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Archive for the month “Abril, 2016”

RESPOSTA 46

Ontem, quando passava habitualmente pelo café, o jovem que falara comigo no princípio do mês e que dizia estar a trabalhar Bibliocom esquizofrénicos abordou-me dizendo que me tinha de fazer uma pergunta muito pertinente.
Quando sentamos no café habitual e, mal pedimos os cafés, o Jovem fez a pergunta que parecia estar entalada na garganta:

J: Quando um homem se apaixona ardentemente por uma mulher linda, que afinal é uma transexual e ambos estão muito apaixonados e até já fazem planos para viver juntos, o que responder na próxima sessão?
N: Antes de tudo, responder a qualquer questão que não dependa de causas e efeitos facilmente detectáveis e analisáveis, pode deixar o «perguntador» na dependência do «respondedor».
Se o perguntador conseguir uma resposta imediata, sem ter de pensar bem no assunto:
◊ Pode ficar satisfeito ou não mas, provavelmente, ficará na dependência da pessoa a quem terá de perguntar no futuro, mario-70
quando tiver alguma dificuldade.
◊ A resposta pode ser momentaneamente satisfatória para o perguntador que, em sua consequência, terá reforço positivo.
◊ Também pode ser insatisfatória e, em virtude disso, com a punição que sofreu ou com a frustração que teve em relação às suas expectativas, pode adoptar comportamentos inadequados.
◊ Quer num caso, quer noutro, se no decurso do tempo, o resultado da acção tomada, não preencher as suas expectativas, o «perguntador» pode «culpar» o «respondedor» pelos maus resultados obtidos.
◊ Se a resposta dada fôr satisfatória no momento e, posteriormente, se transformar em pesadelo, a quem irá responsabilizar o Imagina-Bperguntador?

J: Então, o que devo fazer neste caso?
N: Tive de lidar com perguntas semelhantes no Curso de Psicologia, do ISMAT, em que, na disciplina de Psicopatologia, um dos alunos, já na casa dos trinta ou mais, insistia comigo para que eu falasse em diagnósticos a fim de se poderem aplicar as medidas correspondentes aos sem-abrigo ou desfavorecidos com os quais ele trabalhava.
Por isso, eu tive de fazer, à pressa, o post «arregaçar as mangas» além dos sete posts anteriores dedicados ao diagnóstico, em Abril de 2010. Cada pessoa é única e não se pode «encaixar» em diagnósticos a não ser provisoria e temporariamente, para Joana-B«fins operacionais». É necessário fazer a história pormenorizada de cada um e isso, quase de certeza, não será possível em grupo. Além disso, é necessário conhecer bem pelo menos as teorias psicanalíticas, as de reestruturação cognitiva e as de modificação do comportamento. Repare que, no fundo, esse jovem quer uma resposta para a orientação futura do seu comportamento. Se é esquizofrénico, tem um pensamento equivalente ao dos que não o são e até mesmo em relação a outros esquizofrénicos? Como é que vamos avaliar isso?

J: Em relação ao seu livro Educação e Comportamento acho o livro muito claro e bastante prático com os seus exemplos. Contudo, não consigo obter resposta.
N: Nessa brochura, bastante antiga, de 1985, estávamos a tentar dar às famílias dos nossos consulentes algumas noções básicasPsicologia-B da psicologia e da interacção social para que os pais pudessem lidar com os filhos, o melhor possível, sem necessitar de muitas consultas de psicologia. Seria uma economia para eles. Embora pareça que a leitura dá muito trabalho, alguns pais gostaram da ideia. Por isso, com a experiência de mais de 10 anos de consultas a pais e filhos, a fim de os pais se familiarizarem com a modificação do comportamento preparamos, a partir de 1990, os 4 livros iniciais da história ficcionada da Joana (D), que está agora conglomerada num só livro. Isso é essencial para que cada um oriente as suas acções num sentido desejado e não de acordo com as pressões e facilitações que surgem constantemente em qualquer ambiente social. E, de que modo reagirão os esquizofrénicos? Qual a lógica deles? Vão utilizar a lógica do psicoterapeuta? Os livros que lêem, as conversas que têm e as Interacção-B30discussões mantidas no grupo servirão para cada um, e para aquelas pessoas em especial, obterem respostas para os problemas (ou não?) abertamente discutidos da sua homossexualidade?

J: Então, o que devo fazer?
N: Como já disse em post anterior, uma avaliação, com testes psicológicos ou até com observação directa, por quem esteja treinado para isso, é extremamente importante para compreender os problemas e as dificuldades da pessoa em particular, na situação em que as estiver a viver. Pode demorar muito tempo mas, depois disso, se essa pessoa, ou o visado, tiver a noção do funcionamento do comportamento e da interacção humana, pode começar a compreender o seu próprio comportamentoSaude-B perante a sua homossexualidade e a sua atracção por uma transsexual. Qual foi a causa de tudo isso?
Para isso preparamos o livro Imaginação Orientada (J) (IO)que indica o modo como se pode ir ao âmago da questão a maior parte das vezes, utilizando o relaxamento mental profundo, com a ajuda da autohipnose, para uma análise do comportamento do próprio. Discutindo tudo isso, cada um pode verificar as falhas e alegrar-se com os sucessos obtidos para, com esse reforço conseguir «engendrar» comportamentos novos que possam substituir os antigos que não interessam (TEA). Esta tarefa não é possível realizar eficazmente em grupo. Também, em vez de o fazer exclusivamente com a ajuda dum psicoterapeuta, o paciente ou o interessado pode fazê-lo sozinho, tal como o Antunes (B), com as orientações dadas na «Autoterapia» (P), livro que também já está pronto para Maluco2publicação. Contudo, julgo que nas condições actuais em que a modificação do comportamento não é tratada com a devida consideração e profundida para a sua utilização na prática, a aplicação deste «instrumento» muito valioso, não é possível sem umas explicações extraordinárias. Os livros já existem e até a sua orientação na psicoterapia já está mais ou menos delineada na «Biblioterapia» (Q), tal como nós a concebemos e não como algumas pessoas a fantasiam.

J: Então, o que faria se o caso fosse consigo?
N: Tentaria, antes de tudo, verificar a personalidade do sujeito e, se possível, a da transsexual. Mas isso exige muita prática, tempo e experiência que eu só adquiri quase 4 anos depois do curso de 5 anos, com estágios escolar e profissional e 4 anos de Psicopata-Bcolaboração quase integral em diversos hospitais com os quais colaborei. Iria tentar «conhecer» a pessoa e ajudá-la a obter a sua resposta, tal como ainda faço, depois de 40 anos de clínica e com o blog a funcionar.

J: Como se pode fazer isso?
N: Tal como dei a Resposta 45, tentaria orientar a pessoa no sentido da sua resolução mais adequada, utilizando ela própria os seus recursos e argumentos e responsabilizando-se pela solução adoptada. Assim, talvez no futuro, essa pessoa dependa mais de si própria do que dos outros, que podem não estar disponíveis no momento mais necessário. Repare que em tudo isso é muito mais vantajoso actuar preventivamente ANTES em vez de reagir depois, quando os danos forem bem visíveis e, talvez, irreparáveis.Acredita-B

Julgo que não tenho agora mais tempo disponível mas, quando chegar a casa, vou descansar, pensar no assunto durante a noite e elaborar um post sobre este assunto «dando um jeito?» na nossa conversa para a «enquadrar» no assunto que mais interessa. Mas, pode crer que vai ter muito que ler não só neste post mas também nos links que lhe ficarão adstritos. Tal como em muitos outros, no meu curso de Modificação do ComportamentoCondicionamento Operante, da Californa State University, Sacramento, EUA, muito depois de completar o ISPA, tive de ler o Livro «Learning Foundations of Behavior Therapy», de 642 páginas, de Consegui-BKanfer e Phililips, em menos de uma semana. E assim foram muitíssimos mais livros que estão apresentados na Bibliografia exposta no fim do livro Biblioterapia (Q), para que os interessados a possam consultar, se necessário. O que interessa é apreender rapidamente seu o conteúdo para o incorporar nos nossos conhecimentos e fazer uso do mesmo quando necessário.

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«25 de ABRIL» de novo.

Ontem, tinha no meu e-mail, mais ou menos a seguinte comunicação, muito curta, solicitando-me também que, se lhe quisesse dar Salgueirouma resposta pública, a identificação do autor fosse apenas de “STM”.

“As suas comunicações têm-me merecido a melhor atenção, não obstante estar neste momento com muita falta de tempo. Como tudo isso requer muita concentração e recato, podemos combinar uma conversa em qualquer dia num futuro próximo.”

 

Como julgo que se deve tratar dos últimos posts e, passados os primeiros dias de euforia do «25 de Abril», estou à espera duma verdadeira democracia desde 2 de Maio de 1974,  prefiro que, para essa conversa, todos conheçam bem as minhas ideias e acções e não a  fisionomia.
Pensando bem neste assunto, resolvi deitar-me à noite e praticar a Imaginação Orientada para rever o meu passado e os projectos que, mesmo neste momento da minha vida, gostaria de implementar.

Porém, depois de me levantar, ao tomar o pequeno-almoço, fui assistindo à sessão de comemoração dos 42 anos do «25 de BiblioAbril». Achei esquisito que durante os últimos 4 anos não tivesse havido uma manifestação semelhante. Ouvindo os discursos dos diversos intervenientes, saltou-me à vista a intervenção da representante do PSD, trazendo-me à memória o filme de «Voando sobre um ninho de cucos» e o estado da Saúde Mental em Portugal. Das intervenções que mais me agradaram foram as de BE e do PS. Os representantes dos dois partidos parecia que estavam com os pés bem assentes na terra. Vendo as outras reportagens, admirei-me com a coragem e o bom-senso do Cabo que não disparou a metralhadora contra a coluna de Salgueiro Maia, bem como a coragem deste em entrar para o Quartel-General, desarmado, depois de tudo o que se tinha passado. Por isso, este post  começa com a foto de Salgueiro Maia, retirada da página do meu amigo do facebook Francisco Bruto da Costa a quem agradeço a sua publicação origiinal

Depois disso, pensando em mim e nas recordações tidas durante a noite, lembrei-me que, resolvido o meu problema pessoal mario-70
em saúde mental, autonomamente, mais ou menos em 1975, tinha conseguido implementar a mesma «receita» com muito sucesso em 1980, só com apontamentos policopiados.
Por isso, tinha-a experimentado com muita gente, mas a minha preocupação fundamental tinha sido e continua a ser a de não encontrar pessoas com vontade suficiente para ler o que é necessário, compreender o funcionamento do comportamento humano, analisar o seu próprio comportamento e praticar alguns exercícios que, dentro dum tempo relativamente curto, deixam muitas pessoas completamente imunes aos dissabores anteriores e aos que futuramente possam existir, como «normalmente», na vida do dia-a-dia.Acredita-B

As histórias de bastantes pessoas que colaboraram, parte das quais, depois de escolhidas, são apresentados como os casos de Antunes, Cidália, Júlio, Joel, Isilda, «Nova Paciente», Cristina, Germana, Januário, servem para descrever percursos de vida diversos, mas todos bem-sucedidos, havendo muito empenho dos próprios e pouca ajuda do psicólogo.

Isto quer dizer que, em psicoterapia, não é necessário ficar sempre na dependência do psicólogo nem haver equipamentos especiais, além da «cabeça, leitura, compreensão, racionalidade, humildade, Consegui-Bcolaboração, treino e persistência» do próprio. Cada um pode desenvolver as suas potencialidades no momento oportuno, sem ter de esperar pela «sorte» como o Tiago, «Mijão» e «Calimero», ou sofrer revezes desagradáveis, «enfrascando-se» em drogas que, além de não resolverem o problema na maior parte das vezes, podem ser apenas paliativos que deixam a pessoa quase incapacitada, dependente, viciada e, muitas vezes, degradada, como aconteceu com a «Perfeccionista» e o «Pasteleiro» (M).

Depois de acabar de dar as aulas durante uma dezena de anos no ISMAT, tendo lecionado Comportamento Organizacional, Psicologia Social e Psicopatologia, fui incitado pelos alunos, a partir de 2007, a manter o blog a fim de dar Joanarespostas aos interessados e acabei por me dedicar à reorganização e actualização de todos os livros que estavam publicados, acrescentando-os com mais casos, dos mais significativos, escolhidos entre os mais de 5.000 que estão em meu poder.

Assim se concretizou a ideia da Biblioterapia (Q) quase que iniciada com sucesso em 1980, e que só no princípio deste século aparece em grandes parangonas como tratamento «low cost» no Reino Unido, porque os seus serviços de saúde não dão vasão aos casos de desequilíbrios psicológicos que se verificam «normalmente» numa civilização que é pouco humanizada. Com anúncios deste tipo, muitos agrupamentos vão tirando proveito, disseminando «curas» com determinados procedimentos e que nem sempre dão o resultado que se desejaMaluco2 porque a «cabeça» do próprio não sintoniza com as teorias e práticas adoptadas. Mas, as pessoas vão tentando… até se desiludirem, porque as culpas de qualquer insucesso são assacadas ao próprio.

Estamos há muito à espera da democracia mas, numa verdadeira democracia, a vontade da maioria fica em primeiro lugar, sem subjugar as minorias, dando a todos um tratamento justo e equitativo, embora ao gosto da maioria, que foi quem encarregou determinados agentes de implementar todo o sistema. Esse sistema tem de proporcionar A TODOS uma boa educação, instrução, saúde física e mental, oportunidades de trabalho e de colaboração, nível de vida adequado, com poucas desigualdades socias e, especialmente, progresso, em paz e harmonia.
Vamos ter isso algum dia em Portugal? Em 2009, tinha elaborado um post sobre este meu anseio e hoje apeteceu-me elaborarImagina-B este, para poder dizer que estou à espera dessa democracia que nunca mais vejo chegar.

Em relação à saúde mental, o único assunto em que posso falar por experiência própria de mais de 40 anos, consigo garantir que, se o método terapêutico que estou a utilizar não for divulgado, pode desaparecer comigo, para ficarmos apenas com as «novidades» que vêm de fora e que são muito mal aplicadas.

Esta experiência de Imaginação Orientada (IO) (J), baseia-se na utilização da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) para que cada um desencade em si as suas boas recordações, fazendo o relaxamento mental, se possível, com a autohipnose, a fim de analisar o passado com racionalidade, realismo e humildade, descobrindo as causas dos Psicologia-Bcomportamentos que incomodam ou que se desejam melhorar. Com essa análise, que pode ser feita também autonomammente pelo próprio, com treino de relaxamento mental e muitas leituras de «casos», se necessário, para descobrir de que modo os outros actuaram, é possível fazer a reestruturação cognitiva num sentido da vida de cada um (logoterapia) para se poder accionar a modificação do comportamento necessária.

Tudo isto só pode ser feito por cada um, porque as recordações, as ideias, os desejos, os sentimentos e as emoções são pessoais e intransmissíveis. O psicólogo apenas pode ajudar a pessoa a desencadear todo este processo e orientar, tão bem como fazem alguns livros devidamente direccionados, desde que exista vontade e colaboração do Psicopata-Bpróprio que, além da leitura, fará os treinos necessários para entrar em relaxamento mental. Contudo, é bom relembrar que os problemas ou dificuldades financeiras, sociais, de trabalho, etc. não são do âmbito da Psicologia, que apenas pode ajudar a que e pessoa «não se vá abaixo» ou que fique pouco vulnerável, envergando um colete de salvação como já foi explicado há dias.

Com isso, a pessoa até para pode trabalhar para manter um sistema justo, lutar contra as injustiças ou exigir que haja melhorias sensíveis para TODOS.

Contudo, é importante que cada pessoa se instrua e se informe devidamente, pensando por si, sem se deixar influenciar pelos Interacção-B30comentários e opiniões dos outros, pela moda ou pelas notícias e anúncios absurdos e ilusórios que sobejam em toda a comunicação social.

Para que tudo isso aconteça, é necessário actuar preventivamente ANTES em vez de reagir depois, quando os danos forem bem visíveis e, talvez, irreparáveis.

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AUTOTERAPIA 23

Ontem, quando dava o meu passeio habitual, o Sr. Felício estava à porta do café à minha espera. Parecia muito ansioso e dizia que Biblioestava interessadíssimo em conversar comigo para desfazer bastantes dúvidas.

Tinha lido muitos posts, especialmente os relacionados com Biblioterapia, Autoterapia e Psicoterapia e ia ficando satisfeito enquanto não viu algumas das minhas intervenções no facebook, especialmente as relacionadas com a reportagem «Encruzilhadas», de Ana Leal, relacionada com a GNR (e talvez PSP?), além daquela que fala numa espécie de terapia com origami, apresentada na página de um jovem fotógrafo. Não sabia o que isso era e estava admirado que uma pessoa a dobrar tsuru (garça) no origami deixasse de fumar. Que tipo de psicoterapia era? Além disso, a discussão à volta do tema apresentado por Ana Leal, na quarta-feira, depois da 21ª hora da TVI 24, tinha-o deixado ainda mais confuso, especialmente com a intervenção dum psiquiatra que tinha participado na mesma.
Como tinha tempo disponível, fomos sentar à mesa do café e pedir duas bicas enquanto a conversa não começou.

F:Dr. Noronha. Todas as pessoas que conheceu nestes tempos estão mais ou menos satisfeitas com o que têm lido no mario-70
facebook e especialmente no seu blogue. Contudo, parece-me que facilita as coisas demais dizendo que a autoterapia pode ser efectuada quase sem ajuda. O que é que me diz sobre isso?

N: – Antes de tudo, agradeço a vossa simpatia e a informação de que leram alguma coisa do blog tirando proveito da mesma, pelo menos em parte. Estes dois factos, o de lerem e o de tirarem algum proveito, deixam-me bastante feliz. Se eu conseguir ajudar alguém, pelo menos parte dos que consultam o blog ou o facebook, já me dou por satisfeito. Já não são poucos, porque temos mais do que 90.000 visualizações desde 2007, salvo erro.
Depois disso, deixe-me esclarecer que a dobragem de papel para fazer uma garça ou qualquer outra figura em si ou objecto, não é uma terapia psicológica em si. É um meio ou um instrumento para se conseguir fazer uma psicoterapia. Acredita-BCaso contrário, os cirurgiões estariam a fazer bisturiterapia nas suas intervenções. Os carpinteiros estariam a fazer serroteterapia ou marteloterapia e assim por diante. O bisturi, o serrote ou o martelo são instrumentos para se fazer uma terapia ou trabalho. Do mesmo modo, a biblioterapia de que falo, não é uma psicoterapia mas um método de utilizar determinados livros que, lidos em condições, situações e sequência específicas, quando bem compreendidos, ajudam a pessoa a entender o funcionamento do comportamento humano e a manter determinados procedimentos, com persistência, para atingir os efeitos psicoterapêuticos pretendidos, quer autonomamente, quer com pouca ajuda do psicólogo.
Mas, a cabeça do interessado é que tem de orientar o trabalho em qualquer dos casos. Daí, a pessoa pode obter gratificação ou punição. Se obtiver satisfação, consegue reforço positivo. Se obtiver punição, vai tentar fugir da mesma e, caso consiga, vai obter o reforço negativo. É necessário compreender isso em psicoterapia.Consegui-B
Por isso, quando se trabalha com a mente, faz-se psicoterapia utilizando como instrumentos a palavra, as ideias, as sensações, as emoções, a música, o desporto, a hipnose, as recordações ou qualquer outra coisa que possa fazer com que a «mente» funcione de uma determinada maneira antecipadamente pretendida.
A psicoterapia é um tratamento da «psique» e é por isso que se chama psicoterapia ou tratamento da mente.
Se a tal senhora do origami não trabalhasse com a sua mente e não ficasse entretida e satisfeita com as dobragens, as mesmas de nada lhe serviriam. Ficaria com a ansiedade à mesma. A dobragem deixou-a entretida e essa satisfação reduziu a ansiedade. O mesmo poderia ter acontecido com as palavras, conselhos, leituras, relaxamento físico ou mental, etc. É o reforço do comportamento incompatível.Saude-B

F:E a sua intervenção quanto às «Encruzilhadas» de Ana Leal? Fiquei ainda mais confuso quando ouvi ontem à noite a intervenção ou uma chamada discussão à volta do tema, na TVI24, no canal 7 (às 22.00 horas), para mais, com um psiquiatra a dizer umas coisas que não compreendi.
N: – Vi por alto essas intervenções das quais só me interessaram as do moderador, da Ana Leal e do tenente-coronel Medina da Silva, da ASPIG. O resto das pessoas, parecia que não estava neste mundo e, muito menos, com os pés assentes na terra, a não ser que…. Do psiquiatra interveniente, que já conhecia desde o grupo de terapia comportamental do Júlio de Matos, parecia que tinha calçado os óculos electrónicos que diz que utiliza para resolver os problemas de fobias de vôo Joanamas que eu, como «navegador aéreo», nunca tive. Eu vivo da realidade «real e não virtual» e, por isso, utilizo apenas as mentes das pessoas com todas as suas recordações.
Vou ver melhor essa reportagem quando chegar a casa, se tiver paciência para isso e não tiver de me preparar para fazer um novo post com esta nossa conversa, relacionada especialmente com a Autoterapia. Provavelmente, com o visionamento dessa entrevista ou discussão, o novo post só ficará pronto amanhã. Se calhar, depois desse visionamento, vou fazer o relaxamento mental e entrar em Imaginação Orientada (J).
Em relação a tudo isso, posso já dizer que não acho a autoterapia uma tarefa fácil, mas posso afirmar que não é impossível. Quando eu necessitei de ajuda, há mais de 40 anos, como já sabe, só me deram comprimidos, disseram que devia ter conflitos com o meu pai e necessitava de psicanálise. Estava a entrar numa neurose depressiva reactiva muito grave com Maluco2vontade de autodestruição, já em 1968.
Como era «navegador aéreo» − como diz o outro – e não tive o apoio de que necessitava nem tinha dinheiro para a psicanálise, fui lendo muita coisa a começar por Pierre Daco, a passar por Freud e a terminar pela Modificação do Comportamento.
Tive, por acaso, a coincidência de entrar para o curso de Psicologia porque na Força Aérea não me tinham deixado continuar a tirar o Curso de Direito no qual estava matriculado desde 1958. Também, pouco depois, tive a sorte de frequentar os «workshops» do Victor Meyer sobre modificação do comportamento enquanto estagiava e colaborava no tal grupo de terapia comportamental do Hospital Júlio de Matos.Psicopata-B
Embrenhando-me nas técnicas que estavam a ser utilizadas e não concordando com o modo como o estavam a fazer, tive a sorte de verificar em mim que um relaxamento diferente do utilizado nesse grupo (Jacobson) dava melhor resultado.
Com os sucessos ilusórios que se obtinham nesse grupo e para evitar os efeitos secundários ou colaterais, também tive a possibilidade de experimentar um novo tipo de psicoterapia, a começar comigo. Mas, tudo isso depois de ler muito sobre um panorama muito vasto de psicoterapias, especialmente a Logoterapia, de Victor Frankl. A minha biblioterapia e a autoterapia podem ter começado por aqui!Psi-Bem-C
Portanto, eu resolvi o meu problema por mim próprio e sem qualquer ajuda e afastando-me dos psiquiatras e dos medicamentos. Por isso, posso dizer que é possível.
Se quiser que afirme que todos poderão fazer o mesmo, não posso corroborar totalmente porque o Antunes (B) teve alguma ajuda minha em conversas, orientação da leitura e encorajamento.
Com a Cidália (C) a ajuda foi maior e o desencorajamento teria tomando conta da situação se não tivesse havido a intervenção do Antunes, porque já a conhecia desde miúda. O psiquiatra «comportamentista» que a seguia anteriormente e a mãe dela podiam ter-lhe provocado aquilo que aconteceu com a «Perfeccionista» (M).Difíceis-B
Com o Júlio (E) foi tudo diferente. Eu aproveitei a situação de sua carência, para o poder ajudar de forma pouco ortodoxa, à mesa de um velho café, porque não tinha nem outro local nem horário mais conveniente. Agora, no livro, pode saber o resultado e o percurso da vida dele.
Estão descritos mais casos para que as pessoas leiam os percursos das suas vidas e as contingências a que ficaram sujeitos para atingirem resultados satisfatórios.
Mas repare que tudo foi possível porque eles colaboraram, treinaram o que foi necessário, leram bastante e foram compreendendo os mecanismos do funcionamento do comportamento humano, tendo persistência para não desistir perante os desencorajamentos que são absolutamente «normais».Depressão-B
A psicoterapia não funciona como um comprimido que nos deixa insensíveis à vida, fazendo parecer que os problemas ficaram muito longe. Essa ilusão que se cria com a medicamentação pode, no futuro, conduzir à necessidade de medicação cada vez mais intensiva, agressiva e degenerativa devido ao reforço secundário negativo aleatório que vai provocando. Agora, até os próprios médicos mais conscientes constatam isso e divulgam a informação.

F:Mas falando no pessoal da GNR, há alguma coisa que se possa fazer?
N: – Antes de tudo, é importante que os próprios serviços tenham pessoal especializado e competente que possa escrutinar o Psicopata-Besforço que cada um dos seus militares vai fazendo. O tenente-coronel da ASPIG tem toda a razão quando fala nisso. Horários, apoios familiares, logística, remunerações, ambiente de trabalho, riscos profissionais, castigos, não são da competência da psicologia, mas a psicologia pode ajudar a suavizar ou a organizar todos esses aspectos. E não será que deve?
No que toca a apoio que se pode dar a um militar que não esteja sobrecarregado ou antes que entre em «burned out», o que se pode utilizar em última instância é o reforço do comportamento incompatível, para que não exista o tal «triger» de que falou Isabel Moreira. É uma espécie da técnica do origami, mas a cabeça da pessoa tem de sintonizar com isso, compreender a situação, treinar o essencial e ficar satisfeita. Durante quanto tempo e em que condições? Pode um militar utilizar essa técnica quando está em missão? Falando mais concretamente em psicoterapia ou autoterapia, como é que ele se pode «relaxar» Psicologia-Bdurante uma missão de combate ou perseguição. Porém, pode-se aprender a fazê-la com menos stress mas, para isso, cada um tem de treinar muito. Quando e como é que fará os treinos? Quem lhe vai dar a ajuda incial necessária?

F:Neste caso, o que se pode fazer?
N: – Os militares, quando vão em missão arriscada, não levam coletes anti-bala? Têm a certeza de que não serão feridos? Contudo, é uma «tábua de salvação» de que se servem e que os pode salvar a maior parte das vezes ou, pelo menos evitar males maiores. O relaxamento instantâneo (P), de que falo muitas vezes, pode servir de colete anti-stress. Não quer dizer que os irá proteger a todos com toda a segurança, mas muitos podem diminuir o impacto do stress e talvez alguns até o possam evitar. É uma das medidas que pode ser tomada pela organização, porque até a eficácia dos militares e das operações pode aumentar. Interacção-B30Contudo, embora o treino tenha de ser feito pelo próprio em consultório, tem de ser continuado e constantemente experimentado pelo próprio até em casa, todas as noites. Porém, alguém tem de os industriar nisso e até se pode fazer isso em grupo. Da mesma maneira como a organização tem a obrigação de fornecer os coletes anti-bala e proporcionar o treino de tiro e defesa necessários, também tem a obrigação de proporcionar este meio de aguentar com a tensão psicológica e aumentar a eficácia do desempenho. Para isso, algumas palestras e a leitura de determinados livros pelos interessados para compreenderem melhor toda a situação torna-se quase um imperativo.

F:O que acha que se deve fazer?Imagina-B
N: – Não sei. Os que estão nas esferas da governação ou da gestão das instituições ou um grupo de pessoas, com a ajuda de jornalistas como a Ana Leal, cujas reportagens têm sido, para mim, muitíssimo interessantes, especialmente a dos colégios e das clínicas, têm de se movimentar para exigir aquilo a que quase todos se julgam com direito. Também têm de fiscalizar aquilo que os dirigentes fazem porque muitas coisas são anunciadas como maravilhas e o seu resultado é nulo ou apenas dispendioso, sem qualquer proveito para a população. Muita coisa é dita e apresentada como muito boa, mas não apresenta qualquer «substância». É um autêntico fogo-de-vista. Em saúde mental, especialmente como tentativa de prevenção e não de resultados estatísticos, tenho as minhas sérias dúvidas.neuropsicologia-B

F: – Estou mais ou menos elucidado, tanto mais que nos vários artigos que li, descobri alguma literatura que já existe e que também pode vir a existir. Obrigado pelas informações que deu.
N: – Eu é que agradeço o seu interesse, mas recomendo que releiam com cuidado todos os artigos que mencionaram, além dos relacionados com Reforço……Vou para casa ver se almoço e consigo ver a tal reportagem da discussão na TVI24, de ontem à noite e, se não tiver tempo, vou deixar o novo post para amanhã. Assim, talvez possa entrar em Imaginação Orientada durante a noite.

De qualquer modo, tenho de dar os meus sinceros parabéns a Ana Leal que tem apresentado magníficas reportagens e, desta vez, também ao tenente-coronel Medina da Silva que parece ter metido o dedo na ferida. Não temos de ficar à espera dos quase «milagres» que se apresentam, apenas nos princípios deste século, a partir das experiências americanas, inglesas, etc., quando em 1980 já se tinham experimentado terapias mais eficazes só com o apoio de apontamentos policopiados, por ainda não existirem os livros que estão agora disponíveis.

Para facilitar ainda mais a compreensão de todo este arrazoado de ideias e atendendo também aos comentários, sugestões, críticas e pedidos de esclarecimento feitos ao longo do tempo, esperamos que vá existir em 2017 um novo livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) que elucide e oriente devidamente os interessados, de uma maneira muito precisa, de acordo com os seus interesses e situação específica, completando a colecção da Biblioterapia com 18 unidades.

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AVALIAÇÕES

Com o comentário seguinte feito no post BIBLIOTERAPIA 17:Biblio

Apesar da nossa conversa ser curta, foi esclarecedora. É verdade que quem decide ir pelo caminho da terapia tem muito trabalho pela frente mas trabalho neste caso é sinónimo de paixão em ver no outro a satisfação de um possível reencontro consigo próprio.
Neste momento estou a ler Educação e Comportamento e posso dizer que este livro vai-me abrir os olhos para esta matéria. Em relação a aplicação de testes psicométricos irei numa primeira fase aplicar o instrumento WHOQOL-BREF que mede a qualidade de vida. Mais tarde vou pensar numa forma de avaliar as sessões.

a minha resposta imediata foi a seguinte:
Agradeço o contacto e informo que não conheço o WHOQOL-BREF. Pode ser que estatisticamente sirva para alguma coisa.mario-70
Interessam-me mais os testes antigos como o MMPI, Rorschach, TAT, ou até as de EPI ou EPQ, Árvore, Família, etc., que são mais rápidas e aceitáveis, para descobrir se a pessoa é, de facto, esquizofrénica ou neurótica. Quanto ao resto, eu faço uma avaliação individualizada das dificuldades apresentadas ou nomeadas por cada pessoa, baseada na sua repetição semanal numa escala de 11 pontos/conceitos. Para mim, é muito mais fidedigna e rigorosa para saber a evolução da psicoterapia. A outra, é capaz de não dar esse resultado comparativo cronológico.

Hoje, quando me levantei, tinha em mente vários episódios passados nos últimos anos no ISMAT, em Portimão.Psicologia-B
Um deles era a preocupação de um aluno do 2º ano querer saber de que modo se faz o diagnóstico para aplicar as medidas necessárias porque ele já estava a trabalhar com grupos de desfavorecidos.
Provavelmente, à hora de dormir, eu tinha-me preocupado com o comentário e com a resposta constantes acima e, durante o sono, estivera em Imaginação Orientada (J) (P) para clarificar a minha resposta.
Em relação a esse aluno e a um outro que o secundava e que dizia ser sociólogo, tinha tido necessidade de elaborar os 7 posts sobre «Diagnóstico», terminando com o «arregaçar as mangas».

Em relação aos testes psicométricos ou sociométricos e até os de personalidade, é importante saber aquilo que cada um deles avalia em relação ao nosso Interacção-B30objectivo.
Como é que o WHOQOL-BREF vai avaliar o grau de esquizofrenia ou de melhoria das dificuldades específicas de cada um dos visados? Se não se aplicar um teste adequado, de que modo se vai fazer um diagnóstico fidedigno e uma avaliação continuada das dificuldades específicas de cada um dos visados ou apoiados?
Se não se souberem quais as dificuldades reais dos visados ou apoiados, com que «material» se vai trabalhar? Com suposições genéricas de que os esquizofrénicos apresentam determinadas características, defeitos ou dificuldades? Todos? Indiscriminadamente? Em que grau? Em qual dessas «características» melhoraram? Se, além de querer saber quais as suas dificuldades do momento, não tivesse aplicado qualquer teste psicológico ao Joel (G), teria Psicopata-Bpodido avaliar, com alguma segurança, a sua problemática real? E, como iria verificar a evolução por ele sofrida no decurso da psicoterapia? Ficaria tudo no reino das hipóteses e suposições, talvez muito dependente da avaliação do psiquiatra. Qual seria o resultado?

Se eu não tivesse esmiuçado as dificuldades do «Calimero» (M), com as quais viveu mais de 4 anos, apesar de acompanhado por uma psicóloga e de ter apoio escolar durante vários anos antes, de que maneira poderia ter feito uma avaliação para saber do aumento ou da diminuição das mesmas?
Depois de ter «estagnado» durante 4 anos no 11º ano, o «Calimero» teria a possibilidade de obter a carta de condução e uma licenciatura, com 16 valores, em menos de 5 anos, desde o começo da psicoterapia, não necessitando de mais Joana-Bapoio posterior? Ele pode continuar com a dificuldade de falta de emprego, mas vai tentando «dar a volta por cima», sem medos, mas com a possível ansiedade ocasionada pela situação indesejada, absolutamente «normal» em qualquer ser humano.
Teria eu conseguido fazer alguma ideia deste caso, dar algum apoio e avaliar as suas melhorias com um WHOQOL-BREF, ou serviria só para as estatísticas? É por isso que não acredito em muitas investigações e estudos que dizem que se fazem sobre a saúde mental, até com «fundos» do Estado ou comunitários.

Concordo com aquilo que o comentarista diz acerca de «É verdade que quem decide ir pelo caminho da terapia tem Saude-Bmuito trabalho pela frente mas trabalho neste caso é sinónimo de paixão em ver no outro a satisfação de um possível reencontro consigo próprio.
Da minha parte, posso dizer que eu resolvi, com o curso do ISPA, aos 36 anos, a minha frustração de não ter ingressado no curso de Direito logo depois de ter terminado o Liceu Inglês e o 7º ano do Liceu, com dispensa de exame de admissão, nem ter conseguido a continuação do curso de Direito iniciado, posteriormente, em 1959, porque a Força Aérea não me autorizou isso durante 7 anos.

Por acaso, a partir de 1973, com a frequência dos seminários com Victor Meyer, PhD. «Reader in Clinical Psychology», do Acredita-BMiddlessex Hospital, de Londres, sobre «behavior therapy», comecei a entusiasmar-me de tal maneira, até para resolver o meu próprio problema de depressão grave, que continuei a dedicar-me sofregamente às leituras − muitas das quais estão indicadas na bibliografia apresentada no final do livro «BIBLIOTERAPIA» (Q) − que tinha começado com os livros de Pierre Daco, em 1968.
Essas leituras tinham se ser «rapidamente e em força» porque eu queria atingir uma finalidade: sentir-me melhor. Por acaso, o meu segundo Professor de Introdução à Psicologia, Psiquiatra e Doutorado em Psicologia pela Universidade de Barandeis, EUA, dizia que eles tinham de pegar num livro de 400 páginas e lê-lo rapidamente num fim-de-semana para poderem responder a uma prova na segunda-feira seguinte. Importava mais Consegui-Bapreender os conceitos que lá estavam expostos mais do que saber o significado de cada palavra. Esse significado podia ser facilmente obtido em qualquer dicionário especializado. O conceito, não. Mas, se se pudesse «trabalhar» nesse conceito, seria ainda melhor.
Foi assim que eu aprendi a Introdução à Psicologia, fazendo trabalhos práticos e sem me preocupar com as definições de «atenção», «memória», etc. que o anterior professor, formado em França e dizendo-se psicanalista, nos quase obrigava a decorar a partir do «Abregé de Psychologue», de J. Delay e P. Pichot. Graças a Deus, tive a felicidade dessa mudança de professor depois da «revolução dos cravos», porque já tinha adiado o exame duas vezes, devido à exigência de memória em vez de compreensão e apreensão de conhecimentos. No dia do exame Imagina-B
oral, esse novo Professor, «envergonhou-me» perguntando se não sabia das experiências com «galinhas, de Thorndike». Como nunca antes tinha ouvido falar nelas, respondi-lhe com um «Pois» em vez de dizer «Sim» ou «Não». E a intervenção seguinte dele, apercebendo-se provavelmente da minha total ignorância sobre o assunto, foi: «Tem de ver isso melhor».
Depois de passar no exame com 14 valores, a primeira coisa que fiz foi começar a procurar esse assunto de que nunca tínhamos falado mas que constava muito sucintamente no mesmo «Abregé de Psychologie». Enfim, o modo da dar as aulas era muito diferente e, enquanto o primeiro queria que nos limitássemos às definições, o segundo queria que nós aprendessemos Psicologia, tomando conhecimento das leis que a regulam.Depressão-B

Se havia a possibilidade de modificar comportamento, tinha de descobrir uma maneira de modificar o meu para, com a profissão então aceite, poder ajudar os outros. No grupo de psicoterapia comportamental em que estava a trabalhar, orientado por um psiquiatra que tinha ido especializar-se em terapia comportamental em Londres, não me agradavam as abordagens utilizadas, porque se baseavam só em técnicas utilizadas mecânica e indiscriminadamente. Depois das leituras que já tinha feito, fazia-me confusão não se querer saber as causas dos comportamentos desviados ou inadequados.
Quando porém, mesmo no final do curso de Psicologia me desloquei a Londres, com a minha mulher, para frequentar cursos de Respostas-B30apoio a integração de crianças deficientes no ensino normal, os futuros colegas com quem lidei, incentivaram-me a entrar para a Ordem dos Psicólogos Britânica (BPS), especialmente para uma eventualidade de eu querer trabalhar em Londres, já que estava fora da «tropa». As exigências de ingresso eram doutoramento dos EUA, mestrado do Reino Unido ou exame com entrevista com um especialista da BPS.

Quando fui ao Hospital de Middlessex falar com o Doutor Meyer, que já me conhecia de Lisboa dos «workshops» que ele administrara no Hospital de Santa Maria, ele aconselhou-me a ter uma entrevista com Laurence Burns, já que eu deveria deslocar-me a Nottingham no dia seguinte. No encontro com Burns, ele Psi-Bem-Bmandou-me aventar, na primeira entrevista, uma hipótese de diagnóstico e terapia consequente com um obsessivo-compulsivo (POC). Fazendo essa entrevista preliminar, ajudado por ele, dei-lhe mais ou menos a noção das ideias obsessivas do paciente e preconizei a necessidade de descobrir a origem ou a causa dessas ideias para se poder «lutar contra elas» ou, pelo menos reduzi-las, utilizando essencialmente a técnica de reforço do comportamento incompatível. Depois, analisando o seu passado, seria vantajoso «construir» um futuro comportamento mais aceitável. Os exames psicológicos não seriam necessários no momento, mas a avaliação das dificuldades deveria ser monitorizada semanalmente.

Pareceu-me que tinha ficado muito satisfeito com as minhas formulações, que seriam completamente rejeitadas em Lisboa, no Dificeis-Bgrupo em que trabalhava. A aceitação das minhas ideias foi tal que fiquei dispensado do exame escrito, ficando apenas obrigado a enviar as certidões da conclusão do curso com o conteúdo de cada cadeira e uma tradução em inglês. Poucos meses depois de concluir o curso e de ter enviado a papelada para o BPS, tal como eles exigiam, fui eleito Graduate Member da BPS, em Novembro de 1975.

Depois disso, regressado a Lisboa e a começar a clínica incipientemente, fui lendo o suficiente, idealizando e experimentando em mim o relaxamento muscular, muito diferente do de Jacobson, bem como o relaxamento mental, para o utilizar na Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) que deu resultados positivos. Passando para o papel muitos dos conhecimentos adquiridos, além das experiências vividas, tive a possibilidade de dar aulas de Psicologia GeralNeuropsicologia-B2 e Psicopatologia aos enfermeiros, com quem consegui verificar que havia possibilidade de qualquer pessoa modificar o seu comportamento desde que soubesse compreender e analisar os mecanismos do seu funcionamento em função de causas/efeitos e possibilidades de actuação.

Posteriormente, quando já estava a fazer estágios de colaboração, em vários hospitais para finalizar a tese sobre TEA e estava concluir o curso de hipnose terapêutica, tive a oportunidade de ajudar o Júlio (E) à mesa de um velho café, com a modalidade de Imaginação Orientada (IO) que estava a desenvolver, com uma análise aprofundada do comportamento apoiada na autohipnose, para uma reestruturação cognitiva a fim de se fazer uma modificação do comportamento no sentido duma Logoterapia.Depressão-B

Presentemente, estou a «trabalhar» várias horas por dia para a organização e actualização, quase permanente, dos livros necessários para uma Biblioterapia no sentido de a utilizar organizadamente em Psicoterapia, Psicopedagogia e Desenvolvimento Pessoal, autonomamente ou com pouca ajuda. Também estou a manter este blog para dar respostas aos que fazem comentários a fim de esclarecer dúvidas ou pedir ajuda. Além disso, já me ofereci para colaborar na difusão de conhecimentos.

Entretanto, lembrando-me, em fins de abril de 2017, de vários comentários e de diversos conversas tidas com pessoas amigas,posso acrescentar o seguinte. É bom não confundir o gosto pela leitura de livros indiscriminados ou o amor por eles, que á a Bibliofilia, com o tratamento através da leitura de livros, que é a Biblioterapia, o qual, em psicoterapia, tem de ser orientado com leituras adequadas e talvez atempadas, para cada situação de reequilíbrio psicológico, de desenvolvimento pessoal, de psicopedagogia ou de prevenção e profilaxia.
É o que ainda posso fazer, dentro das minhas possibilidades, com a reorganização de todos os livros, revisão dos «casos» antigos e colaboração em palestras para grupos pequenos.
Organizar-B

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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BIBLIOTERAPIA 17

Hoje, quando dava o meu passeio habitual, o conhecido com quem tinha conversado há pouco tempo, estava à porta do café, naBiblio companhia do jovem que se queria dedicar à psicoterapia e lidava com esquizofrénicos.
Pediu-me para entrar e, se tivesse tempo, esclarecer algumas dúvidas que os dois estavam a ter.
Como acedi à solicitação, mas disse que não dispunha de mais do que uma hora, começaram a fazer-me perguntas de imediato.

P: Qual é o mal em pedir aos meus pacientes para lerem alguns livros de poesia e eles sentirem-se bem depois disso? Eles até começam a escrever algumas coisas sobre o assunto!
R: Não vejo qualquer mal, mas não consigo descobrir qual será o benefício para quem está «rotulado» de esquizofrénico. Estes «rótulos» podem funcionar como uma presunção de culpa de um inocente que, futuramente pode ser ou mario-70sentir-se prejudicado por causa disso.
Antes de tudo, quem lhe aplicou esse rótulo? Foram feitos exames psicológicos com provas fidedignas para comprovar esse estado psicopatológico? Eu não acredito em «palpites» ou observações superficiais, porque além de muitos outros, descrevi num livro o que aconteceu com um paciente que foi diagnosticado como psicopata por um psiquiatra. Essa mágoa acompanhou-o até ao fim de vida e destruiu um casamento. Quando fiz posteriormente uns exames muito simples, verifiquei que ele era apenas um neurótico inferiorizado reagindo violentamente em casos de frustração, de acordo com a aprendizagem que tinha feito na guerra do ultramar.
Além disso, se o acompanhamento é para ajudar os pacientes, como é que se verificaram as suas melhorias? Informações deles,Joana-B
viciadas por lembranças ou «estados de alma» do momento? Têm de haver medidas quantitativas concretas que possam atestar essa melhoria. Se for só a aparência ou informações dos próprios, é necessário ter em conta que a companhia e a presença do técnico pode-lhes ser agradável e obterem com isso reforço positivo que podem não obter na sua ausência ou com a falta desse contacto. Já me aconteceu também com o Tiago, há muitos anos. É o reforço do comportamento incompatível que conseguem obter com essa presença ou contacto.
Muitas vezes, os pacientes são endossados por psiquiatras que fizeram o diagnóstico, à maneira deles, para os medicar e entregar a quem os vai «entretendo», melhor ou pior, durante bastante tempo. Esses pacientes podem melhorar ou piorar. No caso de melhorar, os psiquiatras dizem que foi a medicação administrada que os melhorou, Maluco2talvez ligeira e secundariamente ajudada pela psicoterapia dos psicólogos. Se a situação piorar, dizem que o estado da «doença» é mais grave e «carregam» na medicação deixando a pessoa quase insensível ao mundo que a cerca e onde terá de viver e suportar as suas agruras, sem capacidade para as enfrentar e, muito menos, ultrapassar. Esse trabalho de ajuda é que é verdadeiramente do psicólogo que se quer dedicar à psicoterapia, ajudando a pessoa a viver sem a ingestão ou suplemento de medicamentos psiquiátricos.
Os psiquiatras sérios e bastante experimentados falam acerca disso e até já escreveram sobre este assunto.
Se o meu amigo quiser dedicar-se a isso, tem de saber bastante bem todos os mecanismos do funcionamento do comportamento humano, quer isoladamente, quer em interacção social. A Ciência do Comportamento é muito Imagina-Bimportante nestes casos.
Na modificação do comportamento, torna-se necessário apreender bem todos os seus conceitos e técnicas que são fáceis de aplicar. Apenas definições, não chegam para coisa alguma, a não ser para cada um as interpretar à sua maneira e conveniência. Posso garantir que até uma criança de 8 anos, que era extremamente birrenta e insuportável, a ponto de ocasionar e separação dos pais, depois de devidamente industriada, modelada e moldada, foi capaz «voltar a juntar os pais» e aplicar com um irmão mais novo as técnicas que tinham sido aplicadas com ela.
É bom compreender que a modificação do comportamento acontece sempre. Por exemplo, se depois de lhe dizerem que era psicólog, eu Psicologia-Baparecesse cá bem barbeado, de fato e gravata, o meu amigo não seria capaz de ter uma atitude e uma abordagem diferente daquela que está a ter agora, muitíssimo à vontade? E se estivessemos num café mais elegante como nos comportariamos? Concorda comigo? Se as pessoas souberem aquilo que acontece com todos nós, sem suposições, atribuições ou «adivinhações», pode ser que se consiga modificar qualquer coisa nos outros. Até com os seus pacientes pode conseguir ter melhor resultado do que sem esses conhecimentos. Pode modificar o comportamento em si próprio e ocasionar uma alteração consequente nos outros!
Por este motivo, para ajudar as pessoas a compreenderem tudo isso, depois de mais de 40 anos de clínica, com mais de 5.000 casos atendidos isoladamente, estou a manter um blog para dar respostas aos que delas necessitam, tentando Interacção-B30explicar o porquê das coisas. Tem de ter a paciência e persistência para ler tudo e consultar os links que estão indicados a azul e sublinhados. Basta clicar nessa palavra ou frase.
Além desse blog, com a minha ideia de tornar e pessoa autónoma e capaz de se orientar por si própria, estou a dedicar-me sempre à reorganização e actualização da axtual colecção de 17 livros que constituem a BIBLIOTERAPIA, destinada a fazer uma Terapia Através de Livros. Não é uma leitura de quaisquer livros mas de alguns que, devidamente direccionados e sequenciados, podem ajudar imenso os próprios ou os seus apoiantes. Talvez bem explicados, possam funcionar como um incentivo para cada um se livrar das suas dificuldades e até evitá-las no futuro.Saude-B

P: Acha que tudo isso é tão fácil?
R: Como tudo isso pode não ser fácil para todos, embora tenha tentado escrever os livros em linguagem o mais simples possível, já fiz uma proposta de colaboração que pode ajudar a dar as respostas necessárias a grupos de pessoas que irão exigindo os livros à medida das suas necessidades e desejos.
Também pode servir para ajudar os novos técnicos que queiram enveredar por este caminho, sem dependência dos psiquiatras, evitando os malefícios que as drogas ocasionam e que, como já disse são constatadas por alguns deles, com grande consciência cívica.Acredita-B

P: Estou mais ou menos esclarecido, mas não totalmente satisfeito. Mas, estamos no fim da hora.
R: Neste caso, logo que chegar a casa vou tentar alinhavar as ideias aqui debatidas e expô-las num novo post dedicado à BiblioTerapia. Também vou apresentar nele os vários assuntos que vale a pena consultar e que serão indicadas com links a azul sublinhado. Se necessitar de mais informações ou esclarecimentos, tem as alternativas de fazer comentários no blog depois de ler convenientemente os posts com os respectivos links, ou  enviar-me algum e-mail, ou até promover as tais palestras para os pacientes ou colegas que queiram enveredar por este sistema, com a ajuda dos livros que serão publicados à medida das necessidades e desejos.Consegui-B
Por enquanto, estou a pensar só no AUTO{psico}TERAPIA (P), porque ainda estou apoiado em vários livros que já estão publicados, mesmo que não tenham sido ao meu gosto. Depois, como já estão publicados os (A) (B) (C), posso pensar na reedição da Joana (D) ou na publicação da história do Júlio (E), segundo as apetências e as necessidades dos participantes.
A seguir, se alguém desejar saber o modo de aplicar a Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) apoiada na Imaginação Orientada (IO) com a ajuda da autohipnose, num sentido da logoterapia, para uma reestruturação cognitiva e modificação do comportamento, o livro Imaginação Orientada (J)  também já está pronto para publicação.
Depois disso, tudo dependerá dos participantes.Psi-Bem-C
Posso garantir que a leitura é fundamental. É o que estive a fazer durante mais de uma dúzia de anos, muito antes de ter concluido o curso de Psicologia Clínica, no ISPA, em 1975. A extensa bibliografia apresentada no fim do livro BIBLIOTERAPIA (Q) pode dar algumas indicações úteis. Além disso, o treino de relaxamento mental, antecedido do muscular se necessário, de avaliação quantitativa dos sintomas desagradáveis e da análise aprofundada, racional e realista do comportamento, torna-se imprescindível, com uma viagem ao passado. Se assim não fosse, o Januário, desenganado com mais de meia dúzia de anos a submeter-se à psicoterapia, psicanálise e quimioterapia, nunca teria conseguido resolver o seu problema quase num fim-de-semana de «conversas» e psicoterapia de profundidade.
Psicopata-B

Para um caso de intervenção imediata e rápida, ainda me posso socorrer dos livros já publicados, embora não ao meu gosto. Porém, os mesmos serão reagrupados, reorganizados e actualizados agora nesta colecção. As capas dos mesmos são apresentadas a seguir para que os interessados os poderem consultar, se necessário. As suas equivalência são apresentadas no capítulo «Resumo dos Conteúdo das Obras Indicadas» em todos novos livros.

 

Depress-nao-B

«Educar»-B

DIA-A-DIA-C

 

Stress-B

psicoterapia2

molhar2

compr-C

educar2

Adolescencia-B

 

Suces-esc-B

reed2

apoio2

 

teoria2

pratica2

tecnicas1

 

 

casos2

previsão2

Suc-vida-B

Marketing2

Falhas-B

Humanismo2

 

homem2

confl2

Sindicalismo2

 

Depois desta conversa bastante eucidativa, comecei a pensar que um novo livro intitulado «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) poderia ser o 18º livro desta colecção, ajudando os interessados a orientarem-se, correcta e adequadamente, para uma Psicoterapia, acção de Psicopedagógica, de melhoria de Interacçõo Social ou Desenvolvimento Pessoal, de forma autónoma ou com pouca ajuda do psicólogo e sem prescindir de dieta, meditação, reiki, psicodrama, ioga ou qualquer outra actividade em que a pessoa goste de estar envolvida.

 

Em divulgação…

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