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ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 9

Lendo o seu comentário, transcrito a seguir, feito no post ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 8 e, não sabendo mais nada sobre o seu caso, apenas lhe posso responder através de outro post com o mesmo título, transcrevendo um capítulo do livro JOANA, a traquina ou simplesmente criança? (D), da página 275 até à 282.

Já li este artigo e o anterior.
Também tenho pouco tempo disponível.
Mas acha que a convivência com os filhos é tão importante?
Posso ter mais alguns esclarecimentos?

O DESCANSO DO FIM-DE-SEMANA

Chegados ao apartamento, enquanto tomávamos banho eJoana nos arranjávamos para um jantar muito tardio, já passava das dez da noite. A Joana parecia não estar ainda com muito sono mas, quando acabámos de jantar o prato do dia, que era uma bela cataplana de peixe com marisco, os seus olhinhos não enganavam qualquer pessoa e muito menos a mãe. A Fernanda perguntou-lhe se queria ir dormir e a filha, para não obrigar a mãe a subir para o apartamento, disse que não. Entretanto, compreendendo a situação, a Fernanda disse ao João Manuel que tinha de ir ao apartamento. A Joana aproveitou logo para dizer que ela também ia.

Mal chegou ao quarto, contou-nos depois a Fernanda, a Joana quase que nem teve tempo de lavar os dentes e dar as boas-noites. Deitou-se no divã e ficou a dormir profundamente. A Fernanda veio ter connosco e disse ao João Manuel:

– Estamos a ter dias de intensa actividade. Amanhã depois de acordar, vamos a um supermercado aqui perto e compramos alguma coisa que se possa cozinhar no apartamento. Eu não saio a não ser para dar um passeio contigo. Se a Joana e o Maurício quiserem sair, que resolvam no momento. Tu fazes o favor de me ajudar na lavagem da louça e na preparação da comida. No tempo disponível, quero reler os vários textos de Biblioapoio que o Maurício nos emprestou. Que tal a minha ideia?

– Aceito-a de bom grado tanto mais que eu também não li coisa alguma do que te foi emprestado – disse João Manuel e acrescentou: – Agora, gostava de ouvir os fados no Bar Mistral.

Depois da sessão de fados cantados por artistas do Algarve, fomos para a cama de madrugada e a Fernanda viu que a Joana nem se tinha mexido da posição em que se deitara e disse:

– Viram como tenho razão? Amanhã é acordar à hora que cada um quiser. Depois, temos o programa já combinado.

Psicologia-BDito isto, cada um se arranjou e entrou no «vale dos lençóis».

No dia seguinte, pelas 11.00 horas, a Joana acordou bem-disposta e perguntou-me o que iríamos fazer. Respondi-lhe que a mãe gostaria de ficar no apartamento mas que nós podíamos fazer aquilo que quiséssemos. Quando lhe disse qual o programa dos pais, pediu-me para dar uma voltinha com ela só depois de regressar do supermercado. Saímos todos, tomámos um sumo de laranja e comemos bolos. Depois de ir ao supermercado para comprar umas pizzas, salsichas, ovos, manteiga, fruta, água, sumos, alguns vegetais e gelados, os pais voltaram para o apartamento enquanto fui dar uma voltinha «pela cidade» com a Joana, que ficou admirada com a quantidade de línguas diferentes que ia ouvindo.

Eu tinha conhecido a Joana, no comboio, pouco antes de completar os 7Acredita-B anos de idade e, passado um ano e pouco, a sua capacidade de observação e de compreensão tinham evoluído de maneira tão significativa que não podia ser atribuída unicamente ao avançar da idade. O ambiente em que estava inserida e, especialmente, a mudança do ambiente familiar, a confiança que tinha nos pais e a que também sentia da parte deles, juntamente com o apoio que recebia, deviam ter exercido uma influência muito grande nesta evolução positiva e benéfica para o desenvolvimento saudável da sua personalidade.

