PSICOLOGIA PARA TODOS

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BIBLIOTERAPIA – 19

Para responder às perguntas que o Sr Felício me queria fazer, tendo-me encontrado no fim do meu passeio, Bibliocomprometi-me a transcrever as páginas 45 a 54 de «Eu Não Sou MALUCO!» (E) que antecederam as que transcrevi no post Biblioterapia 18.
Estas complementam a ideia sobre a necessidade da colaboraçãodo do próprio para a leitura e treino necessário, com persistência.
É um «trabalho» de compreensão e treino que ninguém mais pode fazer por nós.

 

“As diversas leituras, a capacidade intelectual do Júlio e a sua vontade de aprender, eram os factores principais que lhe tinham tornado muito apetecida toda aquela matéria. Não se podia esperar a mesma reacção de outras pessoas, mesmo com o 12º ano ou até com anos de Faculdade. No último encontro ele tinha-me dito:mario-70
Para mim, está tudo bem. Apesar de ter apenas o 10º ano de escolaridade, muita coisa compreendi e aprendi.

Ainda estávamos em 1980, e parte de alguns apontamentos incipientes que lhe emprestei, foram a origem do livro O USO SOCIAL DA PSICOLOGIA (A PSICOLOGIA NO DIA-A-DIA) e, posteriormente, dos 5 volumes de COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO que, agora, depois de os reorganizar, estão transformados em “PSICOLOGIA PARA TODOS (F) e “INTERACÇÃO SOCIAL (K). Ainda, parte de outros deram origem aos quatro livros, conglomerados agora em “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” (D).Psicologia-B

Terça-feira foi o dia em que o Júlio se mostrou entusiasmado. Quando chegou, disse-me logo:
Sinto-me óptimo.

No dia anterior, a sua boa disposição tinha-me deixado algum tanto impressionado. Por isso, imaginei que a pretensa psicoterapia iria dar bom resultado. As coisas corriam bem e o Júlio estava satisfeito com a leitura dos apontamentos (Q) e com o que vagamente se lembrava de ter escrito na autoanálise (P). Tinham surgido algumas recordações de infância das quais nunca se lembrara anteriormente. Eram frases soltas que demonstravam a Interacção-B30existência de alguns factos que tinham marcado a sua vida infantil e adolescente.

– Vai descobrir que tem muitos documentos soltos, dos quais não se recorda e que estão muito mal arrumados – afirmei.

Aproveitou a «embalagem» para me perguntar de que maneira a Modificação do Comportamento pode ser utilizada em psicoterapia. Expliquei-lhe (B/109) que a dessensibilização em relação a medos simples é muito frequente e não difícil de utilizar. A única diferença entre este método e uma psicoterapia de profundidade baseia-se na assunção de que os medos não são provocados por factos antecedentes inconscientes, como os dele, mas sim por Joana-Bcondicionamentos facilmente descondicionáveis, ocorridos na vida do dia-a-dia.
Expliquei-lhe que, por exemplo, uma criança exageradamente assustada por um cão, pode criar um medo excessivo e generalizado de cães. Enquanto não conseguir descontrair-se ou relaxar com a presença de cães, o medo irá aumentando, especialmente se uma fuga bem-sucedida da criança, lhe der um certo alívio ocasionando reforço secundário negativo. Obrigada e ajudada a enfrentar o cão, com calma, segurança e sem conseguir fugir do mesmo, a criança pode ultrapassar a dificuldade, sem receio de sequelas (F).
Os medos do Júlio, ocasionados por traumatismos antigos que não recordava e dos quais não tinha plena consciência, tinham de ser reduzidos de outro modo, descobrindo as causas remotas.Saude-B

– Foi por isso que lhe disse, há pouco, que devia ter muitos documentos mal arrumados e dos quais não devia ter pleno conhecimento, consciência ou até recordação – concluí.

Foi um dia interessante, porque conversámos imenso sobre as diversas formas de reforço, tais como o positivo e o negativo, primário e secundário ou social, de intervalo fixo e variável, razão fixa e variável, imediato, diferido, aleatório e «vicariante». Tudo isto estava resumidamente explicado nos apontamentos emprestados, e ainda bem que o Júlio me apresentava as suas dúvidas porque, se assim o desejasse, podia exemplificar melhor Acredita-Ba teoria com factos da vida real facilmente compreensíveis. E foi o reforço do comportamento incompatível que me proporcionou esta possibilidade. E foi também assim que começou a germinar, com persistência, a ideia da colecção de BIBLIOTERAPIA, apesar de ser ensaiada apenas com apontamentos policopiados.

