sociais, reforços e valores.

É bom ver este vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=boKpiZI0oX4

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VÍCIO 2

Vi na SIC Notícias, uma reposição do programa «60 Minutes» de 2012,  apresentada por Mário Crespo, e que envolvia Nora Saude-BVolkow, médica psiquiatra e Directora do Instituto Nacional do Abuso de Drogas (NIDA), dos EUA.

Por acaso, essa investigadora é bisneta sobrinha do revolucionário Leon Trotsky, morto no México por agentes estalinistas, depois de lá se ter refugiado com a sua família.

Nessa entrevista, a investigadora falou do vício em geral e da maneira de o adquirir através das modificações fisiológicas provocadas no cérebro devido ao prazer provocado por esses comportamentos adictos (viciantes) que, aos poucos, vão aumentando a tolerância. Esse vício tanto se refere ao consumo da droga, opiáceos e ansiolíticos, como à obesidade, ou a qualquer outro comportamento que começa a ficar fora do nosso controlo. Para justificar Imagina-Besses comportamentos, diz a investigadora, que assacamos, geralmente, a responsabilidade à nossa falta de auto-controlo. Diz também que, embora a razão seja fisiológica, são esses demónios do cérebro que se tornam mais fortes do que o nosso consciente e a força de vontade.

Embora as suas investigações se tenham referido à vertente fisiológica, também segundo ela, a componente comportamental do condicionamento clássico, com o consequente reforço e aprendizagem, estão sempre presentes.
Decompondo a sua investigação em termos fisiológicos, todas as acções ou acontecimentos que nos dão satisfação, ocasionam a produção de dopamina no cérebro, provocando agrado, que qualquer pessoa deseja que vá continuando.Acredita-B
Por isso, nas investigações realizadas com a imagiologia cerebral, verificou-se que a produção de dopamina, que ocasionava satisfação, era provocada não pelo objecto em si, por exemplo, um hamburguer, mas pela sua imagem. Do mesmo modo, uma linda paisagem não provocava a produção da dopamina.

Porém, nessa reportagem não ficamos a saber se um pintor que se alimenta frugalmente de vegetais teria um comportamento semelhante na produção da dopamina. Não seria contrário, ou diferente?
Apenas isto, quer dizer que existe uma mediação fundamental do cérebro entre o objecto de satisfação e o seu conhecimento ou imagem. Provavelmente, em quem não gostar de hambúrguer, ou em quem estiver completamente saciado, a sua visão não
Psicologia-Bprovocará a produção de dopamina, do mesmo modo como aconteceu com a apresentação da paisagem.

Resumindo, o cérebro é o mediador principal desta investigação.
Do mesmo modo, se gostarmos de chocolate, a apresentação da sua imagem ou a sua recordação provoca satisfação, produzindo dopamina enquanto uma linda viatura, por mais bonita que seja, não ocasionará a produção de dopamina se não estiver ligada a qualquer coisa agradável.

Isto quer dizer que existe uma resultante fisiológica do agrado psicológico que nos é provocado, talvez fortuitamente, mas também por condicionamento clássico e operante, transformando-se, psicologicamente, em reforço.Interacção-B30
Esse reforço, tanto pode ser positivo por obtermos aquilo que desejávamos, ou negativo, porque conseguimos fugir daquilo que detestávamos. Repetido várias vezes, isto transforma-se em aprendizagem maior ou menor de acordo com o tipo de reforço e a qualidade e periodicidade da sua obtenção (F).

Portanto, uma vez aprendido esse comportamento de comer chocolate, ingerir drogas, ter comportamentos bizarros ou qualquer coisa que nos agrade, a produção de dopamina pode incitar-nos a desencadear a acção que produz essa componente fisiológica, ocasionando a nossa incapacidade, cada vez maior, de a evitar porque o nosso organismo nos impulsiona ao contrário da nossa vontade.Psicopata-B
É o vício ou a compulsão para produção do acto em si. É esse o resultado do condicionamento e da aprendizagem, às vezes, confundido com a falta de autocontrolo.
É o efeito que as drogas produzem no abaixamento da ansiedade, da depressão ou de qualquer outro estado desagradável do qual nos queremos livrar. Dão-nos a satisfação de nos sentirmos menos pior do que anteriormente (reforço secundário negativo) ou de conseguirmos aquilo que desejamos ou de que gostamos (reforço secundário positivo).

Nestas circunstâncias, o nosso auto-controlo sofre um tremendo revés, nãoMaluco2 nos deixando actuar racionalmente porque, inconscientemente, já existem condicionamentos e aprendizagens que são desencadeadas para um comportamento diverso, ficando cada vez mais enraizados e consolidados na nossa actuação, com o reforço que vão recebendo ao longo do tempo.
Voltando à investigação que parece estar relacionada com coisas de que os sujeitos observados gostam, não gostam, ou são lhe indiferentes, seria muito interessante que se fizesse uma investigação paralela com indivíduos que não gostassem dos artigos ou objectos que são do agrado da generalidade. E, tratando-se da comida, também conviria investigar se uma pessoa saciada também produz dopamina e em mesma quantidade como acontece quando não está saciada.Joana-B

Fazendo aqui um parêntesis, parece que isto deve competir mais aos psicólogos e psicoterapeutas do que a médicos que se dedicam a medicar. Os psicólogos não têm laboratórios farmacêuticos que os apoiem porque as suas investigações seriam contrárias à descoberta, fabricação e venda de medicamentos novos.

Já que nunca nos foi possível integrar uma muitíssimo útil investigação deste género, a única maneira de chegar ao ponto fulcral da questão, foi desencadear, em psicoterapia, a terapia do equilíbrio afectivo, que procura aumentar os afectos positivos passíveis de produzir dopamina para contrariar os negativos.Depressão-B
Para isso, é necessário ter disponibilidade mental suficiente para entrar no estado não consciente ou tentar baixar a nossa vivência para o nível do inconsciente a fim de tentar descobrir, no arquivo pessoal das nossas memórias, os factos agradáveis passíveis de produzir dopamina. Seria isso possível verificar numa investigação com imagiologia? Não sabemos, porque não temos possibilidades de a desencadear ou participar nela.

Depois disso, através da imaginação orientada, podemos condicionar todo o sistema até se chegar ao ponto de descobrir onde e como tudo começou e como se poderia ter evitado ou reduzido. E, neste procedimento, a hipnose ou auto-hipnose pode ajudar imenso para acelerar e aprofundar o processo terapêutico (J).neuropsicologia-B
Obtido esse controlo, o descondicionamento total não será fácil mas possível, se cada um, com ou sem a ajuda do psicoterapeuta, tiver a capacidade e a persistência necessária para praticar todo um rol de procedimentos, talvez repetitivos mas que conduzem a um bom caminho.

A meditação e o yoga podem ajudar nisso, desde que não sejam utilizados apenas como modos de actuação ou de manutenção de posições corporais. É necessário que a mente funcione em consonância. Nas intervenções efectuadas, quase mais de 90% dos casos melhoraram ou ficaram resolvidos.
Mas, acima de tudo, para que tudo funcione em pleno, é conveniente que a pessoa em causa conheça bem os mecanismos do comportamento humano e da psicoterapia para não se deixar iludir com a satisfação que a dopamina, depois de produzida, exerce na pessoa começando a sua acção viciadora, justificando o comportamento viciado (F).Psi-Bem-C

Enquanto não houver uma droga ou composto químico que evite a produção de dopamina nestas condições, ou a destrua, a psicoterapia pode actuar. E, mesmo depois de se conseguir a droga, em vez de a ter de utilizar correctivamente, a posteriori, pode utilizar-se a psicoterapia preventivamente, evitando todos os efeitos secundários ou colaterais que os compostos químicos produzem lesando outros órgãos, além do mal-estar que é sentido pelo indivíduo e pela sociedade que o rodeia.

Se toda a acção começa essencialmente pela interferência do cérebro que ocasiona a dopamina, a qual nos domina Difíceis-Bespecialmente depois da aprendizagem e do condicionamento clássico ou operante, o importante é conseguir actuar nos momentos ou factos anteriores a esse condicionamento, nos seguintes termos:
▫ Evocar factos ou recordações agradáveis ou desejáveis que provocaram satisfação – produzir dopamina.
▫ Evocar recordações ou factos desagradáveis contrariando-as com as agradáveis a fim de se produzir a dopamina com as últimas recordações.
▫ Descobrir formas de actuação de contrariar ou evitar os factos desagradáveis, continuando com a recordação de factos agradáveis para a produção da dopamina.
▫ Consolidar a capacidade de evocar factos desagradáveis e de os contrariar ou evitar com a produção da dopamina.
▫ Aumentar a autovalorização e o autocontrolo através destes exercícios.mario-70

Como tudo isto tem de ser realizado pelo próprio, existem pessoas que o poderão fazer sem qualquer apoio exterior ou com um apoio muito pequeno. Caso contrário, um psicoterapeuta experimentado pode dar uma ajuda substancial desde que o interessado se disponha a fazer os exercícios que são necessários.
Porém, é importante que todos os exercícios necessários não sejam apenas físicos e que o cérebro esteja a «trabalhar» conscientemente e em consonância. Por isso, a leitura e a compreensão da teoria, dos mecanismos do comportamento e dos modos de actuação sejam bem compreendidos pelos interessados para se poder ter uma saúde mental desejável (A).Biblio

Tudo isso vai ficar explicado no novo livro que se está a preparar, dedicado especialmente à BIBLIOTERAPIA (Q) para além do AUTOTERAPIA (psico) PARA TODOS (P) destinado a iniciar a prevenção ou profilaxia antes de ter de se recorrer à resolução das dificuldades.