Lembrei-me, subitamente, das investigações de Scarr-Salapateck eneuropsicologia-BWeinberger (1976) e de Zajonck (1975) no domínio das funções cognitivas e motoras. Essas investigações mostram que tanto os primeiros filhos como os últimos ficam favorecidos nessas funções em relação aos outros, em virtude de terem uma interacção muito maior com os pais. Além disso, um ambiente educacional estimulante tanto pode aumentar o QI em 15 pontos na Escala de Wechsler como reduzir os défices verificados em várias áreas das funções cognitivas ou motoras. A convivência que a Joana estava a ter agora com os pais e comigo, assim como a estimulação conseguida nos últimos tempos, tinham-na tornado uma criança diferente e mais madura. Agora, podia-se ir com a Joana a Consegui-Bqualquer lado, dar-lhe indicações que seriam rigorosamente seguidas, podendo, eventualmente, haver necessidade de lhe explicar a razão das recomendações feitas. Era uma situação que, tempos atrás, era impensável.

Quando ao fim de uma hora de passeio voltámos ao apartamento, o almoço estava pronto e, enquanto almoçávamos, a Joana foi contando o que tinha visto, dizendo que eu lhe dera muitas explicações e tirara muitas dúvidas. Terminado o almoço e lavados os pratos, no que o João Manuel foi exímio, sentámo-nos na varanda donde se desfrutava a vista sobre as ruas circundantes e o mar.

Já que os pais não iam sair, a Joana também queria ficar em casa e «ler»Imagina-B um pouco os seus livros. Assim, ficou a observar mais do que a ler, nas devidas condições, fosse o que fosse. Em parte, o pai dava-lhe algum apoio para compreender algumas coisas escritas que ela queria compreender. Eu estava perto e respondia, de vez em quando, às perguntas da Fernanda que, ao ler os textos de apoio, se lembrou, de repente, de me pedir que explicasse melhor o fenómeno da depressão anaclítica e as suas consequências.

Repeti por outras palavras o que já lhe tinha dito na Praia da Luz e realcei que essa depressão se deve essencialmente à falta de afectividade e contacto com a mãe, isto é, à ausência permanente duma «mãe» que possa Interacção-B30proporcionar à criança o carinho de que ela necessita. Na identificação anaclítica, também a pessoa tenta imitar ou repetir os comportamentos que essa pessoa teria se estivesse presente. Tentei fazer uma comparação entre o sentimento de relativo «abandono», durante um ano lectivo, que um universitário tem em relação à sua família da qual nunca se separou (C) e o «abandono» (E) muito maior que uma criança de 2 anos sente, em apenas duas semanas de afastamento. O que não sentirá uma criança ainda mais pequena quando não vê a sua mãe durante dois dias?

Realcei em seguida o momento em que a criança se afeiçoa muito à mãe, isto é, mais ou menos, entre os 7 e os 9 meses, ocasião em que começa a distinguir bem as pessoas que a rodeiam (Ferguson, 1970). A ligação comSaude-B a mãe parece aumentar fortemente nesta idade, a ponto de Schaffer e Emerson terem descoberto que existe um medo exagerado de pessoas estranhas, mesmo que sejam familiares muito próximos, tais como avós e tios, com quem a criança não está habituada a conviver muito. Esta situação, continua durante mais algum tempo até cerca dos 12 ou 13 meses de idade. Depois, motivada pela curiosidade, consegue separar-se da mãe, até ao limite da visão, enquanto tenta «descobrir» novidades.

– Já compreendeu o porquê da minha opinião sobre o não afastamento entre a criança e a mãe até cerca dos dois anos de mario-70idade? – perguntei e continuei: – É a época mais crucial para o desenvolvimento da personalidade, especialmente sob o ponto de vista emocional. O afastamento da mãe durante muitas horas por dia, faz com que a criança se sinta «abandonada», aprendendo, provavelmente, no futuro, a desligar-se também dos outros e a ter um comportamento pouco afectivo. Infelizmente as nossas estruturas oficiais e laborais não ajudam na resolução ou minimização destas dificuldades, obrigando as mães a trabalhar a tempo inteiro nos seus empregos, mal passados três ou quatro meses depois do parto. S elas tivessem, por direito, a opção de trabalhar em tempo parcial e tomassem a seu cargo a boa ligação com os filhos durante mais tempo do que agora, talvez a nossa sociedade fosse mais «humanizada».Difíceis-B

A Fernanda, muito preocupada, ficou quase a cismar e exclamou de repente:

– Ainda bem que não nos afastámos quando a Joana era mais pequena, graças a Deus. Se não, não sei o que seria dela!

Foi uma tarde bem passada, que deu direito a um curto passeio pelas ruas circundantes e a um jantar preparado no apartamento com salsichas, ovos, pão, manteiga e fruta.

