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PSICOLOGIA NA PROMOÇÃO, PUBLICIDADE E POLÍTICA

Comentário dum anónimo no post  Governar não é «MANDAR» nem «governar-se»

Li com atenção este artigo e os comentários.
Seria possível utilizar a psicologia para uma governação decente?

Como resposta ao seu comentário acima transcrito, posso dizer que a psicologia pode ser utilizada proveitosamente na políticaBiblio
e na governação, mas o mais importante é a mudança das mentalidades, quer dos governantes quer dos governados.
Enquanto os primeiros têm de ter uma personalidade «bem formada» e uma «acção» coincidente, os segundos têm de declarar publicamente, através do voto numa democracia, quem desejam para os governar e com que políticas. A abstenção não vale e distorce todo o sentido democrático, proporcionando aos poucos que elegeram os governantes, todo um campo aberto para as suas «necessidades» e desejos.
A abstenção é um cheque em branco legalmente passado (pela maioria real?) aos governantes que podem não lhes interessar. Depois, as manifestações de nada servem a não ser para defraudar ainda mais o património nacional. O importante é uma boa educação para a democracia e um bom contributo para  escolha dos dirigentes, com uma acção fiscalizadiora posterior a fim de corrigir os desvios.

Por isso, vou transcrever a seguir o capítulo com o nome deste post, com o diálogo mantido com o meu amigo Antunes, nas Imagina-Bpáginas 95 a 106, na primeira parte do livro «Imaginação Orientada» (J):

 

