PSICOLOGIA PARA TODOS

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TRABALHO EM GRUPO

Comentário no último post:Biblio

Obrigada pela resposta dada com este artigo.
Eu vou tentar utilizar esta técnica nos grupos com que vou ter de estar a trabalhar.
Também já comecei há muito tempo a fazer o relaxamento indicado em outros artigos lendo muitos dos indicados.
Há alguma coisa mais que eu possa saber sobre os grupos?
Anónima.

Interacção-B30Para responder melhor e rapidamente à sua pergunta, muito generalizada, apenas disponho de um capítulo do livro “INTERACÇÃO SOCIAL (K) que acabei de rever e que nas suas páginas 161 a 168 diz o seguinte:

 
EFEITOS DO GRUPO NA TAREFA, MEMBROS E RENDIMENTO
 

O comportamento do grupo é em função do campo que existe no momento e do local onde funciona, sendo representado pela seguinte fórmula: C = f (P, A), que em inglês se torna: B = f (P, E).Difíceis-B
A fórmula significa que o comportamento de alguém está relacionado com as características pessoais de cada indivíduo e a situação social na qual se encontra inserido. Isto é, C=comportamento; f=função; P=personalidade; A=ambiente.

 Desenvolvimento do grupo.
Newcomb (1961) descobriu que a comunicação, a influência e as estruturas de afecto se modificam substancialmente numa residência universitária, no início do semestre académico, atingindo um patamar estável ao fim de quatro a cinco semanas. O desenvolvimento das normas de grupo e as pressões para o conformismo são fundamentais para a Psicologia-Bcompreensão do modo como os grupos actuam e influenciam os seus membros.

No processo da socialização, tal como acontece com a criança, o indivíduo aprende a ver as coisas mais importantes sob o mesmo ângulo de visão das pessoas mais significativas do seu mundo. Este prcedimento torna-se necessário para que a pessoa possa comunicar com os outros sobre assuntos importantes e obtenha aquilo que deseja. Para isso, as percepções individuais são «corrigidas» quando diferem das percepções «oficialmente» aceites, ficando o indivíduo exposto somente ao quadro de referência partilhado pelo grupo.
Assim, o indivíduo aprende a perceber o mundo de uma maneira que é partilhada pelos «outros» mais significativos à sua volta. O mesmo acontece nos grupos face-a-face. A este quadro de referência, chamamos normas que são desenvolvidas pelos grupos, nos quais se verifica:Organizar-B
1) o quadro de referência com que se vê cada coisa importante;
2) as atitudes e comportamentos «correctos» para com essa coisa;
3) os sentimentos afectivos no que respeita à «correcção» (sacralização) destas atitudes em relação à violação das normas;
4) as acções positivas e negativas através das quais o comportamento positivo é recompensado e o negativo punido.
Os grupos desenvolvem normas (partilham crenças e sentimentos) acerca de muitas coisas: adequabilidade das profissões, alimentação, bens materiais, valores básicos, relacionamento do homem para com Deus e o Universo.mario-70
Os grupos desenvolvem, às vezes, normas acerca da virtude ou inaceitabilidade das normas de outros grupos e dos seus membros, o que pode dar origem à formação de estereótipos e preconceitos que ficam subjacentes à hostilidade entre grupos e a conflitos entre os diversos grupos étnicos, religiosos, sociais, profissionais e políticos.
Sob o «ponto de vista do detentor», as normas existem para influenciar o comportamento do indivíduo na medida em que este acredita que «os mais importantes» possuem estas normas, independentente de elas existirem ou não, de facto.

Estudando os factores que afectam o desempenho da tarefa, verifica-se que quanto maior for o nível das capacidades gerais e pqsp2específicas para a mesma, maior é o nível de eficácia no seu desempenho.
Steiner e Rajaratnam (1961) dizem que as capacidades dos membros representam o limite superior do potencial de desempenho do grupo e que vários factores de funcionamento do grupo (coordenação, etc.) e outros factores isolados (força de motivação, etc.), podem reduzir o seu nível. Porém, as capacidades dos membros e a experiência na tarefa determinam o grau de sucesso, independentemente de outros factores.

O desempenho da tarefa depende também do tamanho do grupo e da natureza da tarefa. O desempenho de tarefas intelectuais ou de resolução de problemas que exija poucos erros, é melhor nos grupos em interacção do que no trabalho individual (Taylor e Faust, 1952). Como reverso da medalha, há indivíduos que desempenham melhor as tarefas manuais sozinhos do que na presença de outros.
Aproveitou-se esta característica para a implementação do brainstorming em que um grupo de seis a dez Imagina-Bpessoas se reune e utiliza as diferenças dos seus pensamentos e ideias para chegar a um denominador comum eficaz e de qualidade, gerando assim ideias inovadoras que levem o projeto adiante. Contudo, também se verificou que este método pode, às vezes, reduzir a eficácia da produtividade quando a tarefa não é criativa.
Taylor e colegas (1957) demonstraram que, nas tarefas de criatividade em que se exigem ideias originais, os grupos são inferiores a alguns indivíduos tanto na qualidade como na quantidade.

