PSICOLOGIA PARA TODOS

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PSICOTERAPIA 5

Comentário do “Anónimo, por enquanto”, no post AUTOTERAPIA 2:mario-70

“Já li os livros do Januário e do Antunes. Este, tem alguns bonecos que não compreendi, porque me parece que põe em pé de igualdade os homens e os restantes animais. Não compreendo como é que isso pode ser.
Também já consultei o seu blogue e verifiquei que contém muitas coisas interessantes, com respostas dadas aos seus comentadores. Estou a dizer tudo isto porque está relacionado com um problema que me persegue há muito. Tenho 75 anos, sou formado e especializado, vivo desafogadamente e estou bem casado com uma pessoa com curso superior, tenho dois filhos também Biblioformados e que têm a sua vida independente.
Contudo, embora não dê muito nas vistas, tenho necessidade de encontrar mulheres com quem possa ter uma actividade sexual que, muitas vezes, não funciona bem porque nem eu nem a parceira conseguimos ter a realização sexual necessária.
Estou preocupado e desassossegado com o meu comportamento que me parece estar errado. Isto será algum complexo de culpa? Já tentei ler muita coisa sobre isso e parece-me que sim. Contudo, sujeitar-me a uma psicoterapia não me dá muito jeito.
Será que me pode ajudar da maneira como ajudou o Januário e, especialmente, o Antunes?
Fico à espera do que possa fazer e agradeço desde já a sua ajuda.Acredita-B
Anónimo, por enquanto.”

Para responder a este comentário, tenho de dizer, antes de tudo, em relação à 1ª edição do livro ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (B), que todos os seres animais têm uma vida como a nossa, com desejos, apetites e motivações primárias equivalentes, mas nem sempre mediadas por conceitos de ética, de moral e, especialmente, de preconceitos sociais. É praticamente isto que nos separa deles. No resto e nos condicionamentos, somos todos parecidos. Por isso, como já tive reparos semelhantes ao seu, especialmente dos colegas do ISMAT, a 2ª edição desse livro foi totalmente modificada, assim como a capa.Maluco2

Debruçando-nos agora sobre o seu caso, pouco posso adiantar sem ter mais informações a seu respeito, a não ser que, lendo bem os livros sobre a modificação do comportamento e psicoterapia, deve tentar compreender o modo como os comportamentos são formados, mantidos, ampliados, reduzidos e eliminados.

Depois disso, necessitamos, geralmente, da ajuda de um psicoterapeuta. Mas, mesmo que ele esteja sempre à mão se semear, o «trabalho» de ler, compreender e praticar o relaxamento só pode ser feito por cada um. Pode haver orientação e incitamento do psicoterapeuta, mas o «trabalho» é unipessoal e intransmissível. Quanto menos for feito, Psicologia-Bmais tempo durará a psicoterapia e menor e menos duradouro e eficaz será o seu efeito.

Nestes termos, posso aconselhá-lo a ler com cuidado todos os posts relacionados com «psicoterapia» «depressão», «profilaxia», «prevenção», «auto-ajuda», «reforço», «aprendizagem», «condicionamento», «relaxamento», «modelagem», «identificação», «autoterapia», «reforço do comportamento incompatível», «cultura», «valores», ou quaisquer outros que julgue interessantes.

Posto isto, a ajuda que posso dar é a de o «empurrar» para ler bastantes livros meus, especialmente na versão actual ou, na versão antiga, os que ainda não foram publicados depois da reformulação e, cuja equivalência deve encontrar no Interacção-B30post BEM-VINDOS do blog da Biblioterapia.

Não menciono mais qualquer link para posts meus, porque o quero obrigar a ir às fontes, sem apoio desnecessário, para se inteirar de tudo, comodamente, em casa, não tendo de se deslocar a consultórios para pedir a ajuda que, muitas vezes, não é rápida nem eficiente e, muito menos, eficaz. O que estou a fazer, diminuirá, seguramente, o número de consultas, de deslocações, de gasto de tempo e de dinheiro. Em quaisquer circunstâncias, o maior trabalho tem de ser feito sempre por si, para não ficar permanentemente na dependência de outra pessoa.