PSICOLOGIA NA PROMOÇÃO,
PUBLICIDADE E POLÍTICA

Depois da minha resposta com interrogações e recomendações, o Antunes ficou calado e a meditar. Regressámos a casa. A mulher do Antunes já tinha pedido que lhe déssemos, logo que possível, algumas indicações suplementares, do mesmo modo como muitos anos antes tínhamos respondido a variadas perguntas no «Jornal de Queluz» (O). Comprometemo-nos a facultar essas indicações que ela desejava, desde que o casal Antunes seguisse os conselhos que a minha mulher lhes dera no bar da praia. Depois, que nos comunicassem o resultado de tudo, apenas ao fim dos primeiros dois meses de «trabalho».
Logo que regressarem ao Porto, a filha do Antunes foi submetida a exames psicológicos e houve a recomendação de lhe dar apoio psicopedagógico e psicoterapêutico. Dando-me conhecimento disso, o Antunes quis saber o que devia fazer com esses resultados. Perante a minha quase admiração com a maneira como estava redigido o extenso relatório (ou relambório?) de algumas folhas, com muitas informações que ele próprio tinha dado ao psicólogo e que ele leu durante quase uma hora ao telefone, o Antunes perguntou-me se não tinha algum psicólogo conhecido no Porto que desejasse recomendar. Com a minha informação de que não conhecia alguém da minha confiança, o Antunes parece que ficou suspenso das minhas palavras. Aproveitei para lhe perguntar qual a razão de ele próprio não dar apoio à filha já que tinha livros que o podiam ajudar (I) (Q), patrões que o «libertavam» do seu trabalho para dar assistência à família e inteligência de sobra.
Passados apenas dois meses, os telefonemas da mulher do Antunes para a minha mulher e a carta dele para mim, diziam que as coisas estavam a mudar em casa. A filha parecia estar mais atenta nas aulas e a mulher já era mais capaz de «dialogar» com ele. Com esta última constatação na sua carta, imaginei que, de certeza, o Antunes ainda não se estava a ver ao espelho. No serviço, o Antunes parecia menos tenso e não estava pior nem se sentia tão «pressionado» como antigamente. Até lhe parecia que o chefe o via com outros olhos. Como ele já tinha mais de 25 anos «de casa», os donos da financeira estavam a ponderar a hipótese de o deixar trabalhar em tempo reduzido para conseguir acompanhar e ajudar melhor a filha.
Pouco antes do Natal, o Antunes telefonou-me para dizer que pensava vir logo de manhãzinha à «capital do Império», passar o dia connosco e regressar a casa à noitinha. Qual o dia em que poderíamos estar disponíveis? Combinámos o sábado seguinte porque lhe interessava não faltar ao serviço, visto que os patrões lhe estavam a dar bastantes folgas. Eles já tinham compreendido que o Antunes trabalhava mais e melhor (efeito) quando estava despreocupado e satisfeito (causa) e, sendo um dos elementos principais na empresa, era o seu bem-estar que lhes interessava, porque assim «rendia» mais (N).
Quando chegou a minha casa, cerca das 10.30, mostrou-se interessado em saber de que modo se utiliza a psicologia na promoção e publicidade. Dizia ele que a empresa teria de investir nesse meio de comunicação social para poder aumentar a procura das suas ofertas. Os tempos que se avizinhavam podiam ser de crise. Por este motivo, as suas perguntas continuaram, enquanto a mulher dele explicava à minha, as vantagens que estava a ter com a mudança do comportamento dele em casa. Até a filha estava mais satisfeita e dava-se melhor com as amigas. Nesse sábado, ela estava em casa de uma amiga que fazia anos e que a convidara para a sua festinha. Se quisesse, até podia lá dormir. Depois destas informações dadas em conjunto, as perguntas do Antunes não se fizeram esperar.
– De que modo a psicologia pode influenciar a publicidade e a promoção?
– A publicidade procura estimular determinadas necessidades ou motivações que possam orientar o público visado, a querer satisfazer a vontade assim criada de possuir os produtos ou serviços correspondentes. A promoção pretende alterar a atitude dessas pessoas para a execução de comportamentos que interessam aos «promotores». Estimular alguém a gostar de um carro de determinada marca e feitio e fazer com que a pessoa visada o adquira, é o objectivo da publicidade e da promoção, que se socorrem dos conhecimentos da Psicologia Social e Experimental (K) (N) e das técnicas inerentes para alcançar esse seu objectivo. Muitos dos que utilizam as técnicas psicológicas podem até não saber o porquê daquilo que fazem. Contudo, existem mentores que os orientam na execução dos comportamentos necessários para a consecução dos objectivos.
“Estas técnicas são amplamente utilizadas em muitos sítios, assim como na guerra de guerrilha que houve nas antigas colónias. Embora os militares portugueses e os guerrilheiros nacionalistas ou independentistas não soubessem a razão por que utilizavam determinadas técnicas, bem como os mecanismos do seu funcionamento, a acção deles foi da maior importância de ambos os lados da belicosidade.
“Vemos os anúncios de carros, casas, empréstimos, electrodomésticos e outros artigos, muitas vezes, enganosos e supérfluos. Estimula-se uma pessoa a mudar de carro, envergonhando-a muitas vezes por não possuir um, melhor do que o do vizinho ou conhecido. Motiva–se a pessoa a fumar e a beber álcool e, por fim, aumentam-se as clínicas de desintoxicação e as multas por infracções devidas aos excessos. Apela-se às pessoas que mudem para uma casa nova,confortável e mais atraente. Estimula-se o crédito para atingir esse fim e, por último, «culpa-se» essa pessoa por se endividar em demasia. Por este motivo, é importante que as pessoas conheçam os mecanismos do comportamento e da interacção humana (K), compreendam o seu próprio comportamento (F) e façam as opções com racionalidade, sem se deixarem envolver e ludibriar com os anúncios que apresentam um seixo vulgar como uma pedra preciosa do mais alto valor.
“Neste sentido, vês aparecerem na televisão a toda a hora os constantes anúncios de artigos que em nada nos interessam, apresentados por pessoas com maior evidência e impacto no momento.”
– Se a psicologia funciona assim na publicidade, de que maneira funciona na política?
Sem qualquer alienação partidária e fortemente descontente com o que se passa na governação, parecia que me tinham dado uma forte alfinetada e reagi quase instintivamente. Seria inteligência emo-cional? Parecia que tinha deixado de ser psicólogo para me transformar num cidadão amargurado e descrente, dum «rectângulo» à beira–mar plantado, que nunca mais se endireita. Desabafei:
