PSICOLOGIA PARA TODOS

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PSICOTERAPIA / MEIO AMBIENTE

PSICOTERAPIA 5(comentário) de uma anónima:Biblio

“Consultando bastantes artigos deste blogue sobre Autoterapia, Psicoterapia, Envolvimento Familiar e vários outros, parece que liga muita importância ao ambiente familiar quando só uma pessoa se encontra descompensada.
Eu não sou psicóloga mas ando por aí perto no meu Trabalho de Assistente Social, dando apoio a muitos que necessitam da minha ajuda.
Pode-me explicar qual a razão de valorizar tanto a família?
Desde já agradeço a resposta.”

Para poder responder ao comentário, vou apenas transcrever as páginas 203 a 209 do livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F) em que se apresenta o modo como determinados problemas, que parecem exclusivos duma Psicologia-Bpessoa, estão interligados a outros factores, comportamentos, situações ou pessoas. Por isso, a interacção familiar é muito importante e determinante dum bom equilíbrio psicológico.

“O «caso» dos MENDES é um exemplo disso.
João, filho do casal Mendes, foi à consulta de psicologia porque sofria de enurese nocturna. Como se pode ver na descrição deste «caso», parecia à primeira vista que este era o único mal. Porém, com o passar do tempo descobriu-se que tanto o pai como a mãe tinham dificuldades bem maiores e que, sem querer e sem se aperceberem disso, influenciavam negativamente o filho, que «respondia» a essa estimulação nociva com a enurese nocturna. Durante o dia, tudo funcionava normalmente e a retenção da urina era perfeita. Por isso, havia que tratar da criança em Joana-Bprimeiro lugar.
Feitos os exames psicológicos no início da psicoterapia, foi necessário que os pais preenchessem um gráfico semelhante ao do capítulo da Enurese apresentado anteriormente. Só as perguntas eram diferentes.
No caso do João, pediu-se ao pai que fizesse registos semanais individuais nas seguintes perguntas:
▫ Bebeu líquidos depois das 18 horas?
▫ Tinha a cama seca à meia-noite?
▫ Tinha a cama seca às 4 da madrugada?
▫ Acordou, de manhã com a cama seca?Difíceis-B
▫ Foi sempre elogiado?

Esta redução nas perguntas em relação à situação de outra criança descrita no capítulo da ENURESE, deve-se à diferença entre os casos. Com os Mendes, o psicólogo tinha quase a certeza absoluta de que as causas da enurese se situavam nos progenitores e havia que relacionar diversos resultados à medida que os problemas principais iam sendo resolvidos. Assim, o mapa que os pais tinham de preencher era o seguinte:

Perguntas e responder Dias da semana
Sab Dom
Bebeu muitos líquidos depois das 18 horas?
Tinha a cama seca à meio-noite?
Tinha a cama seca às 4 da madrugada?
Acordou de manhã com a cama seca?
Foi sempre elogiado?
Media arredondada

Este mapa foi preenchido durante cerca de 17 semanas. Todavia, logo na terceira semana começou-se aDepressão-B notar uma diferença grande nas dificuldades do João. Em vez de «molhar» a cama 15 vezes por semana como na primeira, o comportamento ficou reduzido para 13 vezes. Chegara o momento de entusiasmar a mãe a iniciar a sua própria psicoterapia já que assim, podia ajudar melhor o filho.
Logo que a mãe começou a sua psicoterapia, o psicólogo quis que ela fizesse também um gráfico de autoavaliação dos seus sintomas, como tinha acontecido com a Isilda (H). Nestas circunstâncias, era necessário discriminar, com a colaboração da própria, quais as dificuldades que sentia, ajudando-a a ter a noção da sua intensidade. Por esta razão, ao dar-lhe conhecimento da escala de avaliação de 11 pontos já descrita, ela começou a autoavaliar-se semanalmente num mapa com a seguinte configuração, em que cada linha ficou reservada para um tipo de dificuldade por ela verbalizado:

