PSICOLOGIA PARA TODOS

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ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 7

Comentário no post “AUTOTERAPIA 5”:mario-70

“Obrigado pela resposta e já li este artigo. Contudo, quando chego a casa, não me consigo entender com os meus pais. Parece que só se importam comigo quando eu estou desorientado. Quando estou a progredir, nem que seja um pouco, não consigo sentir apoio, como acontece há vários anos.

Para responder a este comentário, não sabendo bem o que se passa consigo e com a sua família, apenas me limito e transcrever o caso da “FAMÍLIA SENA” apresentado nas paginas 250 e seguintes, no livro “PSICOLOGIA PARA TODOS(F).Psicologia-B

Deixo também no final desta resposta dois links para maior elucidação, que será possível abrindo esses posts e lendo-os juntamente com os comentários associados.
Algumas das vezes, é muito importante fazer uma terapia familiar ou, pelo menos, sessões de esclarecimentos para os pais, a fim de não deixar perder todos os ganhos que os filhos tiverem com uma psicoterapia que, eventualmente, podem continuar a fazer.

Como não sei qual é o seu caso, previno que é preferível tomar medidas enquanto é tempo de evitar, em vez de fazer, posteriormente, psicoterapias para conseguir reduzir (ou não) o mal que se tiver instalado com o reforço secundário negativo aleatório que se vai obtendo com muita força, através da interacção ou dos comportamentos em vigor em todos os componentes da família.
A terapia ou aconselhamento familiar pode tornar-se extremamenteInteracção-B30 dispendioso por causa do número de sessões necessárias, da quantidade das mesmas e do espaçamento entre elas. O seu efeito, também pode não ser muito grande se os intervenientes não se «instruírem» quanto às malhas do funcionamento do comportamento humano, o que é mais fácil fazer (publicamente) nas sessões de esclarecimento, tal como acontece com este blog.
É por isso que mantenho este blog e estou a preparar os livros com os quais, além das sessões de esclarecimento, alguém poderá beneficiar, algum dia, se os conseguir publicar.

A FAMILIA Sena

Teresa começou a apresentar dificuldades escolares aos 6 anos de idade. Logo na primeira classe, a sua capacidade de atenção era muito reduzida, a memória era fraca e os comportamentos muito agressivos tanto emConsegui-B relação aos colegas como em relação à professora. Numa conversa esporádica com a mãe, a professora mencionou estas anomalias mas fez saber que muitas crianças apresentavam sintomas semelhantes, reduzindo-os um ou dois anos mais tarde.
Sendo, antigamente, obrigatória a passagem de classe, Teresa transitou de ano, continuando a não conseguir melhoras na 2ª classe.
Como os pais pouco ou nenhum contacto mantinham com a escola, a professora avisou-os por escrito, solicitando que tomassem providências em relação às dificuldades observadas na filha. A criança não passou a 2ª classe e, no ano seguinte, foi incluída na turma de uma outra professora. Esta, nada conseguiu fazer de concreto até ao meio do ano lectivo, ocasião em que a mãe, comparecendo na escola, insistiu que a criança era inteligente podendo, no entanto, estar a sentir-se Saude-Bligeiramente desmotivada por achar o ensino pouco atraente.
Esse ano foi de mais um insucesso, o que levou à inclusão da criança, no ano seguinte, na turma de uma outra professora. Esta obrigou praticamente a mãe, logo no início do ano lectivo, a obter consultas médicas e de psicologia. O diagnóstico foi: nível intelectual «dentro da normalidade» mas prejudicado por factores emocionais e de personalidade sem qualquer causa fisiológica ou orgânica. Foi também aconselhado apoio psicopedagógico e psicoterapêutico individualizado, além de terapia familiar. Era um caso parecido com o do Antunes (B).