O dia seguinte seria passado do mesmo modo. Era domingo e talvez as praias estivessem ainda mais pejadas de gente que se via Psi-Bem-Cda varanda a regressar em fila quase ininterrupta a partir das quatro da tarde. E, a segunda-feira como seria?

A Fernanda tinha gostado imenso da Meia Praia por causa da enorme extensão de areia, pouca gente e bons toldos onde podíamos passar as horas de calor. Era isso de que ela necessitava já que não lhe convinha muito molhar-se na água do mar nem apanhar raios solares directos.

A Joana também tinha gostado do local e a areia era para ela mais agradável do que o alcatrão das ruas. Resolvemos passar o dia a tomar banhos rápidos e voltar para o toldo e descansar. O almoço, seriam umas sandes e sumo de laranja ao natural. Nada de barriga cheia. À noite, o jantar iria compensar a possível fome passada durante o dia.Organizar-B

Como os toldos não eram muito grandes, o João Manuel resolveu alugardois por dois dias. Um ficava para eles e o outro para nós, para estarmos à vontade e podermos descansar. Provavelmente, até a intenção era outra. A Fernanda estava ansiosa por ler em boas condições, os textos de apoio pelos quais apenas tinha passado um rápido golpe de vista. O João Manuel, quase nada tinha lido. Por isso, como não ia deixar a Fernanda sozinha e a Joana estava bem acompanhada, resolveu embrenhar-se na leitura que também lhe fazia falta. Eu, que me fosse divertindo com a Joana a entrar e a sair da água, ajudando-a a aprender a nadar. Eles descansariam.

neuropsicologia-BContinuei com a Joana e pouco falei com os «leitores». Mais tarde, teria de responder a muitas perguntas e explicar bastantes pontos de vista pessoais apresentados nesses textos. Os dois dias foram passados pelos pais da Joana em relativo recolhimento para a leitura dos textos, enquanto eu me divertia com a Joana que, para mim, era um meio precioso de observação do desenvolvimento da criança e das suas capacidades. No dia seguinte, quarta-feira, dia de mudança do grupo dos finlandeses, estaríamos na piscina à espera de mudar de apartamento.

Quando regressámos ao Domínio do Sol ao fim do segundo dia de descanso na Meia Praia, jantámos bem e fomos para a cama depois deDIA-A-DIA-C passar algum tempo no Bar Mistral. A Joana habituou-se a ir para a cama mais cedo, uma hora depois do jantar. Na quarta-feira, pouco antes da hora do almoço chamaram à recepção o Sr. Eng.º João Veiga. O pessoal dos quartos tinha deixado um recado de que o nosso novo apartamento já estava limpo e à nossa espera. Só queriam que mudássemos as nossas coisas ou que déssemos autorização para que o pessoal de limpeza fizesse isso. Os novos hóspedes do nosso antigo apartamento deviam estar a chegar às 17.00 e eles necessitavam de o deixar pronto.

O João Manuel e a Fernanda deixaram-nos na piscina e foram mudar as coisas para o novo apartamento. Almoçámos e a Fernanda, encantada com a vista que se desfrutava da varanda, voltou para o apartamento. Como eu também «Educar»-Bquis ir descansar um pouco, a Joana pediu para ficar na companhia duma finlandesa com quem tinha começado a brincar à beira da piscina. A mãe concordou desde que ela olhasse, de vez em quando, para a varanda do apartamento a fim de verificar se os pais lhe diziam alguma coisa. A Joana concordou.

Quando chegámos à varanda vimos que a Joana estava à espera que a mãe lhe acenasse a fim de saber para onde devia olhar. Quando viu a mãe, sorriu para ela.

A Fernanda mostrou-se imensamente satisfeita com este comportamento da filha e acenou para ela enquanto exclamava:

– Esta jovem está tão mudada!Depress-nao-B

Dei uma sonora gargalhada que deixou os pais da Joana, algum tanto surpreendidos e à espera que eu dissesse alguma coisa. Por fim, vendo que eu não dizia coisa alguma, fizeram um gesto como que a perguntar: “Então, que é que se passa?”

Perante este gesto, a minha intervenção foi:

– Com que então, ela é que mudou! Vocês já se «viram ao espelho»? Já não devem precisar do «mendigo»!