– Não me faças rir com uma pergunta tão ingénua. Ainda não compreendeste que a maioria dos políticos tem consigo uma legião de acólitos e seguidores que os bajulam e os fazem chegar ao lugar que «desejam ocupar»? Desconheces que nenhum político diz a «verdade»? Nas campanhas eleitorais, todos dizem aquilo que o eleitorado quer ouvir. E o que o eleitorado deseja ouvir são as vantagens que irá legitimamente ter no futuro com a eleição e a governação desses indivíduos! Esta posição dos eleitores é humana e lícita porque, em democracia, é através dos políticos e, especialmente do seu político, que eles devem fazer ouvir a sua voz, manifestar os seus desejos e conseguir o projecto político almejado.
– E qual é o mal que vês nisso?
– É muito simples. Esses políticos vão sempre tentar saber antecipadamente aquilo que os eleitores preferem e gostariam que os políticos fizessem, no caso de eles serem eleitos. É exactamente isso que eles vão dizer, fazendo crer a um número cada vez maior de possíveis eleitores o que irá acontecer, hipoteticamente, logo após a sua eleição. Mesmo os que estão no poder dizem que tudo vai ser melhor no futuro sem explicar a razão por que ainda não o foi durante a sua governação. Porém, depois de chegar ao «poleiro» acompanhados do séquito de seguidores, apoiantes e arrivistas, esses políticos preocupam-se em consolidar a sua posição e «manter o tacho» durante a maior quantidade de tempo possível, «esquecendo-se» (?) do que prometeram aos eleitores no decurso da sua campanha eleitoral e tentando arranjar justificações para o incumprimento das promessas. Todos, invariavelmente, afirmam que a culpa é sempre dos antecessores e dos opositores. Além disso, é triste ver o espectáculo degradante em que todos eles se insultam da maneira mais mesquinha e ordinária, em vez de se preocuparem em apresentar os seus planos, pontos de vista, conceitos e propostas de melhoria da vida da população. Com este espectáculo, quais os modelos que oferecem aos seus eleitores?
– De que modo pensas que devem agir?
– Se não fôr com honestidade, pelo menos do modo como se faz numa publicidade não muito enganosa. Viste alguma marca de carro anunciar coisas impossíveis e falar mal da outra? Se assim fosse, despertariam a atenção dos compradores para essa marca. Por isso, apresentam sempre as vantagens, muitas vezes exageradas, dos seus próprios veículos. Se não, poucos produtos novos e melhores se introduziriam no mercado, embora mais dispendiosos. Mas, os compradores, também têm de achar que valeu a pena adquirir um certo produto, do mesmo modo como os eleitores deverão sentir que valeu a pena votar no «seu» político, para que a abstenção não possa assentar arraiais definitivamente. É assim que se modifica a atitude do eleitor, favorável e saudavelmente em relação a um partido. Porém, não é isso que acontece, porque os políticos – futuros governantes que até poderão funcionar por «quotas» – agarrados ao tacho, vão-no esvaziando até ao fundo enquanto mais alguém não o «surripia» ou não arranjam outro melhor, sempre «para o bem do povo» e nunca por seu interesse pessoal. São uns eternos sacrificados pelo bem comum! Logo que se encontram no poder, aproveitam-se da oportunidade para distribuir benesses por muitos «boys» e «girls» que servirão, provavelmente, para os apoiar ou lhes garantir um futuro «emprego» quando outro partido lhes surripiar o «tacho». Precisas de exemplos?
“Todos eles se apresentam como «incorruptos». Contudo, o tráfico de influências, o nepotismo e o compadrio não faltam. Muitos se enganam ao fazer as declarações do IRS, outros esquecem-se de mencionar todos os proventos pecuniários (que, às vezes, até nem são deles, mas dos familiares que vivem em outros países). Ainda outros vão, de vez em quando, fazer trabalho suplementar e extraordinário onde existem «offshores». Alguns «não se lembram daquilo que esqueceram». Outros, nem têm bens em seu nome! Dizem peremptoriamente que existe uma distância bem definida entre o futebol e a política, mas não existe político que se preze que não fale em futebol e em termos futebolísticos, até nas campanhas eleitorais. Cartões amarelos e dourados, apitos dourados e «Força Portugal» são a demonstração disso. Como pode um indivíduo honesto acreditar que será governado por pessoas sérias e dedicadas à causa comum? Como pode um cidadão não entrar em dissonância cognitiva (K) com tanta informação apresentada como honesta, com intensidade cada vez maior e acções contraditórias? Gostarias de comprar um carro novo «bem anunciado» e ter de o entregar ao mecânico para reparações urgentes na semana seguinte? E se o tivesses de levar ao mecânico constantemente?”
– Achas o «panorama» tão mau?
– Há bem pouco tempo ouvia-se dizer que Portugal nunca aprovaria um transporte de alta velocidade enquanto houvesse serviços de saúde deficitários com doentes em lista de espera. Presentemente (2000), com listas de espera talvez menos extensas porque devidamente camufladas, anunciam-se os comboios de alta velocidade à vontade … dos Espanhóis. Futuramente, em outras eleições os portugueses terão de votar em alguém. Em quem? (K) Naquele em quem confiam ou em algum de quem desconfiam menos? É geralmente um conflito a resolver entre duas opções negativas: a bolsa ou a vida! Os vendedores de quimeras e os dos apartamentos de «time-sharing» não se portam tão mal!
“Também, enquanto os políticos e futuros governantes falarem estupidamente em vitórias e derrotas dos seus partidos políticos, em vez de valorizarem a vontade do povo ou dos eleitores, não é de admirar que, por enquanto, a abstenção seja o maior partido político. Tentar enganar-nos com a argumentação de que as campanhas foram curtas ou interrompidas por factores estranhos e inesperados é outro estratagema bastante em voga. O que falta, como alguns aventam, é existir um quadradinho em que se possa votar, dizendo que nenhum dos candidatos interessa. O que não presta são os políticos. Embora possa ser a ideia dos abstencionistas, tem de ser expressa com um NÃO.”
– Estás tão desiludido?
– A que beco escuro nos conduziram as políticas seguidas desde 1974, falando mal de Salazar, que já era mau? A instrução, a educação e a investigação foram preteridas em detrimento de uma certa economia com que «alguns» empresários se banqueteiam. A aquisição de equipamentos e serviços, a construção civil desordenada e as obras públicas dão vantagens a certos grupos de empresários, com adjudicações por ajuste directo, em detrimento de uma política de desenvolvimento necessária no turismo, agricultura, pescas e produtos regionais, ocasionando quase uma involução. A saúde, a instrução e a segurança social foram menosprezadas face à ganância de certo tipo de empresários e falsários. Estamos a ficar cada vez mais no fim da «cauda da Europa», mas com uma percentagem cada vez maior, tanto de milionários como de indigentes. O que é que isso quer dizer em termos de psicologia e sociologia política?