Embora a Teresa estivesse a ser acompanhada por uma professora especializada e por uma psicóloga, muito contra a vontade Maluco2dos pais, havia necessidade de se investigarem as causas das dificuldades escolares numa criança que tinha um nível intelectual normal. Teresa tinha um irmão sete anos mais velho, que também se desinteressara da escola e, aos 13 anos, perdera o 7º ano de escolaridade.
Quando o psicólogo, estranho à escola, se propôs fazer uma avaliação psicológica do rapaz, os pais opuseram-se durante algum tempo até que, após as entrevistas iniciais, resolveram aceitar a sugestão. Os dois irmãos apresentavam problemas graves na interacção com os pais. Estes eram pouco coincidentes nas suas concepções de vida, nas suas actuações e no relacionamento com os filhos. Como resultado das atitudes discordantes dos pais e das suas actuações divergentes (dissonância cognitiva) (K), os filhos sentiam-se angustiados para decidir qual a atitude mais adequada e qual o comportamento a ser executado em função disso.Organizar-B

Enquanto o pai gostava que os filhos estudassem bastante, sendo muito brando em relação ao controlo dos seus divertimentos e horários de estar em casa ou com os amigos, a mãe era muito rígida em relação aos costumes e ao contacto e escolha das amizades, não se preocupando no tocante a estudos. As divergências eram flagrantes e muito notórias, deixando os filhos completamente desorientados acerca do melhor comportamento a ser adoptado. As discussões dos pais eram frequentes e provocavam nos filhos uma desorientação (dissonância cognitiva) cada vez maior (K).
A mãe achava que a sua pouca instrução chegava para exercer uma função de escriturária como ela o fazia. O pai, que Psicopata-Bcompletara o 7º ano do Liceu (actual 12º ano), preferia que os filhos concluíssem um curso superior. A mãe, que tinha sido educada pelos pais num ambiente rígido, exigia disciplina e mostrava-se rigorosa para com os filhos que eram muito controlados por ela. O pai, que tinha sido educado pelos avós, andando sempre à vontade, achava que o contacto familiar não era importante e que cada um utilizaria as suas próprias normas para orientar a vida e a interacção social que iria manter.
Os filhos viviam num conflito permanente, tentando dar a melhor resposta possível em cada ocasião. Tinham de estar sempre sob grande tensão nervosa para conseguirem «acertar» na resposta correcta que era diferente para o pai e para a mãe. Aprenderam assim a mostrar que estudavam quando estavam na presença do pai e que cumpriam com rigor os horários estabelecidos quando lidavam com a mãe. Contudo, a resposta mais aceitável para qualquer circunstância, quer lidassem com o pai quer com a mãe, era a de cumprirem os horários sempre que possível, muito a contragosto e mostrarem que se preocupavam com os estudos embora não se esforçassem o suficiente.

Com o andar dos tempos, o rapaz foi-se identificando com o pai e conseguiu passar sempre até ao 6º ano, ao passo que a rapariga nãoneuropsicologia-B obteve rendimento mínimo para a passagem de ano, secundando a pouca motivação da mãe pelos estudos. Era-lhe mais vantajoso não se preocupar com a escola. A aprendizagem académica era efectuada sem muito entusiasmo e como uma obrigação fastidiosa. Qualquer dos filhos ligava pouca importância ao estudo, sentindo maior necessidade em resolver os conflitos respeitantes à maneira ideal de se comportar para agradar os pais.
Como as orientações dos pais eram divergentes, aquilo que agradava a um desagradava a outro. A manutenção do equilíbrio para agradar os dois sem desagradar nenhum, exigia muita tensão nervosa que, por sua vez, reduzia as aptidões para o sucesso escolar (conflito de dupla aproximação-afastamento) (K).
Quando o psicólogo tentou saber algo mais sobre o passado ou acerca da formação da personalidade dos dois progenitores, Imagina-Bveri-ficou que o pai, concluído o Liceu, começara a trabalhar numa Empresa Multinacional como escriturário e em pouco tempo fora promovido, continuando a sua carreira ascendente até atingir o lugar de um dos três Gerentes Comerciais. Para ele, o estudo e a dedicação ao trabalho situavam-se no topo das prioridades, relegando as amizades para segundo plano. O ambiente familiar não significava muito, visto que o dele nunca fora bom: o seu pai abandonara o lar e fora viver longe, logo após o seu nascimento. A mãe deixara-o entregue aos cuidados dos avós para se juntar a um outro homem e ir viver fora do país.