Para o Júlio, tudo «corria sobre rodas» e, quer o relaxamento quer a autoanálise, davam os seus frutos. As aulas de informática corriam bem e o «desmame», com os comprimidos postos de lado, já não provocava quaisquer efeitos secundários como acontecera na semana anterior. Era tempo de obter reforço com o seu novo comportamento. Foi isso que lhe comecei a incutir ao longo de toda a tarde em que falámos sobre a teoria e a prática na Psicologia Geral e Social e na Psicopatologia (A) (F) (K), mais do que nos problemas do Júlio.Consegui-B

O Júlio perguntou-me se o registo dos comportamentos era muito importante na Modificação do Comportamento. Como a razão de ser desse procedimento não estava então bem explícita nos apontamentos, disse-lhe que a falta de uma observação e registo adequados, pode conduzir a uma avaliação errada da magnitude dos sintomas de que cada um sofre. Por exemplo, se uma pessoa como ele, a sofrer de transpiração descontrolada, a tivesse avaliado em 8 na semana anterior através de uma determinada escala de avaliação utilizada para o efeito e, na semana seguinte, a avaliasse em 6, em vez de 4, na mesma escala, haveria um ponto de referência e de comparação através da qual poderia saber se tinha melhorado ou piorado quanto, Maluco2em que condições e em quanto tempo. Deste modo, olhando para a avaliação semanal, verificar-se-ia que a diferença de menos dois pontos na transpiração em relação à semana anterior, demonstrava que qualquer coisa estava a começar a mudar. O importante, era não olhar para a avaliação anterior no momento de fazer uma nova, para não haver influência nas avaliações. Cada avaliação tinha de ser feita objectiva e independentemente, para se verificar a sua verdadeira evolução.

Considerando que a transpiração excessiva é um dos sintomas que pode indiciar problemas de tensão psicológica, a mesma estava a diminuir. Olhámos para as avaliações feitas pelo Júlio e verificámos que havia melhorias. Todos os sintomas «inventariados» na semana anterior tinham baixado pelo menos um ponto nessa escala de avaliação. O entusiasmoPsicopata-B com que o Júlio falou nisso levou-me a preveni-lo que as baixas podem ser temporárias e «ilusórias» ou pouco consistentes. Todo o processo de melhoria «sofre» de retrocesso e pode existir uma quebra brusca destas melhorias. Contudo, depois dessas primeiras dificuldades, a situação vai melhorando lenta e paulatinamente até se conseguir uma estabilidade «consistente».

Também o preveni que uma melhoria brusca e exagerada é como um «sol de pouca dura», capaz de ocasionar uma quebra súbita e desagradável. Com ele, nada disso tinha acontecido a não ser…

– O quê? – perguntou, com ansiedade.
– Os medicamentos – expliquei: – Já compreendeu a razão porque os médicos fazem um «desmame» suave? É como a Depressão-Bdessensibilização. Consigo, nada disso aconteceu e viu o resultado. Compreenda bem a minha «aflição» quando me comunicou a sua decisão que me deixou preocupadíssimo, embora com a máxima vontade de o tentar ajudar. Entendeu bem agora a razão da necessidade do meu súbito relaxamento instantâneo na semana passada? Foi para não disparatar consigo.

Sim. Que grande asneira que «não deu para o torto»!
– Sou totalmente contra os medicamentos que não sejam absolutamente necessários. Contudo, como sabe, não sou homeopata nem médico e, por isso, não tenho competência para medicar, quer com produtos naturais, quer com produtos químicos sintéticos. E, se não sabe, fica a saber que não gosto de conduzir uma psicoterapia enquanto uma Psi-Bem-Cpessoa está a ser medicada em psiquiatria (M). Se tiver uma dificuldade pontual, pode ser medicada e, passado algum tempo, deve voltar à «normalidade». Dois ou três meses chegam. Isso acontece, geralmente, quando a pessoa passa por um grande desgosto, como por exemplo, a morte súbita de uma pessoa querida ou uma catástrofe inesperada. Se não fôr um caso desses, uma doença crónica ou uma psicose pode exigir uma medicação permanente que ponha a pessoa a funcionar num estado de sanidade mental aceitável. Porém, quando é uma neurose pura e simples, detesto a medicação que só prejudica e não deixa que a psicoterapia funcione em pleno.

E no meu caso, a não tomar a medicação que o senhor não queria que interrompesse assim!Difíceis-B
– Cuidado com o que diz. Eu, nada tenho a ver com a sua medicação. Apenas estou a preveni-lo dos males que podem acontecer e dos riscos que corre se não tiver o apoio dum médico. Quem o medicou sabe o que fez e quem aceitou a medicação tem o direito de resolver o que lhe apetecer (A). Eu não tenho coisa alguma a ver com o assunto. E também não fui eu que lhe propus a psicoterapia.

Vai deixar-me?
– O problema não se põe neste plano mas sim naquele em que cada um resolveu aquilo que desejou e vai continuar a decidir o que achar melhor. Eu aconselho, dou a minha opinião sobre aquilo que é do meu foro e o «paciente» é livre e soberano para neuropsicologia-Bcontinuar ou não a psicoterapia nos moldes em que eu a proponho. Entendeu?

Não está zangado comigo, pois não?
– De modo algum. Estou somente a pôr os pontos nos ii.

– Então, a medicação passa a ser da minha responsabilidade – disse o Júlio e continuou. – Sabe que estou muito mais lúcido do que na semana passada? Parece que me tiraram alguma coisa de cima da cabeça. Aquelas vozes confusas que eu ouvia, desapareceram.
– Ou calaram-se? Você nunca me tinha falado nas vozes.Imagina-B

– Julguei que não era necessário.
– Assusta os psiquiatras com isso e como é que quer que eles o mediquem?

– Isso tem a ver alguma coisa com os medicamentos?
– Não sei, mas deve ter, porque é mais um sintoma do qual não me tinha falado (A/45-119).

Não acha que os medicamentos me prejudicavam?
– No meu entender, os medicamentos prejudicam sempre uma boa psicoterapia (A/121-155). A pessoa a ser submetida a uma
Organizar-Bpsicoterapia que se deseja rápida e eficaz, necessita que as suas capacidades mentais estejam a funcionar em pleno (M). Necessita de ter medo, de o reconhecer e de saber que o seu medo é irracional quando a fonte que o produz não é amedrontadora nem perigosa.

O que é que quer dizer com isso?
– Se chegar a ver um pitbull a tentar atacá-lo e tiver medo, é lógico e racional, ou não é? Esse medo, que é necessário, não vai ajudá-lo a fugir, a defender-se ou a atacar o seu atacante? Não é saudável? Se não tivesse esse medo e não fugisse, consegue imaginar que o pitbull o poderia esfacelar?

Sim, mas…Respostas-B30
– Os seus medos actuais, tem alguma razão de ser?

– Não.
– Então, são irracionais e ilógicos. Se os reconhece como tal, porque não os elimina? Não consegue? Porquê? Se depois de toda esta razoabilidade, lógica e reconhecimento não os consegue eliminar, alguém tem de o ajudar a reduzi-los. Acha que um comprimido vai a correr agarrar o seu medo para não deixar que o mesmo se manifeste? O comprimido só vai baixar o seu nível de consciência e ansiedade de modo a dar-lhe a sensação de não ter medo porque não o consegue sentir (B). Quando o comprimido deixar de actuar, a sensação de «Educar»-Bmedo vai estar lá para lhe «aporrinhar» a vida. Se, com uma «boa dose de alguns comprimidos», chegasse a ver o pitbull, talvez até nem fugisse, caso não julgasse que o poderia dominar. Lembra-se da cena dos bêbados à porta do café? O mesmo mecanismo funciona com a ansiedade, a depressão e a insegurança. Entendeu?

Mais ou menos. Estou a lembrar-me das bebedeiras que apanhava quando queria «ganhar coragem».
– Relaxe-se, medite profundamente nisso e compreenda que só você é «dono» do seu «pensamento» e que nada o pode ajudar enquanto não o alterar. É isso que se pretende numa psicoterapia séria e eficaz. É por isso que eu insisto que um psicoterapeuta é sempre um ajudante e nunca o actor principal. O actor principal é o próprio que deseja mudar, mas pede a alguém que o ajude e alumie o caminho que ele deseja Depress-nao-Bseguir livremente. Compreendeu?

Mais do que nunca, estou satisfeito em ter deixado os comprimidos! – foi a exclamação do Júlio.

Estávamos muito entusiasmados na conversa, quando o dono do café, já com pouca gente, se aproximou e perguntou se eu não desejava a tal tosta, o sumo e o café. Olhei para o relógio e assustei-me com o adiantado da hora:
– Rápido, se faz favor.

Com que então, hoje estavam muito entusiasmados!DIA-A-DIA-C
– Sabe que as boas conversas deixam-nos assim – respondi ao dono do café, ficando depois à espera da tosta, que chegou logo.

O Júlio encostou-se à cadeira e ficou muito pensativo enquanto eu comia e me escapulia para as aulas.

Na quarta-feira, o Júlio continuava bem-disposto e cheio de vitalidade. Dizia-me que tudo lhe estava a correr bem. Tinha lido mais algumas páginas dos apontamentos que lhe emprestara e estava a entusiasmar-se com o modo como os comportamentos humanos se formam, modificam e extinguem para, subitamente, reaparecerem com uma força inusitada, sem se poder prever o seu ressurgimento (F).Psicoterapia-B
– Não é bem assim – disse eu.

Não é assim? Porquê?
– Por exemplo, no seu caso, existia uma forte probabilidade de que os traumatismos sofridos por si ao longo da infância e adolescência, aos quais só se referiu ontem por acaso, surgissem qualquer dia sob diversos aspectos que prejudicam uma vida mental saudável. Foi o que aconteceu consigo de maneira muito camuflada ao longo destes últimos anos. Não é, por acaso, que ficou «doente» e foi primeiro ao seu médico e depois ao psiquiatra. Não é sem necessidade que estava a tomar os medicamentos. Mas, se desejar que a sua vida mental se estabilize e tenha um stress2percurso saudável ou «normal», como se costuma dizer, necessita de «descobrir» os seus males, analisá-los à luz da razão, enquadrá-los no momento oportuno e aprender a enfrentá-los, sendo até capaz de o fazer sozinho e sem a ajuda de outra pessoa e, melhor ainda, sem qualquer medicamento (B) (P) (Q).

Por que é que diz, melhor ainda?
– Quando lhe faltar o medicamento «legal» têm algum sucedâneo como os «chocolates» espanhóis que se vendem nas entradas do METRO? (Q)

Chocolates sucedâneos conheço, mas os outros?
– De certeza que também está farto de conhecer o álcool, a droga, a delinquência, a prostituição e, sob uma forma mais apoio2camuflada e socialmente aceite, o despotismo, o nepotismo, o autoritarismo, a delinquência, a criminalidade e outras formas de resolver os sentimentos de inferioridade e de frustração de que uma pessoa sofre (G).

Então, é assim!
– Se está a ler os meus textos, deve descobrir que me refiro constantemente a estes problemas em relação aos quais nada faze-mos para os evitar. Por isso, é importante educar uma criança (D) nas devidas condições, isto é, ajudá-la a estruturar uma personalidade saudável, independente, autónoma e resistente à frustração ou, pelo menos, capaz de a ultrapassar saudavelmente e sem grandes dificuldades e sequelas. É o melhor caminho para uma vida mental saudável e equilibrada, mas não digo «normal» (A) (D) (P) (Q).sucess2
– Acha que eu posso chegar a esse ponto?
– Nada é impossível desde que trabalhe para isso, tanto mais que vai aprender a compreender e a ultrapassar as frustrações que sofreu e que está e vai continuar a ter de enfrentar pela vida fora. O importante é reconhecê-las em tempo oportuno, senti-las, analisa-las no momento de ocorrência, compreendê-las e ultrapassá-las da melhor maneira possível, utilizando-as, muitas vezes, a seu favor. É assim que fazem os surfistas para aproveitar a boa onda. Foi por isso que falei nos seus documentos mal arrumados. Não julgue que toda a sua situação me passou completamente despercebida.reed2

Nota-se assim tanto?
– Nota-se, é uma forma de dizer e de encarar as coisas. Os psicólogos e, especialmente os psicoterapeutas, têm a obrigação de se aperceberem de que determinados aspectos não devem estar a funcionar bem em certas pessoas, embora a maior parte delas se mostre aparentemente desinibida, feliz e autoconfiante e, às vezes, eufórica (ver Germana) (L/106-114). Ninguém consegue saber o que se passa dentro das mentes das outras pessoas e, às vezes, nem os próprios, que travam uma luta feroz entre aquilo que desejam sentir e o que sentem. Contudo, os psicólogos e, especialmente, os psicoterapeutas, têm necessidade de fazer «ilações», imaginando aquilo confl2que pode estar a passar na cabeça dos seus consulentes (K). Quando desaparecem determinados suportes ou «forças interiores» em que a pessoa se baseia para vencer esta luta, ela sucumbe e entra em descompensação. Tenta compensar-se com os comprimidos que, enquanto actuam, proporcionam algum alívio momentâneo e temporário não deixando que a pessoa pense em coisa alguma. Depois, ela consegue reestruturar sozinha a personalidade e as suas cognições (B) ou procura a ajuda de um psicoterapeuta sério (C). Caso contrário, volta a tomar os medicamentos, se não substituir a descompensação inicial por outra qualquer (M), mais bem aceite pela sociedade.

Muito do que me diz, baseia-se fortemente no senso comum – respondeu o Júlio.homem2
– Por esse motivo, tenciono que pense nisso utilizando já o seu diário de anotações e, mais tarde, também a autoanálise, para o ajudar a desvendar os seus «mistérios», que virão facilmente ao de cima quando e enquanto fizer o relaxamento mental.

Verificando a facilidade com que o Júlio raciocinava e desejando dar-lhe um forte reforço positivo, exclamei:
– Não é qualquer pessoa, com um nível intelectual inferior ao que é necessário, que raciocina do modo como tem feito a partir das leituras realizadas e das conversas que estamos a ter. É por isso que estou entusiasmado com a sua pqsp2psicoterapia e faço um bom prognóstico desde que siga as indicações que lhe vou dando. As leituras também são extremamente importantes para ajudar a compreender esses mistérios, integrá-los e utiliza-los bem na medida em que nos servem (Q). Não se pode deixar alienar pelos mesmos ou ser subjugado por conceitos errados. Quem escreve, tem o direito de expor as suas ideias, mas quem lê, também tem a obrigação de separar o trigo do joio e apropriar-se daquilo que lhe interessa para se sentir melhor e apresentar tudo isso aos interlocutores e aos vindouros duma maneira mais fácil e apetecível (P).
É o que está a fazer com a psicologia, psicologia social, psicopatologia e psicoterapia? (Q) – perguntou-me o Júlio.Humanismo2

Essa pergunta deixou-me ligeiramente surpreendido. Admirado com a observação que estava a fazer da situação e com o
raciocínio rápido e expedito, respondi:
– Estou a tentar e oxalá que o consiga.

A psicoterapia assim, parece de facto, um processo mais educativo do que curativo – disse o Júlio, ao que respondi:Falhas2
– É isso mesmo que eu penso (ver agora Januário) (L).

Se assim é, nunca poderemos utilizar os medicamentos para melhorar a aprendizagem.
– Talvez temporariamente – disse eu.

Sim. Sim. São os tais comprimidos durante algum tempo enquanto as pessoas não ganham fôlego para alterarem o curso das suas vidas e dos seus pensamentos.
– Talvez isso. – respondi, já bastante satisfeito com o curso dos acontecimentos.Marketing2

Depois de algum tempo de silêncio do Júlio, a conversa desviou para outros assuntos mais ligados ao seu novo curso de informática. Ele achava-o bastante interessante e o que mais desejava era conseguir um lugar onde pudesse trabalhar e ganhar o suficiente para ter uma vida estável e conseguir prosseguir os seus estudos, se tivesse tempo para isso. Paciência e disponibilidade, tinha. O que mais lhe interessava no momento, era conseguir «dominar» as ideias que o preocupavam e as dificuldades que sentia. Alijada essa carga, sentia-se capaz de grandes feitos, coisa que nunca conseguira. Trabalhar na vertente administrativa da «fabriqueta» dos móveis, não era trabalho que o entusiasmasse. Tinha de procurar outra alternativa. Seria isso possível desta vez? Até já estaria Sindicalismo2«armado» com o curso de informática que estava a tirar! A «sua doença» talvez fosse providencial e num momento mais exacto para poder singrar na vida e prosperar, desde que «agarrasse a sorte» ou a oportunidade com as duas mãos.
Ficando bastante entusiasmado com o seu «discurso», especialmente relacionado com as oportunidades e contingências em psicoterapia, deixei-o divagar à sua vontade, pensando com os meus botões que uma psicoterapia orientada com livros adequados, compreensão do mecanismo do comportamento humano e da sua modificação, treino do paciente em casa e seguimento de algumas «rotinas», poderia dar bom resultado (P).
Seria, de facto, possível e exequível uma biblioterapia? (Q)

Era esta a minha grande dúvida e ambição já em 1980, porque nunca consegui uma psicoterapia válida, duradoura e eficaz sem arvore
a colaboração do próprio!

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