Deutsch, (1949) e Mintz, (1951), verificaram que os grupos, quando recompensados em conjunto, têm um desempenho melhor do que quando os seus membros são recompensados individualmente. Por isso, as condições de operacionalidade que favorecem a cooperação em detrimento da competição, proporcionam maior eficácia na tarefa.

Fouriezos, Hutt e Guestzkow (1950) verificaram que o desempenho da tarefa fica perturbado se os Consegui-Bmembros focarem as suas energias no preenchimento das necessidades pessoais (agressão, catarse, dependência, estatuto) mais do que na obtenção de seus objectivos.

O desempenho da tarefa é melhor quando os membros do grupo têm um conjunto de capacidades, atitudes, padrões de personalidade e ambiente compatíveis entre si e não divergentes.

Contudo, existem algumas razões para que o grupo não seja considerado superior ao indivíduo, nomeadamente:
▫ a presença de outros indivíduos pode inibir o indivíduo de apresentar novas ideias;
▫ «demasiados cozinheiros podem estragar o caldo», por interferirem no caminho uns dos outros;
▫ necessidade de coordenação devido ao «ruído» do grande número de pessoas envolvidas.neuropsicologia-B

Também o tamanho do grupo pode ser outra razão para que a produtividade do grupo seja negativamente afectada. Gibb (1951) estudou grupos dimensionados entre 1 e 96 na tarefa de resolução de problemas. Embora a grande dimensão dum grupo de 10 componentes tivesse proporcionado a resolução de 10 problemas, num grupo de 20 resolveram-se somente 15, tendo a média de produtividade por pessoa ficado diminuída com o aumento do número total dos elementos do grupo. Gibb também descobriu que o aumento do tamanho de grupo deixa os seus componentes menos livres para exprimirem as suas ideias por haver menor oportunidade do que num grupo pequeno.
Nas experimentações efectuadas por Worchel e outros (1975), a avaliação da produtividade em grupo é sobrevalorizada tanto pelos vencedores como pelos perdedores que esperam ter de continuar a competir. Contudo, essa avaliação de produtividade não é sobrevalorizada nem pelos perdedores, nem pelos Psicopata-Bvencedores que não esperam ter de voltar a competir.
Os grupos que são eficazes nas suas tarefas, têm menor interacção negativa do que os ineficazes, não se podendo dizer que a sua interacção seja maior ou menor do que a dos outros ou que tenham entre si afectos mais positivos.
Os grupos eficazes mostram, geralmente, menos afecto negativo porque exibem neutralidade de afectos. Os seus membros são menos hostis e essencialmente orientados para a tarefa tipo «nego-ciantes» e a «amizade» entre eles tem pouca importância.

Para se obterem bons resultados, a comunicação altamente centralizada proporciona melhor desempenho apenas nas tarefas de manipulação de informação simples, enquanto se torna prejudicial nas tarefas mais complexas que exigem muita troca de informação, cuja veiculação é retardada pelo próprio tipo de estrutura de comunicação (Shaw, 1954).

Leavitt (1951) verificou que nos grupos de comunicação centralizada (em cruz ou informal) cometem-seJoana-B menos erros e resolvem-  -se os problemas mais rapidamente do que em grupos de comunicação menos centralizada (círculo ou linha) os quais conseguem ter, contudo, pessoas mais satisfeitas do que nos grupos anteriores.

A fim de que exista uma mudança nas atitudes dum grupo, sabe-se que quanto maior for a discordância acerca de um assunto importante, mais comunicação existe com os membros que se afastam do consenso. Se as pressões não derem resultado, o indivíduo abandona o grupo ou é forçado a fazê-lo. Deste modo, quanto maior for a atracção do indivíduo pelo grupo, maior é a sua tendência para ceder às pressões do mesmo, assim como para se conformar com as suas normas.
A coesão, que é a atracção que o indivíduo sente pelo grupo (Collins e Raven, 1969) e que Festinger (1950) definiu como “o resultado de todas as forças que actuam sobre os seus membros para que continuem no grupo”, também afecta a sua produtividade. Os grupos de maior coesão tentam seguir mais normas e regulamentos.

Schachter e colegas (1951) definiram a força da coesão como a atracção pelo grupo e verificaram que Depressão-Bquanto maior for a atracção pelo grupo, maior é a influência deste sobre os seus membros a ponto de conseguir alterar a produtividade, porque o sucesso da tarefa depende do poder do grupo para influenciar os seus membros.

