PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

VÍCIO 2

Vi na SIC Notícias, uma reposição do programa «60 Minutes» de 2012,  apresentada por Mário Crespo, e que envolvia Nora Saude-BVolkow, médica psiquiatra e Directora do Instituto Nacional do Abuso de Drogas (NIDA), dos EUA.

Por acaso, essa investigadora é bisneta sobrinha do revolucionário Leon Trotsky, morto no México por agentes estalinistas, depois de lá se ter refugiado com a sua família.

Nessa entrevista, a investigadora falou do vício em geral e da maneira de o adquirir através das modificações fisiológicas provocadas no cérebro devido ao prazer provocado por esses comportamentos adictos (viciantes) que, aos poucos, vão aumentando a tolerância. Esse vício tanto se refere ao consumo da droga, opiáceos e ansiolíticos, como à obesidade, ou a qualquer outro comportamento que começa a ficar fora do nosso controlo. Para justificar Imagina-Besses comportamentos, diz a investigadora, que assacamos, geralmente, a responsabilidade à nossa falta de auto-controlo. Diz também que, embora a razão seja fisiológica, são esses demónios do cérebro que se tornam mais fortes do que o nosso consciente e a força de vontade.

Embora as suas investigações se tenham referido à vertente fisiológica, também segundo ela, a componente comportamental do condicionamento clássico, com o consequente reforço e aprendizagem, estão sempre presentes.
Decompondo a sua investigação em termos fisiológicos, todas as acções ou acontecimentos que nos dão satisfação, ocasionam a produção de dopamina no cérebro, provocando agrado, que qualquer pessoa deseja que vá continuando.Acredita-B
Por isso, nas investigações realizadas com a imagiologia cerebral, verificou-se que a produção de dopamina, que ocasionava satisfação, era provocada não pelo objecto em si, por exemplo, um hamburguer, mas pela sua imagem. Do mesmo modo, uma linda paisagem não provocava a produção da dopamina.

Porém, nessa reportagem não ficamos a saber se um pintor que se alimenta frugalmente de vegetais teria um comportamento semelhante na produção da dopamina. Não seria contrário, ou diferente?
Apenas isto, quer dizer que existe uma mediação fundamental do cérebro entre o objecto de satisfação e o seu conhecimento ou imagem. Provavelmente, em quem não gostar de hambúrguer, ou em quem estiver completamente saciado, a sua visão não
Psicologia-Bprovocará a produção de dopamina, do mesmo modo como aconteceu com a apresentação da paisagem.

Resumindo, o cérebro é o mediador principal desta investigação.
Do mesmo modo, se gostarmos de chocolate, a apresentação da sua imagem ou a sua recordação provoca satisfação, produzindo dopamina enquanto uma linda viatura, por mais bonita que seja, não ocasionará a produção de dopamina se não estiver ligada a qualquer coisa agradável.

Isto quer dizer que existe uma resultante fisiológica do agrado psicológico que nos é provocado, talvez fortuitamente, mas também por condicionamento clássico e operante, transformando-se, psicologicamente, em reforço.Interacção-B30
Esse reforço, tanto pode ser positivo por obtermos aquilo que desejávamos, ou negativo, porque conseguimos fugir daquilo que detestávamos. Repetido várias vezes, isto transforma-se em aprendizagem maior ou menor de acordo com o tipo de reforço e a qualidade e periodicidade da sua obtenção (F).

Portanto, uma vez aprendido esse comportamento de comer chocolate, ingerir drogas, ter comportamentos bizarros ou qualquer coisa que nos agrade, a produção de dopamina pode incitar-nos a desencadear a acção que produz essa componente fisiológica, ocasionando a nossa incapacidade, cada vez maior, de a evitar porque o nosso organismo nos impulsiona ao contrário da nossa vontade.Psicopata-B
É o vício ou a compulsão para produção do acto em si. É esse o resultado do condicionamento e da aprendizagem, às vezes, confundido com a falta de autocontrolo.
É o efeito que as drogas produzem no abaixamento da ansiedade, da depressão ou de qualquer outro estado desagradável do qual nos queremos livrar. Dão-nos a satisfação de nos sentirmos menos pior do que anteriormente (reforço secundário negativo) ou de conseguirmos aquilo que desejamos ou de que gostamos (reforço secundário positivo).

Nestas circunstâncias, o nosso auto-controlo sofre um tremendo revés, nãoMaluco2 nos deixando actuar racionalmente porque, inconscientemente, já existem condicionamentos e aprendizagens que são desencadeadas para um comportamento diverso, ficando cada vez mais enraizados e consolidados na nossa actuação, com o reforço que vão recebendo ao longo do tempo.
Voltando à investigação que parece estar relacionada com coisas de que os sujeitos observados gostam, não gostam, ou são lhe indiferentes, seria muito interessante que se fizesse uma investigação paralela com indivíduos que não gostassem dos artigos ou objectos que são do agrado da generalidade. E, tratando-se da comida, também conviria investigar se uma pessoa saciada também produz dopamina e em mesma quantidade como acontece quando não está saciada.Joana-B

Fazendo aqui um parêntesis, parece que isto deve competir mais aos psicólogos e psicoterapeutas do que a médicos que se dedicam a medicar. Os psicólogos não têm laboratórios farmacêuticos que os apoiem porque as suas investigações seriam contrárias à descoberta, fabricação e venda de medicamentos novos.