Depois das consultas e leituras recomendadas, aconselho-o a praticar o relaxamento muscular e, posteriormente, o mental. Manter um diário deConsegui-B lembranças, sonhos ou recordações é muito importante. Fazer a auto-análise é-o mais ainda. No decurso do relaxamento muscular pode começar por evocar recordações dos momentos bons que teve na vida. Durante o relaxamento mental tente aprofundar ainda mais essa vertente. Veja se consegue obter auto-reforço com isso. Continue assim, porque vai facilitar, encurtar e tornar a psicoterapia mais duradoura do que sem esse treino. Tudo isto, está indicado nas páginas 37 a 48 do livro do Antunes (B) e nos posts que acabei de mencionar acima. A Cidália (C), teve ajuda, mas pouca.

Por isso, deve começar a compreender que o psicoterapeuta nada pode fazer por si até ao momento, a não ser incitá-lo ou «obrigá-lo» a praticar tudo isso no seu gabinete, durante a consulta.Psicopata-B

Depois disso, se não puder fazer o que fez o Antunes, tente entrar no seu passado (abaixo do consciente, como num sonho) e obter respostas pessoais relacionadas com:

▫ Em que ambiente familiar estive inserido?
▫ Quais os valores culturais dos meus pais em relação ao casamento?
▫ Qual a importância que eles davam à crítica social?
▫ Qual o valor que eu dou à crítica social?
▫ Estarei preocupado com a minha imagem?Joana-B
▫ Qual a ideia que tenho do casamento e da fidelidade conjugal?
▫ Qual a ideia que a minha mulher tem do casamento?
▫ Sinto-me realizado sexualmente com a minha mulher?
▫ Senti-me sempre realizado?
▫ Qual foi a razão do meu casamento?
▫ Qual será a razão de alguma insatisfação?
▫ Qual a necessidade de procurar parceiras sexuais fora do casamento?
▫ Durante o acto sexual, lembro-me de alguma coisa especial?Imagina-B
▫ Estarei a idealizar a actividade sexual de forma irrealista?
▫ Terei tido, alguma vez, algum episódio traumatizante durante a actividade sexual?
▫ Em relação ao meu problema actual, qual será a razão do conflito?
▫ Se tenho actividade sexual fora do casamento, é voluntária ou impulsionada por qualquer motivação de que não tenho conhecimento?
▫ Se necessito de manter essa actividade sexual extraconjugal, qual a razão do «arrependimento» ou do «conflito»?
▫ Esse arrependimento ou conflito será por razões pessoais, da minha mulher ou da imagem que pretendo apresentar?Saude-B
▫ Se faço alguma coisa, é porque quero ou porque alguém ou alguma coisa me «empurra» para isso?
▫ Será que, na prática de algum acto, fico à espera da opinião dos outros e a mesma faz-me diferença?

Talvez haja muitas mais perguntas a fazer, a meditar nelas e a obter alguma resposta válida para si. Mas, não bastam apenas respostas mecânicas e imediatas. Elas têm de ser sinceras e bem meditadas para não ajudarem a «camuflar» a «sua verdade».

Por isso, mais uma vez insisto que não podem ser «respostas de consultório» em que o paciente deseja apresentar uma determinada imagem ao psicoterapeuta, melhor ou pior, conforme as suas «necessidades». É este o motivo porque utilizo a hipnose ou, melhor dizendo, a auto-hipnose na psicoterapia, para que cada um possa dar, a si próprio, uma neuropsicologia-Bresposta que não justifique apenas a sua imagem para fazer face aos outros, isto é, uma resposta «não elaborada».