“Nos tempos de Salazar também prosperaram alguns banqueiros e industriais que não foram tão gananciosos como os actuais, mas quando houve gente colaborante como Ruy Luís Gomes, Humberto Delgado, Henrique Galvão, Norton de Matos, Armindo Monteiro e muitos outros que poderiam dar um contributo válido mudando o regime, foram perseguidos ou ostracizados. Voltará a acontecer o mesmo? O que quer significar a «morte?» de Sá Carneiro? Que mistérios haverá por desvendar e quantos estarão a ser devidamente «escondidos»?
“Os portugueses têm memória fraca e curta, além de muita vontade de confiar nos seus «santinhos» para que lhes valham nas horas de aflição. Porém, isto não chega para «encher a barriga» dos familiares. Os portugueses, embora não sejam «burros», «amocham». Estamos a ser constantemente iludidos no início e defraudados no fim de qualquer eleição. Aguentando este tipo de governação, ou entraremos em depressão aprendida ou reagiremos à frustração com uma resposta que não posso prever. Com estes políticos «de…» que se preocupam mais consigo próprios do que com a causa pública, ninguém se pode admirar que a população «vá aguentando» até um determinado momento em que «a tampa pode saltar». Já aconteceu há quase vinte cinco anos mas parece que não serviu de coisa alguma neste país de brandos costumes, especialmente a partir de 2 de Maio de 1974!
– Como também não os podemos «descarregar pela sanita» e estamos num contexto europeu e mundial, o que fazemos agora?
– É difícil emendar os erros cometidos, mas isto não quer dizer que se deva governar com mentiras e fantasias. A segurança pessoal e a nacional, têm de ser garantidas, a educação ou a instrução exige remodelações profundas, a industrialização e a produtividade nacional têm de aumentar, o apoio social é imprescindível e só depois de termos estas melhorias para TODOS podemos dar-nos ao luxo de obter outras benesses. Em que é que se gastam os fortíssimos impostos que pagamos? Não haverá despesas exageradas das quais os governantes não nos dão conta? Não existirão «subsídios» ou «abonos» para muita gente que tem dinheiro a abarrotar? O que são esses cartões de crédito e outras benesses de que certos dirigentes beneficiam? Para que se dão os prémios de desempenho só aos gestores, se são tão funcionários como os outros que põem a máquina a trabalhar? Porque se nomeiam gestores sem concurso público? Qual a razão de se adjudicarem obras vultosas por ajuste directo? Para onde vão os fundos que vêm da CEE? E as parcerias publico-privadas? Tudo isto é muito suspeito porque os impostos que pagamos, bem orientados, chegam para muito, como acontece na Suécia. «Nos tempos antigos», para a maioria da população, com muitíssimo menos impostos, a vida não era pior do que agora. Quando uma população carenciada exige vestuário, é melhor dar-lhe roupa interior e agasalhos, em vez de gravatas e cachecóis a alguns «escolhidos». O essencial é gastar menos com coisas supérfluas do que com aquilo que faz mais falta. Preocupemo-nos primeiro com o essencial e depois com o acessório.
– Mas isso não acontece também muitas vezes noutros países?
– Eu sei disso. Os outros países já mudaram há mais tempo porque tiveram governantes mais eficazes ou, seguramente, menos ineficazes do que os nossos. Mas, às vezes, esses países podem dar-se ao luxo de desperdiçar muita coisa porque são economicamente mais fortes e, às vezes, os «donos do mundo». Isto não quer dizer que tenhamos de os imitar ou de nos submeter servilmente aos desejos dos todo-poderosos. Como sabemos, G. W. Bush atacou o Iraque apenas por causa das armas de destruição maciça que nunca encontrou, embora os seus serviços secretos garantissem que sabiam da sua existência. Também Saddam Hussein passou a ser considerado ditador de um dia para o outro, apesar de anos antes ter sido aliado dos EUA, do mesmo modo que Bin Laden. Apesar de tudo isto, a imagem de G. W. Bush está a ser «devidamente tratada» por especialistas muito conceituados e dispendiosos a fim de que o público dos EUA o reeleja como Presidente. São factos destes, públicos e notórios, que deixam a psicologia nas mãos de quem manipula as suas técnicas, não para o proveito da humanidade mas sim para satisfazer a ganância de uns poucos em desfavor de muitos. Os nossos governantes não sabem disso? Que interesses os movem? Infelizmente, é assim. Por isso, se as pessoas vulgares não conhecerem também os mecanismos que impulsionam as suas condutas, não poderão reagir adequadamente para ter dias melhores. É importante que sejamos «políticos esclarecidos» embora não pertencendo a qualquer partido. A nossa «intervenção» é imprescindível, nem que seja para dizer um NÃO nas eleições e fiscalizar depois as acções governativas. O desconhecimento de tudo isto pode ajudar a que o mundo nunca mais melhore, pelo menos neste cantinho à beira-mar plantado, ficando cada vez mais nas mãos dos burlões e vigaristas que vão abundando a todo o momento (K).
No fim, com esta minha acaloradíssima intervenção de não-psicólogo que me deixou quase exausto, o Antunes, com os olhos esbugalhados, deu um suspiro de alívio e ficou pensativo. Olhando para o céu, apenas exclamou:
Nunca te tinha visto assim! Parece que achas que a Psicologia está a ser aplicada mais em fins perversos do que na óptima utilização que se pode fazer da mesma! Não falaste como psicólogo mas como um cidadão revoltado, amargurado e descrente. Afinal, em cada resposta, desabafaste mais do que me fizeste ver que eu tinha falado na minha primeira intervenção antes de te perguntar: “Afinal, vou ou não vou? ”
Concordei plenamente com ele e apenas lhe disse que eu, além de psicólogo, também sou cidadão português à espera, desde 1974, que o País se desenvolva de maneira equilibrada e democrática, sem continuar nas mãos de alguns prepotentes, como tinha acontecido nas décadas anteriores. Disse-lhe que também tenho o «direito à indignação», bem como ao «alívio da minha ansiedade» → ver post (???).
Sabendo que, antigamente, a Psicologia tinha sido inviabilizada nas Universidades por causa das suas prováveis implicações na vida social democrática (?), custava-me aceitar a sua não utilização em benefício da população, porque é para isso que ela deve servir. O meu intuito de divulgar os conceitos psicológicos em linguagem simples, tem em mente a possibilidade de que mais pessoas sem instrução muito avançada possam usufruir destes conhecimentos, essenciais a qualquer ser humano que se considere «civilizado». A minha intenção é ajudar as pessoas a não se deixarem manipular nem pelos «fazedores de opinião», nem pelas contrariedades que assolam qualquer pessoa nos tempos actuais, pretensamente democráticos.