Olharam para mim espantados como que a perguntar: “Estará maluco?” e, em face disto, continuei:Psicopata-B

– Da consciência! Quando ela se portava de outra maneira vocês estavam juntos? Ela tinha a companhia dos pais? Tinha a certeza ou, pelo menos, sentia que os pais gostavam dela? Sabia o que era autoridade? Havia alguém com quem ela se pudesse «abrir»? Tinha a certeza de que não seria criticada por coisas sem importância enquanto comportamentos inadequados eram reforçados, sem querer? Alguém elogiava os bons comportamentos que ela tinha de vez em quando? Reconheceram como ela vos disse tudo isto muito claramente apenas com aquela frase que vos obrigou a dar-lhe um beijinho, muito comovido, quase em simultâneo? Ela mudou porque vocês mudaram muito e, consequentemente, obrigaram-na a reagir adequadamente à vossa mudança. Será essa a mudança dela? E agora, sabem para que serve a Psicologia?Depressão-B

Os dois estavam atónitos e silenciosos. Nada mais disseram e ficaram a olhar para a piscina e para a Joana que brincava muito satisfeita com a finlandesa, não sem olhar e acenar de vez em quando para o apartamento. Sentei-me perto deles e fiquei também a olhar para baixo como se estivesse num primeiro balcão. Muitos dos dias seguintes foram passados assim, com a Joana a brincar muito satisfeita na piscina, com as suas amigas. Já não necessitava da minha companhia porque se entendia bem com as outras crianças. A língua não era um óbice mas antes uma fonte de aprendizagem e de incentivo para a descoberta de novas formas de viver.

De repente, a Fernanda, saindo do seu imenso silêncio e «meditação», talvez provocada pela observação do desembaraço com Stress-Bque a filha se movimentava perante gente desconhecida, fez uma pergunta ainda relacionada com a depressão anaclítica:

– E no caso da morte da mãe?

– No caso da morte da mãe, especialmente antes de a criança ter cinco meses, pode existir uma mãe substituta que, nos tempos modernos, julgo que também pode ser o pai. Porque não? Nos tempos em que se fala muito na igualdade entre os dois sexos, julgo que isto é bastante admissível e até nos casos em que a mãe não tem vocação para a «maternidade», mas teve gosto ou necessidade na concepção do filho. O importante é modificar as mentalidades e a legislação necessária. E já imaginou que as deficiências aumentam quando as crianças são prematuras?psicoterapia2

Parece que esta resposta deixou a Fernanda mais sossegada porque reconheceu que a Joana, nos seus 8 anos, estava bem desenvolvida sob o ponto de vista social, emocional e de personalidade, com bastante equilíbrio nos comportamentos e no raciocínio. As normas morais e sociais estavam a ser introjectadas conjuntamente com um modelo de família que ela provavelmente poderia ter no futuro.

Os dias foram passando com os pais do Joana a ler e tentar apreender as noções expostas e eu a tentar dividir o meu tempo entre mergulhos na piscina, brincadeiras com a Joana e preparação dos trabalhos que me interessava apresentar em Cambridge.pqsp2

Mais dias passaram, durante os quais o casal aproveitou todo o tempo disponível para estar «em meditação», ficar a conversar ou passear pela sombra ou à fresquinha, enquanto eu me entretinha com a Joana ou ela comigo, divertindo-nos imenso.

Já leu os comentários?

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Ver também o post LIVROS DISPONÍVEISarvore-2

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS [http://livroseterapia.wordpress.com/]

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo) [http://psicologiaparaque.blogspot.pt/]

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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2 thoughts on “ENVOLVIMENTO FAMILIAR – 9

  1. Tenho uma filha de 8 anos que é fruto de um casamento que acabou mal, devido aos maus tratos, físicos e psicológicos, de que fui vítima. Tenho graves problemas económicos o que me faz entrar em desespero com muita frequência, pois às vezes não tenho dinheiro para comer, nem para dar à minha filha, quando me pertence ficar com ela. O pai nunca pagou o que lhe pertencia (nunca deu nada) e a situação no tribunal continua parada ao longo dos anos. Sabendo que me descontrolo com facilidade, que tenho uma autoestima muito fraca, ela continua a precionar-me, colocando-me em causa como pessoa e como mãe. A minha filha, frequentemente, agride-me, física e psicologicamente, reproduzindo os comportamentos do pai. Tanto é uma criança muito afetiva, que me dá mimos, como é agressiva e me agride. Como devo reagir, sabendo que para ela também é difícil ter vivido e viver ainda desta forma? Que livros seus me recomenda, pois tenho uma colega que os tem todos?
    Anónima

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