PSICOLOGIA PARA TODOS

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AUTOTERAPIA 23

Ontem, quando dava o meu passeio habitual, o Sr. Felício estava à porta do café à minha espera. Parecia muito ansioso e dizia que Biblioestava interessadíssimo em conversar comigo para desfazer bastantes dúvidas.

Tinha lido muitos posts, especialmente os relacionados com Biblioterapia, Autoterapia e Psicoterapia e ia ficando satisfeito enquanto não viu algumas das minhas intervenções no facebook, especialmente as relacionadas com a reportagem «Encruzilhadas», de Ana Leal, relacionada com a GNR (e talvez PSP?), além daquela que fala numa espécie de terapia com origami, apresentada na página de um jovem fotógrafo. Não sabia o que isso era e estava admirado que uma pessoa a dobrar tsuru (garça) no origami deixasse de fumar. Que tipo de psicoterapia era? Além disso, a discussão à volta do tema apresentado por Ana Leal, na quarta-feira, depois da 21ª hora da TVI 24, tinha-o deixado ainda mais confuso, especialmente com a intervenção dum psiquiatra que tinha participado na mesma.
Como tinha tempo disponível, fomos sentar à mesa do café e pedir duas bicas enquanto a conversa não começou.

F:Dr. Noronha. Todas as pessoas que conheceu nestes tempos estão mais ou menos satisfeitas com o que têm lido no mario-70
facebook e especialmente no seu blogue. Contudo, parece-me que facilita as coisas demais dizendo que a autoterapia pode ser efectuada quase sem ajuda. O que é que me diz sobre isso?

N: – Antes de tudo, agradeço a vossa simpatia e a informação de que leram alguma coisa do blog tirando proveito da mesma, pelo menos em parte. Estes dois factos, o de lerem e o de tirarem algum proveito, deixam-me bastante feliz. Se eu conseguir ajudar alguém, pelo menos parte dos que consultam o blog ou o facebook, já me dou por satisfeito. Já não são poucos, porque temos mais do que 90.000 visualizações desde 2007, salvo erro.
Depois disso, deixe-me esclarecer que a dobragem de papel para fazer uma garça ou qualquer outra figura em si ou objecto, não é uma terapia psicológica em si. É um meio ou um instrumento para se conseguir fazer uma psicoterapia. Acredita-BCaso contrário, os cirurgiões estariam a fazer bisturiterapia nas suas intervenções. Os carpinteiros estariam a fazer serroteterapia ou marteloterapia e assim por diante. O bisturi, o serrote ou o martelo são instrumentos para se fazer uma terapia ou trabalho. Do mesmo modo, a biblioterapia de que falo não é uma psicoterapia mas um método de utilizar determinados livros que, lidos em condições, situações e sequência específicas, quando bem compreendidos, ajudam a pessoa a entender o funcionamento do comportamento humano e a manter determinados procedimentos, com persistência, para atingir os efeitos psicoterapêuticos pretendidos, quer autonomamente, quer com pouca ajuda do psicólogo.
Mas, a cabeça de quem trabalha é que tem de orientar o trabalho em qualquer dos casos. Daí, a pessoa pode obter gratificação ou punição. Se obtiver satisfação, consegue reforço positivo. Se obtiver punição, vai tentar fugir da mesma e, caso consiga, vai obter o reforço negativo. É necessário compreender isso em psicoterapia.Consegui-B
Por isso, quando se trabalha com a mente, faz-se psicoterapia utilizando como instrumentos a palavra, as ideias, as sensações, as emoções, a música, o desporto, a hipnose, as recordações ou qualquer outra coisa que possa fazer com que a «mente» funcione de uma determinada maneira antecipadamente pretendida.
A psicoterapia é um tratamento da «psique» e é por isso que se chama psicoterapia ou tratamento da mente.
Se a tal senhora do origami não trabalhasse com a sua mente e não ficasse entretida e satisfeita com as dobragens, as mesmas de nada lhe serviriam. Ficaria com a ansiedade à mesma. A dobragem deixou-a entretida e essa satisfação reduziu a ansiedade. O mesmo poderia ter acontecido com as palavras, conselhos, leituras, relaxamento físico ou mental, etc. É o reforço do comportamento incompatível.Saude-B