Sónia (mãe do João) Semanas
Problemas 10ª
Ansiedade
Pessimismo
Conformismo
Desentendimento c/marido
Dificuldades c/alunos
Preocupações c/filho
Necessidade de apoio da filha
Medo de ser franca e aberta
Medo de ser desapoiada pelo marido
Média (arredondada)

Todas estas dificuldades foram discriminadas pelo psicólogo em colaboração com a mãe, logo no início da psicoterapia, Psicopata-Bdevendo ela autoavaliá-las todas as semanas para ter a noção da evolução que ia sofrendo. Utilizando impressos independentes para cada semana, ela fazia a autoavaliação antes de ir para a psicoterapia, sem ver o resultado das anteriores. Antes de iniciar a psicoterapia, o psicólogo pedia-lhe que lançasse o resultado no mapa em que constavam as avaliações de todas as semanas. Assim, ela conseguia ver a evolução sofrida. Com isto, o psicólogo queria dar-lhe o reforço necessário para beneficiar dos resultados psicoterapêuticos.

Embora estes resultados não fossem de grande necessidade para o psicólogo poder visualizar o progresso feito pela paciente, a autoavaliação feita pela própria e o seu registo no mapa correspondente, dava-lhe uma capacidade de visualização destes resultados bastante óbvios para a indicação da sua melhoria. Sónia, a mãe do João, conseguiu verificar que não era o psicólogo que a achava melhor mas que ela própria dizia aquilo que sentia do mesmo modo como afirmara anteriormente, sentir-se mal com a situação que estava a viver.

O resultado obtido ao longo das primeiras dez semanas foi o seguinte:

Sónia (mãe do João) Semanas
Problemas 10ª
Ansiedade 10 10 9 8 7 7 6 5 4 3
Pessimismo 10 10 9 8 7 7 6 5 4 3
Conformismo 10 9 9 8 7 7 6 5 4 3
Desentendimento c/marido 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8
Dificuldades c/alunos 10 9 9 8 8 7 6 5 5 4
Preocupações c/filho 10 10 9 8 7 6 6 5 3 3
Necessidade de apoio da filha 10 10 9 8 7 6 6 5 4 3
Medo de ser franca e aberta 9 9 8 7 6 5 5 5 4 3
Medo de desapoio do marido 10 9 8 7 6 5 5 5 4 3
Média (arredondada) 9 9 8 7 7 6 6 5 4 3

Se este mapa fosse preenchido pelo psicólogo ou pelo próprio paciente durante as sessões de psicoterapia, o Consegui-Bnúmero destas seria muito maior. Por isso, um livro como este, com as instruções necessárias, dá bastante apoio aos que desejam fazer uma psicoterapia rápida, económica e proveitosa. Consegue-se observar claramente neste mapa que em 10 semanas de psicoterapia, a média dos sintomas que a afligiam baixou de 9 para 3. Contudo, olhando para o mapa com mais cuidado, verifica-se que se manteve inalterado o problema dos desentendimentos com o marido.

Este facto foi discutido com a Sónia e o psicólogo comprometeu-se a fazer psicoterapia com o marido, por acaso, na semana anterior àquela em que o marido mostrou desejos de fazer o exame de personalidade. O que se teria passado entre os cônjuges? O psicólogo chegou a colocar a hipótese de ter sido mais uma recusa da mulher em ter relações sexuais depois do insucesso do marido com a rapariga do café. Seria? Quereria ele «testar» a sua masculinidade? (Ver a seguir os «casos»).

Independentemente de quaisquer especulações psicanalíticas ou divinatórias, o que importava naquele Maluco2momento era realçar que a Sónia se sentia muito melhor do que anteriormente, dava as aulas com gosto, entendia-se bem com os filhos, não tinha receios da enurese do filho, mas não conseguia entender-se com o marido como ela desejava, o que era traduzido por um abaixamento de 3 pontos na sua avaliação geral. Esta passava de 9 para 6, na 7ª semana, enquanto as dificuldades de entendimento com o marido se mantinham em 8. Ela achava que o envolvimento dele na vida conjugal era fraco e pouco satisfatório. Por isso, quando soube que o psicólogo ia fazer psicoterapia com o marido ficou extremamente satisfeita. Tal como acontecera com ela, também ele iria beneficiar e talvez o relacionamento conjugal e familiar fosse melhorando com o tempo e com a colaboração dos dois.