(ver agora os blogs: [psicologiaparaque.wordpress.com],
[livroseterapia.wordpress.com] e, no facebook,
[https://www.facebook.com/centrode.psicologiaclinica.3]).
Bastam as catástrofes naturais.”

O Antunes gostou da explicação que acabara de lhe dar e disse–me que também estava desiludido com a política. Disse que a sua explicação política era outra e ficava indignado com o modo como alguns dirigentes se aproveitam do lugar para o qual foram eleitos, às vezes, por uma minoria do povo, para logo de seguida prejudicar todos, assumindo ares de arrogância como se estivessem a fazer um grande favor em desempenhar o cargo. E depois, desabafou também:
– Deves saber que há bem pouco tempo até um autarca do Norte «mandou à merda» agentes da polícia que lhe detectaram uma infracção! Quando o caso chegar a Tribunal, garanto-te que a Justiça é capaz de não «encontrar provas» contra esse dirigente porque ele, de facto, não conseguiu descarregar os agentes pela sanita abaixo. Se os factos ocorressem ao contrário, só a intenção de os agentes mandarem o autarca pela sanita abaixo seria mais do que o necessário para a Justiça e a Disciplina os incriminarem e castigarem, com provas mais do que suficientes. Bonitas moldagens, modelagens, estímulos e reforços que são dados por esses «políticos» para que as «autoridades» de escalão inferior fiquem «domesticadas», desiludidas e corruptas ou conformadas. A população honesta vai ficando cada vez mais desejosa de poder correr com esses políticos dos cargos que ocupam. A mudança de atitude e de comportamento dos subalternos pode trazer-lhes reforço negativo, enquanto a ganância e o enriquecimento ilícito provocam-lhes, seguramente, reforço positivo aleatório.
“Estes politiqueiros de pacotilha, fabricados no caldeirão dos oportunismos, não são aquilo de que necessitamos. Precisamos de gente de bem. E, para a «fabricar», temos de nos «sacrificar» educando os filhos como deve ser (D). A melhor prevenção que podemos fazer, é com a «educação», «instrução» e «exemplo familiar».”
Ficando admirado com a análise sócio-político-psicológica sintética que o Antunes acabava de apresentar, exclamei:

– Afinal, já sabes muita coisa, que utilizas com precisão e rigor científico! – respondi muito admirado, mas ele continuou:
– O que julgas que andei a fazer a partir das férias? Já tenho conseguido redução no tempo do serviço na financeira e momentos livres para poder ler sofregamente todos os livros recomendados e muitos outros, enquanto não tenho necessidade de ajudar a filha. Com o alívio que a minha mulher tem quanto às dificuldades escolares da filha, que são reduzidas por mim na reeducação, ela sente-se mais tranquila e satisfeita e, quando vê que o rendimento escolar aumenta, fica entusiasmada e mais bem-disposta. Com isso, tanto a filha como eu começamos a tirar reforço da situação de eu ser um factor de melhoria no rendimento escolar e convivência familiar. Assim, de reforço em reforço que, por sua vez, funciona como incentivo ou estímulo para mais comportamentos semelhantes, funcionando como reforço aleatório, as coisas vão melhorando substancialmente tanto em casa como na escola. A professora também se mostra satisfeita com a nossa filha e admirada com a sua inesperada colaboração e muito entusiasmo nas tarefas escolares. É um efeito dominó.
Entretanto, reparámos que as nossas duas mulheres conversavam animadamente sobre alguns problemas entre pais e filhos e as dificuldades que inúmeras crianças revelam.
Enquanto eu tomava atenção à conversa das duas senhoras, o Antunes ficou a vasculhar os meus papéis e viu o esboço do “DESEQUILÍBRIO PSICOLÓGICO? A autoterapia possível” (B), bem como da nova versão de “DEPRESSÃO? Não Obrigado!”, a ser publicada agora com o título “COMBATA OU EVITE A DEPRESSÃO” (H). Descobriu também que eu estava a consultar alguns livros de Caplan, Breggin, Glenmullen, Pagliaro e Goleman, sobre os malefícios das drogas psiquiátricas e inteligência emocional. Pegou também num exemplar da minha tese sobre a Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) e, com o pretexto de que eu não poderia refundir o original sobre a depressão e preparar coisa alguma sobre autoterapia enquanto me concentrava na leitura de outros livros, levou também as cópias dos originais com a promessa de que as devolveria logo que eu actualizasse devidamente e lhe mandasse as «consultas ou perguntas» solicitadas pela mulher (O).
Antes de lanchar para se irem embora para o Porto, o Antunes quis experimentar fazer os relaxamentos muscular e mental, para que eu observasse e lhe pudesse dizer se alguma coisa corria mal ou estava irregular (P).
Gostei imenso da maneira como o Antunes estava a ensaiar as duas vertentes do relaxamento e pareceu-me que já praticara isso antes. Disse-lhe que podia continuar assim, sempre que quisesse. Isto até o poderia ajudar a melhorar o seu desempenho profissional (N).

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One thought on “PSICOLOGIA NA PROMOÇÃO, PUBLICIDADE E POLÍTICA

  1. Mário de Noronha on said:

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