Porém, a mãe da Teresa, em consequência das aprendizagens efectuadas, preocupava-se com a família tal como acontecera consigo própria. Os seus pais tinham uma vida familiar com alguns conflitos que se resolviam com as habituais cedências da Acredita-Bparte da mãe. O dinheiro era considerado importante nesta família que procurava obtê-lo sem desejos de exercer funções elevadas. A mãe, terminado o 2º ano do Ciclo Preparatório (actual 6º ano), com repetição do último ano assim como da 4ª classe, começara a trabalhar ao balcão dum estabelecimento comercial. Aos 18 anos, concorrera para escriturária e a partir daí fora obtendo as suas promoções por antiguidade, sem se esforçar para se valorizar no serviço.
No decurso das consultas com os pais da Teresa, o psicólogo descobriu que a aprendizagem do pai fora no sentido de valorizar os bens materiais e a obtenção de maiores conhecimentos académico-profissionais e que esta aprendizagem se processara em consequência dum comportamento resultante de reforço negativo. Obtendo dos avós uma dose mínima de atenção e carinho, habituara-se (aprendera) a conseguir reforço (satisfação) através das diabruras que fazia Joana-Bcom os amigos «da rua». Quando entrou para a Primária, essas brincadeiras terminaram e os estudos ajudaram-no a mitigar o abandono e a solidão que sentia em casa. Para fugir à solidão «enterrou-se» nos livros e o resultado foi obter, de imediato, boas notas e a atenção do professor, que passaram a constituir o seu reforço secundário principal, conduzindo-o a uma futura motivação para o sucesso. A companhia permanente dos livros proporcionou-lhe alívio à solidão familiar e o emprego conseguido em tenra idade ajudou-o a generalizar e transferir as aprendizagens escolares para a esfera profissional. O total desapego dos avós em relação ao neto e o abandono dele pelos pais começou a minimizar-se com a concentração total nos estudos e no emprego, sem preocupações com planeamentos ou horários das actividades relacionadas com o contacto familiar.
A mãe, por sua vez, muito vigiada pelos pais, tendo contacto íntimo com a sua mãe, incorporara todos os seus valores e normas. Adolescencia-BEles preocupavam-se muito mais com a «boa educação», respeito pelos mais velhos, acatamento das normas sociais, etc., relegando para segundo plano as aquisições académicas e o brio profissional. O resultado fora a formação duma personalidade preocupada com ordem e valores sociais e desinteresse pelo estatuto académico e profissional, em contraposição com o marido cuja educação fora no sentido inverso.

Os dois cônjuges embora gostassem um do outro tinham atitudes divergentes perante a vida. Se não se conseguissem consciencializar dos factos e chegar a um compromisso, as suas actuações poderiam ser fonte de discordância e de desorientação dos filhos em consequência dos modelos de identificação divergentes e incoerentes (dissonância cognitiva) (K) observados nos progenitores.
Como os pais são para os filhos «os melhores do mundo» e como ambos merecem o seu total crédito, em quem deveriam Educar-Bacreditar quando existisse uma divergência? A ansiedade provocada com a tentativa de resolução deste conflito pode conduzir a um estado de permanente tensão geradora de desgaste psíquico exagerado. Esse desgaste consegue ocasionar incapacidade na aprendizagem escolar, além duma permanente excitação emocional capaz de prejudicar o equilíbrio psicológico e o bom relacionamento interpessoal.
Em função destas aprendizagens inadequadas, havia necessidade de ajudar os pais a observar, registar, analisar, compreender e tentar modificar o seu comportamento a fim de proporcionar aos filhos modelos de identificação válidos e desejáveis. Eram eles que necessitavam, em primeiro lugar, de sessões de aconselhamento. Contudo, essas sessões teriam rendimento óptimo se os pais utilizassem a mesma linguagem técnica do psicólogo e se apreendessem os conceitos básicos da modificação do comportamento. Com conhecimentos teóricos e práticos «Educar»-Bapropriados, os pais, além de proporcionarem modelos válidos, poderiam manipular o reforço na sua interacção com os filhos, ajudando-os a modificar rápida e eficazmente o seu comportamento no sentido desejável (modelagem e moldagem).

Pondo de parte os problemas dos filhos, os pais iniciaram em primeiro lugar as sessões de aconselhamento, enquanto a Teresa foi ajudada com apoio psicopedagógico, a superar as deficiências académicas. Analisou-se também, em conjunto com os próprios, a educação ou a formação da personalidade, da cada um dos progenitores, através da constatação das suas acções e recordações que foram aprofundadas e «passadas a pente fino». Ambos sabiam que, quaisquer que fossem as causas ou as motivações dos comportamentos já executados, ninguém faria em relação aos mesmos qualquer juízo de valor. Eram analisadas as causas, tentando verificar se o comportamento Depress-nao-Bconsequente tinha sido o mais adequado para o objectivo pretendido. Se não fosse o melhor, qual seria o mais apropriado? Seria exequível? Como se poderia evitá-lo em caso de necessidade? Que atitudes e que procedimentos seriam necessários para se desencadear o comportamento mais correcto?
Com uma análise fria, objectiva e desprovida de preconceitos, os pais foram-se habituando a compreender o seu próprio comportamento para o tentar modificar com a ajuda parcial do psicoterapeuta. Este exercício deu-lhes capacidade para ajudar os filhos a compreenderem o seu comportamento e a colaborarem na sua modificação, transformando consequentemente todo o ambiente familiar.