Já que nunca nos foi possível integrar uma muitíssimo útil investigação deste género, a única maneira de chegar ao ponto fulcral da questão, foi desencadear, em psicoterapia, a terapia do equilíbrio afectivo, que procura aumentar os afectos positivos passíveis de produzir dopamina para contrariar os negativos.Depressão-B
Para isso, é necessário ter disponibilidade mental suficiente para entrar no estado não consciente ou tentar baixar a nossa vivência para o nível do inconsciente a fim de tentar descobrir, no arquivo pessoal das nossas memórias, os factos agradáveis passíveis de produzir dopamina. Seria isso possível verificar numa investigação com imagiologia? Não sabemos, porque não temos possibilidades de a desencadear ou participar nela.

Depois disso, através da imaginação orientada, podemos condicionar todo o sistema até se chegar ao ponto de descobrir onde e como tudo começou e como se poderia ter evitado ou reduzido. E, neste procedimento, a hipnose ou auto-hipnose pode ajudar imenso para acelerar e aprofundar o processo terapêutico (J).neuropsicologia-B
Obtido esse controlo, o descondicionamento total não será fácil mas possível, se cada um, com ou sem a ajuda do psicoterapeuta, tiver a capacidade e a persistência necessária para praticar todo um rol de procedimentos, talvez repetitivos mas que conduzem a um bom caminho.

A meditação e o yoga podem ajudar nisso, desde que não sejam utilizados apenas como modos de actuação ou de manutenção de posições corporais. É necessário que a mente funcione em consonância. Nas intervenções efectuadas, quase mais de 90% dos casos melhoraram ou ficaram resolvidos.
Mas, acima de tudo, para que tudo funcione em pleno, é conveniente que a pessoa em causa conheça bem os mecanismos do comportamento humano e da psicoterapia para não se deixar iludir com a satisfação que a dopamina, depois de produzida, exerce na pessoa começando a sua acção viciadora, justificando o comportamento viciado (F).Psi-Bem-C

Enquanto não houver uma droga ou composto químico que evite a produção de dopamina nestas condições, ou a destrua, a psicoterapia pode actuar. E, mesmo depois de se conseguir a droga, em vez de a ter de utilizar correctivamente, a posteriori, pode utilizar-se a psicoterapia preventivamente, evitando todos os efeitos secundários ou colaterais que os compostos químicos produzem lesando outros órgãos, além do mal-estar que é sentido pelo indivíduo e pela sociedade que o rodeia.

Se toda a acção começa essencialmente pela interferência do cérebro que ocasiona a dopamina, a qual nos domina Difíceis-Bespecialmente depois da aprendizagem e do condicionamento clássico ou operante, o importante é conseguir actuar nos momentos ou factos anteriores a esse condicionamento, nos seguintes termos:
▫ Evocar factos ou recordações agradáveis ou desejáveis que provocaram satisfação – produzir dopamina.
▫ Evocar recordações ou factos desagradáveis contrariando-as com as agradáveis a fim de se produzir a dopamina com as últimas recordações.
▫ Descobrir formas de actuação de contrariar ou evitar os factos desagradáveis, continuando com a recordação de factos agradáveis para a produção da dopamina.
▫ Consolidar a capacidade de evocar factos desagradáveis e de os contrariar ou evitar com a produção da dopamina.
▫ Aumentar a autovalorização e o autocontrolo através destes exercícios.mario-70

Como tudo isto tem de ser realizado pelo próprio, existem pessoas que o poderão fazer sem qualquer apoio exterior ou com um apoio muito pequeno. Caso contrário, um psicoterapeuta experimentado pode dar uma ajuda substancial desde que o interessado se disponha a fazer os exercícios que são necessários.
Porém, é importante que todos os exercícios necessários não sejam apenas físicos e que o cérebro esteja a «trabalhar» conscientemente e em consonância. Por isso, a leitura e a compreensão da teoria, dos mecanismos do comportamento e dos modos de actuação sejam bem compreendidos pelos interessados para se poder ter uma saúde mental desejável (A).Biblio

Tudo isso vai ficar explicado no novo livro que se está a preparar, dedicado especialmente à BIBLIOTERAPIA (Q) para além do AUTOTERAPIA (psico) PARA TODOS (P) destinado a iniciar a prevenção ou profilaxia antes de ter de se recorrer à resolução das dificuldades.

Depende muito de cada um.

Pelo menos, o Antunes (B), a Cidália (C) e o Júlio (E) que o digam.

Já leu os comentários?arvore-2

Clique em BEM-VINDOS

Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

Anúncios

Single Post Navigation

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: