PSICOLOGIA PARA TODOS

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REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 5

Comecei a viver de repente, este ano, uma situação estranha no meu jardim-de-infância que iniciou a sua Biblioactividade no princípio deste mês.
Há um menino que tem 5 anos, que não se interessa absolutamente nada pelas brincadeiras típicas dos rapazes. Nos períodos de brincadeira livre, passa todo o tempo na casinha das bonecas ou na arca das trapalhadas onde gosta de se vestir e enfeitar. Muitas vezes, na casinha, assume papéis femininos, coloca bonecos na barriga a fingir gravidez, etc. É uma criança muito agitada. Amua com extrema facilidade. As suas emoções vão de um extremo ao outro em curtos períodos de tempo. Não tem uma amizade com nenhum menino da turma, pelo contrário, a sua maior amiga é uma menina da sua idade. Em casa tem uma irmã mais velha (11 anos) que também já foi minha aluna. Em casa brinca com a irmã e com as amigas da irmã. Tem uma família normal, vive com a mãe, o pai, a irmã; a avó vive muito próximo da sua casa.
Já falei com ambos os pais (um de cada vez). A mãe desvaloriza a situação mas o pai mostra-se realmente mario-70preocupado. Será muito cedo para procurarem ajuda especializada? E eu, na sala de actividades, além de chamar a sua atenção para outros cantinhos diferentes dos que ele quer sempre frequentar, que mais posso fazer para o ajudar?
Vivendo numa cidade algarvia do interior com menos de 6.000 habitantes e sem apoios suficientes, a situação deixa-me apreensiva.
Anónima

Face a este comentário, feito no post Autoterapia 4, vou tentar dar uma resposta que me parece adequada.

Para isso, tentei entrar em imaginação orientada (J) para apreender melhor a situação. É o que faço frequentemente e Imagina-Brecomendo que os outros façam o mesmo. Ajuda imenso.

Parece-me que a preocupação principal, neste caso, é o facto de o rapaz de 5 anos não brincar com os rapazes mas com meninas e com brincadeiras consideradas femininas. Quem considera que essas brincadeiras são tipicamente de rapazes ou meninas? São os mais velhos? Acontecerá o mesmo com as crianças? Porém, o que me preocupa mais é a sua agitação e a mudança de humor. O que diz o pediatra?

Nos períodos de brincadeira livre, passa todo o tempo na casinha das bonecas ou na arca das trapalhadas onde gosta de se vestir e enfeitar.Psicologia-B
As meninas não fazem o mesmo? E os outros rapazes o que dizem? De que maneira reagem? Se o admirarem, pode receber reforço positivo e perpetuar o seu comportamento. Se ninguém lhe ligar importância, pode sentir-se «desamparado» e desistir do comportamento anterior. É bom não confundir «desamparo» ou «desinteresse» – que não é intencional – com «desprezo» – que é intencional e pode ocasionar reforço.

Muitas vezes, na casinha, assume papéis femininos, coloca bonecos na barriga a fingir gravidez, etc. Em casa tem uma irmã mais velha (11 anos) que também já foi minha aluna. Em casa brinca com a irmã e com as amigas da irmã.
Nestas brincadeiras, o que dizem a irmã e as amigas dela? Reagem bemPsicopata-B ou mal? Riem-se ou não se riem? Criticam ou não? Se a irmã é mais velha, de que maneira ela é tratada pela mãe? Pode o rapaz sentir que a irmã é mais considerada pela mãe? Se sentir isso, pode ter reforço vicariante com esse relacionamento mãe-irmã? Nestas condições, poderá estar a imitar (modelagem) o comportamento da irmã? De que maneira, toda a sua interacção é aceite pelos outros nesse meio ambiente?

É uma criança muito agitada. Amua com extrema facilidade. As suas emoções vão de um extremo ao outro em curtos períodos de tempo.
Esta mudança súbita de comportamento pode criar algumas dúvidas. Quando amua, ligam-lhe importância ou «desligam-se» dele? Se alguémConsegui-B lhe ligar importância nesse momento, pode receber reforço pelo seu comportamento de amuar e continuar com o mesmo. O melhor é não lhe ligar importância ou utilizar o reforço do comportamento incompatível para desviar a atenção, sem nunca falar nos seus amuos (não é fácil, mas possível). O importante, é manter um ambiente calmo e não valorizar qualquer situação de agitação.

Não tem uma amizade com nenhum menino da turma, pelo contrário, a sua maior amiga é uma menina da sua idade.
Os outros meninos gostarão de estar com ele ou ele estará a auto-excluir-se? As meninas estarão a «recebê-lo» muito melhor do que os rapazes?

Tem uma família normal, vive com a mãe, o pai, a irmã; a avó vive muito próximo da sua casa.
Não sei o que é uma família «normal» mas se ele dá-se bem com a família,neuropsicologia-B qual a aproximação dele para com o pai? E com a mãe? E com a avó? Estará a ser «apaparicado» por algum destes elementos? Se receber reforço positivo ou negativo quando tiver comportamentos inadequados, esses comportamentos podem consolidar-se para irem aumentando através da moldagem que se irá processando.