O marido compreendeu que fora fortemente punido com o desinteresse demonstrado pelos avós e com o abandono a que os pais o tinham votado. Os êxitos obtidos com os estudos tinham sido inicialmente uma fuga bem sucedida a essa punição Respostas-B30(reforço negativo), transformando-se posteriormente em forte compensação pelo sucesso escolar e profissional (reforço positivo). A sua despreocupação em relação aos horários, amizades, etc., também fora uma aprendizagem com punição (os avós não lhe prestavam a devida atenção) da qual era necessário fugir, obtendo a atenção de qualquer dos colegas ou amigos que se dispunha a estar com ele esporadicamente e por período de tempo não previsível (reforço social negativo aleatório). Com a falta de manutenção de horários, aproveitava-se a companhia de qualquer criança a qualquer hora do dia, sem qualquer ligação afectiva.
A mulher, identificando-se com a sua progenitora, aprendera a ser uma pessoa muito ordeira, cheia de preocupações com as opiniões dos outros a seu respeito. Interessava-lhe manter as aparências. Quanto aos estudos, ninguém se importara com o êxito escolar e, como os seus pais também tinham pouca instrução, sendo filha única, não se tinham Saude-Bpreocupado em lhe proporcionar um nível académico elevado. Como os estudos exigiam bastante trabalho e sacrifício das horas de lazer e distracções, fugir a esta punição dava reforço negativo. Se associado a este evitamento dos estudos, o mesmo fosse justificado com a execução dos trabalhos caseiros, a aprendizagem era perfeita devido ao reforço positivo obtido com a satisfação apresentada pela mãe. Os novos comportamentos seriam posteriormente generalizados para a manutenção da ordem, arrumação e limpeza da casa e acatamento das normas sociais.

Tendo formado a personalidade com estes condicionalismos, que modelos poderiam ser apresentados aos filhos? Como e em que sentido alterar a «maneira de ser» para apresentar modelos coerentes e adequados? Além de dar o exemplo (modelo) aos Depressão-Bfilhos, como ajudá-los a efectuar as aprendizagens com uma certa rapidez? Embora houvesse muitas mais coisas a discutir e analisar, a valorização correcta destas características era importante para o modelo de identificação a oferecer aos filhos. Havia que reestruturar e reorganizar conscientemente e com perseverança todos os «modelos».
Como o pai não tinha um horário certo de poder regressar do serviço, a mãe, logo que o filho chegasse a casa, perguntava pelos estudos, contrariando a antiga tendência de os menosprezar. Conversando com o filho, aconselhava-o a pedir ajuda pontual ao pai logo que houvesse disponibilidade. Dava ao filho liberdade suficiente para brincar enquanto o pai não chegava a casa. Continuando a utilizar as técnicas de facilitação e moldagem, avisava o marido que o filho tinha dúvidas nas matérias escolares, incitando o filho a procurar esclarecê-las com o pai logo que possível. Psi-Bem-CObservava com atenção o comportamento do filho e, assim que tivesse acabado o contacto com o pai, elogiava-o por este facto, mostrando as vantagens de ter brincado no momento oportuno, aproveitando o restante tempo para os estudos.

