PSICOLOGIA PARA TODOS

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IMAGINAÇÃO ORIENTADA

Comentário:

“Agora que estou quase no fim das minhas férias, às vezes, sem possibilidade de me juntar ao nosso grupo, estou a terminar a Bibliopublicação da transcrição dos textos do interessante livro de Rui Mateus.
Acho que quase cumpri uma obrigação durante as férias. Leiam essas transcrições, que podem dar muita informação política.
Acabei de, nos intervalos, também consultar o vosso blogue e gostei imenso do artigo sobre “O Abade Faria”. Não conhecia essa versão.
Vou-me embora depois do feriado mas, se fosse possível, gostaria de ler alguma coisa sobre a vossa técnica de imaginação orientada utilizada na psicoterapia.
Será possível saber alguma coisa sobre a prevenção que se pode fazer em psicologia, já que a minha vida lá fora é muito exaustiva e chega ao ponto de fazer desistir? Quando é que sai o livro?
Felicidades,
CãoPincha

Em resposta ao comentário dos CãoPincha feito no post “O Abade Faria” resolvemos publicar integralmente o capítulo que, entre as páginas 147 e 172, trata da profilaxia e prevenção que se pode fazer na psicoterapia da

Imaginação OrientadaImagina-B

PSICOTERAPIA E PROFILAXIA

Passados alguns dias, o Antunes voltou ao meu encontro para me dizer:

Tu metes cruamente o dedo na ferida. E dói.

– Mas sara. Achas que é mau? Na guerra, é assim, e estamos a fazer a guerra à neurose! Mete-te na imaginação orientada e verifica se não é muito mais vantajoso do que os outros processos que nunca mais acabam e nos deixam na dependência de Acredita-Boutras pessoas.

Depois de ouvir a minha resposta, pediu-me que lhe explicasse algumas coisas que gostaria de perceber melhor e que não tinha tido oportunidade de me perguntar da vez anterior. Tão extensa tinha sido a informação dada por mim, que necessitou de fazer o relaxamento e entrar em imaginação orientada para relembrar o que eu tinha dito e fazer as perguntas complementares.

Gostava de saber como é que começas uma psicoterapia, já que nunca fui a uma consulta tua.

– Muito simplesmente, com uma consulta em que o «paciente» me vai contando as suas «desgraças» das quais se quer ver Psicologia-B
livre. Com a experiência clínica que tenho tido ao longo de várias dezenas de anos, consigo aperceber-me se é um problema superficial e pontual ou se é algo mais complicado.
Explico o modo como faço a psicoterapia, relacionada especialmente com o relaxamento a ser exercitado em casa pelo paciente. Digo que o treino e as leituras são vantajosas para o próprio, assim como a anotação dos pequenos acontecimentos, lembranças ou recordações de todos os dias que vale a pena coligir (B/37-52). Depois, se o paciente quiser, tento ensaiar imediatamente o relaxamento durante pouco tempo, para ele o poder praticar em casa todas as noites. Tu também fizeste isso.

– Portanto, inicias a psicoterapia de imediato?Interacção-B30

– Depois do ensaio do relaxamento, para que o paciente possa decidir aquilo que deseja, pergunto se prefere consultas como «normalmente» – conversas ou conselhos, como as pessoas imaginam – ou psicoterapia como a do Januário (L) ou Cidália (C). Faço ver as diferenças e as vantagens e deixo escolher livremente aquilo que interessa ao paciente, consulente ou utente, incitando-o a ponderar na colaboração que me possa e queira prestar.

– E quando o caso não te parece simples, o que fazes?

– Se ainda não experimentou, proponho que o paciente experimente oConsegui-B relaxamento antes de vir para uma segunda consulta em que poderá ter de decidir de que modo pretende que eu conduza a psicoterapia. Proponho também que experimente praticar o relaxamento todas as noites e que, se possível, leia o mais possível daquilo que eu lhe recomendar. Assim, poderá decidir muito melhor.

– E a história aprofundada do paciente não te interessa?

– Interessa muito, depois de o paciente ter decidido se deseja fazer a psicoterapia comigo e de que modo. Enquanto continuo a insistir no relaxamento, vou tentando aprofundar a sua história aos poucos e à medida das necessidades, tal como aconteceu com o Tiago, a Cidália (C) e o Júlio (E).Maluco2 Quanto ao Júlio, de que me serviria a sua história se ele não insistisse em fazer a psicoterapia comigo? Também, qual era a vantagem de ele me contar a sua história logo no início, se nada pudesse fazer no sentido psicoterapêutico? O Júlio gastaria ou desperdiçaria o tempo de consulta contando a sua versão da história, elaborada de acordo com as suas vivências conscientes, que poderiam apresentar-me uma determinada imagem que não interessava para a psicoterapia. Ele nunca teria a oportunidade de experimentar as duas sessões de relaxamento efectuadas no hospital e eu ficaria com a sua história, contada à sua maneira, não lhe podendo dar qualquer tipo de apoio válido. O que seria dos factos inconscientes e recalcados, possivelmente não incluídos na sua história, dos quais ele não tinha consciência e que lhe causavam os distúrbios de que se queixava e que, sem ele saber, o perturbavam no momento? Depressão-BProvavelmente, sairia dessas duas «consultas» no hospital, aliviado, porque tinha confiado as suas desditas a um psicólogo e ele o tinha compreendido, dando alguns conselhos!

“Em relação a ti, a tua obsessão com o trabalho e com a preocupação de querer deixar a família com meios de subsistência no caso do teu «desaparecimento», pode ter sido ocasionada pelo traumatismo sofrido com a morte do teu pai: ficar sem meios de subsistência que anteriormente abundavam! Não querias que acontecesse o mesmo com a tua família! É necessário ter em conta tudo isso que não me «contaste» no início porque não tinhas consciência disso, nem julgavas que era importante para a situação do momento. Estes são os factos «escondidos», porque os fáceis diagnosticam-se provisoriamente com bastante rapidez, como a tua «depressão».

“Se não for assim, o paciente pode ter de vir a mais consultas para contar a sua história que de nada vale, a não ser para fazer um diagnóstico muito falível.Psicopata-B Quem ler o caso do Joel (G) pode verificar o erro de diagnóstico. E quem se quiser entreter a ler o caso da Cidália (C), do Júlio (E) e da Isilda (H), pode verificar que foram situações provisórias passíveis de ser invertidas com a psicoterapia. Os outros casos também não fogem muito a este padrão. Também eu, posso ser considerado uma pessoa depressiva e irascível, de vez em quando, se não praticar o relaxamento!