Fizeram-se várias experiências para verificar as vantagens e as desvantagens do conformismo e da alienação do indivíduo ao grupo. Os grupos tentam estabelecer normas comuns para desenvolver uma comunidade que partilhe crenças e valores acerca de coisas relevantes e essenciais para a sua continuação que é posta em risco com desvios e conflitos a serem resolvidos para a sua sobrevivência.
Nas experiências de Schachter (1951) já descritas neste livro, verificou-se a quantidade de interacção e de reacções pós-sessão dos «desviados». A comunicação para o desviado aumentou na razão directa do «tamanho» do desvio. Se o grupo não o pudesse modificar, rejeitava-o. Numa outra experiência, Back Saude-B(1951) verificou que grupos mais coesos procuram ter mais influência do que grupos menos coesos e conseguem-na.

Os conflitos que surgem no desempenho dum grupo estudado por Killian (1952), indicam que numa situação de desastre ou acidente público, os homens que não têm família no local são mais eficazes no desempenho das suas tarefas de segurança no trabalho, do que aqueles que ficam divididos entre a responsabilidade para com a empresa e a preocupação de segurança das suas famílias, factos que ocorrem muitas vezes no nosso dia-a-dia. Por que será que nos serviços arriscados se preferem pessoas sem ligações familiares?

O tamanho do grupo tem vantages e desvantagens. Steiner (1972) verificou que a coordenação e a motivação são os factores mais importantes a considerar, à medida que o tamanho do grupo aumenta. À Respostas-B30medida que o grupo aumenta, o sentimento de inibição acompanha este acréscimo e faz com que o medo de fazer má figura perante muitas pessoas reduza a participação e o comprometimento.
Para que exista uma produtividade com boa qualidade, um grupo de cinco pessoas parece ser o ideal (Hare, 1976) porque pode exsitir desempate em caso de dúvidas e não concordância, além de que a interacção a manter é muito facilitada.

Steiner (1972), estudando o rendimento que se obtém num grupo, sintetizou-o da seguinte maneira:
Tarefas disjuntivas. São de escolha dupla ou de resposta sim ou não. O resultado depende do membro mais capaz do grupo.«Educar»-B
Tarefas conjuntivas. São de combinação de sub-tarefas tais como escalar uma montanha. O resultado depende do membro menos capaz do grupo, embora a média geral de desempenho seja melhor, mas inferior ao resultado obtido pelo indivíduo mais capaz.
Tarefas aditivas. São aquelas em que as diversas tarefas individuais vão sendo somadas para se obter o resultado final. Temos como exemplo o levantar dum peso. Em conjunto, muitos indivíduos, levantam bastante mais do que um só. Contudo, a quantidade desse peso é menor do que a soma de pesos que poderia ser levantada individualmente por cada um dos componentes do grupo.
Tarefas discricionárias. São aquelas que exigem que o grupo chegue a uma decisão. Apresentam-se meios alternativos que afectam a decisão à qual é necessário chegar.

Husband (1931) verificou que a aprendizagem inicial duma tarefa consegue ser melhor individualmente do que em presença do grupo que pode funcionar como uma inibição social. Contudo, uma vez aprendida, o Maluco2desempenho dessa tarefa em presença dum grupo consegue ser melhor do que individualmente através do efeito da facilitação social (Travis, 1925). Esta constatação parece ser confirmada pela experiência de Zajonc, Heingartner e Herman (1969) efectuada com baratas inseridas num labirinto escuro subitamente iluminado.

O groupthink e o groupshift podem funcionar de maneira semelhante quando um grupo for uniforme, a coesão for grande e a sua maneira de pensar se relacionar com o conformismo.
Os sintomas mais evidentes são:
1. Por mais fortes que sejam as evidências em contrário, os membros do grupo racionalizam qualquer resistência contrária aos ideais do grupo e o seu comportamento reforça esta ideia inicial.Psi-Bem-B
2. Os membros do grupo exercem pressões nos que expressam quaisquer dúvidas momentâneas sobre os ideais do grupo e apoiam sempre as alternativas apresentadas pela maioria.
3. Os membros que têm dúvidas procuram evitar exprimir posições contrárias mantendo silêncio ou tentando minimizar a importância das suas dúvidas.
4. A unanimidade entre os membros é simbolizada pelo silêncio dos que não se expressam, chegando-se à conclusão de que quem não vota contra é porque se mostra favorável à posição da maioria.

Não será esta a ideia que se propaga com a abstenção na votação das eleições em Portugal? Qual a razão de os abstencionistas, Depress-nao-Bque depois reclamem contra tudo ou se subjugam aos outros, não irem votarem activamente com o voto riscado, como protesto contra todos, já que não existe um quadrado com um “NÃO” para significar isso?
Seria uma contribuição honesta e activa para a DEMOCRACIA real!

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3 thoughts on “TRABALHO EM GRUPO

  1. Anónima on said:

    Obrigada por este artigo. No meio desta gente que tenho de formar, há pessoas que me falaram em ter de ser vendedores. Tenho de procurar qualquer ideia sobre este assunto.

  2. Mário de Noronha on said:

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