Com estas acções de facilitação, moldagem e reforço, obrigava o filho a transferir as aprendizagens para situações futuras. Por sua vez, o pai, antes de dar as explicações solicitadas, perguntava se tudo estava em ordem e se a mãe não dera quaisquer instruções contrárias àquilo que estavam a fazer. Se houvesse indicações contrárias, a mãe teria de resolver aquilo que se deveria fazer em primeiro lugar. A coordenação e a não divergência nas acções dos dois progenitores faziam com que o filho não se sentisse confuso, tenso e frustrado com Difíceis-Bcomportamentos discrepantes dos progenitores.
O mesmo acontecia com a filha. Teresa era ajudada pela professora de apoio e pela psicóloga, mas a mãe tentava suplementar essa ajuda, embora sem muita vontade. Mantinha com os professores um contacto maior do que antigamente. Solicitava ao marido que a apoiasse e incitava a filha a fazer progressos, elogiando-a imediatamente por mais pequeno que fosse o êxito obtido. O pai, que nunca anteriormente se importara com a companhia dos filhos, das suas horas de entrada em casa, etc., desejava ser devidamente informado e discutir cada decisão que eles tomassem. Teresa aprendeu assim a dizer aquilo que desejava e a discernir se fazia bem ou mal ao tomar uma decisão. É um processo de amadurecimento psicológico cujo desenvolvimento se torna bastante importante a partir dos 9 anos de idade. Com o desenvolvimento da área terciária da 3ª unidade cerebral, identificada com os Psicoterapia-Blobos pré-frontais que englobam as funções mais elevadas do cérebro, as capacidades para planeamento, decisão, avaliação, continuidade temporal, controlo pulsional e emocional, concentração da atenção, flexibilidade e criatividade começam a ser exercitadas e melhoradas. A incapacidade de controlo ético, moral e comportamental pode ter origem na falta de desenvolvimento desta área associativa cerebral que superintende na inibição das pulsões e das emoções, no controlo das distracções, na organização e no planeamento do futuro (D) (I).

Compreendendo estes fenómenos nas sessões de aconselhamento, os pais continuaram a discernir cada vez melhor, quais os comportamentos mais adequados para a modelagem dos filhos. A motivação para o sucesso, do pai, era boa e deveria ser reforçada. A ordem mantida pela mãe era óptima quando devidamente compreendida e aceite pelos educandos. Stress-BHavia que reforçar estas duas facetas, tentando eliminar a desorganização do pai e a falta de motivação para os estudos, da mãe. Como o casal se dava estruturalmente bem, foi possível chegar à conclusão de que, como já estava a acontecer, o pai deveria preocupar-se com os estudos dos filhos não devendo a mãe interferir nestes assuntos. A mãe iria habituar os filhos a manterem a ordem e os planeamentos, a cumprirem as promessas, a serem corteses para com os mais velhos, etc., sem qualquer interferência do pai, mesmo que discordasse das decisões da esposa.

Após quatro sessões de aconselhamento aos pais nas primeiras duas semanas de terapia, os filhos viram-se subitamente perante uma situação completamente nova. O pai remetia sistematicamente para a mãe qualquer resolução e ser tomada em relação ao convívio social, exigindo por sua vez bastante estudo e dedicação na escola e reforçando o mais pequeno apoio2sucesso escolar. A mãe incitava os filhos a estudar e controlava o seu comportamento social, elogiando-os imediatamente quando as coisas corriam ao seu gosto. Os filhos deixaram de sofrer o efeito do conflito (a quem devo agradar? como devo agradar? quando devo agradar? o que me irá acontecer se não agradar?) para poderem dar uma resposta coerente, sem angústia e com a certeza de ser bem aceite e recompensada material e/ou espiritualmente por qualquer dos progenitores, sem distinção.

Nas sessões de aconselhamento seguintes, os pais informaram que o primeiro dia tinha sido de grande tensão nervosa para os dois conseguirem não se comportar como anteriormente mas que o bom êxito obtido (reforço) desde o início, fora incentivo suficiente para se motivarem a melhorar cada vez mais a nova maneira de proceder. O reforço sucess2obtido com esta actuação fez com que uma compreensão mais profunda dos hábitos inadequados de cada um, os incitasse a mudar continuamente o comportamento no sentido de eliminar as aprendizagens alienantes anteriores. Discutiram-se os preconceitos, exercitou-se o relaxamento e fizeram-se sessões de dessensibilização para a redução de respostas automatizadas inadequadas e pouco conscientes ocasionadas por diversos estímulos do meio ambiente. Enfim, tentou racionalizar-se o comportamento, reduzindo a componente emocional através da compreensão das «causas» e não das «culpas».
Como exemplo das modificações conscientemente efectuadas pelos pais nos seus comportamentos, vejamos o que acontecia.