A situação deixa-me apreensiva.
Pela minha parte estou mais preocupado com a instabilidade emocional da criança.

Já falei com ambos os pais (um de cada vez). A mãe desvaloriza a situação mas o pai mostra-se realmente preocupado.Maluco2
Se a mãe desvaloriza a situação, gostará da mesma? Se o pai se mostra preocupado, talvez possa conseguir uma aproximação maior com o filho, sem ser uma pessoa preocupada com a antiga ideia de que os rapazes têm de ser diferentes das raparigas. Elas já vão para a tropa e pode ser que tenham apresentado comportamentos masculinizados em criança… E quem se preocupou com isso? As uniões (e até casamentos) homossexuais já estão instituídos e, se não os havia antigamente, era porque os comportamentos eram reprimidos, mas faziam mossa na clandestinidade ou na saúde mental.

Será muito cedo para procurarem ajuda especializada?
Acredita-BO que diz o pediatra? Que ajuda especializada se pode pedir, a não se a de exigir que o rapaz se comporte como os mais velhos acham que ele se deve comportar? Dar-lhe comprimidos? Fazer condicionamentos como na “Laranja Mecânica»? O que vamos conseguir? «Domesticar» a criança de acordo com o nosso gosto? Qual será o produto final? Muito habituado e lidar com a modificação comportamental, eu não faria isso, porque me dá a impressão de que o meio ambiente é fundamental. Ele terá de reagir a esse meio, com as suas forças e fraquezas, mesmo que seja contra os desejos e as expectativas de muitos.

E eu, na sala de actividades, além de chamar a sua atenção para outros cantinhos diferentes dos que ele quer sempre Consegui-Bfrequentar, que mais posso fazer para o ajudar?

Tentando fazer desaparecer esses cantinhos ou despertando a sua atenção para outra coisa nesse momento (reforço do comportamento incompatível), julgo que pode ajudar imenso, mesmo na sala de aula ou na conversa com os pais:
● Pedir que os pais leiam alguma coisa sobre o comportamento humano (F) (I).
● Pedir que façam uma análise do seu comportamento e da interacção com o filho, acompanhado dum registo adequado (E).
● Verificar se, com uma maior aproximação do pai (modelagem com reforço) e o não-reforço da mãe quando ele tem Interacção-B30comportamentos «femininos», os mesmos vão diminuindo.
● Tentar proporcionar, incentivar e reforçar todo o eventual comportamento «masculino» que o rapaz possa ter no infantário. Não pode haver exageros e muita ostensividade.
● Pedir à irmã que, nas brincadeiras, atribua ao rapaz um papel «masculino» e, ao desempenhá-lo, que o valorize imenso, sem exageros.
● Nos momentos de instabilidade emocional, não ligar importância ao mesmo, desviando a atenção do rapaz com a utilização do reforço do comportamento incompatível.

Saude-BJulgo que com a pretensa ajuda especializada, não pode ser dada em consultório mas sim pelo meio ambiente que tem de «aprender» a reagir em conformidade. É para isso que servem os cursos sérios que ajudam as pessoas a reagir de maneira adequada. É também por isso que estou extremamente empenhado em preparar os livros que, algum dia, se houver oportunidade (depois da crise e da austeridade?), serão publicados.

É também por isso que mantenho este blog.

Mais que tudo, aconselho à minha comentadora Anónima que tente fazer o relaxamento e entrar em imaginação orientada para descobrir uma solução adequada para este caso, para além das «dicas» que acabei de dar. Além Joana-Bdisso, convém consultar neste blog pelo menos os posts que dizem respeito a algumas palavras escritas a negrito.  São respostas dadas a outras pessoas em circunstâncias muito parecidas.

Em divulgação…

Já leu os comentários?

Clique em BEM-VINDOS

Ver também o post LIVROS DISPONÍVEISarvore-2

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

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4 thoughts on “REFORÇO DO COMPORTAMENTO INCOMPATÍVEL 5

  1. Obrigada por este artigo. Estou a tentar pensar como me parecem ser as recomendações que fez. Também estou a seguir as indicações que me deu. Os livros é que são difíceis de obter, mas os pais vão tentando dar uma ajuda. Espero que as coisas vão melhorando a pouco e pouco. Agradecida pelos conselhos.
    Anónima

  2. Embora não tenha sido eu a fazer o comentário inicial, estou sarisfeita com este artigo porque comecei agora com um ano conturbado e uma experiência semelhante. Por acaso, consegui melhorar a situação com os aconselhamentos que fez. Vou tentar comprar alguns livros que recomendou. Obrigada.

  3. Anónimo on said:

    Estou a compreender esta técnica como a de desviar a atenção para coisas que são diferentes daquelas que interessam a outra pessoa naquele momento, o que não nos interessa. Estou a fazer isso com alunos de 9º ano que, este ano, são muito irrequietos. Parece que dá resultado. Obrigado pela ajuda. Vou continuar a consultar este blogue que tem muios artigos interessantes e práticos.

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