PSICOLOGIA PARA TODOS

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CONFORMISMO – 2

Quando ontem um comentador me solicitou que eu dissesse, em relação ao conformismo, «Qual é a definição própria» Interacção-B30dei uma resposta rápida porque não me preocupo com as definições, mas sim com os conceitos que esses termos significam e, quando possível, com as experimentações, evidências ou provas que suportam esse conceito. Em Psicologia e especialmente em Psicoterapia, temos de compreender o significado profundo desses termos e saber de que modo os poderemos utilizar a favor do paciente, utente, cliente ou interessado.

Quando fui deitar-me e entrei em Imaginação Orientada (IO) (J), passaram pela minha cabeça várias ideias, lembrando-me especialmente do caso do Joel (G) e das aulas de Comportamento Organizacional, no ISMAT, para as quais tinha preparado o texto que mereceu o comentário. Lembrei-me também do Dicionário de Psicologia, das Publicações Dom Quixote, que tinha traduzido em 1981, bem como das consequências nefastas a que nos podemos sujeitarImagina-B
quando temos de entrar em conformismo.

Essas ideias incentivaram-me a escrever este post para que mais pessoas não se limitem às definições que podem ser mal compreendidas e pior utilizadas. Interessa saber o conceito do termo, qual a sua utilidade e de que modo o poderemos utilizar a nosso favor.

Por este motivo, quando me levantei, fui reler o post sobre conformismo e ver no dicionário referido que «Comention», de R. B, Catell, significa dimensão da personalidade caracterizada pela conformidade a padrões culturais, aceitação da autoridade e, frequentemente, repressão.Biblio

Porém, Worchel, S. e Cooper, J. (1979), no seu livro «Understanding Social Psychology», editado pela The Dorsey Press, dizem que a «Conformity» é uma mudança de comportamento ou crença para com um grupo como resultado duma pressão de grupo real ou imaginária.

Como apenas as definições não me trazem qualquer vantagem para a ajuda que possa dar em psicoterapia, vou mencionar um «caso» em que a apreensão deste conceito me ajudou a compreender uma situação e ajudar o paciente, que também leu muita coisa além de praticar, em parte, o necessário que se indica no livro para a mario-70
autoterapia
(P).

É exactamente por isso que estou a trabalhar afincadamente na colecção da BIBLIOTERAPIA, a fim de poder ajudar as pessoas de forma económica, prática, imediata, cómoda e até autónoma, quase à hora de dormir ou até durante o sono. Desde que haja disponibilidade para a leitura e prática de alguns exercícios simples, com procedimentos que se podem fazer durante uma hora por dia em cerca de um mês de prática inicial, «gastam-se» depois apenas 3 a 5 minutos antes de dormir, para que tudo possa ocorrer durante o sono e mesmo depois de acordado.

Falando especificamente no Joel (G), era filho de pais separados, foi educado por uma avó, que o internou num colégio donde Psicopata-B
saía só nas férias. Não tinha amigos, a não ser um cão que brincava com ele no pátio de recreio do internato. Durante os poucos tempos que passava em casa da avó, ouvia ela dizer às suas amigas que todas as pessoas de família se deviam dar bem e estar em casa. A propósito disso, a pergunta que lhe surgia na mente era: “qual a razão de ele não ter a «sua» família”.

A mãe casara-se com outra pessoa, tinha mais dois filhos e o pai era-lhe desconhecido, nunca tendo sido possível visitá-lo, antes de voltar da guerra, no lar onde fôra internado por ser epiléptico.
Nos estudos, pouco avançou, até ao 6º ano, por «ser fraco de cabeça» e conseguiu depois um emprego como paquete.Consegui-B
Perante todos estes factos e ideias que necessitava de interiorizar, mesmo sem a sua total compreensão e concordância, Joel tinha de se conformar com tudo isso, embora entrasse em frustração e ficasse revoltado, sem nada poder fazer a seu favor. A continuação desta situação podia leva-lo a entrar em depressão aprendida. Contudo, isto levou-o temporariamente e uma espécie de conformismo.

Como no apartamento fronteiro ao da avó vivia uma viúva, com um filho já adulto, ela tinha adoptado uma menina, filha de pais incógnitos, que a ajudava nos afazeres diários. Joel e ela afeiçoaram-se e mantiveram um relacionamento bastante próximo. Praticamente, ambos não tinham pais. Como se considerava muito feio, porque era muito Acredita-B
baixo, atarracado e usava óculos de graduação elevada e ela era uma jovem muito jeitosa e bastante cortejada, os ciúmes do Joel iam aumentando de dia para dia. Contudo, essa jovem era a única pessoa que lhe ligava importância e se preocupava com ele.

Quando chegou o momento do serviço militar obrigatório, foi enviado para o Ultramar onde, apesar de não ter muitos amigos, recebeu uma carta dum, que dizia que a jovem estava a ser muito cortejada e que alguém lhe tinha pedido namoro, que ela recusara.
Na guerra, deu-se bem com os companheiros e aprendeu novos conceitos de vida muito diferentes dos que interiorizara na casa da avó e, especialmente, no colégio interno. Sabia, por experiência própria, com a aprendizagem tino no  exército, que não Maluco2podia dar trégua ao inimigo e que devia atacar antes de ser atacado: era uma questão de sobrevivência.

Quando regressou, o namoro continuou e ele conseguiu trabalhar numa empresa de transportes, como paquete e auxiliar, enquanto ela trabalhava como ajudante duma cabeleireira. O namoro continuou, mas os que cortejavam a jovem começaram a aumentar a ponto de Joel ficar cada vez mais ciumento e quase «irracional» em relação aos que, de vez em quando, lhe dirigiam alguns piropos, ficando muito desagradado por não ter força para os pode confrontar pessoalmente.
Como se sentia muito revoltado com tudo isso e estávamos num período «pós 25 de Abril», o surgimento de um novo partido
político muito aguerrido, deu-lhe oportunidade se filiar nele e, nas manifestações, expressar a sua raiva pelo sentimento Psicologia-Bde inferioridade que sentia. Metia-se no meio da multidão onde havia mais barulho e o seu comportamento eram actos de violência, tal como acontecia nos jogos de futebol onde se preocupava mais em dar caneladas nos adversários com quem jogava, do que pontapés na bola. Afinal, os seus sentimentos de inferioridade começavam a sentir algum alívio temporário perante o reforço do comportamento incompatível sentido com a força que demonstrava em relação aos outros.

Se com os outros ele podia mostrar a sua superioridade, qual a razão de não a poder mostrar perante a jovem que já era a sua noiva? Em três episódios em que viu que os outros prestavam muita atenção à jovem, embora ela não a Depressão-Bretribuísse, cometeu actos de violência num dos quais a ia deixando cair para fora do comboio em andamento, numa viagem ao Norte do Pais.
Um segundo acto de violência foi o de tentar empurra-la para debaixo de outro comboio em andamento junto da estação de Santos, da linha de Cais do Sodré.
Num terceiro acto, que foi desastroso, ele tentou apertar-lhe o pescoço, no vão da escada dum prédio, quase sem ninguém lá dentro.
Quando viu que ela estava quase a desmaiar, também ele desmaiou. Foram vistos por populares que passavam nas redondezas  e levados imediatamente ao Hospital pelos bombeiros.Joana-B
Por causa disso, ficou internado com o diagnóstico provisório de Psicopata e ela, depois de «tratada», foi para casa.

Tudo isto vem a talho de foice para realçar que uma simples situação de conformismo pode conduzir a vários episódios desagradáveis, perigosos e, eventualmente, criminosos.
Depois de ter sido diagnosticado, provisoriamente, pelo psiquiatra, como Psicopata, passou a ter apoio medicamentoso e Difíceis-Bpsicoterapêutico e foi apoiado em psicoterapia com a técnica de Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), durante bastante tempo até que, depois da alta, teve de ir trabalhar, quase sem dispensa para as sessões de psicoterapia.

Importa realçar que, durante a psicoterapia, o Joel foi relembrando a sua infância, o abandono a que ficou votado, a falta de família, a dissonância cognitiva entre a realidade e os conceitos familiares da avó, entre a realidade apreendida na guerra de Moçambique e os ensinamentos «armazenados» durante o internamento no colégio, bem como entre a falha na «educação» e o apoio adequado e necessário durante a sua infância e adolescência. Relembrou a origem dos seus sentimentos de inferioridade, a necessidade de se mostrar ciumento, a sua Psi-Bem-Cirracionalidade e a emocionalidade dos comportamentos de «ataque» à noiva, quase a querer dizer-lhe tacitamente “Não fujas de mim!”

Passado algum tempo, depois de ter melhorado substancialmente, soube que a «sua noiva» tinha emigrado subitamente por indicação do psiquiatra, «para não ser morta pelo Joel».

O seu caso foi apresentado, 3 anos depois, no 1º Congresso de Psicologia, em 1979. Assistindo ao mesmo, por vontade sua, anonimamente e muito bem vestido, sentado entre duas psicólogas, «não as estrangulou…» apesar de elas terem feito reparos inadequados e disparatados acerca deste caso, quase ofensivos para ele. Muito calmamente, concordou com elas.neuropsicologia-B
Apesar de achar que os seus actos não tinham sido adequados, concordou que um dos factores importantes para o seu comportamento tinha sido a deficiência de educação e do seu ambiente familiar, social e escolar, tal como o psicólogo estava a apresentar.
Rescindindo pouco depois o contrato com a empresa onde trabalhava e tendo conseguido montar, sozinho, uma pequena actividade empresarial, encontrou o psicólogo que o ajudara inicialmente na psicoterapia e perguntou-lhe, muito admirado: Psicopata! Eu?

E tinha toda a razão mas, nessa ocasião, já tinha lido muita coisa sobre a Psicologia, Psicopatologia e Psicoterapia que o Respostas-B30psicólogo lhe fornecera em apontamentos policopiados.

Toda a actuação do Joel na sua própria psicoterapia e prevenção, depois de ele ter consultado muitos anos mais tarde o blog [psicologiaparaque.wordpress.com], levou-o a solicitar ao psicólogo que incluísse no final do «seu» livro uma LISTA DE PROCEDIMENTOS que pudesse ajudar outras pessoas em dificuldade a promover uma profilaxia ou até uma psicoterapia por iniciativa própria e pouca ajuda de especialistas.

Em divulgação…

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One thought on “CONFORMISMO – 2

  1. Mário de Noronha on said:

    Posso dizer que, falando em termos psicológicos e em política não partidária, os tempos de Salazar, com as suas restrições transformadas em proibições e, posteriormente, em quase perseguições, deixaram-nos numa frustração tão grande que ocasionou a maior parte da população em conformistas.
    Com o «25 de Abril» a esperança começou a renascer e o conformismo ficou reduzido, notando-se isso na redução da abstenção para as eleições. Mas, pouco tempo durou esse entusiasmo e, com tudo o que se passou a seguir, quase numa escalada de desmandos, desde a «revolução dos cravos», foi deixando as pessoas frustradas nas suas expectativas de melhoria.
    A população começou a ficar cada vez mais desencorajada e a frustração começou a aumentar ajudando a pessoas a conformarem-se com uma espécie de «sorte» inevitável.
    Por isso, com o aumento de descrédito cada vez maior da classe política, a partir dos níveis mais altos, o conformismo começou a alastrar-se e a fixar-se no abstencionismo.
    Sem pensar que numa democracia, TODOS têm de participar, nem que seja para mostrar o seu desagrado, a abstenção atingiu os mais altos níveis.
    O que seria se os boletins de voto tivessem um quadrado para um simples «NÃO» que pudesse indicar que o eleitor não concorda com qualquer dos candidatos?
    Como não existe esse quadradinho para o NÃO, julgo que, em vez da abstenção, um risco ou uma cruz no boletim de voto pode demonstrar democraticamente esse desagrado, porque o voto em branco pode indicar que o eleitor não se preocupa em escolher e deixa tudo nas mãos dos outros.
    Enquanto continuarmos no conformismo e a aceitar tudo o que acontece, porque não temos candidatos a políticos com estatuto suficiente para pessoas de bem, este belo jardim à beira-mar plantado nunca mais se vai endireitar. O que será dos nossos filhos e netos? Que herança lhes vamos deixar? A educação, baseada em bons exemplos é fundamental, porque a modelagem, a identificação e a moldagem são extremamente importantes.
    É também por isso que estou trabalhar da colecção de BIBLIOTERAPIA e no blog «PSICOLOGIA PARA TODOS».
    Comparando mais especificamente a política actual com a antiga, podemos verificar perfeitamente que o conformismo era ocasionado pelas medidas repressivas e censura da comunicação social. Presentemente, é verdade que não existe censura no verdadeiro sentido do termo, mas todos os «mídia» estão condicionados pelos partidos políticos ou, essencialmente, pelos grupos financeiros que orientam as opiniões e os alinhamentos políticos. Basta ver os «opinadeiros», «comentadeiros», «especialistas» que são escolhidos para aparecer nas televisões. Escolhem-se aqueles que são mais a favor do interessado, tal como fazem os laboratórios farmacêuticos com a promoção das suas mézinhas, como a calcitrim e a libidium.
    É uma óptima forma de pressão, suave e persistente que «vai entrando» facilmente nas mentes dos menos precavidos.
    Já tivemos, recentemente, exemplo disso, até nos mais altos cargos goernativos e partidários.
    Enfim, “
    é a vida“, como diria o outro «candidato».
    Contudo, quem tem de abrir os olhos e as mentes é o Zé Povinho para não continuar na cepa torta por mais um século.

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