Depende muito de cada um.

Pelo menos, o Antunes (B), a Cidália (C) e o Júlio (E) que o digam.

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A EDUCAÇÃO E A CRISE

“Será que à falta de criar horizontes de saída da crise e objectivos concretos e qualidade de vida, esta Biblioeducação, organizada sobre um modelo de cultura do dinheiro, dos ídolos e do poder, não leva também ela a cometer actos tresloucados?”

O comentário acima transcrito, feito por um Anónimo, obrigou-me a tentar dar rapidamente uma resposta, porque ouvi uma notícia de que um casal de dois especialistas em medidas de auto-ajuda em psicoterapia, que estava a treinar outras pessoas, se tinha suicidado na sua residência, nos EUA.

Tudo o que tenho escrito nos diversos posts, não exclui a possibilidade de um especialista se suicidar, mas também é menos admissível que não o faça com muito menor probabilidade do que um não especialista e um não-treinado.mario-70

Como já tive ocasião de dizer, nunca confiei muito nos livros de auto-ajuda, muitos dos quais consultei, há cerca de 40 anos, quando eu próprio estava numa depressão ansiosa reactiva profunda e era medicado com drogas que me deixavam ainda mais desiludido com a vida, tal como o Antunes (B).

Por esse motivo enveredei pela técnica da Imaginação Orientada, que exige muito envolvimento do próprio desencadeando-lhe todas as forças possíveis para ultrapassar qualquer crise de acordo com as suas próprias vivências, possibilidades, energias e aprendizagens.
Os dois posts seguintes podem ser mais esclarecedores:Acredita-B

Meditação e Psicologia
Imaginação Orientada

É exactamente a nossa cultura e os valores subjacentes que nos impulsiona num determinado sentido. Mas, como numa sociedade, tal como numa família, tem de existir alguém que coordene toda a situação e actuação, dando o exemplo de como as pessoas se devem comportar, os governantes são necessários. Mas têm de ser governantes a sério e não «à séria», como dizem agora. Acerca disso, as minhas ideias estão bem explicitadas no post Psicologia Psicologia-Be Política.

Além disso, como não acredito que a nossa EDUCAÇÃO e o bem-estar social, estejam bem equilibrados e desenvolvidos, julgo que a acção de psicólogos sérios, que compreendam a vida tal como ela é, torna-se importante para deixar pelo menos alguma parte da população imunizada contra os males que nos atacam, em parte, por causa do mau «desenvolvimento» das personalidades envolvidas.

Para que esse desenvolvimento seja adequado e mantido, um Curso ou uma acção de formação, num determinado sentido, pode deixar os intervenientes bastante mais imunizados contra os males que nos irão atacar com a crise Interacção-B30financeira, que não deve deixar de ser extensiva e profunda, qualquer que seja o governo que tomar conta das rédeas do poder.

Para mais, algumas sessões de treino de relaxamento mental e de exposição da técnica de imaginação orientada podem deixar a pessoa capaz de resistir aos males que nos devem atacar, tal como os vírus sazonais, esporádicos e pontuais, que incomodam constantemente. Para isso, servem a psicoterapia e a autoterapia, também mencionadas em vários outros posts neste blog.

Esta vacinação, que é necessária, fez com que o o Antunes, profundamenteConsegui-B depressivo, se submetesse a isso. Com isso, ajudou também não só a sua família como até uma «sobrinha» com quem convivera durante muitos anos. Com a Cidália, aconteceu quase o mesmo. Se fossem os paninhos quentes das auto-ajudas e dos aconselhamentos, não acredito que conseguissem uma modificação tão profunda. Mas, tudo isso exige muito esclarecimento e envolvimento do próprio e, às vezes, uma pequena ajuda ou orientação de um psicoterapeuta experiente, honesto e de bom senso.

Enveredar por aconselhamentos ou psicoterapias encaixadas numa teoria, como se utilizasse uma folha Excel para diminuir o défice e equilibrar a economia, tal como se está a fazer em Portugal, talvez seja o pior caminho. Nós temos uma Psicopata-Bsociedade já constituída com «vícios» que já conhecemos. Antes de tudo, temos de os tentar reconhecer, analisar, definir e reduzir ou eliminar, sem ser em centros de reabilitação para onde os «viciados» regressam, de vez em quando, com o hábito do vício cada vez mais arreigado.

O que tem de mudar essencialmente, é a nossa cultura do nepotismo, poder, ganância, enriquecimento rápido e ilícito, arrogância e muitos outros «defeitos» que são completamente dispensáveis, senão prejudiciais. Para isso, antes de tudo, os mais velhos e graduados, têm a obrigação moral de não fomentar a dissonância cognitiva nos menos graduados.

Joana-BConcordo quase totalmente com o comentário, porque, dizer «faz o que eu digo mas não faças o que eu faço» é péssimo, especialmente quando os principais protagonistas são pais e governantes….
Se os exemplos não vierem «de cima», as pessoas ficarem constantemente sujeitas à dissonância cognitiva, e se os castigos forem aumentando com o passar dos tempos, tudo isto pode conduzir a uma frustração exagerada, se não entrarmos em depressão aprendida ou reagirmos com actos tresloucados completamente impensáveis.

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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IMAGINAÇÃO ORIENTADA

Comentário:

“Agora que estou quase no fim das minhas férias, às vezes, sem possibilidade de me juntar ao nosso grupo, estou a terminar a Bibliopublicação da transcrição dos textos do interessante livro de Rui Mateus.
Acho que quase cumpri uma obrigação durante as férias. Leiam essas transcrições, que podem dar muita informação política.
Acabei de, nos intervalos, também consultar o vosso blogue e gostei imenso do artigo sobre “O Abade Faria”. Não conhecia essa versão.
Vou-me embora depois do feriado mas, se fosse possível, gostaria de ler alguma coisa sobre a vossa técnica de imaginação orientada utilizada na psicoterapia.
Será possível saber alguma coisa sobre a prevenção que se pode fazer em psicologia, já que a minha vida lá fora é muito exaustiva e chega ao ponto de fazer desistir? Quando é que sai o livro?
Felicidades,
CãoPincha

Em resposta ao comentário dos CãoPincha feito no post “O Abade Faria” resolvemos publicar integralmente o capítulo que, entre as páginas 147 e 172, trata da profilaxia e prevenção que se pode fazer na psicoterapia da

Imaginação OrientadaImagina-B

PSICOTERAPIA E PROFILAXIA

Passados alguns dias, o Antunes voltou ao meu encontro para me dizer:

Tu metes cruamente o dedo na ferida. E dói.

– Mas sara. Achas que é mau? Na guerra, é assim, e estamos a fazer a guerra à neurose! Mete-te na imaginação orientada e verifica se não é muito mais vantajoso do que os outros processos que nunca mais acabam e nos deixam na dependência de Acredita-Boutras pessoas.

Depois de ouvir a minha resposta, pediu-me que lhe explicasse algumas coisas que gostaria de perceber melhor e que não tinha tido oportunidade de me perguntar da vez anterior. Tão extensa tinha sido a informação dada por mim, que necessitou de fazer o relaxamento e entrar em imaginação orientada para relembrar o que eu tinha dito e fazer as perguntas complementares.

Gostava de saber como é que começas uma psicoterapia, já que nunca fui a uma consulta tua.

– Muito simplesmente, com uma consulta em que o «paciente» me vai contando as suas «desgraças» das quais se quer ver Psicologia-B
livre. Com a experiência clínica que tenho tido ao longo de várias dezenas de anos, consigo aperceber-me se é um problema superficial e pontual ou se é algo mais complicado.
Explico o modo como faço a psicoterapia, relacionada especialmente com o relaxamento a ser exercitado em casa pelo paciente. Digo que o treino e as leituras são vantajosas para o próprio, assim como a anotação dos pequenos acontecimentos, lembranças ou recordações de todos os dias que vale a pena coligir (B/37-52). Depois, se o paciente quiser, tento ensaiar imediatamente o relaxamento durante pouco tempo, para ele o poder praticar em casa todas as noites. Tu também fizeste isso.

– Portanto, inicias a psicoterapia de imediato?Interacção-B30

– Depois do ensaio do relaxamento, para que o paciente possa decidir aquilo que deseja, pergunto se prefere consultas como «normalmente» – conversas ou conselhos, como as pessoas imaginam – ou psicoterapia como a do Januário (L) ou Cidália (C). Faço ver as diferenças e as vantagens e deixo escolher livremente aquilo que interessa ao paciente, consulente ou utente, incitando-o a ponderar na colaboração que me possa e queira prestar.

– E quando o caso não te parece simples, o que fazes?

– Se ainda não experimentou, proponho que o paciente experimente oConsegui-B relaxamento antes de vir para uma segunda consulta em que poderá ter de decidir de que modo pretende que eu conduza a psicoterapia. Proponho também que experimente praticar o relaxamento todas as noites e que, se possível, leia o mais possível daquilo que eu lhe recomendar. Assim, poderá decidir muito melhor.

– E a história aprofundada do paciente não te interessa?