– Concordo contigo plenamente, porque a depressão pontual que tive, foi essencialmente devida a factores relacionados com a minha ansiedade. Esta foi provocada pelo trauma de não ter tido qualquer apoio quando desejava concluir o curso de Direito, aliando-se à minha ânsia de deixar a família com posses financeiras suficientes, no caso de algum azar que eu pudesse ter. De tudo isto me apercebi quando consegui «entrar» nas profundezas do meu inconsciente e relembrar factos antigos como as advertências do meu avô ao meu pai em relação à doação do terreno (B). Tens razão.

– Já descobriste agora a razão da minha preocupação em esclarecer asSaude-Bpessoas que desejam ter uma boa saúde mental (A) e um comportamento aceitável, sem grandes dificuldades? Basta seguir alguns procedimentos (G/85-110) muito simples, como ainda estás a fazer e julgo que a Cidália também o fará. A pessoa «entra nos eixos» donde não «descarrila» com facilidade.

Então, quando as pessoas concordam, começas logo a fazer a psicoterapia em tempo prolongado?

– De modo algum. Antes de tudo, tenho de saber se a pessoa consegue entrar em relaxamento profundo. Só posso descobrir isso em cada momento. Mesmo que em sessões anteriores ela tenha conseguido entrar em relaxamento profundo, pode não o conseguir quando nós o desejamos. Temos de esperar pela oportunidade do relaxamento e das mario-70lembranças que vão surgindo inesperadamente, embora incentivadas pelo psicoterapeuta. Suponho que em alguns casos, Erickson esteve bastante mais do que 6 horas seguidas em psicoterapia. São pelo menos 12 períodos. Temos de aproveitar o momento. Não podemos forçar as circunstâncias.

– E nunca precisas de aprofundar a história pessoal?

– Seguramente que sim. Não posso, de maneira alguma fazer um exame pericial sem conhecer a história aprofundada do examinando, em conjugação com vários exames e contraprovas que serão validadas com uma entrevista final. Neste caso, não me posso eximir à tarefa de ouvir tudo, com a maior minúcia, além de elaborar muitas interrogações. Porém, o que aconteceu com a Cidália (C) e o Júlio (E) foi diferente.Joana-B

“Tu próprio demonstraste-me que a tua história pessoal era muito importante desvendando-a aos poucos, só para ti, à medida que fazias o relaxamento e praticavas a imaginação orientada. Quando compreendeste tudo, muita coisa se modificou na tua vida, melhor do que no momento em que me relataste as dificuldades da tua filha. Vês os «efeitos secundários» ou «danos colaterais» que houve e dos quais poucos se apercebem? As «armas» estão dentro de nós, mas os outros também podem sofrer as consequências dos danos reais que provocam. É necessário desarmá-las. É por este motivo que digo que uma simples hipnose ou terapia comportamental, apenas com as suas técnicas, quase nunca dá bom resultado a não ser que se vá às origens para as desmistificar, compreender e DIA-A-DIA-Caprender a viver com elas ou utilizá-las a nosso favor.

– Queres dizer que se o caso te parecer simples, depois de explicar as condições da psicoterapia, tentas ensaiar de imediato o relaxamento. Se o caso te parecer complicado, explicas tudo à mesma e perguntas se a pessoa quer experimentar o relaxamento para depois poder decidir aquilo que deseja que se faça. Não deixas que as pessoas desperdicem o tempo da consulta com conversas inúteis para ti, sem grande proveito para o próprio, a não ser o de descarregar momentâneamente a sua angústia. Como dizes, a infecção não se pode curar com aspirinas. Talvez apenas a dor possa ser aliviada momentaneamente. É o que, infelizmente, muitas vezes acontece. É por isso, que as pessoas têm de saber como devem proceder e decidir pela sua cabeça o que lhes convém no momento. Até pode ser que a algumas, como já disseste, interesse mais manter esse estado de «doença» para tirar Psi-Bem-Cdaí benefícios colaterais de «coitadinho que está doente e necessita de todo o apoio». Essas pessoas podem não conseguir sentir esse apoio se estiverem de boa saúde.

– Tens razão. Não são casos raros, especialmente quando verificam que a psicoterapia vai dando resultado e o psicólogo ou a pessoa com quem estão em interacção é a única de quem sentem esse apoio. Compreendes agora porque «cortei as vasas» ao Tiago (C/61-68) quando ele melhorou e passei a sua psicoterapia de semanal a quinzenal? Entre as semanas 60ª e 70ª, ele queixou-se de que os sintomas tinham aumentado. Como estava melhor e passara a psicoterapia para um intervalo quinzenal, sendo eu a única pessoa com quem ele partilhava as suas mágoas, queria visitar-me mais frequentemente. Como psicoterapeuta, o meu propósito era fazer com que ele não necessitasse dessa muleta e se tornasse autosuficiente e autónomo, aprendendo a utilizar os seus próprios recursos para Difíceis-Bresolver os problemas futuros. Se não, a psicoterapia nunca mais teria fim, como acontece em muitos casos. E as despesas inúteis e sem proveito que os pais teriam de suportar? Viste como ficou resolvido.

– Já compreendi que não gostas do subsídio mínimo. E como é o resto da psicoterapia? A Cidália não me conseguiu explicar devidamente tudo o que fez. Pouco consegui falar com ela porque estava sempre em pulgas para passar o tempo com o namorado. Agora, tal como os avós, quase que nem a vejo no Porto. Está entretida no Algarve com a sua nova família e parece que com os pais se dá pouco. Ela disse-me apenas que iniciava o relaxamento, sentia-se bem e começava a ter ideias, tal como num sonho. Às vezes, lembrava-se de alguma coisa quando acordava. Outras vezes, parecia-lhe que tinha passado por um sono profundo e reparador. Poucas vezes se lembrava Respostas-B30de algo que tivesse recordado ou sonhado. Contudo, durante o dia, lembrava-se de alguns eventos dos quais nunca se tinha recordado durante muito tempo. Agora, os avós é que vão de vez em quando ao Algarve, mas com eles fala pouco neste assunto.

– Já que me contas isso, posso dizer-te que logo depois de a pessoa entrar em relaxamento, tento «entrar na pele dela» e vou falando como se fosse ela própria. Relê também os casos do Tiago (C/69-80), da Isilda (H), do Júlio (E), do Joel (G) da Germana e do Januário (L). De acordo com a minha formulação terapêutica, mesmo anterior à Imaginação Orientada, interessa que a pessoa vá tentando recordar momentos agradáveis da sua vida. Eu não tenho de saber quais são mas, se souber, posso facilitar-lhe a vida numa ocasião subsequente mencionando-os para que essa pessoa os possa recordar com facilidade. Para isso, vou fazendo a sugestão de que, depois de teoria2acordar, ela se lembrará de alguns factos com que esteve a sonhar. Quando acordar, se me quiser dizer algo daquilo que esteve a recordar ou reviver, tomo nota para futura eventualidade. Se não me quiser dizer aquilo que esteve a recordar, posso fazer relembrar a sessão anterior para verificar se a pessoa consegue lá chegar. Se souber o que se passa ou passou na sua cabeça, a psicoterapia pode ser mais fácil e rapidamente orientada em proveito do paciente, conduzindo-o no sentido de achar uma explicação, uma solução ou um direccionamento futuro. Isto pode ajudar a fazer relembrar factos agradáveis para contrariar os desagradáveis, dos quais a pessoa se queixa e que a obrigaram a procurar um psicoterapeuta. Também pode ajudar a melhorar a sua auto-imagem e a criar maior autovalorização, obtendo daí autoreforço.pratica2

“Se a pessoa estava a ter uma imagem desfavorável de si, com o autoreforço, pode começar a criar uma auto-imagem positiva que a ajude a vencer as suas dificuldades e a redireccionar o seu comportamento para conseguir maiores vantagens na resolução de conflitos ou frustrações. É também por isso que insisto constantemente na necessidade de ajudar as crianças a ultrapassar dificuldades: é para estarem prontas para as enfrentar ao longo da vida. Muitas vezes, é só isso que as faz chegar às mãos dos psicólogos e psicoterapeutas que podem, às vezes, dispensar-lhes simpatia durante as «horas de 50 minutos» aliviando-lhes temporariamente as mágoas, sem atingir a causa.tecnicas1

“Lembras-te da pergunta que um psiquiatra, que se dizia comportamentista, me fez quando estava a estagiar com ele durante os seminários de Victor Meyer? “Você disse que era necessário saber das causas não-conscientes das dificuldades das pessoas?” A minha resposta foi um «NIM», porque não podia admitir o sucesso duma psicoterapia, sem descobrir os estímulos que estavam a montante dos comportamentos descoordenados e incompreensíveis do sujeito em causa. Tudo tem as suas causas e, neste caso, se fossem conscientes, seriam casos2facilmente removíveis. Não sendo conscientes, têm de ser descobertas. Como? Nós não somos adivinhos, mas temos de chegar àquilo que não é consciente!

– E o que fazes depois?

– Depois, vou explorando a pouco e pouco toda a situação como se fosse o próprio a vasculhar todos os factos que, de algum modo, podem estar relacionados com as dificuldades de cada um. Se souber quais os factos, vou tentando verificar as causas, aventar explicações, promover soluções e descobrir de que modo se poderia ter evitado uma situação que se tornou desagradável. Se não souber, vou aventando hipóteses para que cada um consiga descobrir previsão2aquilo que poderia ter feito ou evitado, que possibilidades terá de fazer ou evitar e de que modo poderá encarar essa situação no futuro se não a conseguir evitar. Muitas vezes, ponho a hipótese de essa mesma situação ter sido utilizada ou poder servir de aprendizagem e motor de arranque para futuros comportamentos mais adequados, isto é, aprender com os erros passados.

– Estás a fazer lembrar o meu caso (B). Se não fossem as dificuldades da minha filha, em que situação estaria? Continuaria teu amigo, mas a minha vida teria outro percurso, bem diferente do actual. Foi por isso que te recomendei a Cidália (C) e não a larguei enquanto não a vi sã e escorreita. Que vida teria agora esta jovem que se dá optimamente com o marido e parece que já está à espera de mais prole? São factos de que nunca nos Adolescencia-Bpoderemos esquecer.

– Se tu, por exemplo, com algum problema de depressão, me procurasses agora como psicoterapeuta e contasses mais pormenorizadamente aquilo que
acabaste de dizer, antes de tudo e sem tentar saber mais coisas da tua história pessoal, iria explorar esta tua faceta de teres ajudado a Cidália, a fim de te aumentar o autoreforço e autovalorização. Depois disto, iria fazer-te recordar outros momentos bons da tua vida. A seguir, faria recordar os maus momentos para descobrires, dentro das tuas possiblidades e modos de actuação, a maneira de ultrapassar as dificuldades que estavas a sofrer, do mesmo modo que a Cidália. Depois, explorando melhor o caso, se necessário, iria ajudando a descobrir as diversas Educar-Bhipóteses possíveis para ultrapassar futuras dificuldades, compreendendo as antigas e os modos utilizados para as ultrapassar. É o que aconteceu com a Cidália. Pergunta-lhe o que é o seu «advogado do diabo» que tu também conheces e que ela utilizou muitas vezes sem a minha intervenção.

– Quando os pacientes querem desistir o que podes fazer?

Pouco ou nada, a não ser chamar-lhes à razão se ainda não tiverem deixado de comparecer às consultas. Enquanto, a estes, não digo coisa alguma porque resolveram tomar a decisão por conta própria, aos outros, tento fazer ver que na psicoterapia bem sucedida, muito do trabalho é do próprio, que deverá estar completamente empenhado no mesmo e a colaborar honestamente com o psicoterapeuta. Repito tudo o que lhes disse no início. É por isso que vou Suces-esc-B
preparando os livros e mantendo os blogs
. É para que as pessoas aprendam com o que se passou com os outros. Se, depois de todas estas explicações e facilitações, quiserem continuar a psicoterapia sem colaborar e sem serem honestos, continuo a ser psicoterapeuta por conta deles, já que é para isso que me pagam e preferiram o meu apoio, a não ser que a situação se torne inaceitável. Neste caso, digo-lhes simplemente que não posso continuar com a psicoterapia e que procurem outro psicólogo. Já sabes o que fiz com o Dantas (E). Fiz o mesmo com outras pessoas (M) que queriam continuar a tomar medicamentos quando desnecessários e prejudiciais para a psicoterapia: ou mudavam de médico para o «desmame» ou não continuariam a psicoterapia comigo. Para continuar como desejavam, teriam de procurar outro psicólogo que colaborasse no seu esquema.

– Se tu estás a seguir mais ou menos os parâmetros da técnica de «guided imagery» de Erickson, não compreendi porque Apoio-Bnão chamas «imagética orientada» ao teu método de trabalho. Suponho que imagery é imagética e não imaginação.