Gilberto (pai do João) Semanas
Ansiedade 10ª
Excitação
Incapacidade de conversa c/mulher
Incapacidade de diálogo c/filhos
Necessidade de amigos desportistas
Preocupações c/filho
Medo de descontrolo pessoal
Necessidade de estruturar tudo bem
Média (arredondada)                    

Na psicoterapia com o pai do João, como o psicólogo tinha a certeza de que a dificuldade sexual de que ele neuropsicologia-Bse queixara era um sintoma sem importância, discriminou com a sua ajuda os outros sintomas de que ele se queixava. Assim, além da dificuldade sexual, não mencionada propositadamente na lista, o psicólogo quis que, durante as primeiras dez semanas, o Gilberto fizesse a autoavaliação dos itens antes mencionados.

Tal como tinha acontecido com a Sónia, Gilberto foi encoraja-do a autoavaliar-se e a registar em folha separada, todas as sema-nas, o resultado que era transferido para o seu mapa antes de iniciar a psicoterapia. Nem a Sónia nem o Gilberto conheciam os itens rela-cionados com um e com o outro. Contudo, faziam os registos que cada um apontava no seu próprio mapa.

Do mesmo modo como se tinha feito com a mulher, O Gilberto conseguiu visualizar os resultados das autoavaliações, registadas por ele próprio no mapa e verificou que a média dos sintomas descritos inicialmente tinha passado de 9 para 2 em dez semanas de psicoterapia. O mapa final do Gilberto ficou com o seguinte aspecto.

Gilberto (pai do João) Semanas
10ª
Ansiedade 9 9 9 8 7 6 5 4 3 2
Excitação 10 9 9 7 6 6 5 3 3 3
Incapacidade de conversa c/mulher 9 8 8 7 6 5 5 3 2 2
Incapacidade de diálogo c/filhos 9 8 7 7 5 5 4 3 2 2
Necessidade de amigos desportistas 10 8 6 6 3 3 4 4 3 3
Preocupações c/filho 10 7 7 4 3 3 3 3 2 2
Medo de descontrolo pessoal 10 9 8 6 3 3 3 3 2 2
Necessidade de estruturar tudo bem 10 8 6 6 4 4 4 3 2 2
Média (arredondada) 9 8 7 6 4 4 4 3 2 2

No caso que acabámos de ver, haveria qualquer coisa de es-pecial que ligasse o Gilberto aos desportistas eImagina-B ao desporto? Ele con-fessou que lhe fazia muita falta deixar de praticar desporto, ao menos uma vez por semana. Era uma prática que lhe era habitual há mais de uma dezena de anos e abandoná-la, de repente, fazia-lhe muita dife-rença. Por isso, surgiu a ideia de ele falar com a mulher e com os fi-lhos para combinar tudo o que poderiam resolver familiarmente sobre o assunto.
Como a capacidade de diálogo do Gilberto com a mulher e os filhos tinha aumentado em 7 pontos, isto é, em cerca de 70 por cento, este foi motivado a «conversar» com todos para estabelecer «um acordo». Com esta conversa, ficou resolvido que praticaria o desporto nos fins-de-semana enquanto a mulher e os filhos davam um passeio de que gostavam (ver a seguir os «casos»).
É bom recordar que este caso complicado começou por uma simples enurese que, se fosse resolvida sem Psi-Bem-Bqualquer apoio familiar podia obrigar a criança a ter outros comportamentos inadequados em substituição da enurese. Além disso, o equilíbrio familiar continuaria a ser muito instável e precário, com fortes possibilidades de se romper ao menor contratempo.”

Por isso, nunca se esqueça que o meio ambiente é muito im-portante e que nós somos o meio ambiente dos outros de mesma maneira domo os outros formam o nosso,

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