Antes, a Teresa costumava voltar da escola e ir brincar sem se importar com os trabalhos de casa ou com os livros. Quando a molhar2mãe lhe perguntava se completara os trabalhos da escola, a resposta imediata era de que já estavam terminados ou não havia trabalhos para fazer em casa. A mãe não se preocupava mais com o assunto e exigia a arrumação do quarto, livros, etc., além do cumprimento de horários quando Teresa saía de casa para brincar com alguma colega. Quando o pai chegava a casa e perguntava que tal tinham decorrido os estudos da Teresa, a mãe, invariavelmente, transmitia ao pai como sua, a resposta que a filha lhe dera pouco antes: não havia trabalhos por fazer ou já estavam concluídos. Os dois progenitores não se preocupavam seguidamente com os estudos da Teresa a não ser no final do trimestre ou do ano lectivo, ocasião em que discutiam abertamente acerca das vantagens e desvantagens do sucesso escolar e da preparação técnico-profissional, extremando as suas posições com opiniões discordantes.
Após algumas sessões de aconselhamento, prática educativa e leitura de literatura adequada, compreendendo a gravidade do Humanismo2efeito da dissonância cognitiva para a formação adequada e equilibrada da personalidade, os pais planearam novos esquemas de comportamento para moldar convenientemente a personalidade da filha.

Como a resposta invariável da Teresa era a de não haver trabalhos a fazer ou de já estarem concluídos, a mãe pedia-lhe que mostrasse os cadernos. A atrapalhação da Teresa era grande, mas a mãe, fingindo que não a notava, aprontava alguns exercícios para ela fazer: copiar uma linha dum texto, escrever alguns números, ler palavras, etc., após a conclusão das quais era imediatamente elogiada pelo trabalho realizado e, às vezes, informada que seria mimoseada com alguma guloseima, previamente anunciada e preparada para o final do jantar (reforços primário, secundário e diferido; antecipação do reforço). Tudo isto se concretizava antes de Teresa sair de Falhas2casa para estar durante algum tempo com as amigas (consequência do bom trabalho escolar). O cumprimento dos horários para o regresso a casa também era valorizado e reforçado.
Quando o pai chegava a casa, Teresa estava pronta para, espontaneamente (facilitação, com a ajuda da mãe), lhe mostrar os trabalhos escolares. Contudo, o pai queria saber em primeiro lugar como decorrera o dia e se os planos estabelecidos tinham sido cumpridos. Reforçando a Teresa pelo cumprimento dos horários e das obrigações, com intervenção favorável da mãe, o pai elogiava a filha pelo bom trabalho escolar que fora realizado. Teresa começou a perceber que a mãe se interessava pelos estudos ainda mais afincadamente do que o pai e que ele também se preocupava com os horários, cumprimento das normas sociais, etc. As ideias e as acções dos dois eram concordantes. Não existia divergência nas reacções que agradando a um desagradassem a outro. Ambos reagiam em consonância. A formação da personalidade era assim mais harmoniosa, adequada e equilibrada do que anteriormente, Marketing2eliminando a ansiedade ocasionada pela necessidade de resolução de conflitos, como costumava acontecer.

Todo o planeamento das acções ou respostas a dar em relação à actuação dos filhos na interacção diária com eles, era pré-planeada com o psicólogo mas esta poderia ser subitamente alterada em função da situação do momento. Para isso, os pais tinham de ler e apreender com exactidão e segurança os conceitos relacionados com a modificação do comportamento: saber o que fazer, quando e porquê.
Era muito importante:
– observar e registar os factos com objectividade e precisão;
– avaliar a situação em função de causa/efeito;
– definir os objectivos a atingir na modificação do comportamento;tecnicas1
– ter consciência dos meios ao dispor;
– planear as estratégias e as acções a desencadear;
– executar o planeamento com precisão;
– ter feedback imediato da situação global;
– analisar e replanear tudo de novo em função do feedback;
– alterar as acções em função do novo planeamento;teoria2
– reaprender com os sucessos e insucessos anteriores: (automotivação e ultrapassagem da frustração).
Foi o que os pais começaram a fazer, com gosto, logo após os primeiros quatro aconselhamentos psicológicas, continuando a lembrar-se dos benefícios obtidos, apesar da tarefa ter sido considerada fastidiosa no início.