– A razão é muito simples. Erickson trata de doentes com dificuldades, utilizando a hipnose como ajuda. Não sei exactamente qual é a teoria psicoterapêutica que segue, se é que segue alguma.

“Eu utilizo essencialmente a logoterapia com a modificação do comportamento, a gestalt, a terapia centrada no cliente, a inferência analítica, a reestruturação cognitiva e qualquer outra formulação psicoterapêutica que me possa ajudar. Sou ecléctico no apoio que dou ao paciente não só para resolver o seu problema, mas ainda para o ajudar a reed2construir o seu futuro em moldes autónomos, com base nas experiências do passado.

“Para isso, muito mais do que a imagética, tenho de utilizar a imaginação. Quero que o paciente veja o passado através da imagética e que descubra, por meio da imaginação, se o poderia ter vivido de outra maneira, para também descobrir como deve viver o futuro de forma autónoma e independente, sem necessidade de qualquer psicólogo ou psicoterapeuta. Se não fosses meu amigo, mas um paciente desconhecido, faria isso e talvez também chegasses ao ponto a que chegaste porque utilizaste a imaginação. Só com a imaginação é que se pode fazer isso, embora alguém esteja a orientá-la.

– Gostei da tua explicação, mas estar muitas horas com o paciente não te cansa?stress2

– Cansa, mas é mais vantajoso para o paciente, para a psicoterapia e para o prognóstico da situação futura. Os cirurgiões também fazem operações que duram dezenas de horas, os seguranças também têm muitas horas de trabalho e não te esqueças que os nossos vôos de busca e anti-submarina podiam durar 10 horas, em condições menos favoráveis do que estar sentado num gabinete de consulta. O pior é dar-me sono porque tenho de fingir o relaxamento, o sonho e a recordação de factos passados como se fosse o paciente que está deitado no divã. Mas, tudo isto tem de ser ultrapassado para o bem do paciente e da nossa dignidade profissional.

 – Agora que falas em dignidade profissional para o bem do paciente, embora saiba o que fiz «artesanalmente» no meu caso psicoterapia2de autoterapia, se alguém quiser fazer uma psicoterapia mais ou menos como eu ou como a Cidália, utilizando os conhecimentos adquiridos na terapia do equilíbrio afectivo e na imaginação orientada, que recomendações lhe podes fazer para enveredar por um sistema económico?

– Estás a referir-te a uma quase autoterapia que é muito difícil mas possível, como tu sabes melhor do que eu. Já mais alguém me falou neste assunto depois de ler o teu caso no livro ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (B). A minha resposta, à guisa de uma lista de procedimentos resumida foi mais ou menos a seguinte:

►Estar a pensar calmamente, sem distracções, nos momentos bons que tivemos na vida. Tentar relembrar ou reviver tudo, o pqsp2mais e o melhor possível.

►Praticar o relaxamento recomendado nas páginas 37 a 48 do «teu» livro (B) (G/85-110). Se não for possível começar sem ajuda, pedir apoio, como aconteceu com a Cidália (C).

►Relembrar e reviver, se possível, todos os momentos bons, a maior quantidade de vezes que puder ser. Não falhar pelo menos à hora de dormir. Interessam essencialmente os primeiros 5 minutos cruciais. Se forem acompanhados sempre da mesma música, melhor, porque, com este sinal condicional, o relaxamento será mais rápido e, possivelmente, profundo.depr2

►Tentar passar de relaxamento muscular (se tiver sido necessário) para o relaxamento mental e procurar reviver os bons acontecimentos.

►Fazer uma discriminação das dificuldades sentidas e valorizá-las, todas as semanas, sempre em folhas separadas, de acordo com a escala de 11 pontos (F/163-222), como aconteceu com o Tiago (C/62-63), nunca olhando para as valorizações anteriores.

►Manter uma espécie de diário para anotar todas as recordações e acontecimentos fora do vulgar ocorridos ao longo do dia ou «Educar»-Bdurante o relaxamento.

►Tentar fazer a auto-análise de acordo com o que está estipulado no nº , nas páginas 38 a 41 do «teu» livro (B) e que foi mantida pelo Júlio (E) e pela Cidália (C), como já tive ocasião de te dizer.

►Ler cuidadosamente todos os livros, além deste, a começar pelo (A), continuando pelo (B), (C), (D), (E), (F) (G) (H) (K) (L) e (M). Os conhecimentos adquiridos nessa leitura poderão ajudar em muito a verificar o que aconteceu com os outros, saber quais eram os seus problemas e descobrir o modo de solução utilizada, com êxito, em cada um dos casos. São todos diferentes, mas muito se pode aprender em cada um deles, adaptando-os às circunstâncias de cada um.Falhas2

►Concitar afincadamente a recordação dos momentos agradáveis, de preferência, numa espécie de ecrã à nossa frente. É por isso que vale a pena fazer isso todas as noites, sem interrupções, mas também sem a preocupação de não dormir por causa disso. Se houver insónias, esses momentos também se podem utilizar para fazer este exercício.

►Depois de consolidada esta situação, já é possível recordar os factos ou momentos desagradáveis que perturbam as emoções e o comportamento.Humanismo2

►Chega o momento de analisar a situação com calma e clareza, vendo bem as cenas desagradáveis e situando-nos no contexto do momento e no papel dos intervenientes.

►Com isto, já é possível analisar as possíveis causas e descobrir soluções ou o modo como se poderia ter evitado uma situação desagradável.

►A seguir, vale a pena contrapor dificuldades e tentar arranjar soluções ainda mais criativas e vantajosas.

Marketing2►Entretanto, o diário deve ajudar a descobrir as dificuldades do momento. Ao fim de 6 meses, a auto-análise também pode começar a desvendar qualquer coisa importante que estava muito ou pouco recalcada.

►A auto-avaliação, mantida durante bastante tempo sem a consultar, depois de passada para gráficos semelhantes aos que se apresentam nos livros PSICOLOGIA PARA TODOS (F/163- 222), Eu Não Sou MALUCO! (E) e Psicopata! Eu? (G), pode dar uma ideia clara da evolução do caso.

 “Suponho que isto chega. Mas, para o caso de não haver melhorias por incapacidade do próprio, por falha em algum procedimento ou por qualquer outra dificuldade, estou a idealizar uma lista de procedimentos  Sindicalismo2recomendada pelo Joel, que pode passar a figurar num novo livro (P).

“Continuando a não obter resultados, melhor é socorrer-se de um conselho profissional adequado e competente.

Gostei da tua abordagem simples e directa, mas a leitura dos livros será muito importante?