Acerca deste assunto, lembro-me dum episódio passado há algum tempo no meu consultório, que ficou descrito nas páginas 58 a 61 do livro “IMAGINAÇÃO ORIENTADA” (J) e que apresentei ao meu amigo Antunes numa longa conversa que tive com ele depois da sua autoterapia:

Então, o que dizes daquele programa duma estação de televisão em que aparece um «hipnoterapeuta» a fazer um, dois, três na testa das pessoas e a mandá-las reviver o passado?
– Posso dizer-te que, há bem pouco tempo, uma senhora diagnosticada como maníaco-depressiva se mostrou interessada em submeter-se a psicoterapia por recomendação de uma paciente minha, de há muitos anos. Psi-Bem-C Veio com o marido e disse que estava a ser medicada há mais de 20 anos, tendo ficado várias vezes internada num hospital psiquiátrico, com tratamentos sempre à base de medicamentos. Como a sua vizinha e amiga se tinha sujeitado a psicoterapia comigo durante cerca de dois anos e nunca mais sofrera de depressão, achava que ela também podia beneficiar com isso. Durante a consulta, a dicção desta senhora era tão lenta e descoordenada que até parecia não ter bem a noção daquilo que dizia. Tinha lapsos de memória e falhas no contacto com o interlocutor. Por isso, o marido completava a informação que faltava. Assim, fiquei a saber que os exames psicológicos a consideravam maníaco-depressiva, além de oligofrénica, isto é, com um nível intelectual pouco desenvolvido.
“Sem alongar a consulta, que não me daria a informação mais rigorosa deDifíceis-B que necessitaria no futuro, propus que experimentasse fazer o relaxamento, com o marido junto dela, a fim de que ele a ajudasse e incentivasse para não se descuidar do exercício que teria de praticar em casa, se possível, mais do que uma vez por dia.
“Dei aos dois a noção de que, para se conseguir atingir um resultado positivo muitíssimo reduzido, a terapia demoraria pelo menos dois anos, com duas ou mais sessões semanais. Além disso, ela tinha de ser sincera ao longo da terapia para que eu não fosse induzido em erro na minha formulação terapêutica. Era o prognóstico que eu fazia após uma curta observação inicial, depois da qual informei-os que ambos teriam de falar com o seu médico assistente para que a dose de medicamentos fosse diminuída aos poucos. Na primeira experiência de relaxamento, esta senhora, pouco ou nada conseguiu.Depressão-B
“Quando à saída me disse que já vira que com hipnose se consegue muito mais do que de qualquer outra maneira, perguntei- lhe se, por acaso, estava a referir-se a um determinado programa de televisão. Respondeu-me que sim, o que me deu azo a perguntar–lhe porque não se socorria desse programa, para resolver o problema, já que com «um, dois, três», como ela dizia, tudo se resolvia com muita a facilidade.
“Quando veio à segunda consulta, a primeira coisa que fez foi tentar falar comigo longe do marido e perguntar se, sendo sincera, eu guardaria segredo, especialmente em relação a ele. Disse-lhe que não existem quaisquer dúvidas sobre isso, porque a informação só pode circular entre o paciente e o psicólogo. Suspirou de alívio.
“Disse-me depois que já tinha telefonado para o tal programa. Informou-me  que nada faziam em relação ao caso dela porque Organizar-Bhavia necessidade de ensaios. Só depois de algumas provas podia ser admitida…ou não! Além desta informação, também me quis dizer que há mais de 10 anos, por «vias de facto», tinha «traído» o marido com uma pessoa conhecida dos dois e que, agora, estava envolvida com outro jovem, mais novo do que ela, só com beijinhos e abraços.
“Depois de a ouvir, sem comentários, chamei o marido para assistir, de novo, à tentativa de relaxamento mental, já que ela até tinha dificuldade em fazer o relaxamento muscular. Expliquei-lhes que ele teria de a ajudar no futuro com as motivações e incentivos necessários, se quisessem um resultado minimamente eficaz da terapia a iniciar. No final, tentei que os dois compreendessem que, sem o relaxamento, a terapia não seria tão fácil e rápida como todos desejávamos.Respostas-B30
“Também fiz compreender que não valia a pena fazer algumas sessões e interromper a psicoterapia por dificuldades financeiras ou quaisquer outras. Além da consulta do momento, não valia a pena fazer mais, a não ser as essenciais para se chegar a uma decisão definitiva de levar a psicoterapia a bom termo. Exigi que não marcassem outra consulta ou sessão psicoterapêutica para daí a dois dias, enquanto eles não conversassem e decidissem se a paciente iria continuar a psicoterapia até ao fim. Se não, poderia haver uma grande dose de frustração por se ter perdido tempo e dinheiro sem qualquer vantagem. No dia seguinte, a paciente telefonou para o consultório para agradecer a minha sinceridade e dizer que não teria posses para continuar a terapia. Achei muito sensatas estas sinceridades, tanto a minha como a dela.”