– Interessa muito, depois de o paciente ter decidido se deseja fazer a psicoterapia comigo e de que modo. Enquanto continuo a insistir no relaxamento, vou tentando aprofundar a sua história aos poucos e à medida das necessidades, tal como aconteceu com o Tiago, a Cidália (C) e o Júlio (E).Maluco2 Quanto ao Júlio, de que me serviria a sua história se ele não insistisse em fazer a psicoterapia comigo? Também, qual era a vantagem de ele me contar a sua história logo no início, se nada pudesse fazer no sentido psicoterapêutico? O Júlio gastaria ou desperdiçaria o tempo de consulta contando a sua versão da história, elaborada de acordo com as suas vivências conscientes, que poderiam apresentar-me uma determinada imagem que não interessava para a psicoterapia. Ele nunca teria a oportunidade de experimentar as duas sessões de relaxamento efectuadas no hospital e eu ficaria com a sua história, contada à sua maneira, não lhe podendo dar qualquer tipo de apoio válido. O que seria dos factos inconscientes e recalcados, possivelmente não incluídos na sua história, dos quais ele não tinha consciência e que lhe causavam os distúrbios de que se queixava e que, sem ele saber, o perturbavam no momento? Depressão-BProvavelmente, sairia dessas duas «consultas» no hospital, aliviado, porque tinha confiado as suas desditas a um psicólogo e ele o tinha compreendido, dando alguns conselhos!

“Em relação a ti, a tua obsessão com o trabalho e com a preocupação de querer deixar a família com meios de subsistência no caso do teu «desaparecimento», pode ter sido ocasionada pelo traumatismo sofrido com a morte do teu pai: ficar sem meios de subsistência que anteriormente abundavam! Não querias que acontecesse o mesmo com a tua família! É necessário ter em conta tudo isso que não me «contaste» no início porque não tinhas consciência disso, nem julgavas que era importante para a situação do momento. Estes são os factos «escondidos», porque os fáceis diagnosticam-se provisoriamente com bastante rapidez, como a tua «depressão».

“Se não for assim, o paciente pode ter de vir a mais consultas para contar a sua história que de nada vale, a não ser para fazer um diagnóstico muito falível.Psicopata-B Quem ler o caso do Joel (G) pode verificar o erro de diagnóstico. E quem se quiser entreter a ler o caso da Cidália (C), do Júlio (E) e da Isilda (H), pode verificar que foram situações provisórias passíveis de ser invertidas com a psicoterapia. Os outros casos também não fogem muito a este padrão. Também eu, posso ser considerado uma pessoa depressiva e irascível, de vez em quando, se não praticar o relaxamento!

– Concordo contigo plenamente, porque a depressão pontual que tive, foi essencialmente devida a factores relacionados com a minha ansiedade. Esta foi provocada pelo trauma de não ter tido qualquer apoio quando desejava concluir o curso de Direito, aliando-se à minha ânsia de deixar a família com posses financeiras suficientes, no caso de algum azar que eu pudesse ter. De tudo isto me apercebi quando consegui «entrar» nas profundezas do meu inconsciente e relembrar factos antigos como as advertências do meu avô ao meu pai em relação à doação do terreno (B). Tens razão.

– Já descobriste agora a razão da minha preocupação em esclarecer asSaude-Bpessoas que desejam ter uma boa saúde mental (A) e um comportamento aceitável, sem grandes dificuldades? Basta seguir alguns procedimentos (G/85-110) muito simples, como ainda estás a fazer e julgo que a Cidália também o fará. A pessoa «entra nos eixos» donde não «descarrila» com facilidade.

Então, quando as pessoas concordam, começas logo a fazer a psicoterapia em tempo prolongado?

– De modo algum. Antes de tudo, tenho de saber se a pessoa consegue entrar em relaxamento profundo. Só posso descobrir isso em cada momento. Mesmo que em sessões anteriores ela tenha conseguido entrar em relaxamento profundo, pode não o conseguir quando nós o desejamos. Temos de esperar pela oportunidade do relaxamento e das mario-70lembranças que vão surgindo inesperadamente, embora incentivadas pelo psicoterapeuta. Suponho que em alguns casos, Erickson esteve bastante mais do que 6 horas seguidas em psicoterapia. São pelo menos 12 períodos. Temos de aproveitar o momento. Não podemos forçar as circunstâncias.

– E nunca precisas de aprofundar a história pessoal?

– Seguramente que sim. Não posso, de maneira alguma fazer um exame pericial sem conhecer a história aprofundada do examinando, em conjugação com vários exames e contraprovas que serão validadas com uma entrevista final. Neste caso, não me posso eximir à tarefa de ouvir tudo, com a maior minúcia, além de elaborar muitas interrogações. Porém, o que aconteceu com a Cidália (C) e o Júlio (E) foi diferente.Joana-B

“Tu próprio demonstraste-me que a tua história pessoal era muito importante desvendando-a aos poucos, só para ti, à medida que fazias o relaxamento e praticavas a imaginação orientada. Quando compreendeste tudo, muita coisa se modificou na tua vida, melhor do que no momento em que me relataste as dificuldades da tua filha. Vês os «efeitos secundários» ou «danos colaterais» que houve e dos quais poucos se apercebem? As «armas» estão dentro de nós, mas os outros também podem sofrer as consequências dos danos reais que provocam. É necessário desarmá-las. É por este motivo que digo que uma simples hipnose ou terapia comportamental, apenas com as suas técnicas, quase nunca dá bom resultado a não ser que se vá às origens para as desmistificar, compreender e DIA-A-DIA-Caprender a viver com elas ou utilizá-las a nosso favor.

– Queres dizer que se o caso te parecer simples, depois de explicar as condições da psicoterapia, tentas ensaiar de imediato o relaxamento. Se o caso te parecer complicado, explicas tudo à mesma e perguntas se a pessoa quer experimentar o relaxamento para depois poder decidir aquilo que deseja que se faça. Não deixas que as pessoas desperdicem o tempo da consulta com conversas inúteis para ti, sem grande proveito para o próprio, a não ser o de descarregar momentâneamente a sua angústia. Como dizes, a infecção não se pode curar com aspirinas. Talvez apenas a dor possa ser aliviada momentaneamente. É o que, infelizmente, muitas vezes acontece. É por isso, que as pessoas têm de saber como devem proceder e decidir pela sua cabeça o que lhes convém no momento. Até pode ser que a algumas, como já disseste, interesse mais manter esse estado de «doença» para tirar Psi-Bem-Cdaí benefícios colaterais de «coitadinho que está doente e necessita de todo o apoio». Essas pessoas podem não conseguir sentir esse apoio se estiverem de boa saúde.

– Tens razão. Não são casos raros, especialmente quando verificam que a psicoterapia vai dando resultado e o psicólogo ou a pessoa com quem estão em interacção é a única de quem sentem esse apoio. Compreendes agora porque «cortei as vasas» ao Tiago (C/61-68) quando ele melhorou e passei a sua psicoterapia de semanal a quinzenal? Entre as semanas 60ª e 70ª, ele queixou-se de que os sintomas tinham aumentado. Como estava melhor e passara a psicoterapia para um intervalo quinzenal, sendo eu a única pessoa com quem ele partilhava as suas mágoas, queria visitar-me mais frequentemente. Como psicoterapeuta, o meu propósito era fazer com que ele não necessitasse dessa muleta e se tornasse autosuficiente e autónomo, aprendendo a utilizar os seus próprios recursos para Difíceis-Bresolver os problemas futuros. Se não, a psicoterapia nunca mais teria fim, como acontece em muitos casos. E as despesas inúteis e sem proveito que os pais teriam de suportar? Viste como ficou resolvido.

– Já compreendi que não gostas do subsídio mínimo. E como é o resto da psicoterapia? A Cidália não me conseguiu explicar devidamente tudo o que fez. Pouco consegui falar com ela porque estava sempre em pulgas para passar o tempo com o namorado. Agora, tal como os avós, quase que nem a vejo no Porto. Está entretida no Algarve com a sua nova família e parece que com os pais se dá pouco. Ela disse-me apenas que iniciava o relaxamento, sentia-se bem e começava a ter ideias, tal como num sonho. Às vezes, lembrava-se de alguma coisa quando acordava. Outras vezes, parecia-lhe que tinha passado por um sono profundo e reparador. Poucas vezes se lembrava Respostas-B30de algo que tivesse recordado ou sonhado. Contudo, durante o dia, lembrava-se de alguns eventos dos quais nunca se tinha recordado durante muito tempo. Agora, os avós é que vão de vez em quando ao Algarve, mas com eles fala pouco neste assunto.

– Já que me contas isso, posso dizer-te que logo depois de a pessoa entrar em relaxamento, tento «entrar na pele dela» e vou falando como se fosse ela própria. Relê também os casos do Tiago (C/69-80), da Isilda (H), do Júlio (E), do Joel (G) da Germana e do Januário (L). De acordo com a minha formulação terapêutica, mesmo anterior à Imaginação Orientada, interessa que a pessoa vá tentando recordar momentos agradáveis da sua vida. Eu não tenho de saber quais são mas, se souber, posso facilitar-lhe a vida numa ocasião subsequente mencionando-os para que essa pessoa os possa recordar com facilidade. Para isso, vou fazendo a sugestão de que, depois de teoria2acordar, ela se lembrará de alguns factos com que esteve a sonhar. Quando acordar, se me quiser dizer algo daquilo que esteve a recordar ou reviver, tomo nota para futura eventualidade. Se não me quiser dizer aquilo que esteve a recordar, posso fazer relembrar a sessão anterior para verificar se a pessoa consegue lá chegar. Se souber o que se passa ou passou na sua cabeça, a psicoterapia pode ser mais fácil e rapidamente orientada em proveito do paciente, conduzindo-o no sentido de achar uma explicação, uma solução ou um direccionamento futuro. Isto pode ajudar a fazer relembrar factos agradáveis para contrariar os desagradáveis, dos quais a pessoa se queixa e que a obrigaram a procurar um psicoterapeuta. Também pode ajudar a melhorar a sua auto-imagem e a criar maior autovalorização, obtendo daí autoreforço.pratica2

“Se a pessoa estava a ter uma imagem desfavorável de si, com o autoreforço, pode começar a criar uma auto-imagem positiva que a ajude a vencer as suas dificuldades e a redireccionar o seu comportamento para conseguir maiores vantagens na resolução de conflitos ou frustrações. É também por isso que insisto constantemente na necessidade de ajudar as crianças a ultrapassar dificuldades: é para estarem prontas para as enfrentar ao longo da vida. Muitas vezes, é só isso que as faz chegar às mãos dos psicólogos e psicoterapeutas que podem, às vezes, dispensar-lhes simpatia durante as «horas de 50 minutos» aliviando-lhes temporariamente as mágoas, sem atingir a causa.tecnicas1

“Lembras-te da pergunta que um psiquiatra, que se dizia comportamentista, me fez quando estava a estagiar com ele durante os seminários de Victor Meyer? “Você disse que era necessário saber das causas não-conscientes das dificuldades das pessoas?” A minha resposta foi um «NIM», porque não podia admitir o sucesso duma psicoterapia, sem descobrir os estímulos que estavam a montante dos comportamentos descoordenados e incompreensíveis do sujeito em causa. Tudo tem as suas causas e, neste caso, se fossem conscientes, seriam casos2facilmente removíveis. Não sendo conscientes, têm de ser descobertas. Como? Nós não somos adivinhos, mas temos de chegar àquilo que não é consciente!

– E o que fazes depois?

– Depois, vou explorando a pouco e pouco toda a situação como se fosse o próprio a vasculhar todos os factos que, de algum modo, podem estar relacionados com as dificuldades de cada um. Se souber quais os factos, vou tentando verificar as causas, aventar explicações, promover soluções e descobrir de que modo se poderia ter evitado uma situação que se tornou desagradável. Se não souber, vou aventando hipóteses para que cada um consiga descobrir previsão2aquilo que poderia ter feito ou evitado, que possibilidades terá de fazer ou evitar e de que modo poderá encarar essa situação no futuro se não a conseguir evitar. Muitas vezes, ponho a hipótese de essa mesma situação ter sido utilizada ou poder servir de aprendizagem e motor de arranque para futuros comportamentos mais adequados, isto é, aprender com os erros passados.

– Estás a fazer lembrar o meu caso (B). Se não fossem as dificuldades da minha filha, em que situação estaria? Continuaria teu amigo, mas a minha vida teria outro percurso, bem diferente do actual. Foi por isso que te recomendei a Cidália (C) e não a larguei enquanto não a vi sã e escorreita. Que vida teria agora esta jovem que se dá optimamente com o marido e parece que já está à espera de mais prole? São factos de que nunca nos Adolescencia-Bpoderemos esquecer.

– Se tu, por exemplo, com algum problema de depressão, me procurasses agora como psicoterapeuta e contasses mais pormenorizadamente aquilo que
acabaste de dizer, antes de tudo e sem tentar saber mais coisas da tua história pessoal, iria explorar esta tua faceta de teres ajudado a Cidália, a fim de te aumentar o autoreforço e autovalorização. Depois disto, iria fazer-te recordar outros momentos bons da tua vida. A seguir, faria recordar os maus momentos para descobrires, dentro das tuas possiblidades e modos de actuação, a maneira de ultrapassar as dificuldades que estavas a sofrer, do mesmo modo que a Cidália. Depois, explorando melhor o caso, se necessário, iria ajudando a descobrir as diversas Educar-Bhipóteses possíveis para ultrapassar futuras dificuldades, compreendendo as antigas e os modos utilizados para as ultrapassar. É o que aconteceu com a Cidália. Pergunta-lhe o que é o seu «advogado do diabo» que tu também conheces e que ela utilizou muitas vezes sem a minha intervenção.

– Quando os pacientes querem desistir o que podes fazer?

Pouco ou nada, a não ser chamar-lhes à razão se ainda não tiverem deixado de comparecer às consultas. Enquanto, a estes, não digo coisa alguma porque resolveram tomar a decisão por conta própria, aos outros, tento fazer ver que na psicoterapia bem sucedida, muito do trabalho é do próprio, que deverá estar completamente empenhado no mesmo e a colaborar honestamente com o psicoterapeuta. Repito tudo o que lhes disse no início. É por isso que vou Suces-esc-B
preparando os livros e mantendo os blogs
. É para que as pessoas aprendam com o que se passou com os outros. Se, depois de todas estas explicações e facilitações, quiserem continuar a psicoterapia sem colaborar e sem serem honestos, continuo a ser psicoterapeuta por conta deles, já que é para isso que me pagam e preferiram o meu apoio, a não ser que a situação se torne inaceitável. Neste caso, digo-lhes simplemente que não posso continuar com a psicoterapia e que procurem outro psicólogo. Já sabes o que fiz com o Dantas (E). Fiz o mesmo com outras pessoas (M) que queriam continuar a tomar medicamentos quando desnecessários e prejudiciais para a psicoterapia: ou mudavam de médico para o «desmame» ou não continuariam a psicoterapia comigo. Para continuar como desejavam, teriam de procurar outro psicólogo que colaborasse no seu esquema.

– Se tu estás a seguir mais ou menos os parâmetros da técnica de «guided imagery» de Erickson, não compreendi porque Apoio-Bnão chamas «imagética orientada» ao teu método de trabalho. Suponho que imagery é imagética e não imaginação.

– A razão é muito simples. Erickson trata de doentes com dificuldades, utilizando a hipnose como ajuda. Não sei exactamente qual é a teoria psicoterapêutica que segue, se é que segue alguma.

“Eu utilizo essencialmente a logoterapia com a modificação do comportamento, a gestalt, a terapia centrada no cliente, a inferência analítica, a reestruturação cognitiva e qualquer outra formulação psicoterapêutica que me possa ajudar. Sou ecléctico no apoio que dou ao paciente não só para resolver o seu problema, mas ainda para o ajudar a reed2construir o seu futuro em moldes autónomos, com base nas experiências do passado.

“Para isso, muito mais do que a imagética, tenho de utilizar a imaginação. Quero que o paciente veja o passado através da imagética e que descubra, por meio da imaginação, se o poderia ter vivido de outra maneira, para também descobrir como deve viver o futuro de forma autónoma e independente, sem necessidade de qualquer psicólogo ou psicoterapeuta. Se não fosses meu amigo, mas um paciente desconhecido, faria isso e talvez também chegasses ao ponto a que chegaste porque utilizaste a imaginação. Só com a imaginação é que se pode fazer isso, embora alguém esteja a orientá-la.

– Gostei da tua explicação, mas estar muitas horas com o paciente não te cansa?stress2

– Cansa, mas é mais vantajoso para o paciente, para a psicoterapia e para o prognóstico da situação futura. Os cirurgiões também fazem operações que duram dezenas de horas, os seguranças também têm muitas horas de trabalho e não te esqueças que os nossos vôos de busca e anti-submarina podiam durar 10 horas, em condições menos favoráveis do que estar sentado num gabinete de consulta. O pior é dar-me sono porque tenho de fingir o relaxamento, o sonho e a recordação de factos passados como se fosse o paciente que está deitado no divã. Mas, tudo isto tem de ser ultrapassado para o bem do paciente e da nossa dignidade profissional.

 – Agora que falas em dignidade profissional para o bem do paciente, embora saiba o que fiz «artesanalmente» no meu caso psicoterapia2de autoterapia, se alguém quiser fazer uma psicoterapia mais ou menos como eu ou como a Cidália, utilizando os conhecimentos adquiridos na terapia do equilíbrio afectivo e na imaginação orientada, que recomendações lhe podes fazer para enveredar por um sistema económico?

– Estás a referir-te a uma quase autoterapia que é muito difícil mas possível, como tu sabes melhor do que eu. Já mais alguém me falou neste assunto depois de ler o teu caso no livro ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (B). A minha resposta, à guisa de uma lista de procedimentos resumida foi mais ou menos a seguinte:

►Estar a pensar calmamente, sem distracções, nos momentos bons que tivemos na vida. Tentar relembrar ou reviver tudo, o pqsp2mais e o melhor possível.

►Praticar o relaxamento recomendado nas páginas 37 a 48 do «teu» livro (B) (G/85-110). Se não for possível começar sem ajuda, pedir apoio, como aconteceu com a Cidália (C).

►Relembrar e reviver, se possível, todos os momentos bons, a maior quantidade de vezes que puder ser. Não falhar pelo menos à hora de dormir. Interessam essencialmente os primeiros 5 minutos cruciais. Se forem acompanhados sempre da mesma música, melhor, porque, com este sinal condicional, o relaxamento será mais rápido e, possivelmente, profundo.depr2

►Tentar passar de relaxamento muscular (se tiver sido necessário) para o relaxamento mental e procurar reviver os bons acontecimentos.

►Fazer uma discriminação das dificuldades sentidas e valorizá-las, todas as semanas, sempre em folhas separadas, de acordo com a escala de 11 pontos (F/163-222), como aconteceu com o Tiago (C/62-63), nunca olhando para as valorizações anteriores.

►Manter uma espécie de diário para anotar todas as recordações e acontecimentos fora do vulgar ocorridos ao longo do dia ou «Educar»-Bdurante o relaxamento.

►Tentar fazer a auto-análise de acordo com o que está estipulado no nº , nas páginas 38 a 41 do «teu» livro (B) e que foi mantida pelo Júlio (E) e pela Cidália (C), como já tive ocasião de te dizer.

►Ler cuidadosamente todos os livros, além deste, a começar pelo (A), continuando pelo (B), (C), (D), (E), (F) (G) (H) (K) (L) e (M). Os conhecimentos adquiridos nessa leitura poderão ajudar em muito a verificar o que aconteceu com os outros, saber quais eram os seus problemas e descobrir o modo de solução utilizada, com êxito, em cada um dos casos. São todos diferentes, mas muito se pode aprender em cada um deles, adaptando-os às circunstâncias de cada um.Falhas2

►Concitar afincadamente a recordação dos momentos agradáveis, de preferência, numa espécie de ecrã à nossa frente. É por isso que vale a pena fazer isso todas as noites, sem interrupções, mas também sem a preocupação de não dormir por causa disso. Se houver insónias, esses momentos também se podem utilizar para fazer este exercício.

►Depois de consolidada esta situação, já é possível recordar os factos ou momentos desagradáveis que perturbam as emoções e o comportamento.Humanismo2

►Chega o momento de analisar a situação com calma e clareza, vendo bem as cenas desagradáveis e situando-nos no contexto do momento e no papel dos intervenientes.

►Com isto, já é possível analisar as possíveis causas e descobrir soluções ou o modo como se poderia ter evitado uma situação desagradável.

►A seguir, vale a pena contrapor dificuldades e tentar arranjar soluções ainda mais criativas e vantajosas.

Marketing2►Entretanto, o diário deve ajudar a descobrir as dificuldades do momento. Ao fim de 6 meses, a auto-análise também pode começar a desvendar qualquer coisa importante que estava muito ou pouco recalcada.

►A auto-avaliação, mantida durante bastante tempo sem a consultar, depois de passada para gráficos semelhantes aos que se apresentam nos livros PSICOLOGIA PARA TODOS (F/163- 222), Eu Não Sou MALUCO! (E) e Psicopata! Eu? (G), pode dar uma ideia clara da evolução do caso.

 “Suponho que isto chega. Mas, para o caso de não haver melhorias por incapacidade do próprio, por falha em algum procedimento ou por qualquer outra dificuldade, estou a idealizar uma lista de procedimentos  Sindicalismo2recomendada pelo Joel, que pode passar a figurar num novo livro (P).

“Continuando a não obter resultados, melhor é socorrer-se de um conselho profissional adequado e competente.

Gostei da tua abordagem simples e directa, mas a leitura dos livros será muito importante?

Julgo que sim. A leitura dos livros, cada um dos quais conta a história de «casos» diferentes, pode ajudar a pessoa a centrar-se no seu caso pessoal avocando os conhecimentos adquiridos com a vida dos outros que, em parte, podem estar ligados ou ser semelhantes a partes da vida da própria pessoa. Também é bom que cada um saiba que quase todos
homem2quiseram desistir no início ou até quase no fim e que, só continuando a praticar o relaxamento conseguiram vencer as suas dificuldades. É bom que cada um tenha em conta que todos temos dificuldades e que continuaremos a tê-las pela vida fora. O importante, é saber vencê-las. A psicoterapia ou até a autoterapia, com a prática necessária, ajudam a ultrapassar essas dificuldades com uma facilidade cada vez maior.

Portanto, queres dizer que lendo os livros como eu fiz e praticando o relaxamento, a autoterapia não será difícil.confl2

– Não disse isso e só a leitura e a prática não fazem esse serviço. As duas coisas são imprescindíveis, mas a formulação terapêutica dos problemas de cada um não pode ser feita levianamente, nem se pode garantir que toda a gente o possa fazer. Custa muito reconhecer os nossos «erros» ou as causas das nossas dificuldades. É necessário ter muita sensibilidade, humildade, razoabilidade e compreensão para que cada um possa analisar os seus problemas com a clareza necessária a fim de poder ver as causas e os seus efeitos em vez de descobrir apenas culpas e «arranjar» possíveis desculpas ou justificações. Poucos o podem fazer e, por isso, a intervenção do psicoterapeuta torna-se quase imprescindível. Porém, os exercícios de relaxamento que demoram muito mais tempo só podem ser feitos pelo próprio. Não necessitam da presença permanente do psicoterapeuta e, por isso, podem ser praticados em casa, desde o início, para acelerar em muito e melhorar os resultados pretendidos (C) (E). Só as formulações psicoterapêuticas, especialmente as destinadas a compreender a situação e ultrapassar as dificuldades, podem exigir, quase sempre, ajuda especializada.

“Repara que todos os casos descritos nos livros citados, apresentam problemas diferentes com formulações muito diversas. Lembra-te que o Januário fez quase uma terapia-relâmpago porque já tinha acumulado a prática de inúmeras horas de relaxamento. A ti, ninguém ajudou a fazer a formulação terapêutica mas também não tinhas traumatismos fortes por «resolver», mas sim «compreendê-     -los» a fim de entenderes a tua depressão, o medo do futuro e a antecipação da ansiedade por aquilo que poderia acontecer à tua família no caso do teu «desaparecimento». Fiz-me compreender?  

– Quando li os folhetos do Centro de Psicologia Clínica e até os teus livros, pareceu-me que, às vezes, os assuntos estavam repetidos e não expostos de forma a serem seguidos linearmente. Porquê?

Talvez seja uma das minhas características ou defeitos. Mas, a propósito deste tipo de exposição, quantas vezes me fizeste, de outra maneira, a pergunta à qual respondera momentos antes? Quando escrevo, tento seguir aquilo de que me lembro no momento e encadear a teoria com os factos e com a prática. Não me preocupo em manter uma sequência como se faz nos romances ou em livros didácticos. Às vezes, quando estou em relaxamento ou em imaginação orientada, lembro-me que podia ter escrito as coisas com outro encadeamento ou ter acrescentado algo mais importante e, logo que posso, tento alterar ou encaixar esse «material» onde e como for possível, como estamos a fazer agora. A tua pergunta sobre imaginação orientada também foi feita noutra ocasião! Não me preocupo muito com a sequência, porque o leitor deve ler aquilo que lhe interessa no momento. A leitura dos nossos livros não exige qualquer ordem nem sequência que seja necessário seguir.

“Pegas no livro, vais ao índice se quiseres, escolhes aquilo que desejas saber, começas a ler e continuas ou voltas a fazer o mesmo para te orientares para outro assunto. O importante é que satisfaças a tua vontade de conhecer o conteúdo e que te disponhas a ir aprofundando a matéria, à tua vontade, a fim de descobrires de que maneira as aprendizagens e os comportamentos são ocasionados, mantidos, eliminados e transferidos para o futuro. Assim, compreendendo tudo e tentando fazer uma previsão – sempre mais falível do que as da meteorologia porque existem muitas contingências a influenciá-la – vais controlando as causas para obter os efeitos desejados.

“Com a aquisição e actualização de todos estes conhecimentos, a pessoa tem de ter em conta a sua percepção em relação àquilo que a rodeia (B/30) (C/24), bem como a dos outros que interagem com ela (F) (K). De acordo com essas duas percepções diferentes e com a experiência anterior dessas duas personalidades, os acontecimentos irão sucedendo. Se não é fácil para um psicoterapeuta, por mais experimentado que seja, tentar enquadrar tudo isto e encaixar umas coisas nas outras, torna-se muito mais difícil para o próprio. É por isso que os mal-entendidos não são poucos e, às vezes, é só nisso que reside grande parte dos problemas. Para evitar esse mal, as sessões de sensibilização das quais falei com Das Neves (B/116-124) são muito importantes.

“Estas noções também já foram dadas anteriormente mais do que uma vez e em mais do que um livro mas, às vezes, torna-se imperioso repeti-las para alertar quem ainda não está familiarizado com a modificação do comportamento, que sempre ocorre em todos nós e que, às vezes, julgamos não ser possível ou ser um acto desumano quando deliberadamente provocado.

“O que pretendo dizer com isso é que se torna necessário conhecermos o meio em que nos inserimos para saber racionalmente (e não emocionalmente) aquilo que desejamos, a fim de provocar as causas que darão os efeitos por nós pretendidos, se não houver outras contingências a interferir, para além das previstas.

“Seguramente, nunca iremos conseguir tudo o que desejamos por causa dessas contingências, nem poderemos modificar sempre o comportamento no sentido pretendido mas, teremos uma vida menos atribulada do que se não a quiséssemos controlar racionalmente sem atribuir «culpas», mas procurando as «causas» para tentar modificar os «efeitos».

– Óptimo. Estou a ver melhor toda esta problemática da modificação do comportamento e da psicoterapia. Mais alguma achega?

É por este motivo que insisto muito na educação desde criança, utilizando dificuldades, que os pais deverão colocar para que os filhos as ultrapassem, nem que seja com uma facilitação inicial. Depois, com esse treino imprescindível para uma vida cheia de sucesso, esses adultos podem até não necessitar de qualquer psicoterapia. Pensa em ti e vê o que seria de ti e da tua filha se não aprendessem a ultrapassar as vossas ligeiras dificuldades.

A propósito da educação, não achas que teria sido mais útil enveredares por uma faculdade como, por acaso, aconteceu agora?

– É uma situação que não me passou despercebida logo de início. Embora se ganhasse pouco nesse tempo, concorri para universidades, uma delas, a do Minho. Concordaram em eu dar aulas de psicologia desde que tivesse uma licenciatura qualquer, mesmo que não fosse em psicologia. Como no meu curso do ISPA, naquele tempo, só era concedido diploma – reconhecido como curso superior – não consegui dar aulas a não ser no Instituto Superior de Serviço Social e cursos de enfermagem por não ter uma «licenciatura» qualquer que se obtinha com 4 anos de curso.

“Posteriormente, depois de ter concluído o doutoramento, houve propostas para eu reconhecer cá o diploma e poder dar aulas numa faculdade. Quando pedi equivalência ao Ministério da Educação, solicitaram-me o certificado de «licenciatura» que eu não tinha porque, naquela época, uma instituição particular não o podia conceder. Depois do «25 de Abril», como naquela ocasião (1981) teria de perder um ano para conseguir esse certificado para a conclusão de mais duas cadeiras no ISPA e um trabalho, e eu estava «atulhado» de pacientes que me queriam a trabalhar no consultório, desisti dessa pretensão de dar aulas, preferindo dedicar-me à investigação em neuropsicologia e enveredar pelo pós-doutoramento em neuropsicologia. Afinal, a minha preferência orientava-se no sentido da investigação, terapia e profilaxia em vez da docência onde ainda se ganhava pouco e exigia muito trabalho, quase burocrático.

“Embora tivesse sido convidado, esporadicamente, a dar aulas na Universidade Autónoma, no ISMA e na COCITE, e agora no ISMAT, desisti dessa equivalência que me orientaria num sentido que não me era muito satisfatório e dediquei-me ainda mais à investigação clínica e à psicoterapia, que me deu muita satisfação com os êxitos alcançados. Muitos «pacientes» ainda se lembram de mim apesar de eu lhes ter «tentado meter na cabeça» que a razão da melhoria, eram eles, através do seu «trabalho» de treino em casa e dos exercícios que estavam a fazer e a manter. Não aconteceu contigo? Se fossem consultas da «hora de 50 minutos» aconteceria isso? As conversas anteriores não foram úteis? Não continuas sem apoio de outras pessoas? Não ajudas a tua filha a ser independente e autónoma?

– Tens razão. Estava agora quase em imaginação orientada e fizeste lembrar coisas de há muitíssimo tempo, relacionadas com dinheiro. Não me disseste, uma vez, quando estiveste em serviço nos Açores e me deste as Boas-Festas do Natal e Ano Novo, que estavas entusiasmado por ir obter o brevet civil e esperavas entrar para SwissAir?

– Sabes que foi pouco antes de eu poder ir para a TAP passando à licença ilimitada depois de 8 anos de oficial do quadro permanente e que tudo foi «liquidado» com a minha segunda nomeação intempestiva e intimidatória para Angola.

E depois de passar à reserva, em 1974?

Nessa ocasião, sendo dado como incapaz para o serviço de vôo, já não me interessava, anos depois, ficar ausente de casa em viagens durante vários dias, quando estava «metido até ao pescoço» na psicologia e pscioterapia entusiasmando-me com os seminários de Victor Meyer. Imaginava que poderia utilizar essas técnicas noutra perspectiva.

– Então, pelo que sei, passaste por muitas frustrações, a começar pelo curso de Direito!

– Talvez seja por isso que o meu método terapêutico se baseie essencialmente na preparação do paciente para ultrapassar a sua frustração do momento e preparar-se para as seguintes que, porventura, possam ocorrer. É o modo como ultrapassei as minhas, «dando a volta por cima». Lembras-te de me teres perguntado no «século passado» “cada macaco no seu galho”? O meu galho é este!

– E fazes alguma profilaxia?

– Vê lá se não me conheces como uma pessoa facilmente irritável e com colite crónica. Passei à reserva na Força Aérea com o diagnóstico de neurose depressiva reactiva em que estava «mergulhado até ao pescoço». Ficava desorientado e, com a medicação que era forçado a tomar, sentia-me apático, inútil e com vontade de desaparecer. Nos dois primeiros anos do ISPA não conseguia «avançar» e isso deitou-me ainda mais abaixo. Como é que eu controlo a minha irritação, senão fazendo relaxamento instantâneo? Não julgues que dou conselhos aos outros sem nada fazer em mim próprio. Acredito que tu também faças o mesmo, pelo menos nos momentos de maior tensão. Depois, sempre que possível, entro em imaginação orientada. Pratico e experimento aquilo que aconselho aos outros. Foi isso que quis desenvolver depois de ter acertado na Terapia do Equilíbrio Afectivo. A minha ambição era e continua a ser, tornar pública a minha experiência pessoal e o método terapêutico utilizado com todos, colocando-o também nas mãos de cada um para lhe dar autonomia e quase independência em relação a quaisquer especialistas. Com a tua idade, não fazes uma dieta alimentar adequada, uma ingestão diária de cerca de 2 litros de água e uma caminhada de quilómetro e meio como precaução contra níveis altos de colesterol, glicemia, obesidade etc? Pode evitar futuros AVC e outras doenças, exigindo a consequente ingestão de medicamentos que sempre ocasionam danos colaterais, se não ficarmos inutilizados numa cadeira de rodas ou na cama. Acontece o mesmo em psicologia. Custa atingir pelo menos o grau mínimo, mas tu o dirás por experiência própria.

“O que diz a Cidália? (C) Se pudesses falar com o Júlio (E), admirarias a sua capacidade de trabalho. E o Joel, que ficou extremamante «traumatizado» com tudo o que lhe aconteceu, apesar de ter melhorado substancialmente, embora sem casar com a sua única namorada de predilecção? Daí a sua preocupação em ajudar os outros (G/85-110).

“É por este motivo que insisto imenso na profilaxia e prevenção. Se desde criança fôssemos habituados a ter cuidado com a alimentação, exercício físico, sono, relaxamento, etc., muitos dos problemas actuais teriam uma expressão mínima, assim como até a nossa actual crise económica, financeira e criminal. Com Guterres, depois de um macroeconomista ter sido o pai do monstro, entrámos no lodo em direcção ao qual já tínhamos começado a caminhar. Alguém tentou mudar de direcção ou inverter a marcha? Não só ninguém ousou contraiar essa orientação como até se continuaram a fazer inúmeras obras desnecessárias e inúteis, criaram-se cada vez mais instituições e organismos espúrios e dispendiosos, com gastos avultados, gestores milionários e engorda dos serviços do Estado. Faz-me lembrar muitos dos médicos meus amigos e companheiros de Liceu e residência que me aconselhavam a tomar um comprimido para não entrar em depressão, outro para dormir, um terceiro para evitar o aumento do açúcar no sangue e mais um para dar energia. Nenhum me dizia para ter cuidado com a alimentação, com o sono e com o trabalho. Muitos deles tinham sido meus contemporâneos e comensais. No meu 6º ano do Liceu, tive dois comensais de medicina; no 7º ano tive sete; nos quatro anos seguintes, tive sempre dois.

“Também ninguém me aconselhou a fazer relaxamento que agora é a função dos psicólogos. Os médicos não eram obrigados a saber isso e eu, naquela ocasião, desconhecia-o por completo.

“Se houver uma «educação» adequada, muitos dos problemas deixarão de existir tal como aconteceu com a Cristina (L) e com muitos outros que me vieram e continuam a vir parar às mãos depois de o «mal» estar instalado. O que acontece, é ter de se reduzir o mal com uma desaprendizagem dos erros, seguida de aprendizagem de formas novas de actuar, ao mesmo tempo que tudo pode estar a ser contrariado em casa, com o reforço aleatório que cada um vai recebendo ao longo da terapia, no ambiente em que esse «mal» foi incubado. Já compreendeste a minha preocupação com a profilaxia que sai muito mais barata e proveitosa, até com a família? Evita-se o mal em vez de sofrer com ele e de o tentar combater mais tarde, a muito custo e com resultados reduzidos.

– E se as pessoas de quem falaste não tivessem o apoio de que beneficiaram de alguma forma?

– Eu não penso só nesse apoio, mas essencialmente no treino e na colaboração que deu cada um deles. Pensa por ti e diz-me se tu não estarias a trabalhar descoordenadamente deixando a filha com dificuldades escolares e a tua mulher com problemas que talvez fossem atamancados com alguns comprimidos, de vez em quando, se não ficasse «viciada» neles. Segundo as tuas contas, além dos 40 períodos de «conversa» que tiveste comigo (apoio), fizeste 3440 períodos de treino e imaginação orientada em casa, contabilizando cada período em 25 a 30 minutos, que se prolongaram ou não pela noite dentro sem contabilização. De certeza que não tiveste qualquer recordação «útil» antes dos primeiros 400 períodos de treino.