Julgo que sim. A leitura dos livros, cada um dos quais conta a história de «casos» diferentes, pode ajudar a pessoa a centrar-se no seu caso pessoal avocando os conhecimentos adquiridos com a vida dos outros que, em parte, podem estar ligados ou ser semelhantes a partes da vida da própria pessoa. Também é bom que cada um saiba que quase todos
homem2quiseram desistir no início ou até quase no fim e que, só continuando a praticar o relaxamento conseguiram vencer as suas dificuldades. É bom que cada um tenha em conta que todos temos dificuldades e que continuaremos a tê-las pela vida fora. O importante, é saber vencê-las. A psicoterapia ou até a autoterapia, com a prática necessária, ajudam a ultrapassar essas dificuldades com uma facilidade cada vez maior.

Portanto, queres dizer que lendo os livros como eu fiz e praticando o relaxamento, a autoterapia não será difícil.confl2

– Não disse isso e só a leitura e a prática não fazem esse serviço. As duas coisas são imprescindíveis, mas a formulação terapêutica dos problemas de cada um não pode ser feita levianamente, nem se pode garantir que toda a gente o possa fazer. Custa muito reconhecer os nossos «erros» ou as causas das nossas dificuldades. É necessário ter muita sensibilidade, humildade, razoabilidade e compreensão para que cada um possa analisar os seus problemas com a clareza necessária a fim de poder ver as causas e os seus efeitos em vez de descobrir apenas culpas e «arranjar» possíveis desculpas ou justificações. Poucos o podem fazer e, por isso, a intervenção do psicoterapeuta torna-se quase imprescindível. Porém, os exercícios de relaxamento que demoram muito mais tempo só podem ser feitos pelo próprio. Não necessitam da presença permanente do psicoterapeuta e, por isso, podem ser praticados em casa, desde o início, para acelerar em muito e melhorar os resultados pretendidos (C) (E). Só as formulações psicoterapêuticas, especialmente as destinadas a compreender a situação e ultrapassar as dificuldades, podem exigir, quase sempre, ajuda especializada.

“Repara que todos os casos descritos nos livros citados, apresentam problemas diferentes com formulações muito diversas. Lembra-te que o Januário fez quase uma terapia-relâmpago porque já tinha acumulado a prática de inúmeras horas de relaxamento. A ti, ninguém ajudou a fazer a formulação terapêutica mas também não tinhas traumatismos fortes por «resolver», mas sim «compreendê-     -los» a fim de entenderes a tua depressão, o medo do futuro e a antecipação da ansiedade por aquilo que poderia acontecer à tua família no caso do teu «desaparecimento». Fiz-me compreender?  

– Quando li os folhetos do Centro de Psicologia Clínica e até os teus livros, pareceu-me que, às vezes, os assuntos estavam repetidos e não expostos de forma a serem seguidos linearmente. Porquê?

Talvez seja uma das minhas características ou defeitos. Mas, a propósito deste tipo de exposição, quantas vezes me fizeste, de outra maneira, a pergunta à qual respondera momentos antes? Quando escrevo, tento seguir aquilo de que me lembro no momento e encadear a teoria com os factos e com a prática. Não me preocupo em manter uma sequência como se faz nos romances ou em livros didácticos. Às vezes, quando estou em relaxamento ou em imaginação orientada, lembro-me que podia ter escrito as coisas com outro encadeamento ou ter acrescentado algo mais importante e, logo que posso, tento alterar ou encaixar esse «material» onde e como for possível, como estamos a fazer agora. A tua pergunta sobre imaginação orientada também foi feita noutra ocasião! Não me preocupo muito com a sequência, porque o leitor deve ler aquilo que lhe interessa no momento. A leitura dos nossos livros não exige qualquer ordem nem sequência que seja necessário seguir.

“Pegas no livro, vais ao índice se quiseres, escolhes aquilo que desejas saber, começas a ler e continuas ou voltas a fazer o mesmo para te orientares para outro assunto. O importante é que satisfaças a tua vontade de conhecer o conteúdo e que te disponhas a ir aprofundando a matéria, à tua vontade, a fim de descobrires de que maneira as aprendizagens e os comportamentos são ocasionados, mantidos, eliminados e transferidos para o futuro. Assim, compreendendo tudo e tentando fazer uma previsão – sempre mais falível do que as da meteorologia porque existem muitas contingências a influenciá-la – vais controlando as causas para obter os efeitos desejados.

“Com a aquisição e actualização de todos estes conhecimentos, a pessoa tem de ter em conta a sua percepção em relação àquilo que a rodeia (B/30) (C/24), bem como a dos outros que interagem com ela (F) (K). De acordo com essas duas percepções diferentes e com a experiência anterior dessas duas personalidades, os acontecimentos irão sucedendo. Se não é fácil para um psicoterapeuta, por mais experimentado que seja, tentar enquadrar tudo isto e encaixar umas coisas nas outras, torna-se muito mais difícil para o próprio. É por isso que os mal-entendidos não são poucos e, às vezes, é só nisso que reside grande parte dos problemas. Para evitar esse mal, as sessões de sensibilização das quais falei com Das Neves (B/116-124) são muito importantes.

“Estas noções também já foram dadas anteriormente mais do que uma vez e em mais do que um livro mas, às vezes, torna-se imperioso repeti-las para alertar quem ainda não está familiarizado com a modificação do comportamento, que sempre ocorre em todos nós e que, às vezes, julgamos não ser possível ou ser um acto desumano quando deliberadamente provocado.

“O que pretendo dizer com isso é que se torna necessário conhecermos o meio em que nos inserimos para saber racionalmente (e não emocionalmente) aquilo que desejamos, a fim de provocar as causas que darão os efeitos por nós pretendidos, se não houver outras contingências a interferir, para além das previstas.

“Seguramente, nunca iremos conseguir tudo o que desejamos por causa dessas contingências, nem poderemos modificar sempre o comportamento no sentido pretendido mas, teremos uma vida menos atribulada do que se não a quiséssemos controlar racionalmente sem atribuir «culpas», mas procurando as «causas» para tentar modificar os «efeitos».

– Óptimo. Estou a ver melhor toda esta problemática da modificação do comportamento e da psicoterapia. Mais alguma achega?

É por este motivo que insisto muito na educação desde criança, utilizando dificuldades, que os pais deverão colocar para que os filhos as ultrapassem, nem que seja com uma facilitação inicial. Depois, com esse treino imprescindível para uma vida cheia de sucesso, esses adultos podem até não necessitar de qualquer psicoterapia. Pensa em ti e vê o que seria de ti e da tua filha se não aprendessem a ultrapassar as vossas ligeiras dificuldades.