F:E a sua intervenção quanto às «Encruzilhadas» de Ana Leal? Fiquei ainda mais confuso quando ouvi ontem à noite a intervenção ou uma chamada discussão à volta do tema, na TVI24, no canal 7 (às 22.00 horas), para mais, com um psiquiatra a dizer umas coisas que não compreendi.
N: – Vi por alto essas intervenções das quais só me interessaram as do moderador, da Ana Leal e do tenente-coronel Medina da Silva, da ASPIG. O resto das pessoas, parecia que não estava neste mundo e, muito menos, com os pés assentes na terra, a não ser que…. Do psiquiatra interveniente, que já conhecia desde o grupo de terapia comportamental do Júlio de Matos, parecia que tinha calçado os óculos electrónicos que diz que utiliza para resolver os problemas de fobias de vôo Joanamas que eu, como «navegador aéreo», nunca tive. Eu vivo da realidade «real e não virtual» e, por isso, utilizo apenas as mentes das pessoas com todas as suas recordações.
Vou ver melhor essa reportagem quando chegar a casa, se tiver paciência para isso e não tiver de me preparar para fazer um novo post com esta nossa conversa, relacionada especialmente com a Autoterapia. Provavelmente, com o visionamento dessa entrevista ou discussão, o novo post só ficará pronto amanhã. Se calhar, depois desse visionamento, vou fazer o relaxamento mental e entrar em Imaginação Orientada (J).
Em relação a tudo isso, posso já dizer que não acho a autoterapia uma tarefa fácil, mas posso afirmar que não é impossível. Quando eu necessitei de ajuda, há mais de 40 anos, como já sabe, só me deram comprimidos, disseram que devia ter conflitos com o meu pai e necessitava de psicanálise. Estava a entrar numa neurose depressiva reactiva muito grave com Maluco2vontade de autodestruição, já em 1968.
Como era «navegador aéreo» − como diz o outro – e não tive o apoio de que necessitava nem tinha dinheiro para a psicanálise, fui lendo muita coisa a começar por Pierre Daco, a passar por Freud e a terminar pela Modificação do Comportamento.
Tive, por acaso, a coincidência de entrar para o curso de Psicologia porque não me tinham deixado continuar a tirar o Curso de Direito no qual estava matriculado desde 1958. Também, pouco depois, tive a sorte de frequentar os «workshops» do Victor Meyer sobre modificação do comportamento enquanto estagiava e colaborava no tal grupo de terapia comportamental do Hospital Júlio de Matos.Psicopata-B
Embrenhando-me nas técnicas que estavam a ser utilizadas e não concordando com o modo como o estavam a fazer, tive a sorte de verificar em mim que um relaxamento diferente do utilizado nesse grupo (Jacobson) dava melhor resultado.
Com os sucessos ilusórios que se obtinham nesse grupo e para evitar os efeitos secundários ou colaterais, também tive a possibilidade de experimentar um novo tipo de psicoterapia, a começar comigo. Mas, tudo isso depois de ler muito sobre um panorama muito vasto de psicoterapias, especialmente a Logoterapia, de Victor Frankl. A minha biblioterapia e a autoterapia podem ter começado por aqui!Psi-Bem-C
Portanto, eu resolvi o meu problema por mim próprio e sem qualquer ajuda e afastando-me dos psiquiatras e dos medicamentos. Por isso, posso dizer que é possível.
Se quiser que afirme que todos poderão fazer o mesmo, não posso corroborar porque o Antunes (B) teve alguma ajuda minha em conversas, orientação da leitura e encorajamento.
Com a Cidália (C) a ajuda foi maior e o desencorajamento teria tomando conta da situação se não tivesse havido a intervenção do Antunes, porque já a conhecia desde miúda. O psiquiatra «comportamentista» que a seguia anteriormente e a mãe dela podiam ter-lhe provocado aquilo que aconteceu com a «Perfeccionista» (M).Difíceis-B
Com o Júlio (E) foi tudo diferente. Eu aproveitei a situação de sua carência, para o poder ajudar de forma pouco ortodoxa, à mesa de um velho café, porque não tinha nem outro local nem horário mais conveniente. Agora, sabe o resultado e o percurso da vida dele.
Estão descritos mais casos para que as pessoas leiam os percursos das suas vidas e as contingências a que ficaram sujeitos para atingirem resultados satisfatórios.
Mas repare que tudo foi possível porque eles colaboraram, treinaram o que foi necessário, leram bastante e foram compreendendo os mecanismos do funcionamento do comportamento humano, tendo persistência para não desistir perante os desencorajamentos que são absolutamente «normais».Depressão-B
A psicoterapia não funciona como um comprimido que nos deixa insensíveis à vida, fazendo parecer que os problemas ficaram muito longe. Essa ilusão que se cria com a medicamentação pode, no futuro, conduzir à necessidade de medicação cada vez mais intensiva, agressiva e degenerativa devido ao reforço secundário negativo aleatório que vai provocando. Agora, até os próprios médicos mais conscientes constatam isso e divulgam a informação.

F:Mas falando no pessoal da GNR, há alguma coisa que se possa fazer?
N: – Antes de tudo, é importante que os próprios serviços tenham pessoal especializado e competente que possa escrutinar o Psicopata-Besforço que cada um dos seus militares vai fazendo. O tenente-coronel da ASPIG tem toda a razão quando fala nisso. Horários, apoios familiares, logística, remunerações, ambiente de trabalho, riscos profissionais, castigos, não são da competência da psicologia, mas a psicologia pode ajudar a suavizar ou a organizar todos esses aspectos. E não será que deve?
No que toca a apoio que se pode dar a um militar que não esteja sobrecarregado ou antes que entre em «burned out», o que se pode utilizar em última instância é o reforço do comportamento incompatível, para que não exista o tal «triguer» de que falou Isabel Moreira. É uma espécie da técnica do origami, mas a cabeça da pessoa tem de sintonizar com isso, compreender a situação, treinar o essencial e ficar satisfeita. Durante quanto tempo e em que condições? Pode um militar utilizar essa técnica quando está em missão? Falando mais concretamente em psicoterapia ou autoterapia, como é que ele se pode «relaxar» Psicologia-Bdurante uma missão de combate ou perseguição. Porém, pode-se aprender a fazê-la com menos stress mas, para isso,cada um tem de treinar muito. Quando e como é que fará os treinos? Quem lhe vai dar a ajuda incial necessária?

F:Neste caso, o que se pode fazer?
N: – Os militares, quando vão em missão arriscada, não levam coletes anti-bala? Têm a certeza de que não serão feridos? Contudo, é uma «tábua de salvação» de que se servem e que os pode salvar a maior parte das vezes ou, pelo menos evitar males maiores. O relaxamento instantâneo (P), de que falo muitas vezes, pode servir de colete anti-stress. Não quer dizer que os irá proteger a todos com toda a segurança, mas muitos podem diminuir o impacto do stress e talvez alguns até o possam evitar. É uma das medidas que pode ser tomada pela organização, porque até a eficácia dos militares e das operações pode aumentar. Interacção-B30Contudo, embora o treino tenha de ser feito pelo próprio em consultório, tem de ser continuado e constantemente experimentado pelo próprio até em casa, todas as noites. Porém, alguém tem de os industriar nisso e até se pode fazer isso em grupo. Da mesma maneira como a organização tem a obrigação de fornecer os coletes anti-bala e proporcionar o treino de tiro e defesa necessário, também tem a obrigação de proporcionar este meio de aguentar com a tensão psicológica e aumentar a eficácia do desempenho. Para isso, algumas palestras e a leitura de determinados livros pelos interessados para compreenderem melhor toda a situação torna-se quase um imperativo.

F:O que acha que se deve fazer?Imagina-B
N: – Não sei. Os que estão nas esferas da governação ou da gestão das instituições ou um grupo de pessoas, com a ajuda de jornalistas como a Ana Leal, cujas reportagens têm sido, para mim, muitíssimo interessantes, especialmente a dos colégios e das clínicas, têm de se movimentar para exigir aquilo a que quase todos se julgam com direito. Também têm de fiscalizar aquilo que os dirigentes fazem porque muitas coisas são anunciadas como maravilhas e o seu resultado é nulo ou apenas dispendioso, sem qualquer proveito para a população. Muita coisa é dita e apresentada como muito boa, mas não apresenta qualquer «substância». É um autêntico fogo-de-vista. Em saúde mental, especialmente como tentativa de prevenção e não de resultados estatísticos, tenho as minhas sérias dúvidas.neuropsicologia-B

F: – Estou mais ou menos elucidado, tanto mais que nos vários artigos que li, descobri alguma literatura que já existe e que também pode vir a existir. Obrigado pelas informações que deu.
N: – Eu é que agradeço o seu interesse, mas recomendo que releiam com cuidado todos os artigos que mencionaram, além dos relacionados com Reforço……Vou para casa ver se almoço e consigo ver a tal reportagem da discussão na TVI24, de ontem à noite e, se não tiver tempo, vou deixar o novo post para amanhã. Assim, talvez possa entrar em Imaginação Orientada durante a noite.

De qualquer modo, tenho de dar os meus sinceros parabéns a Ana Leal que tem apresentado magníficas reportagens e, destaRespostas-B30
vez, também ao tenente-coronel Medina da Silva que parece ter metido o dedo na ferida. Não temos de ficar à espera dos quase «milagres» que se apresentam, apenas nos princípios deste século, a partir das experiências americanas, inglesas, etc., quando em 1980 já se tinham experimentado terapias mais eficazes só com o apoio de apontamentos policopiados, por ainda não existirem os livros que estão agora disponíveis.

 

Em divulgação…

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