PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCOLA / CONFLITOS – 4

CONFLITOS EVITÁVEISescol-conf-c

Não são poucas as vezes que os comportamentos e as interacções despropositadas embora, às vezes, bem-intencionadas mas inoportunas, ocasionam resultados desastrosos e desagradáveis, prejudicando tanto o aluno como os professores e o bom relacionamento dentro da instituição.

Ernesto era um aluno que, apesar de parecer interessado na sua aprendizagem, era considerado muito irrequieto, indisciplinado e até «maluco», pela maior parte dos seus professores. Qual a razão deste juízo a seu respeito?

Ernesto distraía-se muito nas aulas e era constantemente chamado à atenção pelos professores. Atendia no momento ao que lhe diziam, mas depressa se esquecia e tinha um comportamento ainda pior. Com esta reincidência, todas as vezes que o Ernesto perturbava a aula, surgiam as repreensões de alguns professores, em voz muito alta, quase aos gritos, com ameaças, palavras e frases muito desagradáveis que, além de o magoarem atingiam por vezes os seus pais e a religião que Interacção-B30professava.

Com este procedimento da parte de alguns professores, sem poder reagir abertamente contra eles, era provável que o Ernesto entrasse em conflito intrapsíquico, além de se sentir frustrado; por isso só reagia de acordo com as possibilidades que estavam ao seu alcance. Ao ouvir os professores, parecia ficar mais agitado e resmungava coisas sem nexo, continuando a perturbar a aula. Se analisarmos a situação, verificamos que existia inicialmente um conflito de interesses entre os professores e o Ernesto. Provavelmente, por desejo, incapacidade psíquica ou reforço obtido, o Ernesto sentia necessidade de se portar mal nas aulas enquanto os professores Psicologia-Bdesejavam que ele se portasse bem e não perturbasse os outros. Neste conflito, os professores podem ter reforçado, involuntariamente o mau comportamento do Ernesto prestando-lhe atenção (com recriminações) após os seus disparates e não o elogiando quando, durante escassos momentos ele se portava bem ou não se portava mal. Para resolver este conflito interpessoal, os professores poderiam ter utilizado a técnica de reforço do comportamento incompatível como se verá a seguir.

Além do aumento da intensidade deste conflito em que os professores continuavam com as suas recriminações e ele exagerava nos seus disparates, temos em seguida outra situação que é frustrante para qualquer aluno vulgar: ser Saude-Bconstantemente admoestado e quase insultado por alguns professores que englobavam nisso os pais e a religião. Provavelmente haveria mais gente a fazer troça dele pelo mesmo facto. Que resposta daria o rapaz nestas circunstâncias? Não podia ripostar com os professores, nem os podia magoar doutra maneira, sendo-lhe também impossível dirigir contra eles qualquer acção mais directa. As respostas possíveis eram «negar» o acontecimento, «deslocar» a reacção, persistir sem vantagens, entrar num compromisso e mudar de táctica.

Como lhe era difícil entrar num compromisso ou mudar de táctica ou estratégia, o rapaz «deslocava» a reacção para um hipotético opositor (resmungar contra alguém) e persistia na sua reacção de continuar a perturbar a aula, já que neuropsicologia-B«negar» os acontecimentos não lhe devia interessar. Todas as suas reacções eram previsíveis, mas os professores pareciam não dar conta delas.

Porém, um dos professores como achava que o Ernesto, além ser esperto e inte­ressado, também era meigo e gostava de ter a atenção dos outros, resolveu experimentar as técnicas de modificação do comportamento para alterar essa tão desagradável situação nas aulas. Observou cuidadosamente a interacção do Ernesto na sala de aula e verificou que talvez conseguisse manter um bom relacionamento, desde que, no momento em que se distraísse ou perturbasse a aula, o professor o repreendesse ou chamasse a atençäo com calma, fazendo-o compreender como o seu comportamento, naquele momento, era prejudicial tanto para os colegas como para ele próprio. O Psicopata-Bprofessor iniciou a experiência e o Ernesto acatou as suas pala­vras e passou a ter um comporta­mento relativa­mente correcto durante o resto da aula. Sempre que isto acontecia, era indispensável que fosse reforçado, sendo-lhe indicado no momento qual o comportamento mais correcto.

Não foi necessário utilizar com este rapaz, de forma sistemática, nem o reforço do comportamento incompatível, nem o procedimento de extinção; a sua capacidade intelectual chegou para tirar ilações rápidas das ligeiras punições (repreender ou chamar a atenção com calma) que lhe eram infligidas e dos indícios de comportamento adequado que (com facilitação) lhe eram reforçados.

Maluco2Se esta actuação do professor não tivesse surtido efeito, seria necessário utilizar sistematicamente as técnicas de:
◊ punição (rápida, incisiva, objectiva e forte, no momento da prevaricação)
◊ extinção (desconhecendo todos os comportamentos desadequados);
◊ reforço do comportamento incompatível (reforçando todos os comportamentos incompatíveis com a possibilidade de perturbar a aula).

Este aluno, considerado erradamente pelos professores como «maluco» e «mau por natureza», conseguia deixar de sê-lo Depressão-Bquando devidamente tratado com carinho e afecto; não estaria ele também a ressentir-se do tratamento desadequado por parte de diversas pessoas que, por vezes, até se aproveitavam da sua religião para o incomodar? Sem saberem que isso o iria prejudicar ainda mais, podiam não só criar-lhe conflitos intrapsíquicos muito graves como ainda frustrações em que a resposta possível poderia ser a delinquência, a droga ou qualquer outra, desadequada e, por vezes, patológica e irreversível. Porém, se por acaso atingisse uma dessas situações, somente ele seria considerado o responsá­vel pelo seu mau comportamento.

Fazendo um aparte em relação a este capítulo do livro, posso dizer que, hoje em dia, a Ritalina é um perigo sério. 

A transcrição do conteúdo do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 5.

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