A propósito da educação, não achas que teria sido mais útil enveredares por uma faculdade como, por acaso, aconteceu agora?

– É uma situação que não me passou despercebida logo de início. Embora se ganhasse pouco nesse tempo, concorri para universidades, uma delas, a do Minho. Concordaram em eu dar aulas de psicologia desde que tivesse uma licenciatura qualquer, mesmo que não fosse em psicologia. Como no meu curso do ISPA, naquele tempo, só era concedido diploma – reconhecido como curso superior – não consegui dar aulas a não ser no Instituto Superior de Serviço Social e cursos de enfermagem por não ter uma «licenciatura» qualquer que se obtinha com 4 anos de curso.

“Posteriormente, depois de ter concluído o doutoramento, houve propostas para eu reconhecer cá o diploma e poder dar aulas numa faculdade. Quando pedi equivalência ao Ministério da Educação, solicitaram-me o certificado de «licenciatura» que eu não tinha porque, naquela época, uma instituição particular não o podia conceder. Depois do «25 de Abril», como naquela ocasião (1981) teria de perder um ano para conseguir esse certificado para a conclusão de mais duas cadeiras no ISPA e um trabalho, e eu estava «atulhado» de pacientes que me queriam a trabalhar no consultório, desisti dessa pretensão de dar aulas, preferindo dedicar-me à investigação em neuropsicologia e enveredar pelo pós-doutoramento em neuropsicologia. Afinal, a minha preferência orientava-se no sentido da investigação, terapia e profilaxia em vez da docência onde ainda se ganhava pouco e exigia muito trabalho, quase burocrático.

“Embora tivesse sido convidado, esporadicamente, a dar aulas na Universidade Autónoma, no ISMA e na COCITE, e agora no ISMAT, desisti dessa equivalência que me orientaria num sentido que não me era muito satisfatório e dediquei-me ainda mais à investigação clínica e à psicoterapia, que me deu muita satisfação com os êxitos alcançados. Muitos «pacientes» ainda se lembram de mim apesar de eu lhes ter «tentado meter na cabeça» que a razão da melhoria, eram eles, através do seu «trabalho» de treino em casa e dos exercícios que estavam a fazer e a manter. Não aconteceu contigo? Se fossem consultas da «hora de 50 minutos» aconteceria isso? As conversas anteriores não foram úteis? Não continuas sem apoio de outras pessoas? Não ajudas a tua filha a ser independente e autónoma?

– Tens razão. Estava agora quase em imaginação orientada e fizeste lembrar coisas de há muitíssimo tempo, relacionadas com dinheiro. Não me disseste, uma vez, quando estiveste em serviço nos Açores e me deste as Boas-Festas do Natal e Ano Novo, que estavas entusiasmado por ir obter o brevet civil e esperavas entrar para SwissAir?

– Sabes que foi pouco antes de eu poder ir para a TAP passando à licença ilimitada depois de 8 anos de oficial do quadro permanente e que tudo foi «liquidado» com a minha segunda nomeação intempestiva e intimidatória para Angola.

E depois de passar à reserva, em 1974?

Nessa ocasião, sendo dado como incapaz para o serviço de vôo, já não me interessava, anos depois, ficar ausente de casa em viagens durante vários dias, quando estava «metido até ao pescoço» na psicologia e pscioterapia entusiasmando-me com os seminários de Victor Meyer. Imaginava que poderia utilizar essas técnicas noutra perspectiva.

– Então, pelo que sei, passaste por muitas frustrações, a começar pelo curso de Direito!

– Talvez seja por isso que o meu método terapêutico se baseie essencialmente na preparação do paciente para ultrapassar a sua frustração do momento e preparar-se para as seguintes que, porventura, possam ocorrer. É o modo como ultrapassei as minhas, «dando a volta por cima». Lembras-te de me teres perguntado no «século passado» “cada macaco no seu galho”? O meu galho é este!

– E fazes alguma profilaxia?

– Vê lá se não me conheces como uma pessoa facilmente irritável e com colite crónica. Passei à reserva na Força Aérea com o diagnóstico de neurose depressiva reactiva em que estava «mergulhado até ao pescoço». Ficava desorientado e, com a medicação que era forçado a tomar, sentia-me apático, inútil e com vontade de desaparecer. Nos dois primeiros anos do ISPA não conseguia «avançar» e isso deitou-me ainda mais abaixo. Como é que eu controlo a minha irritação, senão fazendo relaxamento instantâneo? Não julgues que dou conselhos aos outros sem nada fazer em mim próprio. Acredito que tu também faças o mesmo, pelo menos nos momentos de maior tensão. Depois, sempre que possível, entro em imaginação orientada. Pratico e experimento aquilo que aconselho aos outros. Foi isso que quis desenvolver depois de ter acertado na Terapia do Equilíbrio Afectivo. A minha ambição era e continua a ser, tornar pública a minha experiência pessoal e o método terapêutico utilizado com todos, colocando-o também nas mãos de cada um para lhe dar autonomia e quase independência em relação a quaisquer especialistas. Com a tua idade, não fazes uma dieta alimentar adequada, uma ingestão diária de cerca de 2 litros de água e uma caminhada de quilómetro e meio como precaução contra níveis altos de colesterol, glicemia, obesidade etc? Pode evitar futuros AVC e outras doenças, exigindo a consequente ingestão de medicamentos que sempre ocasionam danos colaterais, se não ficarmos inutilizados numa cadeira de rodas ou na cama. Acontece o mesmo em psicologia. Custa atingir pelo menos o grau mínimo, mas tu o dirás por experiência própria.

“O que diz a Cidália? (C) Se pudesses falar com o Júlio (E), admirarias a sua capacidade de trabalho. E o Joel, que ficou extremamante «traumatizado» com tudo o que lhe aconteceu, apesar de ter melhorado substancialmente, embora sem casar com a sua única namorada de predilecção? Daí a sua preocupação em ajudar os outros (G/85-110).