Embora grande parte das aprendizagens pudesse ser feita por modelagem e condicionamentos clássico e operante, a aprendizagem por representação teve a sua influência decisiva no início. Quando os pais de Teresa começaram por compreender que a sua ajuda seria importante, quiseram ler bastante sobre o assunto. Também no final, a transferência das aprendizagens antigas para novas situações foi efectuada por representação e abstracção, pratica2idealizando o futuro e comparando-o com as acções do passado. Houve possibilidade de motivar os filhos a melhorar nos estudos e a ter comportamentos adequados e responsáveis. A boa interacção e coordenação de esforços mantida essencialmente para ajudar os filhos, generalizou-se a diversas outras situações, fazendo com que o comportamento dos dois cônjuges se modificasse para melhor. A aprendizagem por representação foi secundada pela aprendizagem por condicionamento clássico e operante: uma vez idealizado um comportamento, ele foi associado a um sinal e a uma situação reforçante.
Por exemplo, ficou decidido que o pai não interferiria na obediência às normas sociais, etc., tarefa que competiria à mãe. Quando o pai, sem querer, ia interferir, contestando o comportamento da mãe, um olhar dela, previamente combinado (sinal condicional), fazia lembrar ao pai o dever de não interferir (comportamento condicionado – operante). Um casos2sorriso posterior da mãe (reforçador) dava ao pai a satisfação de saber que se tinha comportado convenientemente (reforço social positivo) naquela ocasião.

Com a prática obtida na educação dos filhos, os pais conseguiram manipular de tal maneira o reforço que em menos de um ano estavam a reforçar-se mutuamente, a facilitar os comportamentos mais adequados, a moldar o comportamento um do outro e a apresentar modelos ideais a serem imitados. Os filhos começaram a melhorar nos estudos e a passar o ano sem dificuldades. A filha passou a 2ª classe e iniciou a 3ª sem apoio psicopedagógico. Teve apoio psicoterapêutico esporádico nos primeiros 6 meses de aulas. Todos se submeteram à terapia familiar durante 3 anos com sessões trimestrais de duas horas cada, em que se discutiam lógica e previsão2racionalmente os acontecimentos ocorridos nos meses anteriores.

Se os pais tivessem negado a sua participação nas sessões iniciais, quase nada se poderia ter feito em favor desta família que, apresentando somente um sintoma de mal-estar (filha com dificuldades escolares) se veria confinada a uma vida extremamente desagradável (B). O mais importante foi a acção da professora que praticamente obrigou a mãe a consultar um psicólogo e a seguir as suas indicações. Porém, se as anteriores professoras tivessem tido um comportamento semelhante, a recuperação não se teria iniciado mais cedo?
Que prejuízos houve para esta família durante esse ano? E se os pais tivessem lido anteriormente algo sobre a formação do comportamento humano e frequentado «workshops», a recuperação não se poderia ter processado mais cedo DIA-A-DIA-Cainda? Haveria necessidade de depender de conselhos ou opiniões fortuitas dos vizinhos, amigos ou quaisquer outras pessoas com possíveis ideias preconceituosas? Não poderiam ter desencadeado a primeira acção de consulta de serviços de psicologia logo que a professora fizera notar à mãe as dificuldades da Teresa no início da 2ª ou no fim da 1ª classe?

Em suma, a família que se poderia ter desunido por causa dum problema muito simples – o insucesso escolar da filha – conseguiu libertar-se das suas dificuldades com a compreensão dos meca-nismos da formação do comportamento humano e uma ligeira ajuda dos professores e dos psicólogos – em cerca de 40 horas de terapia familiar e 70 horas de apoio psicopedagógico e psicoterapêutico individual – já que o problema estava instalado (D).Biblio

O mesmo não aconteceu, 5 anos antes, com a Família REGO, com problemas, composição familiar e idades idênticas dos seus membros e com um passado e profissões dos pais muito semelhantes. Os pais não aceitaram a sua quota-parte de «culpa» e quiseram submeter unicamente a filha a «tratamento». Eles não eram malucos nem o filho tivera insucesso escolar. Durante os cinco anos seguintes à «descoberta» do problema, a filha continuou com dificuldades sem passar da 4ª classe. O rapaz voltou a perder o 7º ano, não passou do 8º e juntou-se a colegas que se drogavam. Os pais separaram-se ao fim de 3 anos de mau entendimento e constantes crises familiares. A mãe teve de se submeter a tratamento psiquiátrico. O pai não foi promovido. O filho foi internado em Centros de desintoxicação e a filha começou a frequentar um curso para auxiliar de limpeza.

AUTOTERAPIA 5
REFORÇOS POSITIVO E NEGATIVO arvore-2

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEIS

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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