Em divulgação…arvore-2

Já leu os comentários?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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3 thoughts on “PSICOTERAPIA 5

  1. Anónimo, por enquanto on said:

    Obrigado pela resposta muito rápida que conseguiu dar, neste artigo, em relação ao meu problema.
    Li todo o artigo e fui consultar a lista de livros na ligação de BEM-VINDOS, deixando para momento posterior a consulta de todos os outros artigos que vou pesquisar no seu blogue.
    Já fui, logo de manhã a uma livraria e, como não consegui o que queria, fui adquirir os livros que me interessavam à Plátano, na rua perpendicular à Avª de Berna. É pena que os livros não estejam à vista nas livrarias.
    Como, até ao momento, publicou só os primeiros quatro livros indicados em BEM-VINDOS e ainda não publicou PSICOLOGIA PARA TODOS, escolhi, de momento, adquirir os seguintes:
    COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO – teoria – 1
    COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO – prática – 2
    COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO – técnicas – 3
    COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO – «casos» – 4
    COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO– previsão – 5
    Para Que Serve a Psicologia?
    SUCESSO NA VIDA! Porque Não? (Como «EDUCAR» Hoje)
    «STRESS»? Reduza-o já!
    PSICOTERAPIA! Para Quê?

    Como os livros que citei no meu comentário anterior foram-me emprestados por uma pessoa amiga, peço que envie, à cobrança, pelos CTT, os seus primeiros 4 livros já publicados e o “Depressão? Não Obrigado!”, para o endereço que vou indicar no seu e-mail pessoal.
    Muitíssimo obrigado por todo o empenho que tem demonstrado no meu caso e comprometo-me a consultar afincadamente o seu blogue, para ler os artigos que me interessam, bem como os livros e encetar os procedimentos que indicou.
    Anónimo, por enquanto

    • Estou a ver o seu comentário, que agradeço imenso. Oxalá que o meu post lhe seja proveitoso. Leia bastante, consulte os artigos e pratique o relaxamento. Pode ser que dentro de 6 meses apenas consiga ter uma visão melhor do seu caso. Tudo dependerá do aprofundamento do relaxamento. O Antunes conseguiu muito bem. Os livros seguirão pelo correio amanhá à tarde ou na segunda de manhã.
      Felicidades e Boa Sorte.
      Mário de Noronha

  2. Anónima on said:

    Consultando bastantes artigos deste blogue sobre Autoterapia, Psicoterapia, Envolvimento Familiar e vários outros, parece que liga muita importância ao ambiente familiar quando só uma pessoa se encontra descompensada.
    Eu não sou psicóloga mas ando por aí perto no meu Trabalho de Assistente Social, dando apoio a muitos que necessitam da minha ajuda.
    Pode-me explicar qual a razão de valorizar tanto a família?
    Desde já agradeço a resposta.

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