“É por este motivo que insisto imenso na profilaxia e prevenção. Se desde criança fôssemos habituados a ter cuidado com a alimentação, exercício físico, sono, relaxamento, etc., muitos dos problemas actuais teriam uma expressão mínima, assim como até a nossa actual crise económica, financeira e criminal. Com Guterres, depois de um macroeconomista ter sido o pai do monstro, entrámos no lodo em direcção ao qual já tínhamos começado a caminhar. Alguém tentou mudar de direcção ou inverter a marcha? Não só ninguém ousou contraiar essa orientação como até se continuaram a fazer inúmeras obras desnecessárias e inúteis, criaram-se cada vez mais instituições e organismos espúrios e dispendiosos, com gastos avultados, gestores milionários e engorda dos serviços do Estado. Faz-me lembrar muitos dos médicos meus amigos e companheiros de Liceu e residência que me aconselhavam a tomar um comprimido para não entrar em depressão, outro para dormir, um terceiro para evitar o aumento do açúcar no sangue e mais um para dar energia. Nenhum me dizia para ter cuidado com a alimentação, com o sono e com o trabalho. Muitos deles tinham sido meus contemporâneos e comensais. No meu 6º ano do Liceu, tive dois comensais de medicina; no 7º ano tive sete; nos quatro anos seguintes, tive sempre dois.

“Também ninguém me aconselhou a fazer relaxamento que agora é a função dos psicólogos. Os médicos não eram obrigados a saber isso e eu, naquela ocasião, desconhecia-o por completo.

“Se houver uma «educação» adequada, muitos dos problemas deixarão de existir tal como aconteceu com a Cristina (L) e com muitos outros que me vieram e continuam a vir parar às mãos depois de o «mal» estar instalado. O que acontece, é ter de se reduzir o mal com uma desaprendizagem dos erros, seguida de aprendizagem de formas novas de actuar, ao mesmo tempo que tudo pode estar a ser contrariado em casa, com o reforço aleatório que cada um vai recebendo ao longo da terapia, no ambiente em que esse «mal» foi incubado. Já compreendeste a minha preocupação com a profilaxia que sai muito mais barata e proveitosa, até com a família? Evita-se o mal em vez de sofrer com ele e de o tentar combater mais tarde, a muito custo e com resultados reduzidos.

– E se as pessoas de quem falaste não tivessem o apoio de que beneficiaram de alguma forma?

– Eu não penso só nesse apoio, mas essencialmente no treino e na colaboração que deu cada um deles. Pensa por ti e diz-me se tu não estarias a trabalhar descoordenadamente deixando a filha com dificuldades escolares e a tua mulher com problemas que talvez fossem atamancados com alguns comprimidos, de vez em quando, se não ficasse «viciada» neles. Segundo as tuas contas, além dos 40 períodos de «conversa» que tiveste comigo (apoio), fizeste 3440 períodos de treino e imaginação orientada em casa, contabilizando cada período em 25 a 30 minutos, que se prolongaram ou não pela noite dentro sem contabilização. De certeza que não tiveste qualquer recordação «útil» antes dos primeiros 400 períodos de treino.

“Além disso, repara que a minha insistência na prática do relaxamento não é despropositada. Para teres uma boa saúde, será suficiente ler todas as indicações necessárias, compreendê-las muito bem e ficares muito satisfeito, sentado num maple ou numa cadeira confortável do teu escritório ou sala? Não és tu que tens de praticar? Quem pode fazer isso por ti?

Tens razão. Dá que pensar!

– Pensa na Cidália. Teria enveredado pelo alcoolismo e prostituição? Obteria um emprego digno e satisfatório? Qual é agora a vida dela?

“O que seria do Júlio? Estaria na posição de empresário como agora? O tal «Dantas» do «POC» de quem ele me falou, ainda não «se encontrou» e está cada vez mais dependente da droga que lhe receitam de vez em quando. O seu «vício» de comprar coisas desordenadamente pode ter sido substituído por qualquer outro. Não quero que ele me volte a pedir que eu faça a psicoterapia na companhia do tal psiquiatra miraculoso. O «traumatismo» do Júlio, em relação ao seu «abandono» ou «desterro» em Lisboa, foi rapidamente recordado porque estava à flor da pele. Poderia não ser tomado na devida conta numa história pessoal para diagnóstico, por muito aprofundada que fosse, porque era um facto usual em muitas famílias.

“E o Joel, que ficou com a sua vida completamente destruída por eu não ter conseguido «deitar a mão» ao casalinho antes que os conselhos do diagnóstico lhes fossem oferecidos de bandeja? Agora, com a sua experiência, quer ajudar os outros (G/85-110). Já compreendeste o que pode acontecer quando não existe uma intervenção atempada e adequada, com a colaboração do próprio?

“A subtileza da Germana (L) para obrigar o Januário a fazer antecipadamente mais de 1500 períodos de treino de relaxamento, ajudou a fazer uma psicoterapia de profundidade em 3 dias, com cerca de 50 períodos. Como estaria ele agora (L), que durante anos se submeteu à medicação, psicanálise e psicoterapia, criando uma descrença total em relação às psicoterapias? Não foi expedita e económica?

“Para compreenderes melhor tanto o meu ponto de vista como a minha actuação, lembra-te daquilo que aconteceu contigo. Não faço consultas ou psicoterapia com pessoas de família ou muito chegadas porque, logicamente, pode não haver sinceridade. Existem factos muito íntimos que as pessoas não querem expor a pessoa alguma e, às vezes, até a elas próprias. São, geralmente estes os factos, muito ou pouco escondidos e não-conscientes, que provocam os distúrbios psicológicos. Se o psicoterapeuta não conhecer esses factos como poderá ajudar o paciente? Para que servem as leituras?

“Tu achas que, mesmo depois de o paciente ter dado o seu consentimento inicial voluntário, se eu não tomar em conta o seu descrédito numa psicoterapia que não lhe dá alívio imediato como o medicamento, a sua possível resistência à mudança será pouca? Aconteceu com a Germana, com o Júlio, com a Cidália e, se não aconteceu com o Januário, é porque a Germana já o tinha «industriado» suficientemente, apresentando o caso dela como exemplo. Tenho de tentar combater essa resistência. Tive de insistir contigo para seres perseverante. Tu tiveste de te «zangar» com a Cidália para ela não desistir e não voltar ao medicamento. Apesar de totalmente voluntário e consciente, o Júlio (E) tentou desistir algumas vezes mas, como a psicoterapia não era paga, vês como lidei com a situação. Foi com muito mais à-vontade do que com os outros que pagam e podem achar que despendem o dinheiro sem proveito. Compreende a decisão do Januário depois de devidamente esclarecido com a «visão» e a leitura do caso da Germana (L).