“Além disso, repara que a minha insistência na prática do relaxamento não é despropositada. Para teres uma boa saúde, será suficiente ler todas as indicações necessárias, compreendê-las muito bem e ficares muito satisfeito, sentado num maple ou numa cadeira confortável do teu escritório ou sala? Não és tu que tens de praticar? Quem pode fazer isso por ti?

Tens razão. Dá que pensar!

– Pensa na Cidália. Teria enveredado pelo alcoolismo e prostituição? Obteria um emprego digno e satisfatório? Qual é agora a vida dela?

“O que seria do Júlio? Estaria na posição de empresário como agora? O tal «Dantas» do «POC» de quem ele me falou, ainda não «se encontrou» e está cada vez mais dependente da droga que lhe receitam de vez em quando. O seu «vício» de comprar coisas desordenadamente pode ter sido substituído por qualquer outro. Não quero que ele me volte a pedir que eu faça a psicoterapia na companhia do tal psiquiatra miraculoso. O «traumatismo» do Júlio, em relação ao seu «abandono» ou «desterro» em Lisboa, foi rapidamente recordado porque estava à flor da pele. Poderia não ser tomado na devida conta numa história pessoal para diagnóstico, por muito aprofundada que fosse, porque era um facto usual em muitas famílias.

“E o Joel, que ficou com a sua vida completamente destruída por eu não ter conseguido «deitar a mão» ao casalinho antes que os conselhos do diagnóstico lhes fossem oferecidos de bandeja? Agora, com a sua experiência, quer ajudar os outros (G/85-110). Já compreendeste o que pode acontecer quando não existe uma intervenção atempada e adequada, com a colaboração do próprio?

“A subtileza da Germana (L) para obrigar o Januário a fazer antecipadamente mais de 1500 períodos de treino de relaxamento, ajudou a fazer uma psicoterapia de profundidade em 3 dias, com cerca de 50 períodos. Como estaria ele agora (L), que durante anos se submeteu à medicação, psicanálise e psicoterapia, criando uma descrença total em relação às psicoterapias? Não foi expedita e económica?

“Para compreenderes melhor tanto o meu ponto de vista como a minha actuação, lembra-te daquilo que aconteceu contigo. Não faço consultas ou psicoterapia com pessoas de família ou muito chegadas porque, logicamente, pode não haver sinceridade. Existem factos muito íntimos que as pessoas não querem expor a pessoa alguma e, às vezes, até a elas próprias. São, geralmente estes os factos, muito ou pouco escondidos e não-conscientes, que provocam os distúrbios psicológicos. Se o psicoterapeuta não conhecer esses factos como poderá ajudar o paciente? Para que servem as leituras?

“Tu achas que, mesmo depois de o paciente ter dado o seu consentimento inicial voluntário, se eu não tomar em conta o seu descrédito numa psicoterapia que não lhe dá alívio imediato como o medicamento, a sua possível resistência à mudança será pouca? Aconteceu com a Germana, com o Júlio, com a Cidália e, se não aconteceu com o Januário, é porque a Germana já o tinha «industriado» suficientemente, apresentando o caso dela como exemplo. Tenho de tentar combater essa resistência. Tive de insistir contigo para seres perseverante. Tu tiveste de te «zangar» com a Cidália para ela não desistir e não voltar ao medicamento. Apesar de totalmente voluntário e consciente, o Júlio (E) tentou desistir algumas vezes mas, como a psicoterapia não era paga, vês como lidei com a situação. Foi com muito mais à-vontade do que com os outros que pagam e podem achar que despendem o dinheiro sem proveito. Compreende a decisão do Januário depois de devidamente esclarecido com a «visão» e a leitura do caso da Germana (L).

“Quase todos os outros pacientes seguem o mesmo esquema. Tento fazer o papel de os «empurrar» para a frente mas, às vezes, não tenho sorte. Estou a procurar uma fórmula mágica que dê ao paciente a capacidade de compreender logo de início, que tem de confiar no psicoterapeuta e colaborar com ele sem desistir. É a ele que compete aconselhar o abrandamento, a interrupção ou finalização do processo. Por isso, estou a preparar os livros e mantenho agora os blogs. É para que as pessoas me conheçam, assim como os métodos que utilizo, mesmo antes de virem à consulta. Ao fim de cerca de 5.000 casos, em mais de 35 anos de psicoterapia, em que a taxa de melhoria começou em cerca de 60%, acrescida da resolução das dificuldades em cerca de 20%, com aumento substancial posterior, acho que não devo ter outra atitude perante a minha actividade profissional. Dos que abandonam, sabes quais as razões mas, sinto-me satisfeito por ter podido ajudar mais de 80% dessas pessoas, com um aumento seguro que nunca foi estudado.

– Por mim, sei o que passei. Dou-te toda a razão e estou satisfeitíssimo com os resultados. Provavelmente, estaria neste momento ainda como funcionário subalterno da empresa. Não sei como estaria a minha mulher. E a filha, poderia nunca ter conseguido passar do 10º ano, tanto mais que a sua melhor amiga, a Cidália, estava distante e com problemas que, por modelagem e identificação a iriam afectar. E tu, como estarias agora se não tivesses ido para Psicologia?

Não sei. Mas, provavelmente também seria um tenente-coronel na reforma, amargurado, desocupado e desiludido com a pós-revolução dos cravos, a culpar o destino por tudo o que me tinha acontecido. Ou quiçá, como dizem muitos, um advogado a falar mal de Justiça que temos neste País, se não fosse um navegador civil reformado, com algumas «massas», o que era menos mau.

– Mas, para que não tenham o mesmo triste destino que nós também poderíamos ter, como é que os outros poderão saber alguma coisa sobre tudo isto e sobretudo acerca do que conseguem fazer para evitar os males de que se poderão vir a queixar?

– Não sei mas, em tempos, mantivemos no Centro de Psicologia Clínica uma edição, à nossa medida, para esclarecer as pessoas ou, pelo menos, os nossos utentes.

– Agora que me explicaste quase tudo de forma sintética mas elucidativa, pergunto-te porque não publicas esta explicação em forma de conversa como fizeste com o folheto do CPC que li no início, como se fosse parte do nosso anterior diálogo de há 10 anos e que me ajudou a «mudar de vida»? Não só de vida como de atitude mental. E, não só ajudou a mim em especial, como também à minha mulher, filha e, especialmente à Cidália. Valeu a pena ela ter visto os teus rascunhos, acerca da autopsicoterapia. Deus escreve direito por linhas tortas.

– Por enquanto, além dos livros que vou actualizando e reagrupando numa nova edição do Centro de Psicologia Clínica, iniciei em 6Dez07 o blog PSY FOR ALL, mantido até 17Nov08. Passei depois para o Blogger, com o PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo), entre 7Ago08 e 17Dez09. E desde 23Nov09 que me fixei definitivamente no WordPress, para onde transferi esse blog PSICOLOGIA PARA TODOS, para dar respostas a muitas pessoas que me fazem perguntas, intervindo directamente com comentários que, por serem moderados, despertam a minha atenção. Quero que as pessoas façam comentários em vez de me enviarem e-mails. As respostas dadas através de novos posts podem servir a outras pessoas, o que não aconteceria no caso dos e-mails cuja visibilidade ficaria mais limitada. A minha ideia fundamental é fazer com que as pessoas compreendam tudo, leiam bastante e verifiquem o que é a Psicoterapia, colaborarando de modo a se tornarem autónomas, a fim de enfrentar a vida que não é fácil.”

Esperemos que as tuas boas intenções se concretizem em breve e que este esforço que estás a fazer possa reverter em favor dos que mais necessitam de ajuda neste momento.

De boas intenções está o mundo cheio mas de boas acções tenho conhecimento de poucas. Como necessito de dinheiro para a publicação que não fica barata, não utilizando também o circuito comercial, os que necessitarem dos livros que me contactem directamente e vão ao TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS, o blog de edição dos livros.

Aos que necessitarem de apoio, desejando-o rápido e eficaz, sem ficar na dependência do psicoterapeuta, posso dizer que:

▫ Têm o blog(e o e-mail, só em último caso).

▫ Devem ler os posts e os livros que mais falta lhes fazem.

▫ Mas, ainda mais falta faz cada um treinar o relaxamento.

 “Acerca de tudo isto e do treino que cada paciente necessita, lembro-me dos velhos tempos em que, em Angola, entrávamos nos gabinetes do Estado Maior do Exército, em Luanda, para ouvir muitos oficiais do Estado Maior, com o respectivo curso e insígnias na lapela, «dar palpites» acerca da «guerra» de que nada sabiam e na qual não sujavam as botas.

“Isso também me faz lembrar, às vezes, muitos professores da Faculdade e comentadores que dizem muita coisa e falam muito e em imensas teorias que não sabem aplicar ou que aplicadas dão resultados imprevisíveis. Depois, as culpas são dos outros…

“Por isso, sabendo por experiência própria que nenhuma psicoterapia dá bom resultado sem o envolvimento e o trabalho de cada um, apetece-me, às vezes, repetir para os muitos «filósofos» que, sem praticarem o relaxamento dizem que se querem submeter à psicoterapia, o procedimento que tínhamos com esses oficiais do Estado Maior.

 “Os que trabalhávamos no terreno (e no mato), dizíamos para eles, em surdina:

 VAI TRABALHAR MALANDRO!

 

Depois desta extensa transcrição, aos que necessitarem de saber alguma coisa sobre a imagética orientada, (e não sobre a imaginação orientada) podem socorrer-se do link https://www.healthjourneys.com/WhatIsGuidedImagery que foi iniciada por Milton Erickson, podendo entretanto, seguir o método resumidamente explicado no livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P), especificamente elaborado para a prática da Imaginação Orientada, pelo próprio, como uma homenagem póstuma ao Joel.
O livro «Eu Não Sou MALUCO!» (E) descreve todos os procedimentos executados no «caso do Júlio.

Já leu os comentários?

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

MEDITAÇÃO E PSICOLOGIA

Comentário submetido em 4 de Junho por um Anónimo, no post PSICOTERAPIA 4:

“A respeito deste e de outros artigos aqui publicados, gostaria que me elucidasse acerca de uma conversa Biblioque ouvi num transporte público:

“O estado do Espírito, como o estado do Buda, é do silêncio. Enquanto a mente fala, o Espírito não tem lugar. O Espírito implica a morte do Eu, o silêncio do Ego e a exaltação da transcendência….
Os psicólogos deveriam temer a meditação como o Diabo teme a cruz.”

Falando neste comentário com pessoas conhecidas, disseram-me que numa rede social leram comentários sobre os psicólogos amario-70 dizer que deveriam temer a meditação.”

O comentário acima transcrito, feito por um Anónimo, obrigou-me «meditar», no sentido vulgar do termo, porque não consigo compreender porque razão os psicólogos devem temer a meditação, tal como o Diabo teme a cruz.
Como é que eu, como psicólogo, devo temer a meditação, se é um dos instrumentos que utilizo na minha formulação terapêutica?

Tanto quanto eu saiba, a Imaginação Orientada, depende, em muito, da capacidade de recordação, reflexão Imagina-Be meditação que a pessoa vai adquirindo ao longo do tempo e do treino, para esmiuçar a sua vida, analisá-la, compreendê-la, verificar o bem e o mal que fez, descobrir as causas dos seus comportamentos e os efeitos que se obtêm e se conseguiriam se as causas fossem diferentes.

A partir daí, torna-se fácil imaginar de que modo a pessoa deve e pode conseguir agir para obter o efeito pretendido. Quem mais pode fazer esse trabalho a não ser o próprio? Haverá alguém que possa saber e verificar qual será o meu comportamento melhor do que eu? Outra pessoa, por mais competente e especializada que seja, pode orientar as acções de quem necessita de ajuda, ficando sempre dependente das suas capacidades e acções para conseguir obter os efeitos desejados.
Caso contrário, estaremos sempre no domínio da especulação e, quase, da adivinhação. Então, estas acçõesPsi-Bem-C fogem do domínio da psicologia ou entram no domínio do condicionamento puro em que se tenta «domesticar» alguém que não deseja ou não consegue fazer valer a sua vontade. É o que acontece com os animais no circo, nos campos de concentração de prisioneiros ou nos trabalhos forçados. E, mesmo assim, nunca se sabe, muitas vezes, qual será a reacção de alguns dos intervenientes.

Não sei qual foi a intenção de quem escreveu sobre a meditação. Também não sei o que quis dizer sobre isso. Para mim, a meditação é concentrar a atenção sobre nós mesmos e aprofundar cada vez mais essa concentração até nos alhearmos dos bens materiais para chegarmos ao bem supremo que é o da salvação da alma. Isto quer Psicologia-Bdizer que serve para elevar a alma a um ponto extremamente elevado.
Mas, a alma está instalada num corpo e esse corpo tem de estar minimamente alimentado. Tem de se comportar neste mundo em que vivemos e, para isso, pode comportar-se bem ou mal para obter a sua alimentação, sustentação permanência. E, parte-se do princípio que esse corpo deseja atingir o bem através da meditação. Contudo, esse corpo também pode atingir esse fim através do yoga ou de outras práticas, tal como a imaginação orientada. Necessita de muito trabalho e orientação, e nisso os psicólogos podem ser de extrema utilidade. Para tanto, é necessário que haja muito treino e que seja feito adequadamente e no bom sentido.

Só para quem não consiga fazer a meditação como os antigos ou os iniciadores, sem quaisquer outros artifícios «inventados» pelos mais «civilizados», eis um video do You Tube… http://www.youtube.com/watch?v=pP1QXKbhqr4

Em que é que esta música da meditação é diferente de qualquer outra utilizada como sinal ou estímulo condicional para a meditação ou relaxamento mental?

Isto recorda-me a viagem que fiz à Índia durante a qual o guia me levou ao seu guru do yoga. Sabendo da Interacção-B30minha prática e do meu passado, o guru disse-me que para praticar o yoga o importante era eu sentar-me a praticar e que o relaxamento que estava a utilizar não seria muito diferente disso, independentemente da postura corporal.

Contudo, pode haver uma utilização das técnicas no mau sentido, isto é, só a adopção de posturas corporais ou deixar que a mente trabalhe no sentido do mal. Suponho que não é essa a intenção da meditação…

▫ Para dar exemplos, posso dizer que uma professora do secundário foi a classes de meditação nas quais nada conseguiu mudar na sua maneira de ser apesar do mantra e do tantra, que lhe foram indicados. Às vezes, até se esquecia dos mesmos. Agora sei que são sinais condicionais que cada um pode utilizar ao seu Psicopata-Bgosto. O importante é que a «cabeça de cada um» funcione nesse sentido.
▫ Essas aulas eram frequentadas também , durante muito tempo, por um psicólogo que dizia obter ganhos substanciais, incluindo a leveza do corpo, de modo a flutuar. Convidado por um psiquiatra e por mim a nos demonstrar as suas técnicas, só conseguiu dar uns pequenos saltos no chão quando fez força com os pés e as pernas. Leveza, não vi nenhuma, nem o achei longe da vigília e lucidez de todos os momentos.
▫ Um professor catedrático, dizia que praticava, todas as manhãs, meia hora de yoga, para atingir um bem-estar muito grande. Vivia bem e pagava almoços e jantares a muita gente. Contudo, ficou a dever-me metade do ordenado contratado para dar aulas num curso 4 semanas sobre a Psicologia na Gestão. Soube mais tarde que acontecia o mesmo com Acredita-Boutros colaboradores.
▫ Também fui convidado por um homeopata para me juntar ao grupo a fim aumentar a clientela. Como não necessitava de homeopatia ou naturopatia para o exercício da psicoterapia, limitei-me a indicar esse gabinete quando alguém, por sua iniciativa necessidade, me solicitava essa indicação.

Suponho que, em princípio, nem a Meditação nem o Yoga devem servir para melhorar comportamentos
semelhantes, do mesmo modo como não posso compreender que a psicologia possa ser utilizada para fins Saude-Bperversos, o que não é raro. (ver os links: Psicologia e Política e Síndrome de Perseguição Filial)

Infelizmente, a psicologia é utilizada, pelos psicólogos e não só, para fins inconfessáveis ou pouco dignos como pode acontecer em muitas outras profissões.
Será isso que acontece com a Meditação?
Quererá o articulista dizer que aumentando a clientela da meditação, diminuirá a clientela dos psicólogos?
Será que os psicólogos se destinam a fazer lucro com a psicologia ou servem para dar ajuda aos que necessitam dele?

Isto fez-me lembrar a minha interacção com o Júlio a quem apoiei há mais de 30 anos e, hoje, está muito bem na vida, mesmo Maluco2sem qualquer meditação ou apoio psicológico mas apenas com a prática da imaginação orientada,  de cujo livro vou transcrever, a seguir, parte das páginas 101 e 102:
“Esperei um pouco e perguntei:
– Gosta da explicação?
– Já estou mais esclarecido. Mas porque não dá conselhos?
– Se der conselhos, vou ajudar a pessoa a tentar resolver os seus problemas da maneira como eu os resolveria. Mas, como é que a pessoa gostaria de resolver ou seria capaz de o fazer? É um ponto a ponderar. Dando conselhos, posso deixar algumas pessoas na minha dependência. De cada vez que tiverem uma dificuldade, terão de procurar o psicólogo porque não conseguirão resolver a situação. Se não o encontrarem, terão de recorrer a outro que pode Depressão-Bter ideias e conceitos completamente diferentes. De outro modo, obrigando-as a descobrir as suas soluções, faço com que resolvam à sua maneira, que se habituem a ponderá-las e que, das vezes seguintes, se tornem cada vez mais autónomas e independentes. Quanto menos precisarem do psicólogo, melhor para o próprio.
O Júlio olhou para mim a sorrir e disse em tom de brincadeira:
– Mas pior para o psicólogo que perde algumas consultas.
Encolhi os ombros porque não podia deixar de concordar com ele, em parte.”

Resumindo tudo o que disse, posso concluir que o articulista tem razão se vai competir com os psicólogos nos «tratamentos» Consegui-Bque pretende fazer.
De minha parte, posso dizer que, no relaxamento mental utilizado na imaginação orientada, a meditação pode fazer parte ou quem souber meditar pode avançar mais rapidamente na psicoterapia tal como fizeram o Antunes e outros.

Isto vai demasiadamente longo para poder dizer mais alguma coisa mas, julgo que os professores de meditação até podem ser meus aliados, ou dos meus consulentes, se os ajudarem a caminhar no bom sentido e sem lesarem a sociedade em que vivemos, como acontece muitas vezes.

Já leu os comentários?arvore-2

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