“Quase todos os outros pacientes seguem o mesmo esquema. Tento fazer o papel de os «empurrar» para a frente mas, às vezes, não tenho sorte. Estou a procurar uma fórmula mágica que dê ao paciente a capacidade de compreender logo de início, que tem de confiar no psicoterapeuta e colaborar com ele sem desistir. É a ele que compete aconselhar o abrandamento, a interrupção ou finalização do processo. Por isso, estou a preparar os livros e mantenho agora os blogs. É para que as pessoas me conheçam, assim como os métodos que utilizo, mesmo antes de virem à consulta. Ao fim de cerca de 5.000 casos, em mais de 35 anos de psicoterapia, em que a taxa de melhoria começou em cerca de 60%, acrescida da resolução das dificuldades em cerca de 20%, com aumento substancial posterior, acho que não devo ter outra atitude perante a minha actividade profissional. Dos que abandonam, sabes quais as razões mas, sinto-me satisfeito por ter podido ajudar mais de 80% dessas pessoas, com um aumento seguro que nunca foi estudado.

– Por mim, sei o que passei. Dou-te toda a razão e estou satisfeitíssimo com os resultados. Provavelmente, estaria neste momento ainda como funcionário subalterno da empresa. Não sei como estaria a minha mulher. E a filha, poderia nunca ter conseguido passar do 10º ano, tanto mais que a sua melhor amiga, a Cidália, estava distante e com problemas que, por modelagem e identificação a iriam afectar. E tu, como estarias agora se não tivesses ido para Psicologia?

Não sei. Mas, provavelmente também seria um tenente-coronel na reforma, amargurado, desocupado e desiludido com a pós-revolução dos cravos, a culpar o destino por tudo o que me tinha acontecido. Ou quiçá, como dizem muitos, um advogado a falar mal de Justiça que temos neste País, se não fosse um navegador civil reformado, com algumas «massas», o que era menos mau.

– Mas, para que não tenham o mesmo triste destino que nós também poderíamos ter, como é que os outros poderão saber alguma coisa sobre tudo isto e sobretudo acerca do que conseguem fazer para evitar os males de que se poderão vir a queixar?

– Não sei mas, em tempos, mantivemos no Centro de Psicologia Clínica uma edição, à nossa medida, para esclarecer as pessoas ou, pelo menos, os nossos utentes.

– Agora que me explicaste quase tudo de forma sintética mas elucidativa, pergunto-te porque não publicas esta explicação em forma de conversa como fizeste com o folheto do CPC que li no início, como se fosse parte do nosso anterior diálogo de há 10 anos e que me ajudou a «mudar de vida»? Não só de vida como de atitude mental. E, não só ajudou a mim em especial, como também à minha mulher, filha e, especialmente à Cidália. Valeu a pena ela ter visto os teus rascunhos, acerca da autopsicoterapia. Deus escreve direito por linhas tortas.

– Por enquanto, além dos livros que vou actualizando e reagrupando numa nova edição do Centro de Psicologia Clínica, iniciei em 6Dez07 o blog PSY FOR ALL, mantido até 17Nov08. Passei depois para o Blogger, com o PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo), entre 7Ago08 e 17Dez09. E desde 23Nov09 que me fixei definitivamente no WordPress, para onde transferi esse blog PSICOLOGIA PARA TODOS, para dar respostas a muitas pessoas que me fazem perguntas, intervindo directamente com comentários que, por serem moderados, despertam a minha atenção. Quero que as pessoas façam comentários em vez de me enviarem e-mails. As respostas dadas através de novos posts podem servir a outras pessoas, o que não aconteceria no caso dos e-mails cuja visibilidade ficaria mais limitada. A minha ideia fundamental é fazer com que as pessoas compreendam tudo, leiam bastante e verifiquem o que é a Psicoterapia, colaborarando de modo a se tornarem autónomas, a fim de enfrentar a vida que não é fácil.”

Esperemos que as tuas boas intenções se concretizem em breve e que este esforço que estás a fazer possa reverter em favor dos que mais necessitam de ajuda neste momento.

De boas intenções está o mundo cheio mas de boas acções tenho conhecimento de poucas. Como necessito de dinheiro para a publicação que não fica barata, não utilizando também o circuito comercial, os que necessitarem dos livros que me contactem directamente e vão ao TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS, o blog de edição dos livros.

Os que necessitarem de saber alguma coisa sobre a imagética orientada, (e não sobre a imaginação orientada) podem socorrer-se do link https://www.healthjourneys.com/WhatIsGuidedImagery

Aos que necessitarem de apoio, desejando-o rápido e eficaz, sem ficar na dependência do psicoterapeuta, posso dizer que:

▫ Têm o blog(e o e-mail, só em último caso).

▫ Devem ler os posts e os livros que mais falta lhes fazem.

▫ Mas, ainda mais falta faz cada um treinar o relaxamento.

 “Acerca de tudo isto e do treino que cada paciente necessita, lembro-me dos velhos tempos em que, em Angola, entrávamos nos gabinetes do Estado Maior do Exército, em Luanda, para ouvir muitos oficiais do Estado Maior, com o respectivo curso e insígnias na lapela, «dar palpites» acerca da «guerra» de que nada sabiam e na qual não sujavam as botas.

“Isso também me faz lembrar, às vezes, muitos professores da Faculdade e comentadores que dizem muita coisa e falam muito e em imensas teorias que não sabem aplicar ou que aplicadas dão resultados imprevisíveis. Depois, as culpas são dos outros…

“Por isso, sabendo por experiência própria que nenhuma psicoterapia dá bom resultado sem o envolvimento e o trabalho de cada um, apetece-me, às vezes, repetir para os muitos «filósofos» que, sem praticarem o relaxamento dizem que se querem submeter à psicoterapia, o procedimento que tínhamos com esses oficiais do Estado Maior.

 “Os que trabalhávamos no terreno (e no mato), dizíamos para eles, em surdina:

 VAI TRABALHAR MALANDRO!

Já leu os comentários?arvore-2

Clique em BEM-VINDOS

Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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3 thoughts on “IMAGINAÇÃO ORIENTADA

  1. Anónimo on said:

    Será que à falta de criar horizontes de saída da crise e objectivos concretos e qualidade de vida, esta educação, organizada sobre um modelo de cultura do dinheiro, dos ídolos e do poder, não leva também ela a cometer actos tresloucados?

  2. Só hoje tive disponibilidade para conseguir ler este post, que está muito interessante. Se tiver tempo, ainda vou ver o resto do vosso blogue antes de me ir embora. Sobre a educação, interessa-me saber mais alguma coisa. Obrigado pela ajuda. O vosso curso pode ser bom, mas eu não o vou conseguir frequentar. Lá fora, não tenho tempo para nada a não ser para descansar um pouco ao fim de